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Arquivo da Categoria aprendizagem

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 09:40

O método é a essência e o obscurantismo o risco

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O conhecimento é algo mais amplo do que o conhecimento científico, englobando todas as crenças, as verdades pessoais e a cultura popular. Por sua vez, conhecimento científico é aquela limitada parte baseada no método científico.

 

Não se deve confundir verdade com ciência. Nem toda verdade é conhecimento científico. Por exemplo, individualmente, posso ter como crença que exista vida em outros planetas. Isso pode até ser verdade, sem que se constitua em verdade científica, dado não atender aos pressupostos do método científico (observação, lógica e experimentação). A separação entre os mundos da religião e da ciência, a partir desse raciocínio, pode se dar de forma clara, respeitosa e indispensável.

 

A liberdade religiosa e a livre manifestação de ideias são pressupostos inegociáveis dos tempos modernos. Felizmente, nossa sociedade garante espaços apropriados, tanto para o exercício da fé como para sua divulgação aos interessados.

 

A ciência moderna do século XVII, ancorada na observação, lógica e experimentação, conforme sintetizado por Galileu Galilei e seus contemporâneos, somada às ferramentas da matemática, a exemplo do cálculo diferencial e integral de Isaac Newton, permitiram entender e conhecer melhor a natureza e desenvolver leis, tais como as leis da mecânica, da termodinâmica e do eletromagnetismo.

 

Foi a partir da ciência moderna que tecnologias e conhecimentos extraordinários foram desenvolvidos nos séculos seguintes, tendo a máquina a vapor e a Teoria da Evolução de Darwin, e seus desdobramentos, como símbolos. Graças a esses avanços fabulosos, foi possível que a expectativa de vida, que ao início do século passado era de pouco mais do que 40 anos, quase dobrasse nos dias atuais. A Revolução Industrial, o desenvolvimento dos antibióticos, o saneamento básico, o conjunto de ferramentas tecnológicas e as novas visões de mundo colocadas ao nosso dispor representaram, graças ao método científico, enormes possibilidades de superarmos a fome, a miséria e as doenças.

 

O criacionismo, enquanto explicação para a origem e desenvolvimento da natureza, diz respeito aos conhecimentos experimentados pelo mundo da fé e não da ciência; o darwinismo e outras teorias científicas, por sua vez, pertencem ao espaço da ciência – tanto que podem e são contestadas, por não terem o caráter doutrinário como princípios.

 

Quando ouvimos sugestões de que em aulas de ciências se ensine, em pé de igualdade, as duas visões, criacionismo e darwinismo, é preciso deixar claro o que é do campo científico e o que vem do campo religioso, para evitar que se percam conquistas e saudáveis distinções que marcam o processo civilizatório contemporâneo. Abrem-se as portas para um inaceitável obscurantismo e intolerância, cujos limites, se cruzados, custarão demasiadamente caro para, posteriormente, tentarmos recuperar os danos causados a ambas as posições.

 

Um dos papeis principais da educação nos tempos atuais envolve preparar um cidadão capaz de entender, de forma emancipada, o mundo à sua volta. Para tanto, necessário desenvolver raciocínios lógicos amparados em métodos científicos, a busca do contraditório e o estímulo do espírito crítico, bem como ter capacidade analítica apurada, estar preparado para a aprendizagem permanente ao longo de toda a vida e ser tolerante, flexível e solidário. Sem domínio e clareza acerca do método, certamente, não disporemos de profissionais e cidadãos para alavancar um desenvolvimento econômico, social e ambiental sustentável.

 

 

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Artigo “Método e Obscurantismo” publicado em 13/12/2018 em Jornal DCI – Diário Comércio Indústria e Serviços.

 

Figura em Domínio Público em: https://www.flickr.com/photos/montrealprotest/20254442361

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quinta-feira, 6 de dezembro de 2018 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior | 08:59

Como cumprir o PNE, ou quase

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O Plano Nacional de Educação (PNE) estabelece diretrizes, metas e estratégias para os próximos dez anos da educação brasileira. Sendo lei (Lei No 13.005, de 25 de junho de 2014), cabe ao Governo e à sociedade respeitá-la e envidar todos os esforços para transformá-la em realidade.

 

No entanto, a quase totalidade dos estudiosos reconhece que algumas de suas metas, infelizmente, não serão cumpridas. O foco deste texto é, especificamente, a Meta 12, a qual se refere a elevar a taxa bruta de matrículas na educação superior para 50% e a taxa líquida para 33%, tendo como referência a população de 18 a 24 anos, assegurado que, pelo menos, 40% das novas matrículas sejam no segmento público.

 

As estratégias previstas no anexo da lei estão calcadas no aumento da oferta de vagas em instituições públicas. Quanto ao setor privado, as principais ferramentas de estímulo dizem respeito à expansão do Fundo de Financiamento Estudantil (FIES) e do Programa Universidade para Todos (PROUNI). No entanto, o aumento de recursos para as universidades públicas tem, realisticamente, poucas chances de ocorrer no horizonte próximo e o FIES, ao contrário de se fortalecer, dá evidentes sinais de exaustão.

 

Estamos atrasados no cronograma previsto e neste ano atingiremos o percentual aproximado de 35% na meta prevista de 50% de taxa bruta e de menos de 20% na meta de 33% de taxa líquida. Situação mais crítica ainda é quanto ao cumprimento de 40% das novas ofertas de vagas em instituições públicas, dado que, atualmente, ¾ das matrículas estão no setor privado, o qual permanece crescendo a taxas maiores do que o setor público.

 

Podemos, para tentar cumprir parte da Meta 12, priorizar o atingimento da taxa bruta de 50% de matrículas. Da mesma forma, naquilo que o setor público, por razões conjunturais não conseguir cumprir, que o setor privado, com qualidade aferida, possa tentar fazê-lo. Por fim, interpretemos matrículas no ensino superior no sentido amplo, mesmo quando não em cursos de graduação. Os cursos tradicionais de graduação de 4 a 5 anos terão como alternativas cursos de menor duração apropriadamente desenhados.

 

Hoje, o ensino superior conta com quase 9 milhões de matrículas. Para completar 50% de taxa bruta, teremos que acrescer, até 2024, mais 4 milhões de estudantes. Não podemos depender somente dos formandos do ensino médio, flutuando em torno de 1,8 milhão por ano, dado que tal número está estabilizado há tempos e sem perspectivas de alterações substantivas a curto prazo.

 

Entre as outras fontes potenciais de novos estudantes, destaco os quase 9 milhões com idade entre 18 e 24 anos que, embora tenham concluído o ensino médio, não frequentam o ensino superior. A longa duração e as abordagens dos cursos de graduação, nos moldes tradicionais, mesmo tendo logrado êxito no passado recente, parecem frustrar as expectativas desse contingente no mundo atual.  Novos modelos de desenvolvimento demandam profissionais e cidadãos com características diversas e mais complexas do que antes. Cursos mais curtos, com maior aderência aos interesses de curto e médio prazos, podem, eventualmente, ser mais atraentes.

 

Exemplificando, há pessoas que, por razões as mais diversas, mesmo não tendo demonstrado interesse em cursar Administração ou Ciências Contábeis, podem ser potenciais candidatos a um eventual curso de um ano, com direito a certificação, de Gestão e Finanças. Se os cursos forem bem desenhados, em módulos que interagem entre si, os estudantes seriam também estimulados a continuar, dentro do espírito que o diploma de graduação fosse a coroação de um conjunto sequencial de certificações intermediárias. Igualmente, podem ser ofertados cursos em áreas inéditas, tais como: tratamento de dados e algoritmos, mediação de conflitos, marketing digital, inteligência artificial ou blockchain. Estes atenderiam também a profissionais já formados (da ordem de 10 milhões) que, dentro do espírito de educação permanente ao longo da vida, deveriam procurar atualização.

 

O adequado seria cumprirmos plenamente a Meta 12. Dadas as evidências da impossibilidade prática de seu cumprimento integral, somos estimulados a tentar minorar os prejuízos, especialmente explorando os desafios de desenhos alternativos de cursos de curta duração, eventualmente, compatíveis com as necessidades e expectativas contemporâneas.

 

 

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Figura/Fonte: http://www.cnte.org.br/index.php/comunicacao/noticias/13156-comissao-especial-vai-analisar-modificacoes-do-senado-ao-pne.html

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sexta-feira, 12 de outubro de 2018 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 10:58

MENSAGEM AOS PROFESSORES

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Educar envolve mais do que transmitir conhecimento. Educação abre as portas para que cada educando desfrute ao máximo daquilo que, potencialmente, todos dispomos: inteligência, entendimento e sabedoria.

Dentre todas as espécies, somos a única que possui a incrível habilidade de transmitir cultura e conhecimento de forma organizada e consciente aos nossos descendentes. Os mais diversos ensinamentos, técnicas e procedimentos eram e são transmitidos pelos mestres aos seus aprendizes, os quais, após ritos de aprendizagem, se transformavam em profissionais e cidadãos mais bem preparados.

E assim tem sido ao longo dos tempos. Nos dias atuais vivemos grandes desafios, especialmente pela abrupta emergência das tecnologias digitais que a tudo modifica e transforma. Educar, mais do que nunca, é emancipar o educando para ser capaz de enfrentar problemas inéditos.

Contemporaneamente, educar é promover a aprendizagem independente ao longo de toda a vida, entendendo que cada educando aprende de maneira única e personalizada e que todos aprendem, em qualquer lugar e o tempo todo. Educar é também entender o outro e fazer algo a partir disso, aprendendo a trabalhar em equipe de forma cooperativa e solidária.

Temos, como educadores, a possibilidade de contribuir para que o educando se emancipe, dominando a arte de aprender a aprender continuamente, gerando as condições para um desenvolvimento econômico, social e ambiental sustentável.

Caros Docentes, Parabéns.

Comemoremos, merecidamente, o Dia do Professor.

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Figura em Domínio Público: http://www.clker.com/clipart-655940.html

 

 

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terça-feira, 18 de setembro de 2018 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Inovação e Educação | 15:07

Os significados das palavras aluno e educador

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O vocábulo “aluno” provém do latim alumnus, significando, literalmente, criança de peito ou aquele que se alimenta de leite. Em outras palavras, um lactante intelectual ou um discípulo. Alumnus ou alumni é proveniente do verbo alere que, em latim, significa alimentar, sustentar, nutrir ou fazer crescer.

 

Erroneamente, alguns textos tratam a palavra “aluno” como sendo a junção do prefixo grego a, que corresponderia a ausente ou sem, e o sufixo luno, derivado da palavra latina lumni, significando luz. Portanto, na incorreta versão, aluno seria aquele sem luz ou sem conhecimento. A falsa etimologia acima é menos inocente do que parece. Trata-se de equívoco que encontrou terra fértil naqueles que veem o aluno como alguém mais passivo no processo educacional. Ao tratá-lo como sem luz, corre-se o risco de findar transformando em fato algo que era, de início, somente uma simples confusão etimológica.

 

Há também uma sutileza complementar, não tão evidente, associada à possível distinção entre aluno e estudante. Embora não sejam conceitos rígidos, tende-se a utilizar o termo aluno para designar aquele que pratica a atividade de assistir a aula; enquanto estudante se refere àquele que pratica a atividade de estudar. No primeiro caso é, essencialmente, uma atividade coletiva e, predominantemente, passiva; no segundo é, fundamentalmente, de caráter mais individual e decorrente de uma postura, necessariamente, ativa.

 

Quanto ao “educador”, é normal ser tratado indistintamente de “professor”, ainda que não signifiquem exatamente a mesma coisa. Professor é, de forma simplificada, o profissional que ensina uma ciência, uma arte, uma técnica, uma disciplina. Educador, por sua vez, transcende as atividades descritas, tendo como responsabilidade inerente a formação integral do educando. O termo “educador” tem origem no vocábulo latim educatore, aquele que cria ou nutre. Todo educador é necessariamente um professor, sem que não obrigatoriamente o contrário seja verdade.

 

Educação, da mesma forma, se diferencia de ensino. O físico Alberto Einstein, falecido em meados do século passado, optou por expressar tal distinção na forma: “educação é aquilo que fica depois que esquecemos o que foi ensinado ou aprendido”. Nesse sentido, educação é um ato que envolve o ser humano holisticamente, contemplando todos os seus aspectos, sejam físicos, cognitivos ou metacognitivos. Nessa perspectiva, o aluno é entendido como um ser dotado de saberes, qualidades e potencialidades, a quem o educador não está restrito a repassar o conteúdo de sua disciplina, mas sim em emancipá-lo à medida que ele é capacitado para aprender contínua e permanentemente ao longo da vida.

 

É possível uma visão pela qual o educador, ele próprio um sujeito em constante processo de aprendizagem, se diferencie do professor tradicional, evitando se considerar o dono do saber e única parte ativa do processo educacional. O educador é capaz de construir, juntamente com seus alunos, um aprendizado dinâmico, nos quais os eventuais erros do educando compõem base fundamental para reflexões e avanços educacionais.

 

As distinções acima abordadas tratam de diferenças que não são simples, tampouco estanques, dado serem partes de processos complexos. O que sabemos é que, no mundo contemporâneo, o ensino tradicional caminha em direção a uma educação híbrida, flexível e permanente. Neste contexto, os conceitos mais apropriados acerca do aluno e do educador irão ganhando sentidos mais claros à medida que educação se torna menos rotina ou repetição e, progressivamente, se transforma em atividade mais próxima da arte, demandando criação em constante evolução.

 

 

 

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Imagem em Domínio Público:

https://pt.freeimages.com/photo/baby-boom-1240639

 

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quinta-feira, 30 de agosto de 2018 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 16:08

Saber aprender é mais do que aprender

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Houve um período, em um passado bem recente, em que o domínio de determinado conteúdo, acrescido de alguns procedimentos e técnicas, poderiam ser suficientes para que um profissional atendesse plenamente as demandas daquela época. O modelo de desenvolvimento econômico e social era compatível com tais exigências e as escolas, em todos os níveis, corresponderam às expectativas, cumprindo de forma exemplar o que estava previsto.

 

O drama é que o tempo, inexoravelmente, flui e mudanças drásticas, rápidas e profundas estão em curso, alterando de forma radical esse contexto. As tecnologias digitais apontam, a passos acelerados, para uma sociedade em que a informação estará totalmente acessível, de forma instantânea e basicamente gratuita. Educacionalmente, aquilo que um dia havia sido suficiente permanece necessário, mas novos ingredientes e características adicionais estão presentes com a mesma, ou maior, importância.

 

Na Revolução Industrial e, especialmente, durante o século XX, os predicados de um bom profissional estavam associados aos padrões de produção nos moldes fordistas e tayloristas e nas competências que lhe fossem compatíveis. O mundo contemporâneo apresenta desafios inimagináveis há poucas décadas, passando por um aspecto essencial associado ao processo de aprendizagem. Se o relevante era o que havia sido aprendido, hoje o que mais importa é o quanto o educando aumentou sua compreensão e controle sobre seu próprio processo cognitivo. Ou seja, o incremento do nível de consciência acerca de como ele aprende, permitindo, em conjunto com os demais atores do processo, gerar estratégias educacionais personalizadas que atendam suas particularidades e peculiaridades.

 

Denomina-se metacognição a esse conjunto de abordagens que transcende a cognição simples. As habilidades metacognitivas incluem: i) o conhecimento da cognição, contemplando o conhecimento dos fatores associados ao desempenho na aprendizagem, o domínio de vários tipos de estratégias adotadas para aprender e saber customizar cada estratégia para situações específicas; e ii) a regulação da cognição, dizendo respeito ao estabelecimento de planejamento e metas, monitoramento e controle da aprendizagem e avaliação da própria regulação, especialmente dos resultados e das estratégias adotadas.

 

Em suma, o estímulo para que os educandos reflitam sobre seus próprios processos e estratégias implica em autorreflexão e exigência de aprender trabalhar em equipe, incluindo a prática de entender o outro, desta forma promovendo a aprendizagem colaborativa e independente, indispensável em um cenário de aprendizagem permanente ao longo da vida.  No processo formativo do educando, agregam-se às características tradicionais de natureza mais técnica, um conjunto de elementos socioemocionais, os quais alguns enxergam como sendo uma recuperação de elementos humanísticos em contraposição às ênfases exclusivamente tecnológicas. Tal dinâmica pode, igualmente, ser vista à luz da priorização dos instrumentais metacognitivos (saber aprender) em complemento à versão mais antiga de cognição simples.

 

Do ponto de vista dos empregadores de profissionais de nível superior e do aproveitamento de novas oportunidades de negócios por parte dos próprios formandos, aquilo que se aprende nas abordagens clássicas do ensino superior continua sendo indispensável, ainda que insuficiente, para as atividades do universo profissional atual. No entanto, as abordagens inovadoras que privilegiam as habilidades metacognitivas serão sim as definidoras dos níveis de sucesso desses cidadãos ao longo do cumprimento de suas missões, sejam elas quais forem.

 

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Imagem em Domínio Público, como visto em: https://medicalxpress.com/news/2017-12-mastering-features-individual.html

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segunda-feira, 6 de agosto de 2018 aprendizagem, EaD, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 14:07

Concluintes do Ensino Médio: diminuição ou novos caminhos?

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O número de concluintes do Ensino Médio Regular em 2017, algo em torno de 1 milhão e 780 mil, é 2,6% menor do que o de 2016, 1 milhão e 830 mil, aproximadamente. De fato, são números assustadores em si, porém, não é tão simples indicar que eles, isoladamente, impliquem em retração inevitável de interessados em Educação Superior nos próximos anos. Claro que o desejável seria termos um crescimento contínuo e substantivo de jovens se formando naquele nível, no entanto, há outros fenômenos ocorrendo simultaneamente e que devem ser levados em conta.

 

No último domingo (05 de agosto), foi aplicado o Exame Nacional para a Certificação de Competências de Jovens e Adultos (ENCCEJA), quando 1 milhão e 340 mil inscritos, número 7,6% maior do que no ano anterior, visam a obtenção do diploma de Ensino Médio. Parte significa deles declara a expectativa de, posteriormente, pleitear vagas no Ensino Superior. Assim, é possível observar que a diminuição de formandos no Ensino Médio Regular é compensada pelo incremento, mais do que o dobro de um ano para outro, de potenciais postulantes vindos por um outro caminho.

 

Duas observações preliminares sobre o ENCCEJA. Primeira, o exame é constituído basicamente de quatro partes: matemática; ciências da natureza suas tecnologias; linguagens e códigos; redação; e ciências humanas e suas tecnologias. Segunda, o Exame Nacional de Ensino Médio (ENEM) até 2016 possibilitava o recebimento de diploma do Ensino Médio, sendo que mais de 1 milhão de postulantes ao ENEM atestavam ter tal objetivo como requisito essencial para o ingresso no nível superior.

 

Assim, parte da dinâmica de interesses e opções acima parece estar associada ao relativo e crescente desinteresse dos jovens pelo Ensino Médio Regular na forma que ele é hoje. No passado, os postulantes do ENCCEJA e de seus exames predecessores eram basicamente pessoas maduras que haviam perdido a oportunidade de estudar quando na idade apropriada. Contemporaneamente, é crescente a quantidade de jovens que preferem aguardar completar 18 anos para, via caminhos alternativos, testar seus conhecimentos e, se aprovados, obter seus certificados.

 

Interessante observar que, pela primeira vez, é significativo e crescente o percentual de candidatos ao diploma de Ensino Médio que consegue acesso ao conteúdo do exame via outras formas, que não a escola tradicional. Atualmente, há várias iniciativas inéditas e estão disponíveis um conjunto de atraentes portais educativos de qualidade, parte deles gratuitos e os demais acessíveis a baixos custos. Tais caminhos se mostram cada vez mais interessantes àqueles que expressam compatibilidade com metodologias e tecnologias que permitem ao educando aprender o tempo todo e em qualquer lugar.

 

Não deve surpreender a ninguém que acompanha os processos educacionais no Brasil o fato de que, em poucos anos, o número de matrículas do Ensino Superior na modalidade a distância superará o correspondente no presencial. Da mesma forma e mais enfaticamente ainda, quanto às crianças e os mais jovens, sempre que eles tiverem a opção de explorar novas abordagens educacionais, desde que demonstrem mais compatibilidade com as formas segundo as quais eles vivem, trabalham e se relacionam com amigos e família, parte deles assim procederá.

 

São fenômenos complexos e com variáveis múltiplas. Portanto, na tentativa de simplificá-los, corremos o risco de gerar interpretações equivocadas ou demasiadamente parciais. Porém, parece inequívoco que, em geral, a tendência aponta para um sucesso educacional relativamente maior via a adoção progressiva de metodologias híbridas e flexíveis. Ou seja, a partir da incorporação apropriada de tecnologias digitais, é possível propiciar um ensino personalizado, mais atraente e eficiente. Desta forma, temos a oportunidade de cumprir com os objetivos de uma educação de qualidade para muitos, propiciando que todos estudem, desde que atendendo à indispensável customização que leva em conta o fato de que cada educando aprende de maneira pessoal e única.

 

 

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Imagem em Domínio Público: https://pixabay.com/pt/on-line-educa%C3%A7%C3%A3o-tutorial-3412473/

 

 

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sábado, 28 de julho de 2018 aprendizagem, Inovação e Educação | 22:18

Meritocracia e os alpinistas

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A palavra meritocracia vem do latim meritum, significando “mérito”, unida ao sufixo grego cracia, que quer dizer “poder”. Portanto, o significado literal de meritocracia é “poder do mérito”. Assim, há várias definições de meritocracia, sendo a mais geral entendê-la como um sistema ou modelo de hierarquização e premiação baseado nos méritos pessoais de cada indivíduo. Deste ponto de vista, o processo de alavancagem profissional e social seria uma consequência dos méritos personalizados, ou seja, dos seus próprios talentos e esforços.

 

Alpinista, por sua vez, é o nome dado àquele que exerce o alpinismo, atividade desportiva de alta montanha, em geral acima de 2.500 m, o que exige boa condição física, preparação específica e equipamentos adequados. Para montanhas mais altas, faz-se necessário para atingir o cume cumprir etapas ao longo da caminhada, denominadas bases. Geralmente, essas bases são utilizadas para a recuperação do corpo durante a noite.

 

Em certo amanhecer, já numa base em direção ao topo, tendo já sido cumpridas várias etapas anteriores, dois alpinistas acordam em barracas adjacentes e compartilham, antes de enfrentarem as progressivas dificuldades do dia, os primeiros raios de sol da manhã. Um deles, um homem bastante forte e, a outra, uma mulher preparada, ainda que, naturalmente, sem a mesma força do primeiro. Ele vira-se para ela e comenta: “Bom dia, colega alpinista, vejo com enorme felicidade estarmos juntos nesta etapa, mostrando como é possível sermos iguais”. Complementando com: “Mais ainda quando sabemos que você, moradora dos vales mais baixos, teve mais dificuldades do que eu que, além de mais forte, habito um lugarejo mais alto, já nas montanhas, e, portanto, mais acostumado às alturas. Mesmo assim, em que pesem nossas diferenças, hoje somos iguais”.

 

Ao que ela se vira para ele e, no mesmo tom, diz: “Bom dia, caro colega alpinista. Prazer enorme estarmos hoje no mesmo ponto desta longa caminhada, porém, permita-me afirmar que somos tudo, menos iguais”. Adendando: “Embora momentaneamente juntos, entendo que aquele, entre nós dois, que percorreu os caminhos mais difíceis, enfrentou mais obstáculos e aprendeu com as superações, seguramente, está mais preparado para atingir o cume e o fará, por certo, melhor e antes”. Assim falando, saem os dois, fraternalmente, em direção ao cume da montanha.

 

Se visto o alpinismo, bem como a vida, na forma de ilustrações para entender a meritocracia, podemos, alternativamente, enxergá-los como corridas de obstáculos, onde se colocam à prova as capacidades, os talentos e dedicações. Pressupõe, portanto, que medir meritocracia implica que todos os competidores tenham saído de uma mesma linha de partida, enfrentado obstáculos semelhantes sob condições de tempo e de preparação iguais.

 

Mesmo assim, a ênfase desta particular metáfora não é, principalmente, ressaltar a necessidade da desejável identidade plena de condições e de possibilidades a todos os participantes em qualquer processo. O destaque, neste caso, é acerca da importância de contemplar nas mensurações de meritocracia a capacidade específica exibida por aqueles que cruzaram por mais problemas, saíram ilesos de mais armadilhas e, fruto de suas competências, talentos e esforços, estão diferenciadamente talhados a seguir em frente. Desta forma, relativamente mais confiantes de si e aptos a cumprirem, com máxima dignidade, suas respectivas missões, sejam elas quais forem.

 

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Imagem em Domínio Público, como vista em: https://free-images.com/or/cda6/high_speed_glacier_alpinists.jpg

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sexta-feira, 20 de julho de 2018 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior | 08:18

Educação: mais recursos versus melhor gestão

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O relatório “Aspectos Fiscais da Educação no Brasil”, divulgado pela Secretaria do Tesouro Nacional do Ministério da Fazenda no último dia 06 de julho, aborda tema pertinente e estratégico para o país. O investimento brasileiro em educação, da ordem de 6% do Produto Interno Bruto (PIB), é comparado com a média de investimentos de 5,5% do PIB dos países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

 

A iniciativa é meritória e os números são precisos; mesmo assim, corre-se o risco de tentar justificar investir menos em educação porque a gestão precisa ser melhorada. Tal raciocínio é tão inadequado como desprezar inadiáveis melhorias de gestão antes que sejam assegurados mais recursos para a área. Mais investimentos, aprimoramentos na gestão e corretas definições de prioridades são missões urgentes e precisam ser realizadas de forma simultânea e sincrônica. Em educação, restringir recursos é mortal, porque asfixia definitivamente, e ser desleixado com a implementação imediata de padrões de eficiência e eficácia são, igualmente, crimes de lesa-pátria.

 

O papel essencial dos processos de aprendizagem é emancipar o educando, preparando-o para a vida, em todas as suas dimensões. Uma das funções estratégicas da educação é garantir força de trabalho qualificada, tal que os produtos e serviços de um país possam ser competitivos globalmente. Dispor de uma geração educada garante ambientes domésticos que favorecem o processo de aprendizagem da próxima.  Nações com carências educacionais maiores, como é o caso do Brasil, demandarão, naturalmente, mais investimentos do que a média de seus principais competidores. Assim, em um cenário onde a população adulta é educacionalmente frágil, o Estado se sobrecarrega em sua tarefa de garantir condições adequadas aos mais jovens.

 

O relatório destaca que da despesa primária da União com educação (R$ 117,2 bilhões em 2017) quase 70% é destinado ao ensino superior e o restante à educação básica. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira (LDB), Lei 9394/96, estabelece que a educação básica é prioritariamente responsabilidade de Estados e Municípios, em regime de colaboração, e com assistência da União. Define também que a União incumbir-se-á dos processos regulatórios das instituições de educação superior e o estabelecimento do seu sistema de ensino. Assim, na prática, o aumento da proporção na arrecadação da União dos investimentos em educação de 4,7% para 8,3% entre 2008 e 2017, embora tenham impactado positivamente a educação básica, migraram principalmente para a manutenção do ensino superior. Infelizmente, o crescimento dos investimentos da União em relação ao PIB neste período, de 1,1% para 1,8%, não foi acompanhado na mesma proporção pelos Estados e Municípios.

 

O drama nacional é que, embora tenhamos registrado significativos avanços quanto à oferta de vagas em todos os níveis de ensino, permanecemos com deficiências extremas e ocupamos as últimas posições nas avaliações internacionais. A título de exemplo, no Pisa (Programme for International Student Assesment), promovido pela OCDE e dirigido a jovens na faixa dos 15 anos, estamos, entre 70 países participantes, na 63ª posição em ciências, 59ª em leitura e 66ª em matemática. São, de fato, resultados alarmantes e inaceitáveis para um país com o potencial que o Brasil tem e que precisa promover imediatamente um desenvolvimento econômico, social e ambiental sustentável.

 

O relatório, ainda que pertinente em sua temática, demonstra um preocupante viés ao estabelecer enquanto principal desafio o aprimoramento da gestão nos processos educacionais. O risco evidente é findar sendo mais uma explicação para cortes de investimento e menos reflexões em direção a uma visão sistêmica que vise a conjugar esforços de mais recursos acompanhados de melhorias nos processos de gestão. Em suma, investir mais e melhor é decifrar o falso dilema entre dois aspectos que não se contrapõem. Ao contrário, são interdependentes, complementares e caminhos essenciais para que tenhamos alguma perspectiva de futuro enquanto nação.

 

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Figura disponível em: https://dcvitti.com/2018/07/06/o-que-a-biblia-diz-sobre-o-capitalismo/

 

 

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segunda-feira, 9 de julho de 2018 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Inovação e Educação | 11:20

Vantagens de trabalhar com educação

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Toda forma de trabalho é válida. Qualquer trabalho honesto é nobre. Mesmo assim, nem todos os ofícios são iguais; algumas tarefas parecem ser mais prazerosas e positivamente diferenciadas. Entre os trabalhos distintos, destaco educação.

 

Nada há de errado em vender produtos e serviços. Mesmo assim, se vendo alimentos, por exemplo, eles podem fazer bem ou mal. Se ingeridos em quantidade excessiva, podem engordar e prejudicar a saúde. Se meu negócio é vender automóveis, ainda que uns sejam melhores do que outros, todos, em algum nível, poluem e geram congestionamentos, além de causarem prejuízos, às vezes fatais, em casos de acidentes. A atividade no mercado financeiro, emprestando dinheiro e garantindo créditos, busca resolver problemas e promover o desenvolvimento. Ela pode dar certo e ser útil, mas pode dar errado e findar sendo catastrófico. Em certas situações só agrava a dificuldade inicial do cliente, transformando pagar o próprio empréstimo no grande drama do futuro.

 

Há inúmeros outros exemplos de produtos e serviços que se caracterizam por terem mais valor quanto mais raros e exclusivos forem, em geral, vendendo a exclusão dos demais. Por sua vez, educação é um dos poucos serviços (saúde é outro) onde mesmo quem não o adquire ganha também. Quem dela desfruta jamais viverá a circunstância de tê-la em demasia, mesmo porque chamar alguém de excessivamente educado é um elogio. O convívio em um ambiente onde todos tiveram acesso à educação não gera poluição de conhecimento ou acidentes. Até mesmo alguém que despreze educação será um privilegiado se puder desfrutar das oportunidades geradas por uma comunidade que valoriza e estimula educação.

 

O papel essencial dos processos de aprendizagem é emancipar o educando, preparando-o para a vida, em todas as suas dimensões. Uma das funções estratégicas da educação é garantir força de trabalho qualificada, tal que os produtos e serviços gerados possam ser competitivos, promovendo um desenvolvimento econômico, social e ambiental sustentável.

 

No ofício docente não cabe ao professor distribuir um montante limitado de conhecimento aos seus educandos. Ensinar a um não tira de quem ensina e é ilimitado a quem aprende, sejam os aprendizes quantos forem. Quando um aprende, os demais também ganham, especialmente quem ensinou, que aprende a ensinar cada vez melhor. Aprender mais não retira do que já se sabe ou de quem já sabe.

 

Educação no mundo atual, diferentemente do passado próximo, é a principal ferramenta em qualquer circunstância. Esqueça das armas, pense no conhecimento como sendo o mais efetivo instrumento de sobrevivência nas guerras contemporâneas. O único risco da educação é a sua ausência ou deficiência, ou seja, não dispor de escolaridade suficiente é caminho quase inevitável para o sofrimento e a pobreza, material e espiritual.

 

Uma pessoa educada, pelos seus comportamentos, hábitos e posturas ganha imediato respeito de todos, em qualquer lugar e sempre. Dinheiro, fama e poder também geram sentimentos parecidos, mas não iguais, dado serem circunstanciais e não perenes, além de não necessariamente sinceros.

 

No passado, ser da família com posses determinava automaticamente o futuro dos filhos. Hoje, os melhores empregos e oportunidades de negócios estão abertos a quem estuda e aprende, adquirindo conhecimento ao longo de toda a vida, seja rico ou seja pobre. E quanto mais se estuda, mais amplas as possibilidades de sucesso, de forma abrangente e ilimitada.

 

Por fim, e não menos importante: educação faz amigos. Os mais sinceros e duradouros relacionamentos são lastreados pela admiração por quem o outro é. Ainda que dinheiro e beleza pareçam concorrer no mesmo sentido, lembremo-nos que ambos são bem menos perenes do que o conhecimento adquirido e naquilo que nos transformamos em função dele. Refletindo o apreço pela educação, nada mais charmoso e atraente do que a inteligência.

 

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terça-feira, 26 de junho de 2018 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 14:52

Nômades digitais: desempregados, sem-teto e felizes

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A revolução decorrente da onipresença das tecnologias digitais está progressivamente alterando elementos essenciais do mundo do trabalho e modificando as formas como moramos e como convivemos. Expressões dessas mudanças são os novos espaços urbanos delas decorrentes. Entre eles, surgem, com grande destaque, as experiências de coworking e de coliving.

 

Coworking, de forma resumida, traduz um novo ambiente de trabalho, a partir do qual pequenas empresas e profissionais autônomos se relacionam com seus clientes, seus fornecedores e estabelecem laços entre si. São espaços democráticos compartilhados que permitem o desenvolvimento dos mais variados projetos sem as burocracias e as hierarquias dos escritórios convencionais e sem padecer do isolamento do chamado home office.

 

Oferecer uma adequada infraestrutura similar aos escritórios convencionais, incluindo todas as formas de atendimento e salas para receber clientes, é somente o ponto de partida de empreendimentos como esses. Acresçam-se a isso, ambientes inspiradores, especialmente pensados para o trabalho autônomo, a possibilidade de novos relacionamentos e a garantia de oportunidade de diversão a todos.

 

Os coworkings crescem a olhos vistos. No Brasil, já são centenas; no mundo, milhares. A título de exemplo, a empresa WeWork, fundada há somente oito anos, já é a segunda maior usuária de espaços de escritórios em Londres, perdendo apenas para o Governo Britânico. O sucesso dos coworkings não decorre somente de criatividade, mas, fundamentalmente, do fato que migramos de um modelo de desenvolvimento econômico, social e ambiental que demandava profissionais especialistas para um novo cenário onde o principal predicado é a flexibilidade. Ser flexível, em geral, passa por ter uma formação universitária que permita ao profissional encarar qualquer desafio sem o temor de decifrá-lo e cumpri-lo. Ter flexibilidade também é ter a disponibilidade de migrar de uma cidade para outra, bem como a habilidade de executar as tarefas em ambientes semelhantes aos que os espaços de coworking oferecem.

 

Por sua vez, os espaços coliving representam o estado da arte do hábito humano de viver em comunidade, desde as eras mais longínquas. A convivência em tribos e clãs foi sendo, progressivamente, adaptada à vida urbana e ao aumento da densidade demográfica. Atualmente, nesta etapa da história, há uma tendência em se questionar se ainda vale a pena manter uma moradia particular, com altos gastos e pouca socialização. Surge a alternativa de derrubar paredes, enfrentando a crise da falta de espaços físicos, e questionar os ideais de individualização e a falta de racionalidade dos modelos vigentes.

 

O conceito de coliving, que estimula a integração, a sustentabilidade e o espírito de colaboração, remonta ao início da década de 1970 com a experiência dinamarquesa do Cohousing Saettedammen. Tratava-se de uma comunidade com 35 famílias, na Dinamarca, onde as moradias permaneciam privadas e os demais espaços de convivência e atividades, como refeições e limpeza de ambientes eram compartilhados, com o objetivo de estimular o relacionamento entre vizinhos. Em 1988, o arquiteto norte-americano Charles Durrett adotou a mesma perspectiva sustentável em seus empreendimentos. Ainda que em outro contexto, o coliving apresenta algum nível de semelhança com as tradicionais repúblicas de estudantes, resguardadas suas diferenças de tempos e propósitos.

 

A combinação do coworking com o coliving estimula que trabalho, relacionamentos e entretenimento sejam frutos de compartilhamentos sem barreiras ou fronteiras estanques. Lar, escritório e clube num pacote único somado ao fato que podemos migrar a cada mês, semestre ou ano de um ambiente para outro a milhares de quilômetros sem burocracia ou perda de tempo com novos ajustes. Considerando que a tendência nas atividades profissionais inclui não somente a diversidade de ocupações, mas também a multiplicidade de oportunidades de moradias em cidades distintas, denominou-se esta geração movida a coworkings e colivings de “nômades digitais”.

 

É ainda um pouco cedo, talvez ingênuo, para termos uma opinião definitiva sobre os desdobramentos dessas novas maneiras de viver. Por enquanto, sabemos apenas que esses nômades digitais aparentam estar felizes. Quem viver verá.

 

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Foto: Empresa WeWork, citada no texto, em Ipanema, Rio de Janeiro-RJ, Brasil. Ver link:

https://www.wework.com/pt-BR/buildings/ipanema–rio-de-janeiro

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