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Arquivo da Categoria Ensino Superior

segunda-feira, 24 de outubro de 2016 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 16:56

ENEM: réguas do passado e do futuro

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O Exame Nacional do Ensino Médio – ENEM foi introduzido há dezoito anos com o intuito inicial de medir a qualidade do ensino médio. A partir da década passada, aos poucos, transformou-se, quase que exclusivamente, em teste nacional de admissão ao ensino superior. Não há nenhum conflito essencial impedindo que ele possa cumprir bem os dois papeis. As questões mais relevantes são: primeiro, saber o que se está medindo e, segundo, se a régua utilizada para mensurar, que finda induzindo o que as escolas devem fazer ou priorizar, tem compatibilidade com o presente e o futuro ou com o passado.

 

O exame atualmente abrange um público de quase oito milhões de candidatos, com interesses concentrados nas mais de 250 mil vagas das universidades públicas e nas milhões de outras oportunidades de ingresso no ensino superior privado. Na ausência de uma base nacional comum curricular para o ensino médio, o conteúdo do ENEM, um instrumento de acesso ao ensino superior, findou sendo a referência quase única do que é, ou deveria ser, ensinado nesse nível educacional.

 

Vivemos um mundo em transformação rápida e profunda, marcado pelo acesso ilimitado, instantâneo e gratuito à informação. A consequência educacional é que, diferentemente do passado, onde boa parte da formação de um profissional estava centrada em dotá-lo de um conjunto delimitado de conteúdos, técnicas e procedimentos, hoje, igualmente relevante é educar tendo em vista aumentar a sua capacidade de, a partir dos dados plenamente disponibilizados, resolver problemas e enfrentar desafios, além de aprender a aprender de forma contínua.

 

O ENEM começou em 1998 como exame de um dia só com poucas (63) questões de múltipla escolha, em geral multidisciplinares, e uma redação dissertativa. Essas questões exigiam menos memória sobre os conteúdos específicos envolvidos e demandavam mais raciocínio, dado que muitas vezes os próprios enunciados, à luz de uma boa capacidade de interpretação de texto, embutiam parte das respostas. De forma progressiva, e mais enfaticamente a partir de 2009, adotou-se uma cobrança maior por memória e por profundidade no domínio de matérias específicas como matemática, física, química, biologia, língua estrangeira, história, geografia e redação. Atualmente, são mais questões (180) e a redação, desenvolvidas na forma de um vestibular tradicional de dois dias.

 

O ENEM tem funcionando como atestado formal de proficiência em itens disciplinares supostos essenciais a ingressantes em cursos superiores. Adicionalmente ao fato de que nem todos que concluem o ensino médio pretendem cursar ensino superior, o drama é que tais elementos estão tipicamente associados à formação profissional do século passado. No passado recente, um conjunto razoavelmente delimitado de conteúdos, técnicas e procedimentos caracterizavam, de forma quase suficiente, um formando do ensino superior preparado para atender as demandas da época. Isso mudou, está mudando e mudará ainda muito mais. Precisamos de réguas capazes de medir, além dos conhecimentos específicos, o nível de amadurecimento da consciência do educando acerca dos mecanismos segundo os quais ele aprende, bem como o preparo para lidar com informações plenamente disponíveis e a capacidade de não temer enfrentar desafios, demonstrando estar preparado para uma realidade de educação permanente ao longo da vida.

 

Um ENEM que seja compatível com o mundo contemporâneo e projete o futuro deverá conter questões e desafios onde as respectivas soluções dependam de elementos que possam ir além, ainda que incluam, o domínio de conteúdos específicos. Em outras palavras, necessitamos de réguas capazes de também identificar e mensurar a capacidade do uso da lógica e do raciocínio crítico, a habilidade em interpretar e analisar textos fazendo uso dos dados disponibilizados, e o nível de desenvolvimento de outros atributos que transcendem o domínio simples de conteúdos específicos.

 

(Figura: Domínio público, em http://www.create.ac.uk/blog/2014/09/25/valuing-the-public-domain-a-workshop-for-uk-creative-firms/)

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domingo, 9 de outubro de 2016 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 11:28

Pais e filhos em um Brasil em transe

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Dizem que ao contar sobre sua aldeia, fala-se também do mundo. Da mesma forma, ao relatar a vida pessoal, expressamos um pouco a história de toda uma geração. Claro que cada aldeia é diferente, bem como as trajetórias individuais são todas distintas, mas, de fato, há algo de global nos pequenos lugarejos e de padrão quase geral nas particularidades de cada um que frequenta a mesma época.

 

A infância em Assis, distante 444 Km de São Paulo, era cercada pelo sonho dos pais, pequenos comerciantes de primário completo, de que o caminho do sucesso dos filhos estava necessariamente associado à possibilidade de concluir ensino superior na capital. Tinham eles clareza, na década de 1970, que esse desejo seria mais facilmente viabilizado se os filhos pudessem frequentar um ensino médio particular de qualidade em São Paulo. Os esforços seriam enormes, mas estudar em colégios privados como o Bandeirantes justificaria o sacrifício, compensado amplamente pela quase garantia de ingresso em instituições públicas de qualidade como a Universidade de São Paulo.

 

Pais orgulhosos desfilavam na avenida principal do interior com a certeza de que a nova geração, graças às parcas economias geradas no comércio local, estava no caminho de uma escolaridade desproporcionalmente acima da geração deles. Seus filhos tinham agora o Brasil inteiro como destino. Se as credenciais incluíssem um mestrado ou doutorado, qualquer estado da federação seria boa opção e a estabilidade do serviço público uma benção. Se, por ventura, as universidades federais pudessem acolher seus filhos como docentes, o orgulho deles seria incontido, refletindo uma nação cuja nova geração, em termos de escolaridade e emprego, tinha ido muito além da anterior.

 

Por sua vez, para os filhos dessa geração, cursar ensino superior neste século XXI passava a ser quase obrigação ou obviedade. Seja pela multiplicidade de oferta ou pelas induções do ambiente doméstico já escolarizado, esse caminho transformava-se, de forma natural, em padrão. De novo, quanto mais especializados fossem, melhores oportunidades surgiriam. Agora as rodovias, que anteriormente levavam à capital, se transformavam nos aeroportos que conduziam a novos portos e horizontes. As perspectivas continuavam existindo em todos os lugares, mas, no início desta década, estudar e morar no exterior constituíam diferenciais que amplificavam possibilidades.

 

Nos tempos atuais, frustrados por um anunciado desenvolvimento econômico, social e ambiental sustentável que ainda não veio, os cenários de novo se alteram rapidamente. As opções em termos de formação acadêmica e oportunidades de trabalho dos filhos diferem das nossas tanto quanto, ou mais, do que as nossas diferiram de nossos pais. Trabalhar no exterior, hoje, cruza a barreira da ideia do estágio provisório na preparação do retorno e passa a se constituir em opção talvez permanente e definitiva. Este fenômeno é cristalizado, especialmente, aos jovens profissionais mais talentosos, dadas as limitações de oportunidades satisfatórias de trabalho mais especializados no Brasil.

 

Nossos pais e nossos filhos delimitam, conosco ao meio, três gerações de um país que se transforma rapidamente, especialmente em termos de acesso à escolaridade e de oportunidades profissionais. Sabemos que temos bons motivos, mesmo quando não conseguimos explicitar bem quais sejam, para termos sempre esperanças no que está por vir no Brasil. No momento, mesmo assim, temos ainda pouca clareza sobre o que é reservado para esta geração. Mesmo porque este futuro próximo dependerá, essencialmente, daquilo que fizermos, ou deixarmos de fazer, neste capítulo em curso da história nacional.

(Figura em Domínio Público, ver: https://pixabay.com/p-161068/?no_redirect)

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terça-feira, 4 de outubro de 2016 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 15:08

Pegadas digitais do educando

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​Em complemento ao artigo anterior “Analítica da aprendizagem é parte da solução”, neste texto aprofundaremos acerca de como analisar e fazer bom uso dos dados deixados pelos alunos. Praticamente todos os estudantes de nível superior deixam pegadas digitais em tempo real, tanto aqueles na modalidade a distância, como os presenciais, os quais, em geral, também utilizam plataformas digitais de aprendizagem.

Se pretendemos explorar causas e efeitos educacionais, as estatísticas disponíveis são fundamentais para contribuir, complementarmente, com as análises. É viável identificar eventuais lacunas acadêmicas, individuais ou coletivas, e desafios podem ser apresentados aos docentes sobre como construir caminhos para superar as dificuldades observadas. Se as tarefas previstas aos educandos e as questões a eles formuladas forem adequadamente desenhadas, podemos desenvolver a arte de conhecer, em detalhes, o ambiente educacional e cada um de seus atores. A meta é desenvolver a maior multiplicidade possível de trilhas educacionais, permitindo a cada educando explorar os respectivos caminhos que gerem os melhores resultados em processos contínuos de aprendizagem.

Atualmente, já estão disponíveis ferramentas para visualização das redes de interação construídas a partir de fóruns de discussão, onde podemos, com alguma facilidade, identificar padrões de comportamento dos alunos. As diversas maneiras com que os educandos lidam com os desafios propostos são igualmente relevantes, incluindo seus ritmos, as atitudes gerais e as abordagens por eles escolhidas. Além disso, ao formular uma questão de múltipla escolha, paradoxalmente, a resposta que menos elucida ou contribui adicionalmente é a certa. Para tanto, as respostas erradas apresentadas como alternativas devem ter sido sofisticadamente pensadas a partir do objetivo de identificar as razões e motivações das escolhas. Identificaremos alunos cujas maiores dificuldades estão associadas à falta de atenção e dificuldade de concentração, outros nos quais as deficiências de letramento, português e matemática, representam os grandes limitadores para a aprendizagem, bem como alguns onde as fragilidades derivam da ausência de determinados conceitos ou conteúdos.

Se é verdade que uma resposta somente diz pouco sobre o educando, com um número suficiente de questões, somado ao que pode ser percebido das demais interações, podem os gestores dos cursos dispor de material suficiente para formular as melhores trilhas educacionais, customizadas para cada aprendiz e suas peculiares circunstâncias. Imprescindível que o educando também acompanhe as próprias análises e seja ativo no processo, permitindo que ele também se conheça melhor, ampliando seu nível de consciência acerca dos mecanismos segundo os quais ele aprende (metacognição). Desta forma, amadurecendo a sua capacidade de aprender a aprender, o que lhe será fundamental na aprendizagem permanente ao longo da vida. Destaque-se que é importante que se tenha um controle muito rígido com a ética envolvida na disponibilização e uso dos dados coletados. Garantir a privacidade de todos os envolvidos e que os propósitos educacionais sejam absolutamente os únicos envolvidos são obrigações intransferíveis da instituição.

Há muitos projetos interessantes em curso fazendo bom uso de analítica de aprendizagem, tanto no Brasil como no exterior. A título de exemplos ilustrativos, elenco três a seguir: (i) https://analytics.jiscinvolve.org/wp/, (ii) http://www.laceproject.eu/, e (iii) https://confluence.sakaiproject.org/display/LAI/Learning+Analytics+Initiative.

Analítica da aprendizagem é ferramenta imprescindível na construção e aprimoramento de metodologias educacionais inovadoras baseadas em processos de aprendizagem híbridos, flexíveis e customizados. Inovar, educacionalmente, é conjugar quantidade e qualidade, tornando possível um cenário onde todos os educandos possam aprender, a todos seja possibilitado aprender o tempo todo e, como resultado, cada educando aprenda de maneira otimizada e personalizada.

Foto: Domínio público (http://absfreepic.com/free-photos/student-learning-with-computer-in-classroom.html)

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segunda-feira, 26 de setembro de 2016 aprendizagem, EaD, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 08:14

Analítica da aprendizagem é parte da solução

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Word Cloud "Big Data"

Analítica da aprendizagem (em inglês, learning analytics) diz respeito à abordagem baseada na coleta e análise sistemática de dados sobre os educandos e seus contextos, tendo em vista o entendimento e a otimização do processo de aprendizagem e do ambiente no qual ele ocorre. Embora não exista uma definição única ou consensual sobre o tema, ele está associado ao desenvolvimento de ações e estratégias educacionais implementadas com o suporte de modelos, simulações e padrões estatísticos. Tal processo viabiliza conferir a eficiência e eficácia de metodologias educacionais, conhecer mais sobre todos os atores envolvidos e aprimorar de forma inteligente e substantiva a prática pedagógica.

 

Coletar e analisar dados, como elemento de suporte para tomada de decisões, é o que nós fazemos todos os dias, mesmo que de forma natural e inconsciente. A novidade é que no mundo digital são gerados dados em níveis sem precedentes e, consequentemente, podemos dispor atualmente de estratégias inovadoras, assentadas na capacidade de predições inéditas, decorrentes do uso sistemático, sofisticado e inteligente de estatísticas de grandes massas de dados. Esta realidade é amplificada no mundo educacional atual pelo uso crescente de ambientes virtuais de aprendizagem, tanto na modalidade presencial como a distância. A plataforma virtual, a qual permite a utilização de diversas mídias e demais recursos para apresentar as informações associadas à aprendizagem, é o mesmo ambiente que viabiliza coletar automaticamente dados e analisar o desempenho dos alunos, tanto coletivamente como individualmente.

 

A mais relevante característica da estratégia baseada na analítica da aprendizagem é que pela primeira vez quebramos o paradigma de que o aumento da quantidade é necessariamente associado ao rebaixamento de qualidade. Pelo contrário, ela permite conjugar escala e qualidade, de tal forma que quanto maior a quantidade de dados as análises geradas tendem a ser mais confiáveis, colaborando ainda mais no conhecimento e na avaliação das ações educacionais em curso e no incremento do potencial das iniciativas futuras.

 

Atualmente, é possível conceber que todos os educandos podem aprender, todos aprendem o tempo todo, porém, cada educando aprende de maneira única e personalizada. Para tanto, educação contemporânea significa construir um ensino híbrido, flexível e customizado. A partir dos comportamentos dos estudantes, individualmente ou coletivamente, seja nas atitudes frente a desafios propostos ou via respostas, certas ou igualmente úteis erradas, às questões formuladas, é possível, por meio do desenvolvimento de algoritmos especiais, saber muito sobre cada educando. Isso inclui conhecer suas principais características, expectativas, lacunas, predicados etc. De posse da máxima percepção global sobre o aluno e frente a cada situação educacional específica, podem os educadores e educandos, apoiados por plataformas inteligentes, escolher de uma multiplicidade de trilhas educacionais a mais adaptada. Não menos importante, ao longo do processo, o aluno se permite conhecer melhor a si mesmo, ampliando seu nível de consciência acerca dos mecanismos e contextos nos quais ele otimiza seu aprendizado.

 

Com a abordagem baseada em analítica da aprendizagem passamos a dispor de uma ferramenta adicional indispensável aos educadores contemporâneos. Portanto, torna-se possível ampliar significativamente a capacidade de aprender a aprender, o que é absolutamente imprescindível em um contexto de educação permanente ao longo da vida. Fruto do uso adequado de novas tecnologias, em conjunto com a adoção de metodologias educacionais inovadoras, temos uma oportunidade ímpar de propiciar educação de qualidade para todos.

 

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sexta-feira, 16 de setembro de 2016 aprendizagem, Ensino Superior, Inovação e Educação | 17:30

Tratar bem o Português

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Devemos tratar bem todos os portugueses. Nossos patrícios ancestrais, juntamente com os nativos indígenas e os vários imigrantes, são os formadores da nação brasileira. No entanto, não é a eles que me refiro e sim à língua portuguesa. O Português originou-se da transformação do latim vulgar, com forte influência do céltico. No século V, o português arcaico desenvolveu-se como um dialeto românico, denominado galego português, decretado língua oficial do reino por Dom Dinis I, ao final do século XIII. No século XVI, com as atividades expansionistas do Reino de Portugal, esta língua se difundiu pelas novas terras descobertas, incluindo o Brasil.

 

O Português tem sido demasiadamente maltratado no Brasil, o que é agravado em suas consequências no contexto atual, em que o exercício pleno da cidadania e as oportunidades de explorar empregos e novos negócios dependem fortemente do nível de letramento. Letramento neste sentido está diretamente associado à capacidade do educando na aprendizagem da língua e dos demais códigos, incluindo a matemática. Sem letramento, está prejudicada a comunicação, falada e escrita, tornando difícil o bom convívio social. A base inicial do letramento inclui a habilidade de escrever ou entender um texto, bem como de compreender ou fazer uma fala, o que gera o diálogo e a comunicação com qualidade com os demais.

 

Neste texto, ficaremos no básico. Tentaremos abordar, ilustrativamente, alguns dos erros mais comuns que prejudicam os convívios. Por exemplo, a não conformidade nas palavras exceção, cidadãos e privilégio desautorizam a qualidade do restante do texto ou da manifestação. Outro erro grave é colocar o tentador plural no verbo fazer em frases corretas do tipo: “Faz dez anos que não visito…”. Da mesma forma, o verbo haver deve sempre seguir a forma: “Houve fatos que me levaram a…”.

 

Há inúmeros outros exemplos. Citemos alguns mais. Todo cuidado no uso do afim (junto), o qual é substantivo (indicando parente por afinidade ou aliado partidário) ou adjetivo (significando parecido, próximo), diferindo do a fim (separado), expressando propósito, intenção ou finalidade. Quando for utilizar menos enquanto advérbio jamais flexione gênero. Assim, use sempre: “menos gente”, “menos nervosa” etc. Lembrar que escrever por isso é sempre separado, inexistindo a forma unida. Evite, por favor, a confusão desnecessária entre o mais, significando adição/quantidade e o mas, o qual é uma conjunção com significado de oposição ou restrição. Lembre-se de que o correto é “deixe a carta para eu escrever…”, bem como “os policiais retiveram o documento…”.

 

Sempre que possível evite o “gerundismo”, ou seja, em vez de “vou estar enviando….” use a forma simples “vou enviar…”. Não confundir a forma ligada agente, como em agente secreto, com a forma separada a gente, significando o coletivo genérico. Não confunda meia e meio. meio é uma palavra invariável quando usado como advérbio, significando “um pouco” ou “mais ou menos”. Por sua vez, meia quer dizer metade (numeral).

 

Observe que uma coisa é o advérbio embaixo (junto), significando junto ou sob alguma coisa e bastante diverso do em baixo (separado) utilizado quando a palavra “baixo” tem sentido de adjetivo  . Há outros casos típicos que demandam atenção redobrada como os usos do “por que” e “porque”, bem como do “este” e do “esse”, temas que infelizmente não teremos tempo de tratar neste breve espaço.

 

Em suma, você, ao se expressar oralmente ou por escrito, deve chamar a atenção pelas coisas boas que fala ou escreve e jamais prejudicá-las pela forma, eventualmente não correta, com que se expressa. Trate bem o Português e você será recompensado largamente sendo bem compreendido e tendo a benção de aprender mais e entender melhor o mundo à sua volta, comunicando-se adequadamente com os seus.

 

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segunda-feira, 12 de setembro de 2016 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 09:40

Como ir bem no ENEM: além de saber, saber resolver

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Este ano o Exame Nacional do Ensino Médio – ENEM completa dezoito anos. A maioridade não lhe confere perenidade de forma, ao contrário, há ventos de novas mudanças, as quais são compreensíveis, dado que o exame sofreu alterações essenciais. Nasceu com a finalidade de medir a qualidade do ensino médio, no entanto, a partir do final da década passada, se transformou quase que exclusivamente em teste nacional de admissão ao ensino superior.

 

O resultado é que hoje o exame abrange anualmente um público de quase oito milhões de candidatos, com interesses concentrados nas mais de 250 mil vagas das universidades públicas e de milhões de outras oportunidades de ingresso no ensino privado. O ingresso na faculdade não é a finalidade única do ensino médio, porém, na ausência de uma base nacional comum curricular, o conteúdo do ENEM findou por se tornar a referência quase única do que é, ou deveria ser, ensinado naquele nível.

 

O ENEM, progressivamente, adotou uma cobrança cada vez maior de profundidade no domínio de matérias como matemática, física, química, biologia, língua estrangeira, história, geografia e redação. Mesmo assim, o nível de aprendizado em matemática no ensino médio na última avaliação do Sistema de Avaliação da Educação Básica – SAEB atestou retrocesso naquilo que já ia mal. A ênfase do ENEM tem sido mensurar domínio de conteúdo, capacidade de memória e habilidade de responder questões no tempo previsto, funcionando como atestado formal em itens supostos essenciais a ingressantes em cursos superiores. O drama adicional é que tais elementos estão muito associados à formação típica esperada no século passado, onde um conjunto razoavelmente delimitado de conteúdos, técnicas e procedimentos caracterizavam um profissional de ensino superior preparado para atender as demandas da época. Isso mudou, está mudando e mudará ainda muito mais. Caminhamos rapidamente para um novo cenário onde mais relevante do que o que foi aprendido é o desenvolvimento da capacidade de aprender a aprender, com o consequente aumento da consciência do educando sobre como ele aprende.

 

O mundo contemporâneo apresenta novidades e desafios resultantes do ingresso acelerado em uma sociedade onde a informação está, cada vez mais, totalmente disponibilizada e instantaneamente acessível. Assim, simplesmente separar os candidatos entre os que sabem e os que não sabem determinados conteúdos torna-se menos relevante do que, simultaneamente, selecionar e induzir talentos aptos a saberem resolver problemas. Saber resolver tem a ver com saber, mas vai além, significando fazer uso das informações disponíveis para apresentar soluções a desafios.

 

A capacidade de interpretar e analisar textos, fazendo uso dos dados disponibilizados, o uso da lógica e do raciocínio crítico e o desenvolvimento de um conjunto de atributos que transcendem o domínio simples de conteúdos ajudarão o candidato a ir bem no ENEM. A resposta a uma questão depende não só de memória e do domínio de conteúdos, mas inclui também capacidade de foco e outras atitudes. Ou seja, estamos medindo, ainda que indiretamente, o nível de amadurecimento da consciência adquirida pelo educando acerca dos mecanismos segundo os quais ele aprende, o quanto ele conhece a si mesmo e faz uso disso. Neste sentido, felizmente, aprendizagem inclui também a habilidade de aprender a aprender em um contexto de educação permanente ao longo da vida.

 

Mesmo que o ENEM, como ele é hoje, vise a, principalmente, selecionar e distinguir entre os que sabem e os que não sabem, há espaços a serem explorados por aqueles que, mais do que saber, se preocupem em saber resolver. Irão bem no ENEM aqueles capazes de explorar as atitudes maduras perante os desafios, o que será fundamental durante o exame e, especialmente, depois dele.

 

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terça-feira, 30 de agosto de 2016 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 16:52

Nova era industrial e educação na nuvem

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O projeto da máquina a vapor de Thomas Newcomen, aperfeiçoado por James Watt em 1777, é considerado o marco do nascimento da Revolução Industrial. Sua primeira aplicação foi abaixo do nível do solo ao retirar água do interior das minas de carvão na Inglaterra, substituindo o trabalho anteriormente feito por animais. Com carvão abundante e de melhor qualidade, o Império Britânico consolidou seu protagonismo na dominação econômica.

 

Um segundo ciclo de desenvolvimento transformador decorreu do uso industrial e residencial da eletricidade em larga escala ao final do século XIX. A expansão da tecnologia elétrica e dos motores nesse período trouxe novas possibilidades, marcando profundamente o século XX e transformando a sociedade, incluindo os setores de transportes, aquecimento, iluminação e comunicações. Podemos considerar como marco do terceiro período industrial a invenção do primeiro microprocessador. Em 1971, a empresa Intel, atendendo demanda de uma empresa japonesa, produziu o microprocessador 4004 com 2.300 transistores, registrando, simbolicamente, a emergência da era dos computadores e do mundo digital.

 

Contemporaneamente, já ingressamos na quarta era industrial. Observe que as inovações anteriores, na sequência, surgiram nas minas abaixo do solo, posteriormente, emergiram e preencheram a superfície terrestre com a tecnologia elétrica, e, em seguida, surgiram embutidas nos diversos dispositivos na forma de microprocessadores. Mais recentemente, as inovações ocupam um inédito espaço que se convencionou chamar de nuvem ou de computação em nuvem. Klaus Schwab, um dos fundadores do Fórum Econômico Mundial, lançou no início deste ano o livro The Fourth Industrial Revolution (disponível em: https://www.amazon.com/dp/B01AIT6SZ8#nav-subnav) contando com mais detalhes parte dessa história. Nesta era, via integração plena, todos estão conectados e todas as empresas, gradativamente, se tornam digitais e a nuvem é o elemento-chave.

 

Via a utilização da capacidade de armazenamento e de cálculo de servidores compartilhados e interligados por meio da internet, tudo pode ser acessado de qualquer lugar do mundo e a todo momento. É a vez da internet das coisas, da impressão 3D e da realidade ampliada, da inteligência artificial e das máquinas que aprendem. Todos os setores e atividades humanas serão impactados e educação, entre eles, demandará ser revista à luz de contornos inéditos, onde a informação está totalmente acessível, instantaneamente disponibilizada e gratuita. As demandas em termos de formação de profissionais e cidadãos desta nova era, incluindo as metodologias e estratégias educacionais associadas, ainda estão em aberto. Sabemos que teremos encruzilhadas e que as circunstâncias permitem, se não tomarmos os necessários cuidados, processos perversos de exclusão social mais acentuada. Por outro lado, tais tecnologias também viabilizam abrir oportunidades positivas jamais vivenciadas pelos humanos em termos de igualdade de oportunidades, via educação de qualidade para todos.

 

As inéditas facilidades na geração, tratamento e disponibilização de dados por meio da nuvem permitem processos inovadores de ensino de qualidade dirigidos a muitos. Temos disponível escala suficiente para conjugarmos, pela primeira vez, qualidade e quantidade, viabilizando um cenário onde cada educando poderá, mais do que somente aprender, aprender a aprender. O educando, a partir das tecnologias disponíveis e das metodologias compatíveis, escolherá com liberdade seus tempos e lugares próprios para aprendizagem, acompanhado por inteligentes plataformas que entendem cada um individualmente. Assim, com o suporte de educadores especializados, será possível gerar soluções customizados em que todos aprendem e todos aprendam juntos o tempo todo, mas cada aprendiz seguindo sua trajetória educacional personalizada.

 

 

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terça-feira, 9 de agosto de 2016 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 11:02

Aprendizagem independente é essencial

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Nos processos educacionais, educandos e educadores investem esforços e talentos visando à aprendizagem, que seria resultante do sucesso das estratégias e metodologias utilizadas. Como processo complexo, qualquer tentativa de simplificação está sujeita a erros graves. Assim, procurar destacar os elementos e as abordagens mais relevantes deveria ser a tarefa de qualquer educador interessado em melhorar o desempenho dos estudantes em relação a cada evento educacional específico.

 

Elementos culturais gerais da sociedade sempre estarão presentes como ingredientes fundamentais. O ambiente doméstico e os hábitos e costumes praticados no dia a dia interferem nas práticas e nos resultados educacionais, portanto, seria recomendável tê-los considerados quando da seleção das abordagens e das pedagogias adotadas. Uma nação, uma região ou um grupo social específico têm marcas registradas decorrentes de suas histórias anteriores que estabelecem com o processo educacional uma relação de desejáveis e inevitáveis interferências multilaterais.

 

Nossa carga cultural traz marcas bem descritas em obras consolidadas, entre elas destaco “Casa Grande & Senzala”, de Gilberto Freire. Neste e em outros estudos, são enfatizadas, de um lado, uma elite acostumada às benesses e aos privilégios, que justificam e estimulam o paternalismo e a acomodação, e, de outro, os demais submetidos à exclusão e à opressão, que desfavorecem a emancipação e as iniciativas empreendedoras. A tradição histórica que se reflete nas relações, seja nas ruas ou no trabalho, infelizmente, também repercute nas salas de aula, via pedagogias que prioritariamente estimulam a aprendizagem marcadamente dependente.

 

Portanto, no processo educacional, adicionalmente aos conteúdos a serem abordados, em complemento às técnicas e procedimentos que um futuro profissional ou cidadão devem dominar, há outros elementos, tão ou mais relevantes, que demandam estar presentes. Entre eles, a aprendizagem independente é essencial e não exclui o professor; ao contrário, o inclui via a adoção de metodologias que estimulem processos emancipatórios na aprendizagem. Especialmente no caso brasileiro, não basta ter aprendido o conteúdo, é imprescindível que no processo a ênfase na autonomia de aprendizagem ao longo da vida tenha sido enaltecida e priorizada, assim como é importante que níveis superiores de emancipação dos educandos tenham sido atingidos.

 

A notícia positiva é que o mundo das tecnologias digitais favorece a missão de estimular processos emancipatórios e mantém grande coerência com as metodologias ativas que se baseiam em aprendizagem independente, mediadas tanto pelo educador como pelos ambientes virtuais. Via as interfaces educacionais inteligentes e os recursos e ferramentas atualmente disponíveis, é plenamente possível traçar trajetórias educacionais personalizadas que levam em conta cada indivíduo, bem como fortalecer aspectos culturais e demais especificidades locais e regionais.

 

Temos a oportunidade inédita de conjugar escala e qualidade, contrariando as práticas anteriores, caracterizadas por qualidade para poucos ou má qualidade sempre que estendida aos demais. Contemporaneamente, ao contrário, podemos afirmar que só haverá qualidade se tivermos variadas referências para acesso, fruto de adotarmos tecnologias e metodologias que sejam aplicáveis para muitos. Hoje, seja na educação, na saúde ou em demais setores, inovar no Brasil é ousar propiciar qualidade para todos.

 

Figura: Domínio público, disponível em https://www.class-central.com/report/app/uploads/2015/06/Thoma-Loneliness.jpg

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sexta-feira, 29 de julho de 2016 aprendizagem, EaD, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 08:42

Educação em tempos de ‘Pokémon Go’

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O aplicativo ‘Pokémon Go’ lançado há poucas semanas nos Estados Unidos, Austrália e Nova Zelândia já é o jogo mais baixado da história da internet. Ele marca, simbolicamente, o ingresso definitivo em um contexto inédito de utilização em grande escala de simulações, realidade aumentada e inteligência artificial.

 

Alguns podem entendê-lo simplesmente como um jogo de sucesso e não estarão errados, mas certamente não terão capturado a real dimensão em termos de impactos associados em todas as demais áreas. Por exemplo, as consequências educacionais do uso intensivo de realidade aumentada e de inteligência artificial são ainda preliminares, mas serão profundas e duradouras. Um novo capítulo será aberto quanto à preparação de profissionais para atuarem neste novo mercado, fruto de mudanças em grande escala nos modelos de negócios e de gestão.

 

Embora parte desses recursos e ferramentas já estejam disponíveis há décadas, seu uso intensivo ainda está no seu início. Os especialistas calculam que estamos falando de um mercado de centenas de bilhões de dólares anuais. Em suma, daquilo que hoje é eventual e incipiente, migraremos muito rapidamente para usos generalizados e abrangentes. No campo educacional, cabe um destaque especial às possibilidades decorrentes do uso ilimitado dessas tecnologias digitais, incluindo a impressora tridimensional, integrando informações virtuais a visualizações do mundo real, confundindo ambas e gerando múltiplas e inimagináveis possibilidades.

 

O mundo ocidental vivenciou algo similar há aproximadamente dois séculos atrás com o início da Revolução Industrial, especialmente com a invenção de máquinas motorizadas e com o desenvolvimento da tecnologia de geração de energia elétrica. Como consequência, tivemos a migração progressiva da população do campo para a cidade e a transformação do trabalho individual ou familiar na agricultura para o estilo fordista/taylorista de grandes massas nos ambientes das fábricas. Na verdade, aquele foi o capítulo preliminar das transformações em etapas do trabalho humano, inicialmente mediado por máquinas, depois plenamente substituído por elas e, atualmente, interagindo com máquinas que aprendem.

 

No período que começou no século XIX e perdurou ao longo do século XX, o trabalho braçal, pouco especializado e não dependente de instrução escolar específica, gradativamente perdeu espaço para a exigência de profissionais mais especializados, preparados via um ensino compatível com tais necessidades. O modelo industrial clássico e os serviços associados moldaram a escola e as metodologias educacionais do século XX. De forma análoga, adentrar uma sociedade com alto nível de automação, agora conjugada a máquinas que aprendem, e onde a informação está totalmente acessível, instantaneamente disponibilizada e gratuita impõe mudanças profundas no que educar passa a significar.

 

Nos séculos XIX e XX, ensinar estava basicamente associado a transmitir informações, técnicas e procedimentos compatíveis com as demandas do mundo do trabalho contemporâneo àquela época. Nos tempos atuais, educar passa a significar, principalmente, aquilo que permanece depois que esquecemos o que nos foi ensinado. O aprender a aprender juntamente com saber trabalhar em equipe se mostram nos recentes contextos mais relevantes do que propriamente o conteúdo objeto do ensino.

 

Nestas próximas semanas, quando ‘Pokémon Go’ estará sendo lançado no Brasil, importante percebermos que inteligência artificial e realidade aumentada, em conjunto com metodologias educacionais compatíveis, podem viabilizar um ensino flexível e personalizado, que constituirão as bases de uma educação inovadora em construção.

 

Sobre a figura: http://i2.wp.com/www.jenapolis.de/wp-content/uploads/2016/07/pokemon-1521104_960_720-DigiPD-CC0-Public-Domain-760-430.jpg?resize=760%2C430

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sábado, 25 de junho de 2016 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 08:13

Oceano azul da educação privada

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Os mais de 8 milhões de matrículas do ensino superior brasileiro refletem principalmente um crescimento acentuado do setor privado nos últimos anos. Em especial, via as instituições educacionais ancoradas em empresas que têm procurado, cada qual a sua maneira, conjugar quantidade e qualidade.

 

Vivenciamos o ingresso acelerado em uma sociedade em que a informação está totalmente acessível e instantaneamente disponibilizada, na qual os perfis dos profissionais demandados se alteram profundamente. Neste novo cenário, o processo de aprendizagem é essencialmente reconfigurado visando a atender em grande escala a demanda de ensino personalizado em um contexto de educação permanente ao longo da vida. Os desafios contemporâneos passam a ser, principalmente, a geração de uma educação híbrida e flexível provedora de trilhas educacionais que consigam atender aos mais variados perfis e expectativas.

 

A educação flexível resulta dos pressupostos de que todos educandos aprendem, todos aprendem o tempo todo e, especialmente, cada um aprende de maneira pessoal e única. Para desenhar essas trajetórias personalizadas que maximizam o processo de aprendizagem é necessário uso intenso de tecnologia, liberar amarras burocráticas e estimular criatividades e experimentações. No entanto, como bem apontado pelo educador Edson Nunes, ex-Presidente do Conselho Nacional de Educação-CNE, as barreiras são enormes. Entre elas, os obstáculos criados de parte das profissões regulamentadas, ancorados em diretrizes curriculares nacionais rígidas, indutoras de conteúdos e abordagens. O Exame Nacional de Avaliação de Desempenho dos Estudantes, ENADE, completa o engessamento priorizando o específico, em detrimento do geral, num mundo em que o aprender a aprender é tão ou mais importante do que o que foi aprendido.

 

O setor público do ensino superior, pelas boas condições que reúne, teria condições de enfrentar esses problemas e apresentar soluções. No entanto, na prática, por limitações específicas e velocidades peculiares, resulta que temos hoje experiências localizadas que não escalam suficientemente para alterar o quadro vigente. O setor privado, por sua vez, é beneficiário do fenômeno de escala e da possibilidade de adoção rápida de tecnologias e metodologias inovadoras, bem como, em geral, é mais próximo no atendimento de demandas do mercado e do mundo do trabalho. As tecnologias digitais aplicadas aos processos educacionais, ao tempo que reduz custos, permitem ampliar qualidade e desenvolver modelos acadêmicos flexíveis. Neste mundo em que saber tratar muitos dados é essencial, a escala, ao contrário de reduzir qualidade, pode ser elemento indispensável para ampliá-la de forma criativa e sustentável.

 

As instituições educacionais brasileiras somente serão competitivas no mercado nacional se puderem atuar globalmente, sendo competentes no desenvolvimento de ambientes virtuais de aprendizagem e, desta forma, fazerem frente às empresas internacionais, altamente competitivas, já presentes no território nacional. Nenhuma delas, provavelmente, logrará enfrentar este desafio sozinha. Assim, mais relevante do que se digladiarem por espaços, o melhor caminho é a junção de esforços na consolidação do país enquanto produtor de conteúdos educacionais no estado da arte. Não há chance de sobrevida no mundo digital, a não ser na condição de usuário passivo e dependente, sem a capacidade de desenvolvimento de inteligência para entender os educandos, seja em suas fragilidades, suas potencialidades e seus desejos, e na capacidade de desenhar as trilhas educacionais correspondentes que melhor se adaptam a cada caso.

 

Em suma, há que se ir além das clássicas disputas no sangrento mar vermelho e enxergar além, explorando possibilidades de navegar conjuntamente em direção ao oceano azul.

  

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