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quarta-feira, 10 de julho de 2019 Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação, Sem categoria | 10:29

Humanizando máquinas inteligentes

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Humanos são humanos e máquinas são máquinas. Mesmo assim, a história humana pode ser contada a partir do uso de diversas ferramentas, as quais foram, no decorrer do tempo, se incorporando ao cotidiano, interferindo diretamente na evolução da espécie.

 

As múltiplas maneiras com que os humanos têm feito uso de diversos utensílios, ao longo de sua evolução, talvez seja a principal característica que nos distinga das demais espécies. A habilidade no uso de varetas e pedras remonta há milhões de anos entre os nossos mais distantes ancestrais, mas há um longo e peculiar caminho até os dias atuais, quando é possível, por exemplo, implantarmos chips em nossos corpos.

 

Por sua vez, as máquinas não somente substituem os trabalhos mais simples dos humanos; muitas vezes, tentam reproduzi-los literalmente, a exemplo da robótica e equipamentos inteligentes, incluindo as recentes máquinas que aprendem. Isso ganha uma dimensão especial quando dispomos de uma capacidade quase ilimitada de armazenar dados e utilizá-los via uma gestão inteligente, contemplando elementos de modelagem e simulação sem precedentes.

 

Mesmo assim, supõe-se, em geral, que há limites claros para as máquinas, entre eles, ir além de uma racionalidade previsível, embutida nas programações e nos algoritmos adotados. Em que medida podemos humanizar máquinas, especialmente no âmbito dos usos contemporâneos de Inteligência Artificial (IA), torna-se, progressivamente, um tema de grande interesse e é o tema central deste texto.

 

Ou seja, mesmo os maiores entusiastas de IA reconhecem que as máquinas estão restritas a decisões racionalizáveis, ainda que submetidas a sofisticados algoritmos. Nesse sentido, as emoções humanas, especialmente aquelas baseadas no livre arbítrio, são supostas como quase impossíveis de serem reproduzidas por máquinas.

 

No entanto, explorando essa difusa e complexa região entre racionalidade e emoções ou entre determinismo e livre arbítrio, é possível exemplificar a incorporação de elementos de incertezas que envolvem tomadas de decisões em processos de máquinas que simulam comportamentos humanos.

 

Com o intuito de exemplificar uma possibilidade, são necessários alguns conceitos básicos de métodos estatísticos, em particular o Método de Monte Carlo (MMC). O MMC é uma abordagem estatística baseada em amostragens aleatórias massivas que permite obter resultados numéricos. A partir de sucessivas simulações, um elevado número de possíveis configurações é gerado, permitindo calcular probabilidades. O MMC tem sido utilizado em diversas áreas (incluindo algumas semelhantes com jogos de dados, decorrendo daí sua denominação) como forma de obter aproximações numéricas de funções complexas, nas quais não é viável, ou mesmo impossível, obter uma solução simples analítica ou determinística.

 

Um MMC muito utilizado em Física, tendo como objetivo determinar valores esperados de propriedades do sistema simulado, a partir de uma média sobre a amostra, é o chamado Algoritmo de Metropolis (AM). Originalmente apresentado em 1953 por Nicholas Metropolis e outros1, ele foi generalizado em 1970 por W. K. Hastings2 (por isso também conhecido como Algoritmo Metropolis-Hastings).

 

AM se baseia na observação de que a determinação da probabilidade de uma dada configuração demanda conhecer a chance de ocorrência dela e de todas as outras possíveis configurações. Para variáveis contínuas se faz necessário uma integração da densidade de probabilidade sobre todo o espaço de configurações. Tal procedimento é, em geral, extremamente custoso, muitas vezes simplesmente impossível, quando se utiliza um número de variáveis grande (da ordem de centenas ou milhares), como é bastante comum nos sistemas de maior interesse.

 

A grande contribuição característica do AM é não levar em conta a probabilidade das configurações em si, mas sim a razão entre elas, dado que a razão entre as probabilidades de duas dadas configurações pode ser determinada independentemente das demais.

 

Se considerarmos duas configurações m e n quaisquer, é conhecido da estatística que, sendo E(m) a energia da configuração m e E(n) da n e sendo P(m) a probabilidade da configuração m e P(n) da n, a razão entre as probabilidades P(n) e P(m) pode ser descrita como: exp[-(E(n) – E(m))/KT], onde K é a constante de Boltzmann e T a temperatura da amostra.

 

Definida essa abordagem, o AM é implementado via um conjunto de regras razoavelmente simples:

  • O primeiro passo é a geração de uma configuração inicial aleatória, denominada m;
  • Em seguida, geramos uma nova configuração-tentativa, provocando pequenas alterações na configuração inicial, denominada n;
  • Se a nova configuração, n, tiver uma energia menor (maior estabilidade) do que a primeira, m, adota-se esta nova n;
  • Caso a energia da nova configuração, n, seja maior do que a original m, refletindo uma perda em estabilidade, em estatísticas convencionais o novo resultado seria descartado. Nesta abordagem, diferentemente, gera-se um número aleatório entre 0 e 1 e se este número for menor do que exp [-(E(n) – E(m))/KT], aceita-se esta configuração na amostra, caso contrário, não;
  • Repetem-se os passos (ii) e (iii) até que um certo critério de atendimento seja satisfeito, tal como esquematizado na Fig. 1.

 

Fig. 1. Representação esquemática do fluxograma de decisões em um Algoritmo de Metropolis-Hastings.

 

Observar que, no critério adotado acima, se E(n) e E(m) são valores bastante próximos, o resultado do termo exponencial acima se aproxima de 1, portanto, com razoável chance da nova configuração ser aceita. No entanto, se E(n) for muito maior do que E(m), este valor tende para zero, com grandes chances do número gerado, entre 0 e 1 ser maior e, portanto, esta configuração deve ser, provavelmente, desprezada.

 

Em sistemas físicos, onde se pretende determinar a configuração correspondente ao estado de mínima energia (maior estabilidade), um grande mérito do AM é permitir escapar de mínimos locais de energia. Via múltiplas etapas e a grande quantidade de configurações geradas, ao se aceitarem configurações com energias maiores com probabilidade não nulas, barreiras podem ser superadas e aprisionamentos locais evitados, e mínimos gerais atingidos (ver Fig. 2). Observar que se as configurações com energias maiores fossem liminarmente desprezadas, a possibilidade de aprisionamento em mínimos locais seria difícil de ser evitada.

 

Fig. 2. Gráfico genérico ilustrativo mostrando máximo e mínimos, locais e globais. No caso do problema físico, poderíamos ter no eixo vertical a variável energia e no eixo horizontal o espaço de configurações.

 

A adoção do AM garante que visitaremos regiões próximas dos mínimos de configurações mais aceitáveis (correspondentes aos de mínimas energias), percorrendo o espaço do domínio das funções envolvidas de maneira sistemática. Dependendo de como é definido o critério probabilístico, os caminhos não se afastarão muito de uma determinada região de confiança com relação ao método adotado.

 

No caso de máquinas inteligentes, movidas por algoritmos, uma analogia seria possível no tocante à tomada de decisões. No universo de abundância extrema de dados, de facilidades inéditas de gestão dos mesmos e de máquinas inteligentes, um ponto crucial é a tomada de decisões. Suponhamos que em cada encruzilhada, a máquina possa considerar múltiplos caminhos, cabendo contemplar critérios de escolhas e consequentes evoluções. Inspirados no AM, trata-se de garantir que caminhos que seriam normalmente desprezados sejam também considerados, seguindo o conjunto de regras acima descritos.

 

A partir de uma dada situação, expressa por uma configuração inicial aleatória, exploraríamos diversos caminhos no âmbito de tomada de decisões. Se o caminho simulado, fruto de pequenas alterações na configuração inicial, for, à luz do algoritmo utilizado, mais indicado, adota-se a nova configuração resultante.

 

Como o algoritmo utilizado, baseado nos dados disponíveis, permite contabilizar os prós e contras de cada nova configuração, podemos definir que a diferença entre eles possa ser expressa por um determinado Delta, a exemplo do caso anterior, sendo definido em cada circunstância.

 

Assim, dada uma situação original aleatória, quando a nova configuração gerar um Delta negativo, adota-se a nova configuração. Caso a nova situação seja menos indicada do que a original, gera-se um número aleatório entre 0 e 1 e se este número for menor do que exp[-Delta/C], onde C é uma constante, aceita-se o caminho; caso contrário, não.

 

Observar que, a exemplo do caso anterior, se Delta é muito pequeno, o termo exponencial se aproxima de 1, com grandes chances deste número ser superior ao gerado aletoriamente entre 0 e 1; portanto, com boa chance de ser adotado o caminho. Contrariamente, se Delta é muito grande o valor tende a zero e torna-se grande a possibilidade de o caminho ser desprezado. Por fim, repetem-se os processos acima até que um certo critério de atendimento seja satisfeito.

 

A constante C (análoga ao KT de sistemas físicos) permitiria uma associação indireta com um tipo de “excitação térmica”. Ou seja, em alguns processos, com C maior, significaria algo equivalente a menor aversão a risco nas tomadas de decisões, contemplando possibilidades mais radicais ou arriscadas entre configurações mais distantes. Valores menores de C representariam tomadas de decisões mais conservadoras, envolvendo estados mais próximos, sem grandes perturbações no sistema.

 

A evolução do sistema permitiria, de certa forma, imitar comportamentos humanos que nem sempre seguem, exclusivamente, racionalidades, sendo recheado de etapas guiadas por elementos de emoção, em geral, não contemplados nos algoritmos tradicionais.

 

Em tese, portanto, podemos imaginar contribuições acerca de como ensinar máquinas a tomarem decisões. No caso, os movimentos sequenciais de uma máquina inteligente qualquer seguiriam os passos inspirados por um AM. Ou seja, introduzindo aleatoriedade, via pequenos passos, podemos, no limite, simular emoções e imprevisibilidades, as quais conjugadas com racionalidades estabelecem alguma semelhança com decisões humanas.

 

 

Referências:

  1. Metropolis e outros, Journal of Chemical Physics 21, 1087 (1953).
  2. K. Hastings, Biometrika 57 (1), 97 (1970).

 

 

 

 

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terça-feira, 11 de junho de 2019 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 18:50

O Enade precisa ser como ele é?

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O Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) é uma das avaliações que compõem o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes), criado pela Lei nº. 10.861, de 14 de abril de 2004. O Sinaes é composto também pelos processos de Avaliação dos Cursos de Graduação e de Avaliação Institucional que, juntos com o Enade, formam um tripé avaliativo acerca da qualidade dos cursos e instituições de educação superior do Brasil.

 

O objetivo do Enade tem sido buscar avaliar e acompanhar o processo de aprendizagem e o desempenho acadêmico dos estudantes em relação aos conteúdos programáticos previstos nas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) do respectivo curso de graduação, incluindo também mensurar suas habilidades para compreender temas contemporâneos e ligados a outras áreas do conhecimento.

 

Tanto o Relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), encomendado pelo Governo Brasileiro à OCDE em 2018, como o Relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre o Sinaes (TC 010.471/2017-0) evidenciam a fragilidade do Enade, tal como ele é aplicado atualmente. Eles destacam a incapacidade de tratar, de forma adequada, os elementos centrais de aprendizagem e criticam o processo por ser demasiadamente dispendioso e sem contrapartida clara que evidencie resultados confiáveis.

 

Além disso, a sua aplicação trienal por área de conhecimento, findou estabelecendo, como prática quase geral nas instituições, preocupações diferenciadas entre aquelas turmas que farão e as que não farão o exame. Para as turmas que fazem o exame, a visão restrita de preparar para as questões de maior incidência nos anos anteriores acaba por distorcer as próprias DCNs. Para as que não fazem o exame, não há evidências que os resultados obtidos pelas que fazem estejam sendo utilizados para a melhoria contínua de aprendizagem.

 

Da mesma forma, faltam elementos para justificar que o Enade possa, com o devido rigor, retratar algo mais sólido acerca da suficiência do aprendizado medido comparativamente com o que era esperado que o formando soubesse, o conhecido Índice de Diferença entre os Desempenhos Observado e Esperado (IDD).

 

Um fato adicional torna o diagnóstico mais difícil ainda, por não constar do histórico escolar do formando, ele é altamente sensível a elementos associados à sua motivação com relação ao próprio exame. Ressalte-se que, quanto à motivação do estudante por realizar este exame de forma adequada e responsável, é fundamental que as instituições esclareçam acerca da importância do Relatório Individual de Desempenho do Estudante, instrumento acessível ao formando, conforme previsto na lei do Sinaes, propiciando que ele se compare aos demais da sua própria turma, bem como a sua classificação relativa com os demais formandos da região e do País.

 

O Enade, no que se propõe, de fato, permite analisar aspectos comparativos entre os que fazem a mesma edição do exame, porém, é inadequado para fornecer um diagnóstico comparativo entre edições diversas. Mesmo entre os formandos de uma edição específica, os processos de ajustes de curvas resultam trazer insuficiente informação acerca de quão satisfatório, em termos absolutos, foi o processo de aprendizagem.

 

Mesmo com todas essas dificuldades, se estivéssemos formando profissionais para o século passado, seria justificável afirmar que algo relativamente substantivo é medido em termos de aprendizagem de conteúdo, procedimentos e técnicas associados a determinada profissão. O drama é que o futuro, que já está em curso, aponta que há elementos tão ou mais relevantes do que o que supostamente está sendo medido, ou seja, a capacidade de aprender continuamente e as atitudes do educando frente a problemas complexos.

 

Há, portanto, que se incluir os diferenciais que um curso de graduação deve conferir ao formando, comparativamente ao ingressante, acerca de sua própria compreensão sobre como ele aprende melhor e como ele se comporta no cumprimento de missões.

 

Ao se incorporar essa abordagem, que corresponde ao estado da arte em termos de teoria de aprendizagem, a proposta mais adequada seria que o exame fosse revelador da maturidade intelectual do formando, no que diz respeito a itens tais como: i) capacidade de desenvolver raciocínios críticos, lógicos e abstratos; ii) domínio do método científico, na solução de problemas e missões; iii) habilidade de entender textos complexos e de escrever de forma a se fazer entender claramente pelos demais (letramento sofisticado); iv) letramento matemático substantivo, indo além de operações matemáticas simples; v) capacidade de juntar conhecimentos de áreas diversas do saber, propiciando resolver problemas que demandam multidisciplinaridade e olhares múltiplos; vi) entender processos que envolvem programação simples, elementos de modelagem e simulação, ingredientes inerentes  aos temas contemporâneos; e vi) demonstrar domínio de habilidades socioemocionais associadas a enfrentamentos, em equipe, de temas complexos.

 

Enfim, um possível novo Enade mensuraria a transversal capacidade de aprender continuamente e alguns aspectos comportamentais do formando, permitindo ser aplicado indistintamente o mesmo teste a todas as áreas de conhecimento. A partir de questões formuladas baseadas na Teoria de Resposta ao Item, propiciaríamos um comparativo entre os desempenhos relativos entre os resultados obtidos pelos formandos e pelos ingressantes, bem como evoluções de aprendizagem entre turmas de anos subsequentes ou anteriores. Desta forma, poderíamos representar mais fielmente a capacidade de aprendizagem do estudante, o potencial do profissional contemporâneo que formamos e os diferenciais de desempenho dos estudantes, viabilizando um IDD mais consistente do que o adotado atualmente.

 

Adicionalmente, tão relevante quanto as informações e avaliações do formando por ocasião do Enade, é o acompanhamento do egresso. A partir de uma plataforma online acessível e atraente, deveriam ser colhidos, voluntariamente, dados sobre o nível de sucesso profissional e de satisfação pessoal do egresso, além da percepção a posteriori do quanto e em que aspectos sua formação foi adequada. Esses elementos deveriam ser essenciais nos processos de avaliação e autoavaliação institucional, bem como da avaliação de cada curso.

 

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sábado, 27 de abril de 2019 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação, Sem categoria | 09:31

PIB: educação digital é parte da solução

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Neste mês, o Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou interessantes análises acerca das contribuições relativas de cada país para a economia global. A partir do Produto Interno Bruto (PIB), somatório de bens e serviços produzidos por cada nação, ajustado pela paridade do poder de compra, podemos obter indicadores acerca da respectiva qualidade de vida de seus habitantes.

 

Um dos destaques negativos deste recente estudo é o Brasil. Pelo sétimo ano consecutivo, nossa participação percentual segue trajetória de queda, atingindo em 2018 somente 2,5%, a menor participação relativa, em quase quatro décadas, no PIB mundial. Para dimensionarmos o tamanho da queda, em 1980 o Brasil respondia por 4,4% da economia do planeta. De 1950 a 1980, a economia brasileira avançou, em média, 4,5% ao ano; por sua vez, entre 1980 e 2018, o crescimento anual médio foi de 0,9%.

 

Passamos neste ano de sétima para oitava economia do mundo, em termos de PIB ajustado, sendo ultrapassados pela Indonésia. Se considerarmos somente o PIB, sem ajustes, também passamos para oitavo lugar, neste caso ultrapassados pela Itália. Se considerarmos somente a história mais recente, também não estamos bem. A renda per capita, mensurada pelo PIB dividido pelo número de habitantes, atingiu, em 2018, R$ 32 mil, o que é 9% mais baixo do que era em 2014.

 

A compreensão da redução da contribuição percentual ao PIB mundial precisa levar em conta o contexto do efeito China, cujo crescimento espetacular nas últimas décadas demanda que os demais países, em média, diminuam suas respectivas participações. Mesmo assim, Índia, Coréia, Vietnã, Turquia e alguns outros aumentaram seus percentuais. Países vizinhos como Uruguai, Peru, Colômbia e Chile mantiveram intactas suas participações relativas.

 

Os avanços econômicos mais recentes do Brasil têm sido, principalmente, ancorados no incremento na exportação de alimentos, fruto do aumento de competitividade do agronegócio, e no aumento de demanda mundial por algumas commodities, especialmente minérios.  Por mais relevantes que essas áreas sejam, é preciso contextualizá-las numa dinâmica acentuada de mudanças econômicas no cenário global. Por exemplo, em 1980, ente as dez maiores empresas do mundo, havia a presença marcante de indústrias automobilísticas, as quais não mais constavam da mesma lista na virada do século, momento este dominado por empresas de energia e bancos. Atualmente, todas as dez maiores empresas do mundo são digitais, ainda que nenhuma delas estivesse presente ao início do século. Em suma, estamos migrando, muito rapidamente, de uma economia analógica em direção a um universo predominantemente digital, acoplados às consequências drásticas de tal acelerada transição.

 

No contexto atual, a possibilidade de um desenvolvimento econômico, social e ambiental sustentável depende de múltiplos fatores, mas há relativo consenso de que a variável mais relevante de todas é o aumento da produtividade média. O principal ingrediente para o incremento de produtividade é educação de qualidade, viabilizando que trabalhadores, empresários e gestores, privados e públicos, possam contribuir mais efetivamente com a produção de bens e serviços.

 

A educação contemporânea demanda levar em conta todos esses aspectos, portanto, sendo ela também digital, na forma e no conteúdo. Quanto ao meio, ao lado do letramento avançado (produção e compreensão de textos complexos) e do letramento matemático (facilidade nas operações matemáticas mais sofisticadas), destaca-se, em termos de importância, o letramento digital (domínio de plataformas, softwares e elementos básicos de programação). No que diz respeito ao conteúdo, além dos conhecimentos clássicos, os procedimentos específicos de cada área e as técnicas associadas, a educação, atualmente, exige contemplar, com muito mais ênfase, algumas habilidades individuais e coletivas.

 

Quanto às habilidades individuais, incluem-se as flexibilidades cognitivas (aprender em contextos diversos) e metacognitivas (aprender a aprender em um cenário de educação permanente ao longo de toda a vida) e as habilidades socioemocionais, a compreensão crítica de realidades históricas e geográficas complexas, acrescidas de espírito empreendedor e capacidade criativa. No que diz respeito às habilidades coletivas, há que se cultivar educacionalmente o trabalho em equipe e a gestão de pessoas, calcados na tolerância, na empatia e na compaixão. Frutos de tais predicados, estimulamos a formação de profissionais e cidadãos preparadores, mais completos e cientes dos contextos em que eles desenvolvem seus ofícios e administram suas vidas.

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terça-feira, 29 de janeiro de 2019 aprendizagem, EaD, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 13:28

Alunos são parceiros e não consumidores

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alunosjan29

 

Entender os educandos como parceiros e cocriadores de um processo complexo, e não como clientes ou consumidores simples, vai muito além de uma questão comercial, ética ou moral. Trata-se, essencialmente, de uma questão educacional. A partir de como enxergamos nossos alunos, devemos estabelecer, em coerência com o mundo contemporâneo, as adequadas abordagens e metodologias.

 

Houve um período, no passado próximo, onde a escola poderia ser vista, resumidamente, como espaço de transferência de informação ou de conhecimento. Ao professor cabia a tarefa fundamental, ainda que não exclusiva, de repassar aos aprendizes um conjunto de conteúdos, alguns procedimentos padrão e certas técnicas bem definidas. Findas as tarefas, o estudante, caso provasse domínio adequado, estaria aprovado e a instituição educacional chancelava cada etapa do processo, via um diploma ou um certificado.

 

A grande novidade dos tempos atuais é que as tecnologias digitais invadiram, abruptamente, todos os setores da sociedade, inclusive o universo da educação.  A informação está totalmente acessível, disponibilizada de imediato e, basicamente, gratuita. Uma escola ou um docente que se limitarem, hoje em dia, à tarefa de simplesmente transferir informação correm o risco de se tornarem inócuos, estando sujeitos a desaparecerem, por ausência de propósito, muito rapidamente.

 

Profissionais oriundos do ensino tradicional, baseado em memória e no domínio simples de procedimentos e técnicas, são os alvos principais dos processos de automação e de máquinas que aprendem. Automação, no caso, refere-se à substituição do trabalho humano por robôs que atendem a algoritmos. O aprendizado de máquina, por sua vez, potencializa ainda mais a automação, permitindo ir além de tarefas repetitivas e mecânicas. Assim, as máquinas podem contemplar missões cada vez mais complexas, alicerçadas em aprendizagem por análises de erros. Ou seja, a partir da disponibilidade e do tratamento de dados abundantes, inteligência artificial propicia criar novos algoritmos que evoluem e que são aprimorados continuamente.

 

A título de evidenciar a gravidade do contexto presente, em trabalho recente do “Laboratório de Aprendizado de Máquina em Finanças e Organizações” da Universidade de Brasília, as 2.602 ocupações formais no Brasil foram, à luz dos riscos da decorrentes da automação, analisadas.  Entre os trabalhadores atualmente com carteiras assinadas, mais de metade deles, algo da ordem de 25 milhões, ocupam vagas com alta probabilidade de serem negativamente afetadas nos próximos anos.

 

Educacionalmente, a única forma de enfrentar esses desafios é promovendo uma aprendizagem que viabilize que aqueles que estão chegando ao mercado possam ir além dos trabalhos mais rasos, evitando ao máximo suas substituições por robôs. A abordagem pedagógica apropriada para preparar um profissional ou cidadão para tarefas mais complexas é aquela que transcenda os processos simples de memorização, indo muito além da absorção aligeirada de procedimentos e técnicas. É fundamental que o aluno, ao longo da aprendizagem, reflita, entenda e aprofunde sobre como ele aprende. Sendo ator consciente de seu próprio processo educacional, o educando amplia continuamente sua capacidade de aprendizagem ao longo da vida. Acrescente-se o indispensável estímulo aos processos colaborativos entre colegas, presenciais ou virtuais, na consecução, em equipe, de missões e projetos.

 

Dentro dessa perspectiva, o educando é, mais do que nunca, um cocriador e um parceiro da dinâmica educacional envolvida. Portanto, o aluno está bastante distante da figura passiva de um consumidor que adquire isolada e individualmente um produto ou um serviço. Construir essas novas metodologias e conjugá-las às tecnologias existentes, bem como às múltiplas possibilidades que ainda estão sendo criadas, é o maior desafio educacional contemporâneo.

 

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quinta-feira, 13 de dezembro de 2018 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 09:40

O método é a essência e o obscurantismo o risco

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darwin

 

 

O conhecimento é algo mais amplo do que o conhecimento científico, englobando todas as crenças, as verdades pessoais e a cultura popular. Por sua vez, conhecimento científico é aquela limitada parte baseada no método científico.

 

Não se deve confundir verdade com ciência. Nem toda verdade é conhecimento científico. Por exemplo, individualmente, posso ter como crença que exista vida em outros planetas. Isso pode até ser verdade, sem que se constitua em verdade científica, dado não atender aos pressupostos do método científico (observação, lógica e experimentação). A separação entre os mundos da religião e da ciência, a partir desse raciocínio, pode se dar de forma clara, respeitosa e indispensável.

 

A liberdade religiosa e a livre manifestação de ideias são pressupostos inegociáveis dos tempos modernos. Felizmente, nossa sociedade garante espaços apropriados, tanto para o exercício da fé como para sua divulgação aos interessados.

 

A ciência moderna do século XVII, ancorada na observação, lógica e experimentação, conforme sintetizado por Galileu Galilei e seus contemporâneos, somada às ferramentas da matemática, a exemplo do cálculo diferencial e integral de Isaac Newton, permitiram entender e conhecer melhor a natureza e desenvolver leis, tais como as leis da mecânica, da termodinâmica e do eletromagnetismo.

 

Foi a partir da ciência moderna que tecnologias e conhecimentos extraordinários foram desenvolvidos nos séculos seguintes, tendo a máquina a vapor e a Teoria da Evolução de Darwin, e seus desdobramentos, como símbolos. Graças a esses avanços fabulosos, foi possível que a expectativa de vida, que ao início do século passado era de pouco mais do que 40 anos, quase dobrasse nos dias atuais. A Revolução Industrial, o desenvolvimento dos antibióticos, o saneamento básico, o conjunto de ferramentas tecnológicas e as novas visões de mundo colocadas ao nosso dispor representaram, graças ao método científico, enormes possibilidades de superarmos a fome, a miséria e as doenças.

 

O criacionismo, enquanto explicação para a origem e desenvolvimento da natureza, diz respeito aos conhecimentos experimentados pelo mundo da fé e não da ciência; o darwinismo e outras teorias científicas, por sua vez, pertencem ao espaço da ciência – tanto que podem e são contestadas, por não terem o caráter doutrinário como princípios.

 

Quando ouvimos sugestões de que em aulas de ciências se ensine, em pé de igualdade, as duas visões, criacionismo e darwinismo, é preciso deixar claro o que é do campo científico e o que vem do campo religioso, para evitar que se percam conquistas e saudáveis distinções que marcam o processo civilizatório contemporâneo. Abrem-se as portas para um inaceitável obscurantismo e intolerância, cujos limites, se cruzados, custarão demasiadamente caro para, posteriormente, tentarmos recuperar os danos causados a ambas as posições.

 

Um dos papeis principais da educação nos tempos atuais envolve preparar um cidadão capaz de entender, de forma emancipada, o mundo à sua volta. Para tanto, necessário desenvolver raciocínios lógicos amparados em métodos científicos, a busca do contraditório e o estímulo do espírito crítico, bem como ter capacidade analítica apurada, estar preparado para a aprendizagem permanente ao longo de toda a vida e ser tolerante, flexível e solidário. Sem domínio e clareza acerca do método, certamente, não disporemos de profissionais e cidadãos para alavancar um desenvolvimento econômico, social e ambiental sustentável.

 

 

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Artigo “Método e Obscurantismo” publicado em 13/12/2018 em Jornal DCI – Diário Comércio Indústria e Serviços.

 

Figura em Domínio Público em: https://www.flickr.com/photos/montrealprotest/20254442361

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terça-feira, 18 de setembro de 2018 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Inovação e Educação | 15:07

Os significados das palavras aluno e educador

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O vocábulo “aluno” provém do latim alumnus, significando, literalmente, criança de peito ou aquele que se alimenta de leite. Em outras palavras, um lactante intelectual ou um discípulo. Alumnus ou alumni é proveniente do verbo alere que, em latim, significa alimentar, sustentar, nutrir ou fazer crescer.

 

Erroneamente, alguns textos tratam a palavra “aluno” como sendo a junção do prefixo grego a, que corresponderia a ausente ou sem, e o sufixo luno, derivado da palavra latina lumni, significando luz. Portanto, na incorreta versão, aluno seria aquele sem luz ou sem conhecimento. A falsa etimologia acima é menos inocente do que parece. Trata-se de equívoco que encontrou terra fértil naqueles que veem o aluno como alguém mais passivo no processo educacional. Ao tratá-lo como sem luz, corre-se o risco de findar transformando em fato algo que era, de início, somente uma simples confusão etimológica.

 

Há também uma sutileza complementar, não tão evidente, associada à possível distinção entre aluno e estudante. Embora não sejam conceitos rígidos, tende-se a utilizar o termo aluno para designar aquele que pratica a atividade de assistir a aula; enquanto estudante se refere àquele que pratica a atividade de estudar. No primeiro caso é, essencialmente, uma atividade coletiva e, predominantemente, passiva; no segundo é, fundamentalmente, de caráter mais individual e decorrente de uma postura, necessariamente, ativa.

 

Quanto ao “educador”, é normal ser tratado indistintamente de “professor”, ainda que não signifiquem exatamente a mesma coisa. Professor é, de forma simplificada, o profissional que ensina uma ciência, uma arte, uma técnica, uma disciplina. Educador, por sua vez, transcende as atividades descritas, tendo como responsabilidade inerente a formação integral do educando. O termo “educador” tem origem no vocábulo latim educatore, aquele que cria ou nutre. Todo educador é necessariamente um professor, sem que não obrigatoriamente o contrário seja verdade.

 

Educação, da mesma forma, se diferencia de ensino. O físico Alberto Einstein, falecido em meados do século passado, optou por expressar tal distinção na forma: “educação é aquilo que fica depois que esquecemos o que foi ensinado ou aprendido”. Nesse sentido, educação é um ato que envolve o ser humano holisticamente, contemplando todos os seus aspectos, sejam físicos, cognitivos ou metacognitivos. Nessa perspectiva, o aluno é entendido como um ser dotado de saberes, qualidades e potencialidades, a quem o educador não está restrito a repassar o conteúdo de sua disciplina, mas sim em emancipá-lo à medida que ele é capacitado para aprender contínua e permanentemente ao longo da vida.

 

É possível uma visão pela qual o educador, ele próprio um sujeito em constante processo de aprendizagem, se diferencie do professor tradicional, evitando se considerar o dono do saber e única parte ativa do processo educacional. O educador é capaz de construir, juntamente com seus alunos, um aprendizado dinâmico, nos quais os eventuais erros do educando compõem base fundamental para reflexões e avanços educacionais.

 

As distinções acima abordadas tratam de diferenças que não são simples, tampouco estanques, dado serem partes de processos complexos. O que sabemos é que, no mundo contemporâneo, o ensino tradicional caminha em direção a uma educação híbrida, flexível e permanente. Neste contexto, os conceitos mais apropriados acerca do aluno e do educador irão ganhando sentidos mais claros à medida que educação se torna menos rotina ou repetição e, progressivamente, se transforma em atividade mais próxima da arte, demandando criação em constante evolução.

 

 

 

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Imagem em Domínio Público:

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quinta-feira, 30 de agosto de 2018 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 16:08

Saber aprender é mais do que aprender

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Houve um período, em um passado bem recente, em que o domínio de determinado conteúdo, acrescido de alguns procedimentos e técnicas, poderiam ser suficientes para que um profissional atendesse plenamente as demandas daquela época. O modelo de desenvolvimento econômico e social era compatível com tais exigências e as escolas, em todos os níveis, corresponderam às expectativas, cumprindo de forma exemplar o que estava previsto.

 

O drama é que o tempo, inexoravelmente, flui e mudanças drásticas, rápidas e profundas estão em curso, alterando de forma radical esse contexto. As tecnologias digitais apontam, a passos acelerados, para uma sociedade em que a informação estará totalmente acessível, de forma instantânea e basicamente gratuita. Educacionalmente, aquilo que um dia havia sido suficiente permanece necessário, mas novos ingredientes e características adicionais estão presentes com a mesma, ou maior, importância.

 

Na Revolução Industrial e, especialmente, durante o século XX, os predicados de um bom profissional estavam associados aos padrões de produção nos moldes fordistas e tayloristas e nas competências que lhe fossem compatíveis. O mundo contemporâneo apresenta desafios inimagináveis há poucas décadas, passando por um aspecto essencial associado ao processo de aprendizagem. Se o relevante era o que havia sido aprendido, hoje o que mais importa é o quanto o educando aumentou sua compreensão e controle sobre seu próprio processo cognitivo. Ou seja, o incremento do nível de consciência acerca de como ele aprende, permitindo, em conjunto com os demais atores do processo, gerar estratégias educacionais personalizadas que atendam suas particularidades e peculiaridades.

 

Denomina-se metacognição a esse conjunto de abordagens que transcende a cognição simples. As habilidades metacognitivas incluem: i) o conhecimento da cognição, contemplando o conhecimento dos fatores associados ao desempenho na aprendizagem, o domínio de vários tipos de estratégias adotadas para aprender e saber customizar cada estratégia para situações específicas; e ii) a regulação da cognição, dizendo respeito ao estabelecimento de planejamento e metas, monitoramento e controle da aprendizagem e avaliação da própria regulação, especialmente dos resultados e das estratégias adotadas.

 

Em suma, o estímulo para que os educandos reflitam sobre seus próprios processos e estratégias implica em autorreflexão e exigência de aprender trabalhar em equipe, incluindo a prática de entender o outro, desta forma promovendo a aprendizagem colaborativa e independente, indispensável em um cenário de aprendizagem permanente ao longo da vida.  No processo formativo do educando, agregam-se às características tradicionais de natureza mais técnica, um conjunto de elementos socioemocionais, os quais alguns enxergam como sendo uma recuperação de elementos humanísticos em contraposição às ênfases exclusivamente tecnológicas. Tal dinâmica pode, igualmente, ser vista à luz da priorização dos instrumentais metacognitivos (saber aprender) em complemento à versão mais antiga de cognição simples.

 

Do ponto de vista dos empregadores de profissionais de nível superior e do aproveitamento de novas oportunidades de negócios por parte dos próprios formandos, aquilo que se aprende nas abordagens clássicas do ensino superior continua sendo indispensável, ainda que insuficiente, para as atividades do universo profissional atual. No entanto, as abordagens inovadoras que privilegiam as habilidades metacognitivas serão sim as definidoras dos níveis de sucesso desses cidadãos ao longo do cumprimento de suas missões, sejam elas quais forem.

 

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Imagem em Domínio Público, como visto em: https://medicalxpress.com/news/2017-12-mastering-features-individual.html

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segunda-feira, 6 de agosto de 2018 aprendizagem, EaD, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 14:07

Concluintes do Ensino Médio: diminuição ou novos caminhos?

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O número de concluintes do Ensino Médio Regular em 2017, algo em torno de 1 milhão e 780 mil, é 2,6% menor do que o de 2016, 1 milhão e 830 mil, aproximadamente. De fato, são números assustadores em si, porém, não é tão simples indicar que eles, isoladamente, impliquem em retração inevitável de interessados em Educação Superior nos próximos anos. Claro que o desejável seria termos um crescimento contínuo e substantivo de jovens se formando naquele nível, no entanto, há outros fenômenos ocorrendo simultaneamente e que devem ser levados em conta.

 

No último domingo (05 de agosto), foi aplicado o Exame Nacional para a Certificação de Competências de Jovens e Adultos (ENCCEJA), quando 1 milhão e 340 mil inscritos, número 7,6% maior do que no ano anterior, visam a obtenção do diploma de Ensino Médio. Parte significa deles declara a expectativa de, posteriormente, pleitear vagas no Ensino Superior. Assim, é possível observar que a diminuição de formandos no Ensino Médio Regular é compensada pelo incremento, mais do que o dobro de um ano para outro, de potenciais postulantes vindos por um outro caminho.

 

Duas observações preliminares sobre o ENCCEJA. Primeira, o exame é constituído basicamente de quatro partes: matemática; ciências da natureza suas tecnologias; linguagens e códigos; redação; e ciências humanas e suas tecnologias. Segunda, o Exame Nacional de Ensino Médio (ENEM) até 2016 possibilitava o recebimento de diploma do Ensino Médio, sendo que mais de 1 milhão de postulantes ao ENEM atestavam ter tal objetivo como requisito essencial para o ingresso no nível superior.

 

Assim, parte da dinâmica de interesses e opções acima parece estar associada ao relativo e crescente desinteresse dos jovens pelo Ensino Médio Regular na forma que ele é hoje. No passado, os postulantes do ENCCEJA e de seus exames predecessores eram basicamente pessoas maduras que haviam perdido a oportunidade de estudar quando na idade apropriada. Contemporaneamente, é crescente a quantidade de jovens que preferem aguardar completar 18 anos para, via caminhos alternativos, testar seus conhecimentos e, se aprovados, obter seus certificados.

 

Interessante observar que, pela primeira vez, é significativo e crescente o percentual de candidatos ao diploma de Ensino Médio que consegue acesso ao conteúdo do exame via outras formas, que não a escola tradicional. Atualmente, há várias iniciativas inéditas e estão disponíveis um conjunto de atraentes portais educativos de qualidade, parte deles gratuitos e os demais acessíveis a baixos custos. Tais caminhos se mostram cada vez mais interessantes àqueles que expressam compatibilidade com metodologias e tecnologias que permitem ao educando aprender o tempo todo e em qualquer lugar.

 

Não deve surpreender a ninguém que acompanha os processos educacionais no Brasil o fato de que, em poucos anos, o número de matrículas do Ensino Superior na modalidade a distância superará o correspondente no presencial. Da mesma forma e mais enfaticamente ainda, quanto às crianças e os mais jovens, sempre que eles tiverem a opção de explorar novas abordagens educacionais, desde que demonstrem mais compatibilidade com as formas segundo as quais eles vivem, trabalham e se relacionam com amigos e família, parte deles assim procederá.

 

São fenômenos complexos e com variáveis múltiplas. Portanto, na tentativa de simplificá-los, corremos o risco de gerar interpretações equivocadas ou demasiadamente parciais. Porém, parece inequívoco que, em geral, a tendência aponta para um sucesso educacional relativamente maior via a adoção progressiva de metodologias híbridas e flexíveis. Ou seja, a partir da incorporação apropriada de tecnologias digitais, é possível propiciar um ensino personalizado, mais atraente e eficiente. Desta forma, temos a oportunidade de cumprir com os objetivos de uma educação de qualidade para muitos, propiciando que todos estudem, desde que atendendo à indispensável customização que leva em conta o fato de que cada educando aprende de maneira pessoal e única.

 

 

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Imagem em Domínio Público: https://pixabay.com/pt/on-line-educa%C3%A7%C3%A3o-tutorial-3412473/

 

 

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sexta-feira, 20 de julho de 2018 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior | 08:18

Educação: mais recursos versus melhor gestão

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O relatório “Aspectos Fiscais da Educação no Brasil”, divulgado pela Secretaria do Tesouro Nacional do Ministério da Fazenda no último dia 06 de julho, aborda tema pertinente e estratégico para o país. O investimento brasileiro em educação, da ordem de 6% do Produto Interno Bruto (PIB), é comparado com a média de investimentos de 5,5% do PIB dos países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

 

A iniciativa é meritória e os números são precisos; mesmo assim, corre-se o risco de tentar justificar investir menos em educação porque a gestão precisa ser melhorada. Tal raciocínio é tão inadequado como desprezar inadiáveis melhorias de gestão antes que sejam assegurados mais recursos para a área. Mais investimentos, aprimoramentos na gestão e corretas definições de prioridades são missões urgentes e precisam ser realizadas de forma simultânea e sincrônica. Em educação, restringir recursos é mortal, porque asfixia definitivamente, e ser desleixado com a implementação imediata de padrões de eficiência e eficácia são, igualmente, crimes de lesa-pátria.

 

O papel essencial dos processos de aprendizagem é emancipar o educando, preparando-o para a vida, em todas as suas dimensões. Uma das funções estratégicas da educação é garantir força de trabalho qualificada, tal que os produtos e serviços de um país possam ser competitivos globalmente. Dispor de uma geração educada garante ambientes domésticos que favorecem o processo de aprendizagem da próxima.  Nações com carências educacionais maiores, como é o caso do Brasil, demandarão, naturalmente, mais investimentos do que a média de seus principais competidores. Assim, em um cenário onde a população adulta é educacionalmente frágil, o Estado se sobrecarrega em sua tarefa de garantir condições adequadas aos mais jovens.

 

O relatório destaca que da despesa primária da União com educação (R$ 117,2 bilhões em 2017) quase 70% é destinado ao ensino superior e o restante à educação básica. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira (LDB), Lei 9394/96, estabelece que a educação básica é prioritariamente responsabilidade de Estados e Municípios, em regime de colaboração, e com assistência da União. Define também que a União incumbir-se-á dos processos regulatórios das instituições de educação superior e o estabelecimento do seu sistema de ensino. Assim, na prática, o aumento da proporção na arrecadação da União dos investimentos em educação de 4,7% para 8,3% entre 2008 e 2017, embora tenham impactado positivamente a educação básica, migraram principalmente para a manutenção do ensino superior. Infelizmente, o crescimento dos investimentos da União em relação ao PIB neste período, de 1,1% para 1,8%, não foi acompanhado na mesma proporção pelos Estados e Municípios.

 

O drama nacional é que, embora tenhamos registrado significativos avanços quanto à oferta de vagas em todos os níveis de ensino, permanecemos com deficiências extremas e ocupamos as últimas posições nas avaliações internacionais. A título de exemplo, no Pisa (Programme for International Student Assesment), promovido pela OCDE e dirigido a jovens na faixa dos 15 anos, estamos, entre 70 países participantes, na 63ª posição em ciências, 59ª em leitura e 66ª em matemática. São, de fato, resultados alarmantes e inaceitáveis para um país com o potencial que o Brasil tem e que precisa promover imediatamente um desenvolvimento econômico, social e ambiental sustentável.

 

O relatório, ainda que pertinente em sua temática, demonstra um preocupante viés ao estabelecer enquanto principal desafio o aprimoramento da gestão nos processos educacionais. O risco evidente é findar sendo mais uma explicação para cortes de investimento e menos reflexões em direção a uma visão sistêmica que vise a conjugar esforços de mais recursos acompanhados de melhorias nos processos de gestão. Em suma, investir mais e melhor é decifrar o falso dilema entre dois aspectos que não se contrapõem. Ao contrário, são interdependentes, complementares e caminhos essenciais para que tenhamos alguma perspectiva de futuro enquanto nação.

 

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Figura disponível em: https://dcvitti.com/2018/07/06/o-que-a-biblia-diz-sobre-o-capitalismo/

 

 

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segunda-feira, 9 de julho de 2018 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Inovação e Educação | 11:20

Vantagens de trabalhar com educação

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Toda forma de trabalho é válida. Qualquer trabalho honesto é nobre. Mesmo assim, nem todos os ofícios são iguais; algumas tarefas parecem ser mais prazerosas e positivamente diferenciadas. Entre os trabalhos distintos, destaco educação.

 

Nada há de errado em vender produtos e serviços. Mesmo assim, se vendo alimentos, por exemplo, eles podem fazer bem ou mal. Se ingeridos em quantidade excessiva, podem engordar e prejudicar a saúde. Se meu negócio é vender automóveis, ainda que uns sejam melhores do que outros, todos, em algum nível, poluem e geram congestionamentos, além de causarem prejuízos, às vezes fatais, em casos de acidentes. A atividade no mercado financeiro, emprestando dinheiro e garantindo créditos, busca resolver problemas e promover o desenvolvimento. Ela pode dar certo e ser útil, mas pode dar errado e findar sendo catastrófico. Em certas situações só agrava a dificuldade inicial do cliente, transformando pagar o próprio empréstimo no grande drama do futuro.

 

Há inúmeros outros exemplos de produtos e serviços que se caracterizam por terem mais valor quanto mais raros e exclusivos forem, em geral, vendendo a exclusão dos demais. Por sua vez, educação é um dos poucos serviços (saúde é outro) onde mesmo quem não o adquire ganha também. Quem dela desfruta jamais viverá a circunstância de tê-la em demasia, mesmo porque chamar alguém de excessivamente educado é um elogio. O convívio em um ambiente onde todos tiveram acesso à educação não gera poluição de conhecimento ou acidentes. Até mesmo alguém que despreze educação será um privilegiado se puder desfrutar das oportunidades geradas por uma comunidade que valoriza e estimula educação.

 

O papel essencial dos processos de aprendizagem é emancipar o educando, preparando-o para a vida, em todas as suas dimensões. Uma das funções estratégicas da educação é garantir força de trabalho qualificada, tal que os produtos e serviços gerados possam ser competitivos, promovendo um desenvolvimento econômico, social e ambiental sustentável.

 

No ofício docente não cabe ao professor distribuir um montante limitado de conhecimento aos seus educandos. Ensinar a um não tira de quem ensina e é ilimitado a quem aprende, sejam os aprendizes quantos forem. Quando um aprende, os demais também ganham, especialmente quem ensinou, que aprende a ensinar cada vez melhor. Aprender mais não retira do que já se sabe ou de quem já sabe.

 

Educação no mundo atual, diferentemente do passado próximo, é a principal ferramenta em qualquer circunstância. Esqueça das armas, pense no conhecimento como sendo o mais efetivo instrumento de sobrevivência nas guerras contemporâneas. O único risco da educação é a sua ausência ou deficiência, ou seja, não dispor de escolaridade suficiente é caminho quase inevitável para o sofrimento e a pobreza, material e espiritual.

 

Uma pessoa educada, pelos seus comportamentos, hábitos e posturas ganha imediato respeito de todos, em qualquer lugar e sempre. Dinheiro, fama e poder também geram sentimentos parecidos, mas não iguais, dado serem circunstanciais e não perenes, além de não necessariamente sinceros.

 

No passado, ser da família com posses determinava automaticamente o futuro dos filhos. Hoje, os melhores empregos e oportunidades de negócios estão abertos a quem estuda e aprende, adquirindo conhecimento ao longo de toda a vida, seja rico ou seja pobre. E quanto mais se estuda, mais amplas as possibilidades de sucesso, de forma abrangente e ilimitada.

 

Por fim, e não menos importante: educação faz amigos. Os mais sinceros e duradouros relacionamentos são lastreados pela admiração por quem o outro é. Ainda que dinheiro e beleza pareçam concorrer no mesmo sentido, lembremo-nos que ambos são bem menos perenes do que o conhecimento adquirido e naquilo que nos transformamos em função dele. Refletindo o apreço pela educação, nada mais charmoso e atraente do que a inteligência.

 

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