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quinta-feira, 15 de março de 2018 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 19:52

Nanocertificados: claramente, o futuro!

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coruja 

Houve um tempo, próximo passado, em que nas formaturas os concluintes do ensino superior celebravam a despedida da vida de estudante. Mais do que isso, era razoável supor que lograssem algum sucesso nas empreitadas seguintes, sem que fosse imprescindível continuar estudando. Afinal, era esperado que, ao final de um curso de graduação, com duração da ordem de 4 a 6 anos, os principais conteúdos, os procedimentos básicos e as técnicas associadas tivessem sido plenamente adquiridos. Mesmo que fosse ingenuidade, o passado, por vezes, foi permissivo quanto à possibilidade dessa leitura.

 

Os tempos contemporâneos se caracterizam pela radicalidade e rapidez nas transformações. O mercado de trabalho já não é o mesmo, tampouco as características principais que são demandadas daqueles que pretendem aproveitar oportunidades de novos negócios são as mesmas. Adentramos, progressivamente, uma era em que a informação passa estar plenamente disponível, instantânea e gratuita. Caminhamos em direção a um cenário de educação permanente ao longo de toda a vida. Neste contexto, tão ou mais relevante do que o conteúdo aprendido em um curso de graduação é ampliar a percepção acerca de como se aprende. Ou seja, o saber aprender passa a ser a chave principal para enfrentar o desconhecido, que caracteriza o período que vivenciamos.

 

Se o mundo não é mais o mesmo, se as demandas da sociedade se alteraram e se os educandos e seus propósitos são diferentes, não há motivos para imaginarmos que os cursos, em seus formatos e em seus conteúdos, devam permanecer inalterados. Eles se adaptarão ao novo contexto, alguns mais rapidamente, outros com algum atraso, mas, nada permanecerá imune às inevitáveis e aceleradas transformações. Neste cenário, observaremos os cursos de graduação e de MBA (“Master of Business Administration”), gradativamente, sendo complementados ou migrando em direção àquilo que se adotou chamar de nanocursos, emissores de nanocertificados.

 

O prefixo “nano” começou a ser utilizado ao final da década de 1940 e é derivado da palavra que em grego significa “anão”. No contexto estritamente científico, representa uma unidade de medida associada à bilionésima parte de algo, tal como nanosegundo ou nanometro. Popularmente, passou a significar algo muito pequeno.

 

Educacionalmente, em torno de 2014, surgiram os primeiros nanocertificados (em inglês, “nanodegrees”), os quais buscavam atender, em curto espaço de tempo e sendo extremamente focados, as demandas por aprendizagem de habilidades específicas, particularmente aquelas voltadas para as necessidades do mercado de trabalho, na maioria dos casos na área de tecnologias da informação. Em geral, são projetos práticos que avaliam e certificam os educandos após um período de cerca de seis meses de estudo. Os nanocursos tendem a representar uma alternativa relativamente mais prática, ágil e de menor custo para quem quer alavancar sua carreira e comprovar capacitação para missões bem definidas. Para as empresas, significa a oportunidade de customizar as formações demandadas de seus profissionais de maneira mais objetiva, direta e eficiente. Os pioneiros nesses cursos eram ligados à empresa americana de cursos online, Udacity. Hoje, tais iniciativas estão bastante disseminadas, com diferentes origens, formatos e propósitos.

 

Vivenciaremos realidades inéditas, sendo a maior parte delas mediadas pela chegada das ferramentas da inteligência artificial, da onipresença da internet das coisas e dos inevitáveis robôs. As tarefas que permitem ser automatizadas, certamente, o serão. Várias profissões como nós as conhecemos atualmente terão, em geral, duas opções: desaparecer ou mudar radicalmente. Nada será de imediato, nem por isso quer dizer que será demorado ou prorrogável. Quanto antes nos adaptarmos, maior a possibilidade de sobrevivência e de sucesso, seja enquanto indivíduo, grupo ou organização. Os nanocursos estão longe de serem as causas das mudanças; são somente claros sintomas de processos que alterarão de forma substantiva os caminhos segundo os quais aprendemos e ensinamos. Afinal, estamos falando de um futuro que começou a acontecer ontem.

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Figura em Domínio Público, como visto em:

https://publicdomainvectors.org/pt/vetorial-gratis/Coruja-esperta/69141.html

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quarta-feira, 7 de março de 2018 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 15:02

Analítica da Aprendizagem enquanto diferencial competitivo

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Kandinsky

 

Houve um período em que a adoção de modelos de gestão mais competitivos por si só era suficiente para que uma instituição educacional conseguisse obter resultados superiores às demais. Isso não foi simples, foi inovador e gerou resultados significativos. No entanto, com o tempo, os modelos de gestão se mostraram, por um lado, limitados e, por outro, transferíveis e copiáveis. O cenário futuro traz desafios ainda mais complexos. Entre eles, o fato de que as instituições que souberem incorporar adequadamente as novas tecnologias e as metodologias inovadoras serão aquelas que se destacarão e terão como recompensa a oportunidade de conjugar, com sustentabilidade, escala e qualidade. Entre as tecnologias com maior potencial de aproveitamento, em termos de resultados acadêmicos, destaco a Analítica da Aprendizagem.

 

Analítica da Aprendizagem (em inglês, “Learning Analytics”) é a metodologia que permite que os educadores possam tomar decisões levando em conta análises sistemáticas e elaboradas de dados dos educandos e dos contextos educacionais nos quais a aprendizagem se desenvolve. A partir da análise dos dados acerca de quanto e de como os alunos estão aprendendo, é possível uma percepção mais apurada das realidades educacionais. Tais procedimentos viabilizam que desenhos educacionais adequados (em inglês, “Learning Designs”) possam ser propostos, bem como estratégias e trilhas de aprendizagem diversas sejam implementadas. Ao mesmo tempo, esta metodologia colabora na seleção de quais recursos, inclusive tecnológicos e modos de entrega de conteúdos, são os mais adequados para cada contexto e, no limite, para cada educando.

 

Na verdade, os professores no ensino tradicional utilizam de forma corriqueira dados nos processos de ensino. Porém, o fazem, em geral, em uma versão limitada e preliminar, precursora daquilo que hoje denominamos Analítica de Aprendizagem. Por exemplo, notas finais, resultante de alguns poucos produtos, têm consequências relevantes, tais como aprovar ou não os alunos. Excepcionalmente, docentes mais dedicados conseguem, fruto de suas sensibilidades, perceber peculiaridades de uma turma de estudantes, identificar carências típicas e alterar procedimentos, porém, são casos raros e em pequena escala. Em geral, os dados disponíveis, alguns rendimentos acadêmicos dos alunos, são insuficientes para motivar e orientar mudanças de percursos educacionais. Analítica da Aprendizagem, em tese, permite e estimula adaptações, melhorando a aprendizagem à medida que reconfigura, em tempo hábil, os processos educacionais, customizando-os às realidades específicas e, sempre que possível, às características de cada um dos atores envolvidos.

 

Em profundo contraste com os poucos dados disponíveis até pouco tempo (basicamente notas de provas individuais), graças às tecnologias digitais, hoje dispomos de uma abundância de informações (“big data”), que nos permite tentar entender, de forma inédita e inovadora, realidades educacionais complexas. Adicionalmente às formas usuais de avaliação, podemos explorar, dentre inúmeras outras possibilidades, dados resultantes de: i) nível e velocidade de assimilação de informações, ii) capacidade do estudante de acessar conteúdos e sua autonomia na utilização de conhecimentos, iii) características das respostas “erradas” em testes de múltipla escolha, iv) habilidades de comunicação via capacidade de interpretação e de redação de textos complexos, v) habilidade de colaboração em equipe, percebendo e conjugando fragilidades e potencialidades de cada membro, vi) produtividade e efetividade na confecção de artefatos, vii) competência na solução de problemas e no cumprimento de missões, viii) atitudes e comportamentos socioemocionais diante de desafios complexos, ix) letramento matemático, e x) adaptação individualizada a diferentes modos de entrega de conteúdos.

 

A título de exemplo, vejamos, em particular, o item iii) acima, referente a como podemos fazer uso das respostas não certas (na Analítica da Aprendizagem elas são tão relevantes como as corretas) para melhorarmos o aprendizado. De forma simples, suponhamos que em um certo item do teste de múltipla escolha a resposta correta seja b). É possível um enunciado, especialmente assim desenhado, que busque identificar o educando que, mesmo dominando os conceitos básicos envolvidos, porque lê sem a devida atenção, opte por a). Neste caso, é uma potencial indicação de que se trata de aluno cuja capacidade de foco merece toda nossa atenção. Agora, suponhamos que, apesar de ter estudado e compreendido o tema objeto, o estudante, mesmo concentrado, tenha dificuldade em interpretação de textos um pouco mais complexos. É possível construir um enunciado que, provavelmente, fruto desta deficiência, ele seja guiado para alternativa c). da mesma forma, imaginemos alguém que tenha fragilidade em letramento matemático; assim, mesmo com domínio eventual do conteúdo, uma operação matemática na qual ele tenha dificuldade, o leva à alternativa d). Por fim, um enunciado especialmente preparado pode tentar identificar, caso a caso, mais do que uma falha no domínio do conteúdo geral, podemos estar diante de deficiência em um particular conceito específico envolvido e, sendo este o caso, ele, provavelmente, optará pela alternativa e).

 

A receita acima é puramente ilustrativa e não há a menor chance de, a partir de um único item ou de um único teste, afirmarmos algo substantivo. No entanto, fruto de questões e respostas abundantes, e como um elemento a mais no conjunto mais amplo de dados qualificados acima citados, certamente, há características educacionais relevantes que podem ser extraídas. O grande segredo é que, a partir de uma quantidade imensa de informações, algumas considerações mais bem embasadas podem começar a ser ponderadas acerca dos contextos educacionais específicos e sobre cada educando em particular.

 

Uma vez que tenhamos material mais consolidado e adequadamente analisado, podemos começar a construir caminhos educacionais múltiplos e personalizados. São trilhas individuais que dão conta, ou tentam dar conta, de: i) melhorar capacidade de foco, ii) aprimorar competências em ler e escrever textos mais complexos, iii) orientar e capacitar em operações matemáticas básicas, iv) explorar um particular conceito sobre o qual o aluno demonstrou fragilidade etc.

 

Curiosamente, quanto mais estudantes, maior o número de testes e quanto mais analistas e curadores de conteúdo tivermos, mais bem elaborados serão os caminhos e abordagens específicas que poderemos propor. Para quem sempre associou qualidade a poucos e má qualidade a muitos, temos um novo paradigma: a escala que gera qualidade.

 

Começamos, portanto, a construir algoritmos educacionais inteligentes que nos permitem sair do artesanato e de outras limitações, que caracterizam o ensino tradicional, para darmos respostas qualificadas às demandas e propiciarmos atendimento em grande escala. Esta é marca de uma educação contemporânea onde todos aprendem, aprendem o tempo todo e cada qual de maneira única. Este é o caminho de uma educação flexível, híbrida, adaptativa e personalizada.

 

Quanto, em especial, às empresas educacionais e suas instituições de ensino, cabe destacar que os desafios em busca da sustentabilidade e de lucratividade, por certo, dependem de bons modelos de gestão. No entanto, enquanto a guerra pode, de fato, ser perdida na gestão, por outro lado, para se ter conquistas substantivas há que se explorar metodologias inovadoras que façam uso adequado de novas tecnologias. Neste caso, não há soluções milagrosas e nem receitas prontas. Mas, por certo, Analítica da Aprendizagem é ingrediente indispensável para enfrentar, com sucesso, os desafios educacionais contemporâneos.

 

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 Sobre a imagem:  O influente pintor e teórico russo Wassily Kandinsky tem sua obra em domínio público. Na foto, . Ver: “Composição VII”, considerada pelo autor sua obra mais complexa, Ver: http://www.portaldaindustria.com.br/cni/canais/propriedade-intelectual/noticias/e-tudo-free-as-obras-que-viraram-dominio-publico-em-2015/

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In English:

Ronaldo Mota – Chancellor of Estácio Group, educational executive, lecturer, member of the board of the Brazilian Association of Owners of Private Institutions of Higher Education, he writes about new technologies in education and innovative educational methodologies.

There was a period when the adoption of more competitive management models alone was sufficient for one educational institution to achieve high results. This was not simple, it was innovative and generated significant results. However, over time, management models have been limited, on the one hand, and transferable and replicable, on the other. The future scenario brings even more complex challenges. Among them is the fact that institutions that know how to appropriately incorporate new technologies and innovative methodologies will be those that will stand out and will be rewarded with the opportunity to combine, with sustainability, scale and quality. Among the technologies with the greatest potential for achievement, in terms of academic results, I highlight Learning Analytics.

Learning Analytics is the methodology that enables educators to make decisions by taking into account systematic and elaborate analyses of learners’ data and the educational contexts in which learning develops. By analyzing the data on how much and how students are learning, a sharper perception of educational realities is possible. Such procedures enable appropriate learning designs (“Learning Designs”) as well as strategies and learning paths to be implemented. At the same time, this methodology contributes to the selection of which resources, including technological and content delivery modes, are the most appropriate for each context and, in the limit, for each student.

In fact, teachers in traditional teaching routinely use data in teaching processes. However, they usually do so in a limited and preliminary version, precursor to what we now call Learning Analytics. For example, final grades, resulting from a few products, have relevant consequences, such as approving students or not. Exceptionally, more dedicated teachers are able, through their sensibilities, to perceive the peculiarities of a student group, to identify typical needs and to change procedures, but these are rare cases and in small in scale. In general, according to the available data, some academic achievement of the students are insufficient to motivate and guide changes in educational pathways. Learning Analytics, in theory, allows and stimulates adaptations, improving learning as it reconfigures, in a timely manner, the educational processes, adapting them to the specific realities and, whenever possible, to the characteristics of each of the actors involved.

In sharp contrast to the few data available until very recently (basically individual test notes), thanks to digital technologies, today we have an abundance of information (“big data”), which allows us to try to understand, in a new and innovative way, complex educational realities. In addition to the usual forms of evaluation, we can explore, among countless other possibilities, data resulting from:

  1. i) level and speed of information assimilation,
  2. ii) the student’s ability to access content and its autonomy in the use of knowledge,
  3. iii) characteristics of “wrong” answers in multiple choice tests,
  4. iv) communication skills through ability to interpret and write complex texts,
  5. v) ability of team collaboration, perceiving and combining frailties and potentialities of each member,
  6. vi) productivity and effectiveness in the manufacture of artifacts,
  7. (vii) competence in solving problems and performing missions,
  8. viii) social-emotional attitudes and behavior in the face of complex challenges,
  9. ix) mathematical literacy, and
  10. x) individualized adaptation to different modes of content delivery.

As an example, let’s look in particular at item iii) above, regarding how we can make use of the non-correct answers (in Learning Analytics they are as relevant as the correct ones) to improve learning. In a simple way, suppose that in a certain multiple-choice test item the correct answer is b). It is possible for a statement, especially designed, that seeks to identify the learner who, even if he dominates the basic concepts involved, because he reads without due attention, choose a). In this case, it is a potential indication that it is a student whose ability to focus deserves our full attention. Now, let us suppose that, although he has studied and understood the subject matter, the student, even if concentrated, has difficulty interpreting slightly more complex texts. It is possible to construct a statement that, probably as a result of this deficiency, is guided to alternative c). in the same way, imagine someone who has weaknesses in mathematical literacy; thus, even with eventual mastery of the content, a mathematical operation in which he/she has difficulty, takes it to alternative d). Finally, a specially prepared statement may try to identify, on a case-by-case basis, more than a fault in the general content domain, we may be deficient in a specifically particular concept involved and, if this is the case, he/she will probably opt for alternative e).

The above recipe is purely illustrative and there is not the slightest chance, from a single item or a single test, to be able to say anything substantive. However, with abundant questions and answers, and with the additional element in the broader set of qualifying data cited above, there are certainly relevant educational features that can be drawn. The great secret is that, from an immense amount of information, some more well-grounded considerations can begin to be weighed on the specific educational contexts and on each individual student.

Once we have more consolidated and properly analyzed material, we can begin to build multiple and personalized educational paths. These are individual tracks that tell or attempt to account for:

  1. i) improved focus,
  2. ii) improved skills in reading and writing more complex texts,
  3. iii) guidance and enabling of basic mathematical operations,
  4. iv) exploring a particular concept on which the student demonstrated fragility, etc.

Curiously, the more students, the greater the number of tests and the more analysts and curators we have, the better elaborated will be the specific paths and approaches that we can propose. For those who have always associated quality with a few and poor quality to many, we have a new paradigm: the scale that generates quality.

We began, therefore, to build intelligent educational algorithms that allow us to get out of the handicrafts and other limitations that characterize traditional teaching, to give qualified answers to the demands and to provide large-scale care. This is a mark of a contemporary education where everyone learns, learns all the time and each one in a unique way. This is the path of a flexible, hybrid, adaptive and personalized education.

In particular, educational businesses and their educational institutions must highlight that the challenges in search of sustainability and profitability, of course, depend on good management models. However, while warfare may indeed be lost in management, on the other hand, in order to have substantive achievements one has to explore innovative methodologies that make appropriate use of new technologies. In this case, there are no miracle solutions or ready recipes. But, of course, Learning Analytics is an indispensable ingredient for successfully addressing contemporary educational challenges.


Learning Analytics as a Competitive Differential

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domingo, 11 de fevereiro de 2018 aprendizagem, EaD, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 09:21

Analítica da aprendizagem disposicional: melhor agora do que depois

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Os dados oficiais do ensino superior brasileiro mostram que as matrículas na modalidade presencial entre os anos de 2012 a 2016 avançaram 10%, enquanto na educação a distância o crescimento foi de 34%. Quanto ao número de concluintes, no ensino presencial a variação positiva nesse período foi de 7% e na modalidade a distância de 32%. Os dados mais impressionantes referem-se aos números de ingressantes. Frente ao substantivo crescimento de 44% em educação a distância (aproximadamente 542 mil ingressantes em 2012 contra 781 mil em 2016), houve uma redução de mais de 18% (2.204 mil ingressantes em 2012 para 1.858 mil em 2016) no ensino presencial.

 

humancomputer

 

No início desta década, qualquer alerta acerca do incrível potencial de crescimento da modalidade a distância seria objeto de alguns olhares de desconfiança. Da mesma forma, para a maioria, ainda não era clara a forte tendência para a dominância do e-learning (baseado na internet), em contraposição ao chamado semipresencial. Idêntico ceticismo valeria para a previsão de que o dispositivo dominante de aprendizagem online viria a ser o celular, como é hoje, e não os computadores, notebooks e tabletes.

 

Contemporaneamente, um dos grandes desafios no ensino superior é dimensionar o papel da analítica da aprendizagem (em inglês, “learning analytics”). Esta ferramenta e suas evoluções se mostrarão, cada vez mais, essenciais e imprescindíveis, contribuindo nos desenhos dos processos de aprendizagem mais efetivos.

 

Analítica da aprendizagem diz respeito à técnica que se caracteriza pela coleta sistemática e pela análise rigorosa de dados dos educandos e de seus contextos educacionais, tendo como propósito o entendimento dos processos de aprendizagem e dos ambientes nos quais eles ocorrem. Assim, é possível desenvolver e aprimorar desenhos de aprendizagem (em inglês, “learning designs”), nos quais múltiplas trilhas educacionais podem ser construídas e disponibilizadas aos alunos. Nesta perspectiva, é possível viabilizar processos personalizados, atendendo características peculiares de cada educando ou próprias do ambiente educacional específico.

 

Nos estágios iniciais da analítica de aprendizagem, os estudiosos se limitavam a modelos preditivos simples baseados em dados extraídos das informações disponíveis dos estudantes. O uso crescente de plataformas digitais pelos alunos e dos sistemas de gestão de aprendizagem pelas instituições, progressivamente, tem gerado uma quantidade inédita de dados qualificados. A partir deles, observamos avanços significativos nas aplicações da analítica da aprendizagem, nos desenhos educacionais propostos e nas intervenções pedagógicas deles decorrentes.

 

Mais recentemente, foi introduzida a estratégia da analítica da aprendizagem disposicional (em inglês, “dispositional learning analytics”), a qual combina os dados gerais de aprendizagem com elementos disposicionais próprios dos educandos, incluindo seus comportamentos, suas atitudes e seus valores. A coleta desses dados disposicionais tanto pode ser realizada via respostas fornecidas diretamente pelos próprios estudantes, como via o monitoramento de suas reações, a partir de situações induzidas com propósitos específicos.  Os aspectos disposicionais que estamos interessados devem representar diferenciais característicos dos educandos e de suas circunstâncias, incluindo aspectos comportamentais, cognitivos, metacognitivos (envolvendo a percepção do aprendiz sobre a própria aprendizagem) e afetivos.

 

No Brasil, temos a oportunidade de adotar quanto antes esta estratégia, em complemento às metodologias inovadoras associadas e às novas tecnologias disponíveis. A aplicação da analítica da aprendizagem disposicional, certamente, contribui para a construção de abordagens educacionais que viabilizem que todos aprendam, aprendam o tempo todo e em qualquer lugar, e, especialmente, que cada um aprenda de maneira única e personalizada.

 

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Fonte da figura: University of Rochester, em “Dancing with Computers. In the field of Human-computer interaction, computer science meets human behavior”. De Kathleen McGarvey, com ilustrações de John W. Tomac para “Rochester Review”. Ver o link:

https://www.rochester.edu/pr/Review/V78N2/images/slide_hci3.jpg

 

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terça-feira, 30 de janeiro de 2018 Educação e Tecnologia, Inovação e Educação | 18:18

A Kodak e a revanche na mesma moeda

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KodakFoto

 

É comum ouvir dizer que a tecnologia matou a empresa Kodak. Citam que, ao final do século XX, ela dispunha de quase 200 mil funcionários e detinha em torno de 85% da então próspera indústria de papel para fotografia. O surgimento da fotografia digital, de fato, levou a empresa às portas da falência. Menos de duas décadas depois, a quase falecida surge das cinzas, tal qual fênix, ancorada agora no que existe de mais atual em tecnologia contemporânea, o blockchain.

 

A plataforma de direitos de imagens KODAKOne, baseada na tecnologia blockchain, permite criar registros digitais encriptografados, viabilizando processos de licenciamento de imagens em um nível sem precedentes. Desta forma, fotógrafos, enquanto autores, passam a participar de forma diferenciada da nova economia criativa. Pagamentos por licenciamentos, como reconhecimento por seus trabalhos, podem ser implementados de forma inédita, confiável e segura. Quando uma imagem não licenciada é detectada, o que é razoavelmente simples, a plataforma KODAKOne, de forma eficiente, cuida dos processos associados, garantindo recompensar adequadamente os legítimos autores.

 

Parte deste ousado projeto inclui a criação da própria criptomoeda, o KodakCoin. Assim, os fotógrafos, ao registrarem suas imagens e licenciá-las, poderão ser devidamente recompensados em KodakCoins. Fato é que, mesmo antes de sua aplicação em escala significativa, as ações da Kodak duplicaram em valor após o anúncio desta iniciativa.

 

Nas palavras de Jeff Clarke, presidente da Kodak: “Para muitos na indústria de tecnologia, blockchain e criptomoedas são expressões promissoras, ainda que distantes. Mas, para os fotógrafos que há muito se esforçaram para afirmar o controle de seu trabalho e como ele é usado, essas palavras-chave são o caminho para resolver o que parecia ser até então um problema sem solução. A Kodak sempre procurou democratizar a fotografia e tornar os licenciamentos justos para os artistas. Essas tecnologias darão à comunidade da fotografia uma maneira inovadora e fácil de resolver este problema”.

 

Este é mais um exemplo de que enfrentar os problemas decorrentes do uso intensivo de tecnologias inovadoras implica, na maior parte das vezes, em utilizar as próprias como parte da solução. No mundo educacional é o mesmo. Os educandos são em número sem precedentes e a tentativa de conhecê-los individualmente pode parecer uma ilusão. No entanto, as tecnologias digitais permitem dizer exatamente o contrário: “quanto maior o número de envolvidos, melhor para identificá-los individualmente”. Ferramentas como Learning Analytics (Analítica da Aprendizagem, em português) e Edugenômica são exemplos de como criar trilhas educacionais personalizadas com qualidade, precisão e racionalidade.

 

Estamos nos inserindo em uma sociedade onde a informação estará totalmente acessível, instantaneamente disponibilizada e basicamente gratuita. As transformações que vivenciamos são preliminares de algo muito mais radical e cada vez mais surpreendente. O que sabemos é que se trata de caminho sem retorno, onde a cada nova etapa novos horizontes se descortinam. Como nos mostrou a Kodak, é do próprio veneno que se produz o antídoto, o qual revigora e dá vida aos que aparentemente foram dele vítimas circunstanciais.

 

 

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quarta-feira, 17 de janeiro de 2018 EaD, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 09:00

Educação digital em 2018: do linear para o exponencial

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exp

 

Comportamentos de variáveis ao longo do tempo podem ser descritos por modelos matemáticos.  Dois dos modelos mais utilizados são: o modelo linear, representado por funções do tipo y = ax + b, e o modelo exponencial, no qual se empregam funções do tipo y =  beax.

 

No início, podem ocorrer períodos em que os dois comportamentos se confundem e um desafio é tentar identificar quando eles se separam. Um exemplo atual interessante é o número de matrículas na modalidade Educação a Distância (EaD) no ensino superior brasileiro. Os dados mais recentes, ainda não oficiais, indicam que, provavelmente, neste ano o crescimento exponencial seja evidenciado.

 

O número de matrículas EaD vem crescendo de forma contínua e sustentável por mais de uma década, tendo atingido quase 1,5 milhão em 2016 (dados disponíveis do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira/ INEP/MEC), o que já representa uma participação de quase 20% do total de matrículas da educação superior. Interessante observar também que o número de matrículas em cursos de graduação presencial diminuiu nos últimos anos (decréscimo de 1,2% entre 2015 e 2016, enquanto na EaD o aumento de matrículas foi de 7,2%). Tais tendências, provavelmente, têm sido acentuadas mais recentemente.

 

Se neste ano o crescimento da EaD evidenciar ser mais bem descrito pela forma exponencial e se considerarmos que no ensino presencial a adoção da EaD no limite superior de 20% está, praticamente, universalizada, poderemos afirmar que, antes do final desta década, mais da metade das atividades didáticas serão ministradas via EaD.

 

Em 2017, foi inaugurado um novo marco regulatório para o ensino superior brasileiro, o qual tende a induzir mudanças mais profundas e abrangentes ao longo da próxima década. Destaque-se que a separação abrupta entre as duas modalidades, presencial e a distância, conforme previsto em lei, é algo peculiar do Brasil. No restante do mundo, a grande tendência é o modelo híbrido, o qual visa a combinar, com bastante liberdade e customizado caso a caso, as melhores ferramentas advindas tanto das experiências presenciais como não-presenciais. O que torna ainda mais complexo este processo é que, à luz de uma nova realidade baseada em educação híbrida, flexível e aberta, o próprio conceito atual de presencialidade, em poucos anos, se perderá por completo, quando sequer saberemos distinguir a presença da criptopresença.

 

Não completamos ainda sequer metade do caminho previsto no Plano Nacional de Educação (PNE) da década passada “garantir acesso ao ensino superior a 30% dos jovens entre 18 a 24 anos” –, tampouco o previsto nesta década “1/3 desses jovens na educação superior”. Portanto, a utilização das novas tecnologias e a adoção de metodologias educacionais inovadoras são certamente imprescindíveis e estratégicas para oportunizar que interessados de todas as classes sociais possam ter acesso à educação superior.  Além disso, como apontado pelo INEP, progressivamente, mais de 40% dos ingressantes no ensino superior estão em faixas etárias mais maduras (acima de 24 anos). Esta população demanda abordagens educacionais próprias capazes de permitir que, mesmo tardiamente, possa qualificar-se profissionalmente.

 

Distintamente da educação presencial, na educação digital a escala não compromete a qualidade, muito pelo contrário. Todos os especialistas internacionais têm segurança em afirmar que a racionalidade e a economicidade envolvidas na utilização das tecnologias digitais na educação permitem baixar custos e aumentar qualidade simultaneamente. Os estímulos para o acesso pleno ao conteúdo antes das aulas e a intensa utilização de portais eletrônicos e de plataformas educacionais, especificamente desenhadas para cada contexto, são possibilidades inovadoras e disponíveis. A ênfase na aprendizagem independente, centrada no aprender a aprender ao longo de toda vida, e o ensino baseado em metodologias ativas e em solução de problemas são novidades já incorporadas, ainda que preliminarmente. Enfim, metodologias que levem em conta as características personalizadas de cada educando, suas demandas específicas e os ambientes peculiares do mundo do trabalho contemporâneo são exemplos de iniciativas positivas em curso.

 

A título de reforço da abrangência do fenômeno acima, qualquer outra área de atividade humana pode ser considerada para estabelecermos possíveis analogias. Isso só é possível porque o motor comum dessas transformações é a presença das tecnologias digitais. Ou seja, a velocidade e o nível de radicalidade das mudanças estão associados à migração, ainda em curso, em direção a uma sociedade em que a informação se torna totalmente acessível, instantânea e basicamente gratuita.

 

Portanto, unicamente como referência do avanço do digital sobre o analógico, adota-se aqui um caso ilustrativo, a capitalização de mercado, a qual se refere a uma das medidas do tamanho de uma empresa. Trata-se do valor de mercado total das ações em circulação de uma empresa, também conhecido como limite de mercado.

 

Durante o século passado, as maiores empresas do mercado acionário estiveram associadas ao mundo analógico, seja à energia (basicamente petróleo), à indústria automobilística e ao setor bancário. Na virada do século, há apenas 17 anos, entre as cinco maiores aparecia, de forma inédita, uma empresa do mundo literalmente digital, a Microsoft.  Neste caso, dividindo a dianteira com duas de energia (Exxon e GE), um Banco (Citi) e uma empresa de varejo (Walmart).

 

O quadro atual, conforme descrito no Relatório 2017 da respeitável PricewaterhouseCoopers, lembra pouco aquele anterior. A empresa que atualmente é, pelo sexto ano seguido, a número 1 do ranking (Apple) sequer constava entre as cinco maiores no começo deste século. Além disso, a única que ainda sobrevive nesse restrito clube é a Microsoft. Desnecessário chamar a atenção para o fato de que atualmente todas, sem exceção, estão diretamente associadas ao mundo das tecnologias digitais. Por outro lado, empresas como a GE já não constam entre as 100 maiores.

 

Atualmente, empresas baseadas em tecnologias digitais predominam entre as maiores, acompanhadas, com certa distância, por aquelas do setor financeiro e, na sequência, companhias do setor de varejos. Os Estados Unidos, ao contrário do que possa parecer aos incautos, têm aumentado sua participação (hoje em 55%) entre as 100 maiores e é a sede das 10 principais empresas. É cada vez mais notável a presença crescente de empresas chinesas, como era de se esperar, e a Europa, que detinha 36% do mercado há 10 anos, agora detém somente 17%. A título de comparação, o Brasil em 2009 tinha 3 companhias listadas entre as 100 maiores, hoje resta somente uma.

 

As transformações na economia impactam, bem como são afetadas, pelos cenários educacionais vigentes. As tecnologias digitais invadem as escolas e impregnam o seu entorno, em especial no que diz respeito aos cidadãos e profissionais que nelas se formam. Elas transcendem os espaços de aprendizagem e também ocupam e definem as oportunidades de novos empregos e de negócios inovadores.

 

Assim as consequências educacionais são complexas, múltiplas e ilimitadas. Uma delas, a mais simples e direta, é que os modelos educacionais e as estratégias de ensino e aprendizagem fortemente influenciados pelos referenciais Fordistas/Tayloristas, dominantes no século XX, já não são mais suficientes. Ou seja, a escola tradicional, que desempenhou, com competência e pertinência, papel central em tempos recentes, está distante de atender plenamente às demandas do mundo contemporâneo.

 

Se no século passado a capacidade de memorizar conteúdo e a aprendizagem de técnicas e procedimentos eram o centro, atualmente o amadurecimento dos níveis de consciência do educando acerca de como ele aprende torna-se gradativamente mais relevante. Em termos mais simples, aprender a aprender passa a ser tão ou mais importante do que aquilo que foi aprendido.

 

Pessoas educadas são essenciais para a melhoria da qualidade de vida e para o aumento da competitividade e produtividade de um país. A formação de cidadãos aptos a desempenharem tarefas complexas é missão urgente e imprescindível. Explorar esta nova realidade, onde todos aprendem, aprendem o tempo todo e cada um aprende de forma personalizada, é, portanto, o maior de todos os desafios do mundo da educação.

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Figura: conforme linkado em “modelos matemáticos”.

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segunda-feira, 8 de janeiro de 2018 Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 09:42

2018: um ano e duas hipóteses

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Certas efemérides ganham algum sentido quando estimulam reflexões, conectando o passado recente com o futuro próximo, à luz do que enxergamos no presente. Garantia de acerto ninguém pode dar quando fazemos prognósticos, mas estes melhoram muito quando as percepções são mais acuradas. Ainda que as hipóteses sejam múltiplas, tão variadas como aqueles que as formulam, é tentador pensar em bifurcações simplificadoras. Portanto, o número dois aqui é representativo dos ramos principais e alguns elementos essenciais, sem pretender ser completo ou contemplar os infinitos galhos e variantes deles decorrentes.

 

Do ponto de vista da economia, temos especiais oportunidades para aumentar de forma significativa nosso padrão de produtividade, caminhando em direção a um desenvolvimento econômico que seja sustentável do ponto de vista social e ambiental. Vivemos um acelerado processo de globalização, onde as transações internacionais são, em parte, resultantes do parâmetro produtividade média dos trabalhadores de cada país. Indicadores de produtividade mantêm estreitos vínculos com a capacidade de inovação e a qualidade da educação da população, entre outras variáveis. O Brasil no comércio global responde por somente insuficientes 1,2% das transações, ou seja, menos da metade de nossa participação percentual de população no planeta, evidenciando nossas fragilidades competitivas ao lado do efetivo potencial de crescimento. No ano passado, houve alta de 18% nas exportações, indicando que podemos escalar posições no ranking global, especialmente se ampliarmos acordos com espaços como União Europeia e Índia.

 

Aumentar produtividade é, principalmente, melhorar o nível educacional. Os resultados do PISA (Programa Internacional de Avaliação dos Estudantes), promovido pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), envolvendo jovens de 15 anos de mais de mais de 70 países, demonstram de forma inequívoca nosso passivo extremado. Classificado em 6 níveis, o nível 4 em matemática é o mínimo indicado para as carreiras tecnológicas, fortemente associadas à capacidade de inovar. No Brasil, somente 4% atingem o nível quatro, em comparação com 38% na Austrália, 43% no Canadá e 52% na Coréia.

 

Do ponto de vista social, temos elementos mais do que suficientes para nos convencermos de que o abismo social entre os mais ricos e os mais pobres inviabiliza o desenvolvimento sustentável. Temos, ao longo do tempo, obtido alguns sucessos em aumentar a escolaridade média, na erradicação da miséria e na redução dos índices de mortalidade infantil. Por outro lado, falhamos, e muito, em diminuir a violência, parte dela resultante das citadas disparidades sociais, e, principalmente, em ampliar a qualidade do ensino, com destaque negativo para o ensino médio. As discussões e as aprovações em curso da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) representam passos positivos em direção a, pelo menos, sairmos da simples constatação do desastre. Mesmo assim são, claramente, medidas insuficientes para encaminharmos o complexo tema da qualidade da educação.

 

Quanto à política, teremos as eleições nacionais. A questão passa a ser menos quem as vencerá e mais quão legitimados estarão o novo presidente e seus parlamentares parceiros para implementar aquilo que prometeram na campanha. A melhor perspectiva é um debate equilibrado e racional e, fruto deste, as consequentes escolhas conscientes pela maioria. Entre os temas principais, o papel e do tamanho do Estado. Seja um Estado eficiente e menos intervencionista ou, alternativamente, um Estado amplo, promotor central do desenvolvimento, ainda que em regimes de parcerias com os diversos atores da sociedade. A pior perspectiva seria um debate extremado e irracional, em que, por certo, eventuais vencedores terão opositores ferozes e enormes dificuldades em implementar as propostas que apresentaram nas eleições. As discussões terão sido suficientes unicamente para estimular a militância radicalizada e para convencer uma maioria eleitoral frágil. Porém, incapazes de agregar, pós-período eleitoral, uma predominância legitimada e substantiva que consiga levar adiante os temas mais relevantes para o país.

 

Longe de ter o peso dos temas acima, mas é também ano de Copa da Mundo. De um lado podemos ser surpreendidos por Suíça, Costa Rica e Sérvia, ficando a exemplo de 1966, fora das oitavas. Por outro, podemos, como temos o legítimo direito de esperar, uma belíssima final com Alemanha, na qual possamos nos redimir de vez de um passado nem tão distante. Assim como nos assuntos anteriores, não precisamos revidar os 7 a 1 de imediato, mas necessitamos urgentemente sentir que, ao menos, estamos na direção correta, tanto no tempo como no espaço.

 

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Imagem em Domínio Público: exquisite-pictures-of-paths-exquisite-fork-in-the-road-2-paths-hr-ringleader.jpg

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sexta-feira, 15 de dezembro de 2017 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Inovação e Educação | 09:28

Adeus Wikipédia, bem-vinda Everipédia/Blockchain

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Uma das principais marcas deste começo de milênio é a Wikipédia, um projeto bem sucedido de enciclopédia colaborativa, universal e multilíngue. O objetivo central tem sido fornecer conteúdo livre, objetivo e verificável, onde todos, dentro do espírito colaborativo/wiki, podem voluntariamente editar e continuamente aprimorar as informações sistematizadas e disponibilizadas gratuitamente.

 

A comunidade Wikipédia é essencialmente cooperativa, sem hierarquia, onde todos os membros podem criar ou editar um artigo, desde que sigam as regras básicas estabelecidas por eles mesmos. O enorme sucesso parecia indicar que estávamos diante de um fenômeno sem limites e duradouro eternamente. Percebemos hoje que essa previsão era ingênua. Dando um adeus à Wikipédia, vem aí a próxima geração, a Everipédia, a enciclopédia de tudo, baseada em novas estratégias e tecnologias, como blockchain, não disponíveis anteriormente.

 

Everipédia, com seus mais de seis milhões de artigos, já nasce como a maior enciclopédia da língua inglesa, sendo absolutamente livre para ser modificada e utilizada. Tudo isso dentro da cultura de criações coletivas e fazendo uso de novas normas estabelecidas e amparadas em tecnologias inovadoras.

 

Há algo em comum entre as duas “pédias”, um dos fundadores da Wikipédia, Larry Sanger, é também um dos dirigentes atuais da Everipédia e, particularmente, um entusiasta do uso da tecnologia blockchain, de tanto sucesso nas criptomoedas (Bitcoin, Ethereum etc.), agora aplicado ao mundo das enciclopédias.

 

Entre as diferenças, destaco a descentralização e a “tokenização”. A Wikipédia é uma plataforma hospedada de maneira ainda tradicional e centralizada, o que, por sinal, permite que alguns países (China, Turquia e Rússia, entre outros) dificultem o seu acesso. Diferentemente, a Everipédia nasce com sua biblioteca hospedada de forma totalmente descentralizada, viabilizando que todos os seus usuários e editores possam acessar e modificar o seu conteúdo de diversos e ilimitados servidores.

 

A “tokenização”, por sua vez, vem junto com a adoção da tecnologia blockchain, a qual garante a coerência dos artigos e impede, ou tenta impedir, que qualquer usuário altere os dados que possui em sua máquina sem a devida aprovação da comunidade de editores. Uma novidade associada é que todos os editores serão recompensados com pontos ao criar ou atualizar os conteúdos disponíveis na plataforma. Ao editar algo, o proponente gasta parte de seus pontos, sendo que, se sua contribuição for aprovada, ele recebe seus pontos de volta, acrescidos de adicionais em recompensa pelo sucesso. Alguém mal-intencionado ou sem noção (eles existem) jamais teria pontos suficientes para, de forma deliberada e inadequada, ousar propor mais alterações do que o razoável.

 

Em suma, se hoje, dentro das tecnologias e das possibilidades atuais, a Everipédia disponibiliza mais de seis milhões de artigos, o cenário seguinte permite vislumbrar passarmos, em breve, de uma centena de milhões de artigos. Neste caso, contemplando tudo o que já foi formulado, abrindo espaço para o que potencialmente possamos vir a criar dentro deste revolucionário ambiente. Revolucionário? Sim, até que algo, ainda a ser desenvolvido, surja para dar um novo adeus àquele que hoje chega confiante que será para sempre. E será, pelo menos enquanto dure.

 

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sexta-feira, 1 de dezembro de 2017 Educação e Tecnologia, Inovação e Educação | 16:19

O maoísmo digital e a droga chamada Facebook

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Se alguém avesso ao mundo digital fizesse as acusações acima seria fácil debitar às naturais resistências aos avanços tecnológicos em curso. Mas, quando Jaron Lanier, considerado o pai da realidade virtual e eleito pela revista TIME como uma das 100 pessoas mais influentes do mundo, há que se prestar a devida atenção.

 

Lanier criou em 1985 a empresa VPL que foi a primeira a utilizar comercialmente capacetes com telas acoplados a computadores, viabilizando “enganar” o cérebro. Ainda que sua empresa tenha durado somente cinco anos, a tecnologia de realidade virtual é uma das bases principais dos avanços em modelagem, simulação e design do mundo contemporâneo. As aplicações são ilimitadas e vão desde a fabricação de produtos a variados usos nas áreas médica, militar e educacional, entre outras.

 

Lanier é autor de alguns livros, com destaque para “The Dawn of the New Everything” (em português, “O Despertar de Todas as Novas Coisas”). Nesta obra, de caráter autobiográfico, ele relata a história do surgimento da realidade virtual. Recentemente, a edição da BBC Brasil trouxe uma interessante matéria com ele destacando a analogia entre redes sociais e drogas. Lanier afirma evitar as redes pela mesma razão que evita as drogas, ou seja, por sentir que ambas podem lhe fazer mal.

 

Um de seus mais conhecidos textos é intitulado “Maoísmo digital:  os perigos do novo coletivismo online”, escrito para a revista Edge, em maio de 2006. Nele, uma crítica forte a ferramentas tipo Wikipédia é apresentada por passarem a percepção de uma suposta inteligência coletiva que tudo sabe e a tudo conhece, a chamada “sabedoria das multidões”. Segundo ele, isso nada tem a ver com democracia ou meritocracia, tendendo sim, na prática, a permitir espaços para visões extremadas e totalitárias, ainda que adotando uma roupagem tecnológica e futurista.

 

Uma das preocupações mais graves de Lanier é com o efeito psicológico do Facebook sobre os jovens, especialmente na formação das personalidades dos adolescentes e na construção de seus relacionamentos. Diz ele: “As pessoas mais velhas que já têm vários amigos e que perderam contato com alguns podem usar o Facebook para se reconectar com uma vida já vivida. Porém, se você é um adolescente e está construindo relacionamentos pelo Facebook, você é obrigado a fazer a sua vida funcionar de acordo com as categorias que o Facebook impõe. Você precisa estar num relacionamento ou ser solteiro, tem que clicar numa das alternativas apresentadas. Isso de se conformar a um modelo digital limita a pessoa, restringe sua habilidade de se inventar e impede de criar categorias que melhor se ajustem a você mesmo.”

 

Lanier expressa também uma inquietação especial com a forma como Facebook, Google, Twitter e outros sites utilizam os dados de seus usuários. Diz ele: “Existem dois tipos de informações: dados a que todas as pessoas têm acesso e dados a que as pessoas não têm acesso. O segundo tipo é que é valioso porque esses dados são usados para vender acesso a você. Vão para terceiros, para propaganda. E o problema é que você não sabe das suas próprias informações mais”.

 

Por fim, em que pesem as suas provocações típicas, Jaron Lanier persevera no otimismo com as novas tecnologias, afirmando sempre que ainda há muito a evoluir, seja em realidade virtual ou em outras ferramentas. Lanier considera que o que temos hoje é demasiadamente preso ao passado, tal qual o cinema que, no seu início, se restringia a filmar o teatro. Hoje, o cinema é uma arte independente do teatro.

 

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Figura em Domínio Público: https://iseultandbloom.org/images/singularity/jaron-lanier.png

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terça-feira, 28 de novembro de 2017 aprendizagem, EaD, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 09:01

Lançamento do livro e do aplicativo em Brasília dia 05/12 na ABMES

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No próximo dia 05/12, terça-feira, das 08h30 às 12h30, em Brasília-DF, na sede da ABMES,  o livro “A Arte da Educação” e o app “Ronaldo Mota Online” serão lançados.

 

Aqueles interessados em adquirir o livro online podem fazê-lo imediatamente via o link da Editora Obliq:  https://www.obliq.com.br/uc6e0tmk-a-arte-da-educacao.

 

Com o aplicativo “Ronaldo Mota Online”, desenvolvido em conjunto com Digital Pages, será possível acessar gratuitamente a versão completa do e-book “A Arte da Educação” e os diversos depoimentos realizados sobre a obra, para leitura tanto em modo online quanto off-line. Diversas ferramentas interativas de leitura estarão disponíveis, como anotações, favoritos, sumário, ferramentas de busca, atalhos para páginas e um menu ajuda. Para acessar o aplicativo, basta baixá-lo, a partir de 05/12, em uma das lojas disponíveis (Google Play ou Apple Store).

 

Abaixo, mais sobre a obra:

 

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A ARTE DA EDUCAÇÃO

 

Ao início era a obra

com cara de segunda-feira.

 

Trigo na forma bruta

água que não faz espuma

letras que se desentendem

movimento e energia.

 

Em seguida vem o corpo

expressão de sexta-feira.

 

Massa enquanto barro

caldo que se mistura

sentenças que se conversam

cansaço querendo espaço.

 

No meio temos o forno

com jeito de precisão.

 

Alimento quase pronto

recheio que se junta

páginas que se seguem

fome de conclusão.

 

Tempo feito em partes

a arte da educação.

 

Ciclo permanente

quando todos aprendem

aprendem o tempo todo

cada um cada qual.

 

Final lembrando recomeço

parecido mas diferente.

 

Não somos mais os mesmos

sabemos pouco mais

cientes que nunca fecha

nova volta a completar.

 

Ronaldo Mota

 

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segunda-feira, 13 de novembro de 2017 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 17:17

Lançamento do livro: “A Arte da Educação”

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Latoncamento

 

 

No próximo dia 22/11, quarta-feira, às 18h, no Centro Cultural do Banco do Brasil/CCBB, no Rio de Janeiro-RJ, lançarei o livro “A Arte da Educação”. Ainda neste ano, teremos outros lançamentos: em Brasília-DF na Associação Brasileira de Mantenedores do Ensino Superior/ABMES (dia 05/12, terça-feira, pela manhã) e em Santa Maria-RS, na CESMA (dia 23/12, sábado, às 10h30). Em outras cidades, lançamentos somente em 2018.

 

A versão impressa estará disponível para aquisição online, diretamente da Editora Obliq (a ser anunciado em breve). Simultaneamente, a obra, no formato e-book, estará também disponível via o app “Ronaldo Mota Online”, desenvolvido em conjunto com Digital Pages (detalhes em breve).

 

A obra trata da relevância de se entender o ofício educar como arte. Um conjunto de artigos, alguns inéditos e outros já publicados na coluna Reitor Online do Portal iG, no blog da ABMES e na página do Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras/CRUB, são apresentados em capítulos temáticos.

 

Arte diz respeito às variadas e complexas formas de expressão estética e de comunicação, utilizando inúmeras linguagens e, especialmente, contemplando inspiração e criatividade. Educação, por sua vez, está genericamente associada ao processo de ensinar e de aprender conhecimentos de forma sistemática e organizada.

 

Ensinar, de certa forma, envolve técnica e procedimentos; educar, no século XXI, tende a ser progressivamente uma arte, que inclui a técnica, mas a transcende, contemplando também criatividade, inovação, empreendedorismo, metacognição etc. Não se trata, portanto, de minimizar o ensino, como o conhecemos hoje, mas sim de evidenciar sua insuficiência no mundo contemporâneo.

 

Ensinar nos padrões tradicionais nos tempos passados recentes teve enorme sucesso porque se mostrou compatível e coerente com as demandas de então. A complexidade atual exige ir muito além, introduzindo novidades, a maior parte delas decorrentes de um cenário mediado pela emergência disruptiva das tecnologias digitais.

 

O educador está progressivamente se transformando em artista, o qual se expressa também como designer educacional trabalhando coletivamente. Os tempos de aprendizagem, anteriormente estanques, agora dispensam limites, podendo ocorrer a qualquer hora, em qualquer lugar e ao longo de todo o tempo, obrigando conjugar educação com a própria vida, de forma indissolúvel e indissociável.

 

Educação, dentro dessa abordagem, contribui com erodir a separação entre vida e arte. A arte da educação viabiliza entender melhor o educando, o educador e, consequentemente, a vida. Educação, arte e vida, conjuntamente, esclarecem complexidades e preparam a todos para desafios que somente assim se permitem serem decifrados e resolvidos. Educar em consonância com as exigências deste século é sim uma forma de arte. Conhecimentos específicos, domínio de técnicas e conhecimentos são relevantes, porém, não mais suficientes. Aprender a conhecer transcende aqueles ingredientes, demandando elementos que somente a arte pode nos inspirar.

 

Como autor, destaco os doze Depoimentos que apresentam a obra. Pedro Thompson, Presidente da Estácio, Fábio Coelho, CEO do Google/Brasil, Renato Janine Ribeiro, ex-ministro da Educação, Maria Helena Guimarães de Castro, secretária-executiva do MEC, Sérgio Rezende, ex-ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Vanderlan Bolzani, vice-presidente da SBPC, Edson Nunes, ex-presidente do CNE, Fredric Litto, presidente da ABED, Ana Estela Haddad, diretora de Relações Institucionais da ABTms, Arnaldo Niskier, membro da ABL, Robert Cowen, Instituto de Educação da Universidade de Londres, e Senador Pedro Chaves, ex-reitor da Uniderp. Não é falsa modéstia opinar que eles são mais interessantes do que a própria obra, dado que são profissionais muito especiais, cujas críticas me deixam particularmente lisonjeado e suas opiniões, mais do que tratarem da obra, são partes integrantes dela. Com muito orgulho do autor.

 

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