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Arquivo da Categoria Ensino Superior

segunda-feira, 3 de abril de 2017 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 08:57

Países Baixos: controlando a água com educação

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moinho

 

A tentação de chamar de Holanda é grande, mas só serviria para aumentar o equívoco de denominar uma nação inteira por uma de suas partes. E não se trata de um país qualquer, mas de um espaço de terra onde um quarto está abaixo do nível do mar e três quartos seriam inundados com frequência se a natureza fosse deixada sem controle humano. A água, ao invés de inimigo potencial, transformou-se na maior aliada, sendo que 60% do território é ocupado por pôlders, terrenos baixos e alagáveis protegidos por diques e utilizados para moradia e, especialmente, para produção agropecuária.

 

As cidades são fantásticas, a começar por sua capital Amsterdam, com o maior sistema de canais urbanos do mundo e pontes em abundância quase sem similar. Roterdã é o maior porto da Europa e uma das mecas da moderna arquitetura. No total, são quase 17 milhões de habitantes unificados pela cor laranja, pela obsessão por bicicletas e pela paixão pelo futebol. A população é fortemente multicultural, marcada pela tolerância e por valores como liberdade individual e respeito entre todos, sendo que um quinto dela é formada por estrangeiros e a maioria não pertence a nenhuma religião específica, embora todos os credos estejam representados.

 

Coerentemente, o sistema educacional é fortemente baseado no estímulo à aprendizagem independente. As mesmas autonomias e flexibilidades que as bicicletas permitem no trânsito, conjugando individualidade e o respeito ao coletivo, inspiram as múltiplas metodologias e abordagens personalizadas adotadas nas escolas. Entre três e quatro anos a criança deve ir para a escola primária, a qual dura oito anos.  Antecedendo a escola primária, entre dois e quatro anos, existe a pré-escola, a qual não é obrigatória e tem ênfase no desenvolvimento social e recreativo. Na escolha das escolas primárias há prioridade aos alunos cujas pré-escolas são a elas respectivamente associadas. Assim, quem entra mais cedo tem preferência na seleção dos melhores centros primários de ensino, com transição mais fácil entre os dois níveis escolares.

 

As aulas, em geral, são de segunda a sexta, das 8:30 às 15h, sendo que o número total de aulas deve obrigatoriamente completar 940 horas por ano, ainda que cada escola tenha razoável autonomia de como ocupar o tempo previsto. Crianças entre seis e doze anos que se mudaram recentemente e não falam o difícil idioma local (dutch) são designadas para classes especiais, pelo período que for necessário (normalmente um ano é suficiente), onde a prioridade é o aprendizado do idioma e da cultura local.

 

A educação é gratuita dos 4 aos 16 anos, ainda que seja permitido às instituições solicitar contribuições voluntárias que variam de escola para escola. Adicionalmente ao sistema estatal, há opções privadas de escolas internacionais, bem como de métodos educacionais específicos (Montessori, Steiner etc.) ou de grupos religiosos (católicos, judeus, protestantes, islâmicos, entre outros).

 

Aos doze anos, o aluno segue para educação secundária. Neste nível há que ser feita a escolha por caminhos distintos, sendo que a definição entre eles é basicamente fruto de um teste aplicado no oitavo ano primário. As preferências dos pais e dos próprios alunos são levadas em conta, mas a recomendação da escola primária é a mais relevante. Um dos ramos é educação vocacional preparatória, com dois anos básicos acrescidos de dois anos seguintes dedicados a setores técnicos bem definidos: técnico, agrícola, econômico e cuidados sociais. Outro ramo é preparatório para universidade, incluindo a educação profissional superior, sendo que após os dois primeiros anos há que ser feita opção entre as áreas: cultura, economia, saúde e tecnologia. Findos os 4 anos, há um período de aproximadamente um ano dedicado à aprendizagem independente de preparação ao ingresso à educação superior. Um terceiro caminho tem ênfase inicial em línguas clássicas, latim ou grego, bem como francês, alemão e inglês. Há, nos dois casos anteriores, a opção de que metade das aulas sejam necessariamente ministradas em inglês.

 

Para aqueles que seguiram em direção ao ensino superior, há dois grupos bem distintos: universidades orientadas para pesquisa ou instituições vocacionadas. As taxas dependerão da instituição de ingresso, sendo que cidadãos europeus pagam aproximadamente um terço do que é cobrado de estudantes internacionais.

 

Há dois comentários rápidos e que, por certo, demandariam um aprofundamento que este texto não permite. Embora não fique tão claro, os mecanismos gerais, desde a pré-escola à seleção da universidade, tendem a fazer com que pais mais escolarizados ou com maior renda tenham opções de mais longa escolaridade e de mais qualidade para seus filhos, dificultando grandes mobilidades sociais. Por outro lado, o sistema aparenta ser bem mais relaxado e menos competitivo do que países como Singapura, Japão ou Coréia do Sul, garantindo, em média, cidadãos e profissionais tão bem preparados como nos países citados, porém, mais felizes e bem mais solidários. Pelo menos é o que parece a um observador ocasional, ainda que atento.

 

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terça-feira, 28 de março de 2017 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 15:02

Pedagogia do Tombo

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falling

 

Alguns ambientes educacionais pretendem se assemelhar a estradas bem pavimentadas, onde nelas professores e alunos dirigem com total visibilidade e com relativa certeza de onde querem chegar. Como já abordado antes, trata-se de ledo engano. A vida real é, naturalmente, cheia de buracos, às vezes sem acostamentos, e periodicamente carregada de densa neblina.

 

Ou seja, a maioria das metodologias educacionais, envolvendo os respectivos procedimentos e abordagens, tem tradicionalmente adotado como objetivo central evitar os tropeços dos alunos. Fundamentalmente, o ensino tradicional, ao informar, o faz para que o educando acerte e evite, a qualquer custo, os erros. De forma resumida, ter sucesso, normalmente, quer dizer não levar tombos, sabendo responder as questões corretamente e completando positivamente e no menor tempo possível os desafios apresentados.

 

A título de exemplo, num teste padrão de múltipla escolha interessa, em geral, somente a resposta certa, sendo que, usualmente, as respostas erradas nada mais são do que respostas erradas. A educação contemporânea, no contexto dos usos adequados das tecnologias digitais, diverge frontalmente de tal postura. Atualmente tendemos a aproveitar tanto a resposta certa, valorizando o aprendido, como a resposta errada, como elemento que ilumina os caminhos de superação das deficiências. Os erros, potencialmente, podem dizer mais sobre o educando do que o acerto eventual. Analítica da aprendizagem (“learning analytics”, em inglês), como apresentado em outros textos, é ferramenta indispensável na compreensão de quem é o educando, incluindo saber mais e melhor sobre seus predicados e fragilidades. A partir deste conhecimento, podemos desenvolver trilhas educacionais personalizadas e adequadas.

 

Os modelos padrão e suas práticas usuais de ensino têm sobrevivido porque níveis razoáveis de sucesso puderam ser observados no passado, gerando a expectativa de que, provendo informações com competência e evitando os tropeços, teríamos solução educacional também para o presente e, eventualmente, até mesmo para o futuro. Nada mais ingênuo. Os velhos tempos, onde razoáveis eficiências e eficácias educacionais foram observadas, se caracterizam, principalmente, pela previsibilidade do mundo do trabalho, por demandas profissionais bem estabelecidas e futuros próximos razoavelmente conhecidos. Os novos tempos apresentam mudanças profundas, implicando em desafios inéditos, onde o ensino tradicional, tal como o praticamos, dá mostras claras de incapacidade de decifrá-los ou resolvê-los.

 

Entre as rápidas mudanças em curso está aquela que torna progressivamente a informação o produto mais disponível e o mais barato da atualidade. O surgimento de uma sociedade em que a informação está totalmente acessível, instantaneamente disponibilizada e gratuitamente adquirível traz consequências educacionais ainda não assimiladas e, por vezes, sequer percebidas. As ênfases e os focos demandam imediatas mudanças, em especial deslocando o centro do processo de aprendizagem baseado no simples saber, enquanto ser informado, em direção ao complexo saber resolver, baseado na informação assumida como completamente disponível, instantânea e gratuita.

 

Mais do que o simples acesso à informação, gerir corretamente o conhecimento disponível, trabalhar em equipe e assim decifrar e resolver os problemas passam a ser atitudes fundamentais, tanto no mundo profissional como no dia-a-dia. O ensino segmentado e com terminalidades definitivas dá lugar à educação permanente ao longo da vida, onde o aprender a aprender é mais relevante do que o aprender em si. Mais importante do que aquilo que foi aprendido, é ampliar a consciência e o domínio acerca dos mecanismos associados a como se aprende.

 

Assim, os novos tempos impõem uma realidade em que é mais importante focar no processo de aprendizagem e nos procedimentos de superação, após o erro, do que a obsessão simples por, a partir das informações adquiridas, tentar nunca tropeçar. Não há nenhuma garantia de que aqueles que nunca tropeçaram saberão levantar, caso errem. Mas há fortes indicadores de que aqueles que aprenderam a aprender terão todas as condições de enfrentar os tombos. Muito mais importante que evitar tropeços, portanto, é aprender a levantar.

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Obs.:  Figura em Domínio Público: http://public-domain.zorger.com/a-book-of-nonsense/046-cartoon-of-a-man-that-fell-off-a-horse-and-broke-into-two-public-domain.gif

 

 

 

 

 

 

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domingo, 12 de março de 2017 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 15:50

Habilidades Socioemocionais do Educando

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einstein

 

Albert Einstein (1879-1955) para enfatizar que educar transcendia o simples ensinamento de conteúdos, dizia: “educação é aquilo que fica depois que esquecemos o que nos foi ensinado”. No século passado, suas palavras premonitórias antecipavam algo que atualmente torna-se evidente e indispensável para entender o mundo contemporâneo.

 

Os alunos de hoje são diferentes do que eram há poucas décadas atrás. Além deles já não serem os mesmos, tampouco o mundo nos quais eles estão imersos é similar a antes. Consequentemente, as exigências para um futuro profissional ter sucesso diferem bastante do passado recente. Portanto, a questão central diz respeito às principais novas competências e habilidades a serem promovidas nos estudantes, tal que os formandos enfrentem com sucesso os desafios atuais.

 

A principal exigência dos novos tempos é uma drástica mudança de foco em direção a privilegiar, com igual peso ao conferido à aprendizagem de conteúdos tradicionais, as competências metacognitivas e as habilidades interdisciplinares, transversais ou socioemocionais. Aqui estão inclusos aspectos motivacionais, capacidade de comunicação e as habilidades no desenvolvimento de trabalhos em equipe para resolver desafios complexos.

 

No que diz respeito aos conhecimentos básicos, as três mais relevantes prioridades são: 1) letramento geral, capacidade comprovada de escrever e interpretar texto, e o letramento matemático; 2) letramento digital, incluindo o domínio de plataformas e o preparo para compreensão, adoção e, se possível, desenvolvimento de softwares e aplicativos; e 3) capacidade de entender aspectos históricos, geográficos e linguísticos, respeitando diferentes culturas e comportamentos, desenvolvendo tolerância para especificidades, hábitos e costumes diversos, agregando de forma positiva as características peculiares aos propósitos das missões conferidas.

 

As sete principais características complementares que se espera de um futuro profissional diferenciado, adicionais ao domínio dos conteúdos fundamentais de cada área, é que o educando: 1) seja capaz de aprender a aprender continuamente ao longo da vida, ampliando sua própria consciência acerca dos mecanismos segundo os quais ele aprende (metacognição); 2) demonstre capacidade analítica para resolver problemas práticos, ou seja, embasado no conhecimento do método científico e na familiaridade com pensamentos críticos, desenvolva o domínio de raciocínios abstratos sofisticados; 3) esteja habituado a juntar diferenças áreas do saber e das artes, com especial disposição para a área de gestão de informações, incluindo o domínio de linguagens e de plataformas digitais; 4) tenha efetiva habilidade de comunicação, sabendo lidar com pessoas e a negociar com flexibilidade e competência em todos os contextos; 5) tenha inteligência emocional desenvolvida, incluindo perseverança, empatia, autocontrole e capacidade de gestão emocional coletiva; 6) demonstre disposição plena para o cumprimento simultâneo de multitarefas, propiciando capacidade de análises apuradas e de tomada de decisões; e 7) colabore em equipe de forma produtiva, sendo respeitoso e cordial, entendendo as características individuais e as peculiaridades das circunstâncias, promovendo ambientes criativos e empreendedores, resultantes de processos coletivos e cooperativos.

 

Em artigo anterior sobre o papel do educador contemporâneo, procurou-se demonstrar que a formação simplificada de um profissional, baseada somente em um conjunto de conteúdos e uma série bem delimitada de técnicas e procedimentos, já não é suficiente. Portanto, são demandadas a adoção pelas escolas de metodologias educacionais inovadoras e novas posturas do professor. Neste texto, a ênfase é centrada nos estudantes, especialmente em suas habilidades e competências imprescindíveis em uma sociedade onde a informação está totalmente acessível, instantaneamente disponibilizada e basicamente gratuita.

 

Neste contexto, educação no seu sentido mais amplo, incluindo o desenvolvimento de suas habilidades socioemocionais, se constitui em diferencial significativo, com impactos na capacidade dos futuros profissionais e de cidadãos em geral de enfrentarem, com sucesso, os desafios que lhes serão apresentados pela sociedade.

 

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Foto de Albert Einstein via Domínio Público em: https://commons.m.wikimedia.org/wiki/Category:Portraits_of_Albert_Einstein

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terça-feira, 7 de março de 2017 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 07:21

Papel do Educador Contemporâneo

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Victorian School Room

 

Como pensar o papel do docente nos tempos atuais em que o aluno é diferente do que ele era há poucas décadas atrás? Ou seja, os educandos já não são os mesmos e tampouco o mundo nos quais os estudantes estão imersos é parecido com antes. Há poucas alternativas ao educador, a não ser se reconfigurar para não se tornar inócuo ou mesmo deixar de existir.

 

Há uma mudança drástica de foco em direção a privilegiar as chamadas competências metacognitivas, habilidades interdisciplinares, transversais ou socioemocionais. Entre as características metacognitivas, destaco, a título de ilustração, aprendizagem independente, solução de problemas complexos, perseverança, autocontrole emocional e cumprimento simultâneo de multitarefas em equipe. Tais predicados são especialmente relevantes em missões envolvendo pensamento crítico, capacidade analítica, uso do método científico, comunicação, colaboração, criatividade, empreendedorismo, empatia, cordialidade, respeito e gestão da informação e de emoções.

 

As capacidades acima referidas, em geral, transcendem as possibilidades e pretensões do aprendizado tradicional, majoritariamente concentrado na transmissão simples de conteúdos. Educar tem se tornado mais complexo, porque abarca o imprescindível conteúdo acadêmico, mas introduz, adicionalmente, novas exigências e perspectivas. Atitudes, comportamentos e posturas são elementos transversais presentes nos processos de aprendizagem de praticamente todas as áreas do conhecimento e em todas as suas fases.

 

No passado recente, a formação de um profissional estava bastante centrada na aquisição de um conjunto razoavelmente bem delimitado de conteúdos previamente estabelecidos, somado a uma série conhecida de técnicas e procedimentos. Essa formação era considerada razoavelmente suficiente para atender as demandas previsíveis de um modelo de desenvolvimento econômico predominante no século XX. Na perspectiva Fordista/Taylorista, tal profissional findava atendendo ao mercado, gerando cidadãos minimamente satisfeitos. Não mais. O mundo mudou rapidamente, os principais desafios contemporâneos apresentam ingredientes basicamente imprevisíveis.

 

Ingressamos em uma sociedade onde a informação está, cada vez mais, totalmente acessível, instantaneamente disponibilizada e basicamente gratuita. Tão ou mais relevante do que aquilo que foi aprendido (associado genericamente à cognição) é o amadurecimento da consciência, por parte do educando, acerca dos mecanismos segundo os quais ele melhor aprende (metacognição). Aprender a aprender passa a ser tão ou mais relevante do que simplesmente aprender. Mais relevante do que o conteúdo aprendido é a percepção acerca de como se aprende. Em um mundo de educação permanente ao longo da vida, a formação metacognitiva se constitui em um diferencial significativo na capacidade dos futuros profissionais de enfrentar os problemas que lhes serão apresentados pela sociedade contemporânea.

 

Explorar a metacognição vai além dos procedimentos usuais de transmissão simples do conhecimento, privilegiando a curadoria precisa e eficiente do conteúdo disponibilizado e a adoção de abordagens emancipadoras, especialmente aquelas baseadas em aprendizagem independente. Essa estratégia passa por enfatizar elementos motivacionais, incluindo atenção especial a trabalhos colaborativos (capacidade de produzir em equipe) e em aspectos interdisciplinares (habilidade de estabelecer conexões entre diversas áreas do saber), acrescidos de relevância de comportamentos como tolerância e compaixão (empatia aplicada, isto é, entender o outro por se colocar na posição do outro e agir em função disso). São também relevantes os estímulos à visão empreendedora (criativa conjugada com exequibilidade e sustentabilidade) e o especial domínio de linguagens e de plataformas digitais.

 

Cabe ao educador ampliar as competências e habilidades que habilitam o educando a enfrentar, sem medo, as imprevisíveis novas realidades. Preparar os docentes para explorar essas especiais capacidades é um dos maiores desafios da educação contemporânea e ainda estamos aprendendo a formar adequadamente tais professores. O drama é que temos pouco tempo e estamos atrasados. Esse educador é imprescindível imediatamente para a geração de profissionais e cidadãos aptos a colaborarem com uma sociedade mais justa e harmônica, com desenvolvimento econômico, social e ambiental sustentável.

 

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Figura “Victorian School Room”em Domínio Público. Ver: https://47thpennsylvania.files.wordpress.com/2016/04/victorian-era-classroom-c-1860s-public-domain.jpg?w=240

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domingo, 19 de fevereiro de 2017 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 16:43

Legados Olímpicos

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A Estácio contribuiu para deixar um legado de ouro na capacitação de voluntários para as Olimpíadas 2016 no Rio de Janeiro. Professora Solange Pose foi umas das coordenadoras responsáveis pela missão e, juntamente com uma brilhante equipe, cumpriram a tarefa com excelência.

 

No livro “Olimpíadas 2016 + Professores”, de sua autoria, publicado pela Editora Vermelho Marinho, que será lançado neste março/2017, ela relata em detalhes e sistematiza essa história.

 

A pedidos, e com muita satisfação, fiz o Prefácio. Como o Prefácio, espero, não prejudica e nem substitui a obra, segue abaixo o mesmo intitulado “Herdeiros Olímpicos e Educacionais da Grécia Antiga”:

 

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Professora Solange Pose nesta obra nos propicia uma compilação singular de um conjunto amplo de experiências vivenciadas por ocasião das Olimpíadas no Rio de Janeiro em 2016. O enredo e os detalhes aqui apresentados nos permitem uma reflexão mais ampla e, principalmente, a percepção de que esta bela visão somente é tornada possível pela especial harmonia de dois entes: os Jogos Olímpicos em si e o papel da educação, enquanto capacitação de pessoas, colaborando na organização do evento.

 

A participação da Universidade Estácio de Sá representou para todos nós um marco histórico, especialmente por ter sido a primeira vez que uma Universidade ficou plenamente encarregada da missão específica de preparar os recursos humanos envolvidos na organização. Sentimo-nos todos honrados de termos cumprido a tarefa de forma elogiável, graças sobretudo à qualidade de profissionais encarregados de cumprir este desafio tão especial.

 

Neste Prefácio destaco que Olimpíadas e Escola, neste momento reencontrados, têm mais raízes em comum do que possa parecer evidente à primeira vista. As raízes históricas olímpicas e educacionais apontam ambas para a Grécia Antiga, tornando-nos herdeiros orgulhosos das duas iniciativas, as quais procuramos, enquanto civilização, levar adiante de forma mais qualificada, efetiva e colaborativa possível.

 

Sobre as Olimpíadas, os gregos, em torno de 2.500 a.C., homenagearam Zeus, o maior dos deuses de sua mitologia, com a criação dos Jogos Olímpicos. As Olimpíadas da Grécia Antiga perduraram até 394 d.C., quando o Imperador Teodósio II, convertido ao cristianismo, proibiu todas as festas pagãs, inclusive os Jogos. As Olimpíadas renasceram somente 1.500 anos mais tarde, por iniciativa do francês Pierre de Fredy (1863-1937), o Barão de Coubertin.

 

Por outro lado, os gregos também são considerados, de alguma forma, ao menos no mundo ocidental, os fundadores da instituição Escola, pelo menos tal qual a conhecemos hoje. Platão (428- 348 a.C.), um dos mais importantes filósofos da história, fundou em Atenas a Academia, em 387 a.C., a qual é considerada um paradigma em estudos mais especializados. Platão entendia educação como um método para formar os futuros cidadãos dirigentes de Atenas, dentro do apropriado espírito cívico e comunitário. A Escola Academia é considerada por muitos o nascimento ou embrião mais importante daquilo que denominaríamos, posteriormente, como Universidade. Platão, no seu intuito de atingir e disseminar entre seus educandos a virtude e correta compreensão da realidade, previa uma educação geral que incluía a música, a poesia e a capacitação física, sem esquecer a matemática, as ciências, a dialética e a prática política, entre outros. Assim, Olimpíadas e instituições educacionais têm em comum suas raízes fortemente fincadas na Civilização Grega e ambas inspiradas em elementos de grandeza e de qualidade.

 

Voltando ao mundo contemporâneo, o Rio de Janeiro foi escolhido para sediar no ano de 2016 as XXXI Olimpíadas da era moderna, sendo a primeira vez que elas ocorreram na América do Sul, quando foram disputadas 28 modalidades, duas a mais do que as Olimpíadas de 2012. Foi inédito uma instituição educacional, no caso a Estácio, ter sido escolhida como parceira integral do evento e responsável direta pela capacitação de dezenas de milhares de pessoas, entre voluntários e força de trabalho envolvidos na organização do evento.

 

Celebramos, portanto, a reunificação de dois dos maiores legados dos gregos: as Olimpíadas e a Escola. Este trabalho de Solange Pose nos materializa e consolida a percepção de que as instituições educacionais estiveram muito bem representadas nessas últimas Olimpíadas pela Estácio.

 

Destaco que, entre as missões da Estácio para transformar a sociedade por meio da educação, a mais relevante delas é propiciar um ensino de qualidade para muitos. O Brasil tem provado ser um país capaz de prestar atendimentos de qualidade, desde que para poucos, ou então de atender muitos, desde que sem garantias de qualidade. Não aprendemos ainda, infelizmente, a fazer as duas coisas, qualidade e quantidade, ao mesmo tempo. Harmonizar bom nível e escala é a mais importante inovação olímpica de que o país tanto precisa. Propiciar qualidade para poucos ou então ofertar qualidade precária para muitos não é inovar e nem ser Olímpico. Inovar e ser Olímpico no Brasil de hoje é romper as barreiras que inviabilizam qualidade para muitos.

 

O que este trabalho de Professora Solange Pose reafirma é que pessoas educadas são essenciais para a melhoria da qualidade de vida de todos e para o aumento da competitividade e produtividade de um país. A formação de profissionais atualizados é estratégica para as economias competitivas globais. Profissionais com pouca escolaridade desenvolvem, de um modo geral, atividades manuais simples, sendo quase impossível a adaptação deles às técnicas e aos processos de produção mais sofisticados. Portanto, ser Olímpico na educação contemporânea, sendo simultaneamente grande e de qualidade, implica na formação de cidadãos competitivos, aptos a desempenharem tarefas complexas e dispostos a enfrentarem os desafios das novas e desconhecidas demandas, por meio do uso intenso e consciente de tecnologias inovadoras.

 

Por fim, as Olimpíadas sempre foram e continuarão sendo grandes e de qualidade e o evento Rio 2016 serviu para reforçar, uma vez mais, a sua essência. A Estácio está honrada de ter feito parte desta história, aqui muito bem relatada por Solange Pose, e se integra aos mesmos propósitos Olímpicos, certa de que é parte de sua missão maior conjugar bom nível com quantidade, ofertando educação de qualidade para muitos.

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terça-feira, 24 de janeiro de 2017 aprendizagem, EaD, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 14:05

Avant-première do aplicativo Spark da Cisco

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Aproveitando a participação em Londres no evento BETT (http://www.bettshow.com), hoje foi dia de visitar o Centro de Pesquisa e Inovação da Cisco no Reino Unido (http://www.cisco.com/c/m/en_uk/innovation/index.html).

Cisco é uma companhia sediada na Califórnia-USA (Cisco, de fato, vem do nome da cidade San FranCISCO) com 50.000 empregados em todo o mundo, inclusive Brasil, e com um faturamento anual de quase U$ 30 bilhões em 2016.

A atividade principal da Cisco é o oferecimento de soluções para redes de computadores e comunicações, tanto na fabricação e venda de roteadores e switches, bem como na prestação de serviços por meio de suas subsidiárias Linksys, WebEx, IronPort e Scientific Atlanta.

No início de suas operações, a Cisco apenas fabricava roteadores de grande porte para empresas, sendo uma das maiores empresas do planeta nesta área. Gradualmente diversificou os seus negócios passando a atender também ao consumidor final tecnologias como Voip. Ao mesmo tempo, progressivamente, seu segmento corporativo foi sendo ampliado, inclusive para área educacional.

Hoje, por feliz coincidência, é dia do lançamento mundial de prometidos grandes avanços na Plataforma Digital Spark Board, a qual promete ter sido desenhada para revolucionar as ferramentas de trabalho em equipe à distância.

As aplicações na área educacional são promissoras, seja especificamente em educação a distância bem como nas múltiplas versões híbridas de ensino.

O aplicativo Spark promete ser disruptivo e inovador ao facilitar o trabalho em equipe, com pessoas e missões conectadas. Reune pessoas, envia arquivos de qualquer natureza e tamanho e realiza video conferências, com alta qualidade e de forma muito fácil, entre todos os membros do grupo. A versão gratuita viabiliza reuniões de até 3 pessoas. A promessa final é menos e-mail, mais agilidade e melhor qualidade do cumprimento de missões em time. A segurança via criptografia garante que os arquivos trocadas via nuvem são impenetráveis, prometendo privacidade absoluta.

Para mais informações acesse http://www.ciscospark.com.

Vale a pena conferir e baixar gratuitamente o aplicativo.

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domingo, 13 de novembro de 2016 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 11:22

Reforma do Ensino Médio e Educação Contemporânea (com links para vídeos)

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A convite do Congresso Nacional, participei da Audiência Pública promovida pela Comissão Mista que acolhe a Medida Provisória (MP) de iniciativa do Executivo Federal modificando o ensino médio. Como educador, reafirmo minha tendência de valorizar as etapas de esclarecimentos e convencimentos, imprescindíveis ao sucesso educacional. Tais procedimentos conflitam com a figura de MP. Mesmo assim, há que se ressaltar que, no caso, os elementos formais de MP, urgência e emergencial, são atendidos. As manifestações podem ser assistidas no link: https://www.youtube.com/watch?v=L3IaLYSFS0I&feature=youtu.be.

 

O indicador de qualidade mais adotado, o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, IDEB, evidencia que, entre os níveis da educação básica, o ensino médio é aquele que está em pior situação. A realidade atual de treze disciplinas obrigatórias em si contribui para limitar ou mesmo impedir que melhores e mais adequadas estratégias no processo ensino-aprendizagem sejam debatidas ou implementadas. Os argumentos para manter como obrigatórios tanto o ensino de artes como o de educação física são plausíveis e respeitáveis. Tanto quanto para filosofia, sociologia, história e geografia. Da mesma forma, como físico, teria pouca dificuldade em apontar os prejuízos e deficiências de um formando do ensino médio que não tivesse tido acesso a um mínimo de física e uma introdução ao raciocínio embasado no método científico. A mesma lógica vale para biologia e química. Enfim, tal caminho argumentativo, definitivamente, não funciona e melhor tratarmos mais de conteúdos e interdisciplinaridades e menos de disciplinas isoladas.

 

Além disso, Anísio Teixeira apontava, desde a década de 1950, que a educação secundária era excessivamente propedêutica. Priorizava a visão de etapa preparatória a estudos mais aprofundados de nível superior, subestimando o relevante papel de preparação técnica profissional dos jovens para o mundo do trabalho. Nos países mais competitivos e bem-sucedidos, a maioria dos jovens que fazem o ensino médio regular o fazem juntamente com educação profissional. No Brasil, somente 11% adotam tal estratégia. Como está estruturado hoje, a concepção subjacente é de que o ensino médio quase exclusivamente prepara ao ensino superior. Porém, contraditoriamente, menos de um quinto dos jovens vão para as faculdades e menos de 12% da população adulta têm diploma universitário.

 

O processo ensino-aprendizagem no ensino médio depende de muitos fatores, mas cabe especial destaque às condições de trabalho dos professores que atuam neste nível educacional. Em geral, eles são mal remunerados (http://www1.folha.uol.com.br/educacao/2016/11/1832095-professor-recebe-ate-39-menos-que-profissional-com-igual-escolaridade.shtml) e os cursos de formação, quando ofertados, não conseguem capacitá-los adequadamente à adoção de metodologias inovadoras e contemporâneas, especialmente quanto ao uso de novas tecnologias no ambiente educacional.

 

Má qualidade do ensino médio tem também como consequência um parque universitário extremamente limitado na sua capacidade de gerar ciência e inovação que sejam mundialmente competitivas. Seremos reduzidos, cada vez mais, a meros consumidores de tecnologias desenhadas no exterior e adquiridas via commodities com preços aviltantes, num ambiente de baixa produtividade e de altas taxas de desemprego.

 

Adicionalmente, a convite da Frente Parlamentar pela Educação, apresentei a Palestra “Tecnologias e Metodologias Inovadoras da Educação Contemporânea”, cuja reprodução pode ser assistida no link: https://www.youtube.com/watch?v=Mn7TrSEmVS4&feature=youtu.be. Na Palestra, abordei o tema das tecnologias digitais que permitem explorar um novo cenário educacional onde todos aprendem (não sabíamos disso, pensávamos que somente alguns aprendiam), onde todos aprendem o tempo todo (antigamente a aprendizagem estava circunscrita ao ambiente escolar, delimitando espaços e tempos que hoje extrapolam os muros e os tempos da escola) e, por fim, o mais relevante, descobrimos que cada educando aprende de maneira única e personalizada (uma espécie de DNA educacional que caracteriza cada um de nós). Apoiados pela analítica da aprendizagem e por plataformas de aprendizagem, os educadores poderão conhecer muito mais sobre seus educandos, bem como estes sobre si mesmos, propiciando desenvolver trilhas educacionais personalizadas que atendam às características, circunstâncias e peculiaridades de cada aluno individualmente.

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sábado, 5 de novembro de 2016 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 09:21

Contribuições à Reforma do Ensino Médio

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congresso

 

Estou convidado, como expositor, para a Audiência Pública no Congresso Nacional no dia 08 de novembro próximo, às 14h30, no âmbito da Comissão Parlamentar Mista da Medida Provisória n° 746/2016, que trata da Reforma do Ensino Médio.

 

Como reitor, meu dia-a-dia é naturalmente ligado à educação superior, porém, como cidadão, minhas preocupações com todos os níveis de ensino têm a mesma ênfase. Mesmo que pensasse exclusivamente no ensino superior, este não crescerá jamais em qualidade, bem como em quantidade, antes que a educação básica apresente efetivos avanços. O que temos observado, particularmente no ensino médio, é o oposto, variando de estagnação ao longo dos anos à piora gradativa. Seja em qualidade do ensino ministrado, em número de formandos, clareza de propósitos e, especialmente, em perspectivas futuras.

 

O indicador de qualidade mais adotado, o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, IDEB, evidencia que entre os níveis da educação básica, o ensino médio é aquele que está em pior situação (elo mais frágil, portanto), tendo se mantido estagnado ou mesmo tendo piorado, estando hoje este indicador em torno de 3,7 frente a uma distante e modesta meta de 4,3.

 

Como educador, entendo que nesta área o processo é tão relevante quanto os propósitos finalísticos. Em educação e nos temas correlatos, o exercício do convencimento pelo esclarecimento sempre será uma marca desejável e a mais efetiva. Assim não tenho como deixar de registrar, preliminarmente, que o instituto da Medida Provisória (MP) pode sim soar estranho e indevido a muitos. Na legislação brasileira, o recurso de MP é previsto para acolher situações de emergência que não possam se submeter aos prazos normais. Por um lado, temos parcialmente atendido um dos requisitos: a calamidade amplamente registrada neste nível de ensino não pode esperar muito mais. Por outro, lembremos que já há um Projeto de Lei (PL) similar tramitando, ainda que sem sucesso, desde 2013. Todos aguardam que a edição desta MP seja um instrumento a mais que contribua para um possível acordo entre Executivo e Legislativo que finde por optar por algum mecanismo que permita ao Congresso apreciar adequadamente a matéria, ainda que em regime de urgência urgentíssima, tal como a gravidade do tema sugere.

 

A primeira e talvez mais relevante contribuição é a necessidade de entendermos que a Reforma para ser bem-sucedida demanda ser fruto da contribuição de muitos atores, sendo que em cada etapa há uma prioridade. Quanto ao Congresso Nacional, entendo ser o mais importante explorar a máxima flexibilidade, desfazendo nós, desobstruindo regras cujas rigidez e burocracias associadas findam por emperrar propostas mais criativas e contemporâneas sobre múltiplas abordagens educacionais inovadoras.

 

A título de exemplo de dificuldades atualmente existentes, a realidade de treze disciplinas obrigatórias em si contribui para limitar ou mesmo impedir que melhores e mais adequadas estratégias no processo ensino-aprendizagem sejam debatidas ou implementadas. Os argumentos para manter como obrigatório o ensino de artes e de educação física são plausíveis e respeitáveis. Tanto quanto para filosofia, sociologia, história e geografia.

 

Da mesma forma, como físico, teria pouca dificuldade em apontar os prejuízos e deficiências de um formando do ensino médio que não tivesse tido acesso a um mínimo de física e uma introdução ao raciocínio embasado no método científico. A mesma lógica vale para biologia e química. Ou seja, seguindo esta linha, mesmo parecendo sensato, ao final, chegamos a um indesejável e previsível engessamento. Ainda que embasado em argumentos parcialmente corretos e bem-intencionados, o resultado final se aproxima de onde estamos, paralisados, e distantes de estarmos cumprindo o que está previsto. Claro, há outras causas e motivos igualmente relevantes, mas, especificamente, se refletíssemos sobre esses conteúdos com menos amarras seria bem melhor. Se pudermos tratar mais de conteúdos e menos de disciplinas mais adequado ainda. Resumindo, o relevante é garantir que os conteúdos, apresentados de forma isolada ou transversal, sejam ministrados e compreendidos de forma satisfatória, garantindo uma aprendizagem melhor do que temos atualmente.

 

Vivemos um período de informação plenamente acessível, instantaneamente distribuída e, praticamente, gratuita. Assim, neste cenário, tão ou mais importante do que o que é aprendido (informação ou ensino), é que o educando tenha amadurecido sua capacidade de aprender (aprender a aprender), dominando progressivamente a compreensão acerca dos mecanismos segundo os quais ele aprende, em compatibilidade com o mundo educacional de aprendizagem permanente e ao longo de toda a vida.

 

Corroborando esta linha, Einstein afirmou no século passado “Educação não se resume à aprendizagem de fatos, mas inclui, especialmente, a capacitação da mente para pensar”. Confúcio, por sua vez, de forma precursora, há 2.500 anos, teria dito: “Aprender sem pensar é perda de tempo”. Em suma, mais do que uma simples discussão sobre disciplinas que deixam ou não de ser obrigatórias, há que se tentar explorar quais são os espaços que levam o professor a desenvolver, em cada educando, o universo da curiosidade e reflexão que existe em cada educando. Mais relevante do que foi aprendido é o progressivo amadurecimento da consciência acerca de como se aprende. A obsessão pelo conteúdo fragmentado inibe, quando não impede totalmente, explorar caminhos que estimulem a criação de ambientes que articulem os vários conteúdos, tornando a aprendizagem mais interessante e animadora para os alunos e os professores envolvidos.

 

Com as tecnologias digitais, temos a oportunidade de explorar um novo cenário educacional onde todos aprendem (não sabíamos disso, pensávamos que somente alguns aprendiam), onde todos aprendem o tempo todo (antigamente a aprendizagem estava circunscrita ao ambiente escolar, delimitando espaços e tempos que hoje extrapolam em muito os muros e os tempos da escola) e, por fim, o mais relevante, descobrimos que cada educando aprende de maneira única e personalizada (uma espécie de DNA educacional que caracteriza cada um de nós). Apoiados pela analítica da aprendizagem, os educadores poderão conhecer muito mais sobre seus educandos, bem como estes sobre si mesmos, propiciando desenvolver trilhas educacionais personalizadas que atendam às características, circunstâncias e peculiaridades de cada aluno individualmente. Nada disso é simples. Ao contrário, tudo é bastante complexo, mas absolutamente factível e já em curso (ainda que em escala reduzida e, infelizmente, ainda bastante seletivo).

 

Trata-se de priorizarmos estas abordagens e buscarmos mecanismos que permitam que elas se apliquem na devida escala, conjugando qualidade e quantidade de forma inédita neste país. Há que se romper o paradigma de que, apesar de sabermos fazer coisas boas e para muitos, não sabemos fazer essas duas coisas ao mesmo tempo. Quando boas, em geral, para poucos; quando para muitos, inexoravelmente com baixa qualidade. Temos sim a oportunidade, a partir da educação, de provermos qualidade para muitos, garantindo um mundo de oportunidades mais iguais para todos.

 

De acordo com a proposta em discussão, durante todo o primeiro ano e metade do segundo, os alunos serão expostos aos conteúdos da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), a qual, por sua vez, ainda não foi definida. No ano e meio seguinte, eles seguirão as trilhas formativas, com ênfase nas áreas de linguagens, matemática, ciências da natureza, ciências humanas e formação técnica profissional. Neste caso, cada sistema de ensino, em consonância com o que ficar orientado pelo Conselho Nacional de Educação (CNE), em conjunto com cada escola, deverá configurar os múltiplos percursos educacionais oferecidos aos alunos. O adequado uso de novas tecnologias acoplado à adoção de metodologias inovadoras pode sim cumprir este papel. Programas como o Plano Nacional do Livro Didático (PNLD), reformulados à luz das possibilidades da era digital, bem como banco de objetos de aprendizagem e outros recursos educacionais abertos, podem contribuir muito na articulação de diferentes campos do saber, sem prejuízo das características e especificidades de cada um deles. O desafio é grande, mas nada há de mais relevante a ser feito na educação contemporânea.

 

Há uma grande e compreensível reação a pensarmos menos em disciplinas e estimularmos que as escolas se estruturem também a partir das ênfases de conteúdos gerais e transversais. Aparentemente, outros países foram bastante bem ao realizarem mudanças e outros estão acelerados migrando nesta direção. Copiar as experiências dos demais de forma acrítica é tão pouco inteligente como desprezar as iniciativas que evidenciam algum nível de sucesso. Igualmente, não devemos menosprezar aquelas possíveis soluções educacionais que estão em curso em outros países e que demandam acompanhamento muito próximo.

 

A título de ilustração, no começo de 2006, fui pessoalmente convidado pela então ministra da Educação do Reino Unido, Ruth Kelly (Governo Tony Blair, onde Kelly, com 36 anos, foi a mais jovem membro de um Gabinete de Governo), para acompanhar algumas mudanças específicas na área de ensino de ciências neste nível educacional na Inglaterra e País de Gales (Escócia e Irlanda do Norte não adotaram a mesma estratégia). A crise educacional naquele momento decorria dos maus resultados britânicos no Pisa (Programa Internacional de Avaliação dos Estudantes), um exame internacional aplicado aos alunos de 15 anos em países membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e alguns convidados (incluindo o Brasil). No primeiro Pisa, em 2000, Inglaterra havia se saído razoavelmente bem: 4° lugar em ciências, 7° em idioma e 8° em matemática. Posteriormente, Inglaterra caiu muito, resultando aparecer em 2009 nas posições 16°, 25° e 27°, respectivamente. Crise instalada, uma das soluções apontadas foi considerar que mais relevante do que “obrigar” os alunos a fazerem física, química e biologia seria promover uma mudança que permitisse que cada um pudesse escolher se quer fazer somente uma delas, duas ou as três. No início, houve uma preponderância na escolha de uma disciplina, biologia. A melhor iniciativa foi incluir nos conteúdos de biologia os elementos mais fundamentais e imprescindíveis de física e química. Por exemplo, o estudo da dinâmica da seiva no interior da planta tornou-se motivação para estudo de mecânica, a folha da planta um laboratório de eventos químicos moleculares etc.

 

Ao final, mais do que medir se os alunos sabiam mais ou menos, parece ser inegável que os concluintes, em média, gostavam muito mais de ciências do que antes. Fato é que no último PISA, o Reino Unido recuperou muitas posições, ficando agora em 6° lugar (lembrando que os 4 primeiros lugares são países asiáticos, a saber, Coréia do Sul, Japão, Singapura e Hong Kong), 2° lugar na Europa (atrás somente da Finlândia, sendo que antes ele havia sido superado por vários países como Noruega, Islândia e Polônia). Claramente não foi somente esta medida singular que resultou no sucesso, nem sequer o caminho desta medida foi linear, mas sim repleto de idas e vindas, o importante é que um conjunto de medidas adequadas e relevantes efetivamente fez, ao final, a diferença. Esse exemplo nos motiva a crer que políticas públicas consistentes promovem e geram resultados efetivos.

 

Em particular sobre a ênfase em formação técnica profissional, Anísio Teixeira apontava, desde a década de 1950, que a educação secundária já era excessivamente propedêutica. Ou seja, priorizava a visão de etapa preparatória a estudos mais aprofundados de nível superior, subestimando o outro papel, de caráter mais terminal, de preparação dos jovens para o mundo do trabalho. Este quadro foi, mais recentemente, agravado pelo Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), fortalecido em seu papel de ingresso no ensino superior, transformando-se na principal referência do que deva ser ensinado neste nível.

 

Destaco, portanto, que um dos aspectos positivos desta proposta é a inclusão explícita da educação profissional dentre os itinerários formativos. Nos países mais competitivos e bem-sucedidos, a maioria dos jovens que fazem o ensino médio regular juntamente com educação profissional. No Brasil, infelizmente, esse número é em torno de somente 11%. Como está estruturado hoje, a concepção subjacente é de que que o ensino médio prioritariamente prepara ao ensino superior, porém, menos de um quinto dos jovens vão para as faculdades e menos de 12% da população adulta têm diploma universitário. Há que se propor itinerários formativos compatíveis e animadores a todos e haveremos de achar nossos próprios caminhos no Brasil.

 

O processo ensino-aprendizagem no ensino médio depende de muitos fatores, mas cabe especial destaque as condições de trabalho dos professores que atuam neste nível educacional. Em geral, eles são mal remunerados (seja comparando com outras profissões ou comparando com docentes do ensino superior), tornando a profissão pouco atraente. Além disso, os cursos de formação, quando ofertados, geralmente, não conseguem capacitá-los adequadamente à adoção de metodologias inovadoras e contemporâneas, especialmente quanto ao uso de novas tecnologias no ambiente educacional.

 

O Congresso Nacional, naquilo que lhe compete, está corretamente fazendo sua parte e as Audiências Públicas são partes positivas deste processo. Mas, certamente não há milagres que possam ser feitos aqui, muito menos isoladamente e apartado dos que estão mais diretamente envolvidos no processo educacional. Os demais caminhos são igualmente desafiadores e importantes. Cabe ao Congresso Nacional, creio eu, a título de sugestão, neste momento, principalmente, retirar obstáculos, não criar novos vínculos (carga horária mínima etc.) e definir os elementos macros de um processo cuja qualidade será definida especialmente pelas etapas posteriores. Os melhores trajetos entendo que serão aqueles que apostarem na ampla participação, no esclarecimento e no convencimento, particularmente da comunidade escolar, envolvendo alunos e docentes. Se soubermos temperar esses bons propósitos com a urgência que o tema demanda estaremos contribuindo muito, dado que qualquer demora no tratamento do tema terá como pena agravarmos ainda mais nosso atraso.

 

Registro, por fim, que estamos vivenciando crises acopladas que demandam soluções harmônicas e interdependentes. A tarefa de olhar de forma fragmentada sempre parecerá e será capenga. Por exemplo, a crise econômica decorre, principalmente, da perda gradativa de competitividade. Nossos produtos e serviços têm qualidade limitada por depender de trabalhadores e empresários, em geral, com insuficiente escolaridade e de reduzido estímulo à inovação e capacidade empreendedora.

 

Sem um ensino médio vigoroso, especialmente capaz de preparar profissionais técnicos competentes não haveremos de alterar este quadro. Má qualidade do ensino médio tem também como consequência um parque universitário extremamente limitado na sua capacidade de gerar ciência e inovação que sejam mundialmente competitivas. Seremos reduzidos, cada vez mais, a meros consumidores de tecnologias de ponta desenhadas no exterior e pagas, via commodities com preços aviltantes, num ambiente de altas taxas de desemprego. Em suma, educação, definitivamente, é a mais estratégica área que viabiliza, ou impede, o país de almejar um possível desenvolvimento econômico, social e ambiental sustentável.

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segunda-feira, 24 de outubro de 2016 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 16:56

ENEM: réguas do passado e do futuro

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O Exame Nacional do Ensino Médio – ENEM foi introduzido há dezoito anos com o intuito inicial de medir a qualidade do ensino médio. A partir da década passada, aos poucos, transformou-se, quase que exclusivamente, em teste nacional de admissão ao ensino superior. Não há nenhum conflito essencial impedindo que ele possa cumprir bem os dois papeis. As questões mais relevantes são: primeiro, saber o que se está medindo e, segundo, se a régua utilizada para mensurar, que finda induzindo o que as escolas devem fazer ou priorizar, tem compatibilidade com o presente e o futuro ou com o passado.

 

O exame atualmente abrange um público de quase oito milhões de candidatos, com interesses concentrados nas mais de 250 mil vagas das universidades públicas e nas milhões de outras oportunidades de ingresso no ensino superior privado. Na ausência de uma base nacional comum curricular para o ensino médio, o conteúdo do ENEM, um instrumento de acesso ao ensino superior, findou sendo a referência quase única do que é, ou deveria ser, ensinado nesse nível educacional.

 

Vivemos um mundo em transformação rápida e profunda, marcado pelo acesso ilimitado, instantâneo e gratuito à informação. A consequência educacional é que, diferentemente do passado, onde boa parte da formação de um profissional estava centrada em dotá-lo de um conjunto delimitado de conteúdos, técnicas e procedimentos, hoje, igualmente relevante é educar tendo em vista aumentar a sua capacidade de, a partir dos dados plenamente disponibilizados, resolver problemas e enfrentar desafios, além de aprender a aprender de forma contínua.

 

O ENEM começou em 1998 como exame de um dia só com poucas (63) questões de múltipla escolha, em geral multidisciplinares, e uma redação dissertativa. Essas questões exigiam menos memória sobre os conteúdos específicos envolvidos e demandavam mais raciocínio, dado que muitas vezes os próprios enunciados, à luz de uma boa capacidade de interpretação de texto, embutiam parte das respostas. De forma progressiva, e mais enfaticamente a partir de 2009, adotou-se uma cobrança maior por memória e por profundidade no domínio de matérias específicas como matemática, física, química, biologia, língua estrangeira, história, geografia e redação. Atualmente, são mais questões (180) e a redação, desenvolvidas na forma de um vestibular tradicional de dois dias.

 

O ENEM tem funcionando como atestado formal de proficiência em itens disciplinares supostos essenciais a ingressantes em cursos superiores. Adicionalmente ao fato de que nem todos que concluem o ensino médio pretendem cursar ensino superior, o drama é que tais elementos estão tipicamente associados à formação profissional do século passado. No passado recente, um conjunto razoavelmente delimitado de conteúdos, técnicas e procedimentos caracterizavam, de forma quase suficiente, um formando do ensino superior preparado para atender as demandas da época. Isso mudou, está mudando e mudará ainda muito mais. Precisamos de réguas capazes de medir, além dos conhecimentos específicos, o nível de amadurecimento da consciência do educando acerca dos mecanismos segundo os quais ele aprende, bem como o preparo para lidar com informações plenamente disponíveis e a capacidade de não temer enfrentar desafios, demonstrando estar preparado para uma realidade de educação permanente ao longo da vida.

 

Um ENEM que seja compatível com o mundo contemporâneo e projete o futuro deverá conter questões e desafios onde as respectivas soluções dependam de elementos que possam ir além, ainda que incluam, o domínio de conteúdos específicos. Em outras palavras, necessitamos de réguas capazes de também identificar e mensurar a capacidade do uso da lógica e do raciocínio crítico, a habilidade em interpretar e analisar textos fazendo uso dos dados disponibilizados, e o nível de desenvolvimento de outros atributos que transcendem o domínio simples de conteúdos específicos.

 

(Figura: Domínio público, em http://www.create.ac.uk/blog/2014/09/25/valuing-the-public-domain-a-workshop-for-uk-creative-firms/)

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domingo, 9 de outubro de 2016 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 11:28

Pais e filhos em um Brasil em transe

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Dizem que ao contar sobre sua aldeia, fala-se também do mundo. Da mesma forma, ao relatar a vida pessoal, expressamos um pouco a história de toda uma geração. Claro que cada aldeia é diferente, bem como as trajetórias individuais são todas distintas, mas, de fato, há algo de global nos pequenos lugarejos e de padrão quase geral nas particularidades de cada um que frequenta a mesma época.

 

A infância em Assis, distante 444 Km de São Paulo, era cercada pelo sonho dos pais, pequenos comerciantes de primário completo, de que o caminho do sucesso dos filhos estava necessariamente associado à possibilidade de concluir ensino superior na capital. Tinham eles clareza, na década de 1970, que esse desejo seria mais facilmente viabilizado se os filhos pudessem frequentar um ensino médio particular de qualidade em São Paulo. Os esforços seriam enormes, mas estudar em colégios privados como o Bandeirantes justificaria o sacrifício, compensado amplamente pela quase garantia de ingresso em instituições públicas de qualidade como a Universidade de São Paulo.

 

Pais orgulhosos desfilavam na avenida principal do interior com a certeza de que a nova geração, graças às parcas economias geradas no comércio local, estava no caminho de uma escolaridade desproporcionalmente acima da geração deles. Seus filhos tinham agora o Brasil inteiro como destino. Se as credenciais incluíssem um mestrado ou doutorado, qualquer estado da federação seria boa opção e a estabilidade do serviço público uma benção. Se, por ventura, as universidades federais pudessem acolher seus filhos como docentes, o orgulho deles seria incontido, refletindo uma nação cuja nova geração, em termos de escolaridade e emprego, tinha ido muito além da anterior.

 

Por sua vez, para os filhos dessa geração, cursar ensino superior neste século XXI passava a ser quase obrigação ou obviedade. Seja pela multiplicidade de oferta ou pelas induções do ambiente doméstico já escolarizado, esse caminho transformava-se, de forma natural, em padrão. De novo, quanto mais especializados fossem, melhores oportunidades surgiriam. Agora as rodovias, que anteriormente levavam à capital, se transformavam nos aeroportos que conduziam a novos portos e horizontes. As perspectivas continuavam existindo em todos os lugares, mas, no início desta década, estudar e morar no exterior constituíam diferenciais que amplificavam possibilidades.

 

Nos tempos atuais, frustrados por um anunciado desenvolvimento econômico, social e ambiental sustentável que ainda não veio, os cenários de novo se alteram rapidamente. As opções em termos de formação acadêmica e oportunidades de trabalho dos filhos diferem das nossas tanto quanto, ou mais, do que as nossas diferiram de nossos pais. Trabalhar no exterior, hoje, cruza a barreira da ideia do estágio provisório na preparação do retorno e passa a se constituir em opção talvez permanente e definitiva. Este fenômeno é cristalizado, especialmente, aos jovens profissionais mais talentosos, dadas as limitações de oportunidades satisfatórias de trabalho mais especializados no Brasil.

 

Nossos pais e nossos filhos delimitam, conosco ao meio, três gerações de um país que se transforma rapidamente, especialmente em termos de acesso à escolaridade e de oportunidades profissionais. Sabemos que temos bons motivos, mesmo quando não conseguimos explicitar bem quais sejam, para termos sempre esperanças no que está por vir no Brasil. No momento, mesmo assim, temos ainda pouca clareza sobre o que é reservado para esta geração. Mesmo porque este futuro próximo dependerá, essencialmente, daquilo que fizermos, ou deixarmos de fazer, neste capítulo em curso da história nacional.

(Figura em Domínio Público, ver: https://pixabay.com/p-161068/?no_redirect)

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