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Arquivo da Categoria Inovação e Educação

segunda-feira, 12 de setembro de 2016 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 09:40

Como ir bem no ENEM: além de saber, saber resolver

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Este ano o Exame Nacional do Ensino Médio – ENEM completa dezoito anos. A maioridade não lhe confere perenidade de forma, ao contrário, há ventos de novas mudanças, as quais são compreensíveis, dado que o exame sofreu alterações essenciais. Nasceu com a finalidade de medir a qualidade do ensino médio, no entanto, a partir do final da década passada, se transformou quase que exclusivamente em teste nacional de admissão ao ensino superior.

 

O resultado é que hoje o exame abrange anualmente um público de quase oito milhões de candidatos, com interesses concentrados nas mais de 250 mil vagas das universidades públicas e de milhões de outras oportunidades de ingresso no ensino privado. O ingresso na faculdade não é a finalidade única do ensino médio, porém, na ausência de uma base nacional comum curricular, o conteúdo do ENEM findou por se tornar a referência quase única do que é, ou deveria ser, ensinado naquele nível.

 

O ENEM, progressivamente, adotou uma cobrança cada vez maior de profundidade no domínio de matérias como matemática, física, química, biologia, língua estrangeira, história, geografia e redação. Mesmo assim, o nível de aprendizado em matemática no ensino médio na última avaliação do Sistema de Avaliação da Educação Básica – SAEB atestou retrocesso naquilo que já ia mal. A ênfase do ENEM tem sido mensurar domínio de conteúdo, capacidade de memória e habilidade de responder questões no tempo previsto, funcionando como atestado formal em itens supostos essenciais a ingressantes em cursos superiores. O drama adicional é que tais elementos estão muito associados à formação típica esperada no século passado, onde um conjunto razoavelmente delimitado de conteúdos, técnicas e procedimentos caracterizavam um profissional de ensino superior preparado para atender as demandas da época. Isso mudou, está mudando e mudará ainda muito mais. Caminhamos rapidamente para um novo cenário onde mais relevante do que o que foi aprendido é o desenvolvimento da capacidade de aprender a aprender, com o consequente aumento da consciência do educando sobre como ele aprende.

 

O mundo contemporâneo apresenta novidades e desafios resultantes do ingresso acelerado em uma sociedade onde a informação está, cada vez mais, totalmente disponibilizada e instantaneamente acessível. Assim, simplesmente separar os candidatos entre os que sabem e os que não sabem determinados conteúdos torna-se menos relevante do que, simultaneamente, selecionar e induzir talentos aptos a saberem resolver problemas. Saber resolver tem a ver com saber, mas vai além, significando fazer uso das informações disponíveis para apresentar soluções a desafios.

 

A capacidade de interpretar e analisar textos, fazendo uso dos dados disponibilizados, o uso da lógica e do raciocínio crítico e o desenvolvimento de um conjunto de atributos que transcendem o domínio simples de conteúdos ajudarão o candidato a ir bem no ENEM. A resposta a uma questão depende não só de memória e do domínio de conteúdos, mas inclui também capacidade de foco e outras atitudes. Ou seja, estamos medindo, ainda que indiretamente, o nível de amadurecimento da consciência adquirida pelo educando acerca dos mecanismos segundo os quais ele aprende, o quanto ele conhece a si mesmo e faz uso disso. Neste sentido, felizmente, aprendizagem inclui também a habilidade de aprender a aprender em um contexto de educação permanente ao longo da vida.

 

Mesmo que o ENEM, como ele é hoje, vise a, principalmente, selecionar e distinguir entre os que sabem e os que não sabem, há espaços a serem explorados por aqueles que, mais do que saber, se preocupem em saber resolver. Irão bem no ENEM aqueles capazes de explorar as atitudes maduras perante os desafios, o que será fundamental durante o exame e, especialmente, depois dele.

 

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domingo, 4 de setembro de 2016 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Inovação e Educação | 09:42

E-mails: mensagens educadas e eficientes

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O e-mail foi desenvolvido por Ray Tomlinson ao final de década de 1960, na época da antiga rede Arpanet. Ele criou também o símbolo @ para separar o nome do usuário do servidor em uso. No entanto, a popularização do e-mail ocorreu somente a partir da criação da rede Internet na década de 1980.

 

Mensagens, nas suas mais diversas formas, são quase tão antigas como os humanos. O correio postal, em particular, remonta ao século II a.C. na Grécia Antiga. Consta que um general ateniense teria enviado um mensageiro correndo (daí a palavra correio de correr) para comunicar a vitória de seu exército sobre os persas. O mensageiro Filípides, após percorrer 42 quilômetros (padrão Maratona), findou pagando com sua vida o excesso cometido na corrida.

 

Os provedores gratuitos a todos, surgidos em meados da década de 1990, foram os grandes responsáveis pela revolução promovida pelos webmails. O pioneiro foi o Hotmail e, na sequência, aparecem outros como Yahoo!, AOL, BOL e Zipmail. Rapidamente, os e-mails se transformaram em ferramentas de trabalho cooperativo e fator de aumento de produtividade nas empresas. Foi possível agilizar processos, disseminar informações e baixar custos operacionais, porém, como toda novidade trouxe também suas dificuldades associadas, tais como: spam, possibilidade de fraudes, disseminação de vírus e perda de privacidade.

 

Mais recentemente, especialmente entre os mais jovens, os e-mails passaram a ser considerados menos atraentes do que outras ferramentas como WhatsApp, Twitter, Instagram e Messenger/Facebook. No entanto, os e-mails se mostram resistentes quando as mensagens têm caráter formal, exigem mais funcionalidades e quando há necessidade de registro de informações. Novidades como computação na nuvem demandarão mudanças nos e-mails, as quais já estão em curso. Por exemplo, a conta Google, derivada do Gmail, oferece serviços mais completos e totalmente integrados como Google Docs, Reader, Latitude e Voice.

 

Não há regras fixas de como enviar e-mails educados e eficientes. Lembremos, no entanto, que são mais de cem bilhões de e-mails enviados todos os dias, ou seja, mais de um milhão por segundo. Vale a reflexão para que você não perca tempo (e paciência) escrevendo (ou lendo) textos que não serão lidos ou que não valem a pena serem lidos. O empreendedor Peter Diamandis não lê (e não envia) e-mails com mais de três linhas. Segundo ele, se o assunto demanda mais informação, há a opção de anexo ou de marcação de conversas posteriores, inclusive via e-mails complementares.

 

Ao enviar um e-mail, uma regra de ouro é fazer bom uso da linha assunto, a qual deve ser esclarecedora e chamativa, sendo tão importante quanto o conteúdo que ela anuncia. Use sempre formatos os mais universais e adote tamanhos padrão. Parágrafos concisos e espaçamentos entre eles ajudam na leitura. Se precisar destacar algo, ao invés de mudar a fonte ou adotar maiúsculo, preferencialmente, use negrito ou itálico.

 

Evite enviar ou mesmo ler e-mails nos momentos em que você está emocionalmente abalado. E-mail, ao contrário do telefone e do contato pessoal, permite e estimula que você pense, leia e releia tudo o que for enviar ou receber. Finalize sempre com cumprimentos e agradecimentos. Escreva sabendo que tudo poderá ser tornado público com privacidade zero. O e-mail é hoje aceito como documento, podendo responder o autor pelo teor do mesmo, em qualquer circunstância. Cuidado com detalhes tais como a assinatura de trabalho em e-mails pessoais, correndo-se o risco de parecer pouco amigável.

 

Por fim, entendo e pratico que todos os e-mails de caráter pessoal e individualizados demandam respostas, ainda que, a depender do caso, sejam retornos breves ou repassados para outros setores ou pessoas com mais pertinência ao tema. Receber um e-mail e não o retornar é tão mal-educado como ser saudado com “bom dia” ou “boa tarde” e, simplesmente, não responder.

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terça-feira, 30 de agosto de 2016 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 16:52

Nova era industrial e educação na nuvem

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O projeto da máquina a vapor de Thomas Newcomen, aperfeiçoado por James Watt em 1777, é considerado o marco do nascimento da Revolução Industrial. Sua primeira aplicação foi abaixo do nível do solo ao retirar água do interior das minas de carvão na Inglaterra, substituindo o trabalho anteriormente feito por animais. Com carvão abundante e de melhor qualidade, o Império Britânico consolidou seu protagonismo na dominação econômica.

 

Um segundo ciclo de desenvolvimento transformador decorreu do uso industrial e residencial da eletricidade em larga escala ao final do século XIX. A expansão da tecnologia elétrica e dos motores nesse período trouxe novas possibilidades, marcando profundamente o século XX e transformando a sociedade, incluindo os setores de transportes, aquecimento, iluminação e comunicações. Podemos considerar como marco do terceiro período industrial a invenção do primeiro microprocessador. Em 1971, a empresa Intel, atendendo demanda de uma empresa japonesa, produziu o microprocessador 4004 com 2.300 transistores, registrando, simbolicamente, a emergência da era dos computadores e do mundo digital.

 

Contemporaneamente, já ingressamos na quarta era industrial. Observe que as inovações anteriores, na sequência, surgiram nas minas abaixo do solo, posteriormente, emergiram e preencheram a superfície terrestre com a tecnologia elétrica, e, em seguida, surgiram embutidas nos diversos dispositivos na forma de microprocessadores. Mais recentemente, as inovações ocupam um inédito espaço que se convencionou chamar de nuvem ou de computação em nuvem. Klaus Schwab, um dos fundadores do Fórum Econômico Mundial, lançou no início deste ano o livro The Fourth Industrial Revolution (disponível em: https://www.amazon.com/dp/B01AIT6SZ8#nav-subnav) contando com mais detalhes parte dessa história. Nesta era, via integração plena, todos estão conectados e todas as empresas, gradativamente, se tornam digitais e a nuvem é o elemento-chave.

 

Via a utilização da capacidade de armazenamento e de cálculo de servidores compartilhados e interligados por meio da internet, tudo pode ser acessado de qualquer lugar do mundo e a todo momento. É a vez da internet das coisas, da impressão 3D e da realidade ampliada, da inteligência artificial e das máquinas que aprendem. Todos os setores e atividades humanas serão impactados e educação, entre eles, demandará ser revista à luz de contornos inéditos, onde a informação está totalmente acessível, instantaneamente disponibilizada e gratuita. As demandas em termos de formação de profissionais e cidadãos desta nova era, incluindo as metodologias e estratégias educacionais associadas, ainda estão em aberto. Sabemos que teremos encruzilhadas e que as circunstâncias permitem, se não tomarmos os necessários cuidados, processos perversos de exclusão social mais acentuada. Por outro lado, tais tecnologias também viabilizam abrir oportunidades positivas jamais vivenciadas pelos humanos em termos de igualdade de oportunidades, via educação de qualidade para todos.

 

As inéditas facilidades na geração, tratamento e disponibilização de dados por meio da nuvem permitem processos inovadores de ensino de qualidade dirigidos a muitos. Temos disponível escala suficiente para conjugarmos, pela primeira vez, qualidade e quantidade, viabilizando um cenário onde cada educando poderá, mais do que somente aprender, aprender a aprender. O educando, a partir das tecnologias disponíveis e das metodologias compatíveis, escolherá com liberdade seus tempos e lugares próprios para aprendizagem, acompanhado por inteligentes plataformas que entendem cada um individualmente. Assim, com o suporte de educadores especializados, será possível gerar soluções customizados em que todos aprendem e todos aprendam juntos o tempo todo, mas cada aprendiz seguindo sua trajetória educacional personalizada.

 

 

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sexta-feira, 19 de agosto de 2016 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Inovação e Educação | 08:10

O método na história da humanidade

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Os humanos, desde suas primeiras formas de organização social, tentam compreender a natureza ao seu redor e a eles mesmos. A ciência diz respeito à parte do conhecimento advindo de métodos analíticos e sistemáticos, baseada especialmente no método científico, o qual foi consolidado no século XVII por personagens como Galileu e Descartes, entre outros. O método científico não é a única forma de tentar entender o mundo, mas tem sido o padrão dominante desde então. A palavra método, originária do grego, significa encaminhamento ou busca, em oposição ao acaso e ao aleatório.

 

O método científico é baseado na observação, hipótese, experimentação e verificação. Este método encontrou na Europa dos séculos XVII e XVIII terreno fértil para promover uma cultura racionalista, ancorada em hábitos científicos e exercícios de raciocínios sistemáticos. Destaque para a publicação do Principia em 1687 por Isaac Newton, marcando com as Leis de Newton e a Mecânica Newtoniana o amadurecimento definitivo do método científico. Nos séculos seguintes, a partir do desenvolvimento de áreas como a Termodinâmica e o Eletromagnetismo e de invenções como a máquina a vapor e os motores, estavam dadas as condições para a Revolução Industrial, consolidadora da sociedade moderna.

 

Para entender o mundo contemporâneo não há regras prontas ou receitas definitivas, muito menos garantia de sucesso pleno na empreitada, mas certamente é tarefa árdua sem conhecer as origens do método e do pensamento científico. Especialmente as fundamentais contribuições da Grécia Antiga e o papel relevante do período compreendido entre o fim da Idade Média e o Renascimento, quando são estabelecidos os ambientes nos quais surgem as bases da ciência moderna. As relações entre ciência, tecnologia e produção que marcam os últimos três séculos podem ser melhor caracterizadas a partir da compreensão do período anterior, o qual ilumina o presente e permite algumas considerações sobre o futuro que ainda nos aguarda.

 

Para colaborar na tentativa de melhor compreender e divulgar este tema, juntamente com outros autores, redigimos a obra “Método Científico & Fronteiras do Conhecimento”, publicado em 2003 pela Editora CESMA. A parte especificamente de minha autoria, referente ao Método Científico, está disponibilizada a todos os interessados em vários formatos, entre eles em videoaulas.

 

Aos que se interessarem pelo assunto, disponibilizo abaixo links para assistirem três vídeos, os quais hoje são partes integrantes da Disciplina “Bases Físicas para Engenharia” da Estácio. No primeiro, é desenvolvida uma abordagem geral sobre o tema. No segundo, uma breve introdução sobre a origem do universo, o surgimento da vida no planeta Terra e as primeiras experiências dos humanos vivendo em sociedade até o final da Idade Média. Na terceira e última parte, as relações entre a ciência moderna e a tecnologia por ela engendrada e as bases da sociedade moderna são apresentadas.

 

Parte 1: http://portaldoaluno.webaula.com.br/cursos/O03473/Aula1/___A/01BasesFisicas.mp4

Parte 2:

http://portaldoaluno.webaula.com.br/cursos/O03473/Aula1/___A/02BasesF%C3%ADsicas.mp4

Parte 3:

http://portaldoaluno.webaula.com.br/cursos/O03473/Aula1/___A/03BasesFisicas.mp4

 

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terça-feira, 9 de agosto de 2016 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 11:02

Aprendizagem independente é essencial

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Nos processos educacionais, educandos e educadores investem esforços e talentos visando à aprendizagem, que seria resultante do sucesso das estratégias e metodologias utilizadas. Como processo complexo, qualquer tentativa de simplificação está sujeita a erros graves. Assim, procurar destacar os elementos e as abordagens mais relevantes deveria ser a tarefa de qualquer educador interessado em melhorar o desempenho dos estudantes em relação a cada evento educacional específico.

 

Elementos culturais gerais da sociedade sempre estarão presentes como ingredientes fundamentais. O ambiente doméstico e os hábitos e costumes praticados no dia a dia interferem nas práticas e nos resultados educacionais, portanto, seria recomendável tê-los considerados quando da seleção das abordagens e das pedagogias adotadas. Uma nação, uma região ou um grupo social específico têm marcas registradas decorrentes de suas histórias anteriores que estabelecem com o processo educacional uma relação de desejáveis e inevitáveis interferências multilaterais.

 

Nossa carga cultural traz marcas bem descritas em obras consolidadas, entre elas destaco “Casa Grande & Senzala”, de Gilberto Freire. Neste e em outros estudos, são enfatizadas, de um lado, uma elite acostumada às benesses e aos privilégios, que justificam e estimulam o paternalismo e a acomodação, e, de outro, os demais submetidos à exclusão e à opressão, que desfavorecem a emancipação e as iniciativas empreendedoras. A tradição histórica que se reflete nas relações, seja nas ruas ou no trabalho, infelizmente, também repercute nas salas de aula, via pedagogias que prioritariamente estimulam a aprendizagem marcadamente dependente.

 

Portanto, no processo educacional, adicionalmente aos conteúdos a serem abordados, em complemento às técnicas e procedimentos que um futuro profissional ou cidadão devem dominar, há outros elementos, tão ou mais relevantes, que demandam estar presentes. Entre eles, a aprendizagem independente é essencial e não exclui o professor; ao contrário, o inclui via a adoção de metodologias que estimulem processos emancipatórios na aprendizagem. Especialmente no caso brasileiro, não basta ter aprendido o conteúdo, é imprescindível que no processo a ênfase na autonomia de aprendizagem ao longo da vida tenha sido enaltecida e priorizada, assim como é importante que níveis superiores de emancipação dos educandos tenham sido atingidos.

 

A notícia positiva é que o mundo das tecnologias digitais favorece a missão de estimular processos emancipatórios e mantém grande coerência com as metodologias ativas que se baseiam em aprendizagem independente, mediadas tanto pelo educador como pelos ambientes virtuais. Via as interfaces educacionais inteligentes e os recursos e ferramentas atualmente disponíveis, é plenamente possível traçar trajetórias educacionais personalizadas que levam em conta cada indivíduo, bem como fortalecer aspectos culturais e demais especificidades locais e regionais.

 

Temos a oportunidade inédita de conjugar escala e qualidade, contrariando as práticas anteriores, caracterizadas por qualidade para poucos ou má qualidade sempre que estendida aos demais. Contemporaneamente, ao contrário, podemos afirmar que só haverá qualidade se tivermos variadas referências para acesso, fruto de adotarmos tecnologias e metodologias que sejam aplicáveis para muitos. Hoje, seja na educação, na saúde ou em demais setores, inovar no Brasil é ousar propiciar qualidade para todos.

 

Figura: Domínio público, disponível em https://www.class-central.com/report/app/uploads/2015/06/Thoma-Loneliness.jpg

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sexta-feira, 29 de julho de 2016 aprendizagem, EaD, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 08:42

Educação em tempos de ‘Pokémon Go’

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O aplicativo ‘Pokémon Go’ lançado há poucas semanas nos Estados Unidos, Austrália e Nova Zelândia já é o jogo mais baixado da história da internet. Ele marca, simbolicamente, o ingresso definitivo em um contexto inédito de utilização em grande escala de simulações, realidade aumentada e inteligência artificial.

 

Alguns podem entendê-lo simplesmente como um jogo de sucesso e não estarão errados, mas certamente não terão capturado a real dimensão em termos de impactos associados em todas as demais áreas. Por exemplo, as consequências educacionais do uso intensivo de realidade aumentada e de inteligência artificial são ainda preliminares, mas serão profundas e duradouras. Um novo capítulo será aberto quanto à preparação de profissionais para atuarem neste novo mercado, fruto de mudanças em grande escala nos modelos de negócios e de gestão.

 

Embora parte desses recursos e ferramentas já estejam disponíveis há décadas, seu uso intensivo ainda está no seu início. Os especialistas calculam que estamos falando de um mercado de centenas de bilhões de dólares anuais. Em suma, daquilo que hoje é eventual e incipiente, migraremos muito rapidamente para usos generalizados e abrangentes. No campo educacional, cabe um destaque especial às possibilidades decorrentes do uso ilimitado dessas tecnologias digitais, incluindo a impressora tridimensional, integrando informações virtuais a visualizações do mundo real, confundindo ambas e gerando múltiplas e inimagináveis possibilidades.

 

O mundo ocidental vivenciou algo similar há aproximadamente dois séculos atrás com o início da Revolução Industrial, especialmente com a invenção de máquinas motorizadas e com o desenvolvimento da tecnologia de geração de energia elétrica. Como consequência, tivemos a migração progressiva da população do campo para a cidade e a transformação do trabalho individual ou familiar na agricultura para o estilo fordista/taylorista de grandes massas nos ambientes das fábricas. Na verdade, aquele foi o capítulo preliminar das transformações em etapas do trabalho humano, inicialmente mediado por máquinas, depois plenamente substituído por elas e, atualmente, interagindo com máquinas que aprendem.

 

No período que começou no século XIX e perdurou ao longo do século XX, o trabalho braçal, pouco especializado e não dependente de instrução escolar específica, gradativamente perdeu espaço para a exigência de profissionais mais especializados, preparados via um ensino compatível com tais necessidades. O modelo industrial clássico e os serviços associados moldaram a escola e as metodologias educacionais do século XX. De forma análoga, adentrar uma sociedade com alto nível de automação, agora conjugada a máquinas que aprendem, e onde a informação está totalmente acessível, instantaneamente disponibilizada e gratuita impõe mudanças profundas no que educar passa a significar.

 

Nos séculos XIX e XX, ensinar estava basicamente associado a transmitir informações, técnicas e procedimentos compatíveis com as demandas do mundo do trabalho contemporâneo àquela época. Nos tempos atuais, educar passa a significar, principalmente, aquilo que permanece depois que esquecemos o que nos foi ensinado. O aprender a aprender juntamente com saber trabalhar em equipe se mostram nos recentes contextos mais relevantes do que propriamente o conteúdo objeto do ensino.

 

Nestas próximas semanas, quando ‘Pokémon Go’ estará sendo lançado no Brasil, importante percebermos que inteligência artificial e realidade aumentada, em conjunto com metodologias educacionais compatíveis, podem viabilizar um ensino flexível e personalizado, que constituirão as bases de uma educação inovadora em construção.

 

Sobre a figura: http://i2.wp.com/www.jenapolis.de/wp-content/uploads/2016/07/pokemon-1521104_960_720-DigiPD-CC0-Public-Domain-760-430.jpg?resize=760%2C430

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quarta-feira, 20 de julho de 2016 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Inovação e Educação | 09:20

Alma existe? Educacionalmente, parece que sim

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Platão foi um dos mais importantes filósofos da Grécia Antiga, tendo fundado, em 387 a.C., a Academia, primeira escola do mundo ocidental. As teorias e concepções platônicas estão diretamente ligadas à sua teoria da alma. No seu livro “República”, Platão concebe o homem como corpo e alma separáveis. Enquanto o corpo, que nada sabe, é mortal e impuro, a alma, que tudo sabe, é pura, imutável e eterna.

 

A ciência, ancorada no método científico, decretou a não existência da alma na falta de evidências e de comprovações objetivas acerca de sua realidade física. No entanto, Michael Graziano, pesquisador da Universidade de Princeton, sugere que o cérebro realiza tentativas de copiar a si próprio, transcendendo os processos mais simples, descritos via neurônios e sinapses, simulando algo que seria uma espécie de consciência, um “fantasma” que coabita o cérebro, ao qual podemos associar o conceito de alma, se considerarmos as funções atribuídas a ela por Platão. Nesta mesma linha, o pesquisador Max Tegmark, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), associa a ideia de alma a um estado especial da matéria, o “perceptorium”, que transcende as suas fases clássicas: sólida, gasosa ou líquida. O “perceptorium” seria o ente responsável e proporcionaria a subjetividade, que viabiliza a existência da consciência, fruto transcendente dos arranjos complexos de átomos e moléculas, semelhante ao que propunha Platão.

 

Como tais pensamentos se relacionam com algumas teorias educacionais contemporâneas? Não há nada direto ou evidente, mas aparentemente tudo se passa como se a alma ou estados transcendentes de consciência estivessem associados ao conceito de metacognição, ou seja, além da cognição. Cognição está relacionada aos processos mentais de aquisição do conhecimento, envolvendo fatores diversos como o pensamento, a linguagem, a percepção, a memória, o raciocínio etc. Curiosamente, a palavra “cognitionem” tem sua origem nos escritos de Platão e Aristóteles.

 

Metacognição se conecta ao aprender a aprender, algo além do aprender e suas etapas clássicas, abrangendo conhecer o próprio ato de aprender, contemplando especialmente os níveis de consciência ativa dos atores envolvidos no processo de aprendizagem. Assim, metacognição está relacionado ao ato de pensar sobre o próprio pensamento, onde a reflexão e a autoconsciência sobre a maneira como se aprende tornam-se, progressivamente, tão importantes como o próprio conhecer. Tão ou mesmo mais importante do que aquilo que se aprendeu é se o educando aumentou, ao longo do processo de aprendizagem, o seu nível de consciência sobre os mecanismos segundo os quais a educação se desenvolve.

 

Se cognição é ensino, metacognição é educação, lembrando as palavras de Albert Einstein: “educação é o que fica depois que esquecemos o que nos foi ensinado”. De forma bastante simplificada, cognição estaria ligada aos processos clássicos do cérebro e a aquisição de conhecimento, envolvendo as camadas de saberes, mediados pelos neurônios e pelas sinapses, enquanto metacognição incluiria algo transcendente que lembraria o conceito da alma ou consciência, contemplando, em complemento, a reflexão sobre o próprio conhecer e as diversas interconexões entre as camadas de saberes.

 

Figura de http://skyvington.blogspot.com.br/search/label/philosophy

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terça-feira, 12 de julho de 2016 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Inovação e Educação | 15:54

A revolução dos GIFs

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GIF são as iniciais da expressão em inglês “Graphics Interchange Format”, que se pode traduzir como “formato para intercâmbio de gráficos”. Trata-se de uma estratégia de uso de um específico formato de imagem de mapa de bits muito usado na internet, podendo ser útil tanto para animações como para imagens fixas.

 

Os GIFs são conhecidos há muito tempo, adotando-se 1987 como marco dos primeiros trabalhos. Assim sendo, a prática do uso de GIFs está por completar 30 anos, porém, como num novo despertar, nada parece ser tão promissor, em especial no que diz respeito ao potencial educacional dessa espetacular ferramenta.

 

Uma questão esteve presente na história mais recente acerca da opção de quando fazer uso de GIF ou JPEG (“Joint Photographic Experts Group”), formato este mais adequado em imagens mais complexas e com maior variação de cores. Por sua vez, GIFs parecem ser mais indicados para imagens lisas, permitindo uma compressão e transmissão relativamente mais fácil.

 

Assim, à medida que a internet foi ficando mais rápida e os processos de descompressão foram evoluindo, os GIFs fizeram bom uso de suas características que permitem que sejam produzidas animações ou pequenos clipes, os quais são salvos como imagens, sendo, em geral, mais leves que os vídeos em outros formatos. Ou seja, as imagens salvas em GIF podem ser comprimidas sem perda de qualidade. Como resultado, por serem de tamanhos reduzidos, foi possível estimular a criatividade na exploração da capacidade de abrigar sequências de pixels.

 

Nesta era de forte ressurgimento dos GIFs, além das facilidades tecnológicas de compressão, transmissão e descompressão, gerou-se uma cultura de produzir objetos de aprendizagem espetaculares, facilitando a compreensão e o aprofundamento de temas complexos, sempre em tempos recordes.

 

GIFs educativos são excelentes objetos para introdução rápida de temas difíceis, viabilizando passar informação educativa que pode ser assimilada rapidamente, sem risco de vulgarização ou mesmo de superficialidade. Este é o jogo: qualidade, simplicidade, profundidade e rapidez. Os temas são os mais variados. Arrisco a dizer que não há tema educacional que não tenha objetos GIFs associados disponíveis. Em geral, impressionam pela abordagem, estratégia e eficácia.

 

Ou seja, aquilo que era, em geral, animação para diversão pura, sem deixar de ser e sem perder o bom humor, hoje também se aprende e, especialmente, se ensina. Melhor que falar sobre eles, é poder mostrar. É possível e fácil aprender a fazer seus próprios GIFs, bem como participar de comunidades de GIFs educativos. Portanto, bom proveito e não deixem de ver, a título de exemplos, os links que seguem:

 

 

https://www.facebook.com/groups/1803932899828877/?fref=ts

 

http://www.boredpanda.com/amazing-educational-gifs/

 

http://www.picgifs.com/job-graphics/teacher/

 

http://classroomclipart.com/clipart/Animations.htm

 

http://dir.coolclips.com/Education/Gif_Animations/

 

http://giphy.com/search/educational-resource

 

http://www.abcya.com/animate.htm.

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sábado, 25 de junho de 2016 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 08:13

Oceano azul da educação privada

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Os mais de 8 milhões de matrículas do ensino superior brasileiro refletem principalmente um crescimento acentuado do setor privado nos últimos anos. Em especial, via as instituições educacionais ancoradas em empresas que têm procurado, cada qual a sua maneira, conjugar quantidade e qualidade.

 

Vivenciamos o ingresso acelerado em uma sociedade em que a informação está totalmente acessível e instantaneamente disponibilizada, na qual os perfis dos profissionais demandados se alteram profundamente. Neste novo cenário, o processo de aprendizagem é essencialmente reconfigurado visando a atender em grande escala a demanda de ensino personalizado em um contexto de educação permanente ao longo da vida. Os desafios contemporâneos passam a ser, principalmente, a geração de uma educação híbrida e flexível provedora de trilhas educacionais que consigam atender aos mais variados perfis e expectativas.

 

A educação flexível resulta dos pressupostos de que todos educandos aprendem, todos aprendem o tempo todo e, especialmente, cada um aprende de maneira pessoal e única. Para desenhar essas trajetórias personalizadas que maximizam o processo de aprendizagem é necessário uso intenso de tecnologia, liberar amarras burocráticas e estimular criatividades e experimentações. No entanto, como bem apontado pelo educador Edson Nunes, ex-Presidente do Conselho Nacional de Educação-CNE, as barreiras são enormes. Entre elas, os obstáculos criados de parte das profissões regulamentadas, ancorados em diretrizes curriculares nacionais rígidas, indutoras de conteúdos e abordagens. O Exame Nacional de Avaliação de Desempenho dos Estudantes, ENADE, completa o engessamento priorizando o específico, em detrimento do geral, num mundo em que o aprender a aprender é tão ou mais importante do que o que foi aprendido.

 

O setor público do ensino superior, pelas boas condições que reúne, teria condições de enfrentar esses problemas e apresentar soluções. No entanto, na prática, por limitações específicas e velocidades peculiares, resulta que temos hoje experiências localizadas que não escalam suficientemente para alterar o quadro vigente. O setor privado, por sua vez, é beneficiário do fenômeno de escala e da possibilidade de adoção rápida de tecnologias e metodologias inovadoras, bem como, em geral, é mais próximo no atendimento de demandas do mercado e do mundo do trabalho. As tecnologias digitais aplicadas aos processos educacionais, ao tempo que reduz custos, permitem ampliar qualidade e desenvolver modelos acadêmicos flexíveis. Neste mundo em que saber tratar muitos dados é essencial, a escala, ao contrário de reduzir qualidade, pode ser elemento indispensável para ampliá-la de forma criativa e sustentável.

 

As instituições educacionais brasileiras somente serão competitivas no mercado nacional se puderem atuar globalmente, sendo competentes no desenvolvimento de ambientes virtuais de aprendizagem e, desta forma, fazerem frente às empresas internacionais, altamente competitivas, já presentes no território nacional. Nenhuma delas, provavelmente, logrará enfrentar este desafio sozinha. Assim, mais relevante do que se digladiarem por espaços, o melhor caminho é a junção de esforços na consolidação do país enquanto produtor de conteúdos educacionais no estado da arte. Não há chance de sobrevida no mundo digital, a não ser na condição de usuário passivo e dependente, sem a capacidade de desenvolvimento de inteligência para entender os educandos, seja em suas fragilidades, suas potencialidades e seus desejos, e na capacidade de desenhar as trilhas educacionais correspondentes que melhor se adaptam a cada caso.

 

Em suma, há que se ir além das clássicas disputas no sangrento mar vermelho e enxergar além, explorando possibilidades de navegar conjuntamente em direção ao oceano azul.

  

Imagem de domínio público em: http://all-free-download.com/free-photos/download/drink_on_beach_204171_download.html

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quarta-feira, 15 de junho de 2016 Educação e Tecnologia, Inovação e Educação | 17:23

É o solo, estúpido!

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agriculture

 

Em momentos de crise como estes que atravessamos neste momento no Brasil é bastante comum questionarmos nossa efetiva capacidade de promovermos um desenvolvimento econômico, social e ambiental sustentável. Ao que parece, conseguimos em alguns momentos crescer, mas não sabemos sustentar o crescimento, vivenciando períodos de euforia seguidos de depressão e vice-versa.

 

Há dois elementos, aparentemente contraditórios, que se destacam quando tentamos entender o tema em longo prazo. Parece evidente que um país sem educação adequada (nível de escolaridade e qualidade de ensino) inevitavelmente vai sofrer pelo subdesenvolvimento ou crescimento de curto prazo, resultantes da precariedade da mão de obra, dos maus serviços prestados pelo Estado e da incapacidade do setor produtivo em geral.

 

Por outro lado, é reconhecido que os recursos naturais que o Brasil tem fazem dele uma boa aposta em qualquer cenário futuro. Não há um argumento isolado para esta afirmativa, mas este conjunto de elementos favoráveis pode ser sintetizado em um de seus elementos: o solo, incluso nele todas as demais variáveis que o cercam.

 

Na campanha presidencial de 1992 de Bill Clinton, um de seus assessores, James Carville, cunhou a frase que viria a se constituir no mote da campanha: “É a economia, estúpido!”. Tal slogan traduziu o espírito daquele momento e mostrou ser fator decisivo para a vitória de Clinton sobre George Bush.

 

Nas discussões sobre o quão sustentável é ou pode ser o desenvolvimento brasileiro, da mesma forma, poderíamos resumir o diagnóstico do cenário futuro de maneira simplificada como: “É o solo, estúpido!”. Solo aqui representando todo o conjunto de condições que permitiriam promover um desenvolvimento sustentável ancorado na produção de alimentos, setor altamente competitivo que tende a ser cada vez mais estratégico no planeta Terra.

 

De forma resumida e simplificada, solo corresponde à camada superficial da crosta terrestre, item fundamental para o desenvolvimento da vida na terra, dado que dele retiramos os alimentos e demais itens necessários para nossa sobrevivência. Do ponto de vista econômico, a agroindústria, a agricultura familiar e outras formas de uso do solo são espaços de oportunidades, respondendo no seu conjunto por expressiva participação na riqueza do país, correspondendo a aproximadamente um terço do PIB e da geração de empregos e mais de 40% das exportações, gerando um saldo para a balança comercial de quase uma centena de bilhões de dólares. Esta notável posição expressa a vocação natural do país para a produção de alimentos, acrescida da qualidade do solo, incluindo clima favorável, água, relevo e luminosidade, e do fundamental conhecimento técnico e científico acumulado na área.

 

O Brasil, com seus 8,5 milhões de km2, dos quais menos de 30% são utilizados para agropecuária, é o país mais extenso da América do Sul e o quinto do mundo. Metade do território é ainda coberto por matas originais, permitindo explorar a possibilidade de uso racional e equilibrado do solo sem obrigatoriamente agredir o meio ambiente.

 

O solo fértil é a garantia da existência humana e a falta de consciência do homem no seu trato é um paradoxo. Visões individualistas, míopes ou de interesses de curto prazo têm gerado riscos de crise alimentar e de preservação do equilíbrio ecológico. O homem é um ser capaz de transformar conscientemente a natureza à sua volta e é, igualmente, capaz de estabelecer com ela uma política de uso consciente e duradouro.

 

Educação adequada, incorporação de conhecimento de fronteira e uso apropriado do solo representam simbolicamente a possibilidade real de um futuro com desenvolvimento sustentado para o Brasil. Até que atinjamos este nível, infelizmente, vivenciaremos períodos de euforia e depressão que se alternam.

Sobre a imagem: Burial chamber of Sennedjem, Scene: Plowing farmer, circa 1200 BCE [Public Domain]

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