Publicidade

Posts com a Tag tecnologia na sala de aula

segunda-feira, 27 de julho de 2015 Educação e Tecnologia | 11:40

Educação para além das tecnologias digitais

Compartilhe: Twitter

Houve no passado muita discussão sobre o uso dos computadores em sala de aula. Hoje, os computadores não são mais o que eram, tampouco a sala de aula permanece a mesma. Saímos do espanto e demos lugar ao entranhamento. Ou, como dizia Fernando Pessoa: “primeiro estranha-se, depois entranha-se”.

As tecnologias digitais e seus usos generalizados não convenceram os educadores via argumentos educacionais clássicos. Elas impregnaram a sociedade de tal forma que nenhum setor – incluindo o setor educacional – ficou fora de suas fortes influências. Passada essa fase, os espantados chegaram a uma nova conclusão: “OK, vocês venceram, as novas tecnologias estão aí, não dá para negar, mas elas fazem parte do processo apenas enquanto meio”. De novo, há embutida na afirmação uma provável subestimação do fato: as tecnologias digitais transcendem ser somente meio, elas se pretendem partes integrantes do começo, do meio e do fim.

Educar está ficando progressivamente mais complexo, e não mais simples. É como se, sem abandonar o que do ensino se exigiu antes, outras novas demandas, não menores do que as anteriores, fossem incorporadas. Além dos tradicionais conteúdos, técnicas e procedimentos específicos, o novo conjunto de requisitos educacionais inclui, entre outros itens, habilidades de navegação no mundo da internet em diferentes níveis de profundidade, desde o simples letramento digital até a sofisticada capacidade de desenvolver plataformas. Entre os extremos, reside um conjunto enorme de aplicações de design, modelagem e simulações em áreas específicas, promovendo oportunidades de empregos e de negócios quase sem paralelo na história recente.

Neste contexto, onde ingressamos a passos largos em direção a uma sociedade que se caracteriza por informação totalmente acessível, instantemente disponibilizada e franqueada gratuitamente e sem limites, educar vai além de usar ou agregar tecnologias digitais. Processo ensino aprendizagem e tecnologias digitais se integram, se entranham e não mais se dissociam, como ainda hoje ensino e livro não se separam, tornando obsoleto e sem sentido pensar um sem o outro.

O drama remanescente, mesmo considerando a aceitação, pacífica ou forçada, das novas tecnologias é a percepção acerca do quanto isso implica na necessidade de adotarmos metodologias inovadoras que sejam compatíveis com este novo contexto. As pedagogias tradicionais são, em geral, tentativas de repetir respostas a perguntas que já não são mais as mesmas. Em suma, o impacto das novidades não é somente residual ou periférico, é central, demandando mudanças com radicalidades correspondentes às alterações culturais que o novo contexto social tem provocado.

As tecnologias digitais permitirão o desenvolvimento de portais educacionais capazes de, em conjunto com os professores e as equipes responsáveis pelos desenhos dos cursos, traçar trajetórias acadêmicas especificamente desenhadas para cada um dos educandos, conjugando qualidade e quantidade. Além disso, contribuindo para quebrar paradigmas clássicos como os falsos pressupostos de que quantidade maior impediria personalização e que qualidade só seria possível se fosse para poucos.

Por fim, há que se estar preparado para um mundo educacional onde a clássica e antiga separação entre modalidades presencial e a distância farão parte de um passado cada vez mais distante e totalmente incapaz de responder às demandas por uma educação híbrida, flexível, ao longo da vida e compatível com o mundo contemporâneo.

Autor: Tags: , ,