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domingo, 13 de novembro de 2016 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 11:22

Reforma do Ensino Médio e Educação Contemporânea (com links para vídeos)

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A convite do Congresso Nacional, participei da Audiência Pública promovida pela Comissão Mista que acolhe a Medida Provisória (MP) de iniciativa do Executivo Federal modificando o ensino médio. Como educador, reafirmo minha tendência de valorizar as etapas de esclarecimentos e convencimentos, imprescindíveis ao sucesso educacional. Tais procedimentos conflitam com a figura de MP. Mesmo assim, há que se ressaltar que, no caso, os elementos formais de MP, urgência e emergencial, são atendidos. As manifestações podem ser assistidas no link: https://www.youtube.com/watch?v=L3IaLYSFS0I&feature=youtu.be.

 

O indicador de qualidade mais adotado, o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, IDEB, evidencia que, entre os níveis da educação básica, o ensino médio é aquele que está em pior situação. A realidade atual de treze disciplinas obrigatórias em si contribui para limitar ou mesmo impedir que melhores e mais adequadas estratégias no processo ensino-aprendizagem sejam debatidas ou implementadas. Os argumentos para manter como obrigatórios tanto o ensino de artes como o de educação física são plausíveis e respeitáveis. Tanto quanto para filosofia, sociologia, história e geografia. Da mesma forma, como físico, teria pouca dificuldade em apontar os prejuízos e deficiências de um formando do ensino médio que não tivesse tido acesso a um mínimo de física e uma introdução ao raciocínio embasado no método científico. A mesma lógica vale para biologia e química. Enfim, tal caminho argumentativo, definitivamente, não funciona e melhor tratarmos mais de conteúdos e interdisciplinaridades e menos de disciplinas isoladas.

 

Além disso, Anísio Teixeira apontava, desde a década de 1950, que a educação secundária era excessivamente propedêutica. Priorizava a visão de etapa preparatória a estudos mais aprofundados de nível superior, subestimando o relevante papel de preparação técnica profissional dos jovens para o mundo do trabalho. Nos países mais competitivos e bem-sucedidos, a maioria dos jovens que fazem o ensino médio regular o fazem juntamente com educação profissional. No Brasil, somente 11% adotam tal estratégia. Como está estruturado hoje, a concepção subjacente é de que o ensino médio quase exclusivamente prepara ao ensino superior. Porém, contraditoriamente, menos de um quinto dos jovens vão para as faculdades e menos de 12% da população adulta têm diploma universitário.

 

O processo ensino-aprendizagem no ensino médio depende de muitos fatores, mas cabe especial destaque às condições de trabalho dos professores que atuam neste nível educacional. Em geral, eles são mal remunerados (http://www1.folha.uol.com.br/educacao/2016/11/1832095-professor-recebe-ate-39-menos-que-profissional-com-igual-escolaridade.shtml) e os cursos de formação, quando ofertados, não conseguem capacitá-los adequadamente à adoção de metodologias inovadoras e contemporâneas, especialmente quanto ao uso de novas tecnologias no ambiente educacional.

 

Má qualidade do ensino médio tem também como consequência um parque universitário extremamente limitado na sua capacidade de gerar ciência e inovação que sejam mundialmente competitivas. Seremos reduzidos, cada vez mais, a meros consumidores de tecnologias desenhadas no exterior e adquiridas via commodities com preços aviltantes, num ambiente de baixa produtividade e de altas taxas de desemprego.

 

Adicionalmente, a convite da Frente Parlamentar pela Educação, apresentei a Palestra “Tecnologias e Metodologias Inovadoras da Educação Contemporânea”, cuja reprodução pode ser assistida no link: https://www.youtube.com/watch?v=Mn7TrSEmVS4&feature=youtu.be. Na Palestra, abordei o tema das tecnologias digitais que permitem explorar um novo cenário educacional onde todos aprendem (não sabíamos disso, pensávamos que somente alguns aprendiam), onde todos aprendem o tempo todo (antigamente a aprendizagem estava circunscrita ao ambiente escolar, delimitando espaços e tempos que hoje extrapolam os muros e os tempos da escola) e, por fim, o mais relevante, descobrimos que cada educando aprende de maneira única e personalizada (uma espécie de DNA educacional que caracteriza cada um de nós). Apoiados pela analítica da aprendizagem e por plataformas de aprendizagem, os educadores poderão conhecer muito mais sobre seus educandos, bem como estes sobre si mesmos, propiciando desenvolver trilhas educacionais personalizadas que atendam às características, circunstâncias e peculiaridades de cada aluno individualmente.

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sábado, 5 de novembro de 2016 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 09:21

Contribuições à Reforma do Ensino Médio

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Estou convidado, como expositor, para a Audiência Pública no Congresso Nacional no dia 08 de novembro próximo, às 14h30, no âmbito da Comissão Parlamentar Mista da Medida Provisória n° 746/2016, que trata da Reforma do Ensino Médio.

 

Como reitor, meu dia-a-dia é naturalmente ligado à educação superior, porém, como cidadão, minhas preocupações com todos os níveis de ensino têm a mesma ênfase. Mesmo que pensasse exclusivamente no ensino superior, este não crescerá jamais em qualidade, bem como em quantidade, antes que a educação básica apresente efetivos avanços. O que temos observado, particularmente no ensino médio, é o oposto, variando de estagnação ao longo dos anos à piora gradativa. Seja em qualidade do ensino ministrado, em número de formandos, clareza de propósitos e, especialmente, em perspectivas futuras.

 

O indicador de qualidade mais adotado, o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, IDEB, evidencia que entre os níveis da educação básica, o ensino médio é aquele que está em pior situação (elo mais frágil, portanto), tendo se mantido estagnado ou mesmo tendo piorado, estando hoje este indicador em torno de 3,7 frente a uma distante e modesta meta de 4,3.

 

Como educador, entendo que nesta área o processo é tão relevante quanto os propósitos finalísticos. Em educação e nos temas correlatos, o exercício do convencimento pelo esclarecimento sempre será uma marca desejável e a mais efetiva. Assim não tenho como deixar de registrar, preliminarmente, que o instituto da Medida Provisória (MP) pode sim soar estranho e indevido a muitos. Na legislação brasileira, o recurso de MP é previsto para acolher situações de emergência que não possam se submeter aos prazos normais. Por um lado, temos parcialmente atendido um dos requisitos: a calamidade amplamente registrada neste nível de ensino não pode esperar muito mais. Por outro, lembremos que já há um Projeto de Lei (PL) similar tramitando, ainda que sem sucesso, desde 2013. Todos aguardam que a edição desta MP seja um instrumento a mais que contribua para um possível acordo entre Executivo e Legislativo que finde por optar por algum mecanismo que permita ao Congresso apreciar adequadamente a matéria, ainda que em regime de urgência urgentíssima, tal como a gravidade do tema sugere.

 

A primeira e talvez mais relevante contribuição é a necessidade de entendermos que a Reforma para ser bem-sucedida demanda ser fruto da contribuição de muitos atores, sendo que em cada etapa há uma prioridade. Quanto ao Congresso Nacional, entendo ser o mais importante explorar a máxima flexibilidade, desfazendo nós, desobstruindo regras cujas rigidez e burocracias associadas findam por emperrar propostas mais criativas e contemporâneas sobre múltiplas abordagens educacionais inovadoras.

 

A título de exemplo de dificuldades atualmente existentes, a realidade de treze disciplinas obrigatórias em si contribui para limitar ou mesmo impedir que melhores e mais adequadas estratégias no processo ensino-aprendizagem sejam debatidas ou implementadas. Os argumentos para manter como obrigatório o ensino de artes e de educação física são plausíveis e respeitáveis. Tanto quanto para filosofia, sociologia, história e geografia.

 

Da mesma forma, como físico, teria pouca dificuldade em apontar os prejuízos e deficiências de um formando do ensino médio que não tivesse tido acesso a um mínimo de física e uma introdução ao raciocínio embasado no método científico. A mesma lógica vale para biologia e química. Ou seja, seguindo esta linha, mesmo parecendo sensato, ao final, chegamos a um indesejável e previsível engessamento. Ainda que embasado em argumentos parcialmente corretos e bem-intencionados, o resultado final se aproxima de onde estamos, paralisados, e distantes de estarmos cumprindo o que está previsto. Claro, há outras causas e motivos igualmente relevantes, mas, especificamente, se refletíssemos sobre esses conteúdos com menos amarras seria bem melhor. Se pudermos tratar mais de conteúdos e menos de disciplinas mais adequado ainda. Resumindo, o relevante é garantir que os conteúdos, apresentados de forma isolada ou transversal, sejam ministrados e compreendidos de forma satisfatória, garantindo uma aprendizagem melhor do que temos atualmente.

 

Vivemos um período de informação plenamente acessível, instantaneamente distribuída e, praticamente, gratuita. Assim, neste cenário, tão ou mais importante do que o que é aprendido (informação ou ensino), é que o educando tenha amadurecido sua capacidade de aprender (aprender a aprender), dominando progressivamente a compreensão acerca dos mecanismos segundo os quais ele aprende, em compatibilidade com o mundo educacional de aprendizagem permanente e ao longo de toda a vida.

 

Corroborando esta linha, Einstein afirmou no século passado “Educação não se resume à aprendizagem de fatos, mas inclui, especialmente, a capacitação da mente para pensar”. Confúcio, por sua vez, de forma precursora, há 2.500 anos, teria dito: “Aprender sem pensar é perda de tempo”. Em suma, mais do que uma simples discussão sobre disciplinas que deixam ou não de ser obrigatórias, há que se tentar explorar quais são os espaços que levam o professor a desenvolver, em cada educando, o universo da curiosidade e reflexão que existe em cada educando. Mais relevante do que foi aprendido é o progressivo amadurecimento da consciência acerca de como se aprende. A obsessão pelo conteúdo fragmentado inibe, quando não impede totalmente, explorar caminhos que estimulem a criação de ambientes que articulem os vários conteúdos, tornando a aprendizagem mais interessante e animadora para os alunos e os professores envolvidos.

 

Com as tecnologias digitais, temos a oportunidade de explorar um novo cenário educacional onde todos aprendem (não sabíamos disso, pensávamos que somente alguns aprendiam), onde todos aprendem o tempo todo (antigamente a aprendizagem estava circunscrita ao ambiente escolar, delimitando espaços e tempos que hoje extrapolam em muito os muros e os tempos da escola) e, por fim, o mais relevante, descobrimos que cada educando aprende de maneira única e personalizada (uma espécie de DNA educacional que caracteriza cada um de nós). Apoiados pela analítica da aprendizagem, os educadores poderão conhecer muito mais sobre seus educandos, bem como estes sobre si mesmos, propiciando desenvolver trilhas educacionais personalizadas que atendam às características, circunstâncias e peculiaridades de cada aluno individualmente. Nada disso é simples. Ao contrário, tudo é bastante complexo, mas absolutamente factível e já em curso (ainda que em escala reduzida e, infelizmente, ainda bastante seletivo).

 

Trata-se de priorizarmos estas abordagens e buscarmos mecanismos que permitam que elas se apliquem na devida escala, conjugando qualidade e quantidade de forma inédita neste país. Há que se romper o paradigma de que, apesar de sabermos fazer coisas boas e para muitos, não sabemos fazer essas duas coisas ao mesmo tempo. Quando boas, em geral, para poucos; quando para muitos, inexoravelmente com baixa qualidade. Temos sim a oportunidade, a partir da educação, de provermos qualidade para muitos, garantindo um mundo de oportunidades mais iguais para todos.

 

De acordo com a proposta em discussão, durante todo o primeiro ano e metade do segundo, os alunos serão expostos aos conteúdos da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), a qual, por sua vez, ainda não foi definida. No ano e meio seguinte, eles seguirão as trilhas formativas, com ênfase nas áreas de linguagens, matemática, ciências da natureza, ciências humanas e formação técnica profissional. Neste caso, cada sistema de ensino, em consonância com o que ficar orientado pelo Conselho Nacional de Educação (CNE), em conjunto com cada escola, deverá configurar os múltiplos percursos educacionais oferecidos aos alunos. O adequado uso de novas tecnologias acoplado à adoção de metodologias inovadoras pode sim cumprir este papel. Programas como o Plano Nacional do Livro Didático (PNLD), reformulados à luz das possibilidades da era digital, bem como banco de objetos de aprendizagem e outros recursos educacionais abertos, podem contribuir muito na articulação de diferentes campos do saber, sem prejuízo das características e especificidades de cada um deles. O desafio é grande, mas nada há de mais relevante a ser feito na educação contemporânea.

 

Há uma grande e compreensível reação a pensarmos menos em disciplinas e estimularmos que as escolas se estruturem também a partir das ênfases de conteúdos gerais e transversais. Aparentemente, outros países foram bastante bem ao realizarem mudanças e outros estão acelerados migrando nesta direção. Copiar as experiências dos demais de forma acrítica é tão pouco inteligente como desprezar as iniciativas que evidenciam algum nível de sucesso. Igualmente, não devemos menosprezar aquelas possíveis soluções educacionais que estão em curso em outros países e que demandam acompanhamento muito próximo.

 

A título de ilustração, no começo de 2006, fui pessoalmente convidado pela então ministra da Educação do Reino Unido, Ruth Kelly (Governo Tony Blair, onde Kelly, com 36 anos, foi a mais jovem membro de um Gabinete de Governo), para acompanhar algumas mudanças específicas na área de ensino de ciências neste nível educacional na Inglaterra e País de Gales (Escócia e Irlanda do Norte não adotaram a mesma estratégia). A crise educacional naquele momento decorria dos maus resultados britânicos no Pisa (Programa Internacional de Avaliação dos Estudantes), um exame internacional aplicado aos alunos de 15 anos em países membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e alguns convidados (incluindo o Brasil). No primeiro Pisa, em 2000, Inglaterra havia se saído razoavelmente bem: 4° lugar em ciências, 7° em idioma e 8° em matemática. Posteriormente, Inglaterra caiu muito, resultando aparecer em 2009 nas posições 16°, 25° e 27°, respectivamente. Crise instalada, uma das soluções apontadas foi considerar que mais relevante do que “obrigar” os alunos a fazerem física, química e biologia seria promover uma mudança que permitisse que cada um pudesse escolher se quer fazer somente uma delas, duas ou as três. No início, houve uma preponderância na escolha de uma disciplina, biologia. A melhor iniciativa foi incluir nos conteúdos de biologia os elementos mais fundamentais e imprescindíveis de física e química. Por exemplo, o estudo da dinâmica da seiva no interior da planta tornou-se motivação para estudo de mecânica, a folha da planta um laboratório de eventos químicos moleculares etc.

 

Ao final, mais do que medir se os alunos sabiam mais ou menos, parece ser inegável que os concluintes, em média, gostavam muito mais de ciências do que antes. Fato é que no último PISA, o Reino Unido recuperou muitas posições, ficando agora em 6° lugar (lembrando que os 4 primeiros lugares são países asiáticos, a saber, Coréia do Sul, Japão, Singapura e Hong Kong), 2° lugar na Europa (atrás somente da Finlândia, sendo que antes ele havia sido superado por vários países como Noruega, Islândia e Polônia). Claramente não foi somente esta medida singular que resultou no sucesso, nem sequer o caminho desta medida foi linear, mas sim repleto de idas e vindas, o importante é que um conjunto de medidas adequadas e relevantes efetivamente fez, ao final, a diferença. Esse exemplo nos motiva a crer que políticas públicas consistentes promovem e geram resultados efetivos.

 

Em particular sobre a ênfase em formação técnica profissional, Anísio Teixeira apontava, desde a década de 1950, que a educação secundária já era excessivamente propedêutica. Ou seja, priorizava a visão de etapa preparatória a estudos mais aprofundados de nível superior, subestimando o outro papel, de caráter mais terminal, de preparação dos jovens para o mundo do trabalho. Este quadro foi, mais recentemente, agravado pelo Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), fortalecido em seu papel de ingresso no ensino superior, transformando-se na principal referência do que deva ser ensinado neste nível.

 

Destaco, portanto, que um dos aspectos positivos desta proposta é a inclusão explícita da educação profissional dentre os itinerários formativos. Nos países mais competitivos e bem-sucedidos, a maioria dos jovens que fazem o ensino médio regular juntamente com educação profissional. No Brasil, infelizmente, esse número é em torno de somente 11%. Como está estruturado hoje, a concepção subjacente é de que que o ensino médio prioritariamente prepara ao ensino superior, porém, menos de um quinto dos jovens vão para as faculdades e menos de 12% da população adulta têm diploma universitário. Há que se propor itinerários formativos compatíveis e animadores a todos e haveremos de achar nossos próprios caminhos no Brasil.

 

O processo ensino-aprendizagem no ensino médio depende de muitos fatores, mas cabe especial destaque as condições de trabalho dos professores que atuam neste nível educacional. Em geral, eles são mal remunerados (seja comparando com outras profissões ou comparando com docentes do ensino superior), tornando a profissão pouco atraente. Além disso, os cursos de formação, quando ofertados, geralmente, não conseguem capacitá-los adequadamente à adoção de metodologias inovadoras e contemporâneas, especialmente quanto ao uso de novas tecnologias no ambiente educacional.

 

O Congresso Nacional, naquilo que lhe compete, está corretamente fazendo sua parte e as Audiências Públicas são partes positivas deste processo. Mas, certamente não há milagres que possam ser feitos aqui, muito menos isoladamente e apartado dos que estão mais diretamente envolvidos no processo educacional. Os demais caminhos são igualmente desafiadores e importantes. Cabe ao Congresso Nacional, creio eu, a título de sugestão, neste momento, principalmente, retirar obstáculos, não criar novos vínculos (carga horária mínima etc.) e definir os elementos macros de um processo cuja qualidade será definida especialmente pelas etapas posteriores. Os melhores trajetos entendo que serão aqueles que apostarem na ampla participação, no esclarecimento e no convencimento, particularmente da comunidade escolar, envolvendo alunos e docentes. Se soubermos temperar esses bons propósitos com a urgência que o tema demanda estaremos contribuindo muito, dado que qualquer demora no tratamento do tema terá como pena agravarmos ainda mais nosso atraso.

 

Registro, por fim, que estamos vivenciando crises acopladas que demandam soluções harmônicas e interdependentes. A tarefa de olhar de forma fragmentada sempre parecerá e será capenga. Por exemplo, a crise econômica decorre, principalmente, da perda gradativa de competitividade. Nossos produtos e serviços têm qualidade limitada por depender de trabalhadores e empresários, em geral, com insuficiente escolaridade e de reduzido estímulo à inovação e capacidade empreendedora.

 

Sem um ensino médio vigoroso, especialmente capaz de preparar profissionais técnicos competentes não haveremos de alterar este quadro. Má qualidade do ensino médio tem também como consequência um parque universitário extremamente limitado na sua capacidade de gerar ciência e inovação que sejam mundialmente competitivas. Seremos reduzidos, cada vez mais, a meros consumidores de tecnologias de ponta desenhadas no exterior e pagas, via commodities com preços aviltantes, num ambiente de altas taxas de desemprego. Em suma, educação, definitivamente, é a mais estratégica área que viabiliza, ou impede, o país de almejar um possível desenvolvimento econômico, social e ambiental sustentável.

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segunda-feira, 24 de outubro de 2016 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 16:56

ENEM: réguas do passado e do futuro

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O Exame Nacional do Ensino Médio – ENEM foi introduzido há dezoito anos com o intuito inicial de medir a qualidade do ensino médio. A partir da década passada, aos poucos, transformou-se, quase que exclusivamente, em teste nacional de admissão ao ensino superior. Não há nenhum conflito essencial impedindo que ele possa cumprir bem os dois papeis. As questões mais relevantes são: primeiro, saber o que se está medindo e, segundo, se a régua utilizada para mensurar, que finda induzindo o que as escolas devem fazer ou priorizar, tem compatibilidade com o presente e o futuro ou com o passado.

 

O exame atualmente abrange um público de quase oito milhões de candidatos, com interesses concentrados nas mais de 250 mil vagas das universidades públicas e nas milhões de outras oportunidades de ingresso no ensino superior privado. Na ausência de uma base nacional comum curricular para o ensino médio, o conteúdo do ENEM, um instrumento de acesso ao ensino superior, findou sendo a referência quase única do que é, ou deveria ser, ensinado nesse nível educacional.

 

Vivemos um mundo em transformação rápida e profunda, marcado pelo acesso ilimitado, instantâneo e gratuito à informação. A consequência educacional é que, diferentemente do passado, onde boa parte da formação de um profissional estava centrada em dotá-lo de um conjunto delimitado de conteúdos, técnicas e procedimentos, hoje, igualmente relevante é educar tendo em vista aumentar a sua capacidade de, a partir dos dados plenamente disponibilizados, resolver problemas e enfrentar desafios, além de aprender a aprender de forma contínua.

 

O ENEM começou em 1998 como exame de um dia só com poucas (63) questões de múltipla escolha, em geral multidisciplinares, e uma redação dissertativa. Essas questões exigiam menos memória sobre os conteúdos específicos envolvidos e demandavam mais raciocínio, dado que muitas vezes os próprios enunciados, à luz de uma boa capacidade de interpretação de texto, embutiam parte das respostas. De forma progressiva, e mais enfaticamente a partir de 2009, adotou-se uma cobrança maior por memória e por profundidade no domínio de matérias específicas como matemática, física, química, biologia, língua estrangeira, história, geografia e redação. Atualmente, são mais questões (180) e a redação, desenvolvidas na forma de um vestibular tradicional de dois dias.

 

O ENEM tem funcionando como atestado formal de proficiência em itens disciplinares supostos essenciais a ingressantes em cursos superiores. Adicionalmente ao fato de que nem todos que concluem o ensino médio pretendem cursar ensino superior, o drama é que tais elementos estão tipicamente associados à formação profissional do século passado. No passado recente, um conjunto razoavelmente delimitado de conteúdos, técnicas e procedimentos caracterizavam, de forma quase suficiente, um formando do ensino superior preparado para atender as demandas da época. Isso mudou, está mudando e mudará ainda muito mais. Precisamos de réguas capazes de medir, além dos conhecimentos específicos, o nível de amadurecimento da consciência do educando acerca dos mecanismos segundo os quais ele aprende, bem como o preparo para lidar com informações plenamente disponíveis e a capacidade de não temer enfrentar desafios, demonstrando estar preparado para uma realidade de educação permanente ao longo da vida.

 

Um ENEM que seja compatível com o mundo contemporâneo e projete o futuro deverá conter questões e desafios onde as respectivas soluções dependam de elementos que possam ir além, ainda que incluam, o domínio de conteúdos específicos. Em outras palavras, necessitamos de réguas capazes de também identificar e mensurar a capacidade do uso da lógica e do raciocínio crítico, a habilidade em interpretar e analisar textos fazendo uso dos dados disponibilizados, e o nível de desenvolvimento de outros atributos que transcendem o domínio simples de conteúdos específicos.

 

(Figura: Domínio público, em http://www.create.ac.uk/blog/2014/09/25/valuing-the-public-domain-a-workshop-for-uk-creative-firms/)

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terça-feira, 18 de outubro de 2016 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Inovação e Educação | 08:17

Os 300 de Esparta e modelos de gestão

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Lendas e mitos nos ajudam a entender o presente e lançam luz sobre o futuro. Por vezes, símbolos simples são capazes de descrever coisas ou materializar ideias mais e melhor do que longos discursos.

 

As cidades-estados da Grécia Antiga, entre elas Esparta e Atenas, viviam permanentemente aterrorizadas por uma possível invasão dos persas. Em 480 a.C., ocorreu a guerra entre a aliança liderada pelo rei de Esparta, Leônidas I, e os persas. Na Batalha de Termópilas, os persas haviam deslocado um enorme exército, centenas de milhares de homens, para, finalmente, conquistar toda a Grécia. Com um número desproporcionalmente menor de soldados, cabia aos gregos, mais uma vez, resistirem aos invasores. Rei Leônidas, num certo momento, liberou seu exército e enfrentou os persas com apenas 300 espartanos, além de alguns téspios e tebanos. Ainda que derrotados nessa batalha específica, ao final, os gregos saíram vitoriosos, sendo que a lenda dos 300 guerreiros de Esparta teria sido a principal inspiração de patriotismo, de coragem e, principalmente, de eficiência.

 

Além da capacidade de se defender ou de atingir os inimigos, o que marcou aqueles guerreiros foi, especialmente, ajudarem-se uns aos outros. A solidariedade invulgar dos guerreiros de Esparta fez com que eles resistissem e, mesmo derrotados, se transformassem em lenda, dado que o atraso no avanço das tropas persas permitiu que os gregos se organizassem para os momentos seguintes. Assim, a passagem do herói individual a cidadão foi reforçada pela mudança da tática militar nas batalhas. O herói que demonstrava sua superioridade individual foi substituído pela tática da falange de vários homens, os quais não mais deviam se preocupar com o valor individual, mas substituí-lo pela submissão ao espírito de comunidade.

 

Várias iniciativas interessantes têm adotado como fonte de inspiração esses guerreiros. Recentemente, um professor de matemática da UnB, Ricardo Fragelli (ver: https://www.youtube.com/watch?v=gay6TYwVwf4), liderou o Projeto 300, o qual consiste em uma metodologia inovadora de ensino, que busca a partir da aprendizagem ativa e colaborativa melhorar o desempenho dos estudantes em matemática. Inspirados pelos 300 de Esparta, os estudantes que se saem bem na primeira avaliação do semestre ajudam os demais que tiveram notas mais baixas, preparando-os para segunda avaliação. E ganham pontos por isso, valorizando a solidariedade coletiva tanto quanto as boas notas individuais.

 

Os campos de aplicação dos mitos e lendas são ilimitados. Eles se aplicam também em modelos de gestão, os quais dizem respeito ao conjunto de normas e princípios que orientam os gestores na escolha das melhores alternativas para levar a empresa a cumprir sua missão com máxima eficiência e eficácia. O cumprimento dessa tarefa dependerá fortemente da cultura organizacional, ou seja, do conjunto de valores, crenças e princípios compartilhados pelas pessoas que fazem a organização. Fazer gestão, portanto, é fazer escolhas, incluindo selecionar como os indivíduos são motivados para perseguir seus objetivos.

 

O mais influente modelo contemporâneo de gestão é baseado em cumprimento de metas. Estas devem estar acopladas a um conjunto de objetivos inter-relacionados. Para serem consideradas boas metas, em princípio, elas devem ser mensuráveis e acordadas entre os diretores, os gestores responsáveis e os demais colaboradores subordinados. No campo educacional, é extremamente complexo mensurar o seu objetivo principal associado ao processo de emancipação do educando, para o que não há métrica definida. Para complicar ainda mais, as trajetórias de aprendizagem são únicas, sendo que cada um aprende de maneira cada vez mais personalizada.

 

Um equívoco bastante comum para quem não prestar a devida atenção no exemplo dos 300 guerreiros de Esparta é gerar metas individuais isoladas e não correlacionadas coletivamente, tal que deixe de ser especialmente premiada a solidariedade entre todos. Metas que não privilegiam objetivos coletivos e elementos de solidariedade ativa findam por estimular o egoísmo e correm o risco de gerar eventuais resultados parciais satisfatórios ao lado de missões finais gerais fracassadas. Como se vê, mitos convivem conosco no dia-a-dia e podemos e devemos utilizá-los para aprender ao longo de toda a vida.

 

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domingo, 9 de outubro de 2016 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 11:28

Pais e filhos em um Brasil em transe

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Dizem que ao contar sobre sua aldeia, fala-se também do mundo. Da mesma forma, ao relatar a vida pessoal, expressamos um pouco a história de toda uma geração. Claro que cada aldeia é diferente, bem como as trajetórias individuais são todas distintas, mas, de fato, há algo de global nos pequenos lugarejos e de padrão quase geral nas particularidades de cada um que frequenta a mesma época.

 

A infância em Assis, distante 444 Km de São Paulo, era cercada pelo sonho dos pais, pequenos comerciantes de primário completo, de que o caminho do sucesso dos filhos estava necessariamente associado à possibilidade de concluir ensino superior na capital. Tinham eles clareza, na década de 1970, que esse desejo seria mais facilmente viabilizado se os filhos pudessem frequentar um ensino médio particular de qualidade em São Paulo. Os esforços seriam enormes, mas estudar em colégios privados como o Bandeirantes justificaria o sacrifício, compensado amplamente pela quase garantia de ingresso em instituições públicas de qualidade como a Universidade de São Paulo.

 

Pais orgulhosos desfilavam na avenida principal do interior com a certeza de que a nova geração, graças às parcas economias geradas no comércio local, estava no caminho de uma escolaridade desproporcionalmente acima da geração deles. Seus filhos tinham agora o Brasil inteiro como destino. Se as credenciais incluíssem um mestrado ou doutorado, qualquer estado da federação seria boa opção e a estabilidade do serviço público uma benção. Se, por ventura, as universidades federais pudessem acolher seus filhos como docentes, o orgulho deles seria incontido, refletindo uma nação cuja nova geração, em termos de escolaridade e emprego, tinha ido muito além da anterior.

 

Por sua vez, para os filhos dessa geração, cursar ensino superior neste século XXI passava a ser quase obrigação ou obviedade. Seja pela multiplicidade de oferta ou pelas induções do ambiente doméstico já escolarizado, esse caminho transformava-se, de forma natural, em padrão. De novo, quanto mais especializados fossem, melhores oportunidades surgiriam. Agora as rodovias, que anteriormente levavam à capital, se transformavam nos aeroportos que conduziam a novos portos e horizontes. As perspectivas continuavam existindo em todos os lugares, mas, no início desta década, estudar e morar no exterior constituíam diferenciais que amplificavam possibilidades.

 

Nos tempos atuais, frustrados por um anunciado desenvolvimento econômico, social e ambiental sustentável que ainda não veio, os cenários de novo se alteram rapidamente. As opções em termos de formação acadêmica e oportunidades de trabalho dos filhos diferem das nossas tanto quanto, ou mais, do que as nossas diferiram de nossos pais. Trabalhar no exterior, hoje, cruza a barreira da ideia do estágio provisório na preparação do retorno e passa a se constituir em opção talvez permanente e definitiva. Este fenômeno é cristalizado, especialmente, aos jovens profissionais mais talentosos, dadas as limitações de oportunidades satisfatórias de trabalho mais especializados no Brasil.

 

Nossos pais e nossos filhos delimitam, conosco ao meio, três gerações de um país que se transforma rapidamente, especialmente em termos de acesso à escolaridade e de oportunidades profissionais. Sabemos que temos bons motivos, mesmo quando não conseguimos explicitar bem quais sejam, para termos sempre esperanças no que está por vir no Brasil. No momento, mesmo assim, temos ainda pouca clareza sobre o que é reservado para esta geração. Mesmo porque este futuro próximo dependerá, essencialmente, daquilo que fizermos, ou deixarmos de fazer, neste capítulo em curso da história nacional.

(Figura em Domínio Público, ver: https://pixabay.com/p-161068/?no_redirect)

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terça-feira, 4 de outubro de 2016 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 15:08

Pegadas digitais do educando

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​Em complemento ao artigo anterior “Analítica da aprendizagem é parte da solução”, neste texto aprofundaremos acerca de como analisar e fazer bom uso dos dados deixados pelos alunos. Praticamente todos os estudantes de nível superior deixam pegadas digitais em tempo real, tanto aqueles na modalidade a distância, como os presenciais, os quais, em geral, também utilizam plataformas digitais de aprendizagem.

Se pretendemos explorar causas e efeitos educacionais, as estatísticas disponíveis são fundamentais para contribuir, complementarmente, com as análises. É viável identificar eventuais lacunas acadêmicas, individuais ou coletivas, e desafios podem ser apresentados aos docentes sobre como construir caminhos para superar as dificuldades observadas. Se as tarefas previstas aos educandos e as questões a eles formuladas forem adequadamente desenhadas, podemos desenvolver a arte de conhecer, em detalhes, o ambiente educacional e cada um de seus atores. A meta é desenvolver a maior multiplicidade possível de trilhas educacionais, permitindo a cada educando explorar os respectivos caminhos que gerem os melhores resultados em processos contínuos de aprendizagem.

Atualmente, já estão disponíveis ferramentas para visualização das redes de interação construídas a partir de fóruns de discussão, onde podemos, com alguma facilidade, identificar padrões de comportamento dos alunos. As diversas maneiras com que os educandos lidam com os desafios propostos são igualmente relevantes, incluindo seus ritmos, as atitudes gerais e as abordagens por eles escolhidas. Além disso, ao formular uma questão de múltipla escolha, paradoxalmente, a resposta que menos elucida ou contribui adicionalmente é a certa. Para tanto, as respostas erradas apresentadas como alternativas devem ter sido sofisticadamente pensadas a partir do objetivo de identificar as razões e motivações das escolhas. Identificaremos alunos cujas maiores dificuldades estão associadas à falta de atenção e dificuldade de concentração, outros nos quais as deficiências de letramento, português e matemática, representam os grandes limitadores para a aprendizagem, bem como alguns onde as fragilidades derivam da ausência de determinados conceitos ou conteúdos.

Se é verdade que uma resposta somente diz pouco sobre o educando, com um número suficiente de questões, somado ao que pode ser percebido das demais interações, podem os gestores dos cursos dispor de material suficiente para formular as melhores trilhas educacionais, customizadas para cada aprendiz e suas peculiares circunstâncias. Imprescindível que o educando também acompanhe as próprias análises e seja ativo no processo, permitindo que ele também se conheça melhor, ampliando seu nível de consciência acerca dos mecanismos segundo os quais ele aprende (metacognição). Desta forma, amadurecendo a sua capacidade de aprender a aprender, o que lhe será fundamental na aprendizagem permanente ao longo da vida. Destaque-se que é importante que se tenha um controle muito rígido com a ética envolvida na disponibilização e uso dos dados coletados. Garantir a privacidade de todos os envolvidos e que os propósitos educacionais sejam absolutamente os únicos envolvidos são obrigações intransferíveis da instituição.

Há muitos projetos interessantes em curso fazendo bom uso de analítica de aprendizagem, tanto no Brasil como no exterior. A título de exemplos ilustrativos, elenco três a seguir: (i) https://analytics.jiscinvolve.org/wp/, (ii) http://www.laceproject.eu/, e (iii) https://confluence.sakaiproject.org/display/LAI/Learning+Analytics+Initiative.

Analítica da aprendizagem é ferramenta imprescindível na construção e aprimoramento de metodologias educacionais inovadoras baseadas em processos de aprendizagem híbridos, flexíveis e customizados. Inovar, educacionalmente, é conjugar quantidade e qualidade, tornando possível um cenário onde todos os educandos possam aprender, a todos seja possibilitado aprender o tempo todo e, como resultado, cada educando aprenda de maneira otimizada e personalizada.

Foto: Domínio público (http://absfreepic.com/free-photos/student-learning-with-computer-in-classroom.html)

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segunda-feira, 26 de setembro de 2016 aprendizagem, EaD, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 08:14

Analítica da aprendizagem é parte da solução

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Word Cloud "Big Data"

Analítica da aprendizagem (em inglês, learning analytics) diz respeito à abordagem baseada na coleta e análise sistemática de dados sobre os educandos e seus contextos, tendo em vista o entendimento e a otimização do processo de aprendizagem e do ambiente no qual ele ocorre. Embora não exista uma definição única ou consensual sobre o tema, ele está associado ao desenvolvimento de ações e estratégias educacionais implementadas com o suporte de modelos, simulações e padrões estatísticos. Tal processo viabiliza conferir a eficiência e eficácia de metodologias educacionais, conhecer mais sobre todos os atores envolvidos e aprimorar de forma inteligente e substantiva a prática pedagógica.

 

Coletar e analisar dados, como elemento de suporte para tomada de decisões, é o que nós fazemos todos os dias, mesmo que de forma natural e inconsciente. A novidade é que no mundo digital são gerados dados em níveis sem precedentes e, consequentemente, podemos dispor atualmente de estratégias inovadoras, assentadas na capacidade de predições inéditas, decorrentes do uso sistemático, sofisticado e inteligente de estatísticas de grandes massas de dados. Esta realidade é amplificada no mundo educacional atual pelo uso crescente de ambientes virtuais de aprendizagem, tanto na modalidade presencial como a distância. A plataforma virtual, a qual permite a utilização de diversas mídias e demais recursos para apresentar as informações associadas à aprendizagem, é o mesmo ambiente que viabiliza coletar automaticamente dados e analisar o desempenho dos alunos, tanto coletivamente como individualmente.

 

A mais relevante característica da estratégia baseada na analítica da aprendizagem é que pela primeira vez quebramos o paradigma de que o aumento da quantidade é necessariamente associado ao rebaixamento de qualidade. Pelo contrário, ela permite conjugar escala e qualidade, de tal forma que quanto maior a quantidade de dados as análises geradas tendem a ser mais confiáveis, colaborando ainda mais no conhecimento e na avaliação das ações educacionais em curso e no incremento do potencial das iniciativas futuras.

 

Atualmente, é possível conceber que todos os educandos podem aprender, todos aprendem o tempo todo, porém, cada educando aprende de maneira única e personalizada. Para tanto, educação contemporânea significa construir um ensino híbrido, flexível e customizado. A partir dos comportamentos dos estudantes, individualmente ou coletivamente, seja nas atitudes frente a desafios propostos ou via respostas, certas ou igualmente úteis erradas, às questões formuladas, é possível, por meio do desenvolvimento de algoritmos especiais, saber muito sobre cada educando. Isso inclui conhecer suas principais características, expectativas, lacunas, predicados etc. De posse da máxima percepção global sobre o aluno e frente a cada situação educacional específica, podem os educadores e educandos, apoiados por plataformas inteligentes, escolher de uma multiplicidade de trilhas educacionais a mais adaptada. Não menos importante, ao longo do processo, o aluno se permite conhecer melhor a si mesmo, ampliando seu nível de consciência acerca dos mecanismos e contextos nos quais ele otimiza seu aprendizado.

 

Com a abordagem baseada em analítica da aprendizagem passamos a dispor de uma ferramenta adicional indispensável aos educadores contemporâneos. Portanto, torna-se possível ampliar significativamente a capacidade de aprender a aprender, o que é absolutamente imprescindível em um contexto de educação permanente ao longo da vida. Fruto do uso adequado de novas tecnologias, em conjunto com a adoção de metodologias educacionais inovadoras, temos uma oportunidade ímpar de propiciar educação de qualidade para todos.

 

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sexta-feira, 16 de setembro de 2016 aprendizagem, Ensino Superior, Inovação e Educação | 17:30

Tratar bem o Português

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Devemos tratar bem todos os portugueses. Nossos patrícios ancestrais, juntamente com os nativos indígenas e os vários imigrantes, são os formadores da nação brasileira. No entanto, não é a eles que me refiro e sim à língua portuguesa. O Português originou-se da transformação do latim vulgar, com forte influência do céltico. No século V, o português arcaico desenvolveu-se como um dialeto românico, denominado galego português, decretado língua oficial do reino por Dom Dinis I, ao final do século XIII. No século XVI, com as atividades expansionistas do Reino de Portugal, esta língua se difundiu pelas novas terras descobertas, incluindo o Brasil.

 

O Português tem sido demasiadamente maltratado no Brasil, o que é agravado em suas consequências no contexto atual, em que o exercício pleno da cidadania e as oportunidades de explorar empregos e novos negócios dependem fortemente do nível de letramento. Letramento neste sentido está diretamente associado à capacidade do educando na aprendizagem da língua e dos demais códigos, incluindo a matemática. Sem letramento, está prejudicada a comunicação, falada e escrita, tornando difícil o bom convívio social. A base inicial do letramento inclui a habilidade de escrever ou entender um texto, bem como de compreender ou fazer uma fala, o que gera o diálogo e a comunicação com qualidade com os demais.

 

Neste texto, ficaremos no básico. Tentaremos abordar, ilustrativamente, alguns dos erros mais comuns que prejudicam os convívios. Por exemplo, a não conformidade nas palavras exceção, cidadãos e privilégio desautorizam a qualidade do restante do texto ou da manifestação. Outro erro grave é colocar o tentador plural no verbo fazer em frases corretas do tipo: “Faz dez anos que não visito…”. Da mesma forma, o verbo haver deve sempre seguir a forma: “Houve fatos que me levaram a…”.

 

Há inúmeros outros exemplos. Citemos alguns mais. Todo cuidado no uso do afim (junto), o qual é substantivo (indicando parente por afinidade ou aliado partidário) ou adjetivo (significando parecido, próximo), diferindo do a fim (separado), expressando propósito, intenção ou finalidade. Quando for utilizar menos enquanto advérbio jamais flexione gênero. Assim, use sempre: “menos gente”, “menos nervosa” etc. Lembrar que escrever por isso é sempre separado, inexistindo a forma unida. Evite, por favor, a confusão desnecessária entre o mais, significando adição/quantidade e o mas, o qual é uma conjunção com significado de oposição ou restrição. Lembre-se de que o correto é “deixe a carta para eu escrever…”, bem como “os policiais retiveram o documento…”.

 

Sempre que possível evite o “gerundismo”, ou seja, em vez de “vou estar enviando….” use a forma simples “vou enviar…”. Não confundir a forma ligada agente, como em agente secreto, com a forma separada a gente, significando o coletivo genérico. Não confunda meia e meio. meio é uma palavra invariável quando usado como advérbio, significando “um pouco” ou “mais ou menos”. Por sua vez, meia quer dizer metade (numeral).

 

Observe que uma coisa é o advérbio embaixo (junto), significando junto ou sob alguma coisa e bastante diverso do em baixo (separado) utilizado quando a palavra “baixo” tem sentido de adjetivo  . Há outros casos típicos que demandam atenção redobrada como os usos do “por que” e “porque”, bem como do “este” e do “esse”, temas que infelizmente não teremos tempo de tratar neste breve espaço.

 

Em suma, você, ao se expressar oralmente ou por escrito, deve chamar a atenção pelas coisas boas que fala ou escreve e jamais prejudicá-las pela forma, eventualmente não correta, com que se expressa. Trate bem o Português e você será recompensado largamente sendo bem compreendido e tendo a benção de aprender mais e entender melhor o mundo à sua volta, comunicando-se adequadamente com os seus.

 

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segunda-feira, 12 de setembro de 2016 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 09:40

Como ir bem no ENEM: além de saber, saber resolver

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Este ano o Exame Nacional do Ensino Médio – ENEM completa dezoito anos. A maioridade não lhe confere perenidade de forma, ao contrário, há ventos de novas mudanças, as quais são compreensíveis, dado que o exame sofreu alterações essenciais. Nasceu com a finalidade de medir a qualidade do ensino médio, no entanto, a partir do final da década passada, se transformou quase que exclusivamente em teste nacional de admissão ao ensino superior.

 

O resultado é que hoje o exame abrange anualmente um público de quase oito milhões de candidatos, com interesses concentrados nas mais de 250 mil vagas das universidades públicas e de milhões de outras oportunidades de ingresso no ensino privado. O ingresso na faculdade não é a finalidade única do ensino médio, porém, na ausência de uma base nacional comum curricular, o conteúdo do ENEM findou por se tornar a referência quase única do que é, ou deveria ser, ensinado naquele nível.

 

O ENEM, progressivamente, adotou uma cobrança cada vez maior de profundidade no domínio de matérias como matemática, física, química, biologia, língua estrangeira, história, geografia e redação. Mesmo assim, o nível de aprendizado em matemática no ensino médio na última avaliação do Sistema de Avaliação da Educação Básica – SAEB atestou retrocesso naquilo que já ia mal. A ênfase do ENEM tem sido mensurar domínio de conteúdo, capacidade de memória e habilidade de responder questões no tempo previsto, funcionando como atestado formal em itens supostos essenciais a ingressantes em cursos superiores. O drama adicional é que tais elementos estão muito associados à formação típica esperada no século passado, onde um conjunto razoavelmente delimitado de conteúdos, técnicas e procedimentos caracterizavam um profissional de ensino superior preparado para atender as demandas da época. Isso mudou, está mudando e mudará ainda muito mais. Caminhamos rapidamente para um novo cenário onde mais relevante do que o que foi aprendido é o desenvolvimento da capacidade de aprender a aprender, com o consequente aumento da consciência do educando sobre como ele aprende.

 

O mundo contemporâneo apresenta novidades e desafios resultantes do ingresso acelerado em uma sociedade onde a informação está, cada vez mais, totalmente disponibilizada e instantaneamente acessível. Assim, simplesmente separar os candidatos entre os que sabem e os que não sabem determinados conteúdos torna-se menos relevante do que, simultaneamente, selecionar e induzir talentos aptos a saberem resolver problemas. Saber resolver tem a ver com saber, mas vai além, significando fazer uso das informações disponíveis para apresentar soluções a desafios.

 

A capacidade de interpretar e analisar textos, fazendo uso dos dados disponibilizados, o uso da lógica e do raciocínio crítico e o desenvolvimento de um conjunto de atributos que transcendem o domínio simples de conteúdos ajudarão o candidato a ir bem no ENEM. A resposta a uma questão depende não só de memória e do domínio de conteúdos, mas inclui também capacidade de foco e outras atitudes. Ou seja, estamos medindo, ainda que indiretamente, o nível de amadurecimento da consciência adquirida pelo educando acerca dos mecanismos segundo os quais ele aprende, o quanto ele conhece a si mesmo e faz uso disso. Neste sentido, felizmente, aprendizagem inclui também a habilidade de aprender a aprender em um contexto de educação permanente ao longo da vida.

 

Mesmo que o ENEM, como ele é hoje, vise a, principalmente, selecionar e distinguir entre os que sabem e os que não sabem, há espaços a serem explorados por aqueles que, mais do que saber, se preocupem em saber resolver. Irão bem no ENEM aqueles capazes de explorar as atitudes maduras perante os desafios, o que será fundamental durante o exame e, especialmente, depois dele.

 

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domingo, 4 de setembro de 2016 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Inovação e Educação | 09:42

E-mails: mensagens educadas e eficientes

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O e-mail foi desenvolvido por Ray Tomlinson ao final de década de 1960, na época da antiga rede Arpanet. Ele criou também o símbolo @ para separar o nome do usuário do servidor em uso. No entanto, a popularização do e-mail ocorreu somente a partir da criação da rede Internet na década de 1980.

 

Mensagens, nas suas mais diversas formas, são quase tão antigas como os humanos. O correio postal, em particular, remonta ao século II a.C. na Grécia Antiga. Consta que um general ateniense teria enviado um mensageiro correndo (daí a palavra correio de correr) para comunicar a vitória de seu exército sobre os persas. O mensageiro Filípides, após percorrer 42 quilômetros (padrão Maratona), findou pagando com sua vida o excesso cometido na corrida.

 

Os provedores gratuitos a todos, surgidos em meados da década de 1990, foram os grandes responsáveis pela revolução promovida pelos webmails. O pioneiro foi o Hotmail e, na sequência, aparecem outros como Yahoo!, AOL, BOL e Zipmail. Rapidamente, os e-mails se transformaram em ferramentas de trabalho cooperativo e fator de aumento de produtividade nas empresas. Foi possível agilizar processos, disseminar informações e baixar custos operacionais, porém, como toda novidade trouxe também suas dificuldades associadas, tais como: spam, possibilidade de fraudes, disseminação de vírus e perda de privacidade.

 

Mais recentemente, especialmente entre os mais jovens, os e-mails passaram a ser considerados menos atraentes do que outras ferramentas como WhatsApp, Twitter, Instagram e Messenger/Facebook. No entanto, os e-mails se mostram resistentes quando as mensagens têm caráter formal, exigem mais funcionalidades e quando há necessidade de registro de informações. Novidades como computação na nuvem demandarão mudanças nos e-mails, as quais já estão em curso. Por exemplo, a conta Google, derivada do Gmail, oferece serviços mais completos e totalmente integrados como Google Docs, Reader, Latitude e Voice.

 

Não há regras fixas de como enviar e-mails educados e eficientes. Lembremos, no entanto, que são mais de cem bilhões de e-mails enviados todos os dias, ou seja, mais de um milhão por segundo. Vale a reflexão para que você não perca tempo (e paciência) escrevendo (ou lendo) textos que não serão lidos ou que não valem a pena serem lidos. O empreendedor Peter Diamandis não lê (e não envia) e-mails com mais de três linhas. Segundo ele, se o assunto demanda mais informação, há a opção de anexo ou de marcação de conversas posteriores, inclusive via e-mails complementares.

 

Ao enviar um e-mail, uma regra de ouro é fazer bom uso da linha assunto, a qual deve ser esclarecedora e chamativa, sendo tão importante quanto o conteúdo que ela anuncia. Use sempre formatos os mais universais e adote tamanhos padrão. Parágrafos concisos e espaçamentos entre eles ajudam na leitura. Se precisar destacar algo, ao invés de mudar a fonte ou adotar maiúsculo, preferencialmente, use negrito ou itálico.

 

Evite enviar ou mesmo ler e-mails nos momentos em que você está emocionalmente abalado. E-mail, ao contrário do telefone e do contato pessoal, permite e estimula que você pense, leia e releia tudo o que for enviar ou receber. Finalize sempre com cumprimentos e agradecimentos. Escreva sabendo que tudo poderá ser tornado público com privacidade zero. O e-mail é hoje aceito como documento, podendo responder o autor pelo teor do mesmo, em qualquer circunstância. Cuidado com detalhes tais como a assinatura de trabalho em e-mails pessoais, correndo-se o risco de parecer pouco amigável.

 

Por fim, entendo e pratico que todos os e-mails de caráter pessoal e individualizados demandam respostas, ainda que, a depender do caso, sejam retornos breves ou repassados para outros setores ou pessoas com mais pertinência ao tema. Receber um e-mail e não o retornar é tão mal-educado como ser saudado com “bom dia” ou “boa tarde” e, simplesmente, não responder.

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