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Arquivo da Categoria Ensino Superior

terça-feira, 9 de maio de 2017 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 08:40

Palestra “Educação Contemporânea e Tecnologias Digitais” na UNESP (link incluso)

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unesp

A Unesp, Universidade Estadual Paulista, foi criada em 1976, resultante da incorporação de vários Institutos Isolados de Ensino Superior, localizados no interior do Estado de Estado de São Paulo. Do conjunto inicial fizeram parte a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Assis (cidade onde nasci), a de Araraquara, de Franca, de Marília, de Presidente Prudente, de Rio Claro e de São José do Rio Preto. Outros Institutos Isolados foram criados com a finalidade de formação profissional como a Faculdade de Farmácia e Odontologia de Araraquara, a mais antiga de todas essas escolas, fundada em 1923 e incorporada ao patrimônio estadual em 1956. As outras foram as duas Odontologias, de Araçatuba e de São José dos Campos, a Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias de Jaboticabal, a de Engenharia de Guaratinguetá e a Medicina de Botucatu.

 

Durante os anos 80, a Unesp passou por algumas modificações que ficaram registradas em seu novo Estatuto, assinado em 1989. Entre elas, destaque-se a ênfase na democratização e expansão. Durante esse período, a Universidade esteve à procura da formação de uma identidade que pudesse superar a talvez excessiva fragmentação. Esta procura significou uma aproximação cada vez maior da Universidade com o interior do Estado de São Paulo, ao atender aos insistentes apelos das comunidades do interior, quer pela incorporação de novos espaços, como nos casos da Universidade de Bauru (1987) ou na incorporação do Instituto de Física Teórica – IFT (1987).

 

Em suma, a Unesp é hoje reconhecida como uma das melhores universidades brasileiras, seja na qualidade do ensino que ministra, na excelência da pesquisa que desenvolve e, especialmente, pelos pioneiros trabalhos de extensão em curso. Portanto, foi com enorme satisfação que atendi o Convite para ministrar a Palestra “Educação Contemporânea e Tecnologias Digitais”, no último 27 de abril, por ocasião da reunião do Conselho Universitário. Os debates tiveram foco na da inovação do ensino, tanto na Graduação quanto na Pós-Graduação.

 

A palestra teve transmissão ao vivo pela TV UNESP e, aos interessados, segue link para a Palestra completa, incluindo as manifestações posteriores:
https://www.tv.unesp.br/video/DjOSWI-lrjg

 

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sábado, 22 de abril de 2017 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 17:17

Educação e corrupção

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corruption

Educação está associada a todos os comportamentos e hábitos, individuais ou coletivos. Mesmo assim, não há uma correlação simples, direta e óbvia entre educação e corrupção. Países com indicadores educacionais altos apresentam casos escandalosos e sistemáticos, enquanto países com índices de escolaridade relativamente menores, por vezes, têm históricos apenas pontuais e menos endêmicos. Guardadas as diferenças e circunstâncias, não há, e provavelmente não haverá, nação ou setor da sociedade totalmente imunes a essas práticas, as quais, demandam ser fortemente reprimidas e condenadas, sempre.

A permissividade à corrupção ou sua relativização (todos fazem ou sempre foi assim), como sabemos, cobra um preço muito alto, especialmente na formação cultural do indivíduo e da sociedade como um todo. O enfrentamento da corrupção é um processo permanente no qual educa-se mais ou educa-se menos, a depender da qualidade com que ele é desenvolvido. Se a pergunta acerca do quanto nos educamos ao longo do processo não estiver presente, mesmo ações, em tese, bem-intencionadas, podem, eventualmente, gerar resultados que se contrapõem às próprias motivações que as geraram, piorando o quadro social a ser transformado.

Educa-se quando na divulgação dos processos em curso se ressalta a transparência, os avanços obtidos e tem-se, como resultado, a consolidação das instituições e a construção coletiva de novos patamares de honestidade. Não se educa, ou educa-se mal, quando se prioriza o tom generalizante ou se estimula atos persecutórios para satisfazer a ânsia irracional ou interesses imediatos, desvalorizando a democracia e as instituições, piorando a percepção do indivíduo sobre o meio em que vive.

Como apontado pela pesquisadora Nara Pavão, o pior resultado possível de um processo político é o aumento do cinismo, fruto da conclusão generalizante de que, afinal, todos são corruptos, afastando os cidadãos das boas práticas políticas e ampliando no dia-a-dia a sua tolerância com toda sorte de comportamentos inadequados. A pesquisadora demonstra que eleitores submetidos a uma sobrecarga de noticiários mais espetaculares e menos analíticos tendem a entender a corrupção como uma constante, e não mais como uma variável a ser considerada na hora da escolha no voto.

É compreensível, ainda que nem sempre aceitável, que, do ponto de vista individual, um cidadão esteja revoltado e, em certas circunstâncias, dê vazão aos seus instintos mais irracionais, via generalizações inadequadas e desprezo pela democracia e por quaisquer práticas coletivas e solidárias. A relativa tolerância com o indivíduo não deve ser a mesma com os setores institucionalizados. Qualquer um deles, incluindo o próprio judiciário ou os meios de comunicação, se examinados com as mesmas métricas e ênfases que eles aplicam aos demais setores, provavelmente, evidenciariam níveis de corrupção de mesma monta.

Não se trata de favorecer a generalização que, indevidamente, absolve, mas sim da abrangência plena que esclarece, aprofunda e educa. Da mesma forma, não se trata jamais de deixar de fazer as coisas que devem ser executadas, como divulgar, averiguar e condenar, mas fazê-las na abordagem e na amplitude que eduque, preparando a todos para o exercício permanente e racional do combate sem tréguas à corrupção.

Para o país, mais relevante do que satisfazer os eventuais ódios momentâneos do presente é a consolidação dos mecanismos perenes que motivem acreditar no futuro. Um sonho educado e realista não é um mundo sem corrupção e sem corruptos; mas, sim uma sociedade com instituições e processos que desestimulem, julguem e punam, dentro dos marcos da lei, os infratores. Precisa, para começar, que todos queiramos construir algo que assim seja e educação também tem a ver com aquilo que se consolida, depois que estes momentos passam.

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 Imagem em Domínio Público, disponível na Biblioteca do Congresso Americano: trabalho de 1903 do artista Keppler  intitulado “At the stake”, mostrando três homens, designados por “Distúrbio, Linchamento e Violência”, queimando uma figura feminina denominada “Lei e Ordem”, portando as inscrições “Preconceito” e “Desafio”.

 

 

 

 

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sexta-feira, 14 de abril de 2017 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 02:17

Berlim: seus desafios educacionais e nossas semelhanças

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A República Federal da Alemanha é constituída por dezesseis estados, sendo um deles formado pela região de Berlim, com seus quase quatro milhões de habitantes. Cada estado é responsável pelo seu respectivo sistema de ensino, contando com razoável autonomia. Antecedendo o nível Primário, a maior parte das crianças atende ao Kindergarten, em duas etapas. O Kinderkrippe, correspondente à creche, até os três anos de idade, seguido pela pré-escola.

 

Aos seis anos o aluno começa o Primário, o qual dura de quatro a seis anos, a depender do estado. No nível Secundário, com duração de seis anos, há, em geral, quatro caminhos: Hauptschule, Realschule, Gesamtschule e Gymnasium.  A rota do Gymnasium é a mais exigente e concorrida, a qual prepara para a Universidade.

 

Alternativamente ao Gymnasium, há o caminho do vocacional técnico. Considerado um sucesso na Alemanha, parece estar se mostrando, recentemente, menos atraente e recompensador. Mudanças abruptas nas demandas no mundo do trabalho exigem alterações nos planos de voo dos técnicos, incluindo, cada vez mais, a necessidade de cursos tecnológicos de nível superior, a exemplo das conceituadas Technische Hochschulen. Uma vez completo este caminho, há possibilidade de boa empregabilidade, razoável salário inicial, ainda que limitado em crescimento ao longo da carreira, se comparado com aqueles que seguem a opção Gymnasium/Universidade.

 

O estado de Berlim decidiu, no começo desta década, juntar os três primeiros caminhos, excluído o Gymnasium, em um só, denominado Sekundarschule. Este seria previsto para atender um amplo espectro de habilidades, seria menos acadêmico e mais voltado ao mercado de trabalho. O grande desafio está em tal opção entre os dois caminhos ser excessivamente precoce, definindo aos 10 anos de idade as perspectivas e possibilidades futuras. Nesta faixa etária, é possível que os rendimentos (e comportamentos) escolares reflitam predominantemente os ambientes domésticos, incluindo escolaridade dos pais, circunstâncias do entorno e oportunidades de acesso a conteúdos. Provavelmente, ainda prematuro para mensurar, com a devida segurança, as vocações e os efetivos potenciais de competências e de talentos de cada um.

 

O sistema educacional de Berlim, mais do que dos demais estados, apresenta um conjunto de complexidades decorrentes do número maior de alunos denominados de “imigrantes”. Este termo se aplica até mesmo para nascidos na Alemanha, filhos e mesmo netos de imigrantes turcos, curdos ou árabes. O problema está longe de ser simples, transcendendo educação, mas todas as soluções aventadas passam necessariamente por educação.

 

O Gymnasium, caminho daqueles que pretendem ir para a Universidade, tem em torno de 70% de suas vagas reservadas aos alunos com boas notas e comportamentos adequados no Primário e as 30% vagas remanescentes são disputadas por todos os concluintes interessados em participar de uma loteria. Ocorre que, mesmo aos eventualmente sorteados, as escolas podem definir salas especiais àqueles que têm menor domínio do idioma alemão.  Na prática, resulta em processo complementar de discriminação, reforçando as dificuldades de acesso ao ensino superior.

 

Educação é o mais importante mecanismo de promoção de igualdade de oportunidades e de efetiva mobilidade social. Da mesma forma, processos educacionais podem, eventualmente, reforçar e cristalizar processos discriminatórios. Isso ocorre quando se inviabiliza a priori que filhos de pais menos escolarizados desfrutem do leque máximo de possibilidades.

 

Este tema guarda relativa semelhança com a realidade educacional brasileira. Ainda que não tenhamos os chamados imigrantes em número considerável, temos sim uma maioria absoluta de alunos cujos pais têm frágil instrução. No Brasil, estratificado socialmente, as perspectivas de ascensão social estão, na prática, limitadas às oportunidades educacionais de qualidade que forem proporcionadas aos jovens.

 

No momento em discutimos os caminhos do novo Ensino Médio, para nos transformarmos num país mais democrático e socialmente mais justo, é fundamental que, educacionalmente, proporcionemos oportunidades mais equânimes para todos e tentemos compensar, priorizando competências e talentos dos educandos, os prejuízos decorrentes de pais menos escolarizados e com menor renda.

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Figura em Domínio Público: https://piperbayard.files.wordpress.com/2010/11/fall-of-the-berlin-wall-wikimedia-public-domain.jpg

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segunda-feira, 3 de abril de 2017 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 08:57

Países Baixos: controlando a água com educação

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moinho

 

A tentação de chamar de Holanda é grande, mas só serviria para aumentar o equívoco de denominar uma nação inteira por uma de suas partes. E não se trata de um país qualquer, mas de um espaço de terra onde um quarto está abaixo do nível do mar e três quartos seriam inundados com frequência se a natureza fosse deixada sem controle humano. A água, ao invés de inimigo potencial, transformou-se na maior aliada, sendo que 60% do território é ocupado por pôlders, terrenos baixos e alagáveis protegidos por diques e utilizados para moradia e, especialmente, para produção agropecuária.

 

As cidades são fantásticas, a começar por sua capital Amsterdam, com o maior sistema de canais urbanos do mundo e pontes em abundância quase sem similar. Roterdã é o maior porto da Europa e uma das mecas da moderna arquitetura. No total, são quase 17 milhões de habitantes unificados pela cor laranja, pela obsessão por bicicletas e pela paixão pelo futebol. A população é fortemente multicultural, marcada pela tolerância e por valores como liberdade individual e respeito entre todos, sendo que um quinto dela é formada por estrangeiros e a maioria não pertence a nenhuma religião específica, embora todos os credos estejam representados.

 

Coerentemente, o sistema educacional é fortemente baseado no estímulo à aprendizagem independente. As mesmas autonomias e flexibilidades que as bicicletas permitem no trânsito, conjugando individualidade e o respeito ao coletivo, inspiram as múltiplas metodologias e abordagens personalizadas adotadas nas escolas. Entre três e quatro anos a criança deve ir para a escola primária, a qual dura oito anos.  Antecedendo a escola primária, entre dois e quatro anos, existe a pré-escola, a qual não é obrigatória e tem ênfase no desenvolvimento social e recreativo. Na escolha das escolas primárias há prioridade aos alunos cujas pré-escolas são a elas respectivamente associadas. Assim, quem entra mais cedo tem preferência na seleção dos melhores centros primários de ensino, com transição mais fácil entre os dois níveis escolares.

 

As aulas, em geral, são de segunda a sexta, das 8:30 às 15h, sendo que o número total de aulas deve obrigatoriamente completar 940 horas por ano, ainda que cada escola tenha razoável autonomia de como ocupar o tempo previsto. Crianças entre seis e doze anos que se mudaram recentemente e não falam o difícil idioma local (dutch) são designadas para classes especiais, pelo período que for necessário (normalmente um ano é suficiente), onde a prioridade é o aprendizado do idioma e da cultura local.

 

A educação é gratuita dos 4 aos 16 anos, ainda que seja permitido às instituições solicitar contribuições voluntárias que variam de escola para escola. Adicionalmente ao sistema estatal, há opções privadas de escolas internacionais, bem como de métodos educacionais específicos (Montessori, Steiner etc.) ou de grupos religiosos (católicos, judeus, protestantes, islâmicos, entre outros).

 

Aos doze anos, o aluno segue para educação secundária. Neste nível há que ser feita a escolha por caminhos distintos, sendo que a definição entre eles é basicamente fruto de um teste aplicado no oitavo ano primário. As preferências dos pais e dos próprios alunos são levadas em conta, mas a recomendação da escola primária é a mais relevante. Um dos ramos é educação vocacional preparatória, com dois anos básicos acrescidos de dois anos seguintes dedicados a setores técnicos bem definidos: técnico, agrícola, econômico e cuidados sociais. Outro ramo é preparatório para universidade, incluindo a educação profissional superior, sendo que após os dois primeiros anos há que ser feita opção entre as áreas: cultura, economia, saúde e tecnologia. Findos os 4 anos, há um período de aproximadamente um ano dedicado à aprendizagem independente de preparação ao ingresso à educação superior. Um terceiro caminho tem ênfase inicial em línguas clássicas, latim ou grego, bem como francês, alemão e inglês. Há, nos dois casos anteriores, a opção de que metade das aulas sejam necessariamente ministradas em inglês.

 

Para aqueles que seguiram em direção ao ensino superior, há dois grupos bem distintos: universidades orientadas para pesquisa ou instituições vocacionadas. As taxas dependerão da instituição de ingresso, sendo que cidadãos europeus pagam aproximadamente um terço do que é cobrado de estudantes internacionais.

 

Há dois comentários rápidos e que, por certo, demandariam um aprofundamento que este texto não permite. Embora não fique tão claro, os mecanismos gerais, desde a pré-escola à seleção da universidade, tendem a fazer com que pais mais escolarizados ou com maior renda tenham opções de mais longa escolaridade e de mais qualidade para seus filhos, dificultando grandes mobilidades sociais. Por outro lado, o sistema aparenta ser bem mais relaxado e menos competitivo do que países como Singapura, Japão ou Coréia do Sul, garantindo, em média, cidadãos e profissionais tão bem preparados como nos países citados, porém, mais felizes e bem mais solidários. Pelo menos é o que parece a um observador ocasional, ainda que atento.

 

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terça-feira, 28 de março de 2017 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 15:02

Pedagogia do Tombo

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Alguns ambientes educacionais pretendem se assemelhar a estradas bem pavimentadas, onde nelas professores e alunos dirigem com total visibilidade e com relativa certeza de onde querem chegar. Como já abordado antes, trata-se de ledo engano. A vida real é, naturalmente, cheia de buracos, às vezes sem acostamentos, e periodicamente carregada de densa neblina.

 

Ou seja, a maioria das metodologias educacionais, envolvendo os respectivos procedimentos e abordagens, tem tradicionalmente adotado como objetivo central evitar os tropeços dos alunos. Fundamentalmente, o ensino tradicional, ao informar, o faz para que o educando acerte e evite, a qualquer custo, os erros. De forma resumida, ter sucesso, normalmente, quer dizer não levar tombos, sabendo responder as questões corretamente e completando positivamente e no menor tempo possível os desafios apresentados.

 

A título de exemplo, num teste padrão de múltipla escolha interessa, em geral, somente a resposta certa, sendo que, usualmente, as respostas erradas nada mais são do que respostas erradas. A educação contemporânea, no contexto dos usos adequados das tecnologias digitais, diverge frontalmente de tal postura. Atualmente tendemos a aproveitar tanto a resposta certa, valorizando o aprendido, como a resposta errada, como elemento que ilumina os caminhos de superação das deficiências. Os erros, potencialmente, podem dizer mais sobre o educando do que o acerto eventual. Analítica da aprendizagem (“learning analytics”, em inglês), como apresentado em outros textos, é ferramenta indispensável na compreensão de quem é o educando, incluindo saber mais e melhor sobre seus predicados e fragilidades. A partir deste conhecimento, podemos desenvolver trilhas educacionais personalizadas e adequadas.

 

Os modelos padrão e suas práticas usuais de ensino têm sobrevivido porque níveis razoáveis de sucesso puderam ser observados no passado, gerando a expectativa de que, provendo informações com competência e evitando os tropeços, teríamos solução educacional também para o presente e, eventualmente, até mesmo para o futuro. Nada mais ingênuo. Os velhos tempos, onde razoáveis eficiências e eficácias educacionais foram observadas, se caracterizam, principalmente, pela previsibilidade do mundo do trabalho, por demandas profissionais bem estabelecidas e futuros próximos razoavelmente conhecidos. Os novos tempos apresentam mudanças profundas, implicando em desafios inéditos, onde o ensino tradicional, tal como o praticamos, dá mostras claras de incapacidade de decifrá-los ou resolvê-los.

 

Entre as rápidas mudanças em curso está aquela que torna progressivamente a informação o produto mais disponível e o mais barato da atualidade. O surgimento de uma sociedade em que a informação está totalmente acessível, instantaneamente disponibilizada e gratuitamente adquirível traz consequências educacionais ainda não assimiladas e, por vezes, sequer percebidas. As ênfases e os focos demandam imediatas mudanças, em especial deslocando o centro do processo de aprendizagem baseado no simples saber, enquanto ser informado, em direção ao complexo saber resolver, baseado na informação assumida como completamente disponível, instantânea e gratuita.

 

Mais do que o simples acesso à informação, gerir corretamente o conhecimento disponível, trabalhar em equipe e assim decifrar e resolver os problemas passam a ser atitudes fundamentais, tanto no mundo profissional como no dia-a-dia. O ensino segmentado e com terminalidades definitivas dá lugar à educação permanente ao longo da vida, onde o aprender a aprender é mais relevante do que o aprender em si. Mais importante do que aquilo que foi aprendido, é ampliar a consciência e o domínio acerca dos mecanismos associados a como se aprende.

 

Assim, os novos tempos impõem uma realidade em que é mais importante focar no processo de aprendizagem e nos procedimentos de superação, após o erro, do que a obsessão simples por, a partir das informações adquiridas, tentar nunca tropeçar. Não há nenhuma garantia de que aqueles que nunca tropeçaram saberão levantar, caso errem. Mas há fortes indicadores de que aqueles que aprenderam a aprender terão todas as condições de enfrentar os tombos. Muito mais importante que evitar tropeços, portanto, é aprender a levantar.

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Obs.:  Figura em Domínio Público: http://public-domain.zorger.com/a-book-of-nonsense/046-cartoon-of-a-man-that-fell-off-a-horse-and-broke-into-two-public-domain.gif

 

 

 

 

 

 

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domingo, 12 de março de 2017 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 15:50

Habilidades Socioemocionais do Educando

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einstein

 

Albert Einstein (1879-1955) para enfatizar que educar transcendia o simples ensinamento de conteúdos, dizia: “educação é aquilo que fica depois que esquecemos o que nos foi ensinado”. No século passado, suas palavras premonitórias antecipavam algo que atualmente torna-se evidente e indispensável para entender o mundo contemporâneo.

 

Os alunos de hoje são diferentes do que eram há poucas décadas atrás. Além deles já não serem os mesmos, tampouco o mundo nos quais eles estão imersos é similar a antes. Consequentemente, as exigências para um futuro profissional ter sucesso diferem bastante do passado recente. Portanto, a questão central diz respeito às principais novas competências e habilidades a serem promovidas nos estudantes, tal que os formandos enfrentem com sucesso os desafios atuais.

 

A principal exigência dos novos tempos é uma drástica mudança de foco em direção a privilegiar, com igual peso ao conferido à aprendizagem de conteúdos tradicionais, as competências metacognitivas e as habilidades interdisciplinares, transversais ou socioemocionais. Aqui estão inclusos aspectos motivacionais, capacidade de comunicação e as habilidades no desenvolvimento de trabalhos em equipe para resolver desafios complexos.

 

No que diz respeito aos conhecimentos básicos, as três mais relevantes prioridades são: 1) letramento geral, capacidade comprovada de escrever e interpretar texto, e o letramento matemático; 2) letramento digital, incluindo o domínio de plataformas e o preparo para compreensão, adoção e, se possível, desenvolvimento de softwares e aplicativos; e 3) capacidade de entender aspectos históricos, geográficos e linguísticos, respeitando diferentes culturas e comportamentos, desenvolvendo tolerância para especificidades, hábitos e costumes diversos, agregando de forma positiva as características peculiares aos propósitos das missões conferidas.

 

As sete principais características complementares que se espera de um futuro profissional diferenciado, adicionais ao domínio dos conteúdos fundamentais de cada área, é que o educando: 1) seja capaz de aprender a aprender continuamente ao longo da vida, ampliando sua própria consciência acerca dos mecanismos segundo os quais ele aprende (metacognição); 2) demonstre capacidade analítica para resolver problemas práticos, ou seja, embasado no conhecimento do método científico e na familiaridade com pensamentos críticos, desenvolva o domínio de raciocínios abstratos sofisticados; 3) esteja habituado a juntar diferenças áreas do saber e das artes, com especial disposição para a área de gestão de informações, incluindo o domínio de linguagens e de plataformas digitais; 4) tenha efetiva habilidade de comunicação, sabendo lidar com pessoas e a negociar com flexibilidade e competência em todos os contextos; 5) tenha inteligência emocional desenvolvida, incluindo perseverança, empatia, autocontrole e capacidade de gestão emocional coletiva; 6) demonstre disposição plena para o cumprimento simultâneo de multitarefas, propiciando capacidade de análises apuradas e de tomada de decisões; e 7) colabore em equipe de forma produtiva, sendo respeitoso e cordial, entendendo as características individuais e as peculiaridades das circunstâncias, promovendo ambientes criativos e empreendedores, resultantes de processos coletivos e cooperativos.

 

Em artigo anterior sobre o papel do educador contemporâneo, procurou-se demonstrar que a formação simplificada de um profissional, baseada somente em um conjunto de conteúdos e uma série bem delimitada de técnicas e procedimentos, já não é suficiente. Portanto, são demandadas a adoção pelas escolas de metodologias educacionais inovadoras e novas posturas do professor. Neste texto, a ênfase é centrada nos estudantes, especialmente em suas habilidades e competências imprescindíveis em uma sociedade onde a informação está totalmente acessível, instantaneamente disponibilizada e basicamente gratuita.

 

Neste contexto, educação no seu sentido mais amplo, incluindo o desenvolvimento de suas habilidades socioemocionais, se constitui em diferencial significativo, com impactos na capacidade dos futuros profissionais e de cidadãos em geral de enfrentarem, com sucesso, os desafios que lhes serão apresentados pela sociedade.

 

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Foto de Albert Einstein via Domínio Público em: https://commons.m.wikimedia.org/wiki/Category:Portraits_of_Albert_Einstein

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terça-feira, 7 de março de 2017 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 07:21

Papel do Educador Contemporâneo

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Victorian School Room

 

Como pensar o papel do docente nos tempos atuais em que o aluno é diferente do que ele era há poucas décadas atrás? Ou seja, os educandos já não são os mesmos e tampouco o mundo nos quais os estudantes estão imersos é parecido com antes. Há poucas alternativas ao educador, a não ser se reconfigurar para não se tornar inócuo ou mesmo deixar de existir.

 

Há uma mudança drástica de foco em direção a privilegiar as chamadas competências metacognitivas, habilidades interdisciplinares, transversais ou socioemocionais. Entre as características metacognitivas, destaco, a título de ilustração, aprendizagem independente, solução de problemas complexos, perseverança, autocontrole emocional e cumprimento simultâneo de multitarefas em equipe. Tais predicados são especialmente relevantes em missões envolvendo pensamento crítico, capacidade analítica, uso do método científico, comunicação, colaboração, criatividade, empreendedorismo, empatia, cordialidade, respeito e gestão da informação e de emoções.

 

As capacidades acima referidas, em geral, transcendem as possibilidades e pretensões do aprendizado tradicional, majoritariamente concentrado na transmissão simples de conteúdos. Educar tem se tornado mais complexo, porque abarca o imprescindível conteúdo acadêmico, mas introduz, adicionalmente, novas exigências e perspectivas. Atitudes, comportamentos e posturas são elementos transversais presentes nos processos de aprendizagem de praticamente todas as áreas do conhecimento e em todas as suas fases.

 

No passado recente, a formação de um profissional estava bastante centrada na aquisição de um conjunto razoavelmente bem delimitado de conteúdos previamente estabelecidos, somado a uma série conhecida de técnicas e procedimentos. Essa formação era considerada razoavelmente suficiente para atender as demandas previsíveis de um modelo de desenvolvimento econômico predominante no século XX. Na perspectiva Fordista/Taylorista, tal profissional findava atendendo ao mercado, gerando cidadãos minimamente satisfeitos. Não mais. O mundo mudou rapidamente, os principais desafios contemporâneos apresentam ingredientes basicamente imprevisíveis.

 

Ingressamos em uma sociedade onde a informação está, cada vez mais, totalmente acessível, instantaneamente disponibilizada e basicamente gratuita. Tão ou mais relevante do que aquilo que foi aprendido (associado genericamente à cognição) é o amadurecimento da consciência, por parte do educando, acerca dos mecanismos segundo os quais ele melhor aprende (metacognição). Aprender a aprender passa a ser tão ou mais relevante do que simplesmente aprender. Mais relevante do que o conteúdo aprendido é a percepção acerca de como se aprende. Em um mundo de educação permanente ao longo da vida, a formação metacognitiva se constitui em um diferencial significativo na capacidade dos futuros profissionais de enfrentar os problemas que lhes serão apresentados pela sociedade contemporânea.

 

Explorar a metacognição vai além dos procedimentos usuais de transmissão simples do conhecimento, privilegiando a curadoria precisa e eficiente do conteúdo disponibilizado e a adoção de abordagens emancipadoras, especialmente aquelas baseadas em aprendizagem independente. Essa estratégia passa por enfatizar elementos motivacionais, incluindo atenção especial a trabalhos colaborativos (capacidade de produzir em equipe) e em aspectos interdisciplinares (habilidade de estabelecer conexões entre diversas áreas do saber), acrescidos de relevância de comportamentos como tolerância e compaixão (empatia aplicada, isto é, entender o outro por se colocar na posição do outro e agir em função disso). São também relevantes os estímulos à visão empreendedora (criativa conjugada com exequibilidade e sustentabilidade) e o especial domínio de linguagens e de plataformas digitais.

 

Cabe ao educador ampliar as competências e habilidades que habilitam o educando a enfrentar, sem medo, as imprevisíveis novas realidades. Preparar os docentes para explorar essas especiais capacidades é um dos maiores desafios da educação contemporânea e ainda estamos aprendendo a formar adequadamente tais professores. O drama é que temos pouco tempo e estamos atrasados. Esse educador é imprescindível imediatamente para a geração de profissionais e cidadãos aptos a colaborarem com uma sociedade mais justa e harmônica, com desenvolvimento econômico, social e ambiental sustentável.

 

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Figura “Victorian School Room”em Domínio Público. Ver: https://47thpennsylvania.files.wordpress.com/2016/04/victorian-era-classroom-c-1860s-public-domain.jpg?w=240

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domingo, 19 de fevereiro de 2017 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 16:43

Legados Olímpicos

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A Estácio contribuiu para deixar um legado de ouro na capacitação de voluntários para as Olimpíadas 2016 no Rio de Janeiro. Professora Solange Pose foi umas das coordenadoras responsáveis pela missão e, juntamente com uma brilhante equipe, cumpriram a tarefa com excelência.

 

No livro “Olimpíadas 2016 + Professores”, de sua autoria, publicado pela Editora Vermelho Marinho, que será lançado neste março/2017, ela relata em detalhes e sistematiza essa história.

 

A pedidos, e com muita satisfação, fiz o Prefácio. Como o Prefácio, espero, não prejudica e nem substitui a obra, segue abaixo o mesmo intitulado “Herdeiros Olímpicos e Educacionais da Grécia Antiga”:

 

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Professora Solange Pose nesta obra nos propicia uma compilação singular de um conjunto amplo de experiências vivenciadas por ocasião das Olimpíadas no Rio de Janeiro em 2016. O enredo e os detalhes aqui apresentados nos permitem uma reflexão mais ampla e, principalmente, a percepção de que esta bela visão somente é tornada possível pela especial harmonia de dois entes: os Jogos Olímpicos em si e o papel da educação, enquanto capacitação de pessoas, colaborando na organização do evento.

 

A participação da Universidade Estácio de Sá representou para todos nós um marco histórico, especialmente por ter sido a primeira vez que uma Universidade ficou plenamente encarregada da missão específica de preparar os recursos humanos envolvidos na organização. Sentimo-nos todos honrados de termos cumprido a tarefa de forma elogiável, graças sobretudo à qualidade de profissionais encarregados de cumprir este desafio tão especial.

 

Neste Prefácio destaco que Olimpíadas e Escola, neste momento reencontrados, têm mais raízes em comum do que possa parecer evidente à primeira vista. As raízes históricas olímpicas e educacionais apontam ambas para a Grécia Antiga, tornando-nos herdeiros orgulhosos das duas iniciativas, as quais procuramos, enquanto civilização, levar adiante de forma mais qualificada, efetiva e colaborativa possível.

 

Sobre as Olimpíadas, os gregos, em torno de 2.500 a.C., homenagearam Zeus, o maior dos deuses de sua mitologia, com a criação dos Jogos Olímpicos. As Olimpíadas da Grécia Antiga perduraram até 394 d.C., quando o Imperador Teodósio II, convertido ao cristianismo, proibiu todas as festas pagãs, inclusive os Jogos. As Olimpíadas renasceram somente 1.500 anos mais tarde, por iniciativa do francês Pierre de Fredy (1863-1937), o Barão de Coubertin.

 

Por outro lado, os gregos também são considerados, de alguma forma, ao menos no mundo ocidental, os fundadores da instituição Escola, pelo menos tal qual a conhecemos hoje. Platão (428- 348 a.C.), um dos mais importantes filósofos da história, fundou em Atenas a Academia, em 387 a.C., a qual é considerada um paradigma em estudos mais especializados. Platão entendia educação como um método para formar os futuros cidadãos dirigentes de Atenas, dentro do apropriado espírito cívico e comunitário. A Escola Academia é considerada por muitos o nascimento ou embrião mais importante daquilo que denominaríamos, posteriormente, como Universidade. Platão, no seu intuito de atingir e disseminar entre seus educandos a virtude e correta compreensão da realidade, previa uma educação geral que incluía a música, a poesia e a capacitação física, sem esquecer a matemática, as ciências, a dialética e a prática política, entre outros. Assim, Olimpíadas e instituições educacionais têm em comum suas raízes fortemente fincadas na Civilização Grega e ambas inspiradas em elementos de grandeza e de qualidade.

 

Voltando ao mundo contemporâneo, o Rio de Janeiro foi escolhido para sediar no ano de 2016 as XXXI Olimpíadas da era moderna, sendo a primeira vez que elas ocorreram na América do Sul, quando foram disputadas 28 modalidades, duas a mais do que as Olimpíadas de 2012. Foi inédito uma instituição educacional, no caso a Estácio, ter sido escolhida como parceira integral do evento e responsável direta pela capacitação de dezenas de milhares de pessoas, entre voluntários e força de trabalho envolvidos na organização do evento.

 

Celebramos, portanto, a reunificação de dois dos maiores legados dos gregos: as Olimpíadas e a Escola. Este trabalho de Solange Pose nos materializa e consolida a percepção de que as instituições educacionais estiveram muito bem representadas nessas últimas Olimpíadas pela Estácio.

 

Destaco que, entre as missões da Estácio para transformar a sociedade por meio da educação, a mais relevante delas é propiciar um ensino de qualidade para muitos. O Brasil tem provado ser um país capaz de prestar atendimentos de qualidade, desde que para poucos, ou então de atender muitos, desde que sem garantias de qualidade. Não aprendemos ainda, infelizmente, a fazer as duas coisas, qualidade e quantidade, ao mesmo tempo. Harmonizar bom nível e escala é a mais importante inovação olímpica de que o país tanto precisa. Propiciar qualidade para poucos ou então ofertar qualidade precária para muitos não é inovar e nem ser Olímpico. Inovar e ser Olímpico no Brasil de hoje é romper as barreiras que inviabilizam qualidade para muitos.

 

O que este trabalho de Professora Solange Pose reafirma é que pessoas educadas são essenciais para a melhoria da qualidade de vida de todos e para o aumento da competitividade e produtividade de um país. A formação de profissionais atualizados é estratégica para as economias competitivas globais. Profissionais com pouca escolaridade desenvolvem, de um modo geral, atividades manuais simples, sendo quase impossível a adaptação deles às técnicas e aos processos de produção mais sofisticados. Portanto, ser Olímpico na educação contemporânea, sendo simultaneamente grande e de qualidade, implica na formação de cidadãos competitivos, aptos a desempenharem tarefas complexas e dispostos a enfrentarem os desafios das novas e desconhecidas demandas, por meio do uso intenso e consciente de tecnologias inovadoras.

 

Por fim, as Olimpíadas sempre foram e continuarão sendo grandes e de qualidade e o evento Rio 2016 serviu para reforçar, uma vez mais, a sua essência. A Estácio está honrada de ter feito parte desta história, aqui muito bem relatada por Solange Pose, e se integra aos mesmos propósitos Olímpicos, certa de que é parte de sua missão maior conjugar bom nível com quantidade, ofertando educação de qualidade para muitos.

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terça-feira, 24 de janeiro de 2017 aprendizagem, EaD, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 14:05

Avant-première do aplicativo Spark da Cisco

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Aproveitando a participação em Londres no evento BETT (http://www.bettshow.com), hoje foi dia de visitar o Centro de Pesquisa e Inovação da Cisco no Reino Unido (http://www.cisco.com/c/m/en_uk/innovation/index.html).

Cisco é uma companhia sediada na Califórnia-USA (Cisco, de fato, vem do nome da cidade San FranCISCO) com 50.000 empregados em todo o mundo, inclusive Brasil, e com um faturamento anual de quase U$ 30 bilhões em 2016.

A atividade principal da Cisco é o oferecimento de soluções para redes de computadores e comunicações, tanto na fabricação e venda de roteadores e switches, bem como na prestação de serviços por meio de suas subsidiárias Linksys, WebEx, IronPort e Scientific Atlanta.

No início de suas operações, a Cisco apenas fabricava roteadores de grande porte para empresas, sendo uma das maiores empresas do planeta nesta área. Gradualmente diversificou os seus negócios passando a atender também ao consumidor final tecnologias como Voip. Ao mesmo tempo, progressivamente, seu segmento corporativo foi sendo ampliado, inclusive para área educacional.

Hoje, por feliz coincidência, é dia do lançamento mundial de prometidos grandes avanços na Plataforma Digital Spark Board, a qual promete ter sido desenhada para revolucionar as ferramentas de trabalho em equipe à distância.

As aplicações na área educacional são promissoras, seja especificamente em educação a distância bem como nas múltiplas versões híbridas de ensino.

O aplicativo Spark promete ser disruptivo e inovador ao facilitar o trabalho em equipe, com pessoas e missões conectadas. Reune pessoas, envia arquivos de qualquer natureza e tamanho e realiza video conferências, com alta qualidade e de forma muito fácil, entre todos os membros do grupo. A versão gratuita viabiliza reuniões de até 3 pessoas. A promessa final é menos e-mail, mais agilidade e melhor qualidade do cumprimento de missões em time. A segurança via criptografia garante que os arquivos trocadas via nuvem são impenetráveis, prometendo privacidade absoluta.

Para mais informações acesse http://www.ciscospark.com.

Vale a pena conferir e baixar gratuitamente o aplicativo.

Leia mais »

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domingo, 13 de novembro de 2016 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 11:22

Reforma do Ensino Médio e Educação Contemporânea (com links para vídeos)

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A convite do Congresso Nacional, participei da Audiência Pública promovida pela Comissão Mista que acolhe a Medida Provisória (MP) de iniciativa do Executivo Federal modificando o ensino médio. Como educador, reafirmo minha tendência de valorizar as etapas de esclarecimentos e convencimentos, imprescindíveis ao sucesso educacional. Tais procedimentos conflitam com a figura de MP. Mesmo assim, há que se ressaltar que, no caso, os elementos formais de MP, urgência e emergencial, são atendidos. As manifestações podem ser assistidas no link: https://www.youtube.com/watch?v=L3IaLYSFS0I&feature=youtu.be.

 

O indicador de qualidade mais adotado, o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, IDEB, evidencia que, entre os níveis da educação básica, o ensino médio é aquele que está em pior situação. A realidade atual de treze disciplinas obrigatórias em si contribui para limitar ou mesmo impedir que melhores e mais adequadas estratégias no processo ensino-aprendizagem sejam debatidas ou implementadas. Os argumentos para manter como obrigatórios tanto o ensino de artes como o de educação física são plausíveis e respeitáveis. Tanto quanto para filosofia, sociologia, história e geografia. Da mesma forma, como físico, teria pouca dificuldade em apontar os prejuízos e deficiências de um formando do ensino médio que não tivesse tido acesso a um mínimo de física e uma introdução ao raciocínio embasado no método científico. A mesma lógica vale para biologia e química. Enfim, tal caminho argumentativo, definitivamente, não funciona e melhor tratarmos mais de conteúdos e interdisciplinaridades e menos de disciplinas isoladas.

 

Além disso, Anísio Teixeira apontava, desde a década de 1950, que a educação secundária era excessivamente propedêutica. Priorizava a visão de etapa preparatória a estudos mais aprofundados de nível superior, subestimando o relevante papel de preparação técnica profissional dos jovens para o mundo do trabalho. Nos países mais competitivos e bem-sucedidos, a maioria dos jovens que fazem o ensino médio regular o fazem juntamente com educação profissional. No Brasil, somente 11% adotam tal estratégia. Como está estruturado hoje, a concepção subjacente é de que o ensino médio quase exclusivamente prepara ao ensino superior. Porém, contraditoriamente, menos de um quinto dos jovens vão para as faculdades e menos de 12% da população adulta têm diploma universitário.

 

O processo ensino-aprendizagem no ensino médio depende de muitos fatores, mas cabe especial destaque às condições de trabalho dos professores que atuam neste nível educacional. Em geral, eles são mal remunerados (http://www1.folha.uol.com.br/educacao/2016/11/1832095-professor-recebe-ate-39-menos-que-profissional-com-igual-escolaridade.shtml) e os cursos de formação, quando ofertados, não conseguem capacitá-los adequadamente à adoção de metodologias inovadoras e contemporâneas, especialmente quanto ao uso de novas tecnologias no ambiente educacional.

 

Má qualidade do ensino médio tem também como consequência um parque universitário extremamente limitado na sua capacidade de gerar ciência e inovação que sejam mundialmente competitivas. Seremos reduzidos, cada vez mais, a meros consumidores de tecnologias desenhadas no exterior e adquiridas via commodities com preços aviltantes, num ambiente de baixa produtividade e de altas taxas de desemprego.

 

Adicionalmente, a convite da Frente Parlamentar pela Educação, apresentei a Palestra “Tecnologias e Metodologias Inovadoras da Educação Contemporânea”, cuja reprodução pode ser assistida no link: https://www.youtube.com/watch?v=Mn7TrSEmVS4&feature=youtu.be. Na Palestra, abordei o tema das tecnologias digitais que permitem explorar um novo cenário educacional onde todos aprendem (não sabíamos disso, pensávamos que somente alguns aprendiam), onde todos aprendem o tempo todo (antigamente a aprendizagem estava circunscrita ao ambiente escolar, delimitando espaços e tempos que hoje extrapolam os muros e os tempos da escola) e, por fim, o mais relevante, descobrimos que cada educando aprende de maneira única e personalizada (uma espécie de DNA educacional que caracteriza cada um de nós). Apoiados pela analítica da aprendizagem e por plataformas de aprendizagem, os educadores poderão conhecer muito mais sobre seus educandos, bem como estes sobre si mesmos, propiciando desenvolver trilhas educacionais personalizadas que atendam às características, circunstâncias e peculiaridades de cada aluno individualmente.

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