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sexta-feira, 23 de junho de 2017 aprendizagem, EaD, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 02:58

IGC, por detrás dos números: a Universidade Estácio de Sá

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unesa

 

Em complemento ao texto anterior (“Considerações preliminares”), neste artigo abordo o caso específico da Universidade Estácio de Sá (UNESA). Trata-se de instituição de ensino superior privada fundada em 1970 no bairro Rio Comprido, na zona central do Rio de Janeiro. Inicia-se com uma Faculdade de Direito e hoje contempla todas as áreas do conhecimento, com mais de duas centenas de milhares de matrículas, em cursos de graduação ou de pós-graduação, ofertados nas modalidades presencial e a distância, e com cinco programas de mestrado ou doutorado com conceitos CAPES 4 ou 5.

 

A história da Estácio é repleta de momentos significativos, com destaque para o pioneirismo de seu fundador, Dr. João Uchoa, que soube entender na época as demandas da classe média emergente por ensino superior, atendidas por instituições espalhadas nos moldes multicampi, ocupando os espaços educacionais, até então vazios, entre os locais de trabalho e as residências. Posteriormente à fase de controle familiar da instituição, há um capítulo importante dedicado à reestruturação promovida pelo grupo GP Investimentos, já ancorada em filosofias e procedimentos típicos de empresas de capital aberto. Por fim, merece destaque a sua história mais recente, com início ao final de dezembro de 2015, com a crise do FIES, até o momento em que a Estácio se prepara para processo de fusão ainda em curso.

 

Se a história da empresa é complexa e difícil de resumir (nem seria eu a pessoa mais indicada para fazê-lo), a biografia acadêmica, medida pelos indicadores acadêmicos Índice Geral de Cursos (IGC) e Conceito Preliminar de Curso (CPC), parece ser mais clara, dado que sistematicamente progressiva e sustentável até os dias atuais. Em 2009, o IGC de 1,99 (IGC discreto 3, limite inferior) colocava a UNESA à beira de um conceito 2, considerado insatisfatório pelo MEC. Em seguida, de 2010 a 2014, a instituição apresenta um crescimento sustentável com IGC contínuos de 2,05, 2,10, 2,46, 2,46 e 2,65, respectivamente. Aquilo que era tendência até 2014 torna-se uma evidência de sucesso em 2015, quando a maioria da base geral de alunos formandos realizou o ENADE, gerando o surpreendente resultado de IGC contínuo de 3,10. Na terminologia da área, pela primeira vez, um conceito 4 “gordo”, refletindo um crescimento de 17%, o que é mais surpreendente se considerado o ciclo trianual, implicando em um crescimento real ano contra ano bem maior do que esse, se considerada somente a comparação entre os resultados de 2012 (agora descartados) com 2015.

 

Instituições grandes (aquelas com centenas de milhares de matrículas) tendem, mesmo quando boas, para o conceito 3, em média. Além disso, há que se lembrar que na modalidade educação a distância (EaD) todos os polos espalhados pelo país contam como se todos os formandos estivessem no Rio de Janeiro e seus resultados são computados na UNESA. Em suma, uma instituição gigante e com metade de sua base de alunos na modalidade EaD raramente poderia sonhar com conceito 4.

 

O destaque ainda mais espetacular é que se, por ventura, levássemos em conta somente os formandos na modalidade EaD (especulativo), o resultado teria sido ainda melhor (IGC contínuo de 3,50, portanto, em direção ao conceito máximo 5).  No exercício de simulação citado acima, onde são mantidos todos os demais insumos, são excluídos os formandos presenciais, restando na graduação somente os formandos EaD, resulta que entre mais de 150 instituições credenciadas para EaD, a UNESA ficaria no IGC contínuo em quinto lugar no país. Cumpre observar que as quatro que a superam, nominalmente: FGV/Rio, Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e do Mucuri, SENAC/SP e Universidade Federal Fluminense, contaram com relativamente poucos alunos matriculados nos respectivos cursos. Todos os quatro citados com menos de vinte vezes o número de alunos da UNESA. Como responsável direto pela área de EaD na Estácio em 2015, insisto, uma vez mais, que o mérito especial da modalidade a distância é a sua capacidade potencial de conjugar qualidade com quantidade.

 

Há que se considerar também que no último resultado liberado o Índice de Diferença entre os Desempenhos observado e esperado dos formandos (IDD) foi basicamente calculado levando em conta os resultados do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) do próprio estudante, permitindo a correta aferição e na devida escala. Ou seja, anteriormente, um cálculo artificial de média era adotado por insuficiência de dados específicos, o que foi recentemente facilitado pelo grande contingente de alunos fazendo o ENEM a partir de 2010 e 2011. A adoção mais rigorosa deste indicador tende a favorecer as instituições, como a UNESA, que trabalham com ingressantes, em média, com maior deficiência de formação anterior e desfavorecer aquelas instituições que tipicamente atraem concluintes do ensino médio com relativamente melhores resultados no ENEM.

 

Isoladamente nenhum dos argumentos acima explicaria o significativo avanço observado à luz desses indicadores na UNESA. O essencial certamente foi a melhoria real da qualidade da educação ministrada, um trabalho coletivo e de longo prazo que elevou consistentemente cada indicador. Porém, outras medidas adicionais adotadas devem ser consideradas. Assim, no próximo e último artigo da trilogia destaco a relevância de terem sido especialmente considerados alguns aspectos socioemocionais dos formandos atendendo ao exame ENADE a partir de 2015.

 

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Foto: Formandos de Medicina da UNESA 2015

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domingo, 11 de junho de 2017 aprendizagem, EaD, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 12:01

Educação: muitas perguntas e algumas respostas*

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1. Como as escolas vêm lidando com as tecnologias digitais nos dias de hoje?

 

As tecnologias digitais invadiram a secular instituição escola de fora para dentro, sem que as escolas tivessem o devido tempo para se preparar.  Assim, em consequência, os desafios são enormes.

Caminhamos a passos largos para um mundo de educação permanente ao longo da vida e onde a informação está, cada vez mais, totalmente acessível, instantaneamente disponibilizada e basicamente gratuita. De alguma forma, todos seremos estudantes para sempre e a informação em si o mais barato e vulgar dos produtos ou serviços.

Uma das mais relevantes consequências da preponderância das tecnologias digitais é que, do ponto de vista metodológico, observamos uma mudança progressiva de foco em direção a privilegiar as chamadas competências metacognitivas, incluindo as habilidades transdisciplinares e socioemocionais. Entre as características metacognitivas, destaco, a título de ilustração, aprendizagem independente, solução de problemas complexos, perseverança, resiliência, autocontrole emocional e cumprimento simultâneo de multitarefas em equipe. Tais predicados são especialmente relevantes em missões envolvendo pensamento crítico, capacidade analítica, uso do método científico, comunicação, colaboração, criatividade, empreendedorismo, empatia, cordialidade, respeito e gestão da informação e de emoções.

 

2. E isso é fácil de ser adaptado em escolas particulares. Mas, e as escolas públicas? Como podem ser adaptadas?

 

Sobre a questão mais relevante a ser enfrentada, creio que tanto faz a escola ser pública ou privada. Tão ou mais relevante do que aquilo que foi aprendido (associado genericamente à cognição ou ao aprender simples) é o amadurecimento da consciência, por parte do educando, acerca dos mecanismos segundo os quais ele aprende (metacognição ou o sofisticado aprender a aprender). Tais estratégias educacionais passam por enfatizar elementos motivacionais, incluindo atenção especial a trabalhos colaborativos (capacidade de produzir em equipe) e em aspectos interdisciplinares (habilidade de estabelecer conexões entre diversas áreas do saber), acrescidos de relevância de comportamentos como tolerância e compaixão (empatia aplicada, isto é, entender o outro por se colocar na posição do outro e agir em função disso). São também relevantes os estímulos à visão empreendedora (criativa conjugada com exequibilidade e sustentabilidade) e o especial domínio de linguagens e de plataformas digitais.

 

3. E esse modelo de escola do futuro que vem surgindo e ganhando espaço no Brasil?

 

A escola do futuro deve dar respostas hoje para temas que estão presentes desde ontem e continuam sem respostas satisfatórias. Educar tem se tornado mais complexo porque abarca o imprescindível conteúdo acadêmico, mas introduz, adicionalmente, novas exigências e perspectivas. Atitudes, comportamentos e posturas são elementos transversais presentes nos processos de aprendizagem de praticamente todas as áreas do conhecimento e em todas as suas fases.

No passado recente, a formação de um profissional estava bastante centrada na aquisição de um conjunto razoavelmente bem delimitado de conteúdos previamente estabelecidos, somado a uma série conhecida de técnicas e procedimentos. Essa formação era considerada razoavelmente suficiente para atender as demandas previsíveis de um modelo de desenvolvimento econômico predominante no século XX. Na perspectiva Fordista/Taylorista, tal profissional findava atendendo ao mercado, gerando cidadãos minimamente satisfeitos. Não mais. O mundo mudou rapidamente, os principais desafios contemporâneos apresentam ingredientes basicamente imprevisíveis.

Aprender a aprender passa a ser tão ou mais relevante do que simplesmente aprender. Mais relevante do que o conteúdo aprendido é a percepção acerca de como se aprende. Em um mundo de educação permanente ao longo da vida, a formação metacognitiva se constitui em um diferencial significativo na capacidade dos futuros profissionais de enfrentar os problemas que lhes serão apresentados pela sociedade contemporânea.

 

4. Mesmo com toda essa tecnologia, os jovens ainda enfrentam graves problemas em redes sociais, como erros de português e falta de entendimento de textos. Como as redes sociais podem se tornar aliadas na educação?

 

As tecnologias digitais, suponhamos, podem ser o veneno. E, de fato, às vezes, são mesmo. Mas é do próprio veneno que se produz o antídoto a ele, assim como se faz com cobras peçonhentas. Há que se explorar metodologias inovadoras, acompanhadas das novas tecnologias, que contribuam para que nossos jovens e crianças leiam mais, escrevam mais e melhor, bem como sejam capazes de entender – e bem – textos complexos. Entendo que explorar a metacognição vai além dos procedimentos usuais de transmissão simples do conhecimento, privilegiando a curadoria precisa e eficiente do conteúdo digital a ser disponibilizado e a adoção de abordagens emancipadoras, especialmente aquelas baseadas em aprendizagem independente.

Cabe ao educador ampliar as competências e habilidades que habilitam o educando a enfrentar, sem medo, as imprevisíveis novas realidades. Preparar os docentes para explorar essas especiais capacidades é um dos maiores desafios da educação contemporânea e ainda estamos aprendendo a formar adequadamente tais professores. O drama é que temos pouco tempo e estamos atrasados. Esse educador é imprescindível imediatamente para a geração de profissionais e cidadãos aptos a colaborarem com uma sociedade mais justa e harmônica, com desenvolvimento econômico, social e ambiental sustentável.

 

5. Portugal é um país que vem se destacando na educação e um dos métodos utilizados é a memorização. O senhor é a favor desse método?

 

Portugal tem enfrentado bem seus problemas, dentro de sua realidade e acho fundamental que conheçamos profundamente suas soluções preliminares. No entanto, isso não quer dizer copiá-los acriticamente, tampouco desconhecer as diferenças, incluindo que a escolaridade dos pais em Portugal é superior à escolaridade média dos pais brasileiros.

Mais do o esforço da memorização, creio que a realidade brasileira sugere particularmente estimular a criatividade, a capacidade de enfrentar problemas e o desenvolvimento de resiliência. A maioria das metodologias educacionais, envolvendo os respectivos procedimentos e abordagens, tem tradicionalmente adotado como objetivo central evitar os tropeços dos alunos. Fundamentalmente, o ensino tradicional, ao informar, o faz para que o educando acerte e evite, a qualquer custo, os erros. De forma resumida, ter sucesso, normalmente, quer dizer não levar tombos, sabendo responder as questões corretamente e completando positivamente e no menor tempo possível os desafios apresentados.

A título de exemplo, num teste padrão de múltipla escolha interessa, em geral, somente a resposta certa, sendo que, usualmente, as respostas erradas nada mais são do que respostas erradas. A educação contemporânea, no contexto dos usos adequados das tecnologias digitais, diverge frontalmente de tal postura. Atualmente, tendemos a aproveitar tanto a resposta certa, valorizando o aprendido, como a resposta errada, como elemento que ilumina os caminhos de superação das deficiências. Os erros, potencialmente, podem dizer mais sobre o educando do que o acerto eventual.

Os modelos padrão e suas práticas usuais de ensino têm sobrevivido porque níveis razoáveis de sucesso puderam ser observados no passado, gerando a expectativa de que, provendo informações com competência e evitando os tropeços, teríamos solução educacional também para o presente e, eventualmente, até mesmo para o futuro. Nada mais ingênuo. Os velhos tempos, onde razoáveis eficiências e eficácias educacionais foram observadas, se caracterizam, principalmente, pela previsibilidade do mundo do trabalho, por demandas profissionais bem estabelecidas e futuros próximos razoavelmente conhecidos. Os novos tempos apresentam mudanças profundas, implicando em desafios inéditos, onde o ensino tradicional, tal como o praticamos, dá mostras claras de incapacidade de decifrá-los ou resolvê-los.

Entre as rápidas mudanças em curso está aquela que torna progressivamente a informação o produto mais disponível e o mais barato da atualidade. O surgimento de uma sociedade em que a informação está totalmente acessível, instantaneamente disponibilizada e gratuitamente adquirível traz consequências educacionais ainda não assimiladas e, por vezes, sequer percebidas. As ênfases e os focos demandam imediatas mudanças, em especial deslocando o centro do processo de aprendizagem baseado no simples saber, enquanto ser informado, em direção ao complexo saber resolver, baseado na informação assumida como completamente disponível, instantânea e gratuita.

Mais do que o simples acesso à informação, gerir corretamente o conhecimento disponível, trabalhar em equipe e assim decifrar e resolver os problemas passam a ser atitudes fundamentais, tanto no mundo profissional como no dia-a-dia. O ensino segmentado e com terminalidades definitivas dá lugar à educação permanente ao longo da vida, onde o aprender a aprender é mais relevante do que o aprender em si. Mais importante do que aquilo que foi aprendido é ampliar a consciência e o domínio acerca dos mecanismos associados a como se aprende.

Assim, os novos tempos impõem uma realidade em que é mais importante focar no processo de aprendizagem e nos procedimentos de superação, após o erro, do que a obsessão simples por, a partir das informações adquiridas, tentar nunca tropeçar. Não há nenhuma garantia de que aqueles que nunca tropeçaram saberão levantar, caso errem. Mas há fortes indicadores de que aqueles que aprenderam a aprender terão todas as condições de enfrentar os tombos. Muito mais importante que a ênfase na memória e evitar tropeços, portanto, é aprender a levantar.

 

6. Por onde começar para o Brasil ter uma educação pública de qualidade?

 

Educação e o contexto social onde ela se realiza não são coisas estanques e totalmente separáveis. Nossa carga cultural traz marcas bem descritas em obras consolidadas. Entre elas, destaco “Casa Grande & Senzala” de Gilberto Freire. Neste e em outros estudos, são enfatizados, de um lado, uma elite acostumada às benesses e aos privilégios, que justificam e estimulam o paternalismo e a acomodação, e, de outro, os demais, em geral submetidos à exclusão e à opressão, que desfavorecem a emancipação e as iniciativas empreendedoras. A tradição histórica que se reflete nas relações, seja nas ruas ou no trabalho, infelizmente, também repercute nas salas de aula, via pedagogias que prioritariamente estimulam a aprendizagem marcadamente dependente e distante da emancipação.

Ou seja, em outras palavras, o Brasil tem que perceber algo simples e que parecemos querer, ingenuamente, enganar a nós mesmos. Somos um dos países de maior contraste social do planeta e pagamos um preço muito alto por isso. Entre eles, a notável incapacidade de termos um desenvolvimento econômico, social e ambiental sustentável. Isso decorre principalmente de termos uma produtividade muito baixa, a qual é consequência da baixa escolaridade (anos de estudo) e da má qualidade dos anos estudados. Os da camada de cima, que são poucos e têm tudo, apresentam poucos motivos para se aprimorarem e se desafiarem adequadamente e se tornam, intelectualmente, preguiçosos, com as devidas exceções (que contribuem para confirmar a regra). Os da camada de baixo, que são muitos e têm muito pouco, mesmo que se por ventura talentosos, têm baixíssimas chances de progredir. Assim, uma sociedade de Casa Grande de um lado e a Senzala de outro raramente é competitiva, produtiva e sustentável. Assim, embora educação seja uma ferramenta indispensável para a solução do problema, definitivamente, ela não é a raiz isolada do problema.

 

7. Hoje mudou muito o perfil de uma instituição de educação superior com o avanço dos cursos a distância. É o futuro?

 

Mais do que a educação a distância, a qual é somente uma modalidade disponível, creio que as ferramentas advindas do uso intenso e adequado das tecnologias digitais deverão alterar a face da educação superior.

Destaco, entre outras novidades, a analítica da aprendizagem (em inglês, learning analytics), a qual diz respeito à abordagem baseada na coleta e análise sistemática de dados sobre os educandos e seus contextos, tendo em vista o entendimento e a otimização do processo de aprendizagem e do ambiente no qual ele ocorre. Analítica da aprendizagem está associado ao desenvolvimento de ações e estratégias educacionais implementadas com o suporte de modelos, simulações e padrões estatísticos. Tal processo viabiliza conferir a eficiência e eficácia de metodologias educacionais, conhecer mais sobre todos os atores envolvidos e aprimorar de forma inteligente e substantiva a prática pedagógica.

Coletar e analisar dados, como elemento de suporte para tomada de decisões, é o que nós fazemos todos os dias, mesmo que de forma natural e inconsciente. A novidade é que no mundo digital são gerados dados em níveis sem precedentes e, consequentemente, podemos dispor atualmente de estratégias inovadoras, assentadas na capacidade de predições inéditas, decorrentes do uso sistemático, sofisticado e inteligente de estatísticas de grandes massas de dados. Esta realidade é amplificada no mundo educacional atual pelo uso crescente de ambientes virtuais de aprendizagem, tanto na modalidade presencial como a distância. A plataforma virtual, a qual permite a utilização de diversas mídias e demais recursos para apresentar as informações associadas à aprendizagem, é o mesmo ambiente que viabiliza coletar automaticamente dados e analisar o desempenho dos alunos, tanto coletivamente como individualmente.

A mais relevante característica da estratégia baseada na analítica da aprendizagem é que pela primeira vez quebramos o paradigma de que o aumento da quantidade é necessariamente associado ao rebaixamento de qualidade. Pelo contrário, ela permite conjugar escala e qualidade, de tal forma que quanto maior a quantidade de dados as análises geradas tendem a ser mais confiáveis, colaborando ainda mais no conhecimento e na avaliação das ações educacionais em curso e no incremento do potencial das iniciativas futuras.

Atualmente, é possível conceber que todos os educandos podem aprender e todos aprendem o tempo todo, porém, cada educando aprende de maneira única e personalizada. Para tanto, educação contemporânea significa construir um ensino híbrido, flexível e customizado. A partir dos comportamentos dos estudantes, individualmente ou coletivamente, seja nas atitudes frente a desafios propostos ou via respostas, certas ou igualmente úteis erradas, às questões formuladas, é possível, por meio do desenvolvimento de algoritmos especiais, saber muito sobre cada educando. Isso inclui conhecer suas principais características, expectativas, lacunas, predicados etc. De posse da máxima percepção global sobre o aluno e frente a cada situação educacional específica, podem os educadores e educandos, apoiados por plataformas inteligentes, escolher de uma multiplicidade de trilhas educacionais a mais adaptada. Não menos importante, ao longo do processo, o aluno se permite conhecer melhor a si mesmo, ampliando seu nível de consciência acerca dos mecanismos e contextos nos quais ele otimiza seu aprendizado.

Com a abordagem baseada em analítica da aprendizagem passamos a dispor de uma ferramenta adicional indispensável aos educadores contemporâneos. Portanto, torna-se possível ampliar significativamente a capacidade de aprender a aprender, o que é absolutamente imprescindível em um contexto de educação permanente ao longo da vida. Fruto do uso adequado de novas tecnologias, em conjunto com a adoção de metodologias educacionais inovadoras, temos, pela primeira vez, a real oportunidade de propiciar educação de qualidade para todos.

 

8. A escola do futuro defende que futuramente vários cursos superiores desaparecerão e haverá uma mudança mais para cursos profissionalizantes. Como o senhor imagina isso?

 

Creio que, ao contrário, no futuro as escolas, da creche à pós-graduação, se dedicarão cada vez mais a ensinar a aprender a aprender. As aplicações em si (profissionalizantes) serão processos adaptativos associados a missões específicas e poderão, a depender do caso, ser aprendidos no próprio ambiente de trabalho sem maiores problemas. Portanto, no processo educacional, adicionalmente aos conteúdos a serem abordados, em complemento às técnicas e procedimentos que um futuro profissional ou cidadão devem dominar, há outros elementos, tão ou mais relevantes, que demandam estar presentes. Entre eles, a aprendizagem independente é essencial e não exclui o professor; ao contrário, o inclui via a adoção de metodologias que estimulem processos emancipatórios na aprendizagem.

A notícia positiva é que o mundo das tecnologias digitais favorece a missão de estimular processos emancipatórios e mantém grande coerência com as metodologias ativas que se baseiam em aprendizagem independente, mediadas tanto pelo educador como pelos ambientes virtuais. Via as interfaces educacionais inteligentes e os recursos e ferramentas atualmente disponíveis, é plenamente possível traçar trajetórias educacionais personalizadas que levam em conta cada indivíduo, bem como fortalecer aspectos culturais e demais especificidades regionais e locais.

Temos a oportunidade inédita de conjugar escala e qualidade, contrariando as práticas anteriores, caracterizadas por qualidade para poucos ou, alternativamente, má qualidade sempre que estendida aos demais (todos). Contemporaneamente, ao contrário, podemos afirmar que só haverá qualidade se tivermos variadas referências para acesso, fruto de adotarmos tecnologias e metodologias que sejam aplicáveis para muitos. Hoje, seja na educação, na saúde ou em demais setores, inovar no Brasil é ousar propiciar qualidade para todos.

Os níveis extremos de compatibilidade e de pertinência das organizações educacionais, incluindo as metodologias e os modelos de gestão escolares adotados, fizeram delas das mais bem-sucedidas e respeitadas instituições do mundo moderno. Especialmente no século XX, seu ápice. A escola, no sentido amplo, contribuiu significativamente para grandes avanços em termos de ampliação do acesso a serviços e a produtos de qualidade. Foi dentro dos seus muros que foram gerados os conhecimentos que resultaram no aumento da expectativa de vida e, principalmente, produziram as condições para a grande revolução decorrente das tecnologias digitais, as quais estão a transformar, num processo ainda em curso, o mundo contemporâneo.

A escola tem cumprido várias funções, entre elas, a de ser o espaço de transmissão de conhecimento, formando cidadãos que dominam certos conteúdos e profissionais habilitados a determinadas técnicas e procedimentos específicos. Nesta concepção, os níveis escolares refletem etapas formativas com diferentes graus de profundidades e os respectivos diplomas e certificados atestam os conhecimentos adquiridos e as respectivas competências e habilidades associadas a cada uma das áreas do saber.

Todas as instituições e setores contemporâneos estão sendo e serão profundamente afetados pelas tecnologias digitais, em especial a escola, dado que a marca dos novos tempos é a emergência de uma sociedade na qual a informação está plenamente disponível, imediatamente acessível e essencialmente gratuita. Assim, as instituições educacionais, por sua relação orgânica com a informação e o conhecimento, demandam ser especialmente reconceptualizadas. Neste século XXI, mais do que no século anterior, elas devem ser repensadas à luz de um cenário onde mais relevante do o que foi aprendido é aprimorar a capacidade de aprender a aprender. Informação, em si, passa a ser o mais disponível e vulgar dos produtos.

Aprendemos, a partir de agora, dentro e fora da escola, a qualquer tempo e por qualquer meio e o fazemos, principalmente, como meio de ampliar nossa consciência acerca dos mecanismos segundo os quais ampliamos nossa capacidade de aprender a aprender.  A escola que marcava suas etapas pelos diplomas e certificados, atestando os conhecimentos adquiridos, nas formas de conteúdos, técnicas e procedimentos, dá espaço a um novo conceito onde as etapas correspondentes, da creche ao pós-doutorado, se caracterizam essencialmente pelos níveis diversos da capacidade de aprender continuamente em um mundo de educação permanente ao longo da vida.

Há uma essência perene nas funções da escola e do professor, mas certamente ela não está em seus prédios ou nos modelos de gestão, tampouco nas atuais metodologias e abordagens educacionais. Enfim, é rica e bela a história da escola, uma instituição que hoje, promissoramente, se prepara para se reconfigurar plenamente visando a atender as demandas do futuro. Futuro que começou na semana passada.

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* Texto baseado, preliminarmente, em perguntas recebidas e respondidas ao Caderno de Domingo (11/6/2017) do Jornal A CIDADE de Ribeirão Preto-SP e região (veja link)

  

Figura em Domínio Público em http://www.publicdomainpictures.net/pictures/190000/velka/school-41.jpg

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domingo, 28 de maio de 2017 aprendizagem, EaD, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 12:00

Evidências no ensino de Engenharia

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engenheiro

Com o intuito de melhorar o rendimento acadêmico em Física dos ingressantes nos cursos de Engenharias, a Estácio introduziu há pouco mais de dois anos a disciplina “Bases Físicas para Engenharia”. Entre os objetivos estratégicos, estava o de adequar o ensino, customizando-o ao perfil dominante dos ingressantes, em geral com formação anterior deficiente em Física.

 

A disciplina foi projetada para ser um dos paradigmas do projeto inovador “Ensino 2020”, tendo nascida híbrida (metade presencial e metade a distância) e baseada na plataforma de aprendizagem inovadora SAVA (“Sala Virtual de Aprendizagem”). Neste ambiente interativo, o educando acessa videoaulas ministradas por, reconhecidamente, melhores professores de Física do país (de fora e de dentro da Estácio), textos, objetos de aprendizagem, resolução interativa de exercícios, orientação para realização de atividades práticas etc. Aspectos conceituais e históricos da Física conectada à Engenharia são explorados nesta disciplina, incluindo as bases do método científico e o estímulo à aprendizado a partir de situações contextualizadas.

 

Fruto do aumento de acessibilidade ao ensino superior na última década e da maior demanda por profissionais com conhecimentos técnicos, tecnológicos e científicos mais profundos, a opção por cursos de Engenharias é, definitivamente, uma marca dos tempos atuais. O incremento da participação do setor privado no ensino superior implicou em maior oferta de cursos no período noturno, viabilizando que profissionais que trabalham durante o dia pudessem cursar Engenharia. Diferentemente de cursos nas áreas de Gestão, Licenciaturas ou de Tecnólogos de nível superior, as carreiras em Engenharias exigem uma base diferenciada de conhecimentos preliminares de Matemática e Ciências. Em geral esses ingressantes não as têm no nível desejado, demandando, portanto, a adoção de medidas extraordinárias, sem o que as reprovações e consequentes desistências se tornam rotinas. Com o intuito de diminuir a grande reprovação em disciplinas iniciais de Física ao longo do primeiro ano, as quais, juntamente com Matemática, eram as grandes responsáveis pelo expressivo abandono, a partir de 2015, os ingressantes em cursos de Engenharias, antes de cursarem as disciplinas tradicionais de Física, passaram a cursar “Bases Físicas para Engenharia”.

 

Os resultados preliminares são surpreendentemente positivos, atestando de forma inequívoca que o caminho adotado de introduzir uma disciplina preparatória, que antecede as tradicionais, está sendo muito bem-sucedido. Submetidos os alunos ao mesmo rigor e exigência, o índice de reprovação que era de 54,3 % em Física I em 2015/2 (alunos que não fizeram a disciplina preparatória) caiu para 19,7% em 2016/1 (alunos que tiveram a oportunidade de frequentar a disciplina introdutória). A consistência permanece em Física II, onde a reprovação que era de 32,3% foi reduzida para 11,7%.  Ou seja, em termos práticos, mais de um terço da turma que tipicamente era reprovada, com enormes chances de abandono, foram, fruto desta estratégia educacional, aprovados. Ressalte-se que com grandes possibilidades de cumprirem com sucesso seus planos de se tornarem Engenheiros, dado que as reprovações nos anos seguintes retornam aos níveis de normalidade.

 

Em suma, trata-se de exemplo simples de abordagem educacional que viabiliza àqueles que, em geral, seriam assumidos como incapazes de cursar Engenharias, por falta de bagagem preliminar em Ciências e Matemática, uma vez expostos à correta abordagem educacional, possam obter sucesso. Esses alunos que lograram êxito na superação de suas deficiências anteriores, ao atingirem o nível desejado, não são simplesmente iguais àqueles que, eventualmente, já apresentavam os rendimentos esperados. Eles são melhores, dado que atingiram o mesmo patamar, mas incorporaram algo a mais: a capacidade da superação, aumento da autoestima e o consequente aprimoramento da capacidade de aprender a aprender.

 

São essas evidências, ancoradas em experiências monitoradas, que dão solidez às teorias, sobre as quais, em geral, temos somente opinião prévia antes que o exercício prático no campo real nos dê a devida segurança. É sim possível customizar trilhas educacionais, dirigidas a propósitos e educandos específicos, a partir de corretos pressupostos do processo ensino-aprendizagem.

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Figura em Domínio Público em: http://thumb7.shutterstock.com/photos/display_pic_with_logo/803866/131622179.jpg

 

 

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terça-feira, 24 de janeiro de 2017 aprendizagem, EaD, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 14:05

Avant-première do aplicativo Spark da Cisco

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Aproveitando a participação em Londres no evento BETT (http://www.bettshow.com), hoje foi dia de visitar o Centro de Pesquisa e Inovação da Cisco no Reino Unido (http://www.cisco.com/c/m/en_uk/innovation/index.html).

Cisco é uma companhia sediada na Califórnia-USA (Cisco, de fato, vem do nome da cidade San FranCISCO) com 50.000 empregados em todo o mundo, inclusive Brasil, e com um faturamento anual de quase U$ 30 bilhões em 2016.

A atividade principal da Cisco é o oferecimento de soluções para redes de computadores e comunicações, tanto na fabricação e venda de roteadores e switches, bem como na prestação de serviços por meio de suas subsidiárias Linksys, WebEx, IronPort e Scientific Atlanta.

No início de suas operações, a Cisco apenas fabricava roteadores de grande porte para empresas, sendo uma das maiores empresas do planeta nesta área. Gradualmente diversificou os seus negócios passando a atender também ao consumidor final tecnologias como Voip. Ao mesmo tempo, progressivamente, seu segmento corporativo foi sendo ampliado, inclusive para área educacional.

Hoje, por feliz coincidência, é dia do lançamento mundial de prometidos grandes avanços na Plataforma Digital Spark Board, a qual promete ter sido desenhada para revolucionar as ferramentas de trabalho em equipe à distância.

As aplicações na área educacional são promissoras, seja especificamente em educação a distância bem como nas múltiplas versões híbridas de ensino.

O aplicativo Spark promete ser disruptivo e inovador ao facilitar o trabalho em equipe, com pessoas e missões conectadas. Reune pessoas, envia arquivos de qualquer natureza e tamanho e realiza video conferências, com alta qualidade e de forma muito fácil, entre todos os membros do grupo. A versão gratuita viabiliza reuniões de até 3 pessoas. A promessa final é menos e-mail, mais agilidade e melhor qualidade do cumprimento de missões em time. A segurança via criptografia garante que os arquivos trocadas via nuvem são impenetráveis, prometendo privacidade absoluta.

Para mais informações acesse http://www.ciscospark.com.

Vale a pena conferir e baixar gratuitamente o aplicativo.

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segunda-feira, 26 de setembro de 2016 aprendizagem, EaD, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 08:14

Analítica da aprendizagem é parte da solução

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Word Cloud "Big Data"

Analítica da aprendizagem (em inglês, learning analytics) diz respeito à abordagem baseada na coleta e análise sistemática de dados sobre os educandos e seus contextos, tendo em vista o entendimento e a otimização do processo de aprendizagem e do ambiente no qual ele ocorre. Embora não exista uma definição única ou consensual sobre o tema, ele está associado ao desenvolvimento de ações e estratégias educacionais implementadas com o suporte de modelos, simulações e padrões estatísticos. Tal processo viabiliza conferir a eficiência e eficácia de metodologias educacionais, conhecer mais sobre todos os atores envolvidos e aprimorar de forma inteligente e substantiva a prática pedagógica.

 

Coletar e analisar dados, como elemento de suporte para tomada de decisões, é o que nós fazemos todos os dias, mesmo que de forma natural e inconsciente. A novidade é que no mundo digital são gerados dados em níveis sem precedentes e, consequentemente, podemos dispor atualmente de estratégias inovadoras, assentadas na capacidade de predições inéditas, decorrentes do uso sistemático, sofisticado e inteligente de estatísticas de grandes massas de dados. Esta realidade é amplificada no mundo educacional atual pelo uso crescente de ambientes virtuais de aprendizagem, tanto na modalidade presencial como a distância. A plataforma virtual, a qual permite a utilização de diversas mídias e demais recursos para apresentar as informações associadas à aprendizagem, é o mesmo ambiente que viabiliza coletar automaticamente dados e analisar o desempenho dos alunos, tanto coletivamente como individualmente.

 

A mais relevante característica da estratégia baseada na analítica da aprendizagem é que pela primeira vez quebramos o paradigma de que o aumento da quantidade é necessariamente associado ao rebaixamento de qualidade. Pelo contrário, ela permite conjugar escala e qualidade, de tal forma que quanto maior a quantidade de dados as análises geradas tendem a ser mais confiáveis, colaborando ainda mais no conhecimento e na avaliação das ações educacionais em curso e no incremento do potencial das iniciativas futuras.

 

Atualmente, é possível conceber que todos os educandos podem aprender, todos aprendem o tempo todo, porém, cada educando aprende de maneira única e personalizada. Para tanto, educação contemporânea significa construir um ensino híbrido, flexível e customizado. A partir dos comportamentos dos estudantes, individualmente ou coletivamente, seja nas atitudes frente a desafios propostos ou via respostas, certas ou igualmente úteis erradas, às questões formuladas, é possível, por meio do desenvolvimento de algoritmos especiais, saber muito sobre cada educando. Isso inclui conhecer suas principais características, expectativas, lacunas, predicados etc. De posse da máxima percepção global sobre o aluno e frente a cada situação educacional específica, podem os educadores e educandos, apoiados por plataformas inteligentes, escolher de uma multiplicidade de trilhas educacionais a mais adaptada. Não menos importante, ao longo do processo, o aluno se permite conhecer melhor a si mesmo, ampliando seu nível de consciência acerca dos mecanismos e contextos nos quais ele otimiza seu aprendizado.

 

Com a abordagem baseada em analítica da aprendizagem passamos a dispor de uma ferramenta adicional indispensável aos educadores contemporâneos. Portanto, torna-se possível ampliar significativamente a capacidade de aprender a aprender, o que é absolutamente imprescindível em um contexto de educação permanente ao longo da vida. Fruto do uso adequado de novas tecnologias, em conjunto com a adoção de metodologias educacionais inovadoras, temos uma oportunidade ímpar de propiciar educação de qualidade para todos.

 

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sexta-feira, 29 de julho de 2016 aprendizagem, EaD, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 08:42

Educação em tempos de ‘Pokémon Go’

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O aplicativo ‘Pokémon Go’ lançado há poucas semanas nos Estados Unidos, Austrália e Nova Zelândia já é o jogo mais baixado da história da internet. Ele marca, simbolicamente, o ingresso definitivo em um contexto inédito de utilização em grande escala de simulações, realidade aumentada e inteligência artificial.

 

Alguns podem entendê-lo simplesmente como um jogo de sucesso e não estarão errados, mas certamente não terão capturado a real dimensão em termos de impactos associados em todas as demais áreas. Por exemplo, as consequências educacionais do uso intensivo de realidade aumentada e de inteligência artificial são ainda preliminares, mas serão profundas e duradouras. Um novo capítulo será aberto quanto à preparação de profissionais para atuarem neste novo mercado, fruto de mudanças em grande escala nos modelos de negócios e de gestão.

 

Embora parte desses recursos e ferramentas já estejam disponíveis há décadas, seu uso intensivo ainda está no seu início. Os especialistas calculam que estamos falando de um mercado de centenas de bilhões de dólares anuais. Em suma, daquilo que hoje é eventual e incipiente, migraremos muito rapidamente para usos generalizados e abrangentes. No campo educacional, cabe um destaque especial às possibilidades decorrentes do uso ilimitado dessas tecnologias digitais, incluindo a impressora tridimensional, integrando informações virtuais a visualizações do mundo real, confundindo ambas e gerando múltiplas e inimagináveis possibilidades.

 

O mundo ocidental vivenciou algo similar há aproximadamente dois séculos atrás com o início da Revolução Industrial, especialmente com a invenção de máquinas motorizadas e com o desenvolvimento da tecnologia de geração de energia elétrica. Como consequência, tivemos a migração progressiva da população do campo para a cidade e a transformação do trabalho individual ou familiar na agricultura para o estilo fordista/taylorista de grandes massas nos ambientes das fábricas. Na verdade, aquele foi o capítulo preliminar das transformações em etapas do trabalho humano, inicialmente mediado por máquinas, depois plenamente substituído por elas e, atualmente, interagindo com máquinas que aprendem.

 

No período que começou no século XIX e perdurou ao longo do século XX, o trabalho braçal, pouco especializado e não dependente de instrução escolar específica, gradativamente perdeu espaço para a exigência de profissionais mais especializados, preparados via um ensino compatível com tais necessidades. O modelo industrial clássico e os serviços associados moldaram a escola e as metodologias educacionais do século XX. De forma análoga, adentrar uma sociedade com alto nível de automação, agora conjugada a máquinas que aprendem, e onde a informação está totalmente acessível, instantaneamente disponibilizada e gratuita impõe mudanças profundas no que educar passa a significar.

 

Nos séculos XIX e XX, ensinar estava basicamente associado a transmitir informações, técnicas e procedimentos compatíveis com as demandas do mundo do trabalho contemporâneo àquela época. Nos tempos atuais, educar passa a significar, principalmente, aquilo que permanece depois que esquecemos o que nos foi ensinado. O aprender a aprender juntamente com saber trabalhar em equipe se mostram nos recentes contextos mais relevantes do que propriamente o conteúdo objeto do ensino.

 

Nestas próximas semanas, quando ‘Pokémon Go’ estará sendo lançado no Brasil, importante percebermos que inteligência artificial e realidade aumentada, em conjunto com metodologias educacionais compatíveis, podem viabilizar um ensino flexível e personalizado, que constituirão as bases de uma educação inovadora em construção.

 

Sobre a figura: http://i2.wp.com/www.jenapolis.de/wp-content/uploads/2016/07/pokemon-1521104_960_720-DigiPD-CC0-Public-Domain-760-430.jpg?resize=760%2C430

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sexta-feira, 13 de maio de 2016 aprendizagem, EaD, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 21:27

Educação a distância: no começo estranha-se, depois, entranha-se!

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Há 80 anos, em Portugal, o escritor Fernando Pessoa foi convidado a produzir uma peça publicitária para um grande grupo internacional do ramo de refrigerantes, e assim o fez: “Primeiro estranha-se, depois, entranha-se!”. Naquela época, a bebida escura gaseificada estava chegando a Portugal, era desconhecida, de gosto estranho, e precisava de um pouco de poesia para abrir-lhe o caminho.

Hoje, parafraseando o poeta, em contexto sensivelmente distinto do original, permito-me apropriar da ideia do autor para descrever a educação aberta e a distância, que está, cada vez mais, presente em nosso cotidiano. Trata-se de uma modalidade de educação fortemente impulsionada pelas novas tecnologias de informação e comunicação, cujas potencialidades apontam para o atendimento às demandas inéditas da sociedade contemporânea, e em particular no Brasil, país privilegiado com dimensões continentais, nossos atrasos em termos de escolaridade e as desigualdades sociais e econômicas.

Muito além de ser um meio de superar problemas emergenciais ou forma de enfrentar questões de espaços territoriais, educação a distância (EaD) vem, progressivamente, conquistando espaços junto aos diversos sistemas acadêmicos e educacionais, sua oferta combinada aos modelos tradicionais de ensino, em diversos níveis, tem apontado para melhorias.

Por outro lado, no espírito de educação ao longo da vida, a educação a distância tem sido ingrediente fundamental na educação continuada da população adulta. EaD tem forte conexão com democratização de oportunidades educacionais, contribuindo com a formação de profissionais com competências múltiplas. Da mesma forma, estabelece fortes vínculos com democratização de oportunidades educacionais, contribuindo com a formação de profissionais com competências múltiplas, com especial ênfase no trabalho em equipe e na capacidade de aprender a aprender e estimulando o individuo a adaptar-se a novas situações.

Assim, a realidade de exigência de formação ao longo da vida propiciara desejáveis conexões entre o campo educacional e o campo do trabalho, que demandarão inéditas ferramentas pedagógicas que, por sua vez, gerarão fortes impactos, tanto sobre os métodos de ensino como sobre a organização dos ambientes de trabalho.

A Lei 5.692, de 1971, que fixava Diretrizes e Bases para o ensino de 1º e 2º graus, de forma pioneira no país e para atingir maior número de estudantes, se referiu à possibilidade de cursos supletivos utilizarem a modalidade a distância, por meio de rádios, televisão e ensino por correspondência. A nova Lei de Diretrizes e Bases (1996), consolida essa tendência, inovando com a possibilidade de educação a distância em todos os níveis e modalidades de ensino. No ano de 1998, dois Decretos publicados caracterizaram EaD e regulamentam a LDB, definindo competências entre os sistemas federal, estaduais e municipais.

Posteriormente, duas Portarias do MEC (uma de 2001 e outra de 2004) tratam da possibilidade de introdução de métodos não-presenciais na organização curricular e pedagógica dos cursos superiores reconhecidos.

Em um contexto em que a informação estará totalmente acessível, instantaneamente disponibilizada e gratuitamente ofertada, o processo ensino-aprendizagem será profundamente afetado e a incorporação de novas tecnologias e a introdução de metodologias inovadoras serão a marca destes novos tempos. Muito além da simples modalidade, o ensino a distância representa a real possibilidade de conjugarmos quantidade com qualidade e é o prenúncio de um novo período de educação híbrida e flexível, em um mundo globalizado e literalmente sem fronteiras.

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira, (LDB, Lei n.º 9.394, de 20 de dezembro de 1996) apresentou uma inovação no seu art. 80 estimulando o ensino a distância nos diferentes níveis. A criação da Secretaria de Educação a Distância (Seed/MEC), no início do Governo Fernando Henrique Cardoso (1994-2002), representou uma iniciativa positiva para a institucionalização da modalidade. No Governo Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2011), houve um significativo avanço da educação a distância, chegando ao quadro atual em que a educação a distância é a principal responsável pelo crescimento de matrículas no ensino superior.

Educação a distância baseada nas tecnologias digitais rompe fronteiras entre as nações e cumpre o mesmo papel no interior de cada país. Particularmente no Brasil, onde ainda não completamos sequer metade do caminho previsto no Plano Nacional de Educação (PNE) da década passada – “garantir acesso ao ensino superior a 30% dos jovens entre 18 a 24 anos” –, a utilização da modalidade é certamente imprescindível e estratégica para oportunizar que interessados de todas as classes sociais possam ter acesso à educação superior. Além disso, como apontado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep/MEC), progressivamente, mais de 40% dos ingressantes no ensino superior estão em faixas etárias mais maduras (acima de 24 anos). Esta população demanda metodologias educacionais próprias capazes de permitir que mesmo tardiamente, possa qualificar-se profissionalmente.

Distintamente da educação presencial, na educação a distância a escala não compromete a qualidade, muito pelo contrário. Todos os especialistas internacionais têm segurança em afirmar que a racionalidade e a economicidade envolvidas na modalidade permitem baixar custos e aumentar qualidade simultaneamente. Tal que é mais do que razoável afirmar que na boa educação a distância pode-se obter o dobro da qualidade pela metade dos custos.

Os estímulos para o estudo antes das aulas, a ênfase na existência de portais eletrônicos, aprender a não ter medo de utilizar plataformas, o estímulo à aprendizagem independente e ao ensino baseado em solução de problemas, incluindo metodologias que levem em conta os ambientes do mundo do trabalho, são exemplos de iniciativas que podem ampliar nos educandos habilidades e competências desejadas.

Pessoas educadas são essenciais para a melhoria da qualidade de vida de todos e para o aumento da competitividade e produtividade de um país. A formação de profissionais atualizados é estratégica para as economias competitivas globais. Profissionais com pouca escolaridade desenvolvem de um modo geral  atividades manuais simples, sendo quase impossível a adaptação deles às técnicas e aos processos de produção mais sofisticados. Portanto, a formação de cidadãos aptos a desempenhar tarefas complexas e dispostos a enfrentar os desafios das novas e desconhecidas demandas, por meio do uso intenso e consciente de tecnologias inovadoras, é essencial para a educação contemporânea.

 

Imagem: Domínio público em https://pixabay.com/pt/in%C3%ADcio-364177/

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domingo, 14 de fevereiro de 2016 aprendizagem, EaD, Educação e Tecnologia, Inovação e Educação | 16:04

Domínios de aprendizagem e o preceptor contemporâneo

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Benjamin Bloom, importante educador/psicólogo americano falecido ao final do século passado, é considerado o responsável pela formulação da taxonomia dos domínios de aprendizagem, a qual é ancorada, entre outros elementos, na suposição de que as operações mentais podem ser classificadas em níveis de complexidade crescentes.

Na década de 1980, Bloom, seguindo essa abordagem, apresentou um método de ensino conhecido como “Problema Sigma 2”. Essencialmente, tratava de prover aos estudantes tutoria individual ou em pequenos grupos. Esses alunos, quando comparados com colegas submetidos a métodos tradicionais baseados em salas de aula convencionais, apresentaram, em geral, rendimentos 98% melhores. O termo Sigma 2 deriva do fato que tal diferença implica em superar aproximadamente duas vezes o desvio padrão estatístico, garantindo que as melhorias são realmente muito significativas. Em outras palavras, 90% dos alunos submetidos à técnica de Bloom apresentaram resultados equivalentes aos 20% melhores das salas tradicionais.

A questão que persistiu durante muito tempo sem resposta era se os procedimentos associados seriam viáveis do ponto de vista custos e acessibilidade. Na época de Bloom, certamente, a resposta provável e comum seria: “qualidade custa caro e é mesmo para poucos”. Hoje, podemos, pioneiramente, começar a explorar novas possibilidades, via tecnologias digitais, para conjugar qualidade com quantidade.

Entre outros textos recentes, o artigo de Roshan Choxi (http://techcrunch.com/2016/01/09/how-startups-are-solving-a-decades-old-problem-in-education/#.iokds6t:zSpx/) discute como as startups do mundo digital podem tentar enfrentar e resolver problemas aparentemente insolúveis do passado. Ainda sabemos limitadamente acerca do quanto alternar o atendimento presencial, previsto por Bloom, por online poderá eventualmente trazer impactos sobre a qualidade, mas, por certo, pode contribuir muito com a viabilização orçamentária do atendimento individual ou pequenos grupos. Uma das missões das startups é explorar tais possibilidades, fazendo uso apropriado das tecnologias digitais e garantido mesma qualidade ou mesmo ampliá-la com competência.

A plataforma educacional Udacity, por exemplo, em 2013, adicionou em alguns cursos certificados de pequena duração (“nanodegrees”) a possibilidade de atendimento personalizado explorando videoconferências entre o mentor e o educando, simulando algo análogo ao proposto por Bloom, neste caso em versão digital. Os “coaches” do Udacity são basicamente profissionais do mercado que, conjuntamente a outros profissionais do ensino, dão o suporte personalizado e realizam o acompanhamento pleno dos projetos sob responsabilidade dos alunos, procurando ir além de análises simples de respostas de questões, sejam elas objetivas ou discursivas.

Mais recentemente, temos várias iniciativas preliminares explorando a combinação deste tipo de abordagem com a metodologia de aprendizagem baseada em problema (ou projeto), conhecida como PBL (do inglês, “Problem/Project Learning”). Podemos pensar, por exemplo, na formação de alta qualidade de profissionais como engenheiros de produção. Neste caso, adicionalmente ao conjunto de disciplinas online, há previstos, durante todo o curso, atendimentos presenciais em pequenos grupos (em torno de cinco) via preceptores. Eles são responsáveis tanto pelo acolhimento ao início do percurso educacional, incluindo a adaptação às novas metodologias e tecnologias, como pela supervisão dos projetos ao final do curso, colaborando na preparação ao exercício profissional. O preceptor, fazendo uso de PBL, atende os alunos tanto presencialmente, onde todas as atividades com estas características são desenvolvidas sob sua supervisão, como, complementarmente, via videoconferências remotas.

Ainda estamos longe de escrevermos os capítulos finais deste desafiante tema, mas a utilização das tecnologias digitais como forma de conjugar aprendizagem de qualidade com grande escala, certamente, é um caminho sem retorno. Mesmo assim, por mais que avancem as abordagens via plataformas digitais, elas não são capazes de, isoladamente, dar conta do amplo espectro de nuances individuais no que tange à forma de cada um aprender com mais eficiência. O professor, na sua atuação como orientador, mentor, “coach”, ou preceptor, é fundamental para ajudar a preencher todas as lacunas dos domínios de aprendizagem, evitando reduzir todos os alunos a meras curvas estatísticas, exageradamente impessoais. Os resultados dos esforços em curso poderão representar, em um futuro próximo, significativo avanço na democratização do acesso à educação de qualidade.

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terça-feira, 27 de outubro de 2015 aprendizagem, EaD, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 15:51

Aprendizagem Baseada em Problemas no Ensino EaD de Engenharia

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Altinho é uma prática desportiva e recreativa, bastante conhecida no Rio de Janeiro, fruto da adaptação dos fundamentos do futevôlei para a prática na forma de círculo. Os jogadores, mulheres e homens, passam a bola um para o outro sem deixar cair, usando somente um toque, mantendo-a sempre no alto. Não há, salvo engano, nenhuma correlação observada entre bons praticantes de altinho e profissionais do futebol, ainda que certamente controlar bem a bola seja indispensável na prática futebolística. Da mesma forma, o perfeito domínio da gramática não faz de imediato um bom escritor ou poeta, ainda que escrever corretamente seja necessário ao bom produtor de textos.
Grosso modo, a partir das ilustrações simplistas acima, poderíamos dizer que competências no ensino tradicional, em geral, estão associadas a saber algo em oposição ao não saber. A ênfase principal costumava ser o domínio de conteúdos, técnicas e procedimentos, na expectativa de que o somatório deles, por si só, completasse a formação desejada. De alguma forma, de fato, no cenário do século passado, dentro daquilo que se exigia, era sim possível, em tese, formar profissionais razoavelmente satisfatórios. Ou seja, em um passado recente, a partir de um conjunto delimitado e relativamente duradouro, era viável, em geral, formar profissionais aptos a enfrentarem os principais desafios de então, a maior parte deles bastante previsíveis.
Por sua vez, o mundo contemporâneo traz desafios muito mais complexos e difíceis de serem previstos, onde educar ficou muito mais difícil. Simbolicamente, é como se, em complemento àquele conjunto anterior de predicados, os quais continuam sendo necessários, uma série de novas exigências fosse acrescida. Entre elas, que não basta simplesmente saber, é preciso saber resolver e conviver. E é preciso uma metodologia que dê conta disso. Ou seja, a partir do que se sabe desenvolver a nova centralidade de encontrar soluções para complexos, muitas vezes inéditos, desafios. A partir do saber, saber resolver explorando de forma muito especial o trabalho em equipe.
Em particular no ensino de Engenharia, além da formação básica tradicional, passa a ganhar uma progressiva relevância, estimular, ao longo do percurso de formação, a ampliação da capacidade de análise e solução de problemas, por meio de projetos desenvolvidos em equipe. Na busca das soluções, aos estudantes, individualmente e preferencialmente em grupos, são evidenciados os naturais avanços e retrocessos do processo de solução, bem como a necessidade permanente de detalhamentos e revisões. Este rico processo envolve, além do professor orientador e dos alunos, os professores das disciplinas correlatas, a coordenação do curso, devendo estar inserido no Projeto Pedagógico do Curso, de forma a criar condições para o seu pleno desenvolvimento.
A aprendizagem baseada em problemas (por meio de projetos) é a denominação genérica que se dá a um conjunto de estratégias que remontam sua proposição ao começo do século passado, conhecida pela sua versão em inglês PBL (“Problem Based Learning”). Ao longo do século passado a adoção e o sucesso desta metodologia foram relativamente modestos.
No entanto a partir do século XXI, as tecnologias digitais avançadas têm permitido um reexame desta proposta do ponto de vista de novas possibilidades e funcionalidades. As transformações do mundo do trabalho, seja na forma de empregos ou oportunidades de negócios, igualmente, passaram a enfatizar muito mais a capacidade de resolver problemas e de convivência, em detrimento de características clássicas de memória acumulada e do domínio de técnicas e procedimentos específicos. Memória gradativamente perde centralidade porque reexaminada à luz das informações plenamente disponibilizadas do mundo digital e os outros predicados clássicos porque sujeitos a uma dinâmica de mudanças e prazos curtos de validade sem precedentes.
Portanto, o ensino de Engenharia, em especial de Engenharia de Produção, onde as características acima descritas são ainda mais evidentes, demanda ser repensada à luz de novidades como as plataformas educacionais inovadoras, que são interfaces de aprendizagem inteligentes, e as novas abordagens metodológicas, particularmente a proposta PBL. Em conjunto, elas permitem explorar o aparente contraditório entre ensino de massas e qualidade, ou seja, é tornado possível estabelecer para cada estudante um tratamento individual e personalizado. Esta abordagem, se bem desenhada, viabiliza, de forma pioneira, estabelecer a real possibilidade de conjugar escala, qualidade e contemporaneidade, via atendimento de massa e personalização. Em outras palavras, prover educação personalizada de qualidade para muitos.
O Engenheiro de Produção, entre outras funções, planeja, projeta e gerencia sistemas organizacionais que envolvem recursos humanos, materiais, tecnológicos, financeiros e ambientais. Este profissional alia conhecimentos técnicos e gerenciais para otimização do uso de recursos produtivos e diminuir os custos de produção de bens e serviços. É também seu papel garantir o desempenho econômico eficaz que seja ambientalmente sustentável e responsável. Desta forma, ele constitui ator fundamental em indústrias e empresas de quase todos os setores, tanto no gerenciamento de recursos humanos, financeiros e materiais como no objetivo geral de aumentar a produtividade e rentabilidade da empresa.
A formação do Engenheiro de Produção associa conhecimento de engenharia a técnicas de administração e fundamentos de economia e engenharia, preparando-o para adotar procedimentos e métodos que racionalizam o trabalho, aperfeiçoam técnicas de produção e ordenam as atividades financeiras, logísticas e comerciais de uma organização. Cabe a ele também, definir a melhor forma de integrar mão de obra, equipamentos e matéria-prima a fim de avançar na qualidade e aumentar a produtividade. Ao atuar como elo entre os setores técnicos e administrativos, seu campo de trabalho ultrapassa os limites da indústria, sendo seus conhecimentos progressivamente aplicáveis a praticamente todos os setores econômicos, sociais e ambientais contemporâneos.
A educação personalizada com atendimento docente individual ou em pequenos grupos, somada às tecnologias digitais, permite traçar para cada um dos educandos, seja na área de Engenharia de Produção como nas demais, os melhores percursos educacionais, customizados para cada objetivo, atores e circunstâncias. A educação a distância associada à educação personalizada representam uma real possibilidade de um novo período de ensino híbrido e flexível, assentado em uma abordagem metodológica onde a aprendizagem ocorre, principalmente, a partir da metodologia da problematização. Os temas são selecionados extraídos da realidade, ou de recortes da realidade, mediadas pela observação e análise do educando, ou da equipe de educandos, orientados por docentes, a quem chamamos neste caso de preceptores.
O preceptor é neste sentido um orientador educacional que coordena um conjunto específico de atividades, predominantemente presenciais, contribuindo ao longo do curso de graduação, especialmente coordenando soluções de problemas. Portanto, o preceptor atuará junto aos seus alunos, seja individualmente ou em pequenos grupos (com equipes em torno de cinco participantes), tanto no acolhimento inicial do Curso, contribuindo na superação de eventuais dificuldades, sejam elas de adaptação à metodologia ou decorrentes de carências de conteúdos prévios, como no incremento da capacidade de aprender a aprender, no estímulo à aprendizagem autônoma progressiva, na construção do conhecimento e na gestão de saberes e, especialmente, no desenvolvimento das competências e habilidades específicas do futuro profissional.
A preceptoria, de forma resumida, pode ser subdividida em três núcleos principais, a saber, iniciação, solidificação e emancipação. No primeiro, trata principalmente de adquirir competências básicas para a realização da vida acadêmica, além de desenvolver a ideia de pertencimento à instituição e ao curso específico, oportunizando o entendimento de co-responsabilidade pela aprendizagem e ressaltando a importância do trabalho colaborativo e em equipe.
No segundo núcleo, solidificação, a ênfase é no aprofundamento do ofício de ser aluno, via participação nos fóruns, atividades laboratoriais e de extensão, visitas coordenadas às empresas etc. No terceiro, emancipação, a concentração é no desenvolvimento de competências específicas exigidas no mundi do trabalho, dentro dos pilares: aprender a aprender, aprender a fazer, aprender a conviver e aprender a ser, culminando com trabalhos de conclusão de cursos, defesa de projetos etc.
A matriz curricular que contempla as disciplinas mais tradicionais, maior parte delas à distância, combinada com as atividades de preceptoria, predominantemente presenciais, ao longo de todo o curso demandam sofisticadas integrações horizontais e verticais, mediadas por três eixos: (i) os temas básicos, (ii) profissionalizantes (ênfases em Gestão em Engenharia e Modelagem e Simulação) e (iii) eixos integradores específicos (mobilidade e logística, processos produtivos, projetos e finanças, gestão ambiental e agronegócio, entre outros).
Em resumo, indo além das habilidades da prática do altinho, há que se praticar um bom futebol. Mais do que o simples e essencial domínio das regras gramaticais e ortográficas, é preciso a capacidade de interpretar textos com profundidade e escrever com clareza e objetividade. Assim, profissionais Engenheiros, especialmente Engenheiros de Produção, formados dentro do que existe de mais avançado contemporaneamente, seja pelo uso de plataformas digitais avançadas ou de metodologias educacionais inovadoras, expressos no caso por educação personalizada e aprendizagem via solução de problemas ou baseada em projetos, estarão melhores preparados a desempenhar tarefas complexas e dispostos a enfrentar quaisquer desafios de forma criativa e inovadora.

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quarta-feira, 21 de outubro de 2015 aprendizagem, EaD, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 13:30

EaD + PBL = EPP (Educação Personalizada via Preceptor)

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Em um contexto em que a informação está gradativamente sendo tornada totalmente acessível, instantaneamente disponibilizada e gratuitamente ofertada, o processo ensino-aprendizagem é profundamente afetado e a incorporação de novas tecnologias e a introdução de metodologias inovadoras são as marcas educacionais deste novo tempo.
Fruto destas transformações em curso, a educação superior demanda ser reinventada, onde a maior novidade é que as plataformas educacionais inovadoras e as novas abordagens metodológicas permitem explorar o aparente contraditório entre ensino de massas e qualidade, ou seja, estabelecer para cada estudante um tratamento individual e personalizado.
Diferentemente dos modelos tradicionais onde é razoável supor que à medida que o número de educandos cresce a tendência é cair a qualidade do processo, fruto da maior distância entre educando e educador, as plataformas de aprendizagem e as metodologias ativas inovadoras poderão progressivamente prover os educadores com informações cada vez mais precisas sobre o desempenho de cada aluno e estabelecer elos de proximidade inéditos. Pela primeira vez temos a real possibilidade de conjugar escala e quantidade, bem como atendimento de massa e personalização. Em outras palavras, prover educação de qualidade para muitos.
A educação personalizada com atendimento docente individual ou em pequenos grupos, somada às tecnologias digitais, permite entender e atender, de forma inédita nesta escala, cada um dos educandos e assim formular os melhores percursos educacionais, customizados para cada objetivo, atores e circunstâncias. O mais interessante é que quanto maior o número de estudantes envolvidos, em tese, o nível de precisão pode aumentar ainda mais, gerando uma metodologia, mediada por um docente especialmente preparado para esta missão, que se adapta e se ajusta permanentemente.
Nesta realidade, Educação a Distância (EaD) é mais do que simples modalidade, representando a real possibilidade de, ao conjugarmos quantidade com qualidade, massa com personalização, anunciamos um novo período de educação híbrida e flexível, em um mundo globalizado e literalmente sem fronteiras.
Entre as metodologias educacionais ativas contemporâneas, a Aprendizagem Baseada em Problemas (ou PBL, do inglês “Problem Based Learning”) é a abordagem onde o ensino e a aprendizagem ocorrem, principalmente, a partir da metodologia da problematização, sendo os temas selecionados extraídos da realidade, ou de recortes da realidade, mediadas pela observação e análise do educando ou da equipe de educandos orientados por docentes, a quem chamamos neste caso de preceptores.
No contexto da modalidade EaD e dentro da abordagem PBL, podemos introduzir a figura do preceptor como sendo um orientador educacional que coordena um conjunto específico de atividades, predominantemente presenciais, contribuindo ao longo do curso de graduação, especialmente coordenando soluções de problemas. Portanto, o preceptor atuará junto aos seus alunos, seja individualmente ou em pequenos grupos (com equipes em torno de cinco participantes), tanto no acolhimento inicial, contribuindo na superação de eventuais dificuldades, sejam elas de adaptação à metodologia ou decorrentes de carências de conteúdos prévios, como no incremento da capacidade de aprender a aprender, no estímulo à aprendizagem autônoma progressiva, na construção do conhecimento e na gestão de saberes e, especialmente, no desenvolvimento das competências e habilidades específicas do futuro profissional.
Em resumo, profissionais formados dentro do que existe de mais avançado contemporaneamente, seja pelo uso de plataformas digitais avançadas ou de metodologias educacionais inovadoras, expresso via a equação EaD + PBL = EPP, estarão aptos a desempenhar tarefas complexas e dispostos a enfrentar os desafios, sejam eles quais forem, frutos das novas ou ainda desconhecidas demandas.

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