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quarta-feira, 7 de março de 2018 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 15:02

Analítica da Aprendizagem enquanto diferencial competitivo

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Kandinsky

 

Houve um período em que a adoção de modelos de gestão mais competitivos por si só era suficiente para que uma instituição educacional conseguisse obter resultados superiores às demais. Isso não foi simples, foi inovador e gerou resultados significativos. No entanto, com o tempo, os modelos de gestão se mostraram, por um lado, limitados e, por outro, transferíveis e copiáveis. O cenário futuro traz desafios ainda mais complexos. Entre eles, o fato de que as instituições que souberem incorporar adequadamente as novas tecnologias e as metodologias inovadoras serão aquelas que se destacarão e terão como recompensa a oportunidade de conjugar, com sustentabilidade, escala e qualidade. Entre as tecnologias com maior potencial de aproveitamento, em termos de resultados acadêmicos, destaco a Analítica da Aprendizagem.

 

Analítica da Aprendizagem (em inglês, “Learning Analytics”) é a metodologia que permite que os educadores possam tomar decisões levando em conta análises sistemáticas e elaboradas de dados dos educandos e dos contextos educacionais nos quais a aprendizagem se desenvolve. A partir da análise dos dados acerca de quanto e de como os alunos estão aprendendo, é possível uma percepção mais apurada das realidades educacionais. Tais procedimentos viabilizam que desenhos educacionais adequados (em inglês, “Learning Designs”) possam ser propostos, bem como estratégias e trilhas de aprendizagem diversas sejam implementadas. Ao mesmo tempo, esta metodologia colabora na seleção de quais recursos, inclusive tecnológicos e modos de entrega de conteúdos, são os mais adequados para cada contexto e, no limite, para cada educando.

 

Na verdade, os professores no ensino tradicional utilizam de forma corriqueira dados nos processos de ensino. Porém, o fazem, em geral, em uma versão limitada e preliminar, precursora daquilo que hoje denominamos Analítica de Aprendizagem. Por exemplo, notas finais, resultante de alguns poucos produtos, têm consequências relevantes, tais como aprovar ou não os alunos. Excepcionalmente, docentes mais dedicados conseguem, fruto de suas sensibilidades, perceber peculiaridades de uma turma de estudantes, identificar carências típicas e alterar procedimentos, porém, são casos raros e em pequena escala. Em geral, os dados disponíveis, alguns rendimentos acadêmicos dos alunos, são insuficientes para motivar e orientar mudanças de percursos educacionais. Analítica da Aprendizagem, em tese, permite e estimula adaptações, melhorando a aprendizagem à medida que reconfigura, em tempo hábil, os processos educacionais, customizando-os às realidades específicas e, sempre que possível, às características de cada um dos atores envolvidos.

 

Em profundo contraste com os poucos dados disponíveis até pouco tempo (basicamente notas de provas individuais), graças às tecnologias digitais, hoje dispomos de uma abundância de informações (“big data”), que nos permite tentar entender, de forma inédita e inovadora, realidades educacionais complexas. Adicionalmente às formas usuais de avaliação, podemos explorar, dentre inúmeras outras possibilidades, dados resultantes de: i) nível e velocidade de assimilação de informações, ii) capacidade do estudante de acessar conteúdos e sua autonomia na utilização de conhecimentos, iii) características das respostas “erradas” em testes de múltipla escolha, iv) habilidades de comunicação via capacidade de interpretação e de redação de textos complexos, v) habilidade de colaboração em equipe, percebendo e conjugando fragilidades e potencialidades de cada membro, vi) produtividade e efetividade na confecção de artefatos, vii) competência na solução de problemas e no cumprimento de missões, viii) atitudes e comportamentos socioemocionais diante de desafios complexos, ix) letramento matemático, e x) adaptação individualizada a diferentes modos de entrega de conteúdos.

 

A título de exemplo, vejamos, em particular, o item iii) acima, referente a como podemos fazer uso das respostas não certas (na Analítica da Aprendizagem elas são tão relevantes como as corretas) para melhorarmos o aprendizado. De forma simples, suponhamos que em um certo item do teste de múltipla escolha a resposta correta seja b). É possível um enunciado, especialmente assim desenhado, que busque identificar o educando que, mesmo dominando os conceitos básicos envolvidos, porque lê sem a devida atenção, opte por a). Neste caso, é uma potencial indicação de que se trata de aluno cuja capacidade de foco merece toda nossa atenção. Agora, suponhamos que, apesar de ter estudado e compreendido o tema objeto, o estudante, mesmo concentrado, tenha dificuldade em interpretação de textos um pouco mais complexos. É possível construir um enunciado que, provavelmente, fruto desta deficiência, ele seja guiado para alternativa c). da mesma forma, imaginemos alguém que tenha fragilidade em letramento matemático; assim, mesmo com domínio eventual do conteúdo, uma operação matemática na qual ele tenha dificuldade, o leva à alternativa d). Por fim, um enunciado especialmente preparado pode tentar identificar, caso a caso, mais do que uma falha no domínio do conteúdo geral, podemos estar diante de deficiência em um particular conceito específico envolvido e, sendo este o caso, ele, provavelmente, optará pela alternativa e).

 

A receita acima é puramente ilustrativa e não há a menor chance de, a partir de um único item ou de um único teste, afirmarmos algo substantivo. No entanto, fruto de questões e respostas abundantes, e como um elemento a mais no conjunto mais amplo de dados qualificados acima citados, certamente, há características educacionais relevantes que podem ser extraídas. O grande segredo é que, a partir de uma quantidade imensa de informações, algumas considerações mais bem embasadas podem começar a ser ponderadas acerca dos contextos educacionais específicos e sobre cada educando em particular.

 

Uma vez que tenhamos material mais consolidado e adequadamente analisado, podemos começar a construir caminhos educacionais múltiplos e personalizados. São trilhas individuais que dão conta, ou tentam dar conta, de: i) melhorar capacidade de foco, ii) aprimorar competências em ler e escrever textos mais complexos, iii) orientar e capacitar em operações matemáticas básicas, iv) explorar um particular conceito sobre o qual o aluno demonstrou fragilidade etc.

 

Curiosamente, quanto mais estudantes, maior o número de testes e quanto mais analistas e curadores de conteúdo tivermos, mais bem elaborados serão os caminhos e abordagens específicas que poderemos propor. Para quem sempre associou qualidade a poucos e má qualidade a muitos, temos um novo paradigma: a escala que gera qualidade.

 

Começamos, portanto, a construir algoritmos educacionais inteligentes que nos permitem sair do artesanato e de outras limitações, que caracterizam o ensino tradicional, para darmos respostas qualificadas às demandas e propiciarmos atendimento em grande escala. Esta é marca de uma educação contemporânea onde todos aprendem, aprendem o tempo todo e cada qual de maneira única. Este é o caminho de uma educação flexível, híbrida, adaptativa e personalizada.

 

Quanto, em especial, às empresas educacionais e suas instituições de ensino, cabe destacar que os desafios em busca da sustentabilidade e de lucratividade, por certo, dependem de bons modelos de gestão. No entanto, enquanto a guerra pode, de fato, ser perdida na gestão, por outro lado, para se ter conquistas substantivas há que se explorar metodologias inovadoras que façam uso adequado de novas tecnologias. Neste caso, não há soluções milagrosas e nem receitas prontas. Mas, por certo, Analítica da Aprendizagem é ingrediente indispensável para enfrentar, com sucesso, os desafios educacionais contemporâneos.

 

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 Sobre a imagem:  O influente pintor e teórico russo Wassily Kandinsky tem sua obra em domínio público. Na foto, . Ver: “Composição VII”, considerada pelo autor sua obra mais complexa, Ver: http://www.portaldaindustria.com.br/cni/canais/propriedade-intelectual/noticias/e-tudo-free-as-obras-que-viraram-dominio-publico-em-2015/

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In English:

Ronaldo Mota – Chancellor of Estácio Group, educational executive, lecturer, member of the board of the Brazilian Association of Owners of Private Institutions of Higher Education, he writes about new technologies in education and innovative educational methodologies.

There was a period when the adoption of more competitive management models alone was sufficient for one educational institution to achieve high results. This was not simple, it was innovative and generated significant results. However, over time, management models have been limited, on the one hand, and transferable and replicable, on the other. The future scenario brings even more complex challenges. Among them is the fact that institutions that know how to appropriately incorporate new technologies and innovative methodologies will be those that will stand out and will be rewarded with the opportunity to combine, with sustainability, scale and quality. Among the technologies with the greatest potential for achievement, in terms of academic results, I highlight Learning Analytics.

Learning Analytics is the methodology that enables educators to make decisions by taking into account systematic and elaborate analyses of learners’ data and the educational contexts in which learning develops. By analyzing the data on how much and how students are learning, a sharper perception of educational realities is possible. Such procedures enable appropriate learning designs (“Learning Designs”) as well as strategies and learning paths to be implemented. At the same time, this methodology contributes to the selection of which resources, including technological and content delivery modes, are the most appropriate for each context and, in the limit, for each student.

In fact, teachers in traditional teaching routinely use data in teaching processes. However, they usually do so in a limited and preliminary version, precursor to what we now call Learning Analytics. For example, final grades, resulting from a few products, have relevant consequences, such as approving students or not. Exceptionally, more dedicated teachers are able, through their sensibilities, to perceive the peculiarities of a student group, to identify typical needs and to change procedures, but these are rare cases and in small in scale. In general, according to the available data, some academic achievement of the students are insufficient to motivate and guide changes in educational pathways. Learning Analytics, in theory, allows and stimulates adaptations, improving learning as it reconfigures, in a timely manner, the educational processes, adapting them to the specific realities and, whenever possible, to the characteristics of each of the actors involved.

In sharp contrast to the few data available until very recently (basically individual test notes), thanks to digital technologies, today we have an abundance of information (“big data”), which allows us to try to understand, in a new and innovative way, complex educational realities. In addition to the usual forms of evaluation, we can explore, among countless other possibilities, data resulting from:

  1. i) level and speed of information assimilation,
  2. ii) the student’s ability to access content and its autonomy in the use of knowledge,
  3. iii) characteristics of “wrong” answers in multiple choice tests,
  4. iv) communication skills through ability to interpret and write complex texts,
  5. v) ability of team collaboration, perceiving and combining frailties and potentialities of each member,
  6. vi) productivity and effectiveness in the manufacture of artifacts,
  7. (vii) competence in solving problems and performing missions,
  8. viii) social-emotional attitudes and behavior in the face of complex challenges,
  9. ix) mathematical literacy, and
  10. x) individualized adaptation to different modes of content delivery.

As an example, let’s look in particular at item iii) above, regarding how we can make use of the non-correct answers (in Learning Analytics they are as relevant as the correct ones) to improve learning. In a simple way, suppose that in a certain multiple-choice test item the correct answer is b). It is possible for a statement, especially designed, that seeks to identify the learner who, even if he dominates the basic concepts involved, because he reads without due attention, choose a). In this case, it is a potential indication that it is a student whose ability to focus deserves our full attention. Now, let us suppose that, although he has studied and understood the subject matter, the student, even if concentrated, has difficulty interpreting slightly more complex texts. It is possible to construct a statement that, probably as a result of this deficiency, is guided to alternative c). in the same way, imagine someone who has weaknesses in mathematical literacy; thus, even with eventual mastery of the content, a mathematical operation in which he/she has difficulty, takes it to alternative d). Finally, a specially prepared statement may try to identify, on a case-by-case basis, more than a fault in the general content domain, we may be deficient in a specifically particular concept involved and, if this is the case, he/she will probably opt for alternative e).

The above recipe is purely illustrative and there is not the slightest chance, from a single item or a single test, to be able to say anything substantive. However, with abundant questions and answers, and with the additional element in the broader set of qualifying data cited above, there are certainly relevant educational features that can be drawn. The great secret is that, from an immense amount of information, some more well-grounded considerations can begin to be weighed on the specific educational contexts and on each individual student.

Once we have more consolidated and properly analyzed material, we can begin to build multiple and personalized educational paths. These are individual tracks that tell or attempt to account for:

  1. i) improved focus,
  2. ii) improved skills in reading and writing more complex texts,
  3. iii) guidance and enabling of basic mathematical operations,
  4. iv) exploring a particular concept on which the student demonstrated fragility, etc.

Curiously, the more students, the greater the number of tests and the more analysts and curators we have, the better elaborated will be the specific paths and approaches that we can propose. For those who have always associated quality with a few and poor quality to many, we have a new paradigm: the scale that generates quality.

We began, therefore, to build intelligent educational algorithms that allow us to get out of the handicrafts and other limitations that characterize traditional teaching, to give qualified answers to the demands and to provide large-scale care. This is a mark of a contemporary education where everyone learns, learns all the time and each one in a unique way. This is the path of a flexible, hybrid, adaptive and personalized education.

In particular, educational businesses and their educational institutions must highlight that the challenges in search of sustainability and profitability, of course, depend on good management models. However, while warfare may indeed be lost in management, on the other hand, in order to have substantive achievements one has to explore innovative methodologies that make appropriate use of new technologies. In this case, there are no miracle solutions or ready recipes. But, of course, Learning Analytics is an indispensable ingredient for successfully addressing contemporary educational challenges.


Learning Analytics as a Competitive Differential

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domingo, 11 de fevereiro de 2018 aprendizagem, EaD, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 09:21

Analítica da aprendizagem disposicional: melhor agora do que depois

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Os dados oficiais do ensino superior brasileiro mostram que as matrículas na modalidade presencial entre os anos de 2012 a 2016 avançaram 10%, enquanto na educação a distância o crescimento foi de 34%. Quanto ao número de concluintes, no ensino presencial a variação positiva nesse período foi de 7% e na modalidade a distância de 32%. Os dados mais impressionantes referem-se aos números de ingressantes. Frente ao substantivo crescimento de 44% em educação a distância (aproximadamente 542 mil ingressantes em 2012 contra 781 mil em 2016), houve uma redução de mais de 18% (2.204 mil ingressantes em 2012 para 1.858 mil em 2016) no ensino presencial.

 

humancomputer

 

No início desta década, qualquer alerta acerca do incrível potencial de crescimento da modalidade a distância seria objeto de alguns olhares de desconfiança. Da mesma forma, para a maioria, ainda não era clara a forte tendência para a dominância do e-learning (baseado na internet), em contraposição ao chamado semipresencial. Idêntico ceticismo valeria para a previsão de que o dispositivo dominante de aprendizagem online viria a ser o celular, como é hoje, e não os computadores, notebooks e tabletes.

 

Contemporaneamente, um dos grandes desafios no ensino superior é dimensionar o papel da analítica da aprendizagem (em inglês, “learning analytics”). Esta ferramenta e suas evoluções se mostrarão, cada vez mais, essenciais e imprescindíveis, contribuindo nos desenhos dos processos de aprendizagem mais efetivos.

 

Analítica da aprendizagem diz respeito à técnica que se caracteriza pela coleta sistemática e pela análise rigorosa de dados dos educandos e de seus contextos educacionais, tendo como propósito o entendimento dos processos de aprendizagem e dos ambientes nos quais eles ocorrem. Assim, é possível desenvolver e aprimorar desenhos de aprendizagem (em inglês, “learning designs”), nos quais múltiplas trilhas educacionais podem ser construídas e disponibilizadas aos alunos. Nesta perspectiva, é possível viabilizar processos personalizados, atendendo características peculiares de cada educando ou próprias do ambiente educacional específico.

 

Nos estágios iniciais da analítica de aprendizagem, os estudiosos se limitavam a modelos preditivos simples baseados em dados extraídos das informações disponíveis dos estudantes. O uso crescente de plataformas digitais pelos alunos e dos sistemas de gestão de aprendizagem pelas instituições, progressivamente, tem gerado uma quantidade inédita de dados qualificados. A partir deles, observamos avanços significativos nas aplicações da analítica da aprendizagem, nos desenhos educacionais propostos e nas intervenções pedagógicas deles decorrentes.

 

Mais recentemente, foi introduzida a estratégia da analítica da aprendizagem disposicional (em inglês, “dispositional learning analytics”), a qual combina os dados gerais de aprendizagem com elementos disposicionais próprios dos educandos, incluindo seus comportamentos, suas atitudes e seus valores. A coleta desses dados disposicionais tanto pode ser realizada via respostas fornecidas diretamente pelos próprios estudantes, como via o monitoramento de suas reações, a partir de situações induzidas com propósitos específicos.  Os aspectos disposicionais que estamos interessados devem representar diferenciais característicos dos educandos e de suas circunstâncias, incluindo aspectos comportamentais, cognitivos, metacognitivos (envolvendo a percepção do aprendiz sobre a própria aprendizagem) e afetivos.

 

No Brasil, temos a oportunidade de adotar quanto antes esta estratégia, em complemento às metodologias inovadoras associadas e às novas tecnologias disponíveis. A aplicação da analítica da aprendizagem disposicional, certamente, contribui para a construção de abordagens educacionais que viabilizem que todos aprendam, aprendam o tempo todo e em qualquer lugar, e, especialmente, que cada um aprenda de maneira única e personalizada.

 

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Fonte da figura: University of Rochester, em “Dancing with Computers. In the field of Human-computer interaction, computer science meets human behavior”. De Kathleen McGarvey, com ilustrações de John W. Tomac para “Rochester Review”. Ver o link:

https://www.rochester.edu/pr/Review/V78N2/images/slide_hci3.jpg

 

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terça-feira, 28 de novembro de 2017 aprendizagem, EaD, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 09:01

Lançamento do livro e do aplicativo em Brasília dia 05/12 na ABMES

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No próximo dia 05/12, terça-feira, das 08h30 às 12h30, em Brasília-DF, na sede da ABMES,  o livro “A Arte da Educação” e o app “Ronaldo Mota Online” serão lançados.

 

Aqueles interessados em adquirir o livro online podem fazê-lo imediatamente via o link da Editora Obliq:  https://www.obliq.com.br/uc6e0tmk-a-arte-da-educacao.

 

Com o aplicativo “Ronaldo Mota Online”, desenvolvido em conjunto com Digital Pages, será possível acessar gratuitamente a versão completa do e-book “A Arte da Educação” e os diversos depoimentos realizados sobre a obra, para leitura tanto em modo online quanto off-line. Diversas ferramentas interativas de leitura estarão disponíveis, como anotações, favoritos, sumário, ferramentas de busca, atalhos para páginas e um menu ajuda. Para acessar o aplicativo, basta baixá-lo, a partir de 05/12, em uma das lojas disponíveis (Google Play ou Apple Store).

 

Abaixo, mais sobre a obra:

 

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A ARTE DA EDUCAÇÃO

 

Ao início era a obra

com cara de segunda-feira.

 

Trigo na forma bruta

água que não faz espuma

letras que se desentendem

movimento e energia.

 

Em seguida vem o corpo

expressão de sexta-feira.

 

Massa enquanto barro

caldo que se mistura

sentenças que se conversam

cansaço querendo espaço.

 

No meio temos o forno

com jeito de precisão.

 

Alimento quase pronto

recheio que se junta

páginas que se seguem

fome de conclusão.

 

Tempo feito em partes

a arte da educação.

 

Ciclo permanente

quando todos aprendem

aprendem o tempo todo

cada um cada qual.

 

Final lembrando recomeço

parecido mas diferente.

 

Não somos mais os mesmos

sabemos pouco mais

cientes que nunca fecha

nova volta a completar.

 

Ronaldo Mota

 

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segunda-feira, 13 de novembro de 2017 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 17:17

Lançamento do livro: “A Arte da Educação”

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Latoncamento

 

 

No próximo dia 22/11, quarta-feira, às 18h, no Centro Cultural do Banco do Brasil/CCBB, no Rio de Janeiro-RJ, lançarei o livro “A Arte da Educação”. Ainda neste ano, teremos outros lançamentos: em Brasília-DF na Associação Brasileira de Mantenedores do Ensino Superior/ABMES (dia 05/12, terça-feira, pela manhã) e em Santa Maria-RS, na CESMA (dia 23/12, sábado, às 10h30). Em outras cidades, lançamentos somente em 2018.

 

A versão impressa estará disponível para aquisição online, diretamente da Editora Obliq (a ser anunciado em breve). Simultaneamente, a obra, no formato e-book, estará também disponível via o app “Ronaldo Mota Online”, desenvolvido em conjunto com Digital Pages (detalhes em breve).

 

A obra trata da relevância de se entender o ofício educar como arte. Um conjunto de artigos, alguns inéditos e outros já publicados na coluna Reitor Online do Portal iG, no blog da ABMES e na página do Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras/CRUB, são apresentados em capítulos temáticos.

 

Arte diz respeito às variadas e complexas formas de expressão estética e de comunicação, utilizando inúmeras linguagens e, especialmente, contemplando inspiração e criatividade. Educação, por sua vez, está genericamente associada ao processo de ensinar e de aprender conhecimentos de forma sistemática e organizada.

 

Ensinar, de certa forma, envolve técnica e procedimentos; educar, no século XXI, tende a ser progressivamente uma arte, que inclui a técnica, mas a transcende, contemplando também criatividade, inovação, empreendedorismo, metacognição etc. Não se trata, portanto, de minimizar o ensino, como o conhecemos hoje, mas sim de evidenciar sua insuficiência no mundo contemporâneo.

 

Ensinar nos padrões tradicionais nos tempos passados recentes teve enorme sucesso porque se mostrou compatível e coerente com as demandas de então. A complexidade atual exige ir muito além, introduzindo novidades, a maior parte delas decorrentes de um cenário mediado pela emergência disruptiva das tecnologias digitais.

 

O educador está progressivamente se transformando em artista, o qual se expressa também como designer educacional trabalhando coletivamente. Os tempos de aprendizagem, anteriormente estanques, agora dispensam limites, podendo ocorrer a qualquer hora, em qualquer lugar e ao longo de todo o tempo, obrigando conjugar educação com a própria vida, de forma indissolúvel e indissociável.

 

Educação, dentro dessa abordagem, contribui com erodir a separação entre vida e arte. A arte da educação viabiliza entender melhor o educando, o educador e, consequentemente, a vida. Educação, arte e vida, conjuntamente, esclarecem complexidades e preparam a todos para desafios que somente assim se permitem serem decifrados e resolvidos. Educar em consonância com as exigências deste século é sim uma forma de arte. Conhecimentos específicos, domínio de técnicas e conhecimentos são relevantes, porém, não mais suficientes. Aprender a conhecer transcende aqueles ingredientes, demandando elementos que somente a arte pode nos inspirar.

 

Como autor, destaco os doze Depoimentos que apresentam a obra. Pedro Thompson, Presidente da Estácio, Fábio Coelho, CEO do Google/Brasil, Renato Janine Ribeiro, ex-ministro da Educação, Maria Helena Guimarães de Castro, secretária-executiva do MEC, Sérgio Rezende, ex-ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Vanderlan Bolzani, vice-presidente da SBPC, Edson Nunes, ex-presidente do CNE, Fredric Litto, presidente da ABED, Ana Estela Haddad, diretora de Relações Institucionais da ABTms, Arnaldo Niskier, membro da ABL, Robert Cowen, Instituto de Educação da Universidade de Londres, e Senador Pedro Chaves, ex-reitor da Uniderp. Não é falsa modéstia opinar que eles são mais interessantes do que a própria obra, dado que são profissionais muito especiais, cujas críticas me deixam particularmente lisonjeado e suas opiniões, mais do que tratarem da obra, são partes integrantes dela. Com muito orgulho do autor.

 

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sábado, 14 de outubro de 2017 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 19:02

Mensagem aos Professores

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teacher

 

Dentre todas as espécies, somos a única que possui a incrível habilidade de transmitir cultura e conhecimento de forma organizada e consciente aos nossos descendentes. Nas sociedades primitivas, os precursores dos professores eram os responsáveis por passar ensinamentos de uma geração para outra, onde os mais velhos ensinavam os mais jovens. Atividades como a arte da caça, a capacidade de sobrevivência, o trato com as plantações e com as ervas que curam, a segurança e a garantia do bem-estar da comunidade estavam sujeitas a ritos de passagens. Assim, os pioneiros do processo ensino e aprendizagem atestavam as técnicas e procedimentos adquiridos e validavam esses processos.

 

À medida que as sociedades humanas foram se tornando mais complexas, apareceu a figura do artesão, responsável pela produção de artefatos, utensílios e artesanatos, seja para a agricultura, o uso doméstico, a lida com os animais ou para a defesa. Esses ensinamentos, técnicas e procedimentos eram transmitidos pelo mestre aos seus aprendizes, os quais, após ritos de aprendizagens, se transformavam, com a idade, em artesãos, e assim por diante.

 

Milênios se passaram e atualmente o docente é figura consolidada, reconhecida e respeitada pela sociedade, ainda que entendamos, corretamente, que pudesse ser mais prestigiada. Contemporaneamente, vivemos grandes desafios, especialmente pela abrupta emergência das tecnologias digitais que a tudo modifica, transforma e reconceitualiza.

 

Acalmando os mais assustados, lembremos que no século XV, com o advento do livro moderno de Gutenberg, alguns equivocados sugeriram a possibilidade do fim da figura do professor. Afinal, quem iria procurar o mestre, que, por melhor que fosse, improvisa, tendo disponível o livro, supostamente sempre correto e sem erros, dado que feito com tempo, cuidado e esmero? Na prática, jamais houve conflito entre o docente e o livro; ao contrário, ambos foram as grandes alavancas que consolidaram as nascentes universidades europeias. Estas, por sua vez, propiciaram o amadurecimento do método científico, as tecnologias dele decorrentes e a Revolução Industrial que, por fim, moldaram as bases da sociedade atual.

 

Por vezes, alguns não entendem por que os educadores não gostam quando o termo “treinamento” é utilizado para o ofício que nós desenvolvemos. Não é birra e nem soberba; é que treinamento não é expressão ingênua, mas embute um conjunto de metodologias que é inapropriado para quem pretende de fato educar. Educação vai muito além da simples transmissão de conteúdos e jamais se reduz a um conjunto de receitas de procedimentos. Ainda que alguns possam ter se iludido nos séculos passados, porque os modelos de desenvolvimento assim o sugeriam, a verdade é que contemporaneamente esses processos de ensinamento, baseados em treinamentos, são falhos e inócuos.

 

Educar, mais do que nunca, é emancipar o educando para, fruto dos ensinamentos dos mestres, ser capaz de enfrentar desafios complexos. Emancipa-se quando o educando se torna competente para escrever e interpretar textos complexos ou quando se atinge o domínio do letramento matemático, indo muito além das operações simples da aritmética. É emancipatório o pleno domínio do método, especialmente do método científico, para, utilizando tal ferramenta, entender e interpretar o mundo à sua volta. Educar é promover a aprendizagem independente ao longo de toda a vida, entendendo que cada educando aprende de maneira única e personalizada e que todos aprendem, em qualquer lugar e o tempo todo.

 

Neste Dia do Professor temos sim o que celebrar, particularmente nossa singular responsabilidade em contribuir na educação das novas gerações. Não podemos tudo na sociedade atual e sequer temos controle de todos os processos envolvidos, mas temos a capacidade de emancipar, ensinando nossos educandos a aprender a aprender continuamente. Às novas gerações cabe continuar colaborando para um desenvolvimento econômico, social e ambiental sustentável.  Enfim, uma sociedade que seja mais harmônica, justa e respeitosa à rica diversidade, onde possamos celebrar sermos, felizmente, todos diferentes.

 

Professores, Parabéns.

Comemoremos, merecidamente, o Dia do Professor.

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Figura em Domínio Público mostrando Jesus Cristo pregando aos discípulos. Autor: Tissot (1886-1894). Link:

http://torahclub.ffoz.org/disciples/images/wm-brooklyn_museum-Jesus-Teaches-Tissot.jpg

 

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terça-feira, 10 de outubro de 2017 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 17:44

Economia comportamental e educação

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Richard H. Thaler, professor da escola de negócios da Universidade de Chicago, acaba de ganhar o Prêmio Nobel de Economia 2017 por suas contribuições em economia comportamental. Seus trabalhos ajudam a compreender como as pessoas tomam decisões sobre consumo, trabalho, investimentos e demais aspectos da vida, demonstrando que os traços humanos afetam sistematicamente nossas decisões

 

Ao minimizarem aspectos comportamentais, as teorias econômicas convencionais, em geral, assumem que somos totalmente racionais e que a objetividade é o guia dominante das decisões econômicas. Thaler foi um dos pioneiros na aplicação da psicologia ao comportamento econômico, esclarecendo como as pessoas tomam decisões financeiras, por vezes rejeitando a racionalidade.

 

O centro do raciocínio é que somos humanos, existe o indivíduo e ele precisa ser levado em conta. Na prática, mesmo sendo racionais, nossos comportamentos desviam de julgamentos puramente sistemáticos. Tais tendências estão associadas ao que chamamos genericamente de viés cognitivo e decorrem de motivações emocionais ou de influências sociais diversas. Além disso, há que se levar em conta os inevitáveis atalhos no processamento de informações ou as limitações inerentes às habilidades de nosso cérebro, incluindo distorções no armazenamento e recuperação de memórias.

 

Em educação fenômeno semelhante ao campo da economia comportamental está em curso. Ensino tradicional é centrado na transmissão de conteúdos e na assimilação de técnicas e de procedimentos. Gradativamente, novas habilidades, assentadas em aspectos socioemocionais e no incremento da capacidade de aprender a aprender, ocupam mais espaço. Portanto, na formação de profissionais contemporâneos há que se somar aos conhecimentos básicos os indispensáveis aspectos complementares cognitivos e metacognitivos.

 

Metacognição diz respeito àquilo que transcende a cognição simples, incluindo nossa percepção de como aprendemos, as habilidades de realizar conexões entre diversas áreas do saber, contribuindo para a solução de problemas complexos, a capacidade de comunicação, as habilidades no desenvolvimento de trabalhos em equipe e os outros aspectos socioemocionais. Compreender os vieses cognitivos ou metacognitivos torna-se especialmente relevante em um mundo com ênfase em economia comportamental e de informação plenamente disponível, de forma instantânea e gratuita.

 

No que diz respeito aos conhecimentos básicos, as três mais relevantes prioridades são: 1) letramento geral sofisticado, que vai muito além da alfabetização, contemplando a capacidade comprovada de escrever e interpretar textos mais complexos, e o letramento matemático, que transcende as operações matemáticas mais simples; 2) letramento digital, incluindo o domínio de plataformas e o preparo para compreensão, adoção e desenvolvimento de softwares e aplicativos; e 3) percepção de onde estamos, via a capacidade de entender aspectos históricos e geográficos, entendendo as diferentes culturas e comportamentos, desenvolvendo tolerância para especificidades, hábitos e costumes diversos.

 

As sete principais características complementares que se espera de um futuro profissional diferenciado são: 1) habilidade de aprender a aprender continuamente ao longo da vida, ampliando sua própria consciência acerca dos mecanismos segundo os quais ele aprende; 2) capacidade analítica para resolver problemas práticos, ou seja, embasado no conhecimento do método científico e na familiaridade com pensamentos críticos, desenvolva o domínio de raciocínios abstratos sofisticados; 3) efetividade em juntar diferentes áreas do saber e das artes, com especial disposição para a área de gestão de informações; 4) efetiva habilidade de comunicação, sabendo lidar com pessoas e a negociar com flexibilidade e competência em todos os contextos; 5) inteligência emocional desenvolvida, incluindo perseverança, empatia, autocontrole e capacidade de gestão emocional coletiva; 6) disposição plena para o cumprimento simultâneo de multitarefas, propiciando capacidade de análises apuradas e de tomada de decisões; e 7) competência em colaborar em equipe de forma produtiva, sendo respeitoso e cordial, entendendo as características individuais e as peculiaridades das circunstâncias, promovendo ambientes criativos e empreendedores, resultantes de processos coletivos e cooperativos.

 

 

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segunda-feira, 24 de agosto de 2015 aprendizagem, Educação e Tecnologia | 15:37

Aprender a aprender é mais do que aprender

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O ensino tradicional tem como foco central ensinar conteúdos, técnicas e procedimentos. O fruto direto do processo, ou seja, o que se aprendeu é, em geral, considerado mais importante do que o processo em si.

Tal modelo funcionou porque era harmônico com o mundo do trabalho correspondente no qual foi aplicado – ambientes baseados nos modelos de produção fordistas e tayloristas – e coerente com as correspondentes demandas por especialistas com memória apurada aplicada em atividades bem configuradas. Tudo isso em pleno acordo com o contexto geral dos últimos séculos, em especial com o século XX.

Esta solução educacional funcionou tão bem e por tanto tempo que aquilo que era uma metodologia entre várias quase virou sinônimo de método educacional, como se fora único e indiscutível. Desta forma, persistindo como dominante no cenário do processo de aprendizagem até hoje e, quando muito, permitindo variações sobre o mesmo tema, sem alterar sua essência.

Ao privilegiar o conteúdo aprendido sobre a consciência e o amadurecimento do hábito de aprender, predominou a ênfase na cognição, a qual está associada ao ato de conhecer, incluindo os estados mentais associados e os processos do pensamento relacionados à aquisição de conhecimentos. A cognição, com ênfase no saber algo, envolve múltiplos fatores como linguagem, percepção, memória, lógica, raciocínio e outros elementos importantes do desenvolvimento intelectual.

As tecnologias inovadoras, especialmente as tecnologias digitais, fizeram brotar uma sociedade contemporânea bastante distinta daquelas que vivenciamos antes. Pela primeira vez exploramos a oportunidade de termos informação plena e total, instantaneamente e gratuitamente acessível. Um dos reflexos decorrentes desta revolução diz respeito ao fato de que cognição perde sua centralidade, abrindo espaço, em termos de relevância, para um conceito mais amplo, a metacognição.

Metacognição, etimologicamente, significa “para além da cognição”, ou seja, a faculdade de conhecer o próprio ato de conhecer, associado à consciência dos atores envolvidos no processo de aprendizagem acerca de como se aprende ou como se ensina. O conceito de metacognição está relacionado ao ato de pensar sobre o próprio pensamento, onde a reflexão e a autoconsciência sobre a maneira como se aprende tornam-se, progressivamente, mais importantes do que o próprio ato de aprender em si.

Assim, mais importante do que aquilo que se aprendeu é se, ao longo do processo de aprendizagem, ao educando foi possível adquirir mais clareza acerca de como ele aprende, aumentando o seu nível de consciência sobre os mecanismos segundo os quais o processo pessoal ou coletivo de aprendizagem se desenvolve.

Neste novo contexto, o complexo aprender a aprender passa a ser mais relevante do que o simples aprender. O simples aprender tem tudo a ver com um mundo em que o período escolar estava circunscrito a um período limitado da vida. Em tempos passados, os profissionais, uma vez graduados, estavam prontos para suas missões e demandas futuras e, via de regra, sobreviviam de forma satisfatória no mundo do trabalho. O sofisticado aprender a aprender estabelece compatibilidade com educação ao longo da vida, com o conceito de  educação contínua e permanente.

Em suma, a cognição se preocupa quase que exclusivamente com constatar se o aluno aprendeu ou não (sabe ou não sabe); a metacognição inclui, com igual peso, o quanto o educando e o educador percebem a forma e os mecanismos com que eles próprios aprendem e ensinam (preparação ao saber resolver, portanto). Neste sentido, a cognição, associada ao aprender, atende ao passado e a metacognição, associada ao aprender a aprender, contempla o futuro.

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