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Arquivo da Categoria Inovação e Educação

sexta-feira, 29 de julho de 2016 aprendizagem, EaD, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 08:42

Educação em tempos de ‘Pokémon Go’

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O aplicativo ‘Pokémon Go’ lançado há poucas semanas nos Estados Unidos, Austrália e Nova Zelândia já é o jogo mais baixado da história da internet. Ele marca, simbolicamente, o ingresso definitivo em um contexto inédito de utilização em grande escala de simulações, realidade aumentada e inteligência artificial.

 

Alguns podem entendê-lo simplesmente como um jogo de sucesso e não estarão errados, mas certamente não terão capturado a real dimensão em termos de impactos associados em todas as demais áreas. Por exemplo, as consequências educacionais do uso intensivo de realidade aumentada e de inteligência artificial são ainda preliminares, mas serão profundas e duradouras. Um novo capítulo será aberto quanto à preparação de profissionais para atuarem neste novo mercado, fruto de mudanças em grande escala nos modelos de negócios e de gestão.

 

Embora parte desses recursos e ferramentas já estejam disponíveis há décadas, seu uso intensivo ainda está no seu início. Os especialistas calculam que estamos falando de um mercado de centenas de bilhões de dólares anuais. Em suma, daquilo que hoje é eventual e incipiente, migraremos muito rapidamente para usos generalizados e abrangentes. No campo educacional, cabe um destaque especial às possibilidades decorrentes do uso ilimitado dessas tecnologias digitais, incluindo a impressora tridimensional, integrando informações virtuais a visualizações do mundo real, confundindo ambas e gerando múltiplas e inimagináveis possibilidades.

 

O mundo ocidental vivenciou algo similar há aproximadamente dois séculos atrás com o início da Revolução Industrial, especialmente com a invenção de máquinas motorizadas e com o desenvolvimento da tecnologia de geração de energia elétrica. Como consequência, tivemos a migração progressiva da população do campo para a cidade e a transformação do trabalho individual ou familiar na agricultura para o estilo fordista/taylorista de grandes massas nos ambientes das fábricas. Na verdade, aquele foi o capítulo preliminar das transformações em etapas do trabalho humano, inicialmente mediado por máquinas, depois plenamente substituído por elas e, atualmente, interagindo com máquinas que aprendem.

 

No período que começou no século XIX e perdurou ao longo do século XX, o trabalho braçal, pouco especializado e não dependente de instrução escolar específica, gradativamente perdeu espaço para a exigência de profissionais mais especializados, preparados via um ensino compatível com tais necessidades. O modelo industrial clássico e os serviços associados moldaram a escola e as metodologias educacionais do século XX. De forma análoga, adentrar uma sociedade com alto nível de automação, agora conjugada a máquinas que aprendem, e onde a informação está totalmente acessível, instantaneamente disponibilizada e gratuita impõe mudanças profundas no que educar passa a significar.

 

Nos séculos XIX e XX, ensinar estava basicamente associado a transmitir informações, técnicas e procedimentos compatíveis com as demandas do mundo do trabalho contemporâneo àquela época. Nos tempos atuais, educar passa a significar, principalmente, aquilo que permanece depois que esquecemos o que nos foi ensinado. O aprender a aprender juntamente com saber trabalhar em equipe se mostram nos recentes contextos mais relevantes do que propriamente o conteúdo objeto do ensino.

 

Nestas próximas semanas, quando ‘Pokémon Go’ estará sendo lançado no Brasil, importante percebermos que inteligência artificial e realidade aumentada, em conjunto com metodologias educacionais compatíveis, podem viabilizar um ensino flexível e personalizado, que constituirão as bases de uma educação inovadora em construção.

 

Sobre a figura: http://i2.wp.com/www.jenapolis.de/wp-content/uploads/2016/07/pokemon-1521104_960_720-DigiPD-CC0-Public-Domain-760-430.jpg?resize=760%2C430

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quarta-feira, 20 de julho de 2016 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Inovação e Educação | 09:20

Alma existe? Educacionalmente, parece que sim

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Platão foi um dos mais importantes filósofos da Grécia Antiga, tendo fundado, em 387 a.C., a Academia, primeira escola do mundo ocidental. As teorias e concepções platônicas estão diretamente ligadas à sua teoria da alma. No seu livro “República”, Platão concebe o homem como corpo e alma separáveis. Enquanto o corpo, que nada sabe, é mortal e impuro, a alma, que tudo sabe, é pura, imutável e eterna.

 

A ciência, ancorada no método científico, decretou a não existência da alma na falta de evidências e de comprovações objetivas acerca de sua realidade física. No entanto, Michael Graziano, pesquisador da Universidade de Princeton, sugere que o cérebro realiza tentativas de copiar a si próprio, transcendendo os processos mais simples, descritos via neurônios e sinapses, simulando algo que seria uma espécie de consciência, um “fantasma” que coabita o cérebro, ao qual podemos associar o conceito de alma, se considerarmos as funções atribuídas a ela por Platão. Nesta mesma linha, o pesquisador Max Tegmark, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), associa a ideia de alma a um estado especial da matéria, o “perceptorium”, que transcende as suas fases clássicas: sólida, gasosa ou líquida. O “perceptorium” seria o ente responsável e proporcionaria a subjetividade, que viabiliza a existência da consciência, fruto transcendente dos arranjos complexos de átomos e moléculas, semelhante ao que propunha Platão.

 

Como tais pensamentos se relacionam com algumas teorias educacionais contemporâneas? Não há nada direto ou evidente, mas aparentemente tudo se passa como se a alma ou estados transcendentes de consciência estivessem associados ao conceito de metacognição, ou seja, além da cognição. Cognição está relacionada aos processos mentais de aquisição do conhecimento, envolvendo fatores diversos como o pensamento, a linguagem, a percepção, a memória, o raciocínio etc. Curiosamente, a palavra “cognitionem” tem sua origem nos escritos de Platão e Aristóteles.

 

Metacognição se conecta ao aprender a aprender, algo além do aprender e suas etapas clássicas, abrangendo conhecer o próprio ato de aprender, contemplando especialmente os níveis de consciência ativa dos atores envolvidos no processo de aprendizagem. Assim, metacognição está relacionado ao ato de pensar sobre o próprio pensamento, onde a reflexão e a autoconsciência sobre a maneira como se aprende tornam-se, progressivamente, tão importantes como o próprio conhecer. Tão ou mesmo mais importante do que aquilo que se aprendeu é se o educando aumentou, ao longo do processo de aprendizagem, o seu nível de consciência sobre os mecanismos segundo os quais a educação se desenvolve.

 

Se cognição é ensino, metacognição é educação, lembrando as palavras de Albert Einstein: “educação é o que fica depois que esquecemos o que nos foi ensinado”. De forma bastante simplificada, cognição estaria ligada aos processos clássicos do cérebro e a aquisição de conhecimento, envolvendo as camadas de saberes, mediados pelos neurônios e pelas sinapses, enquanto metacognição incluiria algo transcendente que lembraria o conceito da alma ou consciência, contemplando, em complemento, a reflexão sobre o próprio conhecer e as diversas interconexões entre as camadas de saberes.

 

Figura de http://skyvington.blogspot.com.br/search/label/philosophy

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terça-feira, 12 de julho de 2016 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Inovação e Educação | 15:54

A revolução dos GIFs

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GIF são as iniciais da expressão em inglês “Graphics Interchange Format”, que se pode traduzir como “formato para intercâmbio de gráficos”. Trata-se de uma estratégia de uso de um específico formato de imagem de mapa de bits muito usado na internet, podendo ser útil tanto para animações como para imagens fixas.

 

Os GIFs são conhecidos há muito tempo, adotando-se 1987 como marco dos primeiros trabalhos. Assim sendo, a prática do uso de GIFs está por completar 30 anos, porém, como num novo despertar, nada parece ser tão promissor, em especial no que diz respeito ao potencial educacional dessa espetacular ferramenta.

 

Uma questão esteve presente na história mais recente acerca da opção de quando fazer uso de GIF ou JPEG (“Joint Photographic Experts Group”), formato este mais adequado em imagens mais complexas e com maior variação de cores. Por sua vez, GIFs parecem ser mais indicados para imagens lisas, permitindo uma compressão e transmissão relativamente mais fácil.

 

Assim, à medida que a internet foi ficando mais rápida e os processos de descompressão foram evoluindo, os GIFs fizeram bom uso de suas características que permitem que sejam produzidas animações ou pequenos clipes, os quais são salvos como imagens, sendo, em geral, mais leves que os vídeos em outros formatos. Ou seja, as imagens salvas em GIF podem ser comprimidas sem perda de qualidade. Como resultado, por serem de tamanhos reduzidos, foi possível estimular a criatividade na exploração da capacidade de abrigar sequências de pixels.

 

Nesta era de forte ressurgimento dos GIFs, além das facilidades tecnológicas de compressão, transmissão e descompressão, gerou-se uma cultura de produzir objetos de aprendizagem espetaculares, facilitando a compreensão e o aprofundamento de temas complexos, sempre em tempos recordes.

 

GIFs educativos são excelentes objetos para introdução rápida de temas difíceis, viabilizando passar informação educativa que pode ser assimilada rapidamente, sem risco de vulgarização ou mesmo de superficialidade. Este é o jogo: qualidade, simplicidade, profundidade e rapidez. Os temas são os mais variados. Arrisco a dizer que não há tema educacional que não tenha objetos GIFs associados disponíveis. Em geral, impressionam pela abordagem, estratégia e eficácia.

 

Ou seja, aquilo que era, em geral, animação para diversão pura, sem deixar de ser e sem perder o bom humor, hoje também se aprende e, especialmente, se ensina. Melhor que falar sobre eles, é poder mostrar. É possível e fácil aprender a fazer seus próprios GIFs, bem como participar de comunidades de GIFs educativos. Portanto, bom proveito e não deixem de ver, a título de exemplos, os links que seguem:

 

 

https://www.facebook.com/groups/1803932899828877/?fref=ts

 

http://www.boredpanda.com/amazing-educational-gifs/

 

http://www.picgifs.com/job-graphics/teacher/

 

http://classroomclipart.com/clipart/Animations.htm

 

http://dir.coolclips.com/Education/Gif_Animations/

 

http://giphy.com/search/educational-resource

 

http://www.abcya.com/animate.htm.

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sábado, 25 de junho de 2016 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 08:13

Oceano azul da educação privada

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Os mais de 8 milhões de matrículas do ensino superior brasileiro refletem principalmente um crescimento acentuado do setor privado nos últimos anos. Em especial, via as instituições educacionais ancoradas em empresas que têm procurado, cada qual a sua maneira, conjugar quantidade e qualidade.

 

Vivenciamos o ingresso acelerado em uma sociedade em que a informação está totalmente acessível e instantaneamente disponibilizada, na qual os perfis dos profissionais demandados se alteram profundamente. Neste novo cenário, o processo de aprendizagem é essencialmente reconfigurado visando a atender em grande escala a demanda de ensino personalizado em um contexto de educação permanente ao longo da vida. Os desafios contemporâneos passam a ser, principalmente, a geração de uma educação híbrida e flexível provedora de trilhas educacionais que consigam atender aos mais variados perfis e expectativas.

 

A educação flexível resulta dos pressupostos de que todos educandos aprendem, todos aprendem o tempo todo e, especialmente, cada um aprende de maneira pessoal e única. Para desenhar essas trajetórias personalizadas que maximizam o processo de aprendizagem é necessário uso intenso de tecnologia, liberar amarras burocráticas e estimular criatividades e experimentações. No entanto, como bem apontado pelo educador Edson Nunes, ex-Presidente do Conselho Nacional de Educação-CNE, as barreiras são enormes. Entre elas, os obstáculos criados de parte das profissões regulamentadas, ancorados em diretrizes curriculares nacionais rígidas, indutoras de conteúdos e abordagens. O Exame Nacional de Avaliação de Desempenho dos Estudantes, ENADE, completa o engessamento priorizando o específico, em detrimento do geral, num mundo em que o aprender a aprender é tão ou mais importante do que o que foi aprendido.

 

O setor público do ensino superior, pelas boas condições que reúne, teria condições de enfrentar esses problemas e apresentar soluções. No entanto, na prática, por limitações específicas e velocidades peculiares, resulta que temos hoje experiências localizadas que não escalam suficientemente para alterar o quadro vigente. O setor privado, por sua vez, é beneficiário do fenômeno de escala e da possibilidade de adoção rápida de tecnologias e metodologias inovadoras, bem como, em geral, é mais próximo no atendimento de demandas do mercado e do mundo do trabalho. As tecnologias digitais aplicadas aos processos educacionais, ao tempo que reduz custos, permitem ampliar qualidade e desenvolver modelos acadêmicos flexíveis. Neste mundo em que saber tratar muitos dados é essencial, a escala, ao contrário de reduzir qualidade, pode ser elemento indispensável para ampliá-la de forma criativa e sustentável.

 

As instituições educacionais brasileiras somente serão competitivas no mercado nacional se puderem atuar globalmente, sendo competentes no desenvolvimento de ambientes virtuais de aprendizagem e, desta forma, fazerem frente às empresas internacionais, altamente competitivas, já presentes no território nacional. Nenhuma delas, provavelmente, logrará enfrentar este desafio sozinha. Assim, mais relevante do que se digladiarem por espaços, o melhor caminho é a junção de esforços na consolidação do país enquanto produtor de conteúdos educacionais no estado da arte. Não há chance de sobrevida no mundo digital, a não ser na condição de usuário passivo e dependente, sem a capacidade de desenvolvimento de inteligência para entender os educandos, seja em suas fragilidades, suas potencialidades e seus desejos, e na capacidade de desenhar as trilhas educacionais correspondentes que melhor se adaptam a cada caso.

 

Em suma, há que se ir além das clássicas disputas no sangrento mar vermelho e enxergar além, explorando possibilidades de navegar conjuntamente em direção ao oceano azul.

  

Imagem de domínio público em: http://all-free-download.com/free-photos/download/drink_on_beach_204171_download.html

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quarta-feira, 15 de junho de 2016 Educação e Tecnologia, Inovação e Educação | 17:23

É o solo, estúpido!

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Em momentos de crise como estes que atravessamos neste momento no Brasil é bastante comum questionarmos nossa efetiva capacidade de promovermos um desenvolvimento econômico, social e ambiental sustentável. Ao que parece, conseguimos em alguns momentos crescer, mas não sabemos sustentar o crescimento, vivenciando períodos de euforia seguidos de depressão e vice-versa.

 

Há dois elementos, aparentemente contraditórios, que se destacam quando tentamos entender o tema em longo prazo. Parece evidente que um país sem educação adequada (nível de escolaridade e qualidade de ensino) inevitavelmente vai sofrer pelo subdesenvolvimento ou crescimento de curto prazo, resultantes da precariedade da mão de obra, dos maus serviços prestados pelo Estado e da incapacidade do setor produtivo em geral.

 

Por outro lado, é reconhecido que os recursos naturais que o Brasil tem fazem dele uma boa aposta em qualquer cenário futuro. Não há um argumento isolado para esta afirmativa, mas este conjunto de elementos favoráveis pode ser sintetizado em um de seus elementos: o solo, incluso nele todas as demais variáveis que o cercam.

 

Na campanha presidencial de 1992 de Bill Clinton, um de seus assessores, James Carville, cunhou a frase que viria a se constituir no mote da campanha: “É a economia, estúpido!”. Tal slogan traduziu o espírito daquele momento e mostrou ser fator decisivo para a vitória de Clinton sobre George Bush.

 

Nas discussões sobre o quão sustentável é ou pode ser o desenvolvimento brasileiro, da mesma forma, poderíamos resumir o diagnóstico do cenário futuro de maneira simplificada como: “É o solo, estúpido!”. Solo aqui representando todo o conjunto de condições que permitiriam promover um desenvolvimento sustentável ancorado na produção de alimentos, setor altamente competitivo que tende a ser cada vez mais estratégico no planeta Terra.

 

De forma resumida e simplificada, solo corresponde à camada superficial da crosta terrestre, item fundamental para o desenvolvimento da vida na terra, dado que dele retiramos os alimentos e demais itens necessários para nossa sobrevivência. Do ponto de vista econômico, a agroindústria, a agricultura familiar e outras formas de uso do solo são espaços de oportunidades, respondendo no seu conjunto por expressiva participação na riqueza do país, correspondendo a aproximadamente um terço do PIB e da geração de empregos e mais de 40% das exportações, gerando um saldo para a balança comercial de quase uma centena de bilhões de dólares. Esta notável posição expressa a vocação natural do país para a produção de alimentos, acrescida da qualidade do solo, incluindo clima favorável, água, relevo e luminosidade, e do fundamental conhecimento técnico e científico acumulado na área.

 

O Brasil, com seus 8,5 milhões de km2, dos quais menos de 30% são utilizados para agropecuária, é o país mais extenso da América do Sul e o quinto do mundo. Metade do território é ainda coberto por matas originais, permitindo explorar a possibilidade de uso racional e equilibrado do solo sem obrigatoriamente agredir o meio ambiente.

 

O solo fértil é a garantia da existência humana e a falta de consciência do homem no seu trato é um paradoxo. Visões individualistas, míopes ou de interesses de curto prazo têm gerado riscos de crise alimentar e de preservação do equilíbrio ecológico. O homem é um ser capaz de transformar conscientemente a natureza à sua volta e é, igualmente, capaz de estabelecer com ela uma política de uso consciente e duradouro.

 

Educação adequada, incorporação de conhecimento de fronteira e uso apropriado do solo representam simbolicamente a possibilidade real de um futuro com desenvolvimento sustentado para o Brasil. Até que atinjamos este nível, infelizmente, vivenciaremos períodos de euforia e depressão que se alternam.

Sobre a imagem: Burial chamber of Sennedjem, Scene: Plowing farmer, circa 1200 BCE [Public Domain]

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sábado, 4 de junho de 2016 Inovação e Educação | 08:40

Copacabana, diagonal do eclipse

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Copacabana, principal destino turístico do Brasil, é provavelmente uma das praias mais conhecidas do planeta, devendo constar de algumas listas de preferências fotográficas do mundo. Mesmo assim, ela, soberanamente, não perde sua austeridade, ou melhor, singelamente, se move ao ritmo das ondas, que sabem se deixar serem clicadas sem perder a graça ou a naturalidade.

 

Permanentemente se transforma, sem deixar de ser ela mesma. Um dia amanheceu sem a boate Help, no outro acordou repleta de stand-ups, bem como aguarda um Museu de Imagem e Som que se alonga no tempo. São mudanças que se anunciam e se completam incessantemente. Copacabana parece, pacientemente, suportar suas transições, certa de não perder nunca sua integridade mutante.

 

Copa um dia foi colônia de pescadores e o Posto Seis (que, curiosamente, não existe enquanto posto) nos lembra que permanece sendo. Na dúvida, um peixe fresco comprado no local, ainda hoje, nos comprova em definitivo tudo o que foi um dia.

 

As princesas que lhe seguem, Arpoador, Ipanema e Leblon, não lhe fazem sombra porque simplesmente com ela não competem. Não por não serem melhores, em alguns aspectos talvez o sejam, mas porque às princesas sábias não cabe lutar contra a rainha, especialmente se a sabem imortal.

 

Aquilo que gerou, o fez por assim ser. Os estilos musicais, a exemplo da Bossa Nova, refletiam, de alguma forma, a necessidade de tocar e cantar baixinho sem o que os vizinhos de Copacabana (e também de Ipanema, justiça se faça) reclamassem. Todos, sem exceção, movimentos culturais do país tiveram aqui seu especial espaço de expressão, criação e repercussão.

 

As festas de réveillon que abrem o ano em suas praias se estendem, de alguma forma, por todos os dias, a cada novo raiar de sol, quando tudo parece recomeçar neste Brasil. Ainda que tenhamos que conviver muitas vezes com as sujeiras, os maus tratos e algumas indesejáveis, inaceitáveis e deslocadas violências.

 

Ela, que renasce todos os dias ao alvorecer e que não vai dormir ao anoitecer, sabe fazer jus a todas as suas origens denominativas. Uns dizem que Copacabana teria origem no idioma quíchua, falado no Império Inca, significando “lugar luminoso” ou “mirante do azul”. Há quem diga que a origem seria da língua aimará, falada na Bolívia, cuja tradução seria “vista do lago”. Por sinal, há naquele país um lugar de mesmo nome no Lago Titicaca, que consta ter sediado cultos Incas dedicados a uma divindade Kopakawana, que protegia o casamento e a fertilidade das mulheres.

 

Se hoje Copacabana luta contra as intempéries das crises, sejam elas a nacional, a estadual, da indústria naval ou da indústria de óleo e gás, ela se lembra bem que tem enfrentado há quase um século o fechamento de cassinos, o movimento tenentista, as ditaduras e outras tantas intempéries. Há mais de meio século, o fim dos cassinos lhe parecia ser um golpe definitivo e que findou não sendo, bem como a crise atual também não terá esta competência de abalar sua beleza e vitalidade. Ela se refaz, como a beleza das rainhas austeras e eternas, sabendo se expressar pelas artes, pela vocação democrática e pela tolerância, em especial no respeito aos menos jovens.

 

Mais do que resistir, à sua maneira, Copacabana é um pouco a cara e a essência do Brasil, refletindo seus momentos de prosperidade e suas contradições. Neste momento, em que o país procura e encontrará seus caminhos, que ela saiba refletir de forma positiva as novas expectativas, construindo, com a sabedoria de uma rainha experiente, a diagonal de um eclipse que, por certo, atravessaremos.

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segunda-feira, 23 de maio de 2016 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 09:11

Metacognição política brasileira

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Metacognição, etimologicamente, significa “para além da cognição”, ou seja, algo além do aprender e suas etapas clássicas, abrangendo também conhecer o próprio ato de aprender, associado à consciência ativa dos atores envolvidos no processo de aprendizagem. Assim, o conceito de metacognição está relacionado ao ato de pensar sobre o próprio pensamento, onde a reflexão e a autoconsciência sobre a maneira como se aprende tornam-se, progressivamente, tão importantes como o próprio conhecer.

 

Portanto, nesta linha, assume-se que tão ou mesmo mais importante do que aquilo que se aprendeu é se ao educando foi possível adquirir, ao longo do processo de aprendizagem, mais clareza acerca de como ele aprende, aumentando o seu nível de consciência sobre os mecanismos segundo os quais a educação se desenvolve.

 

A situação econômica e social brasileira não é boa e a crise política instaurada é grave, portanto, nem há sequer pílula para dourar. No entanto, não há como enxergar o país somente com o olhar clássico, fotográfico e simples. É possível, complementarmente, perceber o que está embutido, o dinâmico e o complexo. A pergunta a ser feita, talvez a mais relevante, seja se estamos aprendendo ao longo do processo e, principalmente, se estamos entendendo a nós mesmos melhor enquanto atores políticos, aprendizes permanentes do processo. Curiosamente a resposta seria sim, mesmo que olhado dos pontos de vista mais díspares.

 

A crise econômica pode ter muitas explicações, mas fica cada vez mais evidente que todas estão associadas às tarefas não cumpridas antes e à baixa produtividade do trabalhador brasileiro. Esta, por sua vez, correlacionada à baixa escolaridade, entendida aqui enquanto limitadíssimo número de anos de estudo e má qualidade de ensino nos poucos anos frequentados.

 

A questão social, vinculada à crise, remonta a acúmulos que vieram progressivamente se agravando, desde o evidente e perverso contraste social que separa a casa grande da senzala e que, com pequenas oscilações, nunca se alterou na sua essência. Na política, nossa marca maior continua sendo a eterna vocação patrimonialista de confundir o público com o privado, o geral com o particular, findando os interesses coletivos submetidos aos interesses localizados. Esta lógica opera, desde o Brasil Colônia, para grupos e setores econômicos comodamente sempre alojados dentro do poder instituído. Da mesma forma, o mesmo raciocínio é válido para corporações diversas que se fazem representar ao nível do poder, ainda que cultivando um discurso por vezes progressista, e que findam sempre por desculpar privilégios setoriais em detrimento do todo.

 

Pela primeira vez, graças ao mundo das tecnologias digitais, exploramos, enquanto cidadãos e agentes políticos em potencial, a oportunidade de termos informação plena e total para todos, instantaneamente e gratuitamente acessível. Um dos reflexos decorrentes desta revolução diz respeito ao fato de que cognição divide sua centralidade, abrindo espaço, em termos de relevância, para um conceito mais amplo, a metacognição política.

 

Portanto, a cognição, associada a ser informado, de certa forma, atende principalmente ao passado e a metacognição, associada a cada vez mais refletir melhor sobre aquilo que lhe é informado, contempla prioritariamente o futuro. Claramente ainda estamos nos primórdios, mas estamos avançando e podemos fazê-lo com muito mais rapidez. Enquanto a cognição diz respeito, na sua forma mais simples, a constatar se o cidadão aprendeu ou não, a metacognição política inclui, com igual peso, o quanto o indivíduo e o coletivo percebem as formas e os mecanismos com que eles próprios aprendem e atuam, em preparação ao estratégico e improrrogável saber resolver.

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sexta-feira, 13 de maio de 2016 aprendizagem, EaD, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 21:27

Educação a distância: no começo estranha-se, depois, entranha-se!

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Há 80 anos, em Portugal, o escritor Fernando Pessoa foi convidado a produzir uma peça publicitária para um grande grupo internacional do ramo de refrigerantes, e assim o fez: “Primeiro estranha-se, depois, entranha-se!”. Naquela época, a bebida escura gaseificada estava chegando a Portugal, era desconhecida, de gosto estranho, e precisava de um pouco de poesia para abrir-lhe o caminho.

Hoje, parafraseando o poeta, em contexto sensivelmente distinto do original, permito-me apropriar da ideia do autor para descrever a educação aberta e a distância, que está, cada vez mais, presente em nosso cotidiano. Trata-se de uma modalidade de educação fortemente impulsionada pelas novas tecnologias de informação e comunicação, cujas potencialidades apontam para o atendimento às demandas inéditas da sociedade contemporânea, e em particular no Brasil, país privilegiado com dimensões continentais, nossos atrasos em termos de escolaridade e as desigualdades sociais e econômicas.

Muito além de ser um meio de superar problemas emergenciais ou forma de enfrentar questões de espaços territoriais, educação a distância (EaD) vem, progressivamente, conquistando espaços junto aos diversos sistemas acadêmicos e educacionais, sua oferta combinada aos modelos tradicionais de ensino, em diversos níveis, tem apontado para melhorias.

Por outro lado, no espírito de educação ao longo da vida, a educação a distância tem sido ingrediente fundamental na educação continuada da população adulta. EaD tem forte conexão com democratização de oportunidades educacionais, contribuindo com a formação de profissionais com competências múltiplas. Da mesma forma, estabelece fortes vínculos com democratização de oportunidades educacionais, contribuindo com a formação de profissionais com competências múltiplas, com especial ênfase no trabalho em equipe e na capacidade de aprender a aprender e estimulando o individuo a adaptar-se a novas situações.

Assim, a realidade de exigência de formação ao longo da vida propiciara desejáveis conexões entre o campo educacional e o campo do trabalho, que demandarão inéditas ferramentas pedagógicas que, por sua vez, gerarão fortes impactos, tanto sobre os métodos de ensino como sobre a organização dos ambientes de trabalho.

A Lei 5.692, de 1971, que fixava Diretrizes e Bases para o ensino de 1º e 2º graus, de forma pioneira no país e para atingir maior número de estudantes, se referiu à possibilidade de cursos supletivos utilizarem a modalidade a distância, por meio de rádios, televisão e ensino por correspondência. A nova Lei de Diretrizes e Bases (1996), consolida essa tendência, inovando com a possibilidade de educação a distância em todos os níveis e modalidades de ensino. No ano de 1998, dois Decretos publicados caracterizaram EaD e regulamentam a LDB, definindo competências entre os sistemas federal, estaduais e municipais.

Posteriormente, duas Portarias do MEC (uma de 2001 e outra de 2004) tratam da possibilidade de introdução de métodos não-presenciais na organização curricular e pedagógica dos cursos superiores reconhecidos.

Em um contexto em que a informação estará totalmente acessível, instantaneamente disponibilizada e gratuitamente ofertada, o processo ensino-aprendizagem será profundamente afetado e a incorporação de novas tecnologias e a introdução de metodologias inovadoras serão a marca destes novos tempos. Muito além da simples modalidade, o ensino a distância representa a real possibilidade de conjugarmos quantidade com qualidade e é o prenúncio de um novo período de educação híbrida e flexível, em um mundo globalizado e literalmente sem fronteiras.

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira, (LDB, Lei n.º 9.394, de 20 de dezembro de 1996) apresentou uma inovação no seu art. 80 estimulando o ensino a distância nos diferentes níveis. A criação da Secretaria de Educação a Distância (Seed/MEC), no início do Governo Fernando Henrique Cardoso (1994-2002), representou uma iniciativa positiva para a institucionalização da modalidade. No Governo Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2011), houve um significativo avanço da educação a distância, chegando ao quadro atual em que a educação a distância é a principal responsável pelo crescimento de matrículas no ensino superior.

Educação a distância baseada nas tecnologias digitais rompe fronteiras entre as nações e cumpre o mesmo papel no interior de cada país. Particularmente no Brasil, onde ainda não completamos sequer metade do caminho previsto no Plano Nacional de Educação (PNE) da década passada – “garantir acesso ao ensino superior a 30% dos jovens entre 18 a 24 anos” –, a utilização da modalidade é certamente imprescindível e estratégica para oportunizar que interessados de todas as classes sociais possam ter acesso à educação superior. Além disso, como apontado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep/MEC), progressivamente, mais de 40% dos ingressantes no ensino superior estão em faixas etárias mais maduras (acima de 24 anos). Esta população demanda metodologias educacionais próprias capazes de permitir que mesmo tardiamente, possa qualificar-se profissionalmente.

Distintamente da educação presencial, na educação a distância a escala não compromete a qualidade, muito pelo contrário. Todos os especialistas internacionais têm segurança em afirmar que a racionalidade e a economicidade envolvidas na modalidade permitem baixar custos e aumentar qualidade simultaneamente. Tal que é mais do que razoável afirmar que na boa educação a distância pode-se obter o dobro da qualidade pela metade dos custos.

Os estímulos para o estudo antes das aulas, a ênfase na existência de portais eletrônicos, aprender a não ter medo de utilizar plataformas, o estímulo à aprendizagem independente e ao ensino baseado em solução de problemas, incluindo metodologias que levem em conta os ambientes do mundo do trabalho, são exemplos de iniciativas que podem ampliar nos educandos habilidades e competências desejadas.

Pessoas educadas são essenciais para a melhoria da qualidade de vida de todos e para o aumento da competitividade e produtividade de um país. A formação de profissionais atualizados é estratégica para as economias competitivas globais. Profissionais com pouca escolaridade desenvolvem de um modo geral  atividades manuais simples, sendo quase impossível a adaptação deles às técnicas e aos processos de produção mais sofisticados. Portanto, a formação de cidadãos aptos a desempenhar tarefas complexas e dispostos a enfrentar os desafios das novas e desconhecidas demandas, por meio do uso intenso e consciente de tecnologias inovadoras, é essencial para a educação contemporânea.

 

Imagem: Domínio público em https://pixabay.com/pt/in%C3%ADcio-364177/

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segunda-feira, 2 de maio de 2016 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Inovação e Educação | 18:32

Ser olímpico é ser grande e de qualidade

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Os gregos, em torno de 2.500 a.C., homenagearam Zeus, o maior dos deuses de sua mitologia, com a criação dos Jogos Olímpicos. As Olimpíadas da Grécia Antigas perduraram até 394 d.C., quando o Imperador Teodósio II, convertido ao cristianismo, proibiu todas as festas pagãs, inclusive os Jogos. As Olimpíadas renasceram somente 1.500 anos mais tarde, por iniciativa do francês Pierre de Fredy (1863-1937), o Barão de Coubertin.

 

Além dos Jogos Olímpicos, os gregos também são considerados os fundadores da instituição escola, tal qual a conhecemos hoje. Platão, um dos mais importantes filósofos da história, fundou em Atenas a Academia em 383 a.C., a qual é considerada um paradigma, ao menos no mundo ocidental. Assim, Olimpíadas e instituições educacionais têm em comum suas raízes fortemente fincadas na Civilização Grega e ambas inspiradas em elementos de grandeza e de qualidade.

 

O Rio de Janeiro foi escolhido para sediar neste ano as XXXI Olimpíadas da era moderna, sendo a primeira vez que elas ocorrem na América do Sul, quando serão disputadas 28 modalidades, duas a mais do que as Olimpíadas de 2012. É também a primeira vez, salvo engano, que uma instituição educacional, no caso a Estácio, é parceira integral do evento e responsável direta pela capacitação de dezenas de milhares de voluntários e outros participantes da organização do evento.

 

Contemporaneamente, celebramos a reunificação de dois dos maiores legados dos gregos: as Olimpíadas e a escola. As instituições educacionais estão representadas neste evento pela Estácio, a qual é uma das maiores organizações educacionais privadas do país, com mais de meio milhão de alunos matriculados no ensino superior atendidos por quase nove mil professores e cinco mil colaboradores não docentes.

 

Entre as missões da Estácio para transformar a sociedade por meio da educação, a mais relevante delas é propiciar um ensino de qualidade para muitos. O Brasil tem provado ser um país capaz de prestar atendimentos de qualidade, desde que para poucos, ou então de atender muitos, desde que sem garantias de qualidade. Não aprendemos ainda, infelizmente, fazer as duas coisas, qualidade e quantidade, ao mesmo tempo. Harmonizar bom nível e escala é a mais importante inovação olímpica que o país precisa. Propiciar qualidade para poucos ou então ofertar qualidade precária para muitos não é inovar e nem ser olímpico. Inovar e ser olímpico no Brasil de hoje é romper as barreiras que inviabilizam qualidade para muitos.

 

Pessoas educadas são essenciais para a melhoria da qualidade de vida de todos e para o aumento da competitividade e produtividade de um país. A formação de profissionais atualizados é estratégica para as economias competitivas globais. Profissionais com pouca escolaridade desenvolvem, de um modo geral, atividades manuais simples, sendo quase impossível a adaptação deles às técnicas e aos processos de produção mais sofisticados.

 

Portanto, ser olímpico na educação contemporânea, sendo simultaneamente grande e de qualidade, implica na formação de cidadãos competitivos, aptos a desempenharem tarefas complexas e dispostos a enfrentarem os desafios das novas e desconhecidas demandas, por meio do uso intenso e consciente de tecnologias inovadoras.

 

As Olimpíadas sempre foram e continuarão sendo grandes e de qualidade e o evento Rio 2016 servirá para reforçar, uma vez mais, a sua essência. A Estácio está honrada de fazer parte desta história e se integra aos mesmos propósitos olímpicos, certos que é parte de sua missão maior conjugar bom nível com quantidade, ofertando educação de qualidade para muitos.

 

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quarta-feira, 20 de abril de 2016 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Inovação e Educação | 11:08

Gestão e educação

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FeRazao

Fé é, basicamente, a ausência de dúvida. Ciência é, antes de tudo, o território da indagação. Esses dois conceitos, sem dúvida, reduzem e simplificam demasiadamente entes complexos. Ainda que sejam afirmações simples, as ideias centrais de ambos, fé e ciência, permitem ser assim explicitadas e enfatizadas.

 

Gestão não se enquadra exatamente em fé e há muita discussão sobre sua classificação enquanto ciência. No entanto, na prática, as implementações de modelos de gestão estabelecem no cotidiano interessantes vínculos associados tanto a fé como a ciência.

 

Pelo que sugerem as experiências, a adoção de um modelo de gestão, qualquer que seja ele, tende a melhorar os resultados. A opção pela absoluta ausência de modelos dá espaço ao individualismo, ao voluntarismo aleatório e ao uso destemperado de bom senso, caracterizados pela ausência de padrão, de rotina e de processos sistemáticos, dificultando, no decorrer do processo, analisar rumos e, mais ainda, corrigi-los, se for o caso. Da mesma forma, bons modelos de gestão devem, necessariamente, apresentar características suficientemente flexíveis, tais que individualidades e peculiaridades sejam contempladas.

 

A proposta deste texto não é aprofundar acerca de estratégias, planejamentos ou abordar outros temas específicos de gestão, mas sim analisar brevemente as eventuais conexões entre gestão, fé e ciência, à luz do mundo da educação. Para tanto, cabe observar que, ao implementar um modelo de gestão, há momentos que se caracterizam como de planejamento e discussões e, em tempos consecutivos, outros de implementação de ações e de exercícios práticos de campo. Esses limites não são absolutos e nem são fronteiras tão rígidas, persistindo sempre áreas sombreadas entre planejamento e ação.

 

A ciência diz respeito à promoção da discussão e da análise aprofundada, associada a estimular a dúvida e o uso das ferramentas derivadas do método científico, especialmente observação, lógica e análise crítica dos resultados e das experimentações. Tais características se adequam perfeitamente aos momentos de planejamento das ações.

 

Por sua vez, desde que estabelecidos os modelos, as estratégias e os planos de ação, entramos no território das ações propriamente. Momento em que é desejável que tenhamos máxima convergência, harmonia e sincronicidade. Para tanto, são requeridos comportamentos, individuais e de equipe, em que, a partir dos conhecimentos e acordos prévios, rotinas e padrões são assumidos, implicando no acatamento de sistemas e procedimentos, os quais tendem a funcionar melhor se os participantes têm nesses momentos menos dúvidas e mais fé ou convicção.

 

Essas conexões talvez fiquem mais evidentes quando expostas ao contrário. Seria inadequado analisar planos estratégicos, envolvendo a complexidade natural das diversas variáveis, se limitados pela fé cega em um único modelo de gestão. A crença na infalibilidade de um particular modelo de gestão é um caminho para o desastre, portanto, a fé é, neste caso, má conselheira. No planejamento há que se enaltecer e estimular as dúvidas e os questionamentos. Retirá-los, inibi-los ou não os estimular é enfraquecer fortemente esta etapa do processo, empobrecendo-a criticamente.

 

Por sua vez, após definidas estratégias e planos de ação, há que se perseverar no que foi proposto antes, implementando o programado. O espaço das ações em campo é corretamente refratário a se debater os pressupostos do planejado e há que se seguir adiante, até mesmo para permitir que as análises, ainda que parciais, sejam em cima de um processo de maturação de processos, padrões e rotinas em curso. Estimular prematuras e não sistematizadas análises, bem como excessivos debates sobre processos ainda em curso, tendem, em geral, a prejudicar a execução, não contribuindo com a necessária concentração nos elementos sistêmicos que permitam uma aferição posterior mais balizada.

 

Em suma, a educação nos ensina que gestão não se reduz a fé e nem a ciência, mas há ingredientes de ambos que podem sim contribuir com a gestão. Cabe ao processo educacional elucidar em quais momentos dos procedimentos de implementação de qualquer modelo de gestão há características que mais se aproximam de um e se distanciam do outro e vice-versa.

 

Sobre a figura: Faith and Reason United by Ludwig Seitz (1844-1908). Vatican Museum.

 

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