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Arquivo da Categoria Educação e Tecnologia

segunda-feira, 14 de setembro de 2015 aprendizagem, EaD, Educação e Tecnologia, Inovação e Educação | 18:15

Educação Híbrida e o Preceptor

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Há um relativo consenso ente os educadores de que o ensino híbrido e flexível representa a metodologia com as melhores possibilidades de incorporar as boas experiências das duas modalidades, presencial e a distância. Desta forma, torna-se possível desenvolver metodologias inovadoras que incorporam adequadamente tecnologias digitais ao currículo escolar e às atividades desenvolvidas nas salas de aula, sejam elas físicas ou virtuais.

Na educação flexível, via o uso de plataformas e pedagogias adequadas, bem como aplicativos e ferramentas digitais amplamente disponíveis, é possível personalizar o ensino de acordo com as especificidades de cada contexto e das necessidades de cada aluno, oferecendo um aprendizado cada vez mais direcionado e efetivo.

A educação híbrida significa, em contraposição ao ensino tradicional, uma real possibilidade de enfrentar os desafios contemporâneos. Ensinar, enquanto conceito geral, esteve por muito tempo associado a basicamente transferir conhecimentos, principalmente via aulas expositivas centradas no professor e assentado nas configurações clássicas das escolas tradicionais. O século passado parece ter sido o apogeu, em termos de sucesso, consolidando esta abordagem. Ou seja, as metodologias de ensino associadas estabeleceram com os modelos de desenvolvimento econômicos e sociais dominantes grande sintonia, gerando, no passado próximo, resultados considerados convincentes e satisfatórios.

Os tempos atuais são bem mais complexos, onde os modelos tradicionais evidenciam fragilidades, demandando visões contemporâneas sobre educar, as quais remetem a, principalmente, criar as condições e possibilidades de construção de processos de  aprendizagem  centrados nos educandos, baseados na farta e inédita interatividade viabilizada pelas tecnologias digitais, no imprescindível estímulo individual ao aprender a aprender e, especialmente, na preparação desses educandos para resolver problemas.

Nesta abordagem baseada no estímulo ao aprender a aprender e na solução de problemas, como procedimento padrão, os educadores expõem casos e os educandos, tanto individualmente como especialmente em equipes, identificam e aprofundam os temas, investigam, discutem, interpretam, predizem e constroem possíveis soluções. Este processo se desenvolve via um ensino integrado e integrador, tanto de conteúdos como das distintas áreas de conhecimento envolvidas.

Neste novo contexto, surgem e ressurgem figuras educacionais que visem a propiciar maior eficiência e eficácia às metodologias associadas, bem como às tecnologias inovadoras incorporadas. A mais interessante delas é a possibilidade de uma releitura indispensável do papel inovador do tradicional professor preceptor, lembrando que um conceito não tem necessariamente um único significado definitivo e permanente, mas sim ele é construído por suas relações com os fatos, continuamente ao longo dos tempos.

Classicamente, o preceptor é aquele dá preceitos ou instruções, genericamente confundido com o educador, o mentor ou o instrutor. Especificamente, onde esta figura mais se consolidou até aqui foi na área da saúde, como o responsável por conduzir e supervisionar, por meio de orientação e acompanhamento, o desenvolvimento de médicos residentes e demais profissionais nas especialidades de um hospital. Anteriormente, nos internatos ou mesmo em ambientes domésticos, cabia à figura de um preceptor acompanhar genericamente a educação de uma criança ou de um jovem, preparando para a inserção e socialização desses educandos na vida adulta. Tanto em uma situação como na outra, o preceptor é, essencialmente, um profissional experiente apto a auxiliar na formação integral de seus aprendizes, preparando-os para os desafios do futuro.

Na sociedade contemporânea, onde a informação está totalmente disponibilizada e instantânea e gratuitamente acessível, se consolida a percepção de que todos aprendem e que todos aprendem sempre ao longo de toda vida. Principalmente, fica evidente que cada um aprende em seu próprio ritmo e de maneira própria e única. Assim, fazendo uso de pedagogias apropriadas e de tecnologias inovadoras, temos como, pela primeira vez, conjugar qualidade com quantidade e escala com especificidade. Ou seja, é factível, mesmo em atendimentos de grande massa, propiciar percursos acadêmicos totalmente personalizados, ajustáveis e adaptados a cada educando.

Neste contexto, ressurge o profissional professor preceptor, numa combinação muito interessante dos dois papéis anteriores, tanto como o educador capaz de conjugar teoria e prática, num particular campo de estágio que prepara o futuro profissional, como do orientador de estudos integrados a educandos que aprimoram continuamente suas capacidades de aprender a aprender e, assim procedendo, progressivamente se emancipam.

A construção de uma educação híbrida e flexível, que incorpore os atributos inerentes da educação presencial às possibilidades ilimitadas da educação a distância, demanda a participação estratégica do professor preceptor, contextualizada especificamente para cada etapa do processo formativo, visando a preparação do futuro profissional e cidadão. Conjugar o atendimento personalizado dos educandos via preceptores, especialmente designados para cada um dos momentos dos respectivos percursos educacionais, com o objetivo de emancipação progressiva de todos via o estímulo ao aprender a aprender, é talvez a peça estratégica mais importante das metodologias ativas que pretendam ter plena correspondência com as demandas educacionais contemporâneas.

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quinta-feira, 10 de setembro de 2015 Educação e Tecnologia, Inovação e Educação | 23:41

Estácio de Sá e histórias de pioneirismos

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Este ano a cidade do Rio de Janeiro comemora 450 anos de sua fundação. Quem reclama, com razão, da sensação do convívio com a violência hoje em dia, talvez não consiga imaginar o nível das lutas que marcaram os períodos próximos ao ano de 1565, ano de fundação da cidade, envolvendo portugueses, índios e franceses.
Nossa história começa quando Estácio de Sá, sobrinho de Mem de Sá, terceiro governador-geral do Brasil, foi nomeado por Dona Catarina, rainha de Portugal, capitão de armada com a missão específica de expulsar os franceses da costa brasileira.
Estácio aporta na Bahia ao final de 1563 e depois, passando pelo Espírito Santo, chega ao litoral do Rio de Janeiro. Frente aos conflitos intensos com os índios, Estácio desloca-se inicialmente para São Vicente, onde fica em torno de nove meses, à espera de reforços vindos dos padres Manuel da Nóbrega e José de Anchieta.
Em 01 de março de 1565, Estácio de Sá e sua frota desembarcam em definitivo entre os morros Cara de Cão e Pão de Açúcar, onde fundam a cidade do Rio de Janeiro, dispostos a acabar com o domínio de mais de uma década dos franceses na região.
Os índios tamoios, aliados dos franceses, imediatamente atacam os portugueses recém-chegados. Somente dois anos depois, com reforços enviados por Mem de Sá, os portugueses consolidam seus domínios, contando com o apoio dos índios termiminós, inimigos dos tamoios. Porém, ao longo deste processo de conquista, o pioneiro Estácio de Sá é ferido mortalmente por uma flecha que lhe vazou um olho na Batalha de Uruçu-mirim, vindo a falecer um mês depois do incidente, provavelmente por septicemia decorrente do ferimento.
O nome Estácio de Sá estaria a partir daí marcado para sempre na história, eternizado como fundador daquela que viria a ser conhecida mundialmente como Cidade Maravilhosa. Cidade esta que seria depois capital do país e também estendendo sua denominação ao estado que até hoje a abriga.
Mas não foi somente aí que o nome Estácio e marcas de pioneirismo estiveram associados. Entre tantas organizações que depois fizeram jus a esta bela história e ao uso da denominação, cabe destacar uma delas que neste mesmo ano de 2015 se orgulha de completar 45 anos. A hoje Universidade Estácio de Sá é uma das maiores e mais importantes do país, seja em número de alunos, em evidências de pioneirismo em sua área e, especialmente, em termos de efetivo potencial para cumprir sua maior missão educacional, ou seja, levar educação superior de qualidade para muitos.
A Estácio nasceu no bairro do Rio Comprido, em 1970, fundada por Dr. João Uchôa Cavalcanti Neto, incialmente como faculdade de Direito, transformada posteriormente em universidade em 1988. Atualmente, passados 45 anos, fruto do pioneirismo de seu fundador e dos esforços de todos aqueles que lhe sucederam, a Universidade Estácio de Sá é a matriz do Grupo Educacional Estácio, presente praticamente em todo o país, atingindo mais de meio milhão de matrículas, atendidos por quase dez mil qualificados docentes e cinco mil competentes gestores.
A Estácio atua em todas as áreas de graduação e pós-graduação, tanto na modalidade presencial como a distância, contando também com reconhecidos cursos de mestrado e doutorado, todos com avaliações positivas pelo MEC. Entre as principais missões da Estácio está romper a falsa dicotomia entre prestar atendimentos de qualidade e fazê-lo para muitos. Em geral, para infortúnio do país, quando oportunizamos acesso de qualidade o fazemos, como regra, para poucos e quando atendemos muitos, quase que inexoravelmente, incorporamos má qualidade. A Estácio nasceu, e assim permanece até os dias de hoje, com a tarefa de quebrar este paradigma, harmonizando e conjugando qualidade e quantidade.
Para a comunidade educacional Estácio, que pretende desta forma honrar o nome do fundador do Rio e de seu próprio fundador, a tarefa principal é fazer uso da criatividade e do espirito pioneiro que lhe marcam o nome para viabilizar um empreendedorismo inovador que garanta produtos e serviços que propicie qualidade para todos.

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segunda-feira, 24 de agosto de 2015 aprendizagem, Educação e Tecnologia | 15:37

Aprender a aprender é mais do que aprender

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O ensino tradicional tem como foco central ensinar conteúdos, técnicas e procedimentos. O fruto direto do processo, ou seja, o que se aprendeu é, em geral, considerado mais importante do que o processo em si.

Tal modelo funcionou porque era harmônico com o mundo do trabalho correspondente no qual foi aplicado – ambientes baseados nos modelos de produção fordistas e tayloristas – e coerente com as correspondentes demandas por especialistas com memória apurada aplicada em atividades bem configuradas. Tudo isso em pleno acordo com o contexto geral dos últimos séculos, em especial com o século XX.

Esta solução educacional funcionou tão bem e por tanto tempo que aquilo que era uma metodologia entre várias quase virou sinônimo de método educacional, como se fora único e indiscutível. Desta forma, persistindo como dominante no cenário do processo de aprendizagem até hoje e, quando muito, permitindo variações sobre o mesmo tema, sem alterar sua essência.

Ao privilegiar o conteúdo aprendido sobre a consciência e o amadurecimento do hábito de aprender, predominou a ênfase na cognição, a qual está associada ao ato de conhecer, incluindo os estados mentais associados e os processos do pensamento relacionados à aquisição de conhecimentos. A cognição, com ênfase no saber algo, envolve múltiplos fatores como linguagem, percepção, memória, lógica, raciocínio e outros elementos importantes do desenvolvimento intelectual.

As tecnologias inovadoras, especialmente as tecnologias digitais, fizeram brotar uma sociedade contemporânea bastante distinta daquelas que vivenciamos antes. Pela primeira vez exploramos a oportunidade de termos informação plena e total, instantaneamente e gratuitamente acessível. Um dos reflexos decorrentes desta revolução diz respeito ao fato de que cognição perde sua centralidade, abrindo espaço, em termos de relevância, para um conceito mais amplo, a metacognição.

Metacognição, etimologicamente, significa “para além da cognição”, ou seja, a faculdade de conhecer o próprio ato de conhecer, associado à consciência dos atores envolvidos no processo de aprendizagem acerca de como se aprende ou como se ensina. O conceito de metacognição está relacionado ao ato de pensar sobre o próprio pensamento, onde a reflexão e a autoconsciência sobre a maneira como se aprende tornam-se, progressivamente, mais importantes do que o próprio ato de aprender em si.

Assim, mais importante do que aquilo que se aprendeu é se, ao longo do processo de aprendizagem, ao educando foi possível adquirir mais clareza acerca de como ele aprende, aumentando o seu nível de consciência sobre os mecanismos segundo os quais o processo pessoal ou coletivo de aprendizagem se desenvolve.

Neste novo contexto, o complexo aprender a aprender passa a ser mais relevante do que o simples aprender. O simples aprender tem tudo a ver com um mundo em que o período escolar estava circunscrito a um período limitado da vida. Em tempos passados, os profissionais, uma vez graduados, estavam prontos para suas missões e demandas futuras e, via de regra, sobreviviam de forma satisfatória no mundo do trabalho. O sofisticado aprender a aprender estabelece compatibilidade com educação ao longo da vida, com o conceito de  educação contínua e permanente.

Em suma, a cognição se preocupa quase que exclusivamente com constatar se o aluno aprendeu ou não (sabe ou não sabe); a metacognição inclui, com igual peso, o quanto o educando e o educador percebem a forma e os mecanismos com que eles próprios aprendem e ensinam (preparação ao saber resolver, portanto). Neste sentido, a cognição, associada ao aprender, atende ao passado e a metacognição, associada ao aprender a aprender, contempla o futuro.

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segunda-feira, 17 de agosto de 2015 Educação e Tecnologia, Inovação e Educação | 15:31

Inovar é garantir qualidade para muitos

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Inovar foi a grande marca do século XX. Ao longo da história, o significado de inovação nem sempre foi o mesmo. Certamente os tempos atuais e o contexto específico do Brasil demandam refinamentos e especificidades de seu significado.

No século passado, do conhecimento científico se fez a tecnologia, a qual chegou abundante ao mercado na forma de inovações. Estas, por sua vez, resolveram problemas e ganharam escalas compatíveis com um planeta cada vez mais globalizado. A mais comum e aceita definição clássica deste tipo de inovação foi cunhada por Joseph Schumpter como sendo qualquer novo produto ou processo, bem como uma nova funcionalidade de um produto já existente, que atendessem demandas.

Adotou-se também associar a capacidade de inovação como principal referência para estabelecer a competitividade entre os países, ao lado da qualidade da educação, taxa de poupança (se alta, baixa juros e barateia o crédito) e estabilidade macroeconômica. Especificamente sobre investimentos em pesquisa e desenvolvimento, matriz do processo de inovação, a título de exemplo, os Estados Unidos investem algo em torno de 2,7% do PIB, onde somente 0,7% vem diretamente do Governo e o restante do setor privado. O Brasil, além de investir menos, algo em torno de 1,2%, 0,7% vem do Governo. Ou seja, o setor privado nacional investe aproximadamente quatro vezes menos, em percentuais dos respectivos PIBs, do que aplicam as empresas americanas.

Novos tempos sugerem novas abordagens e a maior novidade contemporânea é a emergência de uma sociedade caracterizada pela inédita informação plenamente acessível, instantaneamente disponibilizada e progressivamente gratuita. Neste novo contexto, espaços de economias baseadas em compartilhamento passam a se apresentar como candidatas a se tornarem dominantes, em detrimento dos setores clássicos da economia. Mais do que possuir bens genéricos, comportamento típico do século passado, a população passa a almejar, prioritariamente, a garantia de acesso a serviços de qualidade.

Corremos o risco de permitir uma sociedade excludente sem precedentes, onde as diferenças entre os que têm total acesso, comparadas com os que nada têm, podem ser ampliadas ainda mais. Bem como temos a oportunidade de seu oposto, ou seja, fazer uso das tecnologias digitais  inovadoras e viabilizar comunidades mais inclusivas e sustentáveis, onde o acesso a produtos e serviços de qualidade é estendido a muitos.

O Brasil tem provado ser um país capaz de prestar atendimentos de qualidade, desde que para poucos, ou então para muitos, desde que sem garantias de qualidade. Não aprendemos, infelizmente, fazer as duas coisas, qualidade e quantidade, ao mesmo tempo.  Harmonizar bom nível e escala é a mais importante inovação que o país precisa. Em certo sentido, ainda somos arcaicos, avançamos pouco além do que há tempos atrás foi descrito por Gilberto Freyre em “Casa-Grande & Senzala”.

No campo da educação, bem como na saúde, houve avanços, mas eles seguiram a regra da não inovação. Universalizamos em grande escala com má qualidade, bem como registramos, como exceções,  localizados centros de excelências.

Propiciar qualidade para poucos ou então ofertar qualidade precária para muitos não é inovar, é repetir o passado sem graça. Inovar no Brasil de hoje é romper as barreiras que separam a Casa-Grande da Senzala, viabilizando qualidade para muitos.

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segunda-feira, 27 de julho de 2015 Educação e Tecnologia | 11:40

Educação para além das tecnologias digitais

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Houve no passado muita discussão sobre o uso dos computadores em sala de aula. Hoje, os computadores não são mais o que eram, tampouco a sala de aula permanece a mesma. Saímos do espanto e demos lugar ao entranhamento. Ou, como dizia Fernando Pessoa: “primeiro estranha-se, depois entranha-se”.

As tecnologias digitais e seus usos generalizados não convenceram os educadores via argumentos educacionais clássicos. Elas impregnaram a sociedade de tal forma que nenhum setor – incluindo o setor educacional – ficou fora de suas fortes influências. Passada essa fase, os espantados chegaram a uma nova conclusão: “OK, vocês venceram, as novas tecnologias estão aí, não dá para negar, mas elas fazem parte do processo apenas enquanto meio”. De novo, há embutida na afirmação uma provável subestimação do fato: as tecnologias digitais transcendem ser somente meio, elas se pretendem partes integrantes do começo, do meio e do fim.

Educar está ficando progressivamente mais complexo, e não mais simples. É como se, sem abandonar o que do ensino se exigiu antes, outras novas demandas, não menores do que as anteriores, fossem incorporadas. Além dos tradicionais conteúdos, técnicas e procedimentos específicos, o novo conjunto de requisitos educacionais inclui, entre outros itens, habilidades de navegação no mundo da internet em diferentes níveis de profundidade, desde o simples letramento digital até a sofisticada capacidade de desenvolver plataformas. Entre os extremos, reside um conjunto enorme de aplicações de design, modelagem e simulações em áreas específicas, promovendo oportunidades de empregos e de negócios quase sem paralelo na história recente.

Neste contexto, onde ingressamos a passos largos em direção a uma sociedade que se caracteriza por informação totalmente acessível, instantemente disponibilizada e franqueada gratuitamente e sem limites, educar vai além de usar ou agregar tecnologias digitais. Processo ensino aprendizagem e tecnologias digitais se integram, se entranham e não mais se dissociam, como ainda hoje ensino e livro não se separam, tornando obsoleto e sem sentido pensar um sem o outro.

O drama remanescente, mesmo considerando a aceitação, pacífica ou forçada, das novas tecnologias é a percepção acerca do quanto isso implica na necessidade de adotarmos metodologias inovadoras que sejam compatíveis com este novo contexto. As pedagogias tradicionais são, em geral, tentativas de repetir respostas a perguntas que já não são mais as mesmas. Em suma, o impacto das novidades não é somente residual ou periférico, é central, demandando mudanças com radicalidades correspondentes às alterações culturais que o novo contexto social tem provocado.

As tecnologias digitais permitirão o desenvolvimento de portais educacionais capazes de, em conjunto com os professores e as equipes responsáveis pelos desenhos dos cursos, traçar trajetórias acadêmicas especificamente desenhadas para cada um dos educandos, conjugando qualidade e quantidade. Além disso, contribuindo para quebrar paradigmas clássicos como os falsos pressupostos de que quantidade maior impediria personalização e que qualidade só seria possível se fosse para poucos.

Por fim, há que se estar preparado para um mundo educacional onde a clássica e antiga separação entre modalidades presencial e a distância farão parte de um passado cada vez mais distante e totalmente incapaz de responder às demandas por uma educação híbrida, flexível, ao longo da vida e compatível com o mundo contemporâneo.

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terça-feira, 21 de julho de 2015 Educação e Tecnologia | 15:18

Educação neste fabuloso mundo digital

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A maior empresa de taxi do planeta, Uber, não tem nenhum carro na frota. O Facebook, grande provedor de conteúdo, não produz nenhuma informação. O maior ofertante de acomodações do planeta, Airbnb, não dispõe de quarto de hotel. A gigantesca rede varejista Alibaba não tem nada no estoque. As maiores agências de notícias não têm nenhum jornal. Mesmo assim, mentes ingênuas imaginam que educação passará ilesa por esta revolução e aceitamos, iludidos, que as transformações nesta área serão passageiras e superficiais. Ledo engano, as mudanças na educação e nas instituições educacionais serão rápidas, profundas e drásticas.

O comércio eletrônico é uma realidade em todos os países, mas particularmente interessante observar a China, epicentro desta revolução. As impressionantes vendas online chinesas, da ordem de US$ 620 bilhões por ano, já são superiores à soma das respectivas vendas americanas (US$ 380 bilhões) e europeias (US$ 228 bilhões). A China representa um potencial ativo de compras online, especialmente via celulares, provenientes de mais de meio bilhão de entusiasmados usuários. Estamos falando de produtos e serviços, muito além de equipamentos e incluindo, cada vez mais, desde alimentos a conteúdos educacionais.

As universidades mudaram muito pouco nas últimas décadas, seja na China ou no Brasil, mas as tendências são claras, tanto em termos de missões como de produtos e serviços ofertados. O processo ensino-aprendizagem permanece, e assim será sempre, o núcleo central da missão universitária, mas os educandos e os educadores já não serão os mesmos, bem como seus entornos. A revolução digital não é meia revolução. Ela é arrasadora e, ainda que chegue mais tarde em alguns setores, não quer dizer que chegará mais suave.

Há uma função cartorial da universidade de atestar conhecimentos e competências que, curiosamente, deverá não só  permanecer como ser significativamente ampliada. Hoje, as instituições educacionais praticamente só certificam seus próprios alunos, sobreviventes de maratonas de salas de aulas, presenciais ou virtuais, e de provas espalhadas ao longo do tempo, em geral na escala de muitos anos. No futuro breve, as oportunidades de obter uma certificação, seja de disciplinas, cursos ou mesmo de profissões passarão a ser, opcionalmente para o estudante, questão de dias, o que não implica em ser mais fácil. O valor do título será proporcional ao nível de exigência, associado à marca de quem o confere, ou seja, fruto do reconhecimento social da instituição que assina o atestado.

Interessante observar que tal a credibilidade da marca será cada vez menos fruto do investimento em campanhas publicitárias tradicionais e sim o resultado líquido da indicação e reconhecimento coletivo dos usuários, diretos e indiretos, deste processo de certificação. Espaço este no qual as opiniões de amigos e conhecidos nas redes sociais têm papel crucial e definitivo.

Enfim, neste universo digital de docentes assemelhados a designers educacionais e de estudantes permanentes ao longo da vida, as escolas serão basicamente provedoras de conteúdos educacionais múltiplos. E porque o fazem com qualidade, resultado da capacidade de suas equipes, se legitimam para os processos de certificação de competências, tenham tais conhecimentos associados sido adquiridos dentro ou fora da instituição.

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