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Arquivo da Categoria Ensino Superior

terça-feira, 4 de outubro de 2016 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 15:08

Pegadas digitais do educando

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​Em complemento ao artigo anterior “Analítica da aprendizagem é parte da solução”, neste texto aprofundaremos acerca de como analisar e fazer bom uso dos dados deixados pelos alunos. Praticamente todos os estudantes de nível superior deixam pegadas digitais em tempo real, tanto aqueles na modalidade a distância, como os presenciais, os quais, em geral, também utilizam plataformas digitais de aprendizagem.

Se pretendemos explorar causas e efeitos educacionais, as estatísticas disponíveis são fundamentais para contribuir, complementarmente, com as análises. É viável identificar eventuais lacunas acadêmicas, individuais ou coletivas, e desafios podem ser apresentados aos docentes sobre como construir caminhos para superar as dificuldades observadas. Se as tarefas previstas aos educandos e as questões a eles formuladas forem adequadamente desenhadas, podemos desenvolver a arte de conhecer, em detalhes, o ambiente educacional e cada um de seus atores. A meta é desenvolver a maior multiplicidade possível de trilhas educacionais, permitindo a cada educando explorar os respectivos caminhos que gerem os melhores resultados em processos contínuos de aprendizagem.

Atualmente, já estão disponíveis ferramentas para visualização das redes de interação construídas a partir de fóruns de discussão, onde podemos, com alguma facilidade, identificar padrões de comportamento dos alunos. As diversas maneiras com que os educandos lidam com os desafios propostos são igualmente relevantes, incluindo seus ritmos, as atitudes gerais e as abordagens por eles escolhidas. Além disso, ao formular uma questão de múltipla escolha, paradoxalmente, a resposta que menos elucida ou contribui adicionalmente é a certa. Para tanto, as respostas erradas apresentadas como alternativas devem ter sido sofisticadamente pensadas a partir do objetivo de identificar as razões e motivações das escolhas. Identificaremos alunos cujas maiores dificuldades estão associadas à falta de atenção e dificuldade de concentração, outros nos quais as deficiências de letramento, português e matemática, representam os grandes limitadores para a aprendizagem, bem como alguns onde as fragilidades derivam da ausência de determinados conceitos ou conteúdos.

Se é verdade que uma resposta somente diz pouco sobre o educando, com um número suficiente de questões, somado ao que pode ser percebido das demais interações, podem os gestores dos cursos dispor de material suficiente para formular as melhores trilhas educacionais, customizadas para cada aprendiz e suas peculiares circunstâncias. Imprescindível que o educando também acompanhe as próprias análises e seja ativo no processo, permitindo que ele também se conheça melhor, ampliando seu nível de consciência acerca dos mecanismos segundo os quais ele aprende (metacognição). Desta forma, amadurecendo a sua capacidade de aprender a aprender, o que lhe será fundamental na aprendizagem permanente ao longo da vida. Destaque-se que é importante que se tenha um controle muito rígido com a ética envolvida na disponibilização e uso dos dados coletados. Garantir a privacidade de todos os envolvidos e que os propósitos educacionais sejam absolutamente os únicos envolvidos são obrigações intransferíveis da instituição.

Há muitos projetos interessantes em curso fazendo bom uso de analítica de aprendizagem, tanto no Brasil como no exterior. A título de exemplos ilustrativos, elenco três a seguir: (i) https://analytics.jiscinvolve.org/wp/, (ii) http://www.laceproject.eu/, e (iii) https://confluence.sakaiproject.org/display/LAI/Learning+Analytics+Initiative.

Analítica da aprendizagem é ferramenta imprescindível na construção e aprimoramento de metodologias educacionais inovadoras baseadas em processos de aprendizagem híbridos, flexíveis e customizados. Inovar, educacionalmente, é conjugar quantidade e qualidade, tornando possível um cenário onde todos os educandos possam aprender, a todos seja possibilitado aprender o tempo todo e, como resultado, cada educando aprenda de maneira otimizada e personalizada.

Foto: Domínio público (http://absfreepic.com/free-photos/student-learning-with-computer-in-classroom.html)

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segunda-feira, 26 de setembro de 2016 aprendizagem, EaD, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 08:14

Analítica da aprendizagem é parte da solução

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Word Cloud "Big Data"

Analítica da aprendizagem (em inglês, learning analytics) diz respeito à abordagem baseada na coleta e análise sistemática de dados sobre os educandos e seus contextos, tendo em vista o entendimento e a otimização do processo de aprendizagem e do ambiente no qual ele ocorre. Embora não exista uma definição única ou consensual sobre o tema, ele está associado ao desenvolvimento de ações e estratégias educacionais implementadas com o suporte de modelos, simulações e padrões estatísticos. Tal processo viabiliza conferir a eficiência e eficácia de metodologias educacionais, conhecer mais sobre todos os atores envolvidos e aprimorar de forma inteligente e substantiva a prática pedagógica.

 

Coletar e analisar dados, como elemento de suporte para tomada de decisões, é o que nós fazemos todos os dias, mesmo que de forma natural e inconsciente. A novidade é que no mundo digital são gerados dados em níveis sem precedentes e, consequentemente, podemos dispor atualmente de estratégias inovadoras, assentadas na capacidade de predições inéditas, decorrentes do uso sistemático, sofisticado e inteligente de estatísticas de grandes massas de dados. Esta realidade é amplificada no mundo educacional atual pelo uso crescente de ambientes virtuais de aprendizagem, tanto na modalidade presencial como a distância. A plataforma virtual, a qual permite a utilização de diversas mídias e demais recursos para apresentar as informações associadas à aprendizagem, é o mesmo ambiente que viabiliza coletar automaticamente dados e analisar o desempenho dos alunos, tanto coletivamente como individualmente.

 

A mais relevante característica da estratégia baseada na analítica da aprendizagem é que pela primeira vez quebramos o paradigma de que o aumento da quantidade é necessariamente associado ao rebaixamento de qualidade. Pelo contrário, ela permite conjugar escala e qualidade, de tal forma que quanto maior a quantidade de dados as análises geradas tendem a ser mais confiáveis, colaborando ainda mais no conhecimento e na avaliação das ações educacionais em curso e no incremento do potencial das iniciativas futuras.

 

Atualmente, é possível conceber que todos os educandos podem aprender, todos aprendem o tempo todo, porém, cada educando aprende de maneira única e personalizada. Para tanto, educação contemporânea significa construir um ensino híbrido, flexível e customizado. A partir dos comportamentos dos estudantes, individualmente ou coletivamente, seja nas atitudes frente a desafios propostos ou via respostas, certas ou igualmente úteis erradas, às questões formuladas, é possível, por meio do desenvolvimento de algoritmos especiais, saber muito sobre cada educando. Isso inclui conhecer suas principais características, expectativas, lacunas, predicados etc. De posse da máxima percepção global sobre o aluno e frente a cada situação educacional específica, podem os educadores e educandos, apoiados por plataformas inteligentes, escolher de uma multiplicidade de trilhas educacionais a mais adaptada. Não menos importante, ao longo do processo, o aluno se permite conhecer melhor a si mesmo, ampliando seu nível de consciência acerca dos mecanismos e contextos nos quais ele otimiza seu aprendizado.

 

Com a abordagem baseada em analítica da aprendizagem passamos a dispor de uma ferramenta adicional indispensável aos educadores contemporâneos. Portanto, torna-se possível ampliar significativamente a capacidade de aprender a aprender, o que é absolutamente imprescindível em um contexto de educação permanente ao longo da vida. Fruto do uso adequado de novas tecnologias, em conjunto com a adoção de metodologias educacionais inovadoras, temos uma oportunidade ímpar de propiciar educação de qualidade para todos.

 

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sexta-feira, 16 de setembro de 2016 aprendizagem, Ensino Superior, Inovação e Educação | 17:30

Tratar bem o Português

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Devemos tratar bem todos os portugueses. Nossos patrícios ancestrais, juntamente com os nativos indígenas e os vários imigrantes, são os formadores da nação brasileira. No entanto, não é a eles que me refiro e sim à língua portuguesa. O Português originou-se da transformação do latim vulgar, com forte influência do céltico. No século V, o português arcaico desenvolveu-se como um dialeto românico, denominado galego português, decretado língua oficial do reino por Dom Dinis I, ao final do século XIII. No século XVI, com as atividades expansionistas do Reino de Portugal, esta língua se difundiu pelas novas terras descobertas, incluindo o Brasil.

 

O Português tem sido demasiadamente maltratado no Brasil, o que é agravado em suas consequências no contexto atual, em que o exercício pleno da cidadania e as oportunidades de explorar empregos e novos negócios dependem fortemente do nível de letramento. Letramento neste sentido está diretamente associado à capacidade do educando na aprendizagem da língua e dos demais códigos, incluindo a matemática. Sem letramento, está prejudicada a comunicação, falada e escrita, tornando difícil o bom convívio social. A base inicial do letramento inclui a habilidade de escrever ou entender um texto, bem como de compreender ou fazer uma fala, o que gera o diálogo e a comunicação com qualidade com os demais.

 

Neste texto, ficaremos no básico. Tentaremos abordar, ilustrativamente, alguns dos erros mais comuns que prejudicam os convívios. Por exemplo, a não conformidade nas palavras exceção, cidadãos e privilégio desautorizam a qualidade do restante do texto ou da manifestação. Outro erro grave é colocar o tentador plural no verbo fazer em frases corretas do tipo: “Faz dez anos que não visito…”. Da mesma forma, o verbo haver deve sempre seguir a forma: “Houve fatos que me levaram a…”.

 

Há inúmeros outros exemplos. Citemos alguns mais. Todo cuidado no uso do afim (junto), o qual é substantivo (indicando parente por afinidade ou aliado partidário) ou adjetivo (significando parecido, próximo), diferindo do a fim (separado), expressando propósito, intenção ou finalidade. Quando for utilizar menos enquanto advérbio jamais flexione gênero. Assim, use sempre: “menos gente”, “menos nervosa” etc. Lembrar que escrever por isso é sempre separado, inexistindo a forma unida. Evite, por favor, a confusão desnecessária entre o mais, significando adição/quantidade e o mas, o qual é uma conjunção com significado de oposição ou restrição. Lembre-se de que o correto é “deixe a carta para eu escrever…”, bem como “os policiais retiveram o documento…”.

 

Sempre que possível evite o “gerundismo”, ou seja, em vez de “vou estar enviando….” use a forma simples “vou enviar…”. Não confundir a forma ligada agente, como em agente secreto, com a forma separada a gente, significando o coletivo genérico. Não confunda meia e meio. meio é uma palavra invariável quando usado como advérbio, significando “um pouco” ou “mais ou menos”. Por sua vez, meia quer dizer metade (numeral).

 

Observe que uma coisa é o advérbio embaixo (junto), significando junto ou sob alguma coisa e bastante diverso do em baixo (separado) utilizado quando a palavra “baixo” tem sentido de adjetivo  . Há outros casos típicos que demandam atenção redobrada como os usos do “por que” e “porque”, bem como do “este” e do “esse”, temas que infelizmente não teremos tempo de tratar neste breve espaço.

 

Em suma, você, ao se expressar oralmente ou por escrito, deve chamar a atenção pelas coisas boas que fala ou escreve e jamais prejudicá-las pela forma, eventualmente não correta, com que se expressa. Trate bem o Português e você será recompensado largamente sendo bem compreendido e tendo a benção de aprender mais e entender melhor o mundo à sua volta, comunicando-se adequadamente com os seus.

 

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segunda-feira, 12 de setembro de 2016 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 09:40

Como ir bem no ENEM: além de saber, saber resolver

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Este ano o Exame Nacional do Ensino Médio – ENEM completa dezoito anos. A maioridade não lhe confere perenidade de forma, ao contrário, há ventos de novas mudanças, as quais são compreensíveis, dado que o exame sofreu alterações essenciais. Nasceu com a finalidade de medir a qualidade do ensino médio, no entanto, a partir do final da década passada, se transformou quase que exclusivamente em teste nacional de admissão ao ensino superior.

 

O resultado é que hoje o exame abrange anualmente um público de quase oito milhões de candidatos, com interesses concentrados nas mais de 250 mil vagas das universidades públicas e de milhões de outras oportunidades de ingresso no ensino privado. O ingresso na faculdade não é a finalidade única do ensino médio, porém, na ausência de uma base nacional comum curricular, o conteúdo do ENEM findou por se tornar a referência quase única do que é, ou deveria ser, ensinado naquele nível.

 

O ENEM, progressivamente, adotou uma cobrança cada vez maior de profundidade no domínio de matérias como matemática, física, química, biologia, língua estrangeira, história, geografia e redação. Mesmo assim, o nível de aprendizado em matemática no ensino médio na última avaliação do Sistema de Avaliação da Educação Básica – SAEB atestou retrocesso naquilo que já ia mal. A ênfase do ENEM tem sido mensurar domínio de conteúdo, capacidade de memória e habilidade de responder questões no tempo previsto, funcionando como atestado formal em itens supostos essenciais a ingressantes em cursos superiores. O drama adicional é que tais elementos estão muito associados à formação típica esperada no século passado, onde um conjunto razoavelmente delimitado de conteúdos, técnicas e procedimentos caracterizavam um profissional de ensino superior preparado para atender as demandas da época. Isso mudou, está mudando e mudará ainda muito mais. Caminhamos rapidamente para um novo cenário onde mais relevante do que o que foi aprendido é o desenvolvimento da capacidade de aprender a aprender, com o consequente aumento da consciência do educando sobre como ele aprende.

 

O mundo contemporâneo apresenta novidades e desafios resultantes do ingresso acelerado em uma sociedade onde a informação está, cada vez mais, totalmente disponibilizada e instantaneamente acessível. Assim, simplesmente separar os candidatos entre os que sabem e os que não sabem determinados conteúdos torna-se menos relevante do que, simultaneamente, selecionar e induzir talentos aptos a saberem resolver problemas. Saber resolver tem a ver com saber, mas vai além, significando fazer uso das informações disponíveis para apresentar soluções a desafios.

 

A capacidade de interpretar e analisar textos, fazendo uso dos dados disponibilizados, o uso da lógica e do raciocínio crítico e o desenvolvimento de um conjunto de atributos que transcendem o domínio simples de conteúdos ajudarão o candidato a ir bem no ENEM. A resposta a uma questão depende não só de memória e do domínio de conteúdos, mas inclui também capacidade de foco e outras atitudes. Ou seja, estamos medindo, ainda que indiretamente, o nível de amadurecimento da consciência adquirida pelo educando acerca dos mecanismos segundo os quais ele aprende, o quanto ele conhece a si mesmo e faz uso disso. Neste sentido, felizmente, aprendizagem inclui também a habilidade de aprender a aprender em um contexto de educação permanente ao longo da vida.

 

Mesmo que o ENEM, como ele é hoje, vise a, principalmente, selecionar e distinguir entre os que sabem e os que não sabem, há espaços a serem explorados por aqueles que, mais do que saber, se preocupem em saber resolver. Irão bem no ENEM aqueles capazes de explorar as atitudes maduras perante os desafios, o que será fundamental durante o exame e, especialmente, depois dele.

 

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terça-feira, 30 de agosto de 2016 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 16:52

Nova era industrial e educação na nuvem

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O projeto da máquina a vapor de Thomas Newcomen, aperfeiçoado por James Watt em 1777, é considerado o marco do nascimento da Revolução Industrial. Sua primeira aplicação foi abaixo do nível do solo ao retirar água do interior das minas de carvão na Inglaterra, substituindo o trabalho anteriormente feito por animais. Com carvão abundante e de melhor qualidade, o Império Britânico consolidou seu protagonismo na dominação econômica.

 

Um segundo ciclo de desenvolvimento transformador decorreu do uso industrial e residencial da eletricidade em larga escala ao final do século XIX. A expansão da tecnologia elétrica e dos motores nesse período trouxe novas possibilidades, marcando profundamente o século XX e transformando a sociedade, incluindo os setores de transportes, aquecimento, iluminação e comunicações. Podemos considerar como marco do terceiro período industrial a invenção do primeiro microprocessador. Em 1971, a empresa Intel, atendendo demanda de uma empresa japonesa, produziu o microprocessador 4004 com 2.300 transistores, registrando, simbolicamente, a emergência da era dos computadores e do mundo digital.

 

Contemporaneamente, já ingressamos na quarta era industrial. Observe que as inovações anteriores, na sequência, surgiram nas minas abaixo do solo, posteriormente, emergiram e preencheram a superfície terrestre com a tecnologia elétrica, e, em seguida, surgiram embutidas nos diversos dispositivos na forma de microprocessadores. Mais recentemente, as inovações ocupam um inédito espaço que se convencionou chamar de nuvem ou de computação em nuvem. Klaus Schwab, um dos fundadores do Fórum Econômico Mundial, lançou no início deste ano o livro The Fourth Industrial Revolution (disponível em: https://www.amazon.com/dp/B01AIT6SZ8#nav-subnav) contando com mais detalhes parte dessa história. Nesta era, via integração plena, todos estão conectados e todas as empresas, gradativamente, se tornam digitais e a nuvem é o elemento-chave.

 

Via a utilização da capacidade de armazenamento e de cálculo de servidores compartilhados e interligados por meio da internet, tudo pode ser acessado de qualquer lugar do mundo e a todo momento. É a vez da internet das coisas, da impressão 3D e da realidade ampliada, da inteligência artificial e das máquinas que aprendem. Todos os setores e atividades humanas serão impactados e educação, entre eles, demandará ser revista à luz de contornos inéditos, onde a informação está totalmente acessível, instantaneamente disponibilizada e gratuita. As demandas em termos de formação de profissionais e cidadãos desta nova era, incluindo as metodologias e estratégias educacionais associadas, ainda estão em aberto. Sabemos que teremos encruzilhadas e que as circunstâncias permitem, se não tomarmos os necessários cuidados, processos perversos de exclusão social mais acentuada. Por outro lado, tais tecnologias também viabilizam abrir oportunidades positivas jamais vivenciadas pelos humanos em termos de igualdade de oportunidades, via educação de qualidade para todos.

 

As inéditas facilidades na geração, tratamento e disponibilização de dados por meio da nuvem permitem processos inovadores de ensino de qualidade dirigidos a muitos. Temos disponível escala suficiente para conjugarmos, pela primeira vez, qualidade e quantidade, viabilizando um cenário onde cada educando poderá, mais do que somente aprender, aprender a aprender. O educando, a partir das tecnologias disponíveis e das metodologias compatíveis, escolherá com liberdade seus tempos e lugares próprios para aprendizagem, acompanhado por inteligentes plataformas que entendem cada um individualmente. Assim, com o suporte de educadores especializados, será possível gerar soluções customizados em que todos aprendem e todos aprendam juntos o tempo todo, mas cada aprendiz seguindo sua trajetória educacional personalizada.

 

 

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terça-feira, 9 de agosto de 2016 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 11:02

Aprendizagem independente é essencial

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Nos processos educacionais, educandos e educadores investem esforços e talentos visando à aprendizagem, que seria resultante do sucesso das estratégias e metodologias utilizadas. Como processo complexo, qualquer tentativa de simplificação está sujeita a erros graves. Assim, procurar destacar os elementos e as abordagens mais relevantes deveria ser a tarefa de qualquer educador interessado em melhorar o desempenho dos estudantes em relação a cada evento educacional específico.

 

Elementos culturais gerais da sociedade sempre estarão presentes como ingredientes fundamentais. O ambiente doméstico e os hábitos e costumes praticados no dia a dia interferem nas práticas e nos resultados educacionais, portanto, seria recomendável tê-los considerados quando da seleção das abordagens e das pedagogias adotadas. Uma nação, uma região ou um grupo social específico têm marcas registradas decorrentes de suas histórias anteriores que estabelecem com o processo educacional uma relação de desejáveis e inevitáveis interferências multilaterais.

 

Nossa carga cultural traz marcas bem descritas em obras consolidadas, entre elas destaco “Casa Grande & Senzala”, de Gilberto Freire. Neste e em outros estudos, são enfatizadas, de um lado, uma elite acostumada às benesses e aos privilégios, que justificam e estimulam o paternalismo e a acomodação, e, de outro, os demais submetidos à exclusão e à opressão, que desfavorecem a emancipação e as iniciativas empreendedoras. A tradição histórica que se reflete nas relações, seja nas ruas ou no trabalho, infelizmente, também repercute nas salas de aula, via pedagogias que prioritariamente estimulam a aprendizagem marcadamente dependente.

 

Portanto, no processo educacional, adicionalmente aos conteúdos a serem abordados, em complemento às técnicas e procedimentos que um futuro profissional ou cidadão devem dominar, há outros elementos, tão ou mais relevantes, que demandam estar presentes. Entre eles, a aprendizagem independente é essencial e não exclui o professor; ao contrário, o inclui via a adoção de metodologias que estimulem processos emancipatórios na aprendizagem. Especialmente no caso brasileiro, não basta ter aprendido o conteúdo, é imprescindível que no processo a ênfase na autonomia de aprendizagem ao longo da vida tenha sido enaltecida e priorizada, assim como é importante que níveis superiores de emancipação dos educandos tenham sido atingidos.

 

A notícia positiva é que o mundo das tecnologias digitais favorece a missão de estimular processos emancipatórios e mantém grande coerência com as metodologias ativas que se baseiam em aprendizagem independente, mediadas tanto pelo educador como pelos ambientes virtuais. Via as interfaces educacionais inteligentes e os recursos e ferramentas atualmente disponíveis, é plenamente possível traçar trajetórias educacionais personalizadas que levam em conta cada indivíduo, bem como fortalecer aspectos culturais e demais especificidades locais e regionais.

 

Temos a oportunidade inédita de conjugar escala e qualidade, contrariando as práticas anteriores, caracterizadas por qualidade para poucos ou má qualidade sempre que estendida aos demais. Contemporaneamente, ao contrário, podemos afirmar que só haverá qualidade se tivermos variadas referências para acesso, fruto de adotarmos tecnologias e metodologias que sejam aplicáveis para muitos. Hoje, seja na educação, na saúde ou em demais setores, inovar no Brasil é ousar propiciar qualidade para todos.

 

Figura: Domínio público, disponível em https://www.class-central.com/report/app/uploads/2015/06/Thoma-Loneliness.jpg

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sexta-feira, 29 de julho de 2016 aprendizagem, EaD, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 08:42

Educação em tempos de ‘Pokémon Go’

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O aplicativo ‘Pokémon Go’ lançado há poucas semanas nos Estados Unidos, Austrália e Nova Zelândia já é o jogo mais baixado da história da internet. Ele marca, simbolicamente, o ingresso definitivo em um contexto inédito de utilização em grande escala de simulações, realidade aumentada e inteligência artificial.

 

Alguns podem entendê-lo simplesmente como um jogo de sucesso e não estarão errados, mas certamente não terão capturado a real dimensão em termos de impactos associados em todas as demais áreas. Por exemplo, as consequências educacionais do uso intensivo de realidade aumentada e de inteligência artificial são ainda preliminares, mas serão profundas e duradouras. Um novo capítulo será aberto quanto à preparação de profissionais para atuarem neste novo mercado, fruto de mudanças em grande escala nos modelos de negócios e de gestão.

 

Embora parte desses recursos e ferramentas já estejam disponíveis há décadas, seu uso intensivo ainda está no seu início. Os especialistas calculam que estamos falando de um mercado de centenas de bilhões de dólares anuais. Em suma, daquilo que hoje é eventual e incipiente, migraremos muito rapidamente para usos generalizados e abrangentes. No campo educacional, cabe um destaque especial às possibilidades decorrentes do uso ilimitado dessas tecnologias digitais, incluindo a impressora tridimensional, integrando informações virtuais a visualizações do mundo real, confundindo ambas e gerando múltiplas e inimagináveis possibilidades.

 

O mundo ocidental vivenciou algo similar há aproximadamente dois séculos atrás com o início da Revolução Industrial, especialmente com a invenção de máquinas motorizadas e com o desenvolvimento da tecnologia de geração de energia elétrica. Como consequência, tivemos a migração progressiva da população do campo para a cidade e a transformação do trabalho individual ou familiar na agricultura para o estilo fordista/taylorista de grandes massas nos ambientes das fábricas. Na verdade, aquele foi o capítulo preliminar das transformações em etapas do trabalho humano, inicialmente mediado por máquinas, depois plenamente substituído por elas e, atualmente, interagindo com máquinas que aprendem.

 

No período que começou no século XIX e perdurou ao longo do século XX, o trabalho braçal, pouco especializado e não dependente de instrução escolar específica, gradativamente perdeu espaço para a exigência de profissionais mais especializados, preparados via um ensino compatível com tais necessidades. O modelo industrial clássico e os serviços associados moldaram a escola e as metodologias educacionais do século XX. De forma análoga, adentrar uma sociedade com alto nível de automação, agora conjugada a máquinas que aprendem, e onde a informação está totalmente acessível, instantaneamente disponibilizada e gratuita impõe mudanças profundas no que educar passa a significar.

 

Nos séculos XIX e XX, ensinar estava basicamente associado a transmitir informações, técnicas e procedimentos compatíveis com as demandas do mundo do trabalho contemporâneo àquela época. Nos tempos atuais, educar passa a significar, principalmente, aquilo que permanece depois que esquecemos o que nos foi ensinado. O aprender a aprender juntamente com saber trabalhar em equipe se mostram nos recentes contextos mais relevantes do que propriamente o conteúdo objeto do ensino.

 

Nestas próximas semanas, quando ‘Pokémon Go’ estará sendo lançado no Brasil, importante percebermos que inteligência artificial e realidade aumentada, em conjunto com metodologias educacionais compatíveis, podem viabilizar um ensino flexível e personalizado, que constituirão as bases de uma educação inovadora em construção.

 

Sobre a figura: http://i2.wp.com/www.jenapolis.de/wp-content/uploads/2016/07/pokemon-1521104_960_720-DigiPD-CC0-Public-Domain-760-430.jpg?resize=760%2C430

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sábado, 25 de junho de 2016 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 08:13

Oceano azul da educação privada

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Os mais de 8 milhões de matrículas do ensino superior brasileiro refletem principalmente um crescimento acentuado do setor privado nos últimos anos. Em especial, via as instituições educacionais ancoradas em empresas que têm procurado, cada qual a sua maneira, conjugar quantidade e qualidade.

 

Vivenciamos o ingresso acelerado em uma sociedade em que a informação está totalmente acessível e instantaneamente disponibilizada, na qual os perfis dos profissionais demandados se alteram profundamente. Neste novo cenário, o processo de aprendizagem é essencialmente reconfigurado visando a atender em grande escala a demanda de ensino personalizado em um contexto de educação permanente ao longo da vida. Os desafios contemporâneos passam a ser, principalmente, a geração de uma educação híbrida e flexível provedora de trilhas educacionais que consigam atender aos mais variados perfis e expectativas.

 

A educação flexível resulta dos pressupostos de que todos educandos aprendem, todos aprendem o tempo todo e, especialmente, cada um aprende de maneira pessoal e única. Para desenhar essas trajetórias personalizadas que maximizam o processo de aprendizagem é necessário uso intenso de tecnologia, liberar amarras burocráticas e estimular criatividades e experimentações. No entanto, como bem apontado pelo educador Edson Nunes, ex-Presidente do Conselho Nacional de Educação-CNE, as barreiras são enormes. Entre elas, os obstáculos criados de parte das profissões regulamentadas, ancorados em diretrizes curriculares nacionais rígidas, indutoras de conteúdos e abordagens. O Exame Nacional de Avaliação de Desempenho dos Estudantes, ENADE, completa o engessamento priorizando o específico, em detrimento do geral, num mundo em que o aprender a aprender é tão ou mais importante do que o que foi aprendido.

 

O setor público do ensino superior, pelas boas condições que reúne, teria condições de enfrentar esses problemas e apresentar soluções. No entanto, na prática, por limitações específicas e velocidades peculiares, resulta que temos hoje experiências localizadas que não escalam suficientemente para alterar o quadro vigente. O setor privado, por sua vez, é beneficiário do fenômeno de escala e da possibilidade de adoção rápida de tecnologias e metodologias inovadoras, bem como, em geral, é mais próximo no atendimento de demandas do mercado e do mundo do trabalho. As tecnologias digitais aplicadas aos processos educacionais, ao tempo que reduz custos, permitem ampliar qualidade e desenvolver modelos acadêmicos flexíveis. Neste mundo em que saber tratar muitos dados é essencial, a escala, ao contrário de reduzir qualidade, pode ser elemento indispensável para ampliá-la de forma criativa e sustentável.

 

As instituições educacionais brasileiras somente serão competitivas no mercado nacional se puderem atuar globalmente, sendo competentes no desenvolvimento de ambientes virtuais de aprendizagem e, desta forma, fazerem frente às empresas internacionais, altamente competitivas, já presentes no território nacional. Nenhuma delas, provavelmente, logrará enfrentar este desafio sozinha. Assim, mais relevante do que se digladiarem por espaços, o melhor caminho é a junção de esforços na consolidação do país enquanto produtor de conteúdos educacionais no estado da arte. Não há chance de sobrevida no mundo digital, a não ser na condição de usuário passivo e dependente, sem a capacidade de desenvolvimento de inteligência para entender os educandos, seja em suas fragilidades, suas potencialidades e seus desejos, e na capacidade de desenhar as trilhas educacionais correspondentes que melhor se adaptam a cada caso.

 

Em suma, há que se ir além das clássicas disputas no sangrento mar vermelho e enxergar além, explorando possibilidades de navegar conjuntamente em direção ao oceano azul.

  

Imagem de domínio público em: http://all-free-download.com/free-photos/download/drink_on_beach_204171_download.html

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segunda-feira, 23 de maio de 2016 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 09:11

Metacognição política brasileira

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Metacognição, etimologicamente, significa “para além da cognição”, ou seja, algo além do aprender e suas etapas clássicas, abrangendo também conhecer o próprio ato de aprender, associado à consciência ativa dos atores envolvidos no processo de aprendizagem. Assim, o conceito de metacognição está relacionado ao ato de pensar sobre o próprio pensamento, onde a reflexão e a autoconsciência sobre a maneira como se aprende tornam-se, progressivamente, tão importantes como o próprio conhecer.

 

Portanto, nesta linha, assume-se que tão ou mesmo mais importante do que aquilo que se aprendeu é se ao educando foi possível adquirir, ao longo do processo de aprendizagem, mais clareza acerca de como ele aprende, aumentando o seu nível de consciência sobre os mecanismos segundo os quais a educação se desenvolve.

 

A situação econômica e social brasileira não é boa e a crise política instaurada é grave, portanto, nem há sequer pílula para dourar. No entanto, não há como enxergar o país somente com o olhar clássico, fotográfico e simples. É possível, complementarmente, perceber o que está embutido, o dinâmico e o complexo. A pergunta a ser feita, talvez a mais relevante, seja se estamos aprendendo ao longo do processo e, principalmente, se estamos entendendo a nós mesmos melhor enquanto atores políticos, aprendizes permanentes do processo. Curiosamente a resposta seria sim, mesmo que olhado dos pontos de vista mais díspares.

 

A crise econômica pode ter muitas explicações, mas fica cada vez mais evidente que todas estão associadas às tarefas não cumpridas antes e à baixa produtividade do trabalhador brasileiro. Esta, por sua vez, correlacionada à baixa escolaridade, entendida aqui enquanto limitadíssimo número de anos de estudo e má qualidade de ensino nos poucos anos frequentados.

 

A questão social, vinculada à crise, remonta a acúmulos que vieram progressivamente se agravando, desde o evidente e perverso contraste social que separa a casa grande da senzala e que, com pequenas oscilações, nunca se alterou na sua essência. Na política, nossa marca maior continua sendo a eterna vocação patrimonialista de confundir o público com o privado, o geral com o particular, findando os interesses coletivos submetidos aos interesses localizados. Esta lógica opera, desde o Brasil Colônia, para grupos e setores econômicos comodamente sempre alojados dentro do poder instituído. Da mesma forma, o mesmo raciocínio é válido para corporações diversas que se fazem representar ao nível do poder, ainda que cultivando um discurso por vezes progressista, e que findam sempre por desculpar privilégios setoriais em detrimento do todo.

 

Pela primeira vez, graças ao mundo das tecnologias digitais, exploramos, enquanto cidadãos e agentes políticos em potencial, a oportunidade de termos informação plena e total para todos, instantaneamente e gratuitamente acessível. Um dos reflexos decorrentes desta revolução diz respeito ao fato de que cognição divide sua centralidade, abrindo espaço, em termos de relevância, para um conceito mais amplo, a metacognição política.

 

Portanto, a cognição, associada a ser informado, de certa forma, atende principalmente ao passado e a metacognição, associada a cada vez mais refletir melhor sobre aquilo que lhe é informado, contempla prioritariamente o futuro. Claramente ainda estamos nos primórdios, mas estamos avançando e podemos fazê-lo com muito mais rapidez. Enquanto a cognição diz respeito, na sua forma mais simples, a constatar se o cidadão aprendeu ou não, a metacognição política inclui, com igual peso, o quanto o indivíduo e o coletivo percebem as formas e os mecanismos com que eles próprios aprendem e atuam, em preparação ao estratégico e improrrogável saber resolver.

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sexta-feira, 13 de maio de 2016 aprendizagem, EaD, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 21:27

Educação a distância: no começo estranha-se, depois, entranha-se!

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Há 80 anos, em Portugal, o escritor Fernando Pessoa foi convidado a produzir uma peça publicitária para um grande grupo internacional do ramo de refrigerantes, e assim o fez: “Primeiro estranha-se, depois, entranha-se!”. Naquela época, a bebida escura gaseificada estava chegando a Portugal, era desconhecida, de gosto estranho, e precisava de um pouco de poesia para abrir-lhe o caminho.

Hoje, parafraseando o poeta, em contexto sensivelmente distinto do original, permito-me apropriar da ideia do autor para descrever a educação aberta e a distância, que está, cada vez mais, presente em nosso cotidiano. Trata-se de uma modalidade de educação fortemente impulsionada pelas novas tecnologias de informação e comunicação, cujas potencialidades apontam para o atendimento às demandas inéditas da sociedade contemporânea, e em particular no Brasil, país privilegiado com dimensões continentais, nossos atrasos em termos de escolaridade e as desigualdades sociais e econômicas.

Muito além de ser um meio de superar problemas emergenciais ou forma de enfrentar questões de espaços territoriais, educação a distância (EaD) vem, progressivamente, conquistando espaços junto aos diversos sistemas acadêmicos e educacionais, sua oferta combinada aos modelos tradicionais de ensino, em diversos níveis, tem apontado para melhorias.

Por outro lado, no espírito de educação ao longo da vida, a educação a distância tem sido ingrediente fundamental na educação continuada da população adulta. EaD tem forte conexão com democratização de oportunidades educacionais, contribuindo com a formação de profissionais com competências múltiplas. Da mesma forma, estabelece fortes vínculos com democratização de oportunidades educacionais, contribuindo com a formação de profissionais com competências múltiplas, com especial ênfase no trabalho em equipe e na capacidade de aprender a aprender e estimulando o individuo a adaptar-se a novas situações.

Assim, a realidade de exigência de formação ao longo da vida propiciara desejáveis conexões entre o campo educacional e o campo do trabalho, que demandarão inéditas ferramentas pedagógicas que, por sua vez, gerarão fortes impactos, tanto sobre os métodos de ensino como sobre a organização dos ambientes de trabalho.

A Lei 5.692, de 1971, que fixava Diretrizes e Bases para o ensino de 1º e 2º graus, de forma pioneira no país e para atingir maior número de estudantes, se referiu à possibilidade de cursos supletivos utilizarem a modalidade a distância, por meio de rádios, televisão e ensino por correspondência. A nova Lei de Diretrizes e Bases (1996), consolida essa tendência, inovando com a possibilidade de educação a distância em todos os níveis e modalidades de ensino. No ano de 1998, dois Decretos publicados caracterizaram EaD e regulamentam a LDB, definindo competências entre os sistemas federal, estaduais e municipais.

Posteriormente, duas Portarias do MEC (uma de 2001 e outra de 2004) tratam da possibilidade de introdução de métodos não-presenciais na organização curricular e pedagógica dos cursos superiores reconhecidos.

Em um contexto em que a informação estará totalmente acessível, instantaneamente disponibilizada e gratuitamente ofertada, o processo ensino-aprendizagem será profundamente afetado e a incorporação de novas tecnologias e a introdução de metodologias inovadoras serão a marca destes novos tempos. Muito além da simples modalidade, o ensino a distância representa a real possibilidade de conjugarmos quantidade com qualidade e é o prenúncio de um novo período de educação híbrida e flexível, em um mundo globalizado e literalmente sem fronteiras.

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira, (LDB, Lei n.º 9.394, de 20 de dezembro de 1996) apresentou uma inovação no seu art. 80 estimulando o ensino a distância nos diferentes níveis. A criação da Secretaria de Educação a Distância (Seed/MEC), no início do Governo Fernando Henrique Cardoso (1994-2002), representou uma iniciativa positiva para a institucionalização da modalidade. No Governo Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2011), houve um significativo avanço da educação a distância, chegando ao quadro atual em que a educação a distância é a principal responsável pelo crescimento de matrículas no ensino superior.

Educação a distância baseada nas tecnologias digitais rompe fronteiras entre as nações e cumpre o mesmo papel no interior de cada país. Particularmente no Brasil, onde ainda não completamos sequer metade do caminho previsto no Plano Nacional de Educação (PNE) da década passada – “garantir acesso ao ensino superior a 30% dos jovens entre 18 a 24 anos” –, a utilização da modalidade é certamente imprescindível e estratégica para oportunizar que interessados de todas as classes sociais possam ter acesso à educação superior. Além disso, como apontado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep/MEC), progressivamente, mais de 40% dos ingressantes no ensino superior estão em faixas etárias mais maduras (acima de 24 anos). Esta população demanda metodologias educacionais próprias capazes de permitir que mesmo tardiamente, possa qualificar-se profissionalmente.

Distintamente da educação presencial, na educação a distância a escala não compromete a qualidade, muito pelo contrário. Todos os especialistas internacionais têm segurança em afirmar que a racionalidade e a economicidade envolvidas na modalidade permitem baixar custos e aumentar qualidade simultaneamente. Tal que é mais do que razoável afirmar que na boa educação a distância pode-se obter o dobro da qualidade pela metade dos custos.

Os estímulos para o estudo antes das aulas, a ênfase na existência de portais eletrônicos, aprender a não ter medo de utilizar plataformas, o estímulo à aprendizagem independente e ao ensino baseado em solução de problemas, incluindo metodologias que levem em conta os ambientes do mundo do trabalho, são exemplos de iniciativas que podem ampliar nos educandos habilidades e competências desejadas.

Pessoas educadas são essenciais para a melhoria da qualidade de vida de todos e para o aumento da competitividade e produtividade de um país. A formação de profissionais atualizados é estratégica para as economias competitivas globais. Profissionais com pouca escolaridade desenvolvem de um modo geral  atividades manuais simples, sendo quase impossível a adaptação deles às técnicas e aos processos de produção mais sofisticados. Portanto, a formação de cidadãos aptos a desempenhar tarefas complexas e dispostos a enfrentar os desafios das novas e desconhecidas demandas, por meio do uso intenso e consciente de tecnologias inovadoras, é essencial para a educação contemporânea.

 

Imagem: Domínio público em https://pixabay.com/pt/in%C3%ADcio-364177/

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