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sábado, 11 de abril de 2020 aprendizagem, Educação e Tecnologia | 11:49

Bioterrorismo: lições para futuro

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Bioterrorismo diz respeito ao terrorismo praticado por meio de disseminação intencional de agentes biológicos, tanto nas suas formas naturais como modificadas pelo homem.

 

A atual crise do coronavírus não se enquadra na definição acima, não havendo evidências de que seja produto de laboratório ou de intenção deliberada de alguém.

 

O bioterrorismo é uma perspectiva diferente de guerra e, curiosamente, com uma história muito antiga. Consta que os nossos ancestrais mais primitivos colocavam fezes de animais nas pontas de suas lanças para atacar os inimigos, intensificando seu poder letal. Durante a peste negra, na segunda metade do séc. XIV, os exércitos usavam corpos de vítimas em decomposição para contaminar o abastecimento de água das cidades sitiadas. Ou, simplesmente, catapultavam cadáveres contaminados para dentro das cidades sitiadas.

 

Mais recentemente, ficou famosa a contaminação intencional por salmonela nas saladas distribuídas por uma seita religiosa nos Estados Unidos. Da mesma forma, foi amplamente divulgado o envio de antraz, um pó branco que circulou via correio postal. Fruto desses atentados, os Estados Unidos criaram a Lei do Bioterrorismo, a qual obriga que as empresas nas áreas correlatas tenham seus produtos previamente autorizados e estritamente controlados pelo FDA (“Food and Drug Administration”).

 

Contemporaneamente, por inspiração do coronavírus, corremos o risco do bioterrorismo se apresentar numa versão reformulada, global e mais perversa.  Semelhantes aos centros que produzem, simultaneamente, o vírus e o antivírus que atacam computadores, o mesmo pode ser pensado e praticado para perigosos sistemas biológicos. Da mesma forma que o antivírus é um software que detecta, impede e atua na remoção de programas maliciosos, as vacinas serão armas de guerra. O mais perverso é que ambos, o veneno e o antídoto, estarão sob o controle da mesma pessoa, grupo ou nação.

 

Nesse contexto, tanto podem ser iniciativas de uma sociedade contra outra como empresas gananciosas interessadas em vender segurança, auferindo com isso eventuais lucros astronômicos. Igualmente, fés ou ideologias extremadas, eventualmente, podem produzir e disseminar agentes biológicos maliciosos, produzindo pânicos e exigindo contrapartidas, na forma de ameaças. Tudo isso, em escala planetária, deixa de ser ficção e se apresenta, a partir daqui, como possibilidade real.

 

Uma visão alargada de bioterrorismo contempla também o psicoterrorismo. Ou seja, fazer uso de uma situação dada (coronavírus, por exemplo) para tentar, deliberadamente, direcionar a população desinformada para conflitos políticos. A título de ilustração, é psicoterrorismo propagar ações (estimular precipitadamente o fim do isolamento social) ou crenças de curas por produtos ainda em testes (cloroquina e outros) com o intuito puro e simples de confundir e transferir para outros os efeitos de desastres em curso.

 

O atual confinamento social, que esperamos seja bem sucedido, no sentido de minorar os imensos desastres que estamos vivenciando, é também uma forma de nos prepararmos para enfrentar eventuais futuros desafios. A articulação solidária entre todas as nações do planeta se mostra essencial, sem a qual não há como enfrentar situações similares como a que estamos vivendo.

 

O legado de solidariedade que estamos construindo é sim uma espécie de sistema de anticorpos coletivo que a sociedade gera para preservar a própria espécie. Saberemos nos defender, nos capacitando para entender o outro (empatia) e programar ações positivas e eficazes em função disso (compaixão). Tudo isso faz parte de nossa história, a qual testemunhamos e que está, ainda, em permanente construção.

 

 

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Imagem em Domínio Público. Ver:  

By Wikimedia Commons, User:Andux, User:Vardion, and Simon Eugster, CC BY-SA 3.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=1116038

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