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segunda-feira, 13 de novembro de 2017 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 17:17

Lançamento do livro: “A Arte da Educação”

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Latoncamento

 

 

No próximo dia 22/11, quarta-feira, às 18h, no Centro Cultural do Banco do Brasil/CCBB, no Rio de Janeiro-RJ, lançarei o livro “A Arte da Educação”. Ainda neste ano, teremos outros lançamentos: em Brasília-DF na Associação Brasileira de Mantenedores do Ensino Superior/ABMES (dia 05/12, terça-feira, pela manhã) e em Santa Maria-RS, na CESMA (dia 23/12, sábado, às 10h30). Em outras cidades, lançamentos somente em 2018.

 

A versão impressa estará disponível para aquisição online, diretamente da Editora Obliq (a ser anunciado em breve). Simultaneamente, a obra, no formato e-book, estará também disponível via o app “Ronaldo Mota Online”, desenvolvido em conjunto com Digital Pages (detalhes em breve).

 

A obra trata da relevância de se entender o ofício educar como arte. Um conjunto de artigos, alguns inéditos e outros já publicados na coluna Reitor Online do Portal iG, no blog da ABMES e na página do Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras/CRUB, são apresentados em capítulos temáticos.

 

Arte diz respeito às variadas e complexas formas de expressão estética e de comunicação, utilizando inúmeras linguagens e, especialmente, contemplando inspiração e criatividade. Educação, por sua vez, está genericamente associada ao processo de ensinar e de aprender conhecimentos de forma sistemática e organizada.

 

Ensinar, de certa forma, envolve técnica e procedimentos; educar, no século XXI, tende a ser progressivamente uma arte, que inclui a técnica, mas a transcende, contemplando também criatividade, inovação, empreendedorismo, metacognição etc. Não se trata, portanto, de minimizar o ensino, como o conhecemos hoje, mas sim de evidenciar sua insuficiência no mundo contemporâneo.

 

Ensinar nos padrões tradicionais nos tempos passados recentes teve enorme sucesso porque se mostrou compatível e coerente com as demandas de então. A complexidade atual exige ir muito além, introduzindo novidades, a maior parte delas decorrentes de um cenário mediado pela emergência disruptiva das tecnologias digitais.

 

O educador está progressivamente se transformando em artista, o qual se expressa também como designer educacional trabalhando coletivamente. Os tempos de aprendizagem, anteriormente estanques, agora dispensam limites, podendo ocorrer a qualquer hora, em qualquer lugar e ao longo de todo o tempo, obrigando conjugar educação com a própria vida, de forma indissolúvel e indissociável.

 

Educação, dentro dessa abordagem, contribui com erodir a separação entre vida e arte. A arte da educação viabiliza entender melhor o educando, o educador e, consequentemente, a vida. Educação, arte e vida, conjuntamente, esclarecem complexidades e preparam a todos para desafios que somente assim se permitem serem decifrados e resolvidos. Educar em consonância com as exigências deste século é sim uma forma de arte. Conhecimentos específicos, domínio de técnicas e conhecimentos são relevantes, porém, não mais suficientes. Aprender a conhecer transcende aqueles ingredientes, demandando elementos que somente a arte pode nos inspirar.

 

Como autor, destaco os doze Depoimentos que apresentam a obra. Pedro Thompson, Presidente da Estácio, Fábio Coelho, CEO do Google/Brasil, Renato Janine Ribeiro, ex-ministro da Educação, Maria Helena Guimarães de Castro, secretária-executiva do MEC, Sérgio Rezende, ex-ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Vanderlan Bolzani, vice-presidente da SBPC, Edson Nunes, ex-presidente do CNE, Fredric Litto, presidente da ABED, Ana Estela Haddad, diretora de Relações Institucionais da ABTms, Arnaldo Niskier, membro da ABL, Robert Cowen, Instituto de Educação da Universidade de Londres, e Senador Pedro Chaves, ex-reitor da Uniderp. Não é falsa modéstia opinar que eles são mais interessantes do que a própria obra, dado que são profissionais muito especiais, cujas críticas me deixam particularmente lisonjeado e suas opiniões, mais do que tratarem da obra, são partes integrantes dela. Com muito orgulho do autor.

 

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sábado, 14 de outubro de 2017 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 19:02

Mensagem aos Professores

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teacher

 

Dentre todas as espécies, somos a única que possui a incrível habilidade de transmitir cultura e conhecimento de forma organizada e consciente aos nossos descendentes. Nas sociedades primitivas, os precursores dos professores eram os responsáveis por passar ensinamentos de uma geração para outra, onde os mais velhos ensinavam os mais jovens. Atividades como a arte da caça, a capacidade de sobrevivência, o trato com as plantações e com as ervas que curam, a segurança e a garantia do bem-estar da comunidade estavam sujeitas a ritos de passagens. Assim, os pioneiros do processo ensino e aprendizagem atestavam as técnicas e procedimentos adquiridos e validavam esses processos.

 

À medida que as sociedades humanas foram se tornando mais complexas, apareceu a figura do artesão, responsável pela produção de artefatos, utensílios e artesanatos, seja para a agricultura, o uso doméstico, a lida com os animais ou para a defesa. Esses ensinamentos, técnicas e procedimentos eram transmitidos pelo mestre aos seus aprendizes, os quais, após ritos de aprendizagens, se transformavam, com a idade, em artesãos, e assim por diante.

 

Milênios se passaram e atualmente o docente é figura consolidada, reconhecida e respeitada pela sociedade, ainda que entendamos, corretamente, que pudesse ser mais prestigiada. Contemporaneamente, vivemos grandes desafios, especialmente pela abrupta emergência das tecnologias digitais que a tudo modifica, transforma e reconceitualiza.

 

Acalmando os mais assustados, lembremos que no século XV, com o advento do livro moderno de Gutenberg, alguns equivocados sugeriram a possibilidade do fim da figura do professor. Afinal, quem iria procurar o mestre, que, por melhor que fosse, improvisa, tendo disponível o livro, supostamente sempre correto e sem erros, dado que feito com tempo, cuidado e esmero? Na prática, jamais houve conflito entre o docente e o livro; ao contrário, ambos foram as grandes alavancas que consolidaram as nascentes universidades europeias. Estas, por sua vez, propiciaram o amadurecimento do método científico, as tecnologias dele decorrentes e a Revolução Industrial que, por fim, moldaram as bases da sociedade atual.

 

Por vezes, alguns não entendem por que os educadores não gostam quando o termo “treinamento” é utilizado para o ofício que nós desenvolvemos. Não é birra e nem soberba; é que treinamento não é expressão ingênua, mas embute um conjunto de metodologias que é inapropriado para quem pretende de fato educar. Educação vai muito além da simples transmissão de conteúdos e jamais se reduz a um conjunto de receitas de procedimentos. Ainda que alguns possam ter se iludido nos séculos passados, porque os modelos de desenvolvimento assim o sugeriam, a verdade é que contemporaneamente esses processos de ensinamento, baseados em treinamentos, são falhos e inócuos.

 

Educar, mais do que nunca, é emancipar o educando para, fruto dos ensinamentos dos mestres, ser capaz de enfrentar desafios complexos. Emancipa-se quando o educando se torna competente para escrever e interpretar textos complexos ou quando se atinge o domínio do letramento matemático, indo muito além das operações simples da aritmética. É emancipatório o pleno domínio do método, especialmente do método científico, para, utilizando tal ferramenta, entender e interpretar o mundo à sua volta. Educar é promover a aprendizagem independente ao longo de toda a vida, entendendo que cada educando aprende de maneira única e personalizada e que todos aprendem, em qualquer lugar e o tempo todo.

 

Neste Dia do Professor temos sim o que celebrar, particularmente nossa singular responsabilidade em contribuir na educação das novas gerações. Não podemos tudo na sociedade atual e sequer temos controle de todos os processos envolvidos, mas temos a capacidade de emancipar, ensinando nossos educandos a aprender a aprender continuamente. Às novas gerações cabe continuar colaborando para um desenvolvimento econômico, social e ambiental sustentável.  Enfim, uma sociedade que seja mais harmônica, justa e respeitosa à rica diversidade, onde possamos celebrar sermos, felizmente, todos diferentes.

 

Professores, Parabéns.

Comemoremos, merecidamente, o Dia do Professor.

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Figura em Domínio Público mostrando Jesus Cristo pregando aos discípulos. Autor: Tissot (1886-1894). Link:

http://torahclub.ffoz.org/disciples/images/wm-brooklyn_museum-Jesus-Teaches-Tissot.jpg

 

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sábado, 23 de setembro de 2017 Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 10:58

Blockchain, o cartório do mundo

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Blockchain é basicamente uma tecnologia de registro de transações digitais que faz uso dos nós de uma rede estrutura, via internet, espalhada pelo planeta. A ideia original foi apresentada em 2008 em artigo assinado por Satoshi Nakamoto, cuja real identidade é ainda controversa.

 

A rede pode ser criada com número ilimitado de participantes anônimos e com absoluta garantia de fidelidade, eficiência e transparência, elementos fundamentais para registros ou transferências de dados de qualquer natureza. Em suma, tudo o que pode ser transacionado ou certificado pode fazer uso de blockchain, sem exceção, desde certificações de contratos e de ativos a diplomas, passando por moedas virtuais.

 

O repertório das aplicações desta revolucionária tecnologia está ainda em sua primeira infância. Recentemente, tratei de exemplos potenciais em regulação no ensino superior brasileiro e novas iniciativas têm surgidos nesta área, entre elas da Sony Global Education.

 

Da mesma forma que o Uber desafiou os taxis e o AirbnB enfrentou os hotéis, blockchain tem o potencial de alterar as bases da economia global, modificando a governança de todos os registros, se constituindo em uma espécie de cartório do mundo. Esta tecnologia pode abalar os modelos de negócios no que diz respeito à desintermediação, desburocratização, diminuição de custos de processos e fidelidade, resultando em aumentos inéditos de fatores de produtividade e de eficiência institucional, em todos os setores.

 

A emergência de criptomoedas só foi viável por ser baseada em blockchain. Bitcoin é até aqui a moeda virtual mais conhecida e bem-sucedida, no entanto, outras já surgiram e muitas ainda estão por vir, cada uma com suas características atendendo a necessidades específicas e contextos peculiares. Um Bitcoin vale hoje aproximadamente R$ 11.560,00 ou US$ 3.700,00, tendo tido uma valorização superior a qualquer outro ativo nos últimos anos.

 

Cada fração de Bitcoin é programável como sendo equivalente a parte de uma propriedade ou correspondente a certa quantidade de algum ativo, sendo que o emissor pode definir, a seu critério, especificações de uso. Por exemplo, uma empresa pode realizar emissões especiais de Bitcoins que devam ser despendidos exclusivamente com salários, manutenção, consumo ou despesas na área de saúde. Caso as exigências não sejam confirmadas pela rede, dentro das especificidades originalmente previstas, os valores retornam ao emissor, dispensando centros de controle ou burocracias associadas e evitando práticas como corrupção e demais usos indevidos.

 

No mundo da internet das coisas, um produto (ou mesmo um serviço) só é vendido (ou prestado) se a parte requerente disponibilizou o pagamento, sendo que a parte vendedora (ou prestadora) só recebe uma vez conferido, de comum acordo nas duas pontas, o pleno atendimento das condições estabelecidas no contrato registrado, dispensando intermediários, bancos ou autoridades centrais.

 

Blockchain fornece a base matemática sofisticada, com algoritmos no estado da arte, para consolidar um banco de registros gerais espalhados por toda a internet, sem a necessidade de um controlador central, ao mesmo tempo que todos os usuários exercem este controle, na forma de nós da rede compartilhada, naquilo que lhe diz respeito. Os nós autorizados da rede devem concordar consensualmente para que novos registros sejam aceitos e, uma vez aceitos, ficam perenemente memorizados com todos os detalhes e com as respectivas responsabilidades asseguradas. Tentativas de fraudar o sistema podem ser rejeitadas por qualquer um desses nós, garantindo fidelidade absoluta aos arquivos registrados na forma de cadeias acumuladas, via blocos empilhados cronologicamente.

 

Por fim, os dados são confiáveis, completos, consistentes, datados e tornados amplamente disponíveis, fazendo com que este cartório, que estamos ainda aprendendo a conhecer e a utilizar, elimine a figura do intermediário, baixe custos e estabeleça níveis elevados e inéditos de confiança entre pessoas e instituições.

 

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Imagem disponibilizada em: http://www.deal.com.br/wp-content/uploads/2017/06/blockchain-consensus.jpg

 

 

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domingo, 17 de setembro de 2017 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 13:56

O que esperam os empregadores?

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empregadores

 

O mundo está mudando e os empregadores já não são os mesmos. Há uma grande tendência de que, progressivamente, o espaço de empregos tradicionais dê lugar ao surgimento de novas oportunidades profissionais, ancoradas em atividades e negócios inéditos. Neste cenário emergente, a figura do empregador clássico pode se alterar radicalmente ou, no limite, até desaparecer.

 

Mesmo assim, ao longo desta transição, os empregadores ainda são as pessoas responsáveis por dirigir empreendimentos, privados ou públicos, que continuarão decidindo sobre o futuro de parte dos profissionais desta geração. Portanto, bom sabermos mais sobre eles, o que pretendem quando contratam alguém e o que esperam dos profissionais contratados.

 

No passado recente, as expectativas dos empregadores acerca de um profissional a ser contratado eram menos complexas e mais previsíveis do que hoje. Atualmente, as próprias tarefas e missões estão se tornando quase impossíveis de serem antecipadas. Educar era mais simples, porém, as receitas anteriores não funcionam mais. Havia para cada uma das profissões uma relativa certeza acerca do conteúdo mínimo, bem como do conjunto associado de técnicas e procedimentos, que o formando deveria dominar.

 

Educar, contemporaneamente, continua a contemplar a formação profunda em um campo profissional específico, mas transcende em muito tal exigência, incluindo também desenvolver novas competências e habilidades socioemocionais que costumavam ser menos valorizadas.  São exemplos desses ingredientes o destemor por novos desafios, o estímulo à criatividade, a propensão à inovação e o desenvolvimento do espírito empreendedor, além de saber trabalhar em grupo, explorando empatia e compaixão

 

Permanecem existindo conteúdos imprescindíveis a qualquer profissional e que serão as bases iniciais de sua capacidade de resolver problemas. Entre eles, o letramento sofisticado, que permita entender e escrever textos complexos, o domínio consistente das operações matemáticas, associado à capacidade de desenvolver raciocínios abstratos, o hábito da adoção do método, em especial o uso da metodologia científica e sua aplicação a pensamentos complexos e a percepção adequada dos contextos geográfico e histórico, além do indispensável apreço pelas artes, pela cultura e pela ciência.

 

Ensinar nos padrões tradicionais nos tempos passados recentes teve enorme sucesso porque se mostrou compatível e coerente com as demandas inerentes aos modelos de desenvolvimento adotados até então. A complexidade atual exige ir muito além, introduzindo novidades, a maior parte delas decorrentes da emergência disruptiva das tecnologias digitais. Agir educacionalmente neste novo cenário demanda repensar a ciência da aprendizagem e propor e implementar modelos pedagógicos bastante distintos daqueles que, em geral, temos adotado. A memória se desvaloriza e a excessiva centralidade no conteúdo se fragiliza à medida que, gradativamente, o acesso à informação se faz ilimitado, instantâneo e gratuito.

 

A escola e seu principais atores foram até aqui menos afetados pelas tecnologias digitais do que o mundo externo a eles. Assim, em geral, os gestores educacionais e os professores, estranhamente, se mostram mais satisfeitos com o trabalho educacional que desenvolvem do que, de fato, se sentem os formandos e, especialmente, aqueles que os empregam. Este fenômeno por si evidencia um provável diálogo interrompido, até mesmo um divórcio, entre as realidades imaginadas nas escolas e aquelas vivenciadas pelos egressos em suas vidas profissionais.

 

As soluções educacionais em curso ainda são embrionárias, porém, algumas evidências sobressaem. O educando, mais do que nunca, é o centro e a aprendizagem, cada vez mais, personalizada. Todos aprendem o tempo todo e em qualquer lugar, sendo que cada um aprende à sua própria maneira. O domínio do conteúdo em si, ainda que relevante, torna-se relativamente menos importante do que ter aprendido a aprender. Assim, uma das mais refinadas artes educacionais é propiciar que cada educando aprofunde continuamente seu nível de consciência acerca de como ele aprende.

 

E como ficam os empregadores neste contexto? Tanto quanto os empregados, serão exigidos a rever conceitos, adotar novas estratégias e, por vezes, mudar radicalmente a essência de seus negócios.

 

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Figura em Domínio Público, tal como vista em: http://freesoftwaremagazine.com/articles/promoting_public_domain_creative_commons_cc0_initiative/c20080220_LOCPD_ww2_woman_operating_engine_lathe.jpg

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domingo, 27 de agosto de 2017 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 11:33

Rede Brasileira de Criatividade: uma iniciativa estratégica

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Do ponto de vista econômico e social, o Brasil é um país que eventualmente avança e, em seguida, regride, sem dar mostras de um desenvolvimento duradouro e sustentável. Uma das explicações é que nossos profissionais e nossas indústrias apresentam produtividades médias relativamente baixas, o que é grave em um cenário de globalização crescente e de altíssima competitividade em termos de produtos e serviços.

 

Uma das causas da baixa produtividade é nossa escolaridade insuficiente.  No competitivo cenário internacional, são poucos os anos de estudo no Brasil e a qualidade do ensino é deficiente. Por outro lado, somos uma nação muito rica em recursos naturais e habitada por um povo que dá demonstrações incontestes de alta capacidade criativa e de fácil adaptação às inovações.  Sem estes ingredientes, sequer teríamos experimentado os avanços que efetivamente temos tido, não nutriríamos os níveis de esperança que ainda temos ou conviveríamos com as persistentes alegrias eventuais, as quais continuamos a desfrutar no dia a dia.

 

Considerando esses ingredientes, temos um expressivo potencial ainda pouco explorado no segmento econômico associado à indústria criativa. Este bilionário setor e que cresce ilimitadamente no planeta se caracteriza por entender a imaginação e a criatividade como as matérias primas principais para seus negócios. De acordo com a Firjan (Federação das Indústrias do Rio de Janeiro), as indústrias criativas geram no Brasil uma riqueza de mais de R$ 150 bilhões (dados de 2015) e sua participação no PIB é crescente, representando hoje algo em torno de 3% da economia nacional. É uma clara demonstração de potencial, mas podemos ir muito além.

 

A economia criativa inclui áreas como moda, design, softwares, arquitetura, audiovisual, gastronomia, música, entre tantas outras, e contempla produtos e serviços vinculados à cultura e arte, à ciência e tecnologia. Isso engloba pesquisa e desenvolvimento e todos os demais setores nos quais a criação humana faz a diferença na geração do valor agregado.

 

As metodologias e abordagens educacionais podem, ou não, ter o estímulo à criatividade e ao empreendedorismo como centro. Da mesma forma que nos tornamos hábeis em inibir a criatividade e a desprezar iniciativas empreendedoras, podemos fazer o contrário. O cenário atual das tecnologias digitais representa uma oportunidade única para repensar nossos processos de aprendizagem. Dispomos atualmente de ferramentas educativas que propiciam que todos aprendam e aprendam o tempo todo, levando sempre em conta que cada educando aprende de maneira única e personalizada.

 

Dentre as inúmeras boas iniciativas em curso, merece especial destaque a recém-lançada “Rede Brasileira de Criatividade”. A Rede tem por propósito ampliar a rede de colaboração entre pessoas, transformando a criatividade em estratégia real, acessível e aplicada. Pretende-se colaborar para que todos possam encontrar soluções inovadoras nos seus cotidianos. O projeto, idealizado pelo educador Prof. Gabriel Rodrigues, está estruturado em três pilares: i) um Portal, “As Coisas Mais Criativas do Mundo”, ii) a estruturação de uma Academia de Criatividade, disponibilizando ferramentas para despertar nas pessoas o potencial criativo que todos temos, e iii) a promoção e o incentivo às pesquisas e publicações na área. O primeiro dos pilares já está ativo e operante, com surpreendente número de acessos, acessível via a página “As Coisas Mais Criativas do Mundo”.

 

No Portal da Rede estarão gratuitamente disponibilizados conteúdos, testes, desafios, ferramentas gerais e um banco de conhecimento com o intuito de incentivar o desenvolvimento da criatividade. A expectativa é contribuir para a geração de transformações que impactem em empregabilidade, estímulos à exploração de novos negócios, autonomia intelectual e realização pessoal. Pesquisadores das áreas criativas publicarão artigos e desenvolverão ações que estimulem e colaborem para que professores e agentes educacionais dos vários níveis de ensino incorporem as habilidades criativas como elementos centrais dos processos de aprendizagem.

 

Em suma, temos grandes desafios a enfrentar, especialmente no campo educacional, e dispomos de predicados positivos, entre eles potencial criativo e espírito empreendedor, que podem nos ajudar nessas missões. Precisamos cumprir as tarefas que restam ser realizadas ao mesmo tempo que exploramos aquilo que nos caracteriza e que pode, em tese, propiciar os elementos diferencias competitivos em escala global.

 

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Figura em Domínio Público. O influente pintor e teórico russo Wassily Kandinsky tem sua obra em domínio público desde 2015. Na foto, “Composição VII”, considerada pelo autor sua obra mais complexa. Ver em:

http://www.huffpostbrasil.com/2015/01/02/tudo-free-as-obras-que-viraram-dominio-publico-em-2015_a_21671065/

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segunda-feira, 24 de agosto de 2015 aprendizagem, Educação e Tecnologia | 15:37

Aprender a aprender é mais do que aprender

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O ensino tradicional tem como foco central ensinar conteúdos, técnicas e procedimentos. O fruto direto do processo, ou seja, o que se aprendeu é, em geral, considerado mais importante do que o processo em si.

Tal modelo funcionou porque era harmônico com o mundo do trabalho correspondente no qual foi aplicado – ambientes baseados nos modelos de produção fordistas e tayloristas – e coerente com as correspondentes demandas por especialistas com memória apurada aplicada em atividades bem configuradas. Tudo isso em pleno acordo com o contexto geral dos últimos séculos, em especial com o século XX.

Esta solução educacional funcionou tão bem e por tanto tempo que aquilo que era uma metodologia entre várias quase virou sinônimo de método educacional, como se fora único e indiscutível. Desta forma, persistindo como dominante no cenário do processo de aprendizagem até hoje e, quando muito, permitindo variações sobre o mesmo tema, sem alterar sua essência.

Ao privilegiar o conteúdo aprendido sobre a consciência e o amadurecimento do hábito de aprender, predominou a ênfase na cognição, a qual está associada ao ato de conhecer, incluindo os estados mentais associados e os processos do pensamento relacionados à aquisição de conhecimentos. A cognição, com ênfase no saber algo, envolve múltiplos fatores como linguagem, percepção, memória, lógica, raciocínio e outros elementos importantes do desenvolvimento intelectual.

As tecnologias inovadoras, especialmente as tecnologias digitais, fizeram brotar uma sociedade contemporânea bastante distinta daquelas que vivenciamos antes. Pela primeira vez exploramos a oportunidade de termos informação plena e total, instantaneamente e gratuitamente acessível. Um dos reflexos decorrentes desta revolução diz respeito ao fato de que cognição perde sua centralidade, abrindo espaço, em termos de relevância, para um conceito mais amplo, a metacognição.

Metacognição, etimologicamente, significa “para além da cognição”, ou seja, a faculdade de conhecer o próprio ato de conhecer, associado à consciência dos atores envolvidos no processo de aprendizagem acerca de como se aprende ou como se ensina. O conceito de metacognição está relacionado ao ato de pensar sobre o próprio pensamento, onde a reflexão e a autoconsciência sobre a maneira como se aprende tornam-se, progressivamente, mais importantes do que o próprio ato de aprender em si.

Assim, mais importante do que aquilo que se aprendeu é se, ao longo do processo de aprendizagem, ao educando foi possível adquirir mais clareza acerca de como ele aprende, aumentando o seu nível de consciência sobre os mecanismos segundo os quais o processo pessoal ou coletivo de aprendizagem se desenvolve.

Neste novo contexto, o complexo aprender a aprender passa a ser mais relevante do que o simples aprender. O simples aprender tem tudo a ver com um mundo em que o período escolar estava circunscrito a um período limitado da vida. Em tempos passados, os profissionais, uma vez graduados, estavam prontos para suas missões e demandas futuras e, via de regra, sobreviviam de forma satisfatória no mundo do trabalho. O sofisticado aprender a aprender estabelece compatibilidade com educação ao longo da vida, com o conceito de  educação contínua e permanente.

Em suma, a cognição se preocupa quase que exclusivamente com constatar se o aluno aprendeu ou não (sabe ou não sabe); a metacognição inclui, com igual peso, o quanto o educando e o educador percebem a forma e os mecanismos com que eles próprios aprendem e ensinam (preparação ao saber resolver, portanto). Neste sentido, a cognição, associada ao aprender, atende ao passado e a metacognição, associada ao aprender a aprender, contempla o futuro.

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