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Arquivo de abril, 2020

domingo, 19 de abril de 2020 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 12:28

Vortéx digital: a pandemia e o futuro da educação

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  1. Vórtex digital

 

Vórtex ou vórtice diz respeito a um escoamento giratório, com linhas circulares ou espirais, em torno de um centro de rotação. Trata-se de um redemoinho que suga, absorve e transforma tudo ao seu redor. Vórtex digital reflete a centralidade atratora que as tecnologias digitais representam no mundo contemporâneo.

 

Setores como, por exemplo, mídia e entretenimento, telecomunicações, varejo online e serviços bancários já foram absolutamente tragados por esse centro atrator. Outros, como indústrias de bem de consumo, turismo e educação, já sentem fortemente a proximidade do sorvedouro. Mas, todos, uns antes outros depois, passarão por esse processo inexoravelmente.

 

A história humana descreve uma sequência de mudanças permanentes. Às vezes mais lentas, por outras mais rápidas. O século passado ilustra uma alteração acelerada, onde o correspondente a um milênio de transformações ocorreu em um único século.

 

Há casos extremamente raros, como o atual momento, associado à pandemia do Covid-19, onde a melhor definição é de mudanças extremamente rápidas. São episódios extraordinários, singularidades, onde vivenciamos mudanças que, em geral, durariam anos ou uma década, e estamos presenciando elas ocorrerem em algumas semanas ou poucos meses.  O que estamos testemunhando agora, neste exato momento, rebaterá em todos os setores e aspectos da sociedade, inclusive na educação.

 

 

  1. Aprendizagem ao longo do tempo

 

Mudanças em educação não se constituem em novidades. A prática da aprendizagem é quase tão antiga como o próprio homo sapiens. Nossos ancestrais, nas sociedades primitivas, deixaram evidências de ciclos de aprendizagem bem definidos. Os mais velhos ensinando os mais jovens, de geração para geração, com rituais marcantes de passagens de uma fase para outra. Preparação para a caça, para a sobrevivência em campo aberto, para as lidas domésticas, para o acasalamento etc.

 

Em torno dos séculos IV e V A.C. há um grande avanço com o surgimento do conceito da escola, tal como conhecemos hoje, em Atenas, na Grécia Antiga. A Academia de Platão e o Liceu de Aristóteles são registros históricos desse nascimento.

 

No século XV (quase dois milênios depois de Atenas e quase meio século antes dos portugueses chegarem ao Brasil), há o advento do livro moderno, com Gutenberg, que permite à escola atingir uma escala sem precedentes até então.

 

Interessante destacar que o livro moderno surge logo após o final da Peste Negra, que dizimou 1/3 da população da Europa. Um conjunto de fatores prepara o terreno europeu para a Renascença, o renascimento Greco-Romano. É quando as universidades nascem ou se consolidam, propiciando o clima acadêmico adequado ao nascimento da ciência moderna (com Galileu, Isaac Newton e outros) e principalmente, o amadurecimento do método científico.

 

Nesse contexto, a ciência engendra as novas tecnologias (máquina a vapor, entre elas), viabilizando nos séculos seguintes o florescimento da Revolução Industrial.

 

O século XX, por sua vez, representa a etapa mais madura da sociedade moderna, sendo um século miraculoso, quando saímos de uma expectativa de vida de 43 anos, no início do século, para algo em torno de 76 anos ao seu final. É impressionante que tenhamos quase que dobrado a expectativa de vida em único século.

 

A escola, no sentido amplo, não só contribuiu diretamente para isso como teve competência para suprir a necessidade de novos profissionais. No ensino superior, eram basicamente cinco carreiras no início do século (médico, engenheiro, advogado, padre ou professor). Ao final do século havia mais de uma centena de novas ocupações. Educação, no século XX, via os professores, alunos e gestores, cumpriu com extrema competência, brilhantismo e galhardia aquilo que a sociedade deles demandou.

 

 

  1. Educação nos tempos atuais

 

O drama, particularmente para a educação, é a virada para os tempos atuais. Tracionada especialmente pelo advento das tecnologias digitais, neste século, cada década representa, em termos de mudanças radicais, aquilo que costumava levar um século antes.

 

As tecnologias digitais reconfiguram a sociedade, a economia, os hábitos e os costumes. Em especial, educação está sendo tragada, rapidamente, em direção ao centro do vórtex digital. Aquilo que já estava em processo, fruto da impressionante aceleração adicional decorrente da atual pandemia, faz com que tudo se precipite em espaços temporais, historicamente, mais diminutos ainda.

 

Quem ainda enxergava as tecnologias digitais somente enquanto ferramentas de um processo perene de ensino e aprendizagem começa a perceber o quão equivocado pode estar. O contexto permite entender melhor McLuhan que no século passado alertava que “o meio era a mensagem”. As mudanças educacionais, impregnadas de tecnologias digitais, são mais radicais, rápidas e profundas do que possam parecer à primeira vista.

 

Formar profissionais no século XX, com variações, era dotá-los do domínio de determinado conteúdo, a ele associado um conjunto de técnicas e procedimentos. Por sinal, aquilo que a escola, amplo senso, fez espetacularmente bem no século passado. Neste século, ainda que tal formação permaneça necessária, ela é absolutamente insuficiente.

 

Caminhamos em direção à clareza de que o conteúdo/procedimentos/técnicas, gradativamente, seja menos importante do que uma nova variável complementa: a capacidade de aprender continuamente. Em outras palavras, o aprender a aprender, ou seja, a metacognição, aquilo que transcende a simples cognição.

 

Ao educando, mais importante do que o que foi aprendido, é a ampliação de sua própria consciência acerca de como ele aprende, essencial em uma sociedade baseada na aprendizagem permanente ao longo de toda a vida. Trata-se, portanto, da constatação de que formar os profissionais de amanhã é bastante distinto do que costumava ser há pouco tempo.

 

Ter esses elementos contidos no processo educacional se constitui, provavelmente, na mais adequada abordagem/metodologia/pedagogia capaz de tentar dar conta de um mundo em que a informação/conhecimento está (ou estará) totalmente acessível, será instantânea e, gradativamente, gratuita.

 

A escola era o espaço quase exclusivo de propósitos educacionais. Hoje, dada as flexibilidades espaciais e temporais sem precedentes, a escola é, cada vez mais, um dos múltiplos espaços e não necessariamente, a depender do contexto/é lógico, o mais relevante deles.

 

Da mesma forma, o professor, que era o centro do processo, hoje, se observa que tal centralidade está, definitivamente, se deslocando em direção ao estudante, especialmente quando ele escolhe quando, como e com quem estudar.

 

Importante destacar que isso em nada diminui, a priori, o papel do educador. Pelo contrário, pode maximizá-lo à medida que ele perceba essa inflexão e saiba lidar com isso. Entre outras missões relevantes, o docente, agora trabalhando em equipe, é um dos atores essenciais na construção de ambientes de aprendizagem, tanto presenciais como virtuais.

 

Do aluno, mais do que saber algo individualmente, será exigido saber colaborar em equipe para resolver problemas e cumprir missões, em geral tratando de temas complexos. Dado que os desafios simples serão, progressivamente, resolvidos por máquinas inteligentes, que também aprendem.

 

 

  1. Sobre o futuro da educação

 

Estamos somente ingressando em um mundo de inteligência artificial, de máquinas que aprendem, de laboratórios de modelagem e simulação, que permitirão aprendizagens em aspectos que o próprio laboratório presencial se mostrará limitado.

 

A correta coleta de dados dos alunos, via a utilização de plataformas inteligentes, permitirá a aplicação da analítica de aprendizagem (“learning analytics”), decifrando quem está do outro lado da interface e permitindo a adequada seleção da mais adequada trilha educacional a ser adotada para aquela especial circunstância (educando, contexto educacional, propósito etc.).

 

Em suma, o que se tornou imprescindível é que educadores, educandos e ambientes educacionais interajam mutuamente gerando um aumento do nível de consciência/percepção acerca de como (e em que condições) aprendemos e ensinamos mais e melhor.

 

A complexidade associada embute a evidência de cada um cada qual, cada indivíduo aprende de maneira única e personalizada. Temos um DNA educacional, o qual não compartilhamos com mais ninguém.

 

Cabe ao ambiente de aprendizagem (e escola, no sentido amplo), estar dotado de múltiplas trilhas educacionais, refletindo diferentes modalidades, abordagens diversas, enfoques diferenciados e variadas ênfases.

 

Desafios enormes à frente. Por exemplo, como avaliar em um cenário diverso do tradicional baseado em discriminar quem sabe (aprovado) de quem não sabe (reprovado)? Surge um novo educando que sequer podemos entre “sabe” ou “não sabe”, porém, sua atitude é de quem afirma: “seja dada a tarefa e, a partir das ferramentas que disponho, resolvo”. Há razoável chance de tal postura estar associada aos melhores e mais produtivos profissionais do futuro.

 

Na educação pós-pandemia, por certo, educar não ficará mais simples. Definitivamente, tornou-se muito mais complexo. Além disso, em termos gerais, sobre nosso breve futuro, pouco sabemos. Mas, o pouco que sabemos pode ser suficiente para algumas percepções.

 

 

  1. Conclusões

 

Da mesma forma que ingressamos no século XXI com uma ou nenhuma empresa digital entre as dez maiores (eram basicamente petróleo, banco, automóveis, varejo etc.), atualmente não há praticamente nenhuma não digital entre as 20 maiores empresas. Tal mudança abrupta no cenário econômico será mais acentuada ainda no cenário pós-pandemia.

 

A forma como trabalhamos, como nos relacionamos com os demais já estava se alterando rapidamente. Estamos submetidos neste momento a uma espécie de efeito catalizador, um acelerado fantástico, representado simbolicamente pelo vórtex digital, com profundas consequências em todos os setores e em nós mesmos.

 

Desta forma, lastimo informar que creio que não haverá volta à normalidade. Mesmo porque não haverá “normal” a se retornar para. Seremos econômica, social e educacionalmente diferentes.

 

Esta história futura que pretendemos “falar sobre” não está contada. Pelo simples fato de que a estamos construindo neste exato momento. A única verdade é que estamos aprendendo de uma forma feia e perversa algo que, potencialmente, pode ser bom e promissor.

 

O que é claro é a complexidade enorme do que ainda está por vir. Do que sabemos, deplorável a ideia de simplificar coisas de natureza complexa, bem como cair na tentação de menosprezar ciência, educação, arte e cultura. Elas fazem parte das soluções que necessitamos construir, não dos problemas que por ora enfrentamos.

 

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Imagem em domínio público: https://www.publicdomainpictures.net/en/view-image.php?image=257029&picture=fractal-vortex&__cf_chl_jschl_tk__=b1e8eaceaf6634d2ed8c608b9399a83e487e9ee7-1587309730-0-AbOUj4RhcLjjSciaLfXRLjLO3Mi5wxGqUWTm4ft5J1hMiojYEWoritRJxApJyZGXDT1n1E7smi5pDAv4P9mInVRv6qtHtnnS5AsaDeJgYZ_a8-vwX5ogHIilzJfMKLA2vwkvBZM95JutTClDsB1zXKyOQOLQzCnSEosJ3gDony7JInidBv3BcXk0ZEdpN_O0q3iYZc8hfO6pck0B8tgCbe5PHwYXyZGE5XEKw_hjKX3dHTc6TkVc9IUPtcryHJWQdgM1ZiuZE9SRzgFShm0Hl05CMpZncl5giKToJhYhKxrHHBXBzwNeHGm2d5MlZiwzzbpGiNrPai673QaDtNfwER_tvwn6F5GCDbuHAl3ZtNM8HJbsyJ6xpzOQ2IQIdSBCkvSihpNIjngrcQg5x_lBylc

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sábado, 11 de abril de 2020 aprendizagem, Educação e Tecnologia | 11:49

Bioterrorismo: lições para futuro

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Bioterrorismo diz respeito ao terrorismo praticado por meio de disseminação intencional de agentes biológicos, tanto nas suas formas naturais como modificadas pelo homem.

 

A atual crise do coronavírus não se enquadra na definição acima, não havendo evidências de que seja produto de laboratório ou de intenção deliberada de alguém.

 

O bioterrorismo é uma perspectiva diferente de guerra e, curiosamente, com uma história muito antiga. Consta que os nossos ancestrais mais primitivos colocavam fezes de animais nas pontas de suas lanças para atacar os inimigos, intensificando seu poder letal. Durante a peste negra, na segunda metade do séc. XIV, os exércitos usavam corpos de vítimas em decomposição para contaminar o abastecimento de água das cidades sitiadas. Ou, simplesmente, catapultavam cadáveres contaminados para dentro das cidades sitiadas.

 

Mais recentemente, ficou famosa a contaminação intencional por salmonela nas saladas distribuídas por uma seita religiosa nos Estados Unidos. Da mesma forma, foi amplamente divulgado o envio de antraz, um pó branco que circulou via correio postal. Fruto desses atentados, os Estados Unidos criaram a Lei do Bioterrorismo, a qual obriga que as empresas nas áreas correlatas tenham seus produtos previamente autorizados e estritamente controlados pelo FDA (“Food and Drug Administration”).

 

Contemporaneamente, por inspiração do coronavírus, corremos o risco do bioterrorismo se apresentar numa versão reformulada, global e mais perversa.  Semelhantes aos centros que produzem, simultaneamente, o vírus e o antivírus que atacam computadores, o mesmo pode ser pensado e praticado para perigosos sistemas biológicos. Da mesma forma que o antivírus é um software que detecta, impede e atua na remoção de programas maliciosos, as vacinas serão armas de guerra. O mais perverso é que ambos, o veneno e o antídoto, estarão sob o controle da mesma pessoa, grupo ou nação.

 

Nesse contexto, tanto podem ser iniciativas de uma sociedade contra outra como empresas gananciosas interessadas em vender segurança, auferindo com isso eventuais lucros astronômicos. Igualmente, fés ou ideologias extremadas, eventualmente, podem produzir e disseminar agentes biológicos maliciosos, produzindo pânicos e exigindo contrapartidas, na forma de ameaças. Tudo isso, em escala planetária, deixa de ser ficção e se apresenta, a partir daqui, como possibilidade real.

 

Uma visão alargada de bioterrorismo contempla também o psicoterrorismo. Ou seja, fazer uso de uma situação dada (coronavírus, por exemplo) para tentar, deliberadamente, direcionar a população desinformada para conflitos políticos. A título de ilustração, é psicoterrorismo propagar ações (estimular precipitadamente o fim do isolamento social) ou crenças de curas por produtos ainda em testes (cloroquina e outros) com o intuito puro e simples de confundir e transferir para outros os efeitos de desastres em curso.

 

O atual confinamento social, que esperamos seja bem sucedido, no sentido de minorar os imensos desastres que estamos vivenciando, é também uma forma de nos prepararmos para enfrentar eventuais futuros desafios. A articulação solidária entre todas as nações do planeta se mostra essencial, sem a qual não há como enfrentar situações similares como a que estamos vivendo.

 

O legado de solidariedade que estamos construindo é sim uma espécie de sistema de anticorpos coletivo que a sociedade gera para preservar a própria espécie. Saberemos nos defender, nos capacitando para entender o outro (empatia) e programar ações positivas e eficazes em função disso (compaixão). Tudo isso faz parte de nossa história, a qual testemunhamos e que está, ainda, em permanente construção.

 

 

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Imagem em Domínio Público. Ver:  

By Wikimedia Commons, User:Andux, User:Vardion, and Simon Eugster, CC BY-SA 3.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=1116038

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quinta-feira, 2 de abril de 2020 aprendizagem, Educação e Tecnologia | 13:30

É a cabeça, irmão!

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Durante a campanha presidencial, em 1992, na qual Bill Clinton se elegeria, seu assessor, James Carville, cunhou a célebre frase: “É a economia, estúpido!”. Entre os ditos mais populares aparece: “O mais importante é ter saúde!”. Frases retratam períodos e expressam de forma sintética períodos que vivenciamos.

 

Presenciamos uma falsa contradição entre salvar vidas ou socorrer economia e empregos. Menos mal que a ciência ajudou a decifrar e está claro a quase todos que a melhor estratégia é nos confinarmos ao máximo, excluindo os essenciais, e gradativamente aprendendo a lidarmos com um futuro e desejável retorno à nova normalidade.

 

A questão deste texto é como lidarmos com o confinamento. Algo além do imprescindível lavar as mãos, estocar somente o razoável via compras online etc. Ainda não sabemos onde a frágil corda da nova situação pode estourar. Podemos ter falta de suprimentos, mas não creio que ocorrerá com gravidade, ao menos não em cenário razoável de algumas semanas ou algo que não ultrapasse um ou dois meses. O problema mais grave do confinamento, além dos inerentes demais, é (ou será) a cabeça.

 

Tal qual o vírus, para saúde mental não há remédio universal. Cada cabeça uma sentença, posologia e remédio diversos. Mesmo assim, há algo que ajudará a todos: a percepção da impermanência, de que tudo muda e de que estamos em constante movimento. Pode parecer simples, mas não é. É profundo e é complexo.

 

Aprendi com o amigo pensador Tadany que, em sânscrito, é chamado de “nitya” aquilo que sempre está. Por sua vez, “anitya” é aquilo que nem sempre está. Nesta crise fundamental despertar a sabedoria associada à “viveka”, ou seja, o discernimento do que é “nitya” e do que é “anitya”.

 

Uma boa estratégia para lidar com a natural ansiedade dos tempos atuais é recorrer à abordagem budista acerca da percepção da realidade via o conceito chave de “impermanência”. No budismo é assumido que “nada é permanente, a não ser a própria impermanência das coisas”. Assim, o conceito de impermanência está estritamente ligado ao da variância do mundo. Nada é permanente ao longo do tempo. Tanto as causas como as condições se alteram constantemente e o seu resultado, inexoravelmente, também varia.

 

A impermanência, a partir da ótica budista, deve ser vista conectada a outro conceito, a onisciência, conhecida como “a plena atenção”.  A onisciência possibilitaria ao seu praticante perceber a impermanência do mundo e assim se libertar de apegos àquilo que em sua essência é variante, e, portanto, causa de sofrimento. Apesar das duas visões serem próximas, o fato de se introduzir o elemento de consciência no processo permite atingir a necessária percepção da variância do mundo.

 

Segundo o budismo, todos os fenômenos são impermanentes e nada no universo perdura para sempre, tudo se transforma continuamente e caminha para a própria dissolução. Consequentemente, é indicado não nos apegarmos demais às coisas, pois, afinal, todas as coisas são temporárias. O apego gerará, inevitavelmente, sofrimento, dado que nada perdura para sempre.

 

Os pensamentos acima podem ser traduzidos em três níveis. De forma resumida: i) As coisas não duram, isto é, elas, constantemente, surgem e desaparecem. As coisas boas acabam e as coisas ruins acabam, bem como as coisas neutras também acabam; ii) As coisas se transformam, mesmo enquanto elas duram. Elas nunca são as mesmas, elas estão em constante alteração; iii) As coisas não têm sustentação plena ou continuidade absoluta. Embora elas pareçam surgir e se transformar, de fato, esses fenômenos se dão por causas que, por sua vez, também estão sujeitas a transformações e surgimentos-desaparecimentos.

 

Claro que o budismo é muito mais profundo e complexo do que a simplificação superficial que este limitado espaço permite e que o autor, inexperiente no tema, alcança. A ideia, quase ingênua, é tentar contribuir para que a nossa quase generalizada angústia possa dar espaço a pensamentos racionais e a imprescindível esperança nas mudanças sempre em curso.

 

Nesta crise, quando o tempo do confinamento parecer demasiadamente insuportável, percebamos que “é a cabeça, irmão!”. Precisamos resistir, colaborando solidariamente com todos.  Ficando em casa quem pode, aplaudindo aqueles que precisam trabalhar e acreditando que superaremos esta crise. Sairemos dela, todos, melhor do que entramos. Assim seja.

 

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Figura em Domínio Público: https://www.publicdomainpictures.net/en/view-image.php?image=76648&picture=symbolic-human-head&__cf_chl_jschl_tk__=5df282f44292318c9fdc0c421ea02d0d3afee23e-1585843724-0-AbBhmRywHJPz4ONWwqP4Z7xOkQ8qQWPQVIbdUuTyqT97IxLlYfWQGdhsFpgz_0wHRENfbzIlEKAqE_lmgFSxs5NhDAKjRSwpD4KaKjwZGMAiPg9J8mCFRCfYIcdxt2bK3AXsx2DJw3IJie_8qRv_89TLhUWEGjZGhW9r834fomyu6mBx7iwTKkxADUAhkK5FdBzJ24fKXToE98j248UwtatDHckbf_9YPaTEksIrgSWMztpg6C0FaTC5wJnrcNSfdUa6bAZs-8gQwWIbHBhpNetzhgSsGZuBVxM_JQ4tJnZziTgDXfCypy-t0U2RxKcAypP_-1-yz5Nz-DffeIOLJAOBBR1ovF7LAi_obJ01n7zq4WzlxdbsATZG7ewolvSn3RxWu3PQ5PfuVrayfO_VriQOkmbrvwPmgAiCvLukxD3-

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