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Arquivo de novembro, 2019

sábado, 16 de novembro de 2019 aprendizagem, EaD, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 15:31

Algoritmos e profissões

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Se a era atual tem um nome, esse nome é “algoritmo”. Trata-se de uma sequência de instruções que informa os computadores o que eles devem fazer. Computadores são compostos de muitas chaves minúsculas, os transistores, e os algoritmos ligam e desligam tais chaves bilhões de vezes por segundo.

 

A novidade mais recente é que não precisamos mais gerar um algoritmo por tarefa, substituindo essa missão pela construção de máquinas que aprendem (em inglês, machine learning). Machine learning é um subcampo de inteligência artificial dedicado ao desenvolvimento de algoritmos e técnicas que permitem ao computador aprender continuamente, aperfeiçoando seu desempenho.

 

Os algoritmos controlam os voos, gerenciam nossas contas bancárias, gerenciam ambientes de aprendizagem, detectam enfermidades etc. Esses algoritmos, progressivamente, operam por aprendizado a partir de trilhas de dados que deixamos nas interfaces digitais. Assim, somos observados, imitados e mensurados em nossos comportamentos.

 

À medida que, cada vez mais, os algoritmos controlam nossas vidas, a pergunta essencial é: quem são os profissionais que lidam com essas tarefas? Há um conjunto aberto de profissionais associados a essas áreas e a título de ilustração apresentarei, a seguir, alguns deles. Mas, trata-se de lista, declaradamente, incompleta.

 

De forma simplificada, os coders e programadores podem ser formados em ensino médio profissionalizante ou como tecnólogos de nível superior. Engenheiros ou cientistas de dados demandam cursos superiores. Um conjunto adicional de profissionais, tal como arquitetos de sistemas, em geral, se formam em nível de pós-graduação. A acentuada dinâmica desta área sugere que boa parte deles será formada via educação informal, distante das instituições de ensino, como nós as conhecemos atualmente.

 

Os coders escrevem códigos simples, sem o compromisso de planejar e desenhar programas mais complexos, gerando resultados de interesse prático. Em algumas circunstâncias, os coders sequer participam da programação principal, ainda que colaborem nos scripts adicionais que automatizam algumas tarefas específicas.

 

Se o coder passa a dominar de forma diferenciada e mais aprofundada uma ou mais linguagens de programação computacional, ele vai se transformando em um programador.  Os programadores, mais do que seguir receitas, escolhem ingredientes e geram produtos inovadores, o que envolve, normalmente, um nível adicional de originalidade. Trata-se de criar com lógica, via uma linguagem específica de programação.

 

Os engenheiros ou cientistas de dados estão entre os profissionais mais cobiçados do mercado atualmente. Estes profissionais combinam habilidades de programação, ciência da computação, estatística e conhecimento específico do negócio ou da missão. Tal perfil é difícil de ser encontrado, especialmente no mercado brasileiro, o que tem resultado num aumento considerável nos salários pagos aqueles que dominam mais profundamente a arte da análise de dados.

 

A maioria dos gestores não faz ideia do tesouro que os dados representam e bastante comum serem desperdiçados sem uso. A correta coleta, organização e o domínio das análises fazem do engenheiro de dados uma figura essencial em qualquer campo de atividade atualmente. Os engenheiros de dados transformam os dados brutos, desde bancos de dados transacionais até arquivos de texto, em formatos que permitam ao demais profissionais associados começarem seus trabalhos.

 

Os arquitetos de sistemas, por sua vez, lidam especialmente na interface dos aplicativos ou dos softwares e suas customizações no atendimento de clientes e na consecução de tarefas.  Por exemplo, na IBM os clientes são tipicamente corporações, sendo estes profissionais os principais responsáveis por garantir que as soluções durem por certo prazo, dando o devido suporte nos elementos de designer de estruturas de softwares.

 

Na verdade, a maior parte das profissões associadas ao mundo dos algoritmos sequer tem nome ainda, muito menos conhecemos os seus respectivos detalhamentos. Ingressamos aceleradamente em uma nova era, com consequências econômicas sociais e educacionais profundas. O quanto antes ousarmos tentar compreender melhor.

 

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Ilustração do Jornal “The Guardian”. Link: https://amp.theguardian.com/us-news/2017/jun/26/jobs-future-automation-robots-skills-creative-health

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