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Arquivo da Categoria Inovação e Educação

quarta-feira, 1 de março de 2017 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Inovação e Educação | 19:49

O país do futuro está apaixonado pelo seu passado

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Motaanos60

 

Na semana passada fui assistir à peça “60! Década de Arromba – Doc Musical”, dirigida por Frederico Redar e roteiro de Marcos Nauer, com participação especial da cantora Wanderléa. A peça com 22 atores e que envolve mais de 60 profissionais na sua execução é altamente recomendável, mas o que mais me impressionou não estava no palco, e sim na plateia. É incrível a reação do público presente, atestando aquilo que um dia descrevi como sendo a confirmação de um país, que se proclamava como sendo do futuro, apaixonado pelo seu passado. Os aplausos eram dirigidos tanto aos atores como àqueles que aplaudiam a si mesmos por terem vivido e ajudado a construir aquela época.

 

Uma leitura possível, não a única, seria que há uma sensação coletiva neste momento no Brasil de que, mais uma vez, o almejado futuro não se materializou. Ou seja, o sonhado desenvolvimento econômico, social, ambiental e cultural sustentável dá espaço ao sabor de profunda frustração e ficamos, mesmo os mais otimistas, no aguardo de um novo ciclo, cuja data de inauguração não foi sequer anunciada.

 

Sabemos crescer, mas não sabemos fazê-lo de forma sustentável. Temos riquezas, naturais e humanas, reconhecidas mundialmente, mas elas parecem periodicamente perder para nossas persistentes deficiências e fragilidades. Identificar as complexas causas das recorrentes derrotas é tarefa hercúlea e fruto de muita controvérsia.

 

Tal cenário, onde a esperança parece adormecida, é acompanhado de modesta inspiração para produção cultural de qualidade. Um destacável reflexo de nossa pobreza cultural contemporânea são nossos olhos voltados ao passado como nunca. No campo da música, jamais se ouviu com tanto vigor os artistas das décadas de 60 e 70. No teatro, particularmente os musicais, é sintomático que quase todos os grandes sucessos dos últimos anos estejam dedicados a recuperar a vida de artistas daquela época.

 

Essa não é a única leitura possível. Outra seria que o que envelheceu foram as nossas réguas, nossos medidores das coisas, nas suas intensidades e qualidades. Olhar para o futuro querendo encontrar o passado, ou os sonhos dele, em geral, é naturalmente frustrante. Há algo escondido no futuro, que embora já presente, não consegue aflorar porque, de certa forma, o passado ainda não foi embora. Nunca nossas mazelas estiveram tão expostas e jamais as informações estiveram tão acessíveis a tantos com capacidade de modificá-las. Como essas novas condições farão emergir comportamentos inéditos e atitudes pioneiras ainda não está tão claro, mas é evidente que o novo virá.

 

Seja o que for que vier, terá no seu lado educacional termos conseguido, ainda que com qualidade precária, universalizar a educação fundamental e ampliado de forma significativa o acesso ao ensino superior. A população aprendeu, à sua maneira, enfrentar crises e gerar alternativas empreendedoras de sobrevivência. Além disso, geramos um caldo cultural que adora tecnologias digitais, sabe usá-las e, se tiver acesso à internet de qualidade e a baixo custo, os impactos serão incrivelmente positivos.

 

Sem dúvida falhamos em conjugar qualidade e quantidade. Permanecemos sendo um dos países de maior contraste social do planeta e pagamos um preço alto por isso, especialmente na segurança, ou na falta dela. Quando universalizamos ou ampliamos de forma significativa, o fizemos com rebaixamento de qualidade. Quando ofertamos qualidade, o fizemos para poucos, muito poucos.

 

A melhor maneira de nos ligarmos no futuro é enfrentarmos o desafio de inovar, fazendo o que jamais fizemos antes, propiciando acesso à educação e saúde de qualidade para muitos. Por isso, permanecem as esperanças em um futuro que já começou, embora os motivos das boas expectativas não estejam ainda tão evidentes.

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domingo, 19 de fevereiro de 2017 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 16:43

Legados Olímpicos

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A Estácio contribuiu para deixar um legado de ouro na capacitação de voluntários para as Olimpíadas 2016 no Rio de Janeiro. Professora Solange Pose foi umas das coordenadoras responsáveis pela missão e, juntamente com uma brilhante equipe, cumpriram a tarefa com excelência.

 

No livro “Olimpíadas 2016 + Professores”, de sua autoria, publicado pela Editora Vermelho Marinho, que será lançado neste março/2017, ela relata em detalhes e sistematiza essa história.

 

A pedidos, e com muita satisfação, fiz o Prefácio. Como o Prefácio, espero, não prejudica e nem substitui a obra, segue abaixo o mesmo intitulado “Herdeiros Olímpicos e Educacionais da Grécia Antiga”:

 

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Professora Solange Pose nesta obra nos propicia uma compilação singular de um conjunto amplo de experiências vivenciadas por ocasião das Olimpíadas no Rio de Janeiro em 2016. O enredo e os detalhes aqui apresentados nos permitem uma reflexão mais ampla e, principalmente, a percepção de que esta bela visão somente é tornada possível pela especial harmonia de dois entes: os Jogos Olímpicos em si e o papel da educação, enquanto capacitação de pessoas, colaborando na organização do evento.

 

A participação da Universidade Estácio de Sá representou para todos nós um marco histórico, especialmente por ter sido a primeira vez que uma Universidade ficou plenamente encarregada da missão específica de preparar os recursos humanos envolvidos na organização. Sentimo-nos todos honrados de termos cumprido a tarefa de forma elogiável, graças sobretudo à qualidade de profissionais encarregados de cumprir este desafio tão especial.

 

Neste Prefácio destaco que Olimpíadas e Escola, neste momento reencontrados, têm mais raízes em comum do que possa parecer evidente à primeira vista. As raízes históricas olímpicas e educacionais apontam ambas para a Grécia Antiga, tornando-nos herdeiros orgulhosos das duas iniciativas, as quais procuramos, enquanto civilização, levar adiante de forma mais qualificada, efetiva e colaborativa possível.

 

Sobre as Olimpíadas, os gregos, em torno de 2.500 a.C., homenagearam Zeus, o maior dos deuses de sua mitologia, com a criação dos Jogos Olímpicos. As Olimpíadas da Grécia Antiga perduraram até 394 d.C., quando o Imperador Teodósio II, convertido ao cristianismo, proibiu todas as festas pagãs, inclusive os Jogos. As Olimpíadas renasceram somente 1.500 anos mais tarde, por iniciativa do francês Pierre de Fredy (1863-1937), o Barão de Coubertin.

 

Por outro lado, os gregos também são considerados, de alguma forma, ao menos no mundo ocidental, os fundadores da instituição Escola, pelo menos tal qual a conhecemos hoje. Platão (428- 348 a.C.), um dos mais importantes filósofos da história, fundou em Atenas a Academia, em 387 a.C., a qual é considerada um paradigma em estudos mais especializados. Platão entendia educação como um método para formar os futuros cidadãos dirigentes de Atenas, dentro do apropriado espírito cívico e comunitário. A Escola Academia é considerada por muitos o nascimento ou embrião mais importante daquilo que denominaríamos, posteriormente, como Universidade. Platão, no seu intuito de atingir e disseminar entre seus educandos a virtude e correta compreensão da realidade, previa uma educação geral que incluía a música, a poesia e a capacitação física, sem esquecer a matemática, as ciências, a dialética e a prática política, entre outros. Assim, Olimpíadas e instituições educacionais têm em comum suas raízes fortemente fincadas na Civilização Grega e ambas inspiradas em elementos de grandeza e de qualidade.

 

Voltando ao mundo contemporâneo, o Rio de Janeiro foi escolhido para sediar no ano de 2016 as XXXI Olimpíadas da era moderna, sendo a primeira vez que elas ocorreram na América do Sul, quando foram disputadas 28 modalidades, duas a mais do que as Olimpíadas de 2012. Foi inédito uma instituição educacional, no caso a Estácio, ter sido escolhida como parceira integral do evento e responsável direta pela capacitação de dezenas de milhares de pessoas, entre voluntários e força de trabalho envolvidos na organização do evento.

 

Celebramos, portanto, a reunificação de dois dos maiores legados dos gregos: as Olimpíadas e a Escola. Este trabalho de Solange Pose nos materializa e consolida a percepção de que as instituições educacionais estiveram muito bem representadas nessas últimas Olimpíadas pela Estácio.

 

Destaco que, entre as missões da Estácio para transformar a sociedade por meio da educação, a mais relevante delas é propiciar um ensino de qualidade para muitos. O Brasil tem provado ser um país capaz de prestar atendimentos de qualidade, desde que para poucos, ou então de atender muitos, desde que sem garantias de qualidade. Não aprendemos ainda, infelizmente, a fazer as duas coisas, qualidade e quantidade, ao mesmo tempo. Harmonizar bom nível e escala é a mais importante inovação olímpica de que o país tanto precisa. Propiciar qualidade para poucos ou então ofertar qualidade precária para muitos não é inovar e nem ser Olímpico. Inovar e ser Olímpico no Brasil de hoje é romper as barreiras que inviabilizam qualidade para muitos.

 

O que este trabalho de Professora Solange Pose reafirma é que pessoas educadas são essenciais para a melhoria da qualidade de vida de todos e para o aumento da competitividade e produtividade de um país. A formação de profissionais atualizados é estratégica para as economias competitivas globais. Profissionais com pouca escolaridade desenvolvem, de um modo geral, atividades manuais simples, sendo quase impossível a adaptação deles às técnicas e aos processos de produção mais sofisticados. Portanto, ser Olímpico na educação contemporânea, sendo simultaneamente grande e de qualidade, implica na formação de cidadãos competitivos, aptos a desempenharem tarefas complexas e dispostos a enfrentarem os desafios das novas e desconhecidas demandas, por meio do uso intenso e consciente de tecnologias inovadoras.

 

Por fim, as Olimpíadas sempre foram e continuarão sendo grandes e de qualidade e o evento Rio 2016 serviu para reforçar, uma vez mais, a sua essência. A Estácio está honrada de ter feito parte desta história, aqui muito bem relatada por Solange Pose, e se integra aos mesmos propósitos Olímpicos, certa de que é parte de sua missão maior conjugar bom nível com quantidade, ofertando educação de qualidade para muitos.

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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Inovação e Educação | 13:07

Nosso rico legado lusitano

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Nós brasileiros cultivamos o inadequado hábito de debitar aos portugueses todas as nossas deficiências e fragilidades. Talvez seja parcialmente justo no que diz respeito à deliberada não prioridade (às vezes, proibição mesmo) à educação na colônia. Comportamento que após a independência e a implantação da República no Brasil pouco foi alterado, gerando a precariedade que lidamos hoje em nosso sistema educacional. Porém, salvo esse item (por mais relevante que ele seja), nos demais aspectos o nascimento deste Brasil teve o privilégio do contato com conquistadores que estavam no auge daquilo que viria a ser o primeiro império global. Se nos restou pouco disso, tampouco podemos culpar Portugal de hoje que também herdou bem menos do que merecia das audácias e competências daqueles fabulosos conquistadores dos séculos XV e XVI.

 

Há uma bela obra “Conquistadores: como Portugal forjou o primeiro império global”, de Roger Crowley, que elucida a epopeia portuguesa daquele período. A obra abre com maravilhosa citação de Fernando Pessoa: “O mar com limites pode ser grego ou romano; o mar sem fim é português”.

 

Para se compreender o alcance do domínio português, curiosamente, há que entender também a China, a maior potência mundial da época. No início do século XV, a dinastia Ming enviou várias expedições com muitos e portentosos navios (algo da ordem de centenas de navios e dezenas de milhares de homens) em direção ao ocidente, atingindo a Índia e região, bem como a costa oriental da África. Foram sete grandes expedições, as quais duravam de dois a três anos cada, cobrindo todo o Oceano Índico. Apesar de serem navios de combate e de comércio, as expedições eram basicamente pacíficas e visavam a, principalmente, reafirmar a existência de uma grande potência, a China, o centro do mundo.

 

Nesse mesmo período (primeiras décadas do século XV), um outro conjunto de eventos independentes ocorria na Europa ocidental. Em 1415, navios portugueses cruzaram o Estreito de Gibraltar e ancoraram em Ceuta, porto de população muçulmana em Marrocos. Portugal, com menos de 1 milhão de habitantes, relativamente pobres (viviam de pesca e agricultura de subsistência), ousou conquistar uma das mais prósperas e bem guardadas cidades de todo Mediterrâneo e da costa ocidental da África. A partir da surpreendente conquista de Ceuta, os portugueses perceberam os horizontes infinitos das potenciais riquezas da África e também do Oriente (o famoso “Caminho das Índias”). Os portugueses enxergaram um novo mundo que se contrapunha ao monopólio que era exercido por algumas cidades, a exemplo de Veneza, Florença e Gênova, no comércio com o Oriente de especiarias, pérolas, seda etc.

 

Porém, o futuro, a partir de então, teria sido bem diferente se as naus portuguesas ao cruzarem o Cabo da Boa Esperança, no extremo sul da África, tivessem se deparado com os fortes e, provavelmente, imbatíveis chineses.  No entanto, um lance de sorte deixou o campo aberto aos portugueses no Oceano Índico. Os chineses, a partir de 1433, por uma série de motivos, proibiram as viagens oceânicas e voltaram a se fechar ainda mais por detrás de suas muralhas. Literalmente passou a ser crime na China construir barcos com mais de dois mastros, limitando os avanços marítimos às costas próximas da própria China, gerando um vazio de poder que nossos patrícios lusitanos ocuparam com enorme maestria e violência. A ira contra o Islã só era menor do que o desejo de dominar o comércio na região, o qual ampliava-se sem limites. De certa forma, essa expansão portuguesa abria um novo capítulo no processo de globalização ainda em curso e com etapas muito importantes pela frente.

 

A não sustentabilidade e derrocada do Império Português têm inúmeras causas, incluindo os desastrados tratados com os ingleses e a opção equivocada pela não industrialização de Portugal e de suas colônias. Mesmo assim, essa história nos elucida o quão dinâmico é o mundo contemporâneo, à luz do passado nem tão próximo, e talvez contribua para entender os episódios mais recentes de ascensão de pensamentos como os de Trump nos Estados Unidos e de Marine Le Pen na França, a saída do Reino Unido da União Europeia e outros episódios similares.

 

Em resumo, a leitura da obra evidencia que o Brasil terá momentos de grandes oportunidades pela frente, especialmente se percebermos que o grande diferencial, mais do que nunca, é ter uma população educada, tolerante, criativa e inovadora capaz de apresentar soluções inéditas e sustentáveis a um mundo em permanente e rápidas transformações.

 

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Ilustração do livro citado.

 

 

 

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sábado, 4 de fevereiro de 2017 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Inovação e Educação | 13:54

Sócrates digital

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Sócrates é considerado um dos maiores pensadores da Grécia Antiga, com fortes influências até os tempos atuais em todas as civilizações ocidentais. Ele nasceu e morreu em Atenas no século V a.C. e foi considerado por seus contemporâneos um dos filósofos mais sábios, com papel muito relevante na disseminação do conhecimento e da prática da reflexão. Seu método, também conhecido como maiêutica, se caracterizava pelo estímulo ao diálogo e ao debate colaborativo e argumentativo sobre temas variados.

 

Platão foi seu mais importante discípulo e responsável por preservar suas contribuições, dado que Sócrates não escrevia. Um dos motivos para não escrever estava na sua capacidade de oratória, o que atraia os jovens de Atenas, além de que o uso das mãos era considerado na época mais apropriado aos escravos, artesãos, militares e agricultores. Um motivo adicional para Sócrates evitar a escrita teria sido estimular a memória de seus discípulos, os quais, segundo ele, poderiam desenvolver a preguiça sabendo que o conhecimento estaria disponível a qualquer tempo.

 

Sócrates finda sendo condenado à morte acusado pela elite de Atenas de pretender subverter os valores tradicionais da aristocracia grega, especialmente ao afirmar que as tradições, crenças e costumes tradicionais prejudicavam o desenvolvimento intelectual dos cidadãos. Platão, por sua vez, escreveu seus pensamentos e os pensamentos de Sócrates e fundou, após a morte de Sócrates, a Academia de Platão, que viria a ser a principal referência da escola moderna, ao menos no mundo ocidental.

 

O método socrático é baseado na dialética envolvendo a discussão onde um participante defende um ponto de vista e sobre ele é questionado, tentando-se no processo evidenciar contradições e fragilidades. Ao final, pretende-se que todos os atores envolvidos ampliem sua compreensão sobre o tema em debate. Uma das premissas do método trata da construção e eliminação de hipóteses, tal que a melhor delas sobreviva ao final. A forma básica envolvia uma série de questões, formuladas enquanto testes de lógica, procurando evidenciar verdades ou falsidades sobre os tópicos em apreciação. Aristóteles, discípulo de Platão, que não conviveu diretamente com Sócrates, debitava a ele a inspiração para o método indutivo, uma das bases essenciais do método científico posteriormente.

 

Vivemos hoje um mundo de informações plenamente disponíveis, de forma instantânea e praticamente gratuita, onde as tecnologias digitais estão invadindo e reconfigurando todos os campos de atividades humanas. Curiosamente, o atributo da memória, tão relevante para Sócrates, precisa ser relido à luz da quase vulgaridade do acesso à informação. No entanto, seu método, contraditoriamente, parece se mostrar incrivelmente atual em um cenário onde muito mais importante do que o que foi aprendido é ter ampliado a capacidade de pensar, de refletir e ampliar a consciência do educando sobre os mecanismos segundo os quais ele aprende. Universidades tradicionais como Oxford no Reino Unido, a qual visitei recentemente, se orgulham, e com razão, de terem no método socrático sua principal referência metodológica.

 

O método socrático, em sua versão digital, convivendo com plataformas de aprendizagem, abundância de conteúdo e forte interatividade, será mais eficiente e eficaz se os educadores envolvidos no processo fizerem uso dele para estimular habilidades e competências típicas da contemporaneidade. São desafios e complexidades diversas de épocas anteriores, com destaque para a relevância sem precedentes de estímulos à inovação e criatividade, entendidas como imaginação colocada em prática. Da mesma forma, o método é apropriado para estimular a compaixão, a qual deve ser compreendida enquanto empatia aplicada, ou seja, a prática da capacidade de entender o outro por se colocar na situação dele. Igualmente, via educação, há que se ampliar horizontes de tolerância e da absoluta importância do trabalho colaborativo em equipe. Os docentes somente serão capazes de propagar tais características se eles as adotarem para si mesmos, dado que, seguindo o espírito do método proposto, é no exercício prático de tais habilidades que as propagamos e assim formamos nossos educandos.

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Figura em Domínio Público, disponível em: http://opencc.co.uk/assets/Uploads/2012/05/socrates-300×171.jpg

 

 

 

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terça-feira, 24 de janeiro de 2017 aprendizagem, EaD, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 14:05

Avant-première do aplicativo Spark da Cisco

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Aproveitando a participação em Londres no evento BETT (http://www.bettshow.com), hoje foi dia de visitar o Centro de Pesquisa e Inovação da Cisco no Reino Unido (http://www.cisco.com/c/m/en_uk/innovation/index.html).

Cisco é uma companhia sediada na Califórnia-USA (Cisco, de fato, vem do nome da cidade San FranCISCO) com 50.000 empregados em todo o mundo, inclusive Brasil, e com um faturamento anual de quase U$ 30 bilhões em 2016.

A atividade principal da Cisco é o oferecimento de soluções para redes de computadores e comunicações, tanto na fabricação e venda de roteadores e switches, bem como na prestação de serviços por meio de suas subsidiárias Linksys, WebEx, IronPort e Scientific Atlanta.

No início de suas operações, a Cisco apenas fabricava roteadores de grande porte para empresas, sendo uma das maiores empresas do planeta nesta área. Gradualmente diversificou os seus negócios passando a atender também ao consumidor final tecnologias como Voip. Ao mesmo tempo, progressivamente, seu segmento corporativo foi sendo ampliado, inclusive para área educacional.

Hoje, por feliz coincidência, é dia do lançamento mundial de prometidos grandes avanços na Plataforma Digital Spark Board, a qual promete ter sido desenhada para revolucionar as ferramentas de trabalho em equipe à distância.

As aplicações na área educacional são promissoras, seja especificamente em educação a distância bem como nas múltiplas versões híbridas de ensino.

O aplicativo Spark promete ser disruptivo e inovador ao facilitar o trabalho em equipe, com pessoas e missões conectadas. Reune pessoas, envia arquivos de qualquer natureza e tamanho e realiza video conferências, com alta qualidade e de forma muito fácil, entre todos os membros do grupo. A versão gratuita viabiliza reuniões de até 3 pessoas. A promessa final é menos e-mail, mais agilidade e melhor qualidade do cumprimento de missões em time. A segurança via criptografia garante que os arquivos trocadas via nuvem são impenetráveis, prometendo privacidade absoluta.

Para mais informações acesse http://www.ciscospark.com.

Vale a pena conferir e baixar gratuitamente o aplicativo.

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quarta-feira, 18 de janeiro de 2017 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Inovação e Educação | 09:16

McLuhan, meio século depois: o meio era, de fato, a mensagem

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O filósofo e educador canadense Herbert Marshall McLuhan (nascido em Edmonton em 1911 e falecido em Toronto em 1980) é considerado por muitos um dos mais relevantes pensadores do século XX.  O que é certo é que ele antecipou os impactos, com detalhes, do que viria a ser uma futura rede mundial de computadores, a internet, a qual só foi viabilizada décadas depois de sua morte. Suas ideias e análises originais têm contribuído substancialmente para explicar os fenômenos envolvendo os meios de comunicação e suas relações com a sociedade. McLuhan foi importante para entender a virada do milênio e continua sendo essencial no transcurso destas primeiras décadas. Entre suas tantas obras, destacam-se: O Meio é a MensagemGuerra e Paz na Aldeia Global e Os Meios de Comunicação como Extensões do Homem.

 

Neste ano de 2017, estamos celebrando os 50 anos do livro: The Medium is the Massage: An Inventory of Effects*, publicado em 1967, em coautoria com o designer gráfico Quentin Fiore. A obra composta de textos e imagens representava uma experiência sensorial que transcendia o ato simples da leitura, explorando o fato que cada meio dizia respeito a uma mensagem, com efeitos diferentes no sensorial humano. Desta forma, os meios eram considerados extensões do ser humano, incluindo seus sentidos, mentes e corpos. O livro foi um exercício bem-sucedido de premonição, destacando os possíveis efeitos do que McLuhan chamava de circuitação eletrônica, uma clara antecipação do que um dia viria a ser a rede mundial de computadores. Só mesmo um visionário para prever naquele ano que um nível de interdependência eletrônica envolvendo toda a população fosse prover informação abundante, instantânea e gratuita, acelerando sua visão de Aldeia Global.

 

A grande ruptura nos pensamentos de McLuhan estava em assumir que o meio fosse em si um elemento essencial da comunicação e não somente um canal de passagem ou um veículo de transmissão. Ou seja, cada suporte midiático (rádio, jornal, cinema, televisão etc.), independente do conteúdo, teria suas características próprias, e consequentemente, os seus efeitos específicos. Assim, uma eventual transformação do meio poderia ser mais determinante do que uma alteração no conteúdo, evidenciando que o mais importante não seria o conteúdo da mensagem, mas sim o veículo, pelo meio do qual a informação estava sendo transmitida.

 

Quanto à educação, McLuhan percebeu o quanto esta área seria em seguida afetada, predizendo que, em suas palavras, “uma rede mundial de computadores tornará acessível, em alguns minutos, todo o tipo de informação aos estudantes do mundo inteiro”. Na verdade, hoje a citada informação já é abundante, instantânea e, progressivamente, gratuita. Previu também, corretamente, que em um futuro próximo: “em nossas cidades, a maior parte da aprendizagem ocorrerá fora da sala de aula. A quantidade de informações transmitidas pela imprensa excederá, de longe, a quantidade de informações transmitidas pela instrução e textos escolares”. Assim, totalmente coerente com a realidade contemporânea onde todos aprendem, aprendem o tempo todo, fora e dentro da escola, e cada qual de maneira personalizada, adotando meios, estratégias, metodologias que lhe são mais adequadas e convenientes.

 

McLuhan, portanto, desconstruiu uma relativa obsessão pelo conteúdo, resquício, segundo ele, da cultura letrada obsoleta, incapaz de se adaptar às novas condições tecnológicas. Ele sugeriu abandonar o excessivo esforço na interpretação do conteúdo e enfatizou a necessidade de centralizar as atenções no que deveria ser o alvo central: o meio. Educacionalmente, há também um interessante paralelo com a crescente preponderância metodológica do aprender a aprender sobre o simples aprender. Ou seja, mais do que o conteúdo aprendido, trata-se de reconhecer a centralidade do amadurecimento do educando acerca dos mecanismos segundo os quais ele aprende. Em resumo, em um mundo de educação permanente ao longo da vida, o que importa ao estudante é ter, ao longo do processo, aumentado seu nível de consciência acerca de como ele aprende (metacognição) e ter amplificado o domínio da multiplicidade de meios associados aos processos de aprendizagem.

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*De fato, o ‘massage’ao invés de ‘message’ foi somente um erro tipográfico por conta da gráfica. Por decisão pessoal de McLuhan, assim ficou.

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quinta-feira, 12 de janeiro de 2017 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Inovação e Educação | 08:41

Edugenômica: a importância dos gêmeos

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Em artigo anterior acerca de genômica educacional, o destaque foi explorar análises entre desempenho escolar e DNA. O foco foi destacar a constatação de que cada educando aprende de maneira única, demandando que ofertemos percursos educacionais múltiplos, tal que cada um possa encontrar os caminhos que melhor possa se adaptar. Genômica educacional, juntamente com as abordagens baseadas na analítica da aprendizagem e o uso dos demais dados de diversos fatores ambientais e sócio-demográficos, viabilizam ingressarmos em um novo cenário de educação permanente ao longo da vida, onde todos aprendem, aprendem o tempo todo e, especialmente, onde cada um deve poder explorar ao máximo suas características e talentos próprios.

 

Precedendo os estudos mais recentes, o debate foi em que medida as diferenças individuais nos desempenhos educacionais eram derivadas de natureza socioambiental geral ou de fatores genéticos. No meio acadêmico, uma aceitável abordagem sobre o tema tem sido desenvolver estudos sistemáticos envolvendo grande número de gêmeos, no qual se comparam gêmeos idênticos com gêmeos fraternos. É assumido que, se os gêmeos são idênticos, eles compartilham 100% de seus genes, e, se os gêmeos são não idênticos, eles têm em comum, em média, apenas metade dos genes. Assim, o pressuposto é que as diferenças nas pontuações dos exames entre os dois conjuntos de gêmeos são basicamente devidas à genética, e não fruto da educação recebida ou do ambiente em que vivem.

 

O principal e mais completo estudo mundial de acompanhamento do desenvolvimento educacional de gêmeos é conhecido como TEDs (em inglês “The Twins Early Development Study”). Este estudo, em curso desde 1994 e envolvendo mais de 15.000 famílias, é baseado no King’s College London, contando com a participação de outras 25 grandes universidades. Os resultados até aqui apontam que essas diferenças têm uma componente genética (hereditariedade) mais relevante do que outras componentes decorrentes de interações com o ambiente. Em uma amostra de 7.500 pares de gêmeos britânicos, analisados nas idades de 7, 9 e 12 anos em letramento e matemática, a média de hereditariedade foi de 68%. Significa que dois terços das diferenças (variâncias) nos desempenhos nos testes escolares dessas crianças podem ser associadas às diferenças genéticas.

 

Tais resultados se mostram inalterados ao final da educação básica, como atestam os resultados no exame denominado Certificado Geral de Educação Secundária (GCSE, em inglês “General Certificate of Secondary Education”), aplicado na Inglaterra e País de Gales. Um estudo envolvendo 11 mil gêmeos idênticos e não idênticos de 16 anos, sugeriu que os genes de cada aluno representavam uma diferença de 58% em seus resultados nas disciplinas básicas de inglês, matemática e ciências, enquanto os fatores ambientais, tais como a escola, bairro e família, têm um impacto de 29%.

 

Fundamental reforçar que esses resultados não minimizam o papel da escola, dado que, mesmo que a hereditariedade tivesse uma predominância de 100% (que não é o caso), a escola continuaria sendo muito importante. Além disso, e tão relevante quanto, ao conhecer as diferenças e respeitá-las, podemos e devemos desenvolver currículos, abordagens e metodologias que sejam desenhadas especificamente levando em conta cada indivíduo e cada circunstância educacional.

 

Da mesma forma, os estudos até aqui desenvolvidos não devem representar nenhum estímulo para, a partir das desigualdades genéticas, priorizar a educação de supostos melhores e, consequentemente, descuidar dos demais. Ao contrário, ao maximizarmos a oferta de trilhas educacionais, respeitando as peculiaridades de cada educando, podemos permitir que todos, sem exceção, possam atingir um patamar mínimo de aprendizagem. Fundamental garantir que, à luz do máximo de informações sobre todos, ninguém seja excluído e possam os educandos, sem distinção, explorar cada qual seus talentos próprios, viabilizando cumprirem suas legítimas expectativas.

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Figura em Domínio Público, como visto em: http://www.publicdomainpictures.net/pictures/180000/velka/twins-1466328085i47.jpg

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terça-feira, 3 de janeiro de 2017 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Inovação e Educação | 16:27

Educational genomics: academic achievements and DNA

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Educational genomics is expanding quickly in the last few years because of the advances in genetics and digital technologies, allowing the use of detailed information about the human genome and, consequently, to identify its contribution to particular traits that are related to educational processes.

 

Learning analytics is an educational approach based on systematic analysis of data associated to the student’s behaviour using models, algorithms, simulations and statistical patterns (http://reitoronline.ig.com.br/index.php/2016/09/26/analitica-da-aprendizagem-e-parte-da-solucao/). Educational genomics, together with learning analytics, are keys for a personalized education, avoiding penalizing learners who do not fit traditional methodologies applied to average students.

 

The theme Genetics and human behaviour has been always filled with fascination and suspicion. Increasingly, in Medicine (Farmacogenomics), and in Psychology or Education, we are learning that we can improve the quality of life for all by knowing better and respecting individuals’ particularities, including genetics. The fears about eugenic feelings and inappropriate readings of the recent scientific advances will always be present and the better way to avoid them is to know more about the subject itself. This is the best strategy which keeps us alert to the distinction between the good use of the new knowledge and its improper uses and incorrect interpretations.

 

Throughout the year of 2016, publications in prestigious journals of the Nature group presented surprising results about the influence of genetics on different educational characteristics. Last May, in the largest genomic association study of behavioural traits, researchers identified 74 regions of the genome associated with years of school completion (http://www.nature.com/nature/journal/v533/n7604/full/nature17671.html).

 

Based on the results mentioned above, another group of authors raised the possibility of predicting part of 7, 11 and 17-year-old students’ achievement from the analysis of their respective DNAs (http://www.nature.com/mp/journal/vaop/ncurrent/full/mp2016107a.html). They calculated the polygenic scores associated with years of schooling and compared them with the results of national exams in Math and English using    a sample of students from England, Wales and Northern Ireland.  Surprisingly, such genetic scores explained 9% of variability in educational achievement of 16-year-old students.

 

In addition, the researchers demonstrated that predictive power over school performance is most evident at the extremes of the distribution of genetic scores. Learners with higher polygenic scores obtained concepts between A and B and those with lower scores the concepts were between B and C (https://www.rt.com/news/352123-dna-test-school-study/). Thus, such an approach may be even more relevant for students with less satisfactory academic performance, since it allows for early intervention through appropriate actions and educational policies.

 

It is important to emphasize that the results described above reflect the responses to a specific educational system and to a particular set of tests. In addition, they do not mean that a student’s overall academic performance is determined solely by genetics. However, polygenic scores, according to the authors, can provide in advance relevant information about the greater or lesser genetic predisposition of the child/adolescent to achieve low (or high) performance in such standardized tests. Thus, through personalized approaches, depending on specific circumstances, it is possible to change, in a timely manner, the efficiency of the learning process.

 

One important educational novelty of the contemporary world is that every learner learns in a unique way, demanding that we offer multiple educational paths so that each one can can find the approach that best fit   him/herself. Educational genomics, together with learning analytics and general environmental and socio-demographic factors, make it possible to inaugurate a new scenario of lifelong education where everyone learns, learns all the time, and, especially, where each one will be able to fully exploit his own characteristics and talents.

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Figure in Public Domain, as seen in: https://www.google.com/searchq=public+domain+dna+education&rlz=1C5CHFA_enBR692BR692&espv=2&biw=1272&bih=596&source=lnms&tbm=isch&sa=X&ved=0ahUKEwjeh9fs2KbRAhXCIpAKHdN0AdoQ_AUIBigB#imgrc=B1tsiFDAITkbKM%3A

 

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domingo, 1 de janeiro de 2017 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Inovação e Educação | 08:47

Genômica educacional: desempenho escolar e DNA

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A área da genômica educacional tem se expandindo rapidamente nos últimos anos devido aos avanços em genética e tecnologias digitais, permitindo o uso de informações detalhadas sobre o genoma humano e, desta forma, identificar sua parcela de contribuição para características particulares relacionadas aos processos educacionais.

 

Analítica da aprendizagem (em inglês, learning analytics) diz respeito à abordagem educacional baseada na coleta e análise sistemática de dados sobre o comportamento dos educandos com o suporte de modelos, simulações, algoritmos e padrões estatísticos (http://reitoronline.ig.com.br/index.php/2016/09/26/analitica-da-aprendizagem-e-parte-da-solucao/). Genômica educacional, juntamente com analítica da aprendizagem, podem ser as chaves para uma educação personalizada, colaborando no desenho de estratégias educacionais e currículos customizados, evitando penalizar os educandos que não se encaixam nos modelos educacionais mais tradicionais voltados ao atendimento da média.

 

O tema ‘genética e comportamento humano’ sempre foi recheado de fascinações e suspeitas. Cada vez mais, seja na medicina (farmacogenômica), psicologia ou educação, estamos aprendendo que podemos melhorar a qualidade de vida de todos, conhecendo e respeitando as particularidades, inclusive genéticas, de cada um. Receios de sentimentos de eugenia e de más leituras dos avanços científicos sempre estarão presentes e a melhor forma de evitá-los é conhecendo mais sobre o assunto. Esta é a melhor estratégia para estarmos sempre alertas para distinguirmos a boa utilização do novo conhecimento dos eventuais usos inadequados e incorretas interpretações.

 

Ao longo de 2016, publicações em prestigiosas revistas do grupo Nature apresentaram resultados surpreendentes acerca da influência da genética sobre diferentes características educacionais. Em maio passado, no maior estudo de associação genômica de uma característica comportamental, pesquisadores identificaram 74 regiões do genoma associadas a anos de escolaridade completados (http://www.nature.com/nature/journal/v533/n7604/full/nature17671.html).

 

Em estudo subsequente, publicado em julho de 2016, baseado nos resultados acima citados, outro grupo de autores exploraram a possibilidade de predizer uma parcela do desempenho escolar de alunos aos 7, 11 e 16 anos a partir da análise de seus respectivos DNAs (http://www.nature.com/mp/journal/vaop/ncurrent/full/mp2016107a.html).

 

Eles calcularam os escores poligênicos associados a anos de escolaridade e compararam com os resultados nos exames oficiais em matemática e inglês em uma amostra de alunos da Inglaterra, País de Gales e Irlanda do Norte. No resultado mais surpreendente deste estudo, tais escores genéticos explicaram 9% da variabilidade no rendimento escolar aos 16 anos.

 

Adicionalmente, os pesquisadores demonstraram que o poder preditivo quanto ao desempenho escolar é mais evidente nos extremos da distribuição dos escores genéticos. Educandos com maiores escores poligênicos obtiveram predominantemente conceitos entre A e B e os com menores entre B e C (https://www.rt.com/news/352123-dna-test-school-study/). Assim, tal abordagem pode ser ainda mais relevante para educandos com rendimentos acadêmicos menos satisfatórios, visto que permite intervenções precoces, por meio de ações e políticas educacionais apropriadas.

 

Importante destacar que os resultados acima apresentados refletem as reações frente a um sistema educacional específico e respostas a um conjunto particular de testes. Além disso, eles não significam que o desempenho acadêmico total de um aluno é determinado exclusivamente pela genética. No entanto, escores poligênicos, segundo os autores, podem prover com antecedência informações relevantes acerca da maior ou menor predisposição genética de a criança/adolescente vir a apresentar baixo (ou alto) desempenho em tais testes padronizados. Desta forma, viabilizando abordagens personalizadas, em função das circunstâncias específicas, é possível alterar, em tempo hábil, a eficiência do processo de aprendizagem.

 

Uma importante constatação educacional do mundo contemporâneo é que cada educando aprende de maneira única, demandando que ofertemos percursos educacionais múltiplos onde cada um possa encontrar os caminhos que melhor possa se adaptar. Genômica educacional, juntamente com a abordagem baseada na analítica da aprendizagem e o uso dos demais dados de diversos fatores ambientais e sócio-demográficos, viabilizam ingressarmos em um novo cenário de educação permanente ao longo da vida, onde todos aprendem, aprendem o tempo todo e, especialmente, onde cada um deve poder explorar ao máximo suas características e talentos próprios.

 

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Figua em Domínio Público: http://www.publicdomainpictures.net/pictures/40000/velka/stick-figure-family.jpg

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segunda-feira, 12 de dezembro de 2016 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Inovação e Educação | 15:45

A educação de 2017 já começou em 2016

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Somos todos capazes de prever o futuro, mesmo porque assim o fazemos espontaneamente todos os dias. Seja quando planejamos nosso cotidiano, seja quando tentamos programar os próximos passos de nossas vidas. No entanto, rigorosamente, ninguém sabe o futuro. Mesmo assim, todos fazemos, quase que automaticamente, diagnósticos, projeções e previsões.

 

Particularmente sobre educação, não há sobre o futuro que nos aguarda uma síntese única e nem é possível um resumo consensual. Porém, os acadêmicos da Open University, no Reino Unido, propuseram uma interessante lista de novos termos educacionais, bem como inéditas teorias e práticas, que muito em breve farão parte de nosso cotidiano (detalhes sobre o tema estão acessíveis em: http://proxima.iet.open.ac.uk/public/innovating_pedagogy_2016.pdf). Destaco a seguir uma dezena delas, já em curso em 2016, mas que tendem a estar cada vez mais presentes em 2017:

 

  1. Aprendizagem via mídia social. Aprendemos o tempo todo e em todos os lugares. Fora da escola, ainda que o ensino seja menos formal, a aprendizagem, em alguns aspectos, pode ser melhor e mais rápida. Todos estão familiarizados com exemplos como Facebook ou Twitter, locais naturais de compartilhamento de fatos, ideias e opiniões, ainda que haja o risco inerente de informações imprecisas, incompletas ou parciais. Há experiências em curso, inclusive no Brasil, utilizando, com sucesso, os espaços do Facebook como ambiente central de aprendizagem, inclusive para turmas regulares. O mestre neste caso explora, de forma pioneira, seu papel de facilitador no estímulo ao engajamento, promovendo e organizando as discussões e fazendo a curadoria dos temas e das referências mais adequadas;

 

  1. Falha produtiva. Trata-se de um método de aprendizagem no qual aos educandos são apresentados problemas complexos para serem resolvidos, mesmo cientes de que provavelmente eles não dispõem ainda de todas as ferramentas. Antes de receberem qualquer instrução, eles exploram, de forma independente, as várias oportunidades de solução e falham, atestando que podemos aprender mesmo quando trilhamos caminhos supostamente errados. Os professores, vencidas as etapas preliminares, apresentam os conceitos mais relevantes e exploram os métodos de solução existentes;

 

  1. Aprender ensinando. Da mesma forma que os aprendizes aprendem com seus mestres, podem eles assumir o desafio de explicarem uns aos outros o que eles conseguiram aprender até então, ainda que nesta etapa embrionária a aprendizagem seja limitada e parcial. Tais tentativas colaboram na consolidação de conceitos e evidenciam as eventuais deficiências. O método é de relativamente fácil execução, podendo no limite envolver toda a turma, ou mesmo pessoas externas à turma. As tecnologias digitais são ferramentas essenciais na implementação deste método e a área da saúde é onde os resultados, até aqui, aparentam ser mais evidentes;

 

  1. Design thinking. Esta abordagem procura resolver problemas usando processos usualmente adotados por designers. Significa incluir nos processos etapas como experimentação, criação e modelagem, estimulando que as práticas gerem protótipos progressivos que viabilizem um processo contínuo de redesigning. Ou seja, envolvendo exercícios mentais e sociais, os usuários das soluções propostas contribuem de forma decisiva nas camadas de reanálises e de novas implementações;

 

  1. Aprendizagem com o coletivo. Contar com um número grande de opiniões e contribuições significa, cada vez mais, agregar valor. O estímulo à participação de amadores interessados ou de especialistas com vínculos eventuais com o projeto pode ser de extrema valia na procura das melhores soluções. Além disso, esporadicamente útil para arrecadar fundos ou obter elementos os mais diversos que gerem ou viabilizem soluções. Os campos de aplicação variam de identificação e estudos de pássaros à contagem coletiva de estrelas e galáxias. Projetos bem desenhados podem obter escala devida, portanto sucesso, via o envolvimento de comunidades inicialmente externas ao trabalho e que vão gradativamente sendo incorporadas;

 

  1. Aprendizagem com videogames. Aprender pode ser divertido, interativo e estimulante, especialmente contando com ferramentas e ambientes nos quais os aprendizes se sentem totalmente confortáveis. Os jogos podem ser utilizados tanto na formação inicial como na continuada. Uma empresa que pretenda adotar novas práticas e estratégias pode e deve desenvolver instrumentos próprios e específicos. Quem o faz hoje obtém taxas de sucesso muito acima do esperado, em geral. Ao contrário de reforçar o isolamento, é plenamente possível, ao longo do processo, adaptar os jogos ao espírito de trabalho em equipe;

 

  1. Analítica da aprendizagem. Mais conhecida como learning analytics, permite conhecer bem o educando, colhendo dados de seu comportamento e, a partir desta caracterização, desenhar as melhores trilhas educacionais personalizadas. É possível identificar educandos em faixas de risco de desistência em tempo hábil para corrigir rumos e abordagens. Destaque-se que cada vez mais o próprio educando participa ativamente da análise, dado que um dos objetivos principais da educação permanente ao longo da vida é que o estudante conheça cada vez mais como ele aprende, aumentando sua compreensão acerca dos mecanismos de aprendizagem que lhes são mais eficientes e eficazes;

 

  1. Aprendizagem do futuro. Aprendizes de hoje, mas com olhos voltados para o futuro. Ou seja, há que se adquirir habilidades e disposições que viabilizem realizar desvios de rumos com flexibilidades inerentes às exigências dos novos tempos. Ao contrário de antigamente, é bastante provável que os profissionais do futuro tenham, ao longo da carreira, atividades e empregos bastante díspares. Uma boa educação para o futuro os prepara para quaisquer desafios em diferentes contextos. Ademais, o estímulo à aprendizagem independente com foco no amanhã também favorece ao educando no sentido de planejar suas perspectivas profissionais de maneira ampla e sem medo excessivo de futuros incertos. Gostemos ou não, a ocorrência de imprevistos deverá ser a marca dos novos tempos;

 

  1. Translinguagem. Cada vez mais nossos alunos estão aprendendo em idiomas que não são sua primeira língua. A habilidade de fazê-lo sem prejuízo, e sim com ganhos, é central em um mundo progressivamente globalizado. A translinguagem tende a aumentar o nível de profundidade do conhecimento adquirido, seja por ampliar as fontes de acesso, seja por exigir uma ginástica mental que é útil no desenvolvimento de interpretação de textos complexos e no estímulo a pensamentos originais;

 

  1. Blockchain para aprendizagem. Blockchain é termo usualmente utilizado para designar o registro público de todas as transações realizadas na moeda bitcoin. São formadas em blocos completos, os quais são adicionados cronologicamente aos já existentes e assim crescem indefinidamente. Esta técnica pode ser adotada em educação ao disponibilizarmos os dados dos trabalhos em curso feito pelos estudantes, bem como seus desempenhos, para espaços mais plurais, tornando os disponíveis a um público interessado bem maior. Ainda que acessível amplamente a vários usuários, estes não podem modificá-los. Educandos e pessoas em geral podem angariar créditos por suas atividades intelectuais ao mesmo tempo que podem conferir credibilidade aos trabalhos dos demais. Tudo se passa como se credibilidade e reputação educacional fossem espécies de moedas, podendo ser intercambiadas, bem como questionadas em um processo de construção coletiva e colaborativa.

 

Educação precisa levar em conta o futuro, expresso nas tendências acima e em tantas outras, e incluir esta preocupação explicitamente em seus processos. É consenso que quanto mais conhecemos sobre o que houve antes, bem como melhor entendemos o que está acontecendo agora, mais aptos estamos para tomarmos decisões sobre o que vem pela frente. E vem muito mais surpresas educacionais neste futuro tão próximo que parece ter começado no mês passado.

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Sobre a figura: Reprodução da obra de MASACCIO, 1401 – 1428(?): A expulsão do Paraíso. Fresco in the Brancacci Chapel, S. Maria del Carmine, Florence.

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