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quinta-feira, 6 de agosto de 2015 Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 09:13

A melhor sala de aula

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O mundo aí fora é, de fato, a melhor sala de aula que existe. Ele contém todos os elementos que o processo ensino-aprendizagem precisa para explorar e explicar todas as áreas do conhecimento. Afinal, não há melhor laboratório para ciências naturais do que o ambiente aberto. Podemos sim aprender ótica vendo um arco-íris, estudar reações químicas na atmosfera ou estudar biologia observando os animais e as plantas como eles efetivamente são.

Claro que há e sempre haverá espaço para as salas de aulas, sejam elas presenciais ou a distância, enquanto locais para sistematização, exploração de modelagens e cristalização dos conhecimentos adquiridos. Porém, se educação puder ser conjugada com atividades no mundo exterior, certamente, ela será mais enriquecedora e estimulante aos olhos dos educandos.

No ensino superior, uma experiência recente levou a abordagem acima às últimas consequências e tem sido acompanhada como um caso de extremo sucesso. Trata-se da Universidade Minerva, em São Francisco-USA, no Vale do Silício. Criada em 2012, ela não tem um campus tradicional, não dispondo de salas de aula, bibliotecas ou laboratórios. Ela adotou as ruas como seus campi e o fez, até aqui, com muita pertinência. Os estudantes compartilham dormitórios da instituição e as aulas, especialmente ao longo do primeiro ano comum, são videoconferências desenhadas pelos melhores tutores disponíveis na atualidade. Refiro-me a nomes como Larry Summers, ex-reitor da Universidade Harvard e ex-secretário do Tesouro americano, Bem Nelson, grande executivo com passagens pela HP, Snapfish e Disney, o conhecido neurocientista Stephen Kosslyn, uma das maiores autoridades do mundo em psicologia cognitiva, entre outros. Em suma, o desenho da trajetória desses alunos ao longo de quatro anos de graduação é fruto da contribuição de pessoas altamente capazes de interpretar o mundo contemporâneo.

Nos três anos seguintes ao primeiro ano em São Francisco, todos os alunos devem passar seis meses em seis cidades diferentes do mundo (Berlim, Buenos Aires, Seoul, Bangalore, Londres e Istambul) cumprindo o desenho previsto nos respectivos percursos, os quais foram desenhados, bem como serão acompanhados, por seus mestres. Os custos para os alunos são muito acessíveis, comparados com instituições similares, e incluem todas as despesas com acomodações e alimentação. Difícil para o aluno é ser selecionado, dado que a concorrência é altíssima, bem maior do que Harvard, Yale, MIT, Stanford etc. Obviamente que os primeiros formandos da Minerva serão disputados pelo mercado por seus diferenciais impressionantes, a começar pela experiência internacional sem precedentes no ensino superior clássico. Vale a pena acompanhar, de olhos bem abertos, esta experiência (https://www.minerva.kgi.edu/).

No Brasil, temos experiências igualmente interessantes na educação não formal. Por exemplo, o “Rolé Carioca”, iniciado por professores de história da Universidade Estácio de Sá, desenvolve passeios históricos ao ar livre por bairros do Rio, contribuindo com que os participantes se situem histórica e geograficamente de forma muito enriquecedora. Eu mesmo, novato no Rio, tenho sido aplicado aluno destas atividades que reúnem dezenas, centenas, às vezes até milhares, de animados participantes.  Há uma ênfase na descrição comentada dos conjuntos arquitetônicos, associados de forma muito criativa aos bens imateriais do ambiente, tais como personagens, acontecimento, cheiros e sabores. Para quem quiser saber mais, acessar https://www.facebook.com/RoleCarioca.  Soube que vem aí algo do tipo “Rolé Brasilis” ou mesmo “Rolé Mundo”. A conferir.

Em suma, aprender é sempre bom. Se puder ser em contato com o mundo externo fica muito mais prazeroso e eficiente.

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quarta-feira, 15 de julho de 2015 EaD | 12:13

Educação a distância: conjugar quantidade e qualidade

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Em um contexto em que a informação estará totalmente acessível, instantaneamente disponibilizada e gratuitamente ofertada, o processo ensino-aprendizagem será profundamente afetado e a incorporação de novas tecnologias e a introdução de metodologias inovadoras serão a marca destes novos tempos. Muito além da simples modalidade, o ensino a distância representa a real possibilidade de conjugarmos quantidade com qualidade e é o prenúncio de um novo período de educação híbrida e flexível, em um mundo globalizado e literalmente sem fronteiras.

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira, (LDB, Lei n.º 9.394, de 20 de dezembro de 1996) apresentou uma inovação no seu art. 80 estimulando o ensino a distância nos diferentes níveis. A criação da Secretaria de Educação a Distância (Seed/MEC), no início do Governo Fernando Henrique Cardoso (1994-2002), representou uma iniciativa positiva para a institucionalização da modalidade. No Governo Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2011), houve um significativo avanço da educação a distância, chegando ao quadro atual em que a educação a distância é a principal responsável pelo crescimento de matrículas no ensino superior.

Educação a distância baseada nas tecnologias digitais rompe fronteiras entre as nações e cumpre o mesmo papel no interior de cada país. Particularmente no Brasil, onde ainda não completamos sequer metade do caminho previsto no Plano Nacional de Educação (PNE) da década passada – “garantir acesso ao ensino superior a 30% dos jovens entre 18 a 24 anos” –, a utilização da modalidade é certamente imprescindível e estratégica para oportunizar que interessados de todas as classes sociais possam ter acesso à educação superior. Além disso, como apontado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep/MEC), progressivamente, mais de 40% dos ingressantes no ensino superior estão em faixas etárias mais maduras (acima de 24 anos). Esta população demanda metodologias educacionais próprias capazes de permitir que mesmo tardiamente, possa qualificar-se profissionalmente.

Distintamente da educação presencial, na educação a distância a escala não compromete a qualidade, muito pelo contrário. Todos os especialistas internacionais têm segurança em afirmar que a racionalidade e a economicidade envolvidas na modalidade permitem baixar custos e aumentar qualidade simultaneamente. Tal que é mais do que razoável afirmar que na boa educação a distância pode-se obter o dobro da qualidade pela metade dos custos.

Os estímulos para o estudo antes das aulas,   a ênfase na existência de portais eletrônicos, aprender a não ter medo de utilizar plataformas, o estímulo à aprendizagem independente e ao ensino baseado em solução de problemas, incluindo metodologias que levem em conta os ambientes do mundo do trabalho, são exemplos de iniciativas que podem ampliar nos educandos habilidades e competências desejadas.

Pessoas educadas são essenciais para a melhoria da qualidade de vida de todos e para o aumento da competitividade e produtividade de um país. A formação de profissionais atualizados é estratégica para as economias competitivas globais. Profissionais com pouca escolaridade desenvolvem de um modo geral  atividades manuais simples, sendo quase impossível a adaptação deles às técnicas e aos processos de produção mais sofisticados. Portanto, a formação de cidadãos aptos a desempenhar tarefas complexas e dispostos a enfrentar os desafios das novas e desconhecidas demandas, por meio do uso intenso e consciente de tecnologias inovadoras, é essencial para a educação contemporânea.

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