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quinta-feira, 13 de dezembro de 2018 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 09:40

O método é a essência e o obscurantismo o risco

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O conhecimento é algo mais amplo do que o conhecimento científico, englobando todas as crenças, as verdades pessoais e a cultura popular. Por sua vez, conhecimento científico é aquela limitada parte baseada no método científico.

 

Não se deve confundir verdade com ciência. Nem toda verdade é conhecimento científico. Por exemplo, individualmente, posso ter como crença que exista vida em outros planetas. Isso pode até ser verdade, sem que se constitua em verdade científica, dado não atender aos pressupostos do método científico (observação, lógica e experimentação). A separação entre os mundos da religião e da ciência, a partir desse raciocínio, pode se dar de forma clara, respeitosa e indispensável.

 

A liberdade religiosa e a livre manifestação de ideias são pressupostos inegociáveis dos tempos modernos. Felizmente, nossa sociedade garante espaços apropriados, tanto para o exercício da fé como para sua divulgação aos interessados.

 

A ciência moderna do século XVII, ancorada na observação, lógica e experimentação, conforme sintetizado por Galileu Galilei e seus contemporâneos, somada às ferramentas da matemática, a exemplo do cálculo diferencial e integral de Isaac Newton, permitiram entender e conhecer melhor a natureza e desenvolver leis, tais como as leis da mecânica, da termodinâmica e do eletromagnetismo.

 

Foi a partir da ciência moderna que tecnologias e conhecimentos extraordinários foram desenvolvidos nos séculos seguintes, tendo a máquina a vapor e a Teoria da Evolução de Darwin, e seus desdobramentos, como símbolos. Graças a esses avanços fabulosos, foi possível que a expectativa de vida, que ao início do século passado era de pouco mais do que 40 anos, quase dobrasse nos dias atuais. A Revolução Industrial, o desenvolvimento dos antibióticos, o saneamento básico, o conjunto de ferramentas tecnológicas e as novas visões de mundo colocadas ao nosso dispor representaram, graças ao método científico, enormes possibilidades de superarmos a fome, a miséria e as doenças.

 

O criacionismo, enquanto explicação para a origem e desenvolvimento da natureza, diz respeito aos conhecimentos experimentados pelo mundo da fé e não da ciência; o darwinismo e outras teorias científicas, por sua vez, pertencem ao espaço da ciência – tanto que podem e são contestadas, por não terem o caráter doutrinário como princípios.

 

Quando ouvimos sugestões de que em aulas de ciências se ensine, em pé de igualdade, as duas visões, criacionismo e darwinismo, é preciso deixar claro o que é do campo científico e o que vem do campo religioso, para evitar que se percam conquistas e saudáveis distinções que marcam o processo civilizatório contemporâneo. Abrem-se as portas para um inaceitável obscurantismo e intolerância, cujos limites, se cruzados, custarão demasiadamente caro para, posteriormente, tentarmos recuperar os danos causados a ambas as posições.

 

Um dos papeis principais da educação nos tempos atuais envolve preparar um cidadão capaz de entender, de forma emancipada, o mundo à sua volta. Para tanto, necessário desenvolver raciocínios lógicos amparados em métodos científicos, a busca do contraditório e o estímulo do espírito crítico, bem como ter capacidade analítica apurada, estar preparado para a aprendizagem permanente ao longo de toda a vida e ser tolerante, flexível e solidário. Sem domínio e clareza acerca do método, certamente, não disporemos de profissionais e cidadãos para alavancar um desenvolvimento econômico, social e ambiental sustentável.

 

 

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Artigo “Método e Obscurantismo” publicado em 13/12/2018 em Jornal DCI – Diário Comércio Indústria e Serviços.

 

Figura em Domínio Público em: https://www.flickr.com/photos/montrealprotest/20254442361

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quinta-feira, 6 de dezembro de 2018 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior | 08:59

Como cumprir o PNE, ou quase

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O Plano Nacional de Educação (PNE) estabelece diretrizes, metas e estratégias para os próximos dez anos da educação brasileira. Sendo lei (Lei No 13.005, de 25 de junho de 2014), cabe ao Governo e à sociedade respeitá-la e envidar todos os esforços para transformá-la em realidade.

 

No entanto, a quase totalidade dos estudiosos reconhece que algumas de suas metas, infelizmente, não serão cumpridas. O foco deste texto é, especificamente, a Meta 12, a qual se refere a elevar a taxa bruta de matrículas na educação superior para 50% e a taxa líquida para 33%, tendo como referência a população de 18 a 24 anos, assegurado que, pelo menos, 40% das novas matrículas sejam no segmento público.

 

As estratégias previstas no anexo da lei estão calcadas no aumento da oferta de vagas em instituições públicas. Quanto ao setor privado, as principais ferramentas de estímulo dizem respeito à expansão do Fundo de Financiamento Estudantil (FIES) e do Programa Universidade para Todos (PROUNI). No entanto, o aumento de recursos para as universidades públicas tem, realisticamente, poucas chances de ocorrer no horizonte próximo e o FIES, ao contrário de se fortalecer, dá evidentes sinais de exaustão.

 

Estamos atrasados no cronograma previsto e neste ano atingiremos o percentual aproximado de 35% na meta prevista de 50% de taxa bruta e de menos de 20% na meta de 33% de taxa líquida. Situação mais crítica ainda é quanto ao cumprimento de 40% das novas ofertas de vagas em instituições públicas, dado que, atualmente, ¾ das matrículas estão no setor privado, o qual permanece crescendo a taxas maiores do que o setor público.

 

Podemos, para tentar cumprir parte da Meta 12, priorizar o atingimento da taxa bruta de 50% de matrículas. Da mesma forma, naquilo que o setor público, por razões conjunturais não conseguir cumprir, que o setor privado, com qualidade aferida, possa tentar fazê-lo. Por fim, interpretemos matrículas no ensino superior no sentido amplo, mesmo quando não em cursos de graduação. Os cursos tradicionais de graduação de 4 a 5 anos terão como alternativas cursos de menor duração apropriadamente desenhados.

 

Hoje, o ensino superior conta com quase 9 milhões de matrículas. Para completar 50% de taxa bruta, teremos que acrescer, até 2024, mais 4 milhões de estudantes. Não podemos depender somente dos formandos do ensino médio, flutuando em torno de 1,8 milhão por ano, dado que tal número está estabilizado há tempos e sem perspectivas de alterações substantivas a curto prazo.

 

Entre as outras fontes potenciais de novos estudantes, destaco os quase 9 milhões com idade entre 18 e 24 anos que, embora tenham concluído o ensino médio, não frequentam o ensino superior. A longa duração e as abordagens dos cursos de graduação, nos moldes tradicionais, mesmo tendo logrado êxito no passado recente, parecem frustrar as expectativas desse contingente no mundo atual.  Novos modelos de desenvolvimento demandam profissionais e cidadãos com características diversas e mais complexas do que antes. Cursos mais curtos, com maior aderência aos interesses de curto e médio prazos, podem, eventualmente, ser mais atraentes.

 

Exemplificando, há pessoas que, por razões as mais diversas, mesmo não tendo demonstrado interesse em cursar Administração ou Ciências Contábeis, podem ser potenciais candidatos a um eventual curso de um ano, com direito a certificação, de Gestão e Finanças. Se os cursos forem bem desenhados, em módulos que interagem entre si, os estudantes seriam também estimulados a continuar, dentro do espírito que o diploma de graduação fosse a coroação de um conjunto sequencial de certificações intermediárias. Igualmente, podem ser ofertados cursos em áreas inéditas, tais como: tratamento de dados e algoritmos, mediação de conflitos, marketing digital, inteligência artificial ou blockchain. Estes atenderiam também a profissionais já formados (da ordem de 10 milhões) que, dentro do espírito de educação permanente ao longo da vida, deveriam procurar atualização.

 

O adequado seria cumprirmos plenamente a Meta 12. Dadas as evidências da impossibilidade prática de seu cumprimento integral, somos estimulados a tentar minorar os prejuízos, especialmente explorando os desafios de desenhos alternativos de cursos de curta duração, eventualmente, compatíveis com as necessidades e expectativas contemporâneas.

 

 

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Figura/Fonte: http://www.cnte.org.br/index.php/comunicacao/noticias/13156-comissao-especial-vai-analisar-modificacoes-do-senado-ao-pne.html

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sexta-feira, 12 de outubro de 2018 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 10:58

MENSAGEM AOS PROFESSORES

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Educar envolve mais do que transmitir conhecimento. Educação abre as portas para que cada educando desfrute ao máximo daquilo que, potencialmente, todos dispomos: inteligência, entendimento e sabedoria.

Dentre todas as espécies, somos a única que possui a incrível habilidade de transmitir cultura e conhecimento de forma organizada e consciente aos nossos descendentes. Os mais diversos ensinamentos, técnicas e procedimentos eram e são transmitidos pelos mestres aos seus aprendizes, os quais, após ritos de aprendizagem, se transformavam em profissionais e cidadãos mais bem preparados.

E assim tem sido ao longo dos tempos. Nos dias atuais vivemos grandes desafios, especialmente pela abrupta emergência das tecnologias digitais que a tudo modifica e transforma. Educar, mais do que nunca, é emancipar o educando para ser capaz de enfrentar problemas inéditos.

Contemporaneamente, educar é promover a aprendizagem independente ao longo de toda a vida, entendendo que cada educando aprende de maneira única e personalizada e que todos aprendem, em qualquer lugar e o tempo todo. Educar é também entender o outro e fazer algo a partir disso, aprendendo a trabalhar em equipe de forma cooperativa e solidária.

Temos, como educadores, a possibilidade de contribuir para que o educando se emancipe, dominando a arte de aprender a aprender continuamente, gerando as condições para um desenvolvimento econômico, social e ambiental sustentável.

Caros Docentes, Parabéns.

Comemoremos, merecidamente, o Dia do Professor.

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Figura em Domínio Público: http://www.clker.com/clipart-655940.html

 

 

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terça-feira, 18 de setembro de 2018 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Inovação e Educação | 15:07

Os significados das palavras aluno e educador

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O vocábulo “aluno” provém do latim alumnus, significando, literalmente, criança de peito ou aquele que se alimenta de leite. Em outras palavras, um lactante intelectual ou um discípulo. Alumnus ou alumni é proveniente do verbo alere que, em latim, significa alimentar, sustentar, nutrir ou fazer crescer.

 

Erroneamente, alguns textos tratam a palavra “aluno” como sendo a junção do prefixo grego a, que corresponderia a ausente ou sem, e o sufixo luno, derivado da palavra latina lumni, significando luz. Portanto, na incorreta versão, aluno seria aquele sem luz ou sem conhecimento. A falsa etimologia acima é menos inocente do que parece. Trata-se de equívoco que encontrou terra fértil naqueles que veem o aluno como alguém mais passivo no processo educacional. Ao tratá-lo como sem luz, corre-se o risco de findar transformando em fato algo que era, de início, somente uma simples confusão etimológica.

 

Há também uma sutileza complementar, não tão evidente, associada à possível distinção entre aluno e estudante. Embora não sejam conceitos rígidos, tende-se a utilizar o termo aluno para designar aquele que pratica a atividade de assistir a aula; enquanto estudante se refere àquele que pratica a atividade de estudar. No primeiro caso é, essencialmente, uma atividade coletiva e, predominantemente, passiva; no segundo é, fundamentalmente, de caráter mais individual e decorrente de uma postura, necessariamente, ativa.

 

Quanto ao “educador”, é normal ser tratado indistintamente de “professor”, ainda que não signifiquem exatamente a mesma coisa. Professor é, de forma simplificada, o profissional que ensina uma ciência, uma arte, uma técnica, uma disciplina. Educador, por sua vez, transcende as atividades descritas, tendo como responsabilidade inerente a formação integral do educando. O termo “educador” tem origem no vocábulo latim educatore, aquele que cria ou nutre. Todo educador é necessariamente um professor, sem que não obrigatoriamente o contrário seja verdade.

 

Educação, da mesma forma, se diferencia de ensino. O físico Alberto Einstein, falecido em meados do século passado, optou por expressar tal distinção na forma: “educação é aquilo que fica depois que esquecemos o que foi ensinado ou aprendido”. Nesse sentido, educação é um ato que envolve o ser humano holisticamente, contemplando todos os seus aspectos, sejam físicos, cognitivos ou metacognitivos. Nessa perspectiva, o aluno é entendido como um ser dotado de saberes, qualidades e potencialidades, a quem o educador não está restrito a repassar o conteúdo de sua disciplina, mas sim em emancipá-lo à medida que ele é capacitado para aprender contínua e permanentemente ao longo da vida.

 

É possível uma visão pela qual o educador, ele próprio um sujeito em constante processo de aprendizagem, se diferencie do professor tradicional, evitando se considerar o dono do saber e única parte ativa do processo educacional. O educador é capaz de construir, juntamente com seus alunos, um aprendizado dinâmico, nos quais os eventuais erros do educando compõem base fundamental para reflexões e avanços educacionais.

 

As distinções acima abordadas tratam de diferenças que não são simples, tampouco estanques, dado serem partes de processos complexos. O que sabemos é que, no mundo contemporâneo, o ensino tradicional caminha em direção a uma educação híbrida, flexível e permanente. Neste contexto, os conceitos mais apropriados acerca do aluno e do educador irão ganhando sentidos mais claros à medida que educação se torna menos rotina ou repetição e, progressivamente, se transforma em atividade mais próxima da arte, demandando criação em constante evolução.

 

 

 

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Imagem em Domínio Público:

https://pt.freeimages.com/photo/baby-boom-1240639

 

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segunda-feira, 6 de agosto de 2018 aprendizagem, EaD, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 14:07

Concluintes do Ensino Médio: diminuição ou novos caminhos?

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O número de concluintes do Ensino Médio Regular em 2017, algo em torno de 1 milhão e 780 mil, é 2,6% menor do que o de 2016, 1 milhão e 830 mil, aproximadamente. De fato, são números assustadores em si, porém, não é tão simples indicar que eles, isoladamente, impliquem em retração inevitável de interessados em Educação Superior nos próximos anos. Claro que o desejável seria termos um crescimento contínuo e substantivo de jovens se formando naquele nível, no entanto, há outros fenômenos ocorrendo simultaneamente e que devem ser levados em conta.

 

No último domingo (05 de agosto), foi aplicado o Exame Nacional para a Certificação de Competências de Jovens e Adultos (ENCCEJA), quando 1 milhão e 340 mil inscritos, número 7,6% maior do que no ano anterior, visam a obtenção do diploma de Ensino Médio. Parte significa deles declara a expectativa de, posteriormente, pleitear vagas no Ensino Superior. Assim, é possível observar que a diminuição de formandos no Ensino Médio Regular é compensada pelo incremento, mais do que o dobro de um ano para outro, de potenciais postulantes vindos por um outro caminho.

 

Duas observações preliminares sobre o ENCCEJA. Primeira, o exame é constituído basicamente de quatro partes: matemática; ciências da natureza suas tecnologias; linguagens e códigos; redação; e ciências humanas e suas tecnologias. Segunda, o Exame Nacional de Ensino Médio (ENEM) até 2016 possibilitava o recebimento de diploma do Ensino Médio, sendo que mais de 1 milhão de postulantes ao ENEM atestavam ter tal objetivo como requisito essencial para o ingresso no nível superior.

 

Assim, parte da dinâmica de interesses e opções acima parece estar associada ao relativo e crescente desinteresse dos jovens pelo Ensino Médio Regular na forma que ele é hoje. No passado, os postulantes do ENCCEJA e de seus exames predecessores eram basicamente pessoas maduras que haviam perdido a oportunidade de estudar quando na idade apropriada. Contemporaneamente, é crescente a quantidade de jovens que preferem aguardar completar 18 anos para, via caminhos alternativos, testar seus conhecimentos e, se aprovados, obter seus certificados.

 

Interessante observar que, pela primeira vez, é significativo e crescente o percentual de candidatos ao diploma de Ensino Médio que consegue acesso ao conteúdo do exame via outras formas, que não a escola tradicional. Atualmente, há várias iniciativas inéditas e estão disponíveis um conjunto de atraentes portais educativos de qualidade, parte deles gratuitos e os demais acessíveis a baixos custos. Tais caminhos se mostram cada vez mais interessantes àqueles que expressam compatibilidade com metodologias e tecnologias que permitem ao educando aprender o tempo todo e em qualquer lugar.

 

Não deve surpreender a ninguém que acompanha os processos educacionais no Brasil o fato de que, em poucos anos, o número de matrículas do Ensino Superior na modalidade a distância superará o correspondente no presencial. Da mesma forma e mais enfaticamente ainda, quanto às crianças e os mais jovens, sempre que eles tiverem a opção de explorar novas abordagens educacionais, desde que demonstrem mais compatibilidade com as formas segundo as quais eles vivem, trabalham e se relacionam com amigos e família, parte deles assim procederá.

 

São fenômenos complexos e com variáveis múltiplas. Portanto, na tentativa de simplificá-los, corremos o risco de gerar interpretações equivocadas ou demasiadamente parciais. Porém, parece inequívoco que, em geral, a tendência aponta para um sucesso educacional relativamente maior via a adoção progressiva de metodologias híbridas e flexíveis. Ou seja, a partir da incorporação apropriada de tecnologias digitais, é possível propiciar um ensino personalizado, mais atraente e eficiente. Desta forma, temos a oportunidade de cumprir com os objetivos de uma educação de qualidade para muitos, propiciando que todos estudem, desde que atendendo à indispensável customização que leva em conta o fato de que cada educando aprende de maneira pessoal e única.

 

 

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Imagem em Domínio Público: https://pixabay.com/pt/on-line-educa%C3%A7%C3%A3o-tutorial-3412473/

 

 

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terça-feira, 26 de junho de 2018 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 14:52

Nômades digitais: desempregados, sem-teto e felizes

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A revolução decorrente da onipresença das tecnologias digitais está progressivamente alterando elementos essenciais do mundo do trabalho e modificando as formas como moramos e como convivemos. Expressões dessas mudanças são os novos espaços urbanos delas decorrentes. Entre eles, surgem, com grande destaque, as experiências de coworking e de coliving.

 

Coworking, de forma resumida, traduz um novo ambiente de trabalho, a partir do qual pequenas empresas e profissionais autônomos se relacionam com seus clientes, seus fornecedores e estabelecem laços entre si. São espaços democráticos compartilhados que permitem o desenvolvimento dos mais variados projetos sem as burocracias e as hierarquias dos escritórios convencionais e sem padecer do isolamento do chamado home office.

 

Oferecer uma adequada infraestrutura similar aos escritórios convencionais, incluindo todas as formas de atendimento e salas para receber clientes, é somente o ponto de partida de empreendimentos como esses. Acresçam-se a isso, ambientes inspiradores, especialmente pensados para o trabalho autônomo, a possibilidade de novos relacionamentos e a garantia de oportunidade de diversão a todos.

 

Os coworkings crescem a olhos vistos. No Brasil, já são centenas; no mundo, milhares. A título de exemplo, a empresa WeWork, fundada há somente oito anos, já é a segunda maior usuária de espaços de escritórios em Londres, perdendo apenas para o Governo Britânico. O sucesso dos coworkings não decorre somente de criatividade, mas, fundamentalmente, do fato que migramos de um modelo de desenvolvimento econômico, social e ambiental que demandava profissionais especialistas para um novo cenário onde o principal predicado é a flexibilidade. Ser flexível, em geral, passa por ter uma formação universitária que permita ao profissional encarar qualquer desafio sem o temor de decifrá-lo e cumpri-lo. Ter flexibilidade também é ter a disponibilidade de migrar de uma cidade para outra, bem como a habilidade de executar as tarefas em ambientes semelhantes aos que os espaços de coworking oferecem.

 

Por sua vez, os espaços coliving representam o estado da arte do hábito humano de viver em comunidade, desde as eras mais longínquas. A convivência em tribos e clãs foi sendo, progressivamente, adaptada à vida urbana e ao aumento da densidade demográfica. Atualmente, nesta etapa da história, há uma tendência em se questionar se ainda vale a pena manter uma moradia particular, com altos gastos e pouca socialização. Surge a alternativa de derrubar paredes, enfrentando a crise da falta de espaços físicos, e questionar os ideais de individualização e a falta de racionalidade dos modelos vigentes.

 

O conceito de coliving, que estimula a integração, a sustentabilidade e o espírito de colaboração, remonta ao início da década de 1970 com a experiência dinamarquesa do Cohousing Saettedammen. Tratava-se de uma comunidade com 35 famílias, na Dinamarca, onde as moradias permaneciam privadas e os demais espaços de convivência e atividades, como refeições e limpeza de ambientes eram compartilhados, com o objetivo de estimular o relacionamento entre vizinhos. Em 1988, o arquiteto norte-americano Charles Durrett adotou a mesma perspectiva sustentável em seus empreendimentos. Ainda que em outro contexto, o coliving apresenta algum nível de semelhança com as tradicionais repúblicas de estudantes, resguardadas suas diferenças de tempos e propósitos.

 

A combinação do coworking com o coliving estimula que trabalho, relacionamentos e entretenimento sejam frutos de compartilhamentos sem barreiras ou fronteiras estanques. Lar, escritório e clube num pacote único somado ao fato que podemos migrar a cada mês, semestre ou ano de um ambiente para outro a milhares de quilômetros sem burocracia ou perda de tempo com novos ajustes. Considerando que a tendência nas atividades profissionais inclui não somente a diversidade de ocupações, mas também a multiplicidade de oportunidades de moradias em cidades distintas, denominou-se esta geração movida a coworkings e colivings de “nômades digitais”.

 

É ainda um pouco cedo, talvez ingênuo, para termos uma opinião definitiva sobre os desdobramentos dessas novas maneiras de viver. Por enquanto, sabemos apenas que esses nômades digitais aparentam estar felizes. Quem viver verá.

 

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Foto: Empresa WeWork, citada no texto, em Ipanema, Rio de Janeiro-RJ, Brasil. Ver link:

https://www.wework.com/pt-BR/buildings/ipanema–rio-de-janeiro

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domingo, 3 de junho de 2018 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 17:16

Educação: quando tudo ainda é pouco

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Educação tem uma propriedade quase única no rol de produtos ou serviços em geral. Alimentos, por exemplo, quando ingeridos em excesso podem fazer mal. Automóveis, a partir de uma certa concentração, geram engarrafamento e poluição. Dinheiro, em qualquer moeda, aumenta seu valor à medida que falte aos demais, atendendo ao pressuposto da valorização pela exclusividade ou baixa disponibilidade.

 

Educação segue a lógica contrária. Quando alguém é educado, individualmente a pessoa ganha, mas a comunidade à qual ela pertence é mais favorecida ainda. Ao sermos educados, um não tira do outro quando aprende ou ensina. Por outro lado, é certo que todos são prejudicados pela ausência de educação ou pelo ensino de má qualidade.

 

Além disso, não há nenhum antídoto melhor contra a violência do que pessoas educadas. Polidez gera gentileza, bem como agressividade promove brutalidade. Da mesma forma, a falta de emprego decorre, na maioria dos casos, da falta de escolaridade, evidenciada pelo fato de que o desemprego mais crônico está associado a lacunas nas competências e habilidades demandadas.

 

Mesmo sendo uma nação privilegiada em recursos naturais, o Brasil não consegue promover um desenvolvimento sustentável. Cresce, mas alterna ciclos de euforias com frustrações. Provavelmente, a mais relevante causa da não sustentabilidade do desenvolvimento é a baixa produtividade em geral. Há evidências de que o aumento da educação média da população traz reflexos imediatos para a qualidade de vida, gerando oportunidades de empregos e de negócios, e, consequentemente, maior competitividade global dos produtos e dos serviços de uma região.

 

Na área educacional, tudo que tem sido feito, na prática, é ainda muito pouco. Ressalte-se que tivemos avanços, ainda que insuficientes, tais como o aumento da percentagem do PIB na educação pública de 2,9% para 5,6% em uma geração, redução de 35% para 7% de crianças de 4 a 14 anos fora de escola e o analfabetismo adulto decresceu de 25% para 8% nesse período. No ensino superior, programas como PROUNI e FIES têm viabilizado que milhões tenham acesso às universidades. Mesmo assim, em que pesem esses resultados, educacionalmente, estamos muito aquém de outros países com os quais teria algum significado compararmos.

 

Há que, urgentemente, estabelecermos novas estratégias com focos mais claros, cujos impactos resultantes sejam, ao longo do tempo, mais efetivos. Uma proposta, de caráter complementar e não excludente de outras, seria estabelecer um ponto de corte etário, baseado em uma política pública de atenção diferenciada aos mais jovens, e que, progressivamente, atinja a todos os educandos em um futuro adiante.

 

O Art. 81 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei nº 9.394/1996) estimula a organização de cursos ou instituições de ensino experimentais. Dentro desse espírito, seria possível estabelecer um abrangente programa experimental, articulado entre todos os sistemas educacionais, via a adoção de práticas amparadas em flexibilidades e prerrogativas especiais. A título de exemplo, no primeiro ano de sua implantação, seria conferida atenção diferenciada somente à primeira série do ensino fundamental. Como orientação aos gestores escolares, os melhores professores e infraestruturas disponíveis seriam garantidos para esta série e recursos adicionais extraordinários seriam, especialmente, dirigidos a essas turmas.

 

Entre outras diversas ações, em função de uma convocação cívica nacional, atividades complementares no contraturno seriam desenvolvidas por profissionais voluntários com nível superior. Estes seriam selecionados e ficariam responsáveis por ações definidas pelas direções locais das escolas, em consonância com orientações gerais do programa. Ilustrando, um dentista voluntário poderia abordar, complementarmente, elementos de saúde e biologia, um engenheiro contribuições adicionais na matemática, artistas abordariam temas nas áreas de cultura e artes etc.

 

No ano seguinte, manter-se-ia o foco nas turmas inicialmente selecionadas, já agora na segunda série, e seriam incorporadas, com a mesma qualidade, as novas turmas do primeiro ano. Ao final de menos de uma década, teríamos formado uma nova geração educacional, agora frequentando o ensino médio, incluindo o profissionalizante. Ao se completar uma década e meia, estaríamos colhendo os devidos frutos no nível superior.

 

O único real privilégio destas novas gerações, diferenciadamente educadas, será carregar nos ombros o compromisso de colaborar para um desenvolvimento econômico, social e ambiental sustentável.

 

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Foto: Própria, vista da Universidade de Salamanca

 

 

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quinta-feira, 3 de maio de 2018 Educação e Tecnologia, Inovação e Educação | 07:21

“O segredo da verdade: não existem fatos, só existem histórias”

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O título acima é inspirado na epígrafe da obra “Viva o Povo Brasileiro” de João Ubaldo Ribeiro, publicada em 1984. O livro fez jus ao Prêmio Jabuti de Melhor Romance e representa uma importante referência em termos de literatura brasileira de ficção. Com muita imaginação, o autor mistura fatos com suas próprias criações, cumprindo ao final o propósito de narrar, à sua maneira, quatro séculos de história da Bahia.

 

A essência do citado texto é evidenciar, desde o início, a ousadia que é tentar, com palavras, descrever com exatidão os fatos ocorridos. É ilusão imaginar que textos reproduzam plenamente as histórias, as quais as letras somente ousam tentar descrever. Não se trata, portanto, de desonestidade ou incompetência de quem relata, mas sim reflete a inexorável fragilidade dos instrumentos disponíveis.

 

As palavras, bem como as artes plásticas, a música ou as demais artes não têm, felizmente, o compromisso de fidelidade a priori, sendo desejáveis espaços de imaginação e criatividade, muitas vezes calcados em fantasias e transgressões. Feitas essas observações, quando o mundo das artes se superpõe às áreas das ciências, da política, do direito e da moral, ocorrem regiões sombreadas que podem exigir que limites sejam estabelecidos. A principal motivação é que liberdades poéticas, em geral, e notícias falsas ou relatos mentirosos, especialmente nos debates cotidianos, não se enquadram nos mesmos pressupostos, ainda que possam habitar os mesmos espaços e tempos.

 

A complexidade do tema é tão grave que o conceito de realidade, cientificamente, tem dinâmicas e peculiaridades próprias, envolvendo dificuldades em separar o observador da coisa observada. As sofisticadas análises incluem questionamentos legítimos sobre a isenção dos instrumentos de medida e a neutralidade das linguagens adotadas para “pretensamente” descrever com “exatidão” os fenômenos.

 

Em educação, não existem antídotos simples, preventivo às malícias das falsas notícias. Mas, certamente, há metodologias e abordagens que estimulam a capacidade de leitura crítica de textos complexos, fazendo intenso uso de raciocínios científicos e exercícios de lógica, e que contribuem para propiciar uma visão mais clara da realidade ao redor.

 

O que já era em si complicado, na sociedade contemporânea, é agravado pelo fato de que todas as informações passam a ser instantâneas, dificultando qualquer possibilidade de contestação em tempo hábil antes que elas já tenham se espalhado, mesmo que sem a solidez ou o atendimento a critérios de falseabilidade que seriam recomendáveis.

 

As chamadas “fake news”, em sua versão mais recente, estão assentadas nas facilidades das tecnologias digitais. É desafiador imaginarmos mecanismos que possam impor limites ou culpabilidade às falsidades e mentiras, propositalmente espalhadas, as quais, muitas vezes, ofendem a verdade, causam danos às reputações de pessoas ou grupos, ou atentam contra a lógica e o bom senso.

 

Enfim, as “histórias” que se superpõem aos “fatos” na criativa epígrafe de João Ubaldo foram, de fato, premonições dos riscos das perversidades embutidas nas evidências de que, a partir dos mesmos fatos, múltiplas e distintas histórias podem ser contadas.

 

 

 

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domingo, 15 de abril de 2018 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 18:37

Tecnologias digitais, economia e educação

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Vivenciamos em todos os setores da sociedade transformações rápidas e profundas. O motor principal que impõe tal velocidade está associado à emergência das tecnologias digitais e à consequente migração para uma sociedade em que a informação se torna totalmente acessível, instantânea e basicamente gratuita.

 

Educar é atividade social fortemente afetada pelas demandas do meio social, seja por necessidades expressas pelo exercício pleno de cidadania ou pelas exigências decorrentes do mundo do trabalho e pelas oportunidades de novos negócios. Estas se moldam a partir dos modelos de desenvolvimento econômico adotados.

 

Durante o século passado, as maiores empresas do mercado estiveram, tradicionalmente, associadas à energia (basicamente petróleo), à indústria automobilística e ao setor bancário. Na recente virada do século, entre as cinco maiores, aparecia na lista a primeira empresa do mundo digital, a Microsoft. Ela dividia a dianteira com duas de energia (Exxon e GE), um Banco (Citi) e uma empresa de varejo (Walmart). Atualmente, todas as maiores estão diretamente associadas ao mundo das tecnologias digitais, sendo que a empresa Apple, a primeira do ranking pelo sexto ano seguido, sequer constava entre as maiores no começo deste século.

 

Mediados pelas tecnologias digitais, educação e economia se influenciam e se definem mutuamente. A título de ilustração, o número de matrículas na modalidade educação a distância vem crescendo de forma contínua e sustentável por mais de uma década, tendo atingido quase 1,5 milhão em 2016, o que já representa uma participação de quase 20% do total de matrículas da educação superior. Interessante observar também que o número de matrículas em cursos de graduação presencial diminuiu nos últimos anos (decréscimo de 1,2% entre 2015 e 2016, enquanto na modalidade a distância o aumento de matrículas foi de 7,2%). Se considerarmos que no ensino presencial a adoção da educação a distância no limite superior de 20% está universalizada, poderemos afirmar que, antes do final desta década, mais da metade das atividades didáticas no ensino superior no Brasil serão ministradas via educação digital.

 

Os estímulos para o acesso pleno aos conteúdos antes das aulas e a intensa utilização de portais eletrônicos e de plataformas educacionais, especificamente desenhadas para cada contexto, são possibilidades inovadoras e plenamente disponíveis. A ênfase na aprendizagem independente, centrada no aprender a aprender ao longo de toda a vida, e o ensino baseado em metodologias ativas e em soluções de problemas são novidades já incorporadas. Enfim, metodologias que levem em conta as características personalizadas de cada educando, suas demandas específicas e seus ambientes peculiares são exemplos de iniciativas positivas em curso.

 

Se no século passado a capacidade de memorizar conteúdo e a aprendizagem de técnicas e procedimentos eram os centros, atualmente o amadurecimento dos níveis de consciência do educando acerca de como ele aprende torna-se gradativamente mais relevante. Aprender a aprender passa a ser tão ou mais importante do que aquilo que foi aprendido. O maior de todos os desafios educacionais atualmente é explorar esta nova realidade, onde todos aprendem, aprendem o tempo todo e cada um aprende de maneira única e personalizada.

 

Conhecimentos específicos, domínio de técnicas e conhecimentos são e sempre serão relevantes, porém, definitivamente, não são mais suficientes. A complexidade do educar, contemporaneamente, exige que educação se transforme em arte, ao mesmo tempo que o ensino tradicional cede espaço à educação aberta, híbrida e flexível. Neste cenário, mediado pela emergência disruptiva das tecnologias digitais, compreender o educando, o educador e a vida demanda elementos que somente a arte pode nos inspirar.

 

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Figura em Domínio Público: WE ALL, a design-build installation in North Allston, de Francisco Alarcon, Carla Ferrer Llorca, e Rudy Weissenberg, como visto em: http://www.gsd.harvard.edu/design-studies/art-and-the-public-domain/

 

 

 

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domingo, 1 de abril de 2018 aprendizagem, EaD, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 10:47

O mundo é FÍGITAL

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O termo Fígital, junção das palavras físico com digital (em inglês, “Phygital”), foi originalmente utilizado em marketing para descrever as experiências dos usuários em ambientes de vendas híbridos, simultaneamente físicos e digitais.  Hoje, o uso do termo transcende o significado inicial e pode ser aplicado ao conjunto de oportunidades vivenciadas nas quais não são claros os limites e as distinções entre aquilo que chamamos classicamente de real ou físico e aquilo que associamos ao virtual ou digital.

 

A título de ilustração, Realidade Mista é um exemplo mais recente desse tipo de percepção fígital, combinando experiências virtuais e aumentadas. Realidade Virtual, também conhecida como híbrida ou hiper-realidade, complementa o mundo físico do usuário com um mundo virtual, produzido digitalmente. Neste caso, é exigido que algum dispositivo seja utilizado pelo usuário, gerando um ambiente novo, tridimensional e interativo. Por sua vez, Realidade Aumentada sobrepõe o mundo físico com elementos digitais adicionais, ainda que sem a possibilidade de interação direta com eles. Ela atua como uma ponte entre os mundos físicos e digitais, inserindo elementos (informações ou objetos) virtuais à realidade física, ou seja, ao mundo original do usuário. Finalmente, a Realidade Mista combina os aspectos da Realidade Aumentada com a Realidade Virtual, sendo uma junção das duas e permitindo ancorar objetos virtuais em pontos do espaço real, tornando possível manipulá-los.

 

Tais novas realidades, especialmente a Realidade Mista, apresentam aplicações e possibilidades ilimitadas. São experiências visuais e sensoriais imersivas que permitem tanto aproximar o público comprador para testar, com níveis de detalhamentos sem precedentes, produtos do varejo, do setor imobiliário ou de entretenimento, bem como podem ser extremamente úteis em delicadas cirurgias ou outros procedimentos médicos.

 

Outro exemplo interessante de Fígital ocorre no filme Star Wars, no episódio “Rogue One”, produzido em 2016. Um dos atores do filme, Peter Cushing, falecido 22 anos antes, participa sem que os espectadores sejam informados ou percebam. Se é possível que um dos atores não esteja mais vivo, é igualmente razoável termos uma película onde todos os atores e atrizes sejam já falecidos. No limite, via plataformas digitais inteligentes, associadas ao uso de dados em grande escala disponíveis de pessoas já falecidas, é possível, em tese, viabilizar experiências inimagináveis entre vivos e mortos, integrando interativamente o físico e o virtual.  Adentramos o mundo fígital, onde as barreiras entre os espaços analógicos/presenciais e digitais/virtuais são rompidas. Um universo de novas aplicações se torna evidentes e promissor.

 

Em particular, na área da educação, as separações vigentes entre modalidades e aulas presenciais ou a distância desparecem quase por completo. As aulas podem ser holograficamente simuladas, permitindo todas as formas de interação e socialização entre os atores envolvidos no processo educacional. Onde o docente se encontra fisicamente fará menos diferença para efeito da experiência de aprendizagem vivenciada pelos seus educandos e a aprendizagem pode ser altamente favorecida. Mesmo assim, não há, e nem precisa ter, a pretensão de substituir por completo as interações humanas desprovidas de dispositivos.

 

Qualquer que seja o contexto que se avizinha, os desafios, os espantos e as oportunidades estarão presentes. A opção de desprezar ou minimizar a relevância dessas novas possibilidades representa, especialmente aos mais jovens, um risco enorme de exclusão pessoal e profissional sem precedentes. A melhor forma de naturalizarmos ao máximo essas novas tecnologias é criando mecanismos que permitam que todos, sem exceção, delas se apropriem de forma crítica e ética, ao mesmo tempo que, por causa delas, permaneçam ativos, produtivos e criativos.

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Imagem gentilmente cedida pelo colega Prof. Maurício Garcia.

 

 

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