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Arquivo de março, 2019

segunda-feira, 11 de março de 2019 aprendizagem, EaD, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 16:27

Memória, esquecimento e inteligência

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    É bastante comum associarmos inteligência a termos excelente memória. Ou seja, quanto mais detalhes soubermos e por mais tempo recordarmos de eventos passados, em geral, costumamos achar melhor. No entanto, avanços recentes da ciência nos obrigam a, no mínimo, repensar tais associações.

    Paul Frankland e Blake Richards, pesquisadores da Universidade de Toronto, destacam em um artigo recente na revista Neuron (vol. 94, 6, pag. 1071, 2017) a importância de saber esquecer, tão relevante, segundo eles, como lembrar. De fato, eles evidenciam que é a interação entre memória e esquecimento que propicia as adequadas condições para a tomada de decisões inteligentes.

    Estudos sobre a memória tendem a estar focados nos mecanismos celulares envolvidos na estocagem de informação, fenômeno conhecido como persistência. Há um outro processo, igualmente importante e distinto, responsável pela perda da memória, denominado transiência. Os trabalhos de Frankland e Richards mostram que a produção de novos neurônios na regiāo do cérebro conhecida como hipocampo está associada à promoção do esquecimento. Sendo esta produção mais ativa em crianças, talvez ajude a explicar por que adultos, em geral, têm dificuldades em lembrar de fatos ocorridos antes de terem, aproximadamente, quatro anos.

    Baseado nos princípios de aprendizagem de máquinas e de neurociência computacional, há um interessante paralelo entre os mecanismos neurobiológicos e computacionais. Memória permite a transmissão de informação ao longo do tempo. Esquecimento, por sua vez, aumenta a flexibilidade, à medida que reduz a influência de informações desatualizadas ou desnecessárias no processo de tomada de decisões ou de consolidação da aprendizagem. Saber esquecer evita superdimensionar eventos específicos no envio e na recepção de dados e assim conseguimos generalizar, entender contextos, realizar adaptações e desenvolver sínteses, a partir das experiências passadas.

    Há interessantes relatos de pacientes com surpreendentecapacidades de memorizar todos os detalhes e demonstrando, por outro lado, grandes dificuldades na vida real, tanto em tomar decisões, adaptar-se às novas situações ou mesmo de aprender. Desprovidos da  capacidade de esquecer, a realização de sínteses fica fragilizada e a compreensão dos contextos praticamente impedida pe!a profusão de detalhes não hierarquizadas em suas respectivas relevâncias.

    Educacionalmente, o desempenho na aprendizagem está associado à capacidade do educando em conjugar essas duas dinâmicas, memória e esquecimento, aprendendo ao mesmo tempo que libera espaços para aprender mais e melhor. Essa estratégia, combinando persistência/transiência, viabiliza aprender a aprender continuamente ao longo de toda a vida.

    No processo de ensino de conteúdos específicos, a aprendizagem demanda estar acompanhada da ampliação do nível de consciência do educando acerca de como ele aprende. Amplificar a percepção sobre o seu próprio processo de aprendizagem é a trilha educacional que permite a seleção adequada e consciente do que reter e do que dispensar.

    A partir de sínteses consecutivas das realidades vivenciadas ou dos conteúdos ensinados, desenvolve-se a capacidade de tomar decisões e de ter sucesso em missões e projetos. Neste sentido, educação, parafraseando Albert Einstein, é aquilo que permanece quando esquecemos o que nos foi ensinado.

 

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Figura do artigo citado no texto

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quinta-feira, 7 de março de 2019 aprendizagem, EaD, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 10:00

NOVA MISSÃO E MESMAS METAS

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Em outubro de 2008, após quase cinco anos no Ministério da Educação/MEC, encerrei minhas atividades na Secretaria de Educação Superior/SESu. Convidado pelo então Ministro de Ciência e Tecnologia/MCT, Prof. Sérgio Rezende, assumi a Assessoria Especial do ministro e depois a Secretaria de Inovação e Desenvolvimento Tecnológico/SETEC. No MCT, permaneci até fevereiro de 2012, quando fui selecionado, como pesquisador visitante no “Institute of Education/University of London”, para ocupar a Cátedra Anísio Teixeira/Capes.

 

Mais de uma década depois, em outro contexto, repito trajetória similar, migrando da área específica de educação para o setor mais geral de tecnologia aplicada, inclusive em aprendizagem. Após quase cinco anos no setor privado do ensino superior, onde fui reitor da Universidade Estácio de Sá e diretor-executivo de educação a distância e chanceler do Grupo Estácio, assumo a Direção Científica da empresa de tecnologia Digital Pages.

 

A Digital Pages, há quase duas décadas, desenvolve soluções tecnológicas e presta serviços especializados para o desenvolvimento, gestão e distribuição de conteúdos digitais em múltiplas plataformas. Foi pioneira no mercado brasileiro e a Plataforma RDP (Rich Digital Pages) conta com uma base sólida de mais de 30 milhões de usuários, acumulados ao longo dos anos, com clientes como: Organizações Globo, Pearson, VEJA, Folha de São Paulo, Confederação Nacional da Indústria/CNI, Raízen, PWC, Avon, Latam e instituições educacionais como Senac, Ser Educacional, Positivo, Estácio, Ânima, Laureate e Colégio Bandeirantes.

 

A similaridade dos dois contextos, o ano de 2008 e atualmente, é a migração de atividades centradas no ensino em direção a uma nova ênfase em inovação e empreeendedorismo, tendo a educação como elemento comum em ambas os rumos. 

 

No processo de gestão da informação ou no acesso ao conhecimento por parte de profissionais ou instituições podemos colaborar de múltiplas maneiras. Tanto a partir de um espaço estritamente educacional como, alternativamente, via o suporte a empresas, por meio da ênfase em estratégias de aquisição e gestão de conhecimento ou em processos de aprendizagem mediados por tecnologias digitais. 

 

O caminho para o desenvolvimento econômico, social e ambiental sustentável de uma nação passa, necessariamente, pela formação de cidadãos mais conscientes e produtivos e empresas e instituições mais eficientes e competitivas. Assim, desenvolver soluções tecnológicas, disponibilizando conteúdos digitais em múltiplas plataformas, permite prover ferramentas robustas e flexíveis para a criação e o enriquecimento de conteúdos digitais, atendendo os segmentos educacionais e empresariais. 

 

Trata-se de um novo rumo, mas permanecem as mesmas metas associadas a conjugar qualidade com a escala compatível com o tamanho dos nossas necessidades e desafios.

 

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