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segunda-feira, 2 de maio de 2016 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Inovação e Educação | 18:32

Ser olímpico é ser grande e de qualidade

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Os gregos, em torno de 2.500 a.C., homenagearam Zeus, o maior dos deuses de sua mitologia, com a criação dos Jogos Olímpicos. As Olimpíadas da Grécia Antigas perduraram até 394 d.C., quando o Imperador Teodósio II, convertido ao cristianismo, proibiu todas as festas pagãs, inclusive os Jogos. As Olimpíadas renasceram somente 1.500 anos mais tarde, por iniciativa do francês Pierre de Fredy (1863-1937), o Barão de Coubertin.

 

Além dos Jogos Olímpicos, os gregos também são considerados os fundadores da instituição escola, tal qual a conhecemos hoje. Platão, um dos mais importantes filósofos da história, fundou em Atenas a Academia em 383 a.C., a qual é considerada um paradigma, ao menos no mundo ocidental. Assim, Olimpíadas e instituições educacionais têm em comum suas raízes fortemente fincadas na Civilização Grega e ambas inspiradas em elementos de grandeza e de qualidade.

 

O Rio de Janeiro foi escolhido para sediar neste ano as XXXI Olimpíadas da era moderna, sendo a primeira vez que elas ocorrem na América do Sul, quando serão disputadas 28 modalidades, duas a mais do que as Olimpíadas de 2012. É também a primeira vez, salvo engano, que uma instituição educacional, no caso a Estácio, é parceira integral do evento e responsável direta pela capacitação de dezenas de milhares de voluntários e outros participantes da organização do evento.

 

Contemporaneamente, celebramos a reunificação de dois dos maiores legados dos gregos: as Olimpíadas e a escola. As instituições educacionais estão representadas neste evento pela Estácio, a qual é uma das maiores organizações educacionais privadas do país, com mais de meio milhão de alunos matriculados no ensino superior atendidos por quase nove mil professores e cinco mil colaboradores não docentes.

 

Entre as missões da Estácio para transformar a sociedade por meio da educação, a mais relevante delas é propiciar um ensino de qualidade para muitos. O Brasil tem provado ser um país capaz de prestar atendimentos de qualidade, desde que para poucos, ou então de atender muitos, desde que sem garantias de qualidade. Não aprendemos ainda, infelizmente, fazer as duas coisas, qualidade e quantidade, ao mesmo tempo. Harmonizar bom nível e escala é a mais importante inovação olímpica que o país precisa. Propiciar qualidade para poucos ou então ofertar qualidade precária para muitos não é inovar e nem ser olímpico. Inovar e ser olímpico no Brasil de hoje é romper as barreiras que inviabilizam qualidade para muitos.

 

Pessoas educadas são essenciais para a melhoria da qualidade de vida de todos e para o aumento da competitividade e produtividade de um país. A formação de profissionais atualizados é estratégica para as economias competitivas globais. Profissionais com pouca escolaridade desenvolvem, de um modo geral, atividades manuais simples, sendo quase impossível a adaptação deles às técnicas e aos processos de produção mais sofisticados.

 

Portanto, ser olímpico na educação contemporânea, sendo simultaneamente grande e de qualidade, implica na formação de cidadãos competitivos, aptos a desempenharem tarefas complexas e dispostos a enfrentarem os desafios das novas e desconhecidas demandas, por meio do uso intenso e consciente de tecnologias inovadoras.

 

As Olimpíadas sempre foram e continuarão sendo grandes e de qualidade e o evento Rio 2016 servirá para reforçar, uma vez mais, a sua essência. A Estácio está honrada de fazer parte desta história e se integra aos mesmos propósitos olímpicos, certos que é parte de sua missão maior conjugar bom nível com quantidade, ofertando educação de qualidade para muitos.

 

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quarta-feira, 20 de abril de 2016 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Inovação e Educação | 11:08

Gestão e educação

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FeRazao

Fé é, basicamente, a ausência de dúvida. Ciência é, antes de tudo, o território da indagação. Esses dois conceitos, sem dúvida, reduzem e simplificam demasiadamente entes complexos. Ainda que sejam afirmações simples, as ideias centrais de ambos, fé e ciência, permitem ser assim explicitadas e enfatizadas.

 

Gestão não se enquadra exatamente em fé e há muita discussão sobre sua classificação enquanto ciência. No entanto, na prática, as implementações de modelos de gestão estabelecem no cotidiano interessantes vínculos associados tanto a fé como a ciência.

 

Pelo que sugerem as experiências, a adoção de um modelo de gestão, qualquer que seja ele, tende a melhorar os resultados. A opção pela absoluta ausência de modelos dá espaço ao individualismo, ao voluntarismo aleatório e ao uso destemperado de bom senso, caracterizados pela ausência de padrão, de rotina e de processos sistemáticos, dificultando, no decorrer do processo, analisar rumos e, mais ainda, corrigi-los, se for o caso. Da mesma forma, bons modelos de gestão devem, necessariamente, apresentar características suficientemente flexíveis, tais que individualidades e peculiaridades sejam contempladas.

 

A proposta deste texto não é aprofundar acerca de estratégias, planejamentos ou abordar outros temas específicos de gestão, mas sim analisar brevemente as eventuais conexões entre gestão, fé e ciência, à luz do mundo da educação. Para tanto, cabe observar que, ao implementar um modelo de gestão, há momentos que se caracterizam como de planejamento e discussões e, em tempos consecutivos, outros de implementação de ações e de exercícios práticos de campo. Esses limites não são absolutos e nem são fronteiras tão rígidas, persistindo sempre áreas sombreadas entre planejamento e ação.

 

A ciência diz respeito à promoção da discussão e da análise aprofundada, associada a estimular a dúvida e o uso das ferramentas derivadas do método científico, especialmente observação, lógica e análise crítica dos resultados e das experimentações. Tais características se adequam perfeitamente aos momentos de planejamento das ações.

 

Por sua vez, desde que estabelecidos os modelos, as estratégias e os planos de ação, entramos no território das ações propriamente. Momento em que é desejável que tenhamos máxima convergência, harmonia e sincronicidade. Para tanto, são requeridos comportamentos, individuais e de equipe, em que, a partir dos conhecimentos e acordos prévios, rotinas e padrões são assumidos, implicando no acatamento de sistemas e procedimentos, os quais tendem a funcionar melhor se os participantes têm nesses momentos menos dúvidas e mais fé ou convicção.

 

Essas conexões talvez fiquem mais evidentes quando expostas ao contrário. Seria inadequado analisar planos estratégicos, envolvendo a complexidade natural das diversas variáveis, se limitados pela fé cega em um único modelo de gestão. A crença na infalibilidade de um particular modelo de gestão é um caminho para o desastre, portanto, a fé é, neste caso, má conselheira. No planejamento há que se enaltecer e estimular as dúvidas e os questionamentos. Retirá-los, inibi-los ou não os estimular é enfraquecer fortemente esta etapa do processo, empobrecendo-a criticamente.

 

Por sua vez, após definidas estratégias e planos de ação, há que se perseverar no que foi proposto antes, implementando o programado. O espaço das ações em campo é corretamente refratário a se debater os pressupostos do planejado e há que se seguir adiante, até mesmo para permitir que as análises, ainda que parciais, sejam em cima de um processo de maturação de processos, padrões e rotinas em curso. Estimular prematuras e não sistematizadas análises, bem como excessivos debates sobre processos ainda em curso, tendem, em geral, a prejudicar a execução, não contribuindo com a necessária concentração nos elementos sistêmicos que permitam uma aferição posterior mais balizada.

 

Em suma, a educação nos ensina que gestão não se reduz a fé e nem a ciência, mas há ingredientes de ambos que podem sim contribuir com a gestão. Cabe ao processo educacional elucidar em quais momentos dos procedimentos de implementação de qualquer modelo de gestão há características que mais se aproximam de um e se distanciam do outro e vice-versa.

 

Sobre a figura: Faith and Reason United by Ludwig Seitz (1844-1908). Vatican Museum.

 

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domingo, 10 de abril de 2016 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Inovação e Educação | 14:30

Iconoclastia mal-educada

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ciclist

Em torno do século VII, o termo iconoclasta designava os adeptos do movimento de contestação à veneração de ícones religiosos. De fato, iconoclasta significa literalmente “quebrador de imagem”, derivado do grego eikon (imagem ou ícone) e klastein (quebrar). Contemporaneamente, este termo passou a ser aplicado também a qualquer um que quebre dogmas, convenções ou mesmo que desdenhe das regras estabelecidas.

 

O neurocientista Gregory Berns, ao final da década passada, lançou o livro “O Iconoclasta”, onde o conceito é atualizado e passa a ser aplicado também a uma pessoa rebelde que interpreta a realidade de uma maneira não usual e faz aquilo que o senso comum julga impossível ou não aconselhável de ser feito. Neste especial sentido, é permitido se referir como iconoclasta a alguém inovador e que, pela sua provocação e ousadia, gera avanços e questionamentos. Na perspectiva de Berns, enquanto uma pessoa comum percebe o mundo baseado na história passada e naquilo que lhe é relatado, o iconoclasta, antes de tudo, arrisca enxergar o diferente, assumindo os riscos das discordâncias, dos pioneirismos e das visões divergentes sobre temas supostamente bem estabelecidos.

 

Se, por um lado, podemos chamar a iconoclastia criativa de Berns de positiva, há igualmente a iconoclastia puramente resultante da má educação e da disposição permanente de descumprir regras estabelecidas, caracterizada por não respeitar aos demais, por desacatar as normas gerais de convivência social e reflete, de alguma forma, elementos de percepção de superioridade com relação aos outros. Nesta categoria estão comportamentos que refletem nosso passado, ainda tão presente em nosso hábitos e costumes do dia-a-dia, onde as rebeldias podem ter um viés puro de egoísmo e de desrespeito ao coletivo. A iconoclastia mal-educada pode ser evidenciada em pequenos delitos, os quais findam por respaldar e dar guarida aos grandes defeitos.

 

Vejamos um frugal e simples exemplo: aos domingos e feriados, assim como em tantas outras cidades, a orla do Rio de Janeiro tem uma das pistas fechada ao tráfego de automóveis, permitindo aos pedestres e ciclistas desfrutarem de espaço urbano essencial e prazeroso. Do Leme ao Leblon, há uma pequena pista dedicada exclusivamente aos ciclistas, nas quais se anuncia às demais pessoas que a evitem, bem como há uma faixa maior reservada aos pedestres, onde é explicitamente informado a todos que somente crianças com menos de oito anos a utilizem de bicicleta.

 

Ainda que não faltem avisos, é extremamente comum observar a dificuldade dos ciclistas de conviverem em harmonia com os pedestres. Muitas vezes vemos pessoas caminhando na pista de ciclismo, não raro em duplas, dificultando por completo a mobilidade das bicicletas, bem como observamos muitas bicicletas trafegando perigosamente no meio dos pedestres na faixa, em tese, a eles reservada. Bastaria que as proibições fossem respeitadas e todos, tanto ciclistas como pedestres, aproveitariam bem melhor seus respectivos espaços. Ao contrário, na prática, resultado da má educação, amplificam-se os conflitos e não raros desentendimentos surgem, transformando aquilo que deveria ser prazeroso em disputas e transtornos sem sentido.

 

Seria aconselhável que um policial ou autoridade municipal tentassem impor as regras, mas as chances de insucesso, infelizmente, seriam altas. Esta iconoclastia mal-educada não tem nenhum vínculo com a iconoclastia criativa de Berns, mas sim está atada ao que existe de pior em nossa cultura e é fruto da descrença nos governantes, estando ancorada nos estímulos às práticas individualistas de usufruir do máximo que puder, mesmo que em detrimento do coletivo.

 

O caso específico é exemplo muito trivial, mas que guarda profunda correlação com uma transformação, via boa educação, que todos acreditamos possível. E que essas mudanças, em todas as suas dimensões, contribuam para moldar para melhor a formação cultural de um povo que saiba, de forma coletiva e solidária, definir bem seus próprios destinos.

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quinta-feira, 31 de março de 2016 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Inovação e Educação | 08:08

Monges copistas eram brilhantes, mas sumiram

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Escribanofree

 

Os tempos contemporâneos são marcados pela profundidade e rapidez das mudanças em curso. Neste ambiente de informação plenamente acessível, instantaneamente disponibilizada e praticamente gratuita é absolutamente natural que atividades que estamos acostumados hoje sejam profundamente abaladas amanhã e que profissões que nos parecem eternas desapareçam, ou se tornem, raras brevemente.

 

Assim também foi no passado, ainda que em ritmo mais lento, quando grandes transformações se efetivaram. Uma das mais curiosas e ilustrativas diz respeito aos monges copistas. Esses monges eram totalmente dedicados à cópia de livros, os quais eram escritos à mão, utilizando penas de ganso e tinturas, decorados com pinturas e feitos sobre pergaminhos, ou seja, peles tratadas de carneiros ou cabras.

 

Essas cópias eram preparadas com especial esmero e, consequentemente, demoravam muito e os produtos finais resultavam extremamente caros, portanto, raros. Os monges copistas na Idade Média (séculos V a XV) eram cultos e faziam parte do extremamente seleto grupo que sabia ler e escrever. Na absoluta ausência de tecnologias que fizessem este trabalho, os monges copistas acreditavam que ao copiarem os livros estariam prestando um serviço a Deus, esforço recompensado pela liberdade que tinham em ilustrar as obras. Em geral, o trabalho manual de cópia dos manuscritos na Idade Média era realizado no interior dos mosteiros, em um quarto chamado scriptorium, daí a terminologia com significado amplo da palavra escritório tal como adotamos hoje.

 

O século XV não trouxe boas novidades aos monges copistas. O final da Idade Média, o começo do Renascimento, as novas descobertas, o crescimento do contato com o mundo oriental e o acesso às novidades vindas da China, da Índia e do mundo árabe promoveram mudanças profundas. Entre elas, a introdução do papel, invenção chinesa barata, abundante e de fácil recorte e manuseio.

 

Nos primeiros séculos da era cristã, a gravura em pedra e a produção de cópias eram dominadas pelos orientais, tanto pelos chineses como pelos coreanos e japoneses. Da mesma forma, usavam pranchas de madeira para gravar imagens e textos, os quais podiam ser reproduzidos por estampagens. Em torno do século XI, as primeiras impressões utilizando caracteres móveis começaram a ser adotadas na China, porém, dado serem os caracteres feitos de terracota precisavam ser substituídos a cada impressão, o que tornava o processo pouco prático e muito custoso. Houve tentativas na época de utilização de caracteres metálicos, mas mesmo assim muito dispendiosos.

 

Interessante observar que antes do século XV os europeus simplesmente não se interessaram por essas novidades em curso na Ásia. Esse quadro se altera no século XV. O alemão Johannes Gutenberg não inventou, mas sim “reinventou” a imprensa e é considerado o homem que aperfeiçoou de maneira decisiva a arte asiática, dado que ele desenvolveu os caracteres móveis de chumbo, que podiam ser utilizados indefinidamente, além de uma nova tinta de impressão e a prensa de imprimir. Com isso, mudou definitivamente o mundo dos livros, em todas as suas dimensões e consequências: política, econômica, social e religiosa. A partir de Gutenberg, uma nova história se desenvolve e os livros, antes raros, se tornaram abundantes porque baratos e de muito mais fácil manuseio, seja na fabricação ou sua utilização mais direta. Por sua enorme contribuição, Gutenberg pode ser chamado de pai da tipografia e do livro moderno.

 

Bem, e como ficaram os brilhantes e competentes monges copistas após Gutenberg? Eles foram se tornando cada vez menos necessários e praticamente desapareceram poucas gerações depois. Os tempos atuais reproduzem, à luz das tecnologias digitais, quadros muito similares e a história dos monges copistas se repetirá em escala muito maior em praticamente todas as ocupações atuais. O certo é que as atividades humanas em geral serão atingidas, umas mais rapidamente, outras perdurarão um pouco mais, mas todas as profissões, de alguma forma, serão revistas e algumas simplesmente desaparecerão.

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segunda-feira, 21 de março de 2016 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Inovação e Educação | 21:15

Trabalhar em equipe se aprende na escola

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Os seres humanos, desde as primeiras civilizações, sempre sobreviveram graças ao trabalho em grupo. Sem esse ingrediente, talvez, sequer tivéssemos existido enquanto espécie. A arte de armazenar o fogo, a eficiência das caças coletivas e até mesmo as inscrições rupestres deixadas nas cavernas foram algumas das marcas coletivas dos povos primitivos, cujas práticas nos permitiram chegar onde estamos hoje.

Assim, não há novidade na relevância do trabalho em equipe em nossa sociedade. No entanto, os processos ensino e aprendizagem, em geral, exploram muito pouco esta característica humana, sendo que a organização da escola tem desprezado este potencial, muitas vezes reprimindo-o. A escola tradicional supervaloriza a aprendizagem individual no processo de ensino via salas de aulas com alunos basicamente passivos e, especialmente, nos métodos avaliativos normalmente adotados.

Não chega a ser surpreendente que as organizações empresariais se anteciparam à escola na percepção da recente relevância do trabalho em equipe, reconhecido hoje como elemento estratégico e crucial nas instituições mais modernas e inovadoras. Na prática, findou-se por descobrir fora do ambiente escolar elementos interessantes como o fato que na maior parte dos casos estudados a equipe tende a ter maior sucesso quando composta por grupo entre cinco a nove membros. Da mesma forma, contrariando o senso comum, maior diversidade cultural, incluindo de gênero, étnica e de faixa etária, tende a gerar melhores resultados.

Além disso, as companhias se viram obrigadas a repensarem hierarquias clássicas, dado que, graças às tecnologias digitais, as equipes conseguem uma dinâmica que sugere um nível de horizontalização inédito, viabilizando soluções em tempos bem menores se comparados com o cumprimento de rituais clássicos cristalizados. Por fim, os conceitos de líder e liderança se adaptam aos novos tempos e assumem características inéditas, entre elas que o líder nem sempre é o mesmo ao longo de toda a missão e que o excesso de liderança individual pode gerar inibição dos demais, podendo mesmo, no limite, ser prejudicial.

As escolas gradativamente estão incorporando trabalho em equipe como elemento cada vez mais presente em seus processos educacionais. No entanto, avaliar trabalho em equipe é, de fato, sempre complexo, mas é possível ser bem executado em ambientes escolares que reconhecem nesta estratégia elemento essencial do processo de aprendizagem. Uma sugestão inspiradora, entre várias, para avaliar equipes vem da observação de bandas de jazz. Interessante observar que qualquer público atento, apreciador de boa música, sabe muito bem identificar diferenças entre uma banda que tem boa qualidade e outra de menor valor. Tão importante quanto isso, se todos os componentes tocarem solo, também saberão, razoavelmente, identificar quem toca bem e quem não executa tão bem.

Trabalhar em equipe viabiliza algo imprescindível nos tempos atuais, a aquisição e a construção coletivas do conhecimento, práticas nas quais o aluno se relaciona de forma diferente com o saber e quando as relações interpessoais desempenham papel preponderante. No trabalho em grupo, além do domínio do conhecimento, o aluno desenvolve várias habilidades, entre elas, aprender a avaliar, decidir, considerar as opiniões dos demais e, especialmente, compartilhar acerca das próprias práticas, dominando melhor os mecanismos segundo os quais ele aprende. Essas competências são cruciais para a vida, seja como profissional ou cidadão.

Em suma, trabalhar em equipe se aprende na vida, mas pode e deve ser estimulado e aprimorado na escola, e avaliar coletivamente deve ser um instrumento adicional de estímulo ao aprendizado. Preparar profissionais e cidadãos para um futuro que se avizinha torna imprescindível incluir trabalhos em grupo de forma sistemática com uso de metodologias que explorem soluções de problemas ou realizações de projetos.

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domingo, 13 de março de 2016 aprendizagem, Inovação e Educação | 10:16

Educação e tolerância política

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Não nascemos tolerantes, mas podemos sim aprender a sermos cada vez mais tolerantes. Ou seja, tolerância é algo que se ensina e é algo que se aprende. E se aprende sempre, ao longo de toda a vida. Particularmente, aos jovens é ainda mais relevante este conceito, dado que eles permanentemente testam a aplicação de conceitos abstratos a situações concretas.

Bobo e Licari são dois pesquisadores americanos que se dedicaram a este tema de forma sistemática (http://scholar.harvard.edu/bobo/files/education.pdf) e examinaram os efeitos da educação e da sofisticação cognitiva na extensão das liberdades civis a grupos inconformados ou indignados. De forma não surpreendente, eles identificaram efeitos positivos da educação nesses grupos e nas ações decorrentes, tanto para aqueles com pensamentos mais conservadores como mais progressistas. Segundo os autores, uma fração substantiva do efeito da educação no reforço da tolerância é mediada pela sofisticação cognitiva. Tais efeitos são ainda maiores quando as pessoas têm sentimentos negativos acerca dos grupos discordantes de suas ideias e de suas crenças.

Esse estudo citado evidencia de forma sistemática a relação entre educação e tolerância. Quanto maior o nível de educação da sociedade, mensurável pela escolaridade, expressa pelo número de anos na escola e qualidade do ensino, melhor para as instituições democráticas. Essa relação não é direta e nem simples ou imediata, no entanto, um nível de correlação é evidente, ainda que de natureza complexa.

Aparentemente são identificados pelo menos três dimensões ou mecanismos por meio dos quais educação impacta na qualidade dos processos democráticos: 1. nos valores e crenças individuais, onde é possível observar que pessoas mais educadas demonstram ser mais tolerantes à diversidade, elemento essencial ao estado democrático; 2. indivíduos mais escolarizados tendem a participar mais de processos democráticos, incluindo protestos políticos, o que contribui com enraizar os valores democráticos; 3. grupos mais educados têm uma melhor compreensão das características essenciais da democracia, aqui contidos os direitos das minorias e a liberdade plena de expressão.

Estudos em adultos evidenciam que características psicológicas, no que diz respeito aos níveis de tolerância, desempenham papel mais relevante do que variáveis outras como status social ou renda. Assim, pessoas com autoestima elevada tendem a ser menos dogmáticas e menos autoritárias. Da mesma forma, os níveis educacionais, em média, são bons preditores da capacidade de tolerância a ideias contrárias às convicções estabelecidas, evidenciando conexão entre maior escolaridade e maior conforto no convívio com crenças diversas.

O Brasil vive uma crise de dimensões econômicas e políticas superpostas e mais uma vez, em ambas, educação desempenha papel crucial. Do ponto de vista econômico, de forma muito breve, poderíamos traduzir, entre outras possíveis leituras, como uma crise de competitividade. Ou seja, porque somos menos escolarizados do que nossos competidores, temos uma produtividade mais baixa e, consequentemente, geramos produtos ou ofertamos serviços não competitivos, o que nos faz perder mercados, expondo-nos, como nação, a meros fornecedores de commodities. Isso em um cenário onde os valores agregados, decorrentes de aplicação intensiva do conhecimento, são os elementos definidores da capacidade de competir globalmente. De forma clara, na face econômica da crise pagamos um preço alto pela educação que deixamos de propiciar.

Na outra vertente da crise, a face política, de novo, a capacidade de superação destes difíceis momentos dependerá daquilo que formos capazes de construir, a partir da educação que estamos desenvolvendo em nosso cotidiano. Educação neste sentido não é algo estanque e dado a priori. Claro que os elementos formais de escolaridade contam, mas a educação produzida nas ruas e em curso também educa e contribui para melhorar (ou piorar, se malconduzida) nosso cenário político.

As melhores aulas práticas de democracia serão aquelas que materializam e solidificam nossos conceitos assimilados de formas mais abstratas até então. Assim, que aproveitemos as aulas em curso nas ruas para aprendermos cada vez mais e melhor. Nossos votos para que os exercícios práticos contribuam para elevar os níveis de tolerância, ampliem nossa educação política e culminem com maior capacidade reflexiva sobre o mundo que nos cerca.

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segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior | 11:39

Videoaula sobre a fundação do Rio de Janeiro

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Na educação contemporânea, o uso de videoaulas tende a se tornar cada vez mais comum e desejável. Na verdade, conteúdos multimídia, que vão muito além da vertente vídeo, passam a ser de uso corriqueiro, contribuindo enormemente com ampliação da aprendizagem.

A cidade do Rio de Janeiro comemorou no ano passado 450 anos de sua fundação. A história pode ser contada a partir de Estácio de Sá, sobrinho de Mem de Sá, terceiro governador-geral do Brasil. Ele foi nomeado por Dona Catarina, Rainha de Portugal, capitão de armada com a missão específica de expulsar os franceses da costa brasileira.

Estácio aporta na Bahia ao final de 1563 e depois, passando pelo Espírito Santo, chega ao litoral do Rio de Janeiro. Frente aos conflitos intensos com os índios, Estácio desloca-se inicialmente para São Vicente, onde fica em torno de nove meses, à espera de reforços vindos dos padres Manuel da Nóbrega e José de Anchieta.

Em 01 de março de 1565, Estácio de Sá e sua frota desembarcam em definitivo entre os morros Cara de Cão e Pão de Açúcar, onde fundam a cidade do Rio de Janeiro, dispostos a acabar com o domínio de mais de uma década dos franceses na região.

Os índios tamoios, aliados dos franceses, imediatamente atacam os portugueses recém-chegados. Somente dois anos depois, com reforços enviados por Mem de Sá, os portugueses consolidam seus domínios, contando com o apoio dos índios termiminós, inimigos dos tamoios. Porém, ao longo deste processo de conquista, o pioneiro Estácio de Sá é ferido mortalmente por uma flecha que lhe vazou um olho na Batalha de Uruçu-mirim, vindo a falecer um mês depois do incidente, provavelmente por septicemia decorrente do ferimento.

O nome Estácio de Sá estaria a partir daí marcado para sempre na história, eternizado como fundador daquela que viria a ser conhecida mundialmente como Cidade Maravilhosa. Cidade esta que seria depois capital do país e também estendendo sua denominação ao estado que até hoje a abriga.

O projeto de 1973 do Monumento a Estácio de Sá é de autoria de Lúcio Costa renomado arquiteto com obras de destaque no Rio de Janeiro e também autor do plano piloto de Brasília. Trata-se de uma construção com uso de pedras típicas do Rio de Janeiro, parecendo ser granito, tendo ao centro um obelisco também de granito. O obelisco que se inicio no subsolo, passa por sobre uma laje entremeada de vigas de concreto, laje esta que faz teto para o subsolo, e piso para a base do monumento, um pouco elevada e acima do solo do Parque ou Aterro do Flamengo.

Esta história é contada na videoaula que é parte integrante da Disciplina “Bases Físicas para Engenharia”, no tema “Método Científico”. Ela foi gravada no Memorial Estácio de Sá, no Aterro do Flamengo e pode ser assistida via o link abaixo:

http://portaldoaluno.webaula.com.br/cursos/O03473/Aula1/___A/01BasesFisicas.mp4

Bom proveito a todos.

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domingo, 21 de fevereiro de 2016 aprendizagem | 19:23

Mensagem aos educandos do signo de Peixes

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Para os nascidos entre 21/02 e 20/03, o recado essencial é claro, direto e curto: todos os astros estão alinhados, se conjugados com estudos e muitos esforços; sem estudos e sem esforços, não há como os astros ajudarem.

Assim, o melhor conselho é explorar sua capacidade imaginativa, seu raciocínio rápido e o espírito ardiloso para estudar ainda mais, de maneira concentrada e eficiente. Da mesma forma, procure explorar sua especial disposição para os contatos com os amigos, o que é essencial para aprender cada vez mais a trabalhar em equipe.

Você do signo de Peixes, que quando está amando o faz com muita intensidade e emoção, tem a rara chance de aumentar seu apreço pelo conhecimento, o qual também pode ser amado. Conhecer, neste sentido, é vício e paixão. Se surge uma leve desconfiança em relação à fidelidade daquilo que é assumido como sabido, isso desperta em você a curiosidade de desvendar, conhecer profundamente e sanar a dúvida ou a suspeita.

Em outras palavras, transforme o fato de que os nascidos neste signo vivem com o pé atrás em relação a tudo, para desenvolver progressivamente sua vocação investigativa. Você gosta de estar no comando, mas, antes de qualquer coisa, explore isso como uma tendência para trabalhar desenvolvendo projetos em equipe. Para quem gosta de pressão, bom que se torne cada vez mais disciplinado e cumpridor de cronogramas, assim concretizando os seus planos e apostando em sua singular disposição e força de vontade de vencer.

O signo de Peixes é considerado no Zodíaco aquele que mais curte a intimidade com muita paixão. Por isso, fica muito animado quando pode explorar pensamentos mais sofisticados e abordagens mais ousadas. Assim, por ser um signo tão exigente, os nascidos em Peixes têm o costume de se envolver com um grupo seleto de amigos. Porém, quem consegue conquistar a sua confiança, pode considerar-se uma pessoa de sorte, pois tem ao lado alguém leal e amigo para a vida inteira.

Você sabe guardar segredo e está sempre a postos para ajudar. Entretanto, espera dos outros o mesmo envolvimento e escolhe a dedo com quem se relaciona. Como tudo o que você faz é de maneira intensa e apaixonada, quando decide dedicar-se a um tema de estudos entrega-se de corpo e alma. Seu signo reserva energia para entender todas as áreas de conhecimento, afinal, gosta de refletir, analisar detalhes e entender bem todas as situações de seu interesse. Ao se deparar com qualquer novo desafio, tem jogo de cintura o suficiente para dar a volta por cima e resolvê-lo com tranquilidade.

Estando isso bem claro, a harmonia de Netuno e Marte anuncia aos piscianos no período próximo boas oportunidades. Mas o aviso, como enunciado antes, vem junto com a advertência: sem educação e muito trabalho, oportunidades sozinhas não levam a lugar algum. Acredite que muito estudo e esforço são as dicas principais aos nascidos neste signo. O restante, os astros garantem.

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domingo, 14 de fevereiro de 2016 aprendizagem, EaD, Educação e Tecnologia, Inovação e Educação | 16:04

Domínios de aprendizagem e o preceptor contemporâneo

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Benjamin Bloom, importante educador/psicólogo americano falecido ao final do século passado, é considerado o responsável pela formulação da taxonomia dos domínios de aprendizagem, a qual é ancorada, entre outros elementos, na suposição de que as operações mentais podem ser classificadas em níveis de complexidade crescentes.

Na década de 1980, Bloom, seguindo essa abordagem, apresentou um método de ensino conhecido como “Problema Sigma 2”. Essencialmente, tratava de prover aos estudantes tutoria individual ou em pequenos grupos. Esses alunos, quando comparados com colegas submetidos a métodos tradicionais baseados em salas de aula convencionais, apresentaram, em geral, rendimentos 98% melhores. O termo Sigma 2 deriva do fato que tal diferença implica em superar aproximadamente duas vezes o desvio padrão estatístico, garantindo que as melhorias são realmente muito significativas. Em outras palavras, 90% dos alunos submetidos à técnica de Bloom apresentaram resultados equivalentes aos 20% melhores das salas tradicionais.

A questão que persistiu durante muito tempo sem resposta era se os procedimentos associados seriam viáveis do ponto de vista custos e acessibilidade. Na época de Bloom, certamente, a resposta provável e comum seria: “qualidade custa caro e é mesmo para poucos”. Hoje, podemos, pioneiramente, começar a explorar novas possibilidades, via tecnologias digitais, para conjugar qualidade com quantidade.

Entre outros textos recentes, o artigo de Roshan Choxi (http://techcrunch.com/2016/01/09/how-startups-are-solving-a-decades-old-problem-in-education/#.iokds6t:zSpx/) discute como as startups do mundo digital podem tentar enfrentar e resolver problemas aparentemente insolúveis do passado. Ainda sabemos limitadamente acerca do quanto alternar o atendimento presencial, previsto por Bloom, por online poderá eventualmente trazer impactos sobre a qualidade, mas, por certo, pode contribuir muito com a viabilização orçamentária do atendimento individual ou pequenos grupos. Uma das missões das startups é explorar tais possibilidades, fazendo uso apropriado das tecnologias digitais e garantido mesma qualidade ou mesmo ampliá-la com competência.

A plataforma educacional Udacity, por exemplo, em 2013, adicionou em alguns cursos certificados de pequena duração (“nanodegrees”) a possibilidade de atendimento personalizado explorando videoconferências entre o mentor e o educando, simulando algo análogo ao proposto por Bloom, neste caso em versão digital. Os “coaches” do Udacity são basicamente profissionais do mercado que, conjuntamente a outros profissionais do ensino, dão o suporte personalizado e realizam o acompanhamento pleno dos projetos sob responsabilidade dos alunos, procurando ir além de análises simples de respostas de questões, sejam elas objetivas ou discursivas.

Mais recentemente, temos várias iniciativas preliminares explorando a combinação deste tipo de abordagem com a metodologia de aprendizagem baseada em problema (ou projeto), conhecida como PBL (do inglês, “Problem/Project Learning”). Podemos pensar, por exemplo, na formação de alta qualidade de profissionais como engenheiros de produção. Neste caso, adicionalmente ao conjunto de disciplinas online, há previstos, durante todo o curso, atendimentos presenciais em pequenos grupos (em torno de cinco) via preceptores. Eles são responsáveis tanto pelo acolhimento ao início do percurso educacional, incluindo a adaptação às novas metodologias e tecnologias, como pela supervisão dos projetos ao final do curso, colaborando na preparação ao exercício profissional. O preceptor, fazendo uso de PBL, atende os alunos tanto presencialmente, onde todas as atividades com estas características são desenvolvidas sob sua supervisão, como, complementarmente, via videoconferências remotas.

Ainda estamos longe de escrevermos os capítulos finais deste desafiante tema, mas a utilização das tecnologias digitais como forma de conjugar aprendizagem de qualidade com grande escala, certamente, é um caminho sem retorno. Mesmo assim, por mais que avancem as abordagens via plataformas digitais, elas não são capazes de, isoladamente, dar conta do amplo espectro de nuances individuais no que tange à forma de cada um aprender com mais eficiência. O professor, na sua atuação como orientador, mentor, “coach”, ou preceptor, é fundamental para ajudar a preencher todas as lacunas dos domínios de aprendizagem, evitando reduzir todos os alunos a meras curvas estatísticas, exageradamente impessoais. Os resultados dos esforços em curso poderão representar, em um futuro próximo, significativo avanço na democratização do acesso à educação de qualidade.

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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Inovação e Educação | 08:09

Zika e Educação

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O vírus zika está ligado aos estudos na formas mais múltiplas e diretas. Ele foi identificado por pesquisadores ao final da década de 40 na floresta Zika, em Uganda. A sua identificação é fruto da ciência, bem como a compreensão de sua ação no corpo humano e as possíveis ferramentas disponíveis para tentar evitá-la. Igualmente, o encaminhamento de possíveis soluções, seja vacina ou outros mecanismos, certamente passarão por mais conhecimento.

No começo do ano passado, casos em humanos foram detectados no nordeste brasileiro e muito rapidamente se espalharam pelo restante da América do Sul, Caribe, América Central e México. Além da transmissão confirmada pelo mosquito aedes aegypti, semana passada o Instituto Oswaldo Cruz detectou a presença do vírus ativo na salina e na urina, portanto, com potencial para causar infecções.

Esse vírus, embora mostre fortes evidências de ser extremamente perigoso, especialmente para grávidas, está, por enquanto, longe de ser o mais perigoso que já lidamos e, por certo, não será o último ou o mais letal. A preocupação maior diz respeito à possibilidade de microcefalia em fetos, podendo causar, sem cura, deficiência mental, limitação na fala, audição e movimentos.

O que se pode garantir é que todas os instrumentos disponíveis de enfrentamento conhecidos até aqui demandam, adicionalmente às ações regulares das autoridades na área da saúde, um envolvimento ativo diferenciado da população. Ou seja, o seu grau de disseminação é de tal natureza generalizado e pulverizado que somente convencendo todas as pessoas a agirem organizada e coletivamente teremos chances de evitar um grande desastre.

Esses pontos, associados ao esclarecimento e atitude da população, remetem ao nível de escolaridade, à qualidade da educação e, no limite, ao processo formativo decorrente das metodologias de aprendizagem comumente adotadas. Epidemias de vírus e bactérias surgirão, quase que inevitavelmente, em todos os países e de forma progressivamente crescente ao longo dos anos vindouros. O que diferenciará as nações e as regiões na efetividade dos embates será a qualidade do exército populacional que as compõem. Quanto mais educação e melhor qualidade de vida, incluindo saneamento básico, menos difícil será enfrentar os surtos, valendo igualmente o inverso.

No Brasil, temos graves deficiências educacionais, expressas pelo baixo nível de escolaridade e pelo fato dos escolarizados serem vítimas de processos de aprendizagem precários, cujas formações resultantes podem representar desvantagens relativas. As ações que são demandadas em momentos como estes exigem processos reflexivos e percepções de processos que, em geral, a educação focada somente em cognição simples fica a desejar, por ser insuficiente. Se cognição está associada ao processo geral de aprendizagem, notadamente transmissão de informação, a metacognição privilegia o avanço dos níveis de consciência do educando acerca dos mecanismos com que aprendemos. Em linhas gerais e de forma reduzida, cognição tem a ver com aprender, metacognição mais associada com aprender a aprender.

Neste particular momento, os atributos que serão exigidos da população em geral estão especialmente, não exclusivamente, ligados ao nível de amadurecimento dos processos metacognitivos. Assim, os fatos de não termos eliminado plenamente a miséria, expressa também pelo analfabetismo, os baixos níveis de escolaridade e as carências das metodologias educacionais adotadas poderão cobrar um preço muito alto. Resta aproveitar a situação para evidenciar as deficiências e transformá-las em ações que, simultaneamente a combater a disseminação do vírus, permitam refletir e agir sobre como temos conduzido nossas políticas educacionais.

A adoção da metacognição enquanto uma das centralidades educacionais significa, por exemplo, ir além do conteúdo e bases curriculares mínimas, incluindo, com a mesma importância, como explorar as múltiplas conexões entre os saberes integrados e a preparação para aprendizagem integrada baseada em projetos, em trabalhos em equipe e em solução de problemas. Ao não conferirmos ao segundo item a mesma ênfase do primeiro, somado a executarmos o primeiro com severas fragilidades, têm como produto reduzirmos nosso potencial de enfrentamento, seja neste evento epidêmico ou dos que virão a seguir.

Certamente a crise na saúde, a partir também deste evento específico zika, somado à grave crise de baixa produtividade no trabalho, portanto deficiente nível de competitiva global, com consequente aumento de desemprego e clara dificuldade de crescimento econômico, social e ambiental sustentável, tornarão prementes uma ação do Estado via mobilizações coletivas. Tais ações somente serão eficientes e eficazes se associadas diretamente à educação. Nesse sentido, o espaço educacional não é periférico ou de uso eventual, mas de natureza central e essencial. Quanto mais demorarmos a perceber tais conexões, estaremos desperdiçando recursos, tempo e, especialmente, oportunidades.

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