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segunda-feira, 8 de janeiro de 2018 Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 09:42

2018: um ano e duas hipóteses

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Certas efemérides ganham algum sentido quando estimulam reflexões, conectando o passado recente com o futuro próximo, à luz do que enxergamos no presente. Garantia de acerto ninguém pode dar quando fazemos prognósticos, mas estes melhoram muito quando as percepções são mais acuradas. Ainda que as hipóteses sejam múltiplas, tão variadas como aqueles que as formulam, é tentador pensar em bifurcações simplificadoras. Portanto, o número dois aqui é representativo dos ramos principais e alguns elementos essenciais, sem pretender ser completo ou contemplar os infinitos galhos e variantes deles decorrentes.

 

Do ponto de vista da economia, temos especiais oportunidades para aumentar de forma significativa nosso padrão de produtividade, caminhando em direção a um desenvolvimento econômico que seja sustentável do ponto de vista social e ambiental. Vivemos um acelerado processo de globalização, onde as transações internacionais são, em parte, resultantes do parâmetro produtividade média dos trabalhadores de cada país. Indicadores de produtividade mantêm estreitos vínculos com a capacidade de inovação e a qualidade da educação da população, entre outras variáveis. O Brasil no comércio global responde por somente insuficientes 1,2% das transações, ou seja, menos da metade de nossa participação percentual de população no planeta, evidenciando nossas fragilidades competitivas ao lado do efetivo potencial de crescimento. No ano passado, houve alta de 18% nas exportações, indicando que podemos escalar posições no ranking global, especialmente se ampliarmos acordos com espaços como União Europeia e Índia.

 

Aumentar produtividade é, principalmente, melhorar o nível educacional. Os resultados do PISA (Programa Internacional de Avaliação dos Estudantes), promovido pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), envolvendo jovens de 15 anos de mais de mais de 70 países, demonstram de forma inequívoca nosso passivo extremado. Classificado em 6 níveis, o nível 4 em matemática é o mínimo indicado para as carreiras tecnológicas, fortemente associadas à capacidade de inovar. No Brasil, somente 4% atingem o nível quatro, em comparação com 38% na Austrália, 43% no Canadá e 52% na Coréia.

 

Do ponto de vista social, temos elementos mais do que suficientes para nos convencermos de que o abismo social entre os mais ricos e os mais pobres inviabiliza o desenvolvimento sustentável. Temos, ao longo do tempo, obtido alguns sucessos em aumentar a escolaridade média, na erradicação da miséria e na redução dos índices de mortalidade infantil. Por outro lado, falhamos, e muito, em diminuir a violência, parte dela resultante das citadas disparidades sociais, e, principalmente, em ampliar a qualidade do ensino, com destaque negativo para o ensino médio. As discussões e as aprovações em curso da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) representam passos positivos em direção a, pelo menos, sairmos da simples constatação do desastre. Mesmo assim são, claramente, medidas insuficientes para encaminharmos o complexo tema da qualidade da educação.

 

Quanto à política, teremos as eleições nacionais. A questão passa a ser menos quem as vencerá e mais quão legitimados estarão o novo presidente e seus parlamentares parceiros para implementar aquilo que prometeram na campanha. A melhor perspectiva é um debate equilibrado e racional e, fruto deste, as consequentes escolhas conscientes pela maioria. Entre os temas principais, o papel e do tamanho do Estado. Seja um Estado eficiente e menos intervencionista ou, alternativamente, um Estado amplo, promotor central do desenvolvimento, ainda que em regimes de parcerias com os diversos atores da sociedade. A pior perspectiva seria um debate extremado e irracional, em que, por certo, eventuais vencedores terão opositores ferozes e enormes dificuldades em implementar as propostas que apresentaram nas eleições. As discussões terão sido suficientes unicamente para estimular a militância radicalizada e para convencer uma maioria eleitoral frágil. Porém, incapazes de agregar, pós-período eleitoral, uma predominância legitimada e substantiva que consiga levar adiante os temas mais relevantes para o país.

 

Longe de ter o peso dos temas acima, mas é também ano de Copa da Mundo. De um lado podemos ser surpreendidos por Suíça, Costa Rica e Sérvia, ficando a exemplo de 1966, fora das oitavas. Por outro, podemos, como temos o legítimo direito de esperar, uma belíssima final com Alemanha, na qual possamos nos redimir de vez de um passado nem tão distante. Assim como nos assuntos anteriores, não precisamos revidar os 7 a 1 de imediato, mas necessitamos urgentemente sentir que, ao menos, estamos na direção correta, tanto no tempo como no espaço.

 

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quarta-feira, 20 de dezembro de 2017 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Inovação e Educação | 05:17

Tio Luís e as competências transversais

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Durante o ano, com maior ou menor sucesso, escrevo para os leitores, procurando temas que, eventualmente, lhes possam ser de interesse. Assim, tanto o formato como o conteúdo têm como referência balizadora principal quem lê, e não quem escreve.

 

Neste último artigo do ano, concedo-me a liberdade de escrever para mim mesmo, no tema que me agradar e no formato que resultar, sem nenhum constrangimento. Uma espécie de presente de Natal que decidimos nos dar.

 

Tive um tio, já falecido, chamado Luís José Rodrigues, ainda que irmão de meu pai de sobrenome Mota. Uma história complicada, a família homenageava por vezes os parentes do pai (Rodrigues), por outras os parentes da mãe (Mota). Assim, meu Mota, por curioso que seja, vem da avó paterna.

 

Tio Luís era alfaiate, um bom alfaiate. Dominava um ofício e dele basicamente sobreviveu e com dignidade. Seu mundo não exigiu nunca mais do que isso. Era um período de especialidades e estas perduravam, ainda que com alguns sobressaltos. As camisas volta ao mundo de nycron e as calças jeans e similares foram alguns desses obstáculos a quem produzia roupas personalizadas a partir de cortes de tecidos. As turbulências devem tê-lo atingido e, ao longo da vida, o fizeram testar outras atividades, mas nada que o tivesse afastado em definitivo da missão associada ao ofício de que gostava.

 

Aquilo que tinha um tom de cotidiano e de relativa nobreza, fazer as indumentárias sob medida, rapidamente se transformou em quase esquisitice. Mesmo que eles fossem, e eram, maravilhosos e competentes, o ofício se transformaria em atividade de nicho, para poucos de gosto extremamente refinado ou simplesmente hábito remanescente em alguns mais velhos.

 

Uma mudança drástica, ainda em curso, são os desafios de sobrevivência para profissões tradicionais no ambiente contemporâneo. Sobressai-se agora a exigência de dominar competências transversais, sem as quais podemos não dar conta das modificações sociais que enfrentamos. Competências transversais dizem respeito à aplicação de conhecimentos adquiridos previamente na solução de problemas novos ou de suas utilizações em ambientes diferentes dos originais. Este saber no meio acadêmico inclui a adoção de estudos e abordagens de natureza estritamente disciplinar em contextos inter, multi e transdisciplinares.

 

Esta especial característica, competência transversal, habilita a integrar conhecimentos de áreas diversas do saber especialmente na execução de missões complexas. Tal habilidade inclui o domínio da comunicação das fases em evolução, bem como das conclusões, para plateias de especialistas e de não especialistas, ao longo de completar uma tarefa, seja ela qual for.

 

A aquisição de tal competência é progressiva e ilimitada, mas em todos os níveis permite e estimula continuar aprendendo, caracterizando-se pela relevância de trabalhar em equipe, onde naturalmente as características e habilidades são múltiplas e diferenciadas, constituindo-se em ferramentas indispensáveis em um mundo de educação permanente ao longo de toda a vida.

 

Os mestres envolvidos nos processos de aprendizagem dessas competências se caracterizam pelas abordagens que visam a fortalecer no educando a capacidade de aprendizagem independente, emancipatória na prática de aprender a aprender continuamente.

 

Os ingredientes indispensáveis na formação educacional com tais perspectivas incluem, entre outros: capacidade de comunicação e de estabelecer diálogos positivos e enriquecedores; habilidade de analisar e sintetizar informações de natureza complexa; despertar para a crítica baseada em argumentos claros, especialmente expostos à luz de evidências; estimular o pensamento baseado em metodologia científica, fazendo uso de lógicas sofisticadas e em elementos de modelagem e simulação; respeito por espaços de liberdade, pelas características individuais e apreço pela diversidade, como elementos imprescindíveis estimuladores de processos criativos e inovadores; desenvolvimento de compromissos não negociáveis com a ética, com a cultura de paz, com os valores democráticos mais fundamentais e aversão a toda forma de preconceito; e, por fim, ênfase absoluta em elementos personalizados de flexibilidade, adaptabilidade e de motivação.

 

Tio Luís jamais imaginou que um dia vivenciaríamos um universo onde toda a informação pudesse estar absolutamente acessível, instantânea e basicamente gratuita. Mais do que isso, inimagináveis para ele as consequências deste novo estado de coisas tal a radicalidade de mudanças nas profissões, no mundo do trabalho e nas relações entre as pessoas. Porém, alguns elementos essenciais devem permanecer intactos. Entre eles, a sobriedade, a honestidade, a tolerância e a humildade que estimulam a aprender sempre e com respeito aos que conosco convivem. São elementos que permanecem, sempre. Isso acredito que Tio Luís já sabia e ele estava certo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Figura em Domínio Público, como visto em: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/b/b1/The_Village_Tailor_-_Albert_Anker.png

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sexta-feira, 15 de dezembro de 2017 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Inovação e Educação | 09:28

Adeus Wikipédia, bem-vinda Everipédia/Blockchain

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Uma das principais marcas deste começo de milênio é a Wikipédia, um projeto bem sucedido de enciclopédia colaborativa, universal e multilíngue. O objetivo central tem sido fornecer conteúdo livre, objetivo e verificável, onde todos, dentro do espírito colaborativo/wiki, podem voluntariamente editar e continuamente aprimorar as informações sistematizadas e disponibilizadas gratuitamente.

 

A comunidade Wikipédia é essencialmente cooperativa, sem hierarquia, onde todos os membros podem criar ou editar um artigo, desde que sigam as regras básicas estabelecidas por eles mesmos. O enorme sucesso parecia indicar que estávamos diante de um fenômeno sem limites e duradouro eternamente. Percebemos hoje que essa previsão era ingênua. Dando um adeus à Wikipédia, vem aí a próxima geração, a Everipédia, a enciclopédia de tudo, baseada em novas estratégias e tecnologias, como blockchain, não disponíveis anteriormente.

 

Everipédia, com seus mais de seis milhões de artigos, já nasce como a maior enciclopédia da língua inglesa, sendo absolutamente livre para ser modificada e utilizada. Tudo isso dentro da cultura de criações coletivas e fazendo uso de novas normas estabelecidas e amparadas em tecnologias inovadoras.

 

Há algo em comum entre as duas “pédias”, um dos fundadores da Wikipédia, Larry Sanger, é também um dos dirigentes atuais da Everipédia e, particularmente, um entusiasta do uso da tecnologia blockchain, de tanto sucesso nas criptomoedas (Bitcoin, Ethereum etc.), agora aplicado ao mundo das enciclopédias.

 

Entre as diferenças, destaco a descentralização e a “tokenização”. A Wikipédia é uma plataforma hospedada de maneira ainda tradicional e centralizada, o que, por sinal, permite que alguns países (China, Turquia e Rússia, entre outros) dificultem o seu acesso. Diferentemente, a Everipédia nasce com sua biblioteca hospedada de forma totalmente descentralizada, viabilizando que todos os seus usuários e editores possam acessar e modificar o seu conteúdo de diversos e ilimitados servidores.

 

A “tokenização”, por sua vez, vem junto com a adoção da tecnologia blockchain, a qual garante a coerência dos artigos e impede, ou tenta impedir, que qualquer usuário altere os dados que possui em sua máquina sem a devida aprovação da comunidade de editores. Uma novidade associada é que todos os editores serão recompensados com pontos ao criar ou atualizar os conteúdos disponíveis na plataforma. Ao editar algo, o proponente gasta parte de seus pontos, sendo que, se sua contribuição for aprovada, ele recebe seus pontos de volta, acrescidos de adicionais em recompensa pelo sucesso. Alguém mal-intencionado ou sem noção (eles existem) jamais teria pontos suficientes para, de forma deliberada e inadequada, ousar propor mais alterações do que o razoável.

 

Em suma, se hoje, dentro das tecnologias e das possibilidades atuais, a Everipédia disponibiliza mais de seis milhões de artigos, o cenário seguinte permite vislumbrar passarmos, em breve, de uma centena de milhões de artigos. Neste caso, contemplando tudo o que já foi formulado, abrindo espaço para o que potencialmente possamos vir a criar dentro deste revolucionário ambiente. Revolucionário? Sim, até que algo, ainda a ser desenvolvido, surja para dar um novo adeus àquele que hoje chega confiante que será para sempre. E será, pelo menos enquanto dure.

 

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sexta-feira, 1 de dezembro de 2017 Educação e Tecnologia, Inovação e Educação | 16:19

O maoísmo digital e a droga chamada Facebook

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Se alguém avesso ao mundo digital fizesse as acusações acima seria fácil debitar às naturais resistências aos avanços tecnológicos em curso. Mas, quando Jaron Lanier, considerado o pai da realidade virtual e eleito pela revista TIME como uma das 100 pessoas mais influentes do mundo, há que se prestar a devida atenção.

 

Lanier criou em 1985 a empresa VPL que foi a primeira a utilizar comercialmente capacetes com telas acoplados a computadores, viabilizando “enganar” o cérebro. Ainda que sua empresa tenha durado somente cinco anos, a tecnologia de realidade virtual é uma das bases principais dos avanços em modelagem, simulação e design do mundo contemporâneo. As aplicações são ilimitadas e vão desde a fabricação de produtos a variados usos nas áreas médica, militar e educacional, entre outras.

 

Lanier é autor de alguns livros, com destaque para “The Dawn of the New Everything” (em português, “O Despertar de Todas as Novas Coisas”). Nesta obra, de caráter autobiográfico, ele relata a história do surgimento da realidade virtual. Recentemente, a edição da BBC Brasil trouxe uma interessante matéria com ele destacando a analogia entre redes sociais e drogas. Lanier afirma evitar as redes pela mesma razão que evita as drogas, ou seja, por sentir que ambas podem lhe fazer mal.

 

Um de seus mais conhecidos textos é intitulado “Maoísmo digital:  os perigos do novo coletivismo online”, escrito para a revista Edge, em maio de 2006. Nele, uma crítica forte a ferramentas tipo Wikipédia é apresentada por passarem a percepção de uma suposta inteligência coletiva que tudo sabe e a tudo conhece, a chamada “sabedoria das multidões”. Segundo ele, isso nada tem a ver com democracia ou meritocracia, tendendo sim, na prática, a permitir espaços para visões extremadas e totalitárias, ainda que adotando uma roupagem tecnológica e futurista.

 

Uma das preocupações mais graves de Lanier é com o efeito psicológico do Facebook sobre os jovens, especialmente na formação das personalidades dos adolescentes e na construção de seus relacionamentos. Diz ele: “As pessoas mais velhas que já têm vários amigos e que perderam contato com alguns podem usar o Facebook para se reconectar com uma vida já vivida. Porém, se você é um adolescente e está construindo relacionamentos pelo Facebook, você é obrigado a fazer a sua vida funcionar de acordo com as categorias que o Facebook impõe. Você precisa estar num relacionamento ou ser solteiro, tem que clicar numa das alternativas apresentadas. Isso de se conformar a um modelo digital limita a pessoa, restringe sua habilidade de se inventar e impede de criar categorias que melhor se ajustem a você mesmo.”

 

Lanier expressa também uma inquietação especial com a forma como Facebook, Google, Twitter e outros sites utilizam os dados de seus usuários. Diz ele: “Existem dois tipos de informações: dados a que todas as pessoas têm acesso e dados a que as pessoas não têm acesso. O segundo tipo é que é valioso porque esses dados são usados para vender acesso a você. Vão para terceiros, para propaganda. E o problema é que você não sabe das suas próprias informações mais”.

 

Por fim, em que pesem as suas provocações típicas, Jaron Lanier persevera no otimismo com as novas tecnologias, afirmando sempre que ainda há muito a evoluir, seja em realidade virtual ou em outras ferramentas. Lanier considera que o que temos hoje é demasiadamente preso ao passado, tal qual o cinema que, no seu início, se restringia a filmar o teatro. Hoje, o cinema é uma arte independente do teatro.

 

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Figura em Domínio Público: https://iseultandbloom.org/images/singularity/jaron-lanier.png

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terça-feira, 28 de novembro de 2017 aprendizagem, EaD, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 09:01

Lançamento do livro e do aplicativo em Brasília dia 05/12 na ABMES

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No próximo dia 05/12, terça-feira, das 08h30 às 12h30, em Brasília-DF, na sede da ABMES,  o livro “A Arte da Educação” e o app “Ronaldo Mota Online” serão lançados.

 

Aqueles interessados em adquirir o livro online podem fazê-lo imediatamente via o link da Editora Obliq:  https://www.obliq.com.br/uc6e0tmk-a-arte-da-educacao.

 

Com o aplicativo “Ronaldo Mota Online”, desenvolvido em conjunto com Digital Pages, será possível acessar gratuitamente a versão completa do e-book “A Arte da Educação” e os diversos depoimentos realizados sobre a obra, para leitura tanto em modo online quanto off-line. Diversas ferramentas interativas de leitura estarão disponíveis, como anotações, favoritos, sumário, ferramentas de busca, atalhos para páginas e um menu ajuda. Para acessar o aplicativo, basta baixá-lo, a partir de 05/12, em uma das lojas disponíveis (Google Play ou Apple Store).

 

Abaixo, mais sobre a obra:

 

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A ARTE DA EDUCAÇÃO

 

Ao início era a obra

com cara de segunda-feira.

 

Trigo na forma bruta

água que não faz espuma

letras que se desentendem

movimento e energia.

 

Em seguida vem o corpo

expressão de sexta-feira.

 

Massa enquanto barro

caldo que se mistura

sentenças que se conversam

cansaço querendo espaço.

 

No meio temos o forno

com jeito de precisão.

 

Alimento quase pronto

recheio que se junta

páginas que se seguem

fome de conclusão.

 

Tempo feito em partes

a arte da educação.

 

Ciclo permanente

quando todos aprendem

aprendem o tempo todo

cada um cada qual.

 

Final lembrando recomeço

parecido mas diferente.

 

Não somos mais os mesmos

sabemos pouco mais

cientes que nunca fecha

nova volta a completar.

 

Ronaldo Mota

 

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segunda-feira, 13 de novembro de 2017 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 17:17

Lançamento do livro: “A Arte da Educação”

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Latoncamento

 

 

No próximo dia 22/11, quarta-feira, às 18h, no Centro Cultural do Banco do Brasil/CCBB, no Rio de Janeiro-RJ, lançarei o livro “A Arte da Educação”. Ainda neste ano, teremos outros lançamentos: em Brasília-DF na Associação Brasileira de Mantenedores do Ensino Superior/ABMES (dia 05/12, terça-feira, pela manhã) e em Santa Maria-RS, na CESMA (dia 23/12, sábado, às 10h30). Em outras cidades, lançamentos somente em 2018.

 

A versão impressa estará disponível para aquisição online, diretamente da Editora Obliq (a ser anunciado em breve). Simultaneamente, a obra, no formato e-book, estará também disponível via o app “Ronaldo Mota Online”, desenvolvido em conjunto com Digital Pages (detalhes em breve).

 

A obra trata da relevância de se entender o ofício educar como arte. Um conjunto de artigos, alguns inéditos e outros já publicados na coluna Reitor Online do Portal iG, no blog da ABMES e na página do Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras/CRUB, são apresentados em capítulos temáticos.

 

Arte diz respeito às variadas e complexas formas de expressão estética e de comunicação, utilizando inúmeras linguagens e, especialmente, contemplando inspiração e criatividade. Educação, por sua vez, está genericamente associada ao processo de ensinar e de aprender conhecimentos de forma sistemática e organizada.

 

Ensinar, de certa forma, envolve técnica e procedimentos; educar, no século XXI, tende a ser progressivamente uma arte, que inclui a técnica, mas a transcende, contemplando também criatividade, inovação, empreendedorismo, metacognição etc. Não se trata, portanto, de minimizar o ensino, como o conhecemos hoje, mas sim de evidenciar sua insuficiência no mundo contemporâneo.

 

Ensinar nos padrões tradicionais nos tempos passados recentes teve enorme sucesso porque se mostrou compatível e coerente com as demandas de então. A complexidade atual exige ir muito além, introduzindo novidades, a maior parte delas decorrentes de um cenário mediado pela emergência disruptiva das tecnologias digitais.

 

O educador está progressivamente se transformando em artista, o qual se expressa também como designer educacional trabalhando coletivamente. Os tempos de aprendizagem, anteriormente estanques, agora dispensam limites, podendo ocorrer a qualquer hora, em qualquer lugar e ao longo de todo o tempo, obrigando conjugar educação com a própria vida, de forma indissolúvel e indissociável.

 

Educação, dentro dessa abordagem, contribui com erodir a separação entre vida e arte. A arte da educação viabiliza entender melhor o educando, o educador e, consequentemente, a vida. Educação, arte e vida, conjuntamente, esclarecem complexidades e preparam a todos para desafios que somente assim se permitem serem decifrados e resolvidos. Educar em consonância com as exigências deste século é sim uma forma de arte. Conhecimentos específicos, domínio de técnicas e conhecimentos são relevantes, porém, não mais suficientes. Aprender a conhecer transcende aqueles ingredientes, demandando elementos que somente a arte pode nos inspirar.

 

Como autor, destaco os doze Depoimentos que apresentam a obra. Pedro Thompson, Presidente da Estácio, Fábio Coelho, CEO do Google/Brasil, Renato Janine Ribeiro, ex-ministro da Educação, Maria Helena Guimarães de Castro, secretária-executiva do MEC, Sérgio Rezende, ex-ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Vanderlan Bolzani, vice-presidente da SBPC, Edson Nunes, ex-presidente do CNE, Fredric Litto, presidente da ABED, Ana Estela Haddad, diretora de Relações Institucionais da ABTms, Arnaldo Niskier, membro da ABL, Robert Cowen, Instituto de Educação da Universidade de Londres, e Senador Pedro Chaves, ex-reitor da Uniderp. Não é falsa modéstia opinar que eles são mais interessantes do que a própria obra, dado que são profissionais muito especiais, cujas críticas me deixam particularmente lisonjeado e suas opiniões, mais do que tratarem da obra, são partes integrantes dela. Com muito orgulho do autor.

 

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sábado, 14 de outubro de 2017 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 19:02

Mensagem aos Professores

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Dentre todas as espécies, somos a única que possui a incrível habilidade de transmitir cultura e conhecimento de forma organizada e consciente aos nossos descendentes. Nas sociedades primitivas, os precursores dos professores eram os responsáveis por passar ensinamentos de uma geração para outra, onde os mais velhos ensinavam os mais jovens. Atividades como a arte da caça, a capacidade de sobrevivência, o trato com as plantações e com as ervas que curam, a segurança e a garantia do bem-estar da comunidade estavam sujeitas a ritos de passagens. Assim, os pioneiros do processo ensino e aprendizagem atestavam as técnicas e procedimentos adquiridos e validavam esses processos.

 

À medida que as sociedades humanas foram se tornando mais complexas, apareceu a figura do artesão, responsável pela produção de artefatos, utensílios e artesanatos, seja para a agricultura, o uso doméstico, a lida com os animais ou para a defesa. Esses ensinamentos, técnicas e procedimentos eram transmitidos pelo mestre aos seus aprendizes, os quais, após ritos de aprendizagens, se transformavam, com a idade, em artesãos, e assim por diante.

 

Milênios se passaram e atualmente o docente é figura consolidada, reconhecida e respeitada pela sociedade, ainda que entendamos, corretamente, que pudesse ser mais prestigiada. Contemporaneamente, vivemos grandes desafios, especialmente pela abrupta emergência das tecnologias digitais que a tudo modifica, transforma e reconceitualiza.

 

Acalmando os mais assustados, lembremos que no século XV, com o advento do livro moderno de Gutenberg, alguns equivocados sugeriram a possibilidade do fim da figura do professor. Afinal, quem iria procurar o mestre, que, por melhor que fosse, improvisa, tendo disponível o livro, supostamente sempre correto e sem erros, dado que feito com tempo, cuidado e esmero? Na prática, jamais houve conflito entre o docente e o livro; ao contrário, ambos foram as grandes alavancas que consolidaram as nascentes universidades europeias. Estas, por sua vez, propiciaram o amadurecimento do método científico, as tecnologias dele decorrentes e a Revolução Industrial que, por fim, moldaram as bases da sociedade atual.

 

Por vezes, alguns não entendem por que os educadores não gostam quando o termo “treinamento” é utilizado para o ofício que nós desenvolvemos. Não é birra e nem soberba; é que treinamento não é expressão ingênua, mas embute um conjunto de metodologias que é inapropriado para quem pretende de fato educar. Educação vai muito além da simples transmissão de conteúdos e jamais se reduz a um conjunto de receitas de procedimentos. Ainda que alguns possam ter se iludido nos séculos passados, porque os modelos de desenvolvimento assim o sugeriam, a verdade é que contemporaneamente esses processos de ensinamento, baseados em treinamentos, são falhos e inócuos.

 

Educar, mais do que nunca, é emancipar o educando para, fruto dos ensinamentos dos mestres, ser capaz de enfrentar desafios complexos. Emancipa-se quando o educando se torna competente para escrever e interpretar textos complexos ou quando se atinge o domínio do letramento matemático, indo muito além das operações simples da aritmética. É emancipatório o pleno domínio do método, especialmente do método científico, para, utilizando tal ferramenta, entender e interpretar o mundo à sua volta. Educar é promover a aprendizagem independente ao longo de toda a vida, entendendo que cada educando aprende de maneira única e personalizada e que todos aprendem, em qualquer lugar e o tempo todo.

 

Neste Dia do Professor temos sim o que celebrar, particularmente nossa singular responsabilidade em contribuir na educação das novas gerações. Não podemos tudo na sociedade atual e sequer temos controle de todos os processos envolvidos, mas temos a capacidade de emancipar, ensinando nossos educandos a aprender a aprender continuamente. Às novas gerações cabe continuar colaborando para um desenvolvimento econômico, social e ambiental sustentável.  Enfim, uma sociedade que seja mais harmônica, justa e respeitosa à rica diversidade, onde possamos celebrar sermos, felizmente, todos diferentes.

 

Professores, Parabéns.

Comemoremos, merecidamente, o Dia do Professor.

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Figura em Domínio Público mostrando Jesus Cristo pregando aos discípulos. Autor: Tissot (1886-1894). Link:

http://torahclub.ffoz.org/disciples/images/wm-brooklyn_museum-Jesus-Teaches-Tissot.jpg

 

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sábado, 23 de setembro de 2017 Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 10:58

Blockchain, o cartório do mundo

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Blockchain é basicamente uma tecnologia de registro de transações digitais que faz uso dos nós de uma rede estrutura, via internet, espalhada pelo planeta. A ideia original foi apresentada em 2008 em artigo assinado por Satoshi Nakamoto, cuja real identidade é ainda controversa.

 

A rede pode ser criada com número ilimitado de participantes anônimos e com absoluta garantia de fidelidade, eficiência e transparência, elementos fundamentais para registros ou transferências de dados de qualquer natureza. Em suma, tudo o que pode ser transacionado ou certificado pode fazer uso de blockchain, sem exceção, desde certificações de contratos e de ativos a diplomas, passando por moedas virtuais.

 

O repertório das aplicações desta revolucionária tecnologia está ainda em sua primeira infância. Recentemente, tratei de exemplos potenciais em regulação no ensino superior brasileiro e novas iniciativas têm surgidos nesta área, entre elas da Sony Global Education.

 

Da mesma forma que o Uber desafiou os taxis e o AirbnB enfrentou os hotéis, blockchain tem o potencial de alterar as bases da economia global, modificando a governança de todos os registros, se constituindo em uma espécie de cartório do mundo. Esta tecnologia pode abalar os modelos de negócios no que diz respeito à desintermediação, desburocratização, diminuição de custos de processos e fidelidade, resultando em aumentos inéditos de fatores de produtividade e de eficiência institucional, em todos os setores.

 

A emergência de criptomoedas só foi viável por ser baseada em blockchain. Bitcoin é até aqui a moeda virtual mais conhecida e bem-sucedida, no entanto, outras já surgiram e muitas ainda estão por vir, cada uma com suas características atendendo a necessidades específicas e contextos peculiares. Um Bitcoin vale hoje aproximadamente R$ 11.560,00 ou US$ 3.700,00, tendo tido uma valorização superior a qualquer outro ativo nos últimos anos.

 

Cada fração de Bitcoin é programável como sendo equivalente a parte de uma propriedade ou correspondente a certa quantidade de algum ativo, sendo que o emissor pode definir, a seu critério, especificações de uso. Por exemplo, uma empresa pode realizar emissões especiais de Bitcoins que devam ser despendidos exclusivamente com salários, manutenção, consumo ou despesas na área de saúde. Caso as exigências não sejam confirmadas pela rede, dentro das especificidades originalmente previstas, os valores retornam ao emissor, dispensando centros de controle ou burocracias associadas e evitando práticas como corrupção e demais usos indevidos.

 

No mundo da internet das coisas, um produto (ou mesmo um serviço) só é vendido (ou prestado) se a parte requerente disponibilizou o pagamento, sendo que a parte vendedora (ou prestadora) só recebe uma vez conferido, de comum acordo nas duas pontas, o pleno atendimento das condições estabelecidas no contrato registrado, dispensando intermediários, bancos ou autoridades centrais.

 

Blockchain fornece a base matemática sofisticada, com algoritmos no estado da arte, para consolidar um banco de registros gerais espalhados por toda a internet, sem a necessidade de um controlador central, ao mesmo tempo que todos os usuários exercem este controle, na forma de nós da rede compartilhada, naquilo que lhe diz respeito. Os nós autorizados da rede devem concordar consensualmente para que novos registros sejam aceitos e, uma vez aceitos, ficam perenemente memorizados com todos os detalhes e com as respectivas responsabilidades asseguradas. Tentativas de fraudar o sistema podem ser rejeitadas por qualquer um desses nós, garantindo fidelidade absoluta aos arquivos registrados na forma de cadeias acumuladas, via blocos empilhados cronologicamente.

 

Por fim, os dados são confiáveis, completos, consistentes, datados e tornados amplamente disponíveis, fazendo com que este cartório, que estamos ainda aprendendo a conhecer e a utilizar, elimine a figura do intermediário, baixe custos e estabeleça níveis elevados e inéditos de confiança entre pessoas e instituições.

 

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Imagem disponibilizada em: http://www.deal.com.br/wp-content/uploads/2017/06/blockchain-consensus.jpg

 

 

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domingo, 17 de setembro de 2017 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 13:56

O que esperam os empregadores?

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O mundo está mudando e os empregadores já não são os mesmos. Há uma grande tendência de que, progressivamente, o espaço de empregos tradicionais dê lugar ao surgimento de novas oportunidades profissionais, ancoradas em atividades e negócios inéditos. Neste cenário emergente, a figura do empregador clássico pode se alterar radicalmente ou, no limite, até desaparecer.

 

Mesmo assim, ao longo desta transição, os empregadores ainda são as pessoas responsáveis por dirigir empreendimentos, privados ou públicos, que continuarão decidindo sobre o futuro de parte dos profissionais desta geração. Portanto, bom sabermos mais sobre eles, o que pretendem quando contratam alguém e o que esperam dos profissionais contratados.

 

No passado recente, as expectativas dos empregadores acerca de um profissional a ser contratado eram menos complexas e mais previsíveis do que hoje. Atualmente, as próprias tarefas e missões estão se tornando quase impossíveis de serem antecipadas. Educar era mais simples, porém, as receitas anteriores não funcionam mais. Havia para cada uma das profissões uma relativa certeza acerca do conteúdo mínimo, bem como do conjunto associado de técnicas e procedimentos, que o formando deveria dominar.

 

Educar, contemporaneamente, continua a contemplar a formação profunda em um campo profissional específico, mas transcende em muito tal exigência, incluindo também desenvolver novas competências e habilidades socioemocionais que costumavam ser menos valorizadas.  São exemplos desses ingredientes o destemor por novos desafios, o estímulo à criatividade, a propensão à inovação e o desenvolvimento do espírito empreendedor, além de saber trabalhar em grupo, explorando empatia e compaixão

 

Permanecem existindo conteúdos imprescindíveis a qualquer profissional e que serão as bases iniciais de sua capacidade de resolver problemas. Entre eles, o letramento sofisticado, que permita entender e escrever textos complexos, o domínio consistente das operações matemáticas, associado à capacidade de desenvolver raciocínios abstratos, o hábito da adoção do método, em especial o uso da metodologia científica e sua aplicação a pensamentos complexos e a percepção adequada dos contextos geográfico e histórico, além do indispensável apreço pelas artes, pela cultura e pela ciência.

 

Ensinar nos padrões tradicionais nos tempos passados recentes teve enorme sucesso porque se mostrou compatível e coerente com as demandas inerentes aos modelos de desenvolvimento adotados até então. A complexidade atual exige ir muito além, introduzindo novidades, a maior parte delas decorrentes da emergência disruptiva das tecnologias digitais. Agir educacionalmente neste novo cenário demanda repensar a ciência da aprendizagem e propor e implementar modelos pedagógicos bastante distintos daqueles que, em geral, temos adotado. A memória se desvaloriza e a excessiva centralidade no conteúdo se fragiliza à medida que, gradativamente, o acesso à informação se faz ilimitado, instantâneo e gratuito.

 

A escola e seu principais atores foram até aqui menos afetados pelas tecnologias digitais do que o mundo externo a eles. Assim, em geral, os gestores educacionais e os professores, estranhamente, se mostram mais satisfeitos com o trabalho educacional que desenvolvem do que, de fato, se sentem os formandos e, especialmente, aqueles que os empregam. Este fenômeno por si evidencia um provável diálogo interrompido, até mesmo um divórcio, entre as realidades imaginadas nas escolas e aquelas vivenciadas pelos egressos em suas vidas profissionais.

 

As soluções educacionais em curso ainda são embrionárias, porém, algumas evidências sobressaem. O educando, mais do que nunca, é o centro e a aprendizagem, cada vez mais, personalizada. Todos aprendem o tempo todo e em qualquer lugar, sendo que cada um aprende à sua própria maneira. O domínio do conteúdo em si, ainda que relevante, torna-se relativamente menos importante do que ter aprendido a aprender. Assim, uma das mais refinadas artes educacionais é propiciar que cada educando aprofunde continuamente seu nível de consciência acerca de como ele aprende.

 

E como ficam os empregadores neste contexto? Tanto quanto os empregados, serão exigidos a rever conceitos, adotar novas estratégias e, por vezes, mudar radicalmente a essência de seus negócios.

 

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Figura em Domínio Público, tal como vista em: http://freesoftwaremagazine.com/articles/promoting_public_domain_creative_commons_cc0_initiative/c20080220_LOCPD_ww2_woman_operating_engine_lathe.jpg

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domingo, 27 de agosto de 2017 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 11:33

Rede Brasileira de Criatividade: uma iniciativa estratégica

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Do ponto de vista econômico e social, o Brasil é um país que eventualmente avança e, em seguida, regride, sem dar mostras de um desenvolvimento duradouro e sustentável. Uma das explicações é que nossos profissionais e nossas indústrias apresentam produtividades médias relativamente baixas, o que é grave em um cenário de globalização crescente e de altíssima competitividade em termos de produtos e serviços.

 

Uma das causas da baixa produtividade é nossa escolaridade insuficiente.  No competitivo cenário internacional, são poucos os anos de estudo no Brasil e a qualidade do ensino é deficiente. Por outro lado, somos uma nação muito rica em recursos naturais e habitada por um povo que dá demonstrações incontestes de alta capacidade criativa e de fácil adaptação às inovações.  Sem estes ingredientes, sequer teríamos experimentado os avanços que efetivamente temos tido, não nutriríamos os níveis de esperança que ainda temos ou conviveríamos com as persistentes alegrias eventuais, as quais continuamos a desfrutar no dia a dia.

 

Considerando esses ingredientes, temos um expressivo potencial ainda pouco explorado no segmento econômico associado à indústria criativa. Este bilionário setor e que cresce ilimitadamente no planeta se caracteriza por entender a imaginação e a criatividade como as matérias primas principais para seus negócios. De acordo com a Firjan (Federação das Indústrias do Rio de Janeiro), as indústrias criativas geram no Brasil uma riqueza de mais de R$ 150 bilhões (dados de 2015) e sua participação no PIB é crescente, representando hoje algo em torno de 3% da economia nacional. É uma clara demonstração de potencial, mas podemos ir muito além.

 

A economia criativa inclui áreas como moda, design, softwares, arquitetura, audiovisual, gastronomia, música, entre tantas outras, e contempla produtos e serviços vinculados à cultura e arte, à ciência e tecnologia. Isso engloba pesquisa e desenvolvimento e todos os demais setores nos quais a criação humana faz a diferença na geração do valor agregado.

 

As metodologias e abordagens educacionais podem, ou não, ter o estímulo à criatividade e ao empreendedorismo como centro. Da mesma forma que nos tornamos hábeis em inibir a criatividade e a desprezar iniciativas empreendedoras, podemos fazer o contrário. O cenário atual das tecnologias digitais representa uma oportunidade única para repensar nossos processos de aprendizagem. Dispomos atualmente de ferramentas educativas que propiciam que todos aprendam e aprendam o tempo todo, levando sempre em conta que cada educando aprende de maneira única e personalizada.

 

Dentre as inúmeras boas iniciativas em curso, merece especial destaque a recém-lançada “Rede Brasileira de Criatividade”. A Rede tem por propósito ampliar a rede de colaboração entre pessoas, transformando a criatividade em estratégia real, acessível e aplicada. Pretende-se colaborar para que todos possam encontrar soluções inovadoras nos seus cotidianos. O projeto, idealizado pelo educador Prof. Gabriel Rodrigues, está estruturado em três pilares: i) um Portal, “As Coisas Mais Criativas do Mundo”, ii) a estruturação de uma Academia de Criatividade, disponibilizando ferramentas para despertar nas pessoas o potencial criativo que todos temos, e iii) a promoção e o incentivo às pesquisas e publicações na área. O primeiro dos pilares já está ativo e operante, com surpreendente número de acessos, acessível via a página “As Coisas Mais Criativas do Mundo”.

 

No Portal da Rede estarão gratuitamente disponibilizados conteúdos, testes, desafios, ferramentas gerais e um banco de conhecimento com o intuito de incentivar o desenvolvimento da criatividade. A expectativa é contribuir para a geração de transformações que impactem em empregabilidade, estímulos à exploração de novos negócios, autonomia intelectual e realização pessoal. Pesquisadores das áreas criativas publicarão artigos e desenvolverão ações que estimulem e colaborem para que professores e agentes educacionais dos vários níveis de ensino incorporem as habilidades criativas como elementos centrais dos processos de aprendizagem.

 

Em suma, temos grandes desafios a enfrentar, especialmente no campo educacional, e dispomos de predicados positivos, entre eles potencial criativo e espírito empreendedor, que podem nos ajudar nessas missões. Precisamos cumprir as tarefas que restam ser realizadas ao mesmo tempo que exploramos aquilo que nos caracteriza e que pode, em tese, propiciar os elementos diferencias competitivos em escala global.

 

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Figura em Domínio Público. O influente pintor e teórico russo Wassily Kandinsky tem sua obra em domínio público desde 2015. Na foto, “Composição VII”, considerada pelo autor sua obra mais complexa. Ver em:

http://www.huffpostbrasil.com/2015/01/02/tudo-free-as-obras-que-viraram-dominio-publico-em-2015_a_21671065/

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