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domingo, 17 de setembro de 2017 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 13:56

O que esperam os empregadores?

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empregadores

 

O mundo está mudando e os empregadores já não são os mesmos. Há uma grande tendência de que, progressivamente, o espaço de empregos tradicionais dê lugar ao surgimento de novas oportunidades profissionais, ancoradas em atividades e negócios inéditos. Neste cenário emergente, a figura do empregador clássico pode se alterar radicalmente ou, no limite, até desaparecer.

 

Mesmo assim, ao longo desta transição, os empregadores ainda são as pessoas responsáveis por dirigir empreendimentos, privados ou públicos, que continuarão decidindo sobre o futuro de parte dos profissionais desta geração. Portanto, bom sabermos mais sobre eles, o que pretendem quando contratam alguém e o que esperam dos profissionais contratados.

 

No passado recente, as expectativas dos empregadores acerca de um profissional a ser contratado eram menos complexas e mais previsíveis do que hoje. Atualmente, as próprias tarefas e missões estão se tornando quase impossíveis de serem antecipadas. Educar era mais simples, porém, as receitas anteriores não funcionam mais. Havia para cada uma das profissões uma relativa certeza acerca do conteúdo mínimo, bem como do conjunto associado de técnicas e procedimentos, que o formando deveria dominar.

 

Educar, contemporaneamente, continua a contemplar a formação profunda em um campo profissional específico, mas transcende em muito tal exigência, incluindo também desenvolver novas competências e habilidades socioemocionais que costumavam ser menos valorizadas.  São exemplos desses ingredientes o destemor por novos desafios, o estímulo à criatividade, a propensão à inovação e o desenvolvimento do espírito empreendedor, além de saber trabalhar em grupo, explorando empatia e compaixão

 

Permanecem existindo conteúdos imprescindíveis a qualquer profissional e que serão as bases iniciais de sua capacidade de resolver problemas. Entre eles, o letramento sofisticado, que permita entender e escrever textos complexos, o domínio consistente das operações matemáticas, associado à capacidade de desenvolver raciocínios abstratos, o hábito da adoção do método, em especial o uso da metodologia científica e sua aplicação a pensamentos complexos e a percepção adequada dos contextos geográfico e histórico, além do indispensável apreço pelas artes, pela cultura e pela ciência.

 

Ensinar nos padrões tradicionais nos tempos passados recentes teve enorme sucesso porque se mostrou compatível e coerente com as demandas inerentes aos modelos de desenvolvimento adotados até então. A complexidade atual exige ir muito além, introduzindo novidades, a maior parte delas decorrentes da emergência disruptiva das tecnologias digitais. Agir educacionalmente neste novo cenário demanda repensar a ciência da aprendizagem e propor e implementar modelos pedagógicos bastante distintos daqueles que, em geral, temos adotado. A memória se desvaloriza e a excessiva centralidade no conteúdo se fragiliza à medida que, gradativamente, o acesso à informação se faz ilimitado, instantâneo e gratuito.

 

A escola e seu principais atores foram até aqui menos afetados pelas tecnologias digitais do que o mundo externo a eles. Assim, em geral, os gestores educacionais e os professores, estranhamente, se mostram mais satisfeitos com o trabalho educacional que desenvolvem do que, de fato, se sentem os formandos e, especialmente, aqueles que os empregam. Este fenômeno por si evidencia um provável diálogo interrompido, até mesmo um divórcio, entre as realidades imaginadas nas escolas e aquelas vivenciadas pelos egressos em suas vidas profissionais.

 

As soluções educacionais em curso ainda são embrionárias, porém, algumas evidências sobressaem. O educando, mais do que nunca, é o centro e a aprendizagem, cada vez mais, personalizada. Todos aprendem o tempo todo e em qualquer lugar, sendo que cada um aprende à sua própria maneira. O domínio do conteúdo em si, ainda que relevante, torna-se relativamente menos importante do que ter aprendido a aprender. Assim, uma das mais refinadas artes educacionais é propiciar que cada educando aprofunde continuamente seu nível de consciência acerca de como ele aprende.

 

E como ficam os empregadores neste contexto? Tanto quanto os empregados, serão exigidos a rever conceitos, adotar novas estratégias e, por vezes, mudar radicalmente a essência de seus negócios.

 

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Figura em Domínio Público, tal como vista em: http://freesoftwaremagazine.com/articles/promoting_public_domain_creative_commons_cc0_initiative/c20080220_LOCPD_ww2_woman_operating_engine_lathe.jpg

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sábado, 2 de setembro de 2017 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 17:17

Educar é emancipar contra o “efeito manada”

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manada

 

Tenho procurado começar as aulas e palestras com exemplos simples da vida cotidiana. Um deles diz respeito à nossa provável primeira experiência logo após acordar. Ao nos depararmos no banheiro com um piso cerâmico e um tapetinho para os pés, evitamos o “frio” do piso cerâmico e sentimos conforto no abrigo “quente” do tapete. Este é o senso comum. Ocorre que, contrariamente à nossa percepção, tanto o piso como o tapete estão exatamente à mesma temperatura. Se alguém está em temperatura diversa deles é nosso corpo (em torno de 36o C).

 

Por que então a sensação térmica tão diversa? Há uma explicação, racional e simples. Os átomos e as moléculas que compõem os entes citados estão em constante agitação térmica e quanto maior forem os movimentos dessas partículas maior será a temperatura dos objetos. Processos de transferência de calor ocorrem entre corpos a diferentes temperaturas.  Quando em equilíbrio térmico, não há este processo. Piso ou tapete, ao entrarem em contato com o corpo mais quente, ambos dele recebem energia térmica, enquanto o corpo humano se esfria. As velocidades com que os processos de transferência de calor ocorrem nos dois casos são diferentes.  O piso cerâmico conduz energia rapidamente, resultando a sensação de frio. No caso do tapete, a perda de energia é relativamente lenta, promovendo a sensação de conforto.

 

Mesmo com conhecimento superficial dos conceitos envolvidos, a reflexão metódica e científica contribui para irmos além do senso comum, evitando o “efeito manada”, onde somos guiados pela percepção simplória, às vezes equivocada. O mesmo raciocínio vale para quando repetimos, acriticamente, o que os demais dizem ou pensam sobre assuntos gerais, ainda que sequer tenhamos refletido mais adequadamente sobre os temas específicos. Enfim, se logo cedo somos capazes de elucidar minimamente o enigma piso-tapete-corpo humano, somos estimulados a, seguindo a mesma estratégia, abordar qualquer outro assunto ao longo do restante do dia.

 

Biologicamente, nosso cérebro, ainda que composto de mais de uma centena de bilhões de neurônios e realizando mais de uma centena de trilhões de conexões sinápticas, não é capaz de processar todos os dados que nos chegam, via os diversos sensores.  Consequentemente, somos todos propensos a pegar atalhos, muitas vezes enganosos.

 

Há evidências de que a maioria tende a acreditar em pessoas que, segundo os critérios de quem analisa, estão bem vestidas ou com roupas similares de quem julga. Da mesma forma, há uma clara tendência de confirmação do que acreditamos à medida que convivemos, presencialmente ou virtualmente, com pessoas que pensam parecido. Ou seja, mesmo em temas polêmicos, priorizamos, ainda que inconscientemente, ouvir opiniões que confirmem nossas preconcepções e evitamos o convívio com aqueles que supomos, eventualmente, divergir.

 

Estarmos mais próximos daqueles com quem compartilhamos crenças ou opiniões parece natural e, para alguns mais ingênuos, até mesmo recomendável. No entanto, quando em dose exagerada ou excludente dos demais, podemos incorrer no risco de desprezar aqueles que, via suas sinceras críticas ou opiniões dissonantes, poderiam contribuir com as decisões que tomamos ou as convicções que formamos.

 

Entre as boas recomendações para lidarmos com elementos comportamentais de natureza tão complexa, incluem-se duas de primeira grandeza. Primeiro, acredite mais em seus próprios raciocínios, especialmente quando frutos da adoção de métodos científicos. Segundo, aprenda a ouvir a todos indistintamente, tanto aqueles que compartilham visões de mundo similares à suas como os demais que, por ventura, pensem de forma diametralmente oposta.

 

Educação tem tudo a ver com isso. Podemos, via a adoção de metodologias e abordagens, estimular tais atitudes ou, alternativamente, inibi-las. A partir do hábito de pensar cientificamente sobre as coisas do cotidiano e da prática de realizar balanços opinativos ancorados na diversidade, certamente construímos caminhos e pensamentos mais consistentes, sempre expostos às bem-vindas críticas. Assim, fruto dessas posturas, cultivamos o espírito crítico, libertário e solidário e a formação autônoma e independente de nossos próprios conceitos e opiniões.

 

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Imagem em Domínio Público, como visto em: 

https://pixabay.com/pt/foto-montagem-faces-%C3%A1lbum-de-fotos-1768409/

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domingo, 27 de agosto de 2017 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 11:33

Rede Brasileira de Criatividade: uma iniciativa estratégica

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Do ponto de vista econômico e social, o Brasil é um país que eventualmente avança e, em seguida, regride, sem dar mostras de um desenvolvimento duradouro e sustentável. Uma das explicações é que nossos profissionais e nossas indústrias apresentam produtividades médias relativamente baixas, o que é grave em um cenário de globalização crescente e de altíssima competitividade em termos de produtos e serviços.

 

Uma das causas da baixa produtividade é nossa escolaridade insuficiente.  No competitivo cenário internacional, são poucos os anos de estudo no Brasil e a qualidade do ensino é deficiente. Por outro lado, somos uma nação muito rica em recursos naturais e habitada por um povo que dá demonstrações incontestes de alta capacidade criativa e de fácil adaptação às inovações.  Sem estes ingredientes, sequer teríamos experimentado os avanços que efetivamente temos tido, não nutriríamos os níveis de esperança que ainda temos ou conviveríamos com as persistentes alegrias eventuais, as quais continuamos a desfrutar no dia a dia.

 

Considerando esses ingredientes, temos um expressivo potencial ainda pouco explorado no segmento econômico associado à indústria criativa. Este bilionário setor e que cresce ilimitadamente no planeta se caracteriza por entender a imaginação e a criatividade como as matérias primas principais para seus negócios. De acordo com a Firjan (Federação das Indústrias do Rio de Janeiro), as indústrias criativas geram no Brasil uma riqueza de mais de R$ 150 bilhões (dados de 2015) e sua participação no PIB é crescente, representando hoje algo em torno de 3% da economia nacional. É uma clara demonstração de potencial, mas podemos ir muito além.

 

A economia criativa inclui áreas como moda, design, softwares, arquitetura, audiovisual, gastronomia, música, entre tantas outras, e contempla produtos e serviços vinculados à cultura e arte, à ciência e tecnologia. Isso engloba pesquisa e desenvolvimento e todos os demais setores nos quais a criação humana faz a diferença na geração do valor agregado.

 

As metodologias e abordagens educacionais podem, ou não, ter o estímulo à criatividade e ao empreendedorismo como centro. Da mesma forma que nos tornamos hábeis em inibir a criatividade e a desprezar iniciativas empreendedoras, podemos fazer o contrário. O cenário atual das tecnologias digitais representa uma oportunidade única para repensar nossos processos de aprendizagem. Dispomos atualmente de ferramentas educativas que propiciam que todos aprendam e aprendam o tempo todo, levando sempre em conta que cada educando aprende de maneira única e personalizada.

 

Dentre as inúmeras boas iniciativas em curso, merece especial destaque a recém-lançada “Rede Brasileira de Criatividade”. A Rede tem por propósito ampliar a rede de colaboração entre pessoas, transformando a criatividade em estratégia real, acessível e aplicada. Pretende-se colaborar para que todos possam encontrar soluções inovadoras nos seus cotidianos. O projeto, idealizado pelo educador Prof. Gabriel Rodrigues, está estruturado em três pilares: i) um Portal, “As Coisas Mais Criativas do Mundo”, ii) a estruturação de uma Academia de Criatividade, disponibilizando ferramentas para despertar nas pessoas o potencial criativo que todos temos, e iii) a promoção e o incentivo às pesquisas e publicações na área. O primeiro dos pilares já está ativo e operante, com surpreendente número de acessos, acessível via a página “As Coisas Mais Criativas do Mundo”.

 

No Portal da Rede estarão gratuitamente disponibilizados conteúdos, testes, desafios, ferramentas gerais e um banco de conhecimento com o intuito de incentivar o desenvolvimento da criatividade. A expectativa é contribuir para a geração de transformações que impactem em empregabilidade, estímulos à exploração de novos negócios, autonomia intelectual e realização pessoal. Pesquisadores das áreas criativas publicarão artigos e desenvolverão ações que estimulem e colaborem para que professores e agentes educacionais dos vários níveis de ensino incorporem as habilidades criativas como elementos centrais dos processos de aprendizagem.

 

Em suma, temos grandes desafios a enfrentar, especialmente no campo educacional, e dispomos de predicados positivos, entre eles potencial criativo e espírito empreendedor, que podem nos ajudar nessas missões. Precisamos cumprir as tarefas que restam ser realizadas ao mesmo tempo que exploramos aquilo que nos caracteriza e que pode, em tese, propiciar os elementos diferencias competitivos em escala global.

 

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Figura em Domínio Público. O influente pintor e teórico russo Wassily Kandinsky tem sua obra em domínio público desde 2015. Na foto, “Composição VII”, considerada pelo autor sua obra mais complexa. Ver em:

http://www.huffpostbrasil.com/2015/01/02/tudo-free-as-obras-que-viraram-dominio-publico-em-2015_a_21671065/

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segunda-feira, 24 de agosto de 2015 aprendizagem, Educação e Tecnologia | 15:37

Aprender a aprender é mais do que aprender

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O ensino tradicional tem como foco central ensinar conteúdos, técnicas e procedimentos. O fruto direto do processo, ou seja, o que se aprendeu é, em geral, considerado mais importante do que o processo em si.

Tal modelo funcionou porque era harmônico com o mundo do trabalho correspondente no qual foi aplicado – ambientes baseados nos modelos de produção fordistas e tayloristas – e coerente com as correspondentes demandas por especialistas com memória apurada aplicada em atividades bem configuradas. Tudo isso em pleno acordo com o contexto geral dos últimos séculos, em especial com o século XX.

Esta solução educacional funcionou tão bem e por tanto tempo que aquilo que era uma metodologia entre várias quase virou sinônimo de método educacional, como se fora único e indiscutível. Desta forma, persistindo como dominante no cenário do processo de aprendizagem até hoje e, quando muito, permitindo variações sobre o mesmo tema, sem alterar sua essência.

Ao privilegiar o conteúdo aprendido sobre a consciência e o amadurecimento do hábito de aprender, predominou a ênfase na cognição, a qual está associada ao ato de conhecer, incluindo os estados mentais associados e os processos do pensamento relacionados à aquisição de conhecimentos. A cognição, com ênfase no saber algo, envolve múltiplos fatores como linguagem, percepção, memória, lógica, raciocínio e outros elementos importantes do desenvolvimento intelectual.

As tecnologias inovadoras, especialmente as tecnologias digitais, fizeram brotar uma sociedade contemporânea bastante distinta daquelas que vivenciamos antes. Pela primeira vez exploramos a oportunidade de termos informação plena e total, instantaneamente e gratuitamente acessível. Um dos reflexos decorrentes desta revolução diz respeito ao fato de que cognição perde sua centralidade, abrindo espaço, em termos de relevância, para um conceito mais amplo, a metacognição.

Metacognição, etimologicamente, significa “para além da cognição”, ou seja, a faculdade de conhecer o próprio ato de conhecer, associado à consciência dos atores envolvidos no processo de aprendizagem acerca de como se aprende ou como se ensina. O conceito de metacognição está relacionado ao ato de pensar sobre o próprio pensamento, onde a reflexão e a autoconsciência sobre a maneira como se aprende tornam-se, progressivamente, mais importantes do que o próprio ato de aprender em si.

Assim, mais importante do que aquilo que se aprendeu é se, ao longo do processo de aprendizagem, ao educando foi possível adquirir mais clareza acerca de como ele aprende, aumentando o seu nível de consciência sobre os mecanismos segundo os quais o processo pessoal ou coletivo de aprendizagem se desenvolve.

Neste novo contexto, o complexo aprender a aprender passa a ser mais relevante do que o simples aprender. O simples aprender tem tudo a ver com um mundo em que o período escolar estava circunscrito a um período limitado da vida. Em tempos passados, os profissionais, uma vez graduados, estavam prontos para suas missões e demandas futuras e, via de regra, sobreviviam de forma satisfatória no mundo do trabalho. O sofisticado aprender a aprender estabelece compatibilidade com educação ao longo da vida, com o conceito de  educação contínua e permanente.

Em suma, a cognição se preocupa quase que exclusivamente com constatar se o aluno aprendeu ou não (sabe ou não sabe); a metacognição inclui, com igual peso, o quanto o educando e o educador percebem a forma e os mecanismos com que eles próprios aprendem e ensinam (preparação ao saber resolver, portanto). Neste sentido, a cognição, associada ao aprender, atende ao passado e a metacognição, associada ao aprender a aprender, contempla o futuro.

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