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Arquivo da Categoria Educação e Tecnologia

sexta-feira, 12 de outubro de 2018 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 10:58

MENSAGEM AOS PROFESSORES

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Educar envolve mais do que transmitir conhecimento. Educação abre as portas para que cada educando desfrute ao máximo daquilo que, potencialmente, todos dispomos: inteligência, entendimento e sabedoria.

Dentre todas as espécies, somos a única que possui a incrível habilidade de transmitir cultura e conhecimento de forma organizada e consciente aos nossos descendentes. Os mais diversos ensinamentos, técnicas e procedimentos eram e são transmitidos pelos mestres aos seus aprendizes, os quais, após ritos de aprendizagem, se transformavam em profissionais e cidadãos mais bem preparados.

E assim tem sido ao longo dos tempos. Nos dias atuais vivemos grandes desafios, especialmente pela abrupta emergência das tecnologias digitais que a tudo modifica e transforma. Educar, mais do que nunca, é emancipar o educando para ser capaz de enfrentar problemas inéditos.

Contemporaneamente, educar é promover a aprendizagem independente ao longo de toda a vida, entendendo que cada educando aprende de maneira única e personalizada e que todos aprendem, em qualquer lugar e o tempo todo. Educar é também entender o outro e fazer algo a partir disso, aprendendo a trabalhar em equipe de forma cooperativa e solidária.

Temos, como educadores, a possibilidade de contribuir para que o educando se emancipe, dominando a arte de aprender a aprender continuamente, gerando as condições para um desenvolvimento econômico, social e ambiental sustentável.

Caros Docentes, Parabéns.

Comemoremos, merecidamente, o Dia do Professor.

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Figura em Domínio Público: http://www.clker.com/clipart-655940.html

 

 

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terça-feira, 18 de setembro de 2018 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Inovação e Educação | 15:07

Os significados das palavras aluno e educador

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O vocábulo “aluno” provém do latim alumnus, significando, literalmente, criança de peito ou aquele que se alimenta de leite. Em outras palavras, um lactante intelectual ou um discípulo. Alumnus ou alumni é proveniente do verbo alere que, em latim, significa alimentar, sustentar, nutrir ou fazer crescer.

 

Erroneamente, alguns textos tratam a palavra “aluno” como sendo a junção do prefixo grego a, que corresponderia a ausente ou sem, e o sufixo luno, derivado da palavra latina lumni, significando luz. Portanto, na incorreta versão, aluno seria aquele sem luz ou sem conhecimento. A falsa etimologia acima é menos inocente do que parece. Trata-se de equívoco que encontrou terra fértil naqueles que veem o aluno como alguém mais passivo no processo educacional. Ao tratá-lo como sem luz, corre-se o risco de findar transformando em fato algo que era, de início, somente uma simples confusão etimológica.

 

Há também uma sutileza complementar, não tão evidente, associada à possível distinção entre aluno e estudante. Embora não sejam conceitos rígidos, tende-se a utilizar o termo aluno para designar aquele que pratica a atividade de assistir a aula; enquanto estudante se refere àquele que pratica a atividade de estudar. No primeiro caso é, essencialmente, uma atividade coletiva e, predominantemente, passiva; no segundo é, fundamentalmente, de caráter mais individual e decorrente de uma postura, necessariamente, ativa.

 

Quanto ao “educador”, é normal ser tratado indistintamente de “professor”, ainda que não signifiquem exatamente a mesma coisa. Professor é, de forma simplificada, o profissional que ensina uma ciência, uma arte, uma técnica, uma disciplina. Educador, por sua vez, transcende as atividades descritas, tendo como responsabilidade inerente a formação integral do educando. O termo “educador” tem origem no vocábulo latim educatore, aquele que cria ou nutre. Todo educador é necessariamente um professor, sem que não obrigatoriamente o contrário seja verdade.

 

Educação, da mesma forma, se diferencia de ensino. O físico Alberto Einstein, falecido em meados do século passado, optou por expressar tal distinção na forma: “educação é aquilo que fica depois que esquecemos o que foi ensinado ou aprendido”. Nesse sentido, educação é um ato que envolve o ser humano holisticamente, contemplando todos os seus aspectos, sejam físicos, cognitivos ou metacognitivos. Nessa perspectiva, o aluno é entendido como um ser dotado de saberes, qualidades e potencialidades, a quem o educador não está restrito a repassar o conteúdo de sua disciplina, mas sim em emancipá-lo à medida que ele é capacitado para aprender contínua e permanentemente ao longo da vida.

 

É possível uma visão pela qual o educador, ele próprio um sujeito em constante processo de aprendizagem, se diferencie do professor tradicional, evitando se considerar o dono do saber e única parte ativa do processo educacional. O educador é capaz de construir, juntamente com seus alunos, um aprendizado dinâmico, nos quais os eventuais erros do educando compõem base fundamental para reflexões e avanços educacionais.

 

As distinções acima abordadas tratam de diferenças que não são simples, tampouco estanques, dado serem partes de processos complexos. O que sabemos é que, no mundo contemporâneo, o ensino tradicional caminha em direção a uma educação híbrida, flexível e permanente. Neste contexto, os conceitos mais apropriados acerca do aluno e do educador irão ganhando sentidos mais claros à medida que educação se torna menos rotina ou repetição e, progressivamente, se transforma em atividade mais próxima da arte, demandando criação em constante evolução.

 

 

 

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Imagem em Domínio Público:

https://pt.freeimages.com/photo/baby-boom-1240639

 

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domingo, 9 de setembro de 2018 Educação e Tecnologia, Inovação e Educação | 12:35

Educação, democracia e êxodo

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Graças à educação, bem como à ciência e tecnologia que dela decorrem, a civilização humana vive, em termos comparativos, seus melhores dias. Seja pela inédita qualidade de vida, mensurada pelo acesso a serviços e produtos, seja desfrutando de mais saúde e, em tese, maior potencial de atingimento de felicidade do que tínhamos no passado. Durante milênios, a expectativa de vida permaneceu estabilizada em torno de 40 anos. No século XX, ultrapassamos os 70 anos e continuamos, neste século, a avançar significativamente. A busca pela razão, guiada pelo conhecimento, tem assegurado um desenvolvimento acessível a uma parcela cada vez maior da população mundial.

 

A democracia, em que pesem suas fragilidades, é o que dispomos, contemporaneamente, de mais avançado e justo socialmente. A Constituição Brasileira traz no seu Art. 1o, Parágrafo único, o que segue: “Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição”.

 

Êxodo é o nome dado para a saída de um grupo de pessoas de uma região para outra. É também o título do segundo capítulo da Bíblia, onde é descrita a fuga dos hebreus do Egito, liderados por Moisés, em direção à Canaã, a “Terra Prometida”.

 

Educação, democracia e êxodo parecem ter marcado um estranho encontro nesta eleição presidencial no Brasil. A polarização política vigente é motivada, principalmente, pela oposição a algo e menos por adesão a determinadas ideias. Ou seja, parcela do eleitorado parece ter mais clareza acerca do que não quer do que o que, de fato, quer. O drama é que por se firmarem mais no “não” do que no “sim”, são eleitores que parecem igualmente tender a sugerir, quase como chantagem, a possibilidade de, caso não sejam vitoriosos, abandonar o país. Ainda que emigrar seja um direito individual ou coletivo inquestionável, o uso desta chantagem é, definitivamente, pouco educado e, no limite, antidemocrático.

 

Educação não é somente o alicerce básico da oportunidade de um desenvolvimento econômico, social e ambiental sustentável; ela é também a melhor ferramenta para enfrentarmos momentos complexos e difíceis. Educação política é aprender a conviver com os antagônicos e, especialmente, aprender a respeitar as orientações assumidas via maiorias constituídas. Mesmo quando elas, eventualmente, nos pareçam equivocadas e desprovidas de nexo.  É hora de lembrarmos que, ao lado de seus defeitos e limites, a democracia permite, usando seus próprios mecanismos, se corrigir ao longo do tempo.

 

Escrevendo no abstrato, que a antecedência do fato permite, entendo que, uma vez eleitos, mesmo quando, eventualmente, contrários em temas substantivos para cada um de nós, eles merecem o reconhecimento geral de legitimidade. Sem prejuízo de garantirmos a todos a oportunidade de continuarem defendendo projetos e ideais diferentes dos eleitos. Acima das peculiaridades de breves momentos históricos, por mais relevantes que eles sejam, há a saga de um país que não pode jamais se deixar vencer. Os fatos serão alimentos para uma educação social consistente de uma nação que permanentemente aprende, de forma solidária e cooperativa.

 

 

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quinta-feira, 30 de agosto de 2018 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 16:08

Saber aprender é mais do que aprender

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Houve um período, em um passado bem recente, em que o domínio de determinado conteúdo, acrescido de alguns procedimentos e técnicas, poderiam ser suficientes para que um profissional atendesse plenamente as demandas daquela época. O modelo de desenvolvimento econômico e social era compatível com tais exigências e as escolas, em todos os níveis, corresponderam às expectativas, cumprindo de forma exemplar o que estava previsto.

 

O drama é que o tempo, inexoravelmente, flui e mudanças drásticas, rápidas e profundas estão em curso, alterando de forma radical esse contexto. As tecnologias digitais apontam, a passos acelerados, para uma sociedade em que a informação estará totalmente acessível, de forma instantânea e basicamente gratuita. Educacionalmente, aquilo que um dia havia sido suficiente permanece necessário, mas novos ingredientes e características adicionais estão presentes com a mesma, ou maior, importância.

 

Na Revolução Industrial e, especialmente, durante o século XX, os predicados de um bom profissional estavam associados aos padrões de produção nos moldes fordistas e tayloristas e nas competências que lhe fossem compatíveis. O mundo contemporâneo apresenta desafios inimagináveis há poucas décadas, passando por um aspecto essencial associado ao processo de aprendizagem. Se o relevante era o que havia sido aprendido, hoje o que mais importa é o quanto o educando aumentou sua compreensão e controle sobre seu próprio processo cognitivo. Ou seja, o incremento do nível de consciência acerca de como ele aprende, permitindo, em conjunto com os demais atores do processo, gerar estratégias educacionais personalizadas que atendam suas particularidades e peculiaridades.

 

Denomina-se metacognição a esse conjunto de abordagens que transcende a cognição simples. As habilidades metacognitivas incluem: i) o conhecimento da cognição, contemplando o conhecimento dos fatores associados ao desempenho na aprendizagem, o domínio de vários tipos de estratégias adotadas para aprender e saber customizar cada estratégia para situações específicas; e ii) a regulação da cognição, dizendo respeito ao estabelecimento de planejamento e metas, monitoramento e controle da aprendizagem e avaliação da própria regulação, especialmente dos resultados e das estratégias adotadas.

 

Em suma, o estímulo para que os educandos reflitam sobre seus próprios processos e estratégias implica em autorreflexão e exigência de aprender trabalhar em equipe, incluindo a prática de entender o outro, desta forma promovendo a aprendizagem colaborativa e independente, indispensável em um cenário de aprendizagem permanente ao longo da vida.  No processo formativo do educando, agregam-se às características tradicionais de natureza mais técnica, um conjunto de elementos socioemocionais, os quais alguns enxergam como sendo uma recuperação de elementos humanísticos em contraposição às ênfases exclusivamente tecnológicas. Tal dinâmica pode, igualmente, ser vista à luz da priorização dos instrumentais metacognitivos (saber aprender) em complemento à versão mais antiga de cognição simples.

 

Do ponto de vista dos empregadores de profissionais de nível superior e do aproveitamento de novas oportunidades de negócios por parte dos próprios formandos, aquilo que se aprende nas abordagens clássicas do ensino superior continua sendo indispensável, ainda que insuficiente, para as atividades do universo profissional atual. No entanto, as abordagens inovadoras que privilegiam as habilidades metacognitivas serão sim as definidoras dos níveis de sucesso desses cidadãos ao longo do cumprimento de suas missões, sejam elas quais forem.

 

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Imagem em Domínio Público, como visto em: https://medicalxpress.com/news/2017-12-mastering-features-individual.html

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segunda-feira, 6 de agosto de 2018 aprendizagem, EaD, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 14:07

Concluintes do Ensino Médio: diminuição ou novos caminhos?

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O número de concluintes do Ensino Médio Regular em 2017, algo em torno de 1 milhão e 780 mil, é 2,6% menor do que o de 2016, 1 milhão e 830 mil, aproximadamente. De fato, são números assustadores em si, porém, não é tão simples indicar que eles, isoladamente, impliquem em retração inevitável de interessados em Educação Superior nos próximos anos. Claro que o desejável seria termos um crescimento contínuo e substantivo de jovens se formando naquele nível, no entanto, há outros fenômenos ocorrendo simultaneamente e que devem ser levados em conta.

 

No último domingo (05 de agosto), foi aplicado o Exame Nacional para a Certificação de Competências de Jovens e Adultos (ENCCEJA), quando 1 milhão e 340 mil inscritos, número 7,6% maior do que no ano anterior, visam a obtenção do diploma de Ensino Médio. Parte significa deles declara a expectativa de, posteriormente, pleitear vagas no Ensino Superior. Assim, é possível observar que a diminuição de formandos no Ensino Médio Regular é compensada pelo incremento, mais do que o dobro de um ano para outro, de potenciais postulantes vindos por um outro caminho.

 

Duas observações preliminares sobre o ENCCEJA. Primeira, o exame é constituído basicamente de quatro partes: matemática; ciências da natureza suas tecnologias; linguagens e códigos; redação; e ciências humanas e suas tecnologias. Segunda, o Exame Nacional de Ensino Médio (ENEM) até 2016 possibilitava o recebimento de diploma do Ensino Médio, sendo que mais de 1 milhão de postulantes ao ENEM atestavam ter tal objetivo como requisito essencial para o ingresso no nível superior.

 

Assim, parte da dinâmica de interesses e opções acima parece estar associada ao relativo e crescente desinteresse dos jovens pelo Ensino Médio Regular na forma que ele é hoje. No passado, os postulantes do ENCCEJA e de seus exames predecessores eram basicamente pessoas maduras que haviam perdido a oportunidade de estudar quando na idade apropriada. Contemporaneamente, é crescente a quantidade de jovens que preferem aguardar completar 18 anos para, via caminhos alternativos, testar seus conhecimentos e, se aprovados, obter seus certificados.

 

Interessante observar que, pela primeira vez, é significativo e crescente o percentual de candidatos ao diploma de Ensino Médio que consegue acesso ao conteúdo do exame via outras formas, que não a escola tradicional. Atualmente, há várias iniciativas inéditas e estão disponíveis um conjunto de atraentes portais educativos de qualidade, parte deles gratuitos e os demais acessíveis a baixos custos. Tais caminhos se mostram cada vez mais interessantes àqueles que expressam compatibilidade com metodologias e tecnologias que permitem ao educando aprender o tempo todo e em qualquer lugar.

 

Não deve surpreender a ninguém que acompanha os processos educacionais no Brasil o fato de que, em poucos anos, o número de matrículas do Ensino Superior na modalidade a distância superará o correspondente no presencial. Da mesma forma e mais enfaticamente ainda, quanto às crianças e os mais jovens, sempre que eles tiverem a opção de explorar novas abordagens educacionais, desde que demonstrem mais compatibilidade com as formas segundo as quais eles vivem, trabalham e se relacionam com amigos e família, parte deles assim procederá.

 

São fenômenos complexos e com variáveis múltiplas. Portanto, na tentativa de simplificá-los, corremos o risco de gerar interpretações equivocadas ou demasiadamente parciais. Porém, parece inequívoco que, em geral, a tendência aponta para um sucesso educacional relativamente maior via a adoção progressiva de metodologias híbridas e flexíveis. Ou seja, a partir da incorporação apropriada de tecnologias digitais, é possível propiciar um ensino personalizado, mais atraente e eficiente. Desta forma, temos a oportunidade de cumprir com os objetivos de uma educação de qualidade para muitos, propiciando que todos estudem, desde que atendendo à indispensável customização que leva em conta o fato de que cada educando aprende de maneira pessoal e única.

 

 

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Imagem em Domínio Público: https://pixabay.com/pt/on-line-educa%C3%A7%C3%A3o-tutorial-3412473/

 

 

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sexta-feira, 20 de julho de 2018 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior | 08:18

Educação: mais recursos versus melhor gestão

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O relatório “Aspectos Fiscais da Educação no Brasil”, divulgado pela Secretaria do Tesouro Nacional do Ministério da Fazenda no último dia 06 de julho, aborda tema pertinente e estratégico para o país. O investimento brasileiro em educação, da ordem de 6% do Produto Interno Bruto (PIB), é comparado com a média de investimentos de 5,5% do PIB dos países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

 

A iniciativa é meritória e os números são precisos; mesmo assim, corre-se o risco de tentar justificar investir menos em educação porque a gestão precisa ser melhorada. Tal raciocínio é tão inadequado como desprezar inadiáveis melhorias de gestão antes que sejam assegurados mais recursos para a área. Mais investimentos, aprimoramentos na gestão e corretas definições de prioridades são missões urgentes e precisam ser realizadas de forma simultânea e sincrônica. Em educação, restringir recursos é mortal, porque asfixia definitivamente, e ser desleixado com a implementação imediata de padrões de eficiência e eficácia são, igualmente, crimes de lesa-pátria.

 

O papel essencial dos processos de aprendizagem é emancipar o educando, preparando-o para a vida, em todas as suas dimensões. Uma das funções estratégicas da educação é garantir força de trabalho qualificada, tal que os produtos e serviços de um país possam ser competitivos globalmente. Dispor de uma geração educada garante ambientes domésticos que favorecem o processo de aprendizagem da próxima.  Nações com carências educacionais maiores, como é o caso do Brasil, demandarão, naturalmente, mais investimentos do que a média de seus principais competidores. Assim, em um cenário onde a população adulta é educacionalmente frágil, o Estado se sobrecarrega em sua tarefa de garantir condições adequadas aos mais jovens.

 

O relatório destaca que da despesa primária da União com educação (R$ 117,2 bilhões em 2017) quase 70% é destinado ao ensino superior e o restante à educação básica. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira (LDB), Lei 9394/96, estabelece que a educação básica é prioritariamente responsabilidade de Estados e Municípios, em regime de colaboração, e com assistência da União. Define também que a União incumbir-se-á dos processos regulatórios das instituições de educação superior e o estabelecimento do seu sistema de ensino. Assim, na prática, o aumento da proporção na arrecadação da União dos investimentos em educação de 4,7% para 8,3% entre 2008 e 2017, embora tenham impactado positivamente a educação básica, migraram principalmente para a manutenção do ensino superior. Infelizmente, o crescimento dos investimentos da União em relação ao PIB neste período, de 1,1% para 1,8%, não foi acompanhado na mesma proporção pelos Estados e Municípios.

 

O drama nacional é que, embora tenhamos registrado significativos avanços quanto à oferta de vagas em todos os níveis de ensino, permanecemos com deficiências extremas e ocupamos as últimas posições nas avaliações internacionais. A título de exemplo, no Pisa (Programme for International Student Assesment), promovido pela OCDE e dirigido a jovens na faixa dos 15 anos, estamos, entre 70 países participantes, na 63ª posição em ciências, 59ª em leitura e 66ª em matemática. São, de fato, resultados alarmantes e inaceitáveis para um país com o potencial que o Brasil tem e que precisa promover imediatamente um desenvolvimento econômico, social e ambiental sustentável.

 

O relatório, ainda que pertinente em sua temática, demonstra um preocupante viés ao estabelecer enquanto principal desafio o aprimoramento da gestão nos processos educacionais. O risco evidente é findar sendo mais uma explicação para cortes de investimento e menos reflexões em direção a uma visão sistêmica que vise a conjugar esforços de mais recursos acompanhados de melhorias nos processos de gestão. Em suma, investir mais e melhor é decifrar o falso dilema entre dois aspectos que não se contrapõem. Ao contrário, são interdependentes, complementares e caminhos essenciais para que tenhamos alguma perspectiva de futuro enquanto nação.

 

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Figura disponível em: https://dcvitti.com/2018/07/06/o-que-a-biblia-diz-sobre-o-capitalismo/

 

 

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segunda-feira, 9 de julho de 2018 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Inovação e Educação | 11:20

Vantagens de trabalhar com educação

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Toda forma de trabalho é válida. Qualquer trabalho honesto é nobre. Mesmo assim, nem todos os ofícios são iguais; algumas tarefas parecem ser mais prazerosas e positivamente diferenciadas. Entre os trabalhos distintos, destaco educação.

 

Nada há de errado em vender produtos e serviços. Mesmo assim, se vendo alimentos, por exemplo, eles podem fazer bem ou mal. Se ingeridos em quantidade excessiva, podem engordar e prejudicar a saúde. Se meu negócio é vender automóveis, ainda que uns sejam melhores do que outros, todos, em algum nível, poluem e geram congestionamentos, além de causarem prejuízos, às vezes fatais, em casos de acidentes. A atividade no mercado financeiro, emprestando dinheiro e garantindo créditos, busca resolver problemas e promover o desenvolvimento. Ela pode dar certo e ser útil, mas pode dar errado e findar sendo catastrófico. Em certas situações só agrava a dificuldade inicial do cliente, transformando pagar o próprio empréstimo no grande drama do futuro.

 

Há inúmeros outros exemplos de produtos e serviços que se caracterizam por terem mais valor quanto mais raros e exclusivos forem, em geral, vendendo a exclusão dos demais. Por sua vez, educação é um dos poucos serviços (saúde é outro) onde mesmo quem não o adquire ganha também. Quem dela desfruta jamais viverá a circunstância de tê-la em demasia, mesmo porque chamar alguém de excessivamente educado é um elogio. O convívio em um ambiente onde todos tiveram acesso à educação não gera poluição de conhecimento ou acidentes. Até mesmo alguém que despreze educação será um privilegiado se puder desfrutar das oportunidades geradas por uma comunidade que valoriza e estimula educação.

 

O papel essencial dos processos de aprendizagem é emancipar o educando, preparando-o para a vida, em todas as suas dimensões. Uma das funções estratégicas da educação é garantir força de trabalho qualificada, tal que os produtos e serviços gerados possam ser competitivos, promovendo um desenvolvimento econômico, social e ambiental sustentável.

 

No ofício docente não cabe ao professor distribuir um montante limitado de conhecimento aos seus educandos. Ensinar a um não tira de quem ensina e é ilimitado a quem aprende, sejam os aprendizes quantos forem. Quando um aprende, os demais também ganham, especialmente quem ensinou, que aprende a ensinar cada vez melhor. Aprender mais não retira do que já se sabe ou de quem já sabe.

 

Educação no mundo atual, diferentemente do passado próximo, é a principal ferramenta em qualquer circunstância. Esqueça das armas, pense no conhecimento como sendo o mais efetivo instrumento de sobrevivência nas guerras contemporâneas. O único risco da educação é a sua ausência ou deficiência, ou seja, não dispor de escolaridade suficiente é caminho quase inevitável para o sofrimento e a pobreza, material e espiritual.

 

Uma pessoa educada, pelos seus comportamentos, hábitos e posturas ganha imediato respeito de todos, em qualquer lugar e sempre. Dinheiro, fama e poder também geram sentimentos parecidos, mas não iguais, dado serem circunstanciais e não perenes, além de não necessariamente sinceros.

 

No passado, ser da família com posses determinava automaticamente o futuro dos filhos. Hoje, os melhores empregos e oportunidades de negócios estão abertos a quem estuda e aprende, adquirindo conhecimento ao longo de toda a vida, seja rico ou seja pobre. E quanto mais se estuda, mais amplas as possibilidades de sucesso, de forma abrangente e ilimitada.

 

Por fim, e não menos importante: educação faz amigos. Os mais sinceros e duradouros relacionamentos são lastreados pela admiração por quem o outro é. Ainda que dinheiro e beleza pareçam concorrer no mesmo sentido, lembremo-nos que ambos são bem menos perenes do que o conhecimento adquirido e naquilo que nos transformamos em função dele. Refletindo o apreço pela educação, nada mais charmoso e atraente do que a inteligência.

 

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terça-feira, 26 de junho de 2018 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 14:52

Nômades digitais: desempregados, sem-teto e felizes

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A revolução decorrente da onipresença das tecnologias digitais está progressivamente alterando elementos essenciais do mundo do trabalho e modificando as formas como moramos e como convivemos. Expressões dessas mudanças são os novos espaços urbanos delas decorrentes. Entre eles, surgem, com grande destaque, as experiências de coworking e de coliving.

 

Coworking, de forma resumida, traduz um novo ambiente de trabalho, a partir do qual pequenas empresas e profissionais autônomos se relacionam com seus clientes, seus fornecedores e estabelecem laços entre si. São espaços democráticos compartilhados que permitem o desenvolvimento dos mais variados projetos sem as burocracias e as hierarquias dos escritórios convencionais e sem padecer do isolamento do chamado home office.

 

Oferecer uma adequada infraestrutura similar aos escritórios convencionais, incluindo todas as formas de atendimento e salas para receber clientes, é somente o ponto de partida de empreendimentos como esses. Acresçam-se a isso, ambientes inspiradores, especialmente pensados para o trabalho autônomo, a possibilidade de novos relacionamentos e a garantia de oportunidade de diversão a todos.

 

Os coworkings crescem a olhos vistos. No Brasil, já são centenas; no mundo, milhares. A título de exemplo, a empresa WeWork, fundada há somente oito anos, já é a segunda maior usuária de espaços de escritórios em Londres, perdendo apenas para o Governo Britânico. O sucesso dos coworkings não decorre somente de criatividade, mas, fundamentalmente, do fato que migramos de um modelo de desenvolvimento econômico, social e ambiental que demandava profissionais especialistas para um novo cenário onde o principal predicado é a flexibilidade. Ser flexível, em geral, passa por ter uma formação universitária que permita ao profissional encarar qualquer desafio sem o temor de decifrá-lo e cumpri-lo. Ter flexibilidade também é ter a disponibilidade de migrar de uma cidade para outra, bem como a habilidade de executar as tarefas em ambientes semelhantes aos que os espaços de coworking oferecem.

 

Por sua vez, os espaços coliving representam o estado da arte do hábito humano de viver em comunidade, desde as eras mais longínquas. A convivência em tribos e clãs foi sendo, progressivamente, adaptada à vida urbana e ao aumento da densidade demográfica. Atualmente, nesta etapa da história, há uma tendência em se questionar se ainda vale a pena manter uma moradia particular, com altos gastos e pouca socialização. Surge a alternativa de derrubar paredes, enfrentando a crise da falta de espaços físicos, e questionar os ideais de individualização e a falta de racionalidade dos modelos vigentes.

 

O conceito de coliving, que estimula a integração, a sustentabilidade e o espírito de colaboração, remonta ao início da década de 1970 com a experiência dinamarquesa do Cohousing Saettedammen. Tratava-se de uma comunidade com 35 famílias, na Dinamarca, onde as moradias permaneciam privadas e os demais espaços de convivência e atividades, como refeições e limpeza de ambientes eram compartilhados, com o objetivo de estimular o relacionamento entre vizinhos. Em 1988, o arquiteto norte-americano Charles Durrett adotou a mesma perspectiva sustentável em seus empreendimentos. Ainda que em outro contexto, o coliving apresenta algum nível de semelhança com as tradicionais repúblicas de estudantes, resguardadas suas diferenças de tempos e propósitos.

 

A combinação do coworking com o coliving estimula que trabalho, relacionamentos e entretenimento sejam frutos de compartilhamentos sem barreiras ou fronteiras estanques. Lar, escritório e clube num pacote único somado ao fato que podemos migrar a cada mês, semestre ou ano de um ambiente para outro a milhares de quilômetros sem burocracia ou perda de tempo com novos ajustes. Considerando que a tendência nas atividades profissionais inclui não somente a diversidade de ocupações, mas também a multiplicidade de oportunidades de moradias em cidades distintas, denominou-se esta geração movida a coworkings e colivings de “nômades digitais”.

 

É ainda um pouco cedo, talvez ingênuo, para termos uma opinião definitiva sobre os desdobramentos dessas novas maneiras de viver. Por enquanto, sabemos apenas que esses nômades digitais aparentam estar felizes. Quem viver verá.

 

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Foto: Empresa WeWork, citada no texto, em Ipanema, Rio de Janeiro-RJ, Brasil. Ver link:

https://www.wework.com/pt-BR/buildings/ipanema–rio-de-janeiro

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domingo, 3 de junho de 2018 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 17:16

Educação: quando tudo ainda é pouco

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Educação tem uma propriedade quase única no rol de produtos ou serviços em geral. Alimentos, por exemplo, quando ingeridos em excesso podem fazer mal. Automóveis, a partir de uma certa concentração, geram engarrafamento e poluição. Dinheiro, em qualquer moeda, aumenta seu valor à medida que falte aos demais, atendendo ao pressuposto da valorização pela exclusividade ou baixa disponibilidade.

 

Educação segue a lógica contrária. Quando alguém é educado, individualmente a pessoa ganha, mas a comunidade à qual ela pertence é mais favorecida ainda. Ao sermos educados, um não tira do outro quando aprende ou ensina. Por outro lado, é certo que todos são prejudicados pela ausência de educação ou pelo ensino de má qualidade.

 

Além disso, não há nenhum antídoto melhor contra a violência do que pessoas educadas. Polidez gera gentileza, bem como agressividade promove brutalidade. Da mesma forma, a falta de emprego decorre, na maioria dos casos, da falta de escolaridade, evidenciada pelo fato de que o desemprego mais crônico está associado a lacunas nas competências e habilidades demandadas.

 

Mesmo sendo uma nação privilegiada em recursos naturais, o Brasil não consegue promover um desenvolvimento sustentável. Cresce, mas alterna ciclos de euforias com frustrações. Provavelmente, a mais relevante causa da não sustentabilidade do desenvolvimento é a baixa produtividade em geral. Há evidências de que o aumento da educação média da população traz reflexos imediatos para a qualidade de vida, gerando oportunidades de empregos e de negócios, e, consequentemente, maior competitividade global dos produtos e dos serviços de uma região.

 

Na área educacional, tudo que tem sido feito, na prática, é ainda muito pouco. Ressalte-se que tivemos avanços, ainda que insuficientes, tais como o aumento da percentagem do PIB na educação pública de 2,9% para 5,6% em uma geração, redução de 35% para 7% de crianças de 4 a 14 anos fora de escola e o analfabetismo adulto decresceu de 25% para 8% nesse período. No ensino superior, programas como PROUNI e FIES têm viabilizado que milhões tenham acesso às universidades. Mesmo assim, em que pesem esses resultados, educacionalmente, estamos muito aquém de outros países com os quais teria algum significado compararmos.

 

Há que, urgentemente, estabelecermos novas estratégias com focos mais claros, cujos impactos resultantes sejam, ao longo do tempo, mais efetivos. Uma proposta, de caráter complementar e não excludente de outras, seria estabelecer um ponto de corte etário, baseado em uma política pública de atenção diferenciada aos mais jovens, e que, progressivamente, atinja a todos os educandos em um futuro adiante.

 

O Art. 81 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei nº 9.394/1996) estimula a organização de cursos ou instituições de ensino experimentais. Dentro desse espírito, seria possível estabelecer um abrangente programa experimental, articulado entre todos os sistemas educacionais, via a adoção de práticas amparadas em flexibilidades e prerrogativas especiais. A título de exemplo, no primeiro ano de sua implantação, seria conferida atenção diferenciada somente à primeira série do ensino fundamental. Como orientação aos gestores escolares, os melhores professores e infraestruturas disponíveis seriam garantidos para esta série e recursos adicionais extraordinários seriam, especialmente, dirigidos a essas turmas.

 

Entre outras diversas ações, em função de uma convocação cívica nacional, atividades complementares no contraturno seriam desenvolvidas por profissionais voluntários com nível superior. Estes seriam selecionados e ficariam responsáveis por ações definidas pelas direções locais das escolas, em consonância com orientações gerais do programa. Ilustrando, um dentista voluntário poderia abordar, complementarmente, elementos de saúde e biologia, um engenheiro contribuições adicionais na matemática, artistas abordariam temas nas áreas de cultura e artes etc.

 

No ano seguinte, manter-se-ia o foco nas turmas inicialmente selecionadas, já agora na segunda série, e seriam incorporadas, com a mesma qualidade, as novas turmas do primeiro ano. Ao final de menos de uma década, teríamos formado uma nova geração educacional, agora frequentando o ensino médio, incluindo o profissionalizante. Ao se completar uma década e meia, estaríamos colhendo os devidos frutos no nível superior.

 

O único real privilégio destas novas gerações, diferenciadamente educadas, será carregar nos ombros o compromisso de colaborar para um desenvolvimento econômico, social e ambiental sustentável.

 

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Foto: Própria, vista da Universidade de Salamanca

 

 

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domingo, 27 de maio de 2018 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 16:58

O eixo do tempo na educação

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A seta do tempo é ainda um mistério para a ciência. As equações fundamentais da natureza são reversíveis, possibilitando irmos para frente ou para trás, sem ofendê-las. No mundo real, os processos se desenvolvem no sentido do passado para o futuro. Tal anisotropia temporal está ligada ao grau de desorganização do sistema, quantificada na termodinâmica por uma propriedade denominada entropia. Ao longo do eixo do tempo, a entropia média sempre aumenta.
Quanto à nossa percepção, vista do ponto de vista do tempo presente, é natural que observemos, contemporaneamente, marcas remanescentes de um passado, que insiste em não ir embora, convivendo com elementos de um futuro que ainda não chegou completamente.

 

Recentemente, estive participando de um evento na Espanha, celebrando os 800 anos da Universidade de Salamanca, que é uma das mais antigas universidades do mundo e referência de destaque na formação do pensamento ibero-americano. Restam poucas dúvidas que a instituição comemorará, daqui a dois séculos, o seu milênio com os mesmos louros e méritos de ser guardiã permanente das tradições e dos valores mais caros da comunidade acadêmica. No entanto, ela não está imune aos desafios dos tempos atuais, onde mudanças abruptas e radicais, inéditas em sua profundidade e na rapidez com que ocorrem, produzem impactos significativos em como ensinamos e promovem o surgimento de múltiplas formas surpreendentes de aprendizagem.

 

Tive a oportunidade de assistir naquela instituição quase milenar a uma mesa-redonda com seis educadores seniores apresentando suas visões quanto ao emergente mundo digital. Seus slides, em geral, com letras miúdas, reproduzindo quase literalmente os textos lidos, ilustram em termos de meios as mensagens proferidas. Salvo exceções, eram bem-intencionados analógicos tratando do inusitado digital. Por mais que percebessem as alterações em curso no presente, suas abordagens, naturalmente, expressavam, na forma e no conteúdo, seus conceitos enraizados em referências do passado. Respeitáveis valores e tradições que tornam difícil enxergar, com clareza, todos os elementos do futuro que já se começou. São olhares honestos e competentes que priorizam tentar reorganizar o passado e o presente mutantes, os quais insistem em não nos deixar.

 

É ilusão imaginar que as abordagens educacionais comumente adotadas para formar profissionais até recentemente permaneçam válidas, sendo suficientes pequenos ajustes acrescidos da incorporação de algumas tecnologias. Muito além do domínio simples de conteúdos circunscritos em programas fixos e transcendendo as séries previsíveis de técnicas e procedimentos, o desafio agora é preparar ao desconhecido, envolvendo, especialmente, habilidades e aspectos comportamentais não previstos antes.

 

Vivemos ou, gradativamente, passaremos a viver em uma realidade onde a informação estará totalmente acessível, instantaneamente disponibilizada e, basicamente, gratuita. Cada vez é menos relevante o que se aprendeu frente a ter explorado as possibilidades de ampliar a capacidade de aprender continuamente, ao longo da vida, o aprender a aprender. A cognição tradicional e suas diversas metodologias associadas dão espaço às abordagens metacognitivas, onde o centro é ampliar os níveis de consciência dos próprios educandos acerca de como eles aprendem. Dos debates acercas de pedagogias adotadas para todos, indistintamente, enfrentamos a complexa tarefa da construção de uma educação híbrida e flexível, onde todos os educandos aprendem, aprendem o tempo todo e cada um de maneira única e personalizada.

 

Os educadores, legitimamente, se expressam a partir dos seus referenciais, ancorados em suas tradições e refletindo suas experiências. É certamente tarefa difícil entender a migração de uma avaliação baseada na dicotomia entre o saber versus o não saber à luz de uma realidade emergente onde o mais relevante é saber decifrar realidades complexas, solucionar problemas e cumprir missões. Para quem tem valores cristalizados quanto a mensurar o conhecimento aprendido não é nada simples descobrir que passam a ser considerados, com pesos iguais ou mesmo preponderantes, atributos adicionais como saber trabalhar em equipe ou capacidade de compreender o outro.

 

A dificuldade essencial está na encruzilhada de tentar entender o presente com os mesmos instrumentos do passado ou ousar pensar o futuro com menos amarras tradicionais, as quais, embora importantes, tendem a eclipsar a visibilidade do que está por vir. Estacionados no presente do eixo do tempo, há que se escolher priorizar enxergar aquilo que os faróis iluminam à frente ou, alternativamente, manter os olhos fixos no retrovisor.

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