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sexta-feira, 12 de outubro de 2018 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 10:58

MENSAGEM AOS PROFESSORES

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Educar envolve mais do que transmitir conhecimento. Educação abre as portas para que cada educando desfrute ao máximo daquilo que, potencialmente, todos dispomos: inteligência, entendimento e sabedoria.

Dentre todas as espécies, somos a única que possui a incrível habilidade de transmitir cultura e conhecimento de forma organizada e consciente aos nossos descendentes. Os mais diversos ensinamentos, técnicas e procedimentos eram e são transmitidos pelos mestres aos seus aprendizes, os quais, após ritos de aprendizagem, se transformavam em profissionais e cidadãos mais bem preparados.

E assim tem sido ao longo dos tempos. Nos dias atuais vivemos grandes desafios, especialmente pela abrupta emergência das tecnologias digitais que a tudo modifica e transforma. Educar, mais do que nunca, é emancipar o educando para ser capaz de enfrentar problemas inéditos.

Contemporaneamente, educar é promover a aprendizagem independente ao longo de toda a vida, entendendo que cada educando aprende de maneira única e personalizada e que todos aprendem, em qualquer lugar e o tempo todo. Educar é também entender o outro e fazer algo a partir disso, aprendendo a trabalhar em equipe de forma cooperativa e solidária.

Temos, como educadores, a possibilidade de contribuir para que o educando se emancipe, dominando a arte de aprender a aprender continuamente, gerando as condições para um desenvolvimento econômico, social e ambiental sustentável.

Caros Docentes, Parabéns.

Comemoremos, merecidamente, o Dia do Professor.

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Figura em Domínio Público: http://www.clker.com/clipart-655940.html

 

 

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segunda-feira, 6 de agosto de 2018 aprendizagem, EaD, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 14:07

Concluintes do Ensino Médio: diminuição ou novos caminhos?

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O número de concluintes do Ensino Médio Regular em 2017, algo em torno de 1 milhão e 780 mil, é 2,6% menor do que o de 2016, 1 milhão e 830 mil, aproximadamente. De fato, são números assustadores em si, porém, não é tão simples indicar que eles, isoladamente, impliquem em retração inevitável de interessados em Educação Superior nos próximos anos. Claro que o desejável seria termos um crescimento contínuo e substantivo de jovens se formando naquele nível, no entanto, há outros fenômenos ocorrendo simultaneamente e que devem ser levados em conta.

 

No último domingo (05 de agosto), foi aplicado o Exame Nacional para a Certificação de Competências de Jovens e Adultos (ENCCEJA), quando 1 milhão e 340 mil inscritos, número 7,6% maior do que no ano anterior, visam a obtenção do diploma de Ensino Médio. Parte significa deles declara a expectativa de, posteriormente, pleitear vagas no Ensino Superior. Assim, é possível observar que a diminuição de formandos no Ensino Médio Regular é compensada pelo incremento, mais do que o dobro de um ano para outro, de potenciais postulantes vindos por um outro caminho.

 

Duas observações preliminares sobre o ENCCEJA. Primeira, o exame é constituído basicamente de quatro partes: matemática; ciências da natureza suas tecnologias; linguagens e códigos; redação; e ciências humanas e suas tecnologias. Segunda, o Exame Nacional de Ensino Médio (ENEM) até 2016 possibilitava o recebimento de diploma do Ensino Médio, sendo que mais de 1 milhão de postulantes ao ENEM atestavam ter tal objetivo como requisito essencial para o ingresso no nível superior.

 

Assim, parte da dinâmica de interesses e opções acima parece estar associada ao relativo e crescente desinteresse dos jovens pelo Ensino Médio Regular na forma que ele é hoje. No passado, os postulantes do ENCCEJA e de seus exames predecessores eram basicamente pessoas maduras que haviam perdido a oportunidade de estudar quando na idade apropriada. Contemporaneamente, é crescente a quantidade de jovens que preferem aguardar completar 18 anos para, via caminhos alternativos, testar seus conhecimentos e, se aprovados, obter seus certificados.

 

Interessante observar que, pela primeira vez, é significativo e crescente o percentual de candidatos ao diploma de Ensino Médio que consegue acesso ao conteúdo do exame via outras formas, que não a escola tradicional. Atualmente, há várias iniciativas inéditas e estão disponíveis um conjunto de atraentes portais educativos de qualidade, parte deles gratuitos e os demais acessíveis a baixos custos. Tais caminhos se mostram cada vez mais interessantes àqueles que expressam compatibilidade com metodologias e tecnologias que permitem ao educando aprender o tempo todo e em qualquer lugar.

 

Não deve surpreender a ninguém que acompanha os processos educacionais no Brasil o fato de que, em poucos anos, o número de matrículas do Ensino Superior na modalidade a distância superará o correspondente no presencial. Da mesma forma e mais enfaticamente ainda, quanto às crianças e os mais jovens, sempre que eles tiverem a opção de explorar novas abordagens educacionais, desde que demonstrem mais compatibilidade com as formas segundo as quais eles vivem, trabalham e se relacionam com amigos e família, parte deles assim procederá.

 

São fenômenos complexos e com variáveis múltiplas. Portanto, na tentativa de simplificá-los, corremos o risco de gerar interpretações equivocadas ou demasiadamente parciais. Porém, parece inequívoco que, em geral, a tendência aponta para um sucesso educacional relativamente maior via a adoção progressiva de metodologias híbridas e flexíveis. Ou seja, a partir da incorporação apropriada de tecnologias digitais, é possível propiciar um ensino personalizado, mais atraente e eficiente. Desta forma, temos a oportunidade de cumprir com os objetivos de uma educação de qualidade para muitos, propiciando que todos estudem, desde que atendendo à indispensável customização que leva em conta o fato de que cada educando aprende de maneira pessoal e única.

 

 

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Imagem em Domínio Público: https://pixabay.com/pt/on-line-educa%C3%A7%C3%A3o-tutorial-3412473/

 

 

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sexta-feira, 20 de julho de 2018 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior | 08:18

Educação: mais recursos versus melhor gestão

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O relatório “Aspectos Fiscais da Educação no Brasil”, divulgado pela Secretaria do Tesouro Nacional do Ministério da Fazenda no último dia 06 de julho, aborda tema pertinente e estratégico para o país. O investimento brasileiro em educação, da ordem de 6% do Produto Interno Bruto (PIB), é comparado com a média de investimentos de 5,5% do PIB dos países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

 

A iniciativa é meritória e os números são precisos; mesmo assim, corre-se o risco de tentar justificar investir menos em educação porque a gestão precisa ser melhorada. Tal raciocínio é tão inadequado como desprezar inadiáveis melhorias de gestão antes que sejam assegurados mais recursos para a área. Mais investimentos, aprimoramentos na gestão e corretas definições de prioridades são missões urgentes e precisam ser realizadas de forma simultânea e sincrônica. Em educação, restringir recursos é mortal, porque asfixia definitivamente, e ser desleixado com a implementação imediata de padrões de eficiência e eficácia são, igualmente, crimes de lesa-pátria.

 

O papel essencial dos processos de aprendizagem é emancipar o educando, preparando-o para a vida, em todas as suas dimensões. Uma das funções estratégicas da educação é garantir força de trabalho qualificada, tal que os produtos e serviços de um país possam ser competitivos globalmente. Dispor de uma geração educada garante ambientes domésticos que favorecem o processo de aprendizagem da próxima.  Nações com carências educacionais maiores, como é o caso do Brasil, demandarão, naturalmente, mais investimentos do que a média de seus principais competidores. Assim, em um cenário onde a população adulta é educacionalmente frágil, o Estado se sobrecarrega em sua tarefa de garantir condições adequadas aos mais jovens.

 

O relatório destaca que da despesa primária da União com educação (R$ 117,2 bilhões em 2017) quase 70% é destinado ao ensino superior e o restante à educação básica. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira (LDB), Lei 9394/96, estabelece que a educação básica é prioritariamente responsabilidade de Estados e Municípios, em regime de colaboração, e com assistência da União. Define também que a União incumbir-se-á dos processos regulatórios das instituições de educação superior e o estabelecimento do seu sistema de ensino. Assim, na prática, o aumento da proporção na arrecadação da União dos investimentos em educação de 4,7% para 8,3% entre 2008 e 2017, embora tenham impactado positivamente a educação básica, migraram principalmente para a manutenção do ensino superior. Infelizmente, o crescimento dos investimentos da União em relação ao PIB neste período, de 1,1% para 1,8%, não foi acompanhado na mesma proporção pelos Estados e Municípios.

 

O drama nacional é que, embora tenhamos registrado significativos avanços quanto à oferta de vagas em todos os níveis de ensino, permanecemos com deficiências extremas e ocupamos as últimas posições nas avaliações internacionais. A título de exemplo, no Pisa (Programme for International Student Assesment), promovido pela OCDE e dirigido a jovens na faixa dos 15 anos, estamos, entre 70 países participantes, na 63ª posição em ciências, 59ª em leitura e 66ª em matemática. São, de fato, resultados alarmantes e inaceitáveis para um país com o potencial que o Brasil tem e que precisa promover imediatamente um desenvolvimento econômico, social e ambiental sustentável.

 

O relatório, ainda que pertinente em sua temática, demonstra um preocupante viés ao estabelecer enquanto principal desafio o aprimoramento da gestão nos processos educacionais. O risco evidente é findar sendo mais uma explicação para cortes de investimento e menos reflexões em direção a uma visão sistêmica que vise a conjugar esforços de mais recursos acompanhados de melhorias nos processos de gestão. Em suma, investir mais e melhor é decifrar o falso dilema entre dois aspectos que não se contrapõem. Ao contrário, são interdependentes, complementares e caminhos essenciais para que tenhamos alguma perspectiva de futuro enquanto nação.

 

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Figura disponível em: https://dcvitti.com/2018/07/06/o-que-a-biblia-diz-sobre-o-capitalismo/

 

 

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terça-feira, 26 de junho de 2018 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 14:52

Nômades digitais: desempregados, sem-teto e felizes

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A revolução decorrente da onipresença das tecnologias digitais está progressivamente alterando elementos essenciais do mundo do trabalho e modificando as formas como moramos e como convivemos. Expressões dessas mudanças são os novos espaços urbanos delas decorrentes. Entre eles, surgem, com grande destaque, as experiências de coworking e de coliving.

 

Coworking, de forma resumida, traduz um novo ambiente de trabalho, a partir do qual pequenas empresas e profissionais autônomos se relacionam com seus clientes, seus fornecedores e estabelecem laços entre si. São espaços democráticos compartilhados que permitem o desenvolvimento dos mais variados projetos sem as burocracias e as hierarquias dos escritórios convencionais e sem padecer do isolamento do chamado home office.

 

Oferecer uma adequada infraestrutura similar aos escritórios convencionais, incluindo todas as formas de atendimento e salas para receber clientes, é somente o ponto de partida de empreendimentos como esses. Acresçam-se a isso, ambientes inspiradores, especialmente pensados para o trabalho autônomo, a possibilidade de novos relacionamentos e a garantia de oportunidade de diversão a todos.

 

Os coworkings crescem a olhos vistos. No Brasil, já são centenas; no mundo, milhares. A título de exemplo, a empresa WeWork, fundada há somente oito anos, já é a segunda maior usuária de espaços de escritórios em Londres, perdendo apenas para o Governo Britânico. O sucesso dos coworkings não decorre somente de criatividade, mas, fundamentalmente, do fato que migramos de um modelo de desenvolvimento econômico, social e ambiental que demandava profissionais especialistas para um novo cenário onde o principal predicado é a flexibilidade. Ser flexível, em geral, passa por ter uma formação universitária que permita ao profissional encarar qualquer desafio sem o temor de decifrá-lo e cumpri-lo. Ter flexibilidade também é ter a disponibilidade de migrar de uma cidade para outra, bem como a habilidade de executar as tarefas em ambientes semelhantes aos que os espaços de coworking oferecem.

 

Por sua vez, os espaços coliving representam o estado da arte do hábito humano de viver em comunidade, desde as eras mais longínquas. A convivência em tribos e clãs foi sendo, progressivamente, adaptada à vida urbana e ao aumento da densidade demográfica. Atualmente, nesta etapa da história, há uma tendência em se questionar se ainda vale a pena manter uma moradia particular, com altos gastos e pouca socialização. Surge a alternativa de derrubar paredes, enfrentando a crise da falta de espaços físicos, e questionar os ideais de individualização e a falta de racionalidade dos modelos vigentes.

 

O conceito de coliving, que estimula a integração, a sustentabilidade e o espírito de colaboração, remonta ao início da década de 1970 com a experiência dinamarquesa do Cohousing Saettedammen. Tratava-se de uma comunidade com 35 famílias, na Dinamarca, onde as moradias permaneciam privadas e os demais espaços de convivência e atividades, como refeições e limpeza de ambientes eram compartilhados, com o objetivo de estimular o relacionamento entre vizinhos. Em 1988, o arquiteto norte-americano Charles Durrett adotou a mesma perspectiva sustentável em seus empreendimentos. Ainda que em outro contexto, o coliving apresenta algum nível de semelhança com as tradicionais repúblicas de estudantes, resguardadas suas diferenças de tempos e propósitos.

 

A combinação do coworking com o coliving estimula que trabalho, relacionamentos e entretenimento sejam frutos de compartilhamentos sem barreiras ou fronteiras estanques. Lar, escritório e clube num pacote único somado ao fato que podemos migrar a cada mês, semestre ou ano de um ambiente para outro a milhares de quilômetros sem burocracia ou perda de tempo com novos ajustes. Considerando que a tendência nas atividades profissionais inclui não somente a diversidade de ocupações, mas também a multiplicidade de oportunidades de moradias em cidades distintas, denominou-se esta geração movida a coworkings e colivings de “nômades digitais”.

 

É ainda um pouco cedo, talvez ingênuo, para termos uma opinião definitiva sobre os desdobramentos dessas novas maneiras de viver. Por enquanto, sabemos apenas que esses nômades digitais aparentam estar felizes. Quem viver verá.

 

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Foto: Empresa WeWork, citada no texto, em Ipanema, Rio de Janeiro-RJ, Brasil. Ver link:

https://www.wework.com/pt-BR/buildings/ipanema–rio-de-janeiro

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domingo, 3 de junho de 2018 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 17:16

Educação: quando tudo ainda é pouco

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Educação tem uma propriedade quase única no rol de produtos ou serviços em geral. Alimentos, por exemplo, quando ingeridos em excesso podem fazer mal. Automóveis, a partir de uma certa concentração, geram engarrafamento e poluição. Dinheiro, em qualquer moeda, aumenta seu valor à medida que falte aos demais, atendendo ao pressuposto da valorização pela exclusividade ou baixa disponibilidade.

 

Educação segue a lógica contrária. Quando alguém é educado, individualmente a pessoa ganha, mas a comunidade à qual ela pertence é mais favorecida ainda. Ao sermos educados, um não tira do outro quando aprende ou ensina. Por outro lado, é certo que todos são prejudicados pela ausência de educação ou pelo ensino de má qualidade.

 

Além disso, não há nenhum antídoto melhor contra a violência do que pessoas educadas. Polidez gera gentileza, bem como agressividade promove brutalidade. Da mesma forma, a falta de emprego decorre, na maioria dos casos, da falta de escolaridade, evidenciada pelo fato de que o desemprego mais crônico está associado a lacunas nas competências e habilidades demandadas.

 

Mesmo sendo uma nação privilegiada em recursos naturais, o Brasil não consegue promover um desenvolvimento sustentável. Cresce, mas alterna ciclos de euforias com frustrações. Provavelmente, a mais relevante causa da não sustentabilidade do desenvolvimento é a baixa produtividade em geral. Há evidências de que o aumento da educação média da população traz reflexos imediatos para a qualidade de vida, gerando oportunidades de empregos e de negócios, e, consequentemente, maior competitividade global dos produtos e dos serviços de uma região.

 

Na área educacional, tudo que tem sido feito, na prática, é ainda muito pouco. Ressalte-se que tivemos avanços, ainda que insuficientes, tais como o aumento da percentagem do PIB na educação pública de 2,9% para 5,6% em uma geração, redução de 35% para 7% de crianças de 4 a 14 anos fora de escola e o analfabetismo adulto decresceu de 25% para 8% nesse período. No ensino superior, programas como PROUNI e FIES têm viabilizado que milhões tenham acesso às universidades. Mesmo assim, em que pesem esses resultados, educacionalmente, estamos muito aquém de outros países com os quais teria algum significado compararmos.

 

Há que, urgentemente, estabelecermos novas estratégias com focos mais claros, cujos impactos resultantes sejam, ao longo do tempo, mais efetivos. Uma proposta, de caráter complementar e não excludente de outras, seria estabelecer um ponto de corte etário, baseado em uma política pública de atenção diferenciada aos mais jovens, e que, progressivamente, atinja a todos os educandos em um futuro adiante.

 

O Art. 81 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei nº 9.394/1996) estimula a organização de cursos ou instituições de ensino experimentais. Dentro desse espírito, seria possível estabelecer um abrangente programa experimental, articulado entre todos os sistemas educacionais, via a adoção de práticas amparadas em flexibilidades e prerrogativas especiais. A título de exemplo, no primeiro ano de sua implantação, seria conferida atenção diferenciada somente à primeira série do ensino fundamental. Como orientação aos gestores escolares, os melhores professores e infraestruturas disponíveis seriam garantidos para esta série e recursos adicionais extraordinários seriam, especialmente, dirigidos a essas turmas.

 

Entre outras diversas ações, em função de uma convocação cívica nacional, atividades complementares no contraturno seriam desenvolvidas por profissionais voluntários com nível superior. Estes seriam selecionados e ficariam responsáveis por ações definidas pelas direções locais das escolas, em consonância com orientações gerais do programa. Ilustrando, um dentista voluntário poderia abordar, complementarmente, elementos de saúde e biologia, um engenheiro contribuições adicionais na matemática, artistas abordariam temas nas áreas de cultura e artes etc.

 

No ano seguinte, manter-se-ia o foco nas turmas inicialmente selecionadas, já agora na segunda série, e seriam incorporadas, com a mesma qualidade, as novas turmas do primeiro ano. Ao final de menos de uma década, teríamos formado uma nova geração educacional, agora frequentando o ensino médio, incluindo o profissionalizante. Ao se completar uma década e meia, estaríamos colhendo os devidos frutos no nível superior.

 

O único real privilégio destas novas gerações, diferenciadamente educadas, será carregar nos ombros o compromisso de colaborar para um desenvolvimento econômico, social e ambiental sustentável.

 

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Foto: Própria, vista da Universidade de Salamanca

 

 

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domingo, 27 de maio de 2018 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 16:58

O eixo do tempo na educação

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A seta do tempo é ainda um mistério para a ciência. As equações fundamentais da natureza são reversíveis, possibilitando irmos para frente ou para trás, sem ofendê-las. No mundo real, os processos se desenvolvem no sentido do passado para o futuro. Tal anisotropia temporal está ligada ao grau de desorganização do sistema, quantificada na termodinâmica por uma propriedade denominada entropia. Ao longo do eixo do tempo, a entropia média sempre aumenta.
Quanto à nossa percepção, vista do ponto de vista do tempo presente, é natural que observemos, contemporaneamente, marcas remanescentes de um passado, que insiste em não ir embora, convivendo com elementos de um futuro que ainda não chegou completamente.

 

Recentemente, estive participando de um evento na Espanha, celebrando os 800 anos da Universidade de Salamanca, que é uma das mais antigas universidades do mundo e referência de destaque na formação do pensamento ibero-americano. Restam poucas dúvidas que a instituição comemorará, daqui a dois séculos, o seu milênio com os mesmos louros e méritos de ser guardiã permanente das tradições e dos valores mais caros da comunidade acadêmica. No entanto, ela não está imune aos desafios dos tempos atuais, onde mudanças abruptas e radicais, inéditas em sua profundidade e na rapidez com que ocorrem, produzem impactos significativos em como ensinamos e promovem o surgimento de múltiplas formas surpreendentes de aprendizagem.

 

Tive a oportunidade de assistir naquela instituição quase milenar a uma mesa-redonda com seis educadores seniores apresentando suas visões quanto ao emergente mundo digital. Seus slides, em geral, com letras miúdas, reproduzindo quase literalmente os textos lidos, ilustram em termos de meios as mensagens proferidas. Salvo exceções, eram bem-intencionados analógicos tratando do inusitado digital. Por mais que percebessem as alterações em curso no presente, suas abordagens, naturalmente, expressavam, na forma e no conteúdo, seus conceitos enraizados em referências do passado. Respeitáveis valores e tradições que tornam difícil enxergar, com clareza, todos os elementos do futuro que já se começou. São olhares honestos e competentes que priorizam tentar reorganizar o passado e o presente mutantes, os quais insistem em não nos deixar.

 

É ilusão imaginar que as abordagens educacionais comumente adotadas para formar profissionais até recentemente permaneçam válidas, sendo suficientes pequenos ajustes acrescidos da incorporação de algumas tecnologias. Muito além do domínio simples de conteúdos circunscritos em programas fixos e transcendendo as séries previsíveis de técnicas e procedimentos, o desafio agora é preparar ao desconhecido, envolvendo, especialmente, habilidades e aspectos comportamentais não previstos antes.

 

Vivemos ou, gradativamente, passaremos a viver em uma realidade onde a informação estará totalmente acessível, instantaneamente disponibilizada e, basicamente, gratuita. Cada vez é menos relevante o que se aprendeu frente a ter explorado as possibilidades de ampliar a capacidade de aprender continuamente, ao longo da vida, o aprender a aprender. A cognição tradicional e suas diversas metodologias associadas dão espaço às abordagens metacognitivas, onde o centro é ampliar os níveis de consciência dos próprios educandos acerca de como eles aprendem. Dos debates acercas de pedagogias adotadas para todos, indistintamente, enfrentamos a complexa tarefa da construção de uma educação híbrida e flexível, onde todos os educandos aprendem, aprendem o tempo todo e cada um de maneira única e personalizada.

 

Os educadores, legitimamente, se expressam a partir dos seus referenciais, ancorados em suas tradições e refletindo suas experiências. É certamente tarefa difícil entender a migração de uma avaliação baseada na dicotomia entre o saber versus o não saber à luz de uma realidade emergente onde o mais relevante é saber decifrar realidades complexas, solucionar problemas e cumprir missões. Para quem tem valores cristalizados quanto a mensurar o conhecimento aprendido não é nada simples descobrir que passam a ser considerados, com pesos iguais ou mesmo preponderantes, atributos adicionais como saber trabalhar em equipe ou capacidade de compreender o outro.

 

A dificuldade essencial está na encruzilhada de tentar entender o presente com os mesmos instrumentos do passado ou ousar pensar o futuro com menos amarras tradicionais, as quais, embora importantes, tendem a eclipsar a visibilidade do que está por vir. Estacionados no presente do eixo do tempo, há que se escolher priorizar enxergar aquilo que os faróis iluminam à frente ou, alternativamente, manter os olhos fixos no retrovisor.

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sábado, 21 de abril de 2018 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 11:28

Habilidades, Competências e Cafuringa

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Ter habilidade não é, em si, garantia de competência. Por outro lado, ser competente demanda ter domínio mínimo das habilidades associadas. Ainda que “habilidade” e “competência” sejam coisas distintas, a área de superposição entre as respectivas definições é enorme, ao ponto que nem sempre uma separação inequívoca é possível. Fruto de tal complexidade, inevitáveis confusões afloram, por vezes juntando, indevidamente, o que deveria ser distinto e, em outras, separando o que seria, talvez, indissociável.

 

Uma maneira tradicional e informal de classificá-las é assumir que habilidades compõem uma das três partes das competências. As outras duas seriam os conhecimentos e as atitudes. Neste sentido, habilidades são capacidades adquiridas para desempenhar determinado papel ou função específicos. Competências, de caráter mais amplo, demandam agregar a essas habilidades um conjunto de conhecimentos e de atitudes para que uma determinada missão seja realizada.

 

Em geral, não me agradam as metáforas futebolísticas, mas devo admitir que, às vezes, elas podem ser úteis para clarear conceitos. No caso, tomo a liberdade de recuperar a história de um jogador de futebol das décadas de 1960 e 1970, o famoso Cafuringa, ou simplesmente “Cafu”. Jogando pelo Fluminense, foi campeão brasileiro em 1970, tendo conquistado também os estaduais de 1969, 1971, 1973 e 1975. Tratava-se de excepcional ponta direita e apontado por todos como um dos maiores dribladores da história do futebol brasileiro. Parte fato e parte lenda, certo é que ele jamais transformou a inquestionável habilidade do drible em competência, no mesmo nível, quanto à estratégia do jogo, os gols.

 

Nos 336 jogos no Fluminense, Cafuringa só marcou 26 gols, resultando em uma média de um gol a cada treze jogos. Para um dos craques atacantes da equipe é considerado muito pouco. Sem prejuízo, espero, à merecida memória positiva de Cafu, certo que ele detinha excepcional habilidade para o drible em parâmetros muito superiores à sua competência enquanto artilheiro.

 

No campo da educação, uma boa ilustração é o ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio), o qual pretende avaliar competências e habilidades, como forma de mensurar o desempenho acadêmico dos alunos.  Para tanto, dispõe de uma Matriz de Referência, contendo os descritores das competências previstas e das respectivas habilidades a elas associadas. A cada competência é listado um conjunto de habilidades. No total, são explicitadas cerca de 24 competências e 120 habilidades, nas 4 grandes áreas que compõem o exame: linguagens e códigos; ciências humanas; ciências da natureza; e matemática.

 

A título de exemplo, na área específica de Ciências Humanas há estabelecidas para o ENEM 6 competências e 30 habilidades. As competências, que na analogia proposta seriam os gols, são listadas como: “compreender os elementos culturais que constituem as identidades”; “compreender as transformações dos espaços geográficos como produtos das relações socioeconômicas e culturais do poder”; “compreender a produção e o papel histórico das instituições sociais, políticas e econômicas, associando-as aos diferentes grupos, conflitos e movimentos sociais”; “entender as transformações técnicas e tecnológicas e seu impacto nos processos de produção, no desenvolvimento do conhecimento e na vida social”; “utilizar os conhecimentos históricos para compreender e valorizar os fundamentos da cidadania e da democracia, favorecendo uma atuação consciente do indivíduo na sociedade”; e “compreender a sociedade e a natureza, reconhecendo suas interações no espaço em diferentes contextos históricos e geográficos”.

 

Vejamos agora exemplos das 30 habilidades associadas. Elas são os dribles na comparação adotada. São 5 habilidades para cada competência, sendo que aqui listamos somente uma delas para cada competência. Na ordem: “interpretar historicamente e/ou geograficamente fontes documentais acerca de aspectos da cultura”; “interpretar diferentes representações gráficas e cartográficas dos espaços geográficos”; “identificar registros de práticas de grupos sociais no tempo e no espaço”; “identificar registros sobre o papel das técnicas e tecnologias na organização do trabalho e/ou da vida social”; “identificar o papel dos meios de comunicação na construção da vida social”; e “identificar em fontes diversas o processo de ocupação dos meios físicos e as relações da vida humana com a paisagem”.

 

Cafuringa, já falecido e reconhecido em vida como “nosso Garrincha sem grife”, merece todo nosso respeito, incluindo por contribuir na tentativa de esclarecer matéria tão difícil. Futebolisticamente, em que pese excelente domínio na habilidade do drible, restam poucas dúvidas que lhe faltaram outros elementos que o permitissem ser lembrado, no mesmo nível, quanto à competência estratégica de marcar gols.

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Fonte da imagem: https://www.uol/esporte/especiais/a-historia-de-cafuringa.htm

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domingo, 1 de abril de 2018 aprendizagem, EaD, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 10:47

O mundo é FÍGITAL

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O termo Fígital, junção das palavras físico com digital (em inglês, “Phygital”), foi originalmente utilizado em marketing para descrever as experiências dos usuários em ambientes de vendas híbridos, simultaneamente físicos e digitais.  Hoje, o uso do termo transcende o significado inicial e pode ser aplicado ao conjunto de oportunidades vivenciadas nas quais não são claros os limites e as distinções entre aquilo que chamamos classicamente de real ou físico e aquilo que associamos ao virtual ou digital.

 

A título de ilustração, Realidade Mista é um exemplo mais recente desse tipo de percepção fígital, combinando experiências virtuais e aumentadas. Realidade Virtual, também conhecida como híbrida ou hiper-realidade, complementa o mundo físico do usuário com um mundo virtual, produzido digitalmente. Neste caso, é exigido que algum dispositivo seja utilizado pelo usuário, gerando um ambiente novo, tridimensional e interativo. Por sua vez, Realidade Aumentada sobrepõe o mundo físico com elementos digitais adicionais, ainda que sem a possibilidade de interação direta com eles. Ela atua como uma ponte entre os mundos físicos e digitais, inserindo elementos (informações ou objetos) virtuais à realidade física, ou seja, ao mundo original do usuário. Finalmente, a Realidade Mista combina os aspectos da Realidade Aumentada com a Realidade Virtual, sendo uma junção das duas e permitindo ancorar objetos virtuais em pontos do espaço real, tornando possível manipulá-los.

 

Tais novas realidades, especialmente a Realidade Mista, apresentam aplicações e possibilidades ilimitadas. São experiências visuais e sensoriais imersivas que permitem tanto aproximar o público comprador para testar, com níveis de detalhamentos sem precedentes, produtos do varejo, do setor imobiliário ou de entretenimento, bem como podem ser extremamente úteis em delicadas cirurgias ou outros procedimentos médicos.

 

Outro exemplo interessante de Fígital ocorre no filme Star Wars, no episódio “Rogue One”, produzido em 2016. Um dos atores do filme, Peter Cushing, falecido 22 anos antes, participa sem que os espectadores sejam informados ou percebam. Se é possível que um dos atores não esteja mais vivo, é igualmente razoável termos uma película onde todos os atores e atrizes sejam já falecidos. No limite, via plataformas digitais inteligentes, associadas ao uso de dados em grande escala disponíveis de pessoas já falecidas, é possível, em tese, viabilizar experiências inimagináveis entre vivos e mortos, integrando interativamente o físico e o virtual.  Adentramos o mundo fígital, onde as barreiras entre os espaços analógicos/presenciais e digitais/virtuais são rompidas. Um universo de novas aplicações se torna evidentes e promissor.

 

Em particular, na área da educação, as separações vigentes entre modalidades e aulas presenciais ou a distância desparecem quase por completo. As aulas podem ser holograficamente simuladas, permitindo todas as formas de interação e socialização entre os atores envolvidos no processo educacional. Onde o docente se encontra fisicamente fará menos diferença para efeito da experiência de aprendizagem vivenciada pelos seus educandos e a aprendizagem pode ser altamente favorecida. Mesmo assim, não há, e nem precisa ter, a pretensão de substituir por completo as interações humanas desprovidas de dispositivos.

 

Qualquer que seja o contexto que se avizinha, os desafios, os espantos e as oportunidades estarão presentes. A opção de desprezar ou minimizar a relevância dessas novas possibilidades representa, especialmente aos mais jovens, um risco enorme de exclusão pessoal e profissional sem precedentes. A melhor forma de naturalizarmos ao máximo essas novas tecnologias é criando mecanismos que permitam que todos, sem exceção, delas se apropriem de forma crítica e ética, ao mesmo tempo que, por causa delas, permaneçam ativos, produtivos e criativos.

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Imagem gentilmente cedida pelo colega Prof. Maurício Garcia.

 

 

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quinta-feira, 15 de março de 2018 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 19:52

Nanocertificados: claramente, o futuro!

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coruja 

Houve um tempo, próximo passado, em que nas formaturas os concluintes do ensino superior celebravam a despedida da vida de estudante. Mais do que isso, era razoável supor que lograssem algum sucesso nas empreitadas seguintes, sem que fosse imprescindível continuar estudando. Afinal, era esperado que, ao final de um curso de graduação, com duração da ordem de 4 a 6 anos, os principais conteúdos, os procedimentos básicos e as técnicas associadas tivessem sido plenamente adquiridos. Mesmo que fosse ingenuidade, o passado, por vezes, foi permissivo quanto à possibilidade dessa leitura.

 

Os tempos contemporâneos se caracterizam pela radicalidade e rapidez nas transformações. O mercado de trabalho já não é o mesmo, tampouco as características principais que são demandadas daqueles que pretendem aproveitar oportunidades de novos negócios são as mesmas. Adentramos, progressivamente, uma era em que a informação passa estar plenamente disponível, instantânea e gratuita. Caminhamos em direção a um cenário de educação permanente ao longo de toda a vida. Neste contexto, tão ou mais relevante do que o conteúdo aprendido em um curso de graduação é ampliar a percepção acerca de como se aprende. Ou seja, o saber aprender passa a ser a chave principal para enfrentar o desconhecido, que caracteriza o período que vivenciamos.

 

Se o mundo não é mais o mesmo, se as demandas da sociedade se alteraram e se os educandos e seus propósitos são diferentes, não há motivos para imaginarmos que os cursos, em seus formatos e em seus conteúdos, devam permanecer inalterados. Eles se adaptarão ao novo contexto, alguns mais rapidamente, outros com algum atraso, mas, nada permanecerá imune às inevitáveis e aceleradas transformações. Neste cenário, observaremos os cursos de graduação e de MBA (“Master of Business Administration”), gradativamente, sendo complementados ou migrando em direção àquilo que se adotou chamar de nanocursos, emissores de nanocertificados.

 

O prefixo “nano” começou a ser utilizado ao final da década de 1940 e é derivado da palavra que em grego significa “anão”. No contexto estritamente científico, representa uma unidade de medida associada à bilionésima parte de algo, tal como nanosegundo ou nanometro. Popularmente, passou a significar algo muito pequeno.

 

Educacionalmente, em torno de 2014, surgiram os primeiros nanocertificados (em inglês, “nanodegrees”), os quais buscavam atender, em curto espaço de tempo e sendo extremamente focados, as demandas por aprendizagem de habilidades específicas, particularmente aquelas voltadas para as necessidades do mercado de trabalho, na maioria dos casos na área de tecnologias da informação. Em geral, são projetos práticos que avaliam e certificam os educandos após um período de cerca de seis meses de estudo. Os nanocursos tendem a representar uma alternativa relativamente mais prática, ágil e de menor custo para quem quer alavancar sua carreira e comprovar capacitação para missões bem definidas. Para as empresas, significa a oportunidade de customizar as formações demandadas de seus profissionais de maneira mais objetiva, direta e eficiente. Os pioneiros nesses cursos eram ligados à empresa americana de cursos online, Udacity. Hoje, tais iniciativas estão bastante disseminadas, com diferentes origens, formatos e propósitos.

 

Vivenciaremos realidades inéditas, sendo a maior parte delas mediadas pela chegada das ferramentas da inteligência artificial, da onipresença da internet das coisas e dos inevitáveis robôs. As tarefas que permitem ser automatizadas, certamente, o serão. Várias profissões como nós as conhecemos atualmente terão, em geral, duas opções: desaparecer ou mudar radicalmente. Nada será de imediato, nem por isso quer dizer que será demorado ou prorrogável. Quanto antes nos adaptarmos, maior a possibilidade de sobrevivência e de sucesso, seja enquanto indivíduo, grupo ou organização. Os nanocursos estão longe de serem as causas das mudanças; são somente claros sintomas de processos que alterarão de forma substantiva os caminhos segundo os quais aprendemos e ensinamos. Afinal, estamos falando de um futuro que começou a acontecer ontem.

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Figura em Domínio Público, como visto em:

https://publicdomainvectors.org/pt/vetorial-gratis/Coruja-esperta/69141.html

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quarta-feira, 7 de março de 2018 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 15:02

Analítica da Aprendizagem enquanto diferencial competitivo

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Kandinsky

 

Houve um período em que a adoção de modelos de gestão mais competitivos por si só era suficiente para que uma instituição educacional conseguisse obter resultados superiores às demais. Isso não foi simples, foi inovador e gerou resultados significativos. No entanto, com o tempo, os modelos de gestão se mostraram, por um lado, limitados e, por outro, transferíveis e copiáveis. O cenário futuro traz desafios ainda mais complexos. Entre eles, o fato de que as instituições que souberem incorporar adequadamente as novas tecnologias e as metodologias inovadoras serão aquelas que se destacarão e terão como recompensa a oportunidade de conjugar, com sustentabilidade, escala e qualidade. Entre as tecnologias com maior potencial de aproveitamento, em termos de resultados acadêmicos, destaco a Analítica da Aprendizagem.

 

Analítica da Aprendizagem (em inglês, “Learning Analytics”) é a metodologia que permite que os educadores possam tomar decisões levando em conta análises sistemáticas e elaboradas de dados dos educandos e dos contextos educacionais nos quais a aprendizagem se desenvolve. A partir da análise dos dados acerca de quanto e de como os alunos estão aprendendo, é possível uma percepção mais apurada das realidades educacionais. Tais procedimentos viabilizam que desenhos educacionais adequados (em inglês, “Learning Designs”) possam ser propostos, bem como estratégias e trilhas de aprendizagem diversas sejam implementadas. Ao mesmo tempo, esta metodologia colabora na seleção de quais recursos, inclusive tecnológicos e modos de entrega de conteúdos, são os mais adequados para cada contexto e, no limite, para cada educando.

 

Na verdade, os professores no ensino tradicional utilizam de forma corriqueira dados nos processos de ensino. Porém, o fazem, em geral, em uma versão limitada e preliminar, precursora daquilo que hoje denominamos Analítica de Aprendizagem. Por exemplo, notas finais, resultante de alguns poucos produtos, têm consequências relevantes, tais como aprovar ou não os alunos. Excepcionalmente, docentes mais dedicados conseguem, fruto de suas sensibilidades, perceber peculiaridades de uma turma de estudantes, identificar carências típicas e alterar procedimentos, porém, são casos raros e em pequena escala. Em geral, os dados disponíveis, alguns rendimentos acadêmicos dos alunos, são insuficientes para motivar e orientar mudanças de percursos educacionais. Analítica da Aprendizagem, em tese, permite e estimula adaptações, melhorando a aprendizagem à medida que reconfigura, em tempo hábil, os processos educacionais, customizando-os às realidades específicas e, sempre que possível, às características de cada um dos atores envolvidos.

 

Em profundo contraste com os poucos dados disponíveis até pouco tempo (basicamente notas de provas individuais), graças às tecnologias digitais, hoje dispomos de uma abundância de informações (“big data”), que nos permite tentar entender, de forma inédita e inovadora, realidades educacionais complexas. Adicionalmente às formas usuais de avaliação, podemos explorar, dentre inúmeras outras possibilidades, dados resultantes de: i) nível e velocidade de assimilação de informações, ii) capacidade do estudante de acessar conteúdos e sua autonomia na utilização de conhecimentos, iii) características das respostas “erradas” em testes de múltipla escolha, iv) habilidades de comunicação via capacidade de interpretação e de redação de textos complexos, v) habilidade de colaboração em equipe, percebendo e conjugando fragilidades e potencialidades de cada membro, vi) produtividade e efetividade na confecção de artefatos, vii) competência na solução de problemas e no cumprimento de missões, viii) atitudes e comportamentos socioemocionais diante de desafios complexos, ix) letramento matemático, e x) adaptação individualizada a diferentes modos de entrega de conteúdos.

 

A título de exemplo, vejamos, em particular, o item iii) acima, referente a como podemos fazer uso das respostas não certas (na Analítica da Aprendizagem elas são tão relevantes como as corretas) para melhorarmos o aprendizado. De forma simples, suponhamos que em um certo item do teste de múltipla escolha a resposta correta seja b). É possível um enunciado, especialmente assim desenhado, que busque identificar o educando que, mesmo dominando os conceitos básicos envolvidos, porque lê sem a devida atenção, opte por a). Neste caso, é uma potencial indicação de que se trata de aluno cuja capacidade de foco merece toda nossa atenção. Agora, suponhamos que, apesar de ter estudado e compreendido o tema objeto, o estudante, mesmo concentrado, tenha dificuldade em interpretação de textos um pouco mais complexos. É possível construir um enunciado que, provavelmente, fruto desta deficiência, ele seja guiado para alternativa c). da mesma forma, imaginemos alguém que tenha fragilidade em letramento matemático; assim, mesmo com domínio eventual do conteúdo, uma operação matemática na qual ele tenha dificuldade, o leva à alternativa d). Por fim, um enunciado especialmente preparado pode tentar identificar, caso a caso, mais do que uma falha no domínio do conteúdo geral, podemos estar diante de deficiência em um particular conceito específico envolvido e, sendo este o caso, ele, provavelmente, optará pela alternativa e).

 

A receita acima é puramente ilustrativa e não há a menor chance de, a partir de um único item ou de um único teste, afirmarmos algo substantivo. No entanto, fruto de questões e respostas abundantes, e como um elemento a mais no conjunto mais amplo de dados qualificados acima citados, certamente, há características educacionais relevantes que podem ser extraídas. O grande segredo é que, a partir de uma quantidade imensa de informações, algumas considerações mais bem embasadas podem começar a ser ponderadas acerca dos contextos educacionais específicos e sobre cada educando em particular.

 

Uma vez que tenhamos material mais consolidado e adequadamente analisado, podemos começar a construir caminhos educacionais múltiplos e personalizados. São trilhas individuais que dão conta, ou tentam dar conta, de: i) melhorar capacidade de foco, ii) aprimorar competências em ler e escrever textos mais complexos, iii) orientar e capacitar em operações matemáticas básicas, iv) explorar um particular conceito sobre o qual o aluno demonstrou fragilidade etc.

 

Curiosamente, quanto mais estudantes, maior o número de testes e quanto mais analistas e curadores de conteúdo tivermos, mais bem elaborados serão os caminhos e abordagens específicas que poderemos propor. Para quem sempre associou qualidade a poucos e má qualidade a muitos, temos um novo paradigma: a escala que gera qualidade.

 

Começamos, portanto, a construir algoritmos educacionais inteligentes que nos permitem sair do artesanato e de outras limitações, que caracterizam o ensino tradicional, para darmos respostas qualificadas às demandas e propiciarmos atendimento em grande escala. Esta é marca de uma educação contemporânea onde todos aprendem, aprendem o tempo todo e cada qual de maneira única. Este é o caminho de uma educação flexível, híbrida, adaptativa e personalizada.

 

Quanto, em especial, às empresas educacionais e suas instituições de ensino, cabe destacar que os desafios em busca da sustentabilidade e de lucratividade, por certo, dependem de bons modelos de gestão. No entanto, enquanto a guerra pode, de fato, ser perdida na gestão, por outro lado, para se ter conquistas substantivas há que se explorar metodologias inovadoras que façam uso adequado de novas tecnologias. Neste caso, não há soluções milagrosas e nem receitas prontas. Mas, por certo, Analítica da Aprendizagem é ingrediente indispensável para enfrentar, com sucesso, os desafios educacionais contemporâneos.

 

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 Sobre a imagem:  O influente pintor e teórico russo Wassily Kandinsky tem sua obra em domínio público. Na foto, . Ver: “Composição VII”, considerada pelo autor sua obra mais complexa, Ver: http://www.portaldaindustria.com.br/cni/canais/propriedade-intelectual/noticias/e-tudo-free-as-obras-que-viraram-dominio-publico-em-2015/

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In English:

Ronaldo Mota – Chancellor of Estácio Group, educational executive, lecturer, member of the board of the Brazilian Association of Owners of Private Institutions of Higher Education, he writes about new technologies in education and innovative educational methodologies.

There was a period when the adoption of more competitive management models alone was sufficient for one educational institution to achieve high results. This was not simple, it was innovative and generated significant results. However, over time, management models have been limited, on the one hand, and transferable and replicable, on the other. The future scenario brings even more complex challenges. Among them is the fact that institutions that know how to appropriately incorporate new technologies and innovative methodologies will be those that will stand out and will be rewarded with the opportunity to combine, with sustainability, scale and quality. Among the technologies with the greatest potential for achievement, in terms of academic results, I highlight Learning Analytics.

Learning Analytics is the methodology that enables educators to make decisions by taking into account systematic and elaborate analyses of learners’ data and the educational contexts in which learning develops. By analyzing the data on how much and how students are learning, a sharper perception of educational realities is possible. Such procedures enable appropriate learning designs (“Learning Designs”) as well as strategies and learning paths to be implemented. At the same time, this methodology contributes to the selection of which resources, including technological and content delivery modes, are the most appropriate for each context and, in the limit, for each student.

In fact, teachers in traditional teaching routinely use data in teaching processes. However, they usually do so in a limited and preliminary version, precursor to what we now call Learning Analytics. For example, final grades, resulting from a few products, have relevant consequences, such as approving students or not. Exceptionally, more dedicated teachers are able, through their sensibilities, to perceive the peculiarities of a student group, to identify typical needs and to change procedures, but these are rare cases and in small in scale. In general, according to the available data, some academic achievement of the students are insufficient to motivate and guide changes in educational pathways. Learning Analytics, in theory, allows and stimulates adaptations, improving learning as it reconfigures, in a timely manner, the educational processes, adapting them to the specific realities and, whenever possible, to the characteristics of each of the actors involved.

In sharp contrast to the few data available until very recently (basically individual test notes), thanks to digital technologies, today we have an abundance of information (“big data”), which allows us to try to understand, in a new and innovative way, complex educational realities. In addition to the usual forms of evaluation, we can explore, among countless other possibilities, data resulting from:

  1. i) level and speed of information assimilation,
  2. ii) the student’s ability to access content and its autonomy in the use of knowledge,
  3. iii) characteristics of “wrong” answers in multiple choice tests,
  4. iv) communication skills through ability to interpret and write complex texts,
  5. v) ability of team collaboration, perceiving and combining frailties and potentialities of each member,
  6. vi) productivity and effectiveness in the manufacture of artifacts,
  7. (vii) competence in solving problems and performing missions,
  8. viii) social-emotional attitudes and behavior in the face of complex challenges,
  9. ix) mathematical literacy, and
  10. x) individualized adaptation to different modes of content delivery.

As an example, let’s look in particular at item iii) above, regarding how we can make use of the non-correct answers (in Learning Analytics they are as relevant as the correct ones) to improve learning. In a simple way, suppose that in a certain multiple-choice test item the correct answer is b). It is possible for a statement, especially designed, that seeks to identify the learner who, even if he dominates the basic concepts involved, because he reads without due attention, choose a). In this case, it is a potential indication that it is a student whose ability to focus deserves our full attention. Now, let us suppose that, although he has studied and understood the subject matter, the student, even if concentrated, has difficulty interpreting slightly more complex texts. It is possible to construct a statement that, probably as a result of this deficiency, is guided to alternative c). in the same way, imagine someone who has weaknesses in mathematical literacy; thus, even with eventual mastery of the content, a mathematical operation in which he/she has difficulty, takes it to alternative d). Finally, a specially prepared statement may try to identify, on a case-by-case basis, more than a fault in the general content domain, we may be deficient in a specifically particular concept involved and, if this is the case, he/she will probably opt for alternative e).

The above recipe is purely illustrative and there is not the slightest chance, from a single item or a single test, to be able to say anything substantive. However, with abundant questions and answers, and with the additional element in the broader set of qualifying data cited above, there are certainly relevant educational features that can be drawn. The great secret is that, from an immense amount of information, some more well-grounded considerations can begin to be weighed on the specific educational contexts and on each individual student.

Once we have more consolidated and properly analyzed material, we can begin to build multiple and personalized educational paths. These are individual tracks that tell or attempt to account for:

  1. i) improved focus,
  2. ii) improved skills in reading and writing more complex texts,
  3. iii) guidance and enabling of basic mathematical operations,
  4. iv) exploring a particular concept on which the student demonstrated fragility, etc.

Curiously, the more students, the greater the number of tests and the more analysts and curators we have, the better elaborated will be the specific paths and approaches that we can propose. For those who have always associated quality with a few and poor quality to many, we have a new paradigm: the scale that generates quality.

We began, therefore, to build intelligent educational algorithms that allow us to get out of the handicrafts and other limitations that characterize traditional teaching, to give qualified answers to the demands and to provide large-scale care. This is a mark of a contemporary education where everyone learns, learns all the time and each one in a unique way. This is the path of a flexible, hybrid, adaptive and personalized education.

In particular, educational businesses and their educational institutions must highlight that the challenges in search of sustainability and profitability, of course, depend on good management models. However, while warfare may indeed be lost in management, on the other hand, in order to have substantive achievements one has to explore innovative methodologies that make appropriate use of new technologies. In this case, there are no miracle solutions or ready recipes. But, of course, Learning Analytics is an indispensable ingredient for successfully addressing contemporary educational challenges.


Learning Analytics as a Competitive Differential

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