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terça-feira, 18 de outubro de 2016 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Inovação e Educação | 08:17

Os 300 de Esparta e modelos de gestão

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Lendas e mitos nos ajudam a entender o presente e lançam luz sobre o futuro. Por vezes, símbolos simples são capazes de descrever coisas ou materializar ideias mais e melhor do que longos discursos.

 

As cidades-estados da Grécia Antiga, entre elas Esparta e Atenas, viviam permanentemente aterrorizadas por uma possível invasão dos persas. Em 480 a.C., ocorreu a guerra entre a aliança liderada pelo rei de Esparta, Leônidas I, e os persas. Na Batalha de Termópilas, os persas haviam deslocado um enorme exército, centenas de milhares de homens, para, finalmente, conquistar toda a Grécia. Com um número desproporcionalmente menor de soldados, cabia aos gregos, mais uma vez, resistirem aos invasores. Rei Leônidas, num certo momento, liberou seu exército e enfrentou os persas com apenas 300 espartanos, além de alguns téspios e tebanos. Ainda que derrotados nessa batalha específica, ao final, os gregos saíram vitoriosos, sendo que a lenda dos 300 guerreiros de Esparta teria sido a principal inspiração de patriotismo, de coragem e, principalmente, de eficiência.

 

Além da capacidade de se defender ou de atingir os inimigos, o que marcou aqueles guerreiros foi, especialmente, ajudarem-se uns aos outros. A solidariedade invulgar dos guerreiros de Esparta fez com que eles resistissem e, mesmo derrotados, se transformassem em lenda, dado que o atraso no avanço das tropas persas permitiu que os gregos se organizassem para os momentos seguintes. Assim, a passagem do herói individual a cidadão foi reforçada pela mudança da tática militar nas batalhas. O herói que demonstrava sua superioridade individual foi substituído pela tática da falange de vários homens, os quais não mais deviam se preocupar com o valor individual, mas substituí-lo pela submissão ao espírito de comunidade.

 

Várias iniciativas interessantes têm adotado como fonte de inspiração esses guerreiros. Recentemente, um professor de matemática da UnB, Ricardo Fragelli (ver: https://www.youtube.com/watch?v=gay6TYwVwf4), liderou o Projeto 300, o qual consiste em uma metodologia inovadora de ensino, que busca a partir da aprendizagem ativa e colaborativa melhorar o desempenho dos estudantes em matemática. Inspirados pelos 300 de Esparta, os estudantes que se saem bem na primeira avaliação do semestre ajudam os demais que tiveram notas mais baixas, preparando-os para segunda avaliação. E ganham pontos por isso, valorizando a solidariedade coletiva tanto quanto as boas notas individuais.

 

Os campos de aplicação dos mitos e lendas são ilimitados. Eles se aplicam também em modelos de gestão, os quais dizem respeito ao conjunto de normas e princípios que orientam os gestores na escolha das melhores alternativas para levar a empresa a cumprir sua missão com máxima eficiência e eficácia. O cumprimento dessa tarefa dependerá fortemente da cultura organizacional, ou seja, do conjunto de valores, crenças e princípios compartilhados pelas pessoas que fazem a organização. Fazer gestão, portanto, é fazer escolhas, incluindo selecionar como os indivíduos são motivados para perseguir seus objetivos.

 

O mais influente modelo contemporâneo de gestão é baseado em cumprimento de metas. Estas devem estar acopladas a um conjunto de objetivos inter-relacionados. Para serem consideradas boas metas, em princípio, elas devem ser mensuráveis e acordadas entre os diretores, os gestores responsáveis e os demais colaboradores subordinados. No campo educacional, é extremamente complexo mensurar o seu objetivo principal associado ao processo de emancipação do educando, para o que não há métrica definida. Para complicar ainda mais, as trajetórias de aprendizagem são únicas, sendo que cada um aprende de maneira cada vez mais personalizada.

 

Um equívoco bastante comum para quem não prestar a devida atenção no exemplo dos 300 guerreiros de Esparta é gerar metas individuais isoladas e não correlacionadas coletivamente, tal que deixe de ser especialmente premiada a solidariedade entre todos. Metas que não privilegiam objetivos coletivos e elementos de solidariedade ativa findam por estimular o egoísmo e correm o risco de gerar eventuais resultados parciais satisfatórios ao lado de missões finais gerais fracassadas. Como se vê, mitos convivem conosco no dia-a-dia e podemos e devemos utilizá-los para aprender ao longo de toda a vida.

 

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domingo, 9 de outubro de 2016 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 11:28

Pais e filhos em um Brasil em transe

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Dizem que ao contar sobre sua aldeia, fala-se também do mundo. Da mesma forma, ao relatar a vida pessoal, expressamos um pouco a história de toda uma geração. Claro que cada aldeia é diferente, bem como as trajetórias individuais são todas distintas, mas, de fato, há algo de global nos pequenos lugarejos e de padrão quase geral nas particularidades de cada um que frequenta a mesma época.

 

A infância em Assis, distante 444 Km de São Paulo, era cercada pelo sonho dos pais, pequenos comerciantes de primário completo, de que o caminho do sucesso dos filhos estava necessariamente associado à possibilidade de concluir ensino superior na capital. Tinham eles clareza, na década de 1970, que esse desejo seria mais facilmente viabilizado se os filhos pudessem frequentar um ensino médio particular de qualidade em São Paulo. Os esforços seriam enormes, mas estudar em colégios privados como o Bandeirantes justificaria o sacrifício, compensado amplamente pela quase garantia de ingresso em instituições públicas de qualidade como a Universidade de São Paulo.

 

Pais orgulhosos desfilavam na avenida principal do interior com a certeza de que a nova geração, graças às parcas economias geradas no comércio local, estava no caminho de uma escolaridade desproporcionalmente acima da geração deles. Seus filhos tinham agora o Brasil inteiro como destino. Se as credenciais incluíssem um mestrado ou doutorado, qualquer estado da federação seria boa opção e a estabilidade do serviço público uma benção. Se, por ventura, as universidades federais pudessem acolher seus filhos como docentes, o orgulho deles seria incontido, refletindo uma nação cuja nova geração, em termos de escolaridade e emprego, tinha ido muito além da anterior.

 

Por sua vez, para os filhos dessa geração, cursar ensino superior neste século XXI passava a ser quase obrigação ou obviedade. Seja pela multiplicidade de oferta ou pelas induções do ambiente doméstico já escolarizado, esse caminho transformava-se, de forma natural, em padrão. De novo, quanto mais especializados fossem, melhores oportunidades surgiriam. Agora as rodovias, que anteriormente levavam à capital, se transformavam nos aeroportos que conduziam a novos portos e horizontes. As perspectivas continuavam existindo em todos os lugares, mas, no início desta década, estudar e morar no exterior constituíam diferenciais que amplificavam possibilidades.

 

Nos tempos atuais, frustrados por um anunciado desenvolvimento econômico, social e ambiental sustentável que ainda não veio, os cenários de novo se alteram rapidamente. As opções em termos de formação acadêmica e oportunidades de trabalho dos filhos diferem das nossas tanto quanto, ou mais, do que as nossas diferiram de nossos pais. Trabalhar no exterior, hoje, cruza a barreira da ideia do estágio provisório na preparação do retorno e passa a se constituir em opção talvez permanente e definitiva. Este fenômeno é cristalizado, especialmente, aos jovens profissionais mais talentosos, dadas as limitações de oportunidades satisfatórias de trabalho mais especializados no Brasil.

 

Nossos pais e nossos filhos delimitam, conosco ao meio, três gerações de um país que se transforma rapidamente, especialmente em termos de acesso à escolaridade e de oportunidades profissionais. Sabemos que temos bons motivos, mesmo quando não conseguimos explicitar bem quais sejam, para termos sempre esperanças no que está por vir no Brasil. No momento, mesmo assim, temos ainda pouca clareza sobre o que é reservado para esta geração. Mesmo porque este futuro próximo dependerá, essencialmente, daquilo que fizermos, ou deixarmos de fazer, neste capítulo em curso da história nacional.

(Figura em Domínio Público, ver: https://pixabay.com/p-161068/?no_redirect)

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terça-feira, 4 de outubro de 2016 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 15:08

Pegadas digitais do educando

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​Em complemento ao artigo anterior “Analítica da aprendizagem é parte da solução”, neste texto aprofundaremos acerca de como analisar e fazer bom uso dos dados deixados pelos alunos. Praticamente todos os estudantes de nível superior deixam pegadas digitais em tempo real, tanto aqueles na modalidade a distância, como os presenciais, os quais, em geral, também utilizam plataformas digitais de aprendizagem.

Se pretendemos explorar causas e efeitos educacionais, as estatísticas disponíveis são fundamentais para contribuir, complementarmente, com as análises. É viável identificar eventuais lacunas acadêmicas, individuais ou coletivas, e desafios podem ser apresentados aos docentes sobre como construir caminhos para superar as dificuldades observadas. Se as tarefas previstas aos educandos e as questões a eles formuladas forem adequadamente desenhadas, podemos desenvolver a arte de conhecer, em detalhes, o ambiente educacional e cada um de seus atores. A meta é desenvolver a maior multiplicidade possível de trilhas educacionais, permitindo a cada educando explorar os respectivos caminhos que gerem os melhores resultados em processos contínuos de aprendizagem.

Atualmente, já estão disponíveis ferramentas para visualização das redes de interação construídas a partir de fóruns de discussão, onde podemos, com alguma facilidade, identificar padrões de comportamento dos alunos. As diversas maneiras com que os educandos lidam com os desafios propostos são igualmente relevantes, incluindo seus ritmos, as atitudes gerais e as abordagens por eles escolhidas. Além disso, ao formular uma questão de múltipla escolha, paradoxalmente, a resposta que menos elucida ou contribui adicionalmente é a certa. Para tanto, as respostas erradas apresentadas como alternativas devem ter sido sofisticadamente pensadas a partir do objetivo de identificar as razões e motivações das escolhas. Identificaremos alunos cujas maiores dificuldades estão associadas à falta de atenção e dificuldade de concentração, outros nos quais as deficiências de letramento, português e matemática, representam os grandes limitadores para a aprendizagem, bem como alguns onde as fragilidades derivam da ausência de determinados conceitos ou conteúdos.

Se é verdade que uma resposta somente diz pouco sobre o educando, com um número suficiente de questões, somado ao que pode ser percebido das demais interações, podem os gestores dos cursos dispor de material suficiente para formular as melhores trilhas educacionais, customizadas para cada aprendiz e suas peculiares circunstâncias. Imprescindível que o educando também acompanhe as próprias análises e seja ativo no processo, permitindo que ele também se conheça melhor, ampliando seu nível de consciência acerca dos mecanismos segundo os quais ele aprende (metacognição). Desta forma, amadurecendo a sua capacidade de aprender a aprender, o que lhe será fundamental na aprendizagem permanente ao longo da vida. Destaque-se que é importante que se tenha um controle muito rígido com a ética envolvida na disponibilização e uso dos dados coletados. Garantir a privacidade de todos os envolvidos e que os propósitos educacionais sejam absolutamente os únicos envolvidos são obrigações intransferíveis da instituição.

Há muitos projetos interessantes em curso fazendo bom uso de analítica de aprendizagem, tanto no Brasil como no exterior. A título de exemplos ilustrativos, elenco três a seguir: (i) https://analytics.jiscinvolve.org/wp/, (ii) http://www.laceproject.eu/, e (iii) https://confluence.sakaiproject.org/display/LAI/Learning+Analytics+Initiative.

Analítica da aprendizagem é ferramenta imprescindível na construção e aprimoramento de metodologias educacionais inovadoras baseadas em processos de aprendizagem híbridos, flexíveis e customizados. Inovar, educacionalmente, é conjugar quantidade e qualidade, tornando possível um cenário onde todos os educandos possam aprender, a todos seja possibilitado aprender o tempo todo e, como resultado, cada educando aprenda de maneira otimizada e personalizada.

Foto: Domínio público (http://absfreepic.com/free-photos/student-learning-with-computer-in-classroom.html)

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segunda-feira, 26 de setembro de 2016 aprendizagem, EaD, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 08:14

Analítica da aprendizagem é parte da solução

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Word Cloud "Big Data"

Analítica da aprendizagem (em inglês, learning analytics) diz respeito à abordagem baseada na coleta e análise sistemática de dados sobre os educandos e seus contextos, tendo em vista o entendimento e a otimização do processo de aprendizagem e do ambiente no qual ele ocorre. Embora não exista uma definição única ou consensual sobre o tema, ele está associado ao desenvolvimento de ações e estratégias educacionais implementadas com o suporte de modelos, simulações e padrões estatísticos. Tal processo viabiliza conferir a eficiência e eficácia de metodologias educacionais, conhecer mais sobre todos os atores envolvidos e aprimorar de forma inteligente e substantiva a prática pedagógica.

 

Coletar e analisar dados, como elemento de suporte para tomada de decisões, é o que nós fazemos todos os dias, mesmo que de forma natural e inconsciente. A novidade é que no mundo digital são gerados dados em níveis sem precedentes e, consequentemente, podemos dispor atualmente de estratégias inovadoras, assentadas na capacidade de predições inéditas, decorrentes do uso sistemático, sofisticado e inteligente de estatísticas de grandes massas de dados. Esta realidade é amplificada no mundo educacional atual pelo uso crescente de ambientes virtuais de aprendizagem, tanto na modalidade presencial como a distância. A plataforma virtual, a qual permite a utilização de diversas mídias e demais recursos para apresentar as informações associadas à aprendizagem, é o mesmo ambiente que viabiliza coletar automaticamente dados e analisar o desempenho dos alunos, tanto coletivamente como individualmente.

 

A mais relevante característica da estratégia baseada na analítica da aprendizagem é que pela primeira vez quebramos o paradigma de que o aumento da quantidade é necessariamente associado ao rebaixamento de qualidade. Pelo contrário, ela permite conjugar escala e qualidade, de tal forma que quanto maior a quantidade de dados as análises geradas tendem a ser mais confiáveis, colaborando ainda mais no conhecimento e na avaliação das ações educacionais em curso e no incremento do potencial das iniciativas futuras.

 

Atualmente, é possível conceber que todos os educandos podem aprender, todos aprendem o tempo todo, porém, cada educando aprende de maneira única e personalizada. Para tanto, educação contemporânea significa construir um ensino híbrido, flexível e customizado. A partir dos comportamentos dos estudantes, individualmente ou coletivamente, seja nas atitudes frente a desafios propostos ou via respostas, certas ou igualmente úteis erradas, às questões formuladas, é possível, por meio do desenvolvimento de algoritmos especiais, saber muito sobre cada educando. Isso inclui conhecer suas principais características, expectativas, lacunas, predicados etc. De posse da máxima percepção global sobre o aluno e frente a cada situação educacional específica, podem os educadores e educandos, apoiados por plataformas inteligentes, escolher de uma multiplicidade de trilhas educacionais a mais adaptada. Não menos importante, ao longo do processo, o aluno se permite conhecer melhor a si mesmo, ampliando seu nível de consciência acerca dos mecanismos e contextos nos quais ele otimiza seu aprendizado.

 

Com a abordagem baseada em analítica da aprendizagem passamos a dispor de uma ferramenta adicional indispensável aos educadores contemporâneos. Portanto, torna-se possível ampliar significativamente a capacidade de aprender a aprender, o que é absolutamente imprescindível em um contexto de educação permanente ao longo da vida. Fruto do uso adequado de novas tecnologias, em conjunto com a adoção de metodologias educacionais inovadoras, temos uma oportunidade ímpar de propiciar educação de qualidade para todos.

 

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sexta-feira, 16 de setembro de 2016 aprendizagem, Ensino Superior, Inovação e Educação | 17:30

Tratar bem o Português

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Devemos tratar bem todos os portugueses. Nossos patrícios ancestrais, juntamente com os nativos indígenas e os vários imigrantes, são os formadores da nação brasileira. No entanto, não é a eles que me refiro e sim à língua portuguesa. O Português originou-se da transformação do latim vulgar, com forte influência do céltico. No século V, o português arcaico desenvolveu-se como um dialeto românico, denominado galego português, decretado língua oficial do reino por Dom Dinis I, ao final do século XIII. No século XVI, com as atividades expansionistas do Reino de Portugal, esta língua se difundiu pelas novas terras descobertas, incluindo o Brasil.

 

O Português tem sido demasiadamente maltratado no Brasil, o que é agravado em suas consequências no contexto atual, em que o exercício pleno da cidadania e as oportunidades de explorar empregos e novos negócios dependem fortemente do nível de letramento. Letramento neste sentido está diretamente associado à capacidade do educando na aprendizagem da língua e dos demais códigos, incluindo a matemática. Sem letramento, está prejudicada a comunicação, falada e escrita, tornando difícil o bom convívio social. A base inicial do letramento inclui a habilidade de escrever ou entender um texto, bem como de compreender ou fazer uma fala, o que gera o diálogo e a comunicação com qualidade com os demais.

 

Neste texto, ficaremos no básico. Tentaremos abordar, ilustrativamente, alguns dos erros mais comuns que prejudicam os convívios. Por exemplo, a não conformidade nas palavras exceção, cidadãos e privilégio desautorizam a qualidade do restante do texto ou da manifestação. Outro erro grave é colocar o tentador plural no verbo fazer em frases corretas do tipo: “Faz dez anos que não visito…”. Da mesma forma, o verbo haver deve sempre seguir a forma: “Houve fatos que me levaram a…”.

 

Há inúmeros outros exemplos. Citemos alguns mais. Todo cuidado no uso do afim (junto), o qual é substantivo (indicando parente por afinidade ou aliado partidário) ou adjetivo (significando parecido, próximo), diferindo do a fim (separado), expressando propósito, intenção ou finalidade. Quando for utilizar menos enquanto advérbio jamais flexione gênero. Assim, use sempre: “menos gente”, “menos nervosa” etc. Lembrar que escrever por isso é sempre separado, inexistindo a forma unida. Evite, por favor, a confusão desnecessária entre o mais, significando adição/quantidade e o mas, o qual é uma conjunção com significado de oposição ou restrição. Lembre-se de que o correto é “deixe a carta para eu escrever…”, bem como “os policiais retiveram o documento…”.

 

Sempre que possível evite o “gerundismo”, ou seja, em vez de “vou estar enviando….” use a forma simples “vou enviar…”. Não confundir a forma ligada agente, como em agente secreto, com a forma separada a gente, significando o coletivo genérico. Não confunda meia e meio. meio é uma palavra invariável quando usado como advérbio, significando “um pouco” ou “mais ou menos”. Por sua vez, meia quer dizer metade (numeral).

 

Observe que uma coisa é o advérbio embaixo (junto), significando junto ou sob alguma coisa e bastante diverso do em baixo (separado) utilizado quando a palavra “baixo” tem sentido de adjetivo  . Há outros casos típicos que demandam atenção redobrada como os usos do “por que” e “porque”, bem como do “este” e do “esse”, temas que infelizmente não teremos tempo de tratar neste breve espaço.

 

Em suma, você, ao se expressar oralmente ou por escrito, deve chamar a atenção pelas coisas boas que fala ou escreve e jamais prejudicá-las pela forma, eventualmente não correta, com que se expressa. Trate bem o Português e você será recompensado largamente sendo bem compreendido e tendo a benção de aprender mais e entender melhor o mundo à sua volta, comunicando-se adequadamente com os seus.

 

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segunda-feira, 12 de setembro de 2016 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 09:40

Como ir bem no ENEM: além de saber, saber resolver

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Este ano o Exame Nacional do Ensino Médio – ENEM completa dezoito anos. A maioridade não lhe confere perenidade de forma, ao contrário, há ventos de novas mudanças, as quais são compreensíveis, dado que o exame sofreu alterações essenciais. Nasceu com a finalidade de medir a qualidade do ensino médio, no entanto, a partir do final da década passada, se transformou quase que exclusivamente em teste nacional de admissão ao ensino superior.

 

O resultado é que hoje o exame abrange anualmente um público de quase oito milhões de candidatos, com interesses concentrados nas mais de 250 mil vagas das universidades públicas e de milhões de outras oportunidades de ingresso no ensino privado. O ingresso na faculdade não é a finalidade única do ensino médio, porém, na ausência de uma base nacional comum curricular, o conteúdo do ENEM findou por se tornar a referência quase única do que é, ou deveria ser, ensinado naquele nível.

 

O ENEM, progressivamente, adotou uma cobrança cada vez maior de profundidade no domínio de matérias como matemática, física, química, biologia, língua estrangeira, história, geografia e redação. Mesmo assim, o nível de aprendizado em matemática no ensino médio na última avaliação do Sistema de Avaliação da Educação Básica – SAEB atestou retrocesso naquilo que já ia mal. A ênfase do ENEM tem sido mensurar domínio de conteúdo, capacidade de memória e habilidade de responder questões no tempo previsto, funcionando como atestado formal em itens supostos essenciais a ingressantes em cursos superiores. O drama adicional é que tais elementos estão muito associados à formação típica esperada no século passado, onde um conjunto razoavelmente delimitado de conteúdos, técnicas e procedimentos caracterizavam um profissional de ensino superior preparado para atender as demandas da época. Isso mudou, está mudando e mudará ainda muito mais. Caminhamos rapidamente para um novo cenário onde mais relevante do que o que foi aprendido é o desenvolvimento da capacidade de aprender a aprender, com o consequente aumento da consciência do educando sobre como ele aprende.

 

O mundo contemporâneo apresenta novidades e desafios resultantes do ingresso acelerado em uma sociedade onde a informação está, cada vez mais, totalmente disponibilizada e instantaneamente acessível. Assim, simplesmente separar os candidatos entre os que sabem e os que não sabem determinados conteúdos torna-se menos relevante do que, simultaneamente, selecionar e induzir talentos aptos a saberem resolver problemas. Saber resolver tem a ver com saber, mas vai além, significando fazer uso das informações disponíveis para apresentar soluções a desafios.

 

A capacidade de interpretar e analisar textos, fazendo uso dos dados disponibilizados, o uso da lógica e do raciocínio crítico e o desenvolvimento de um conjunto de atributos que transcendem o domínio simples de conteúdos ajudarão o candidato a ir bem no ENEM. A resposta a uma questão depende não só de memória e do domínio de conteúdos, mas inclui também capacidade de foco e outras atitudes. Ou seja, estamos medindo, ainda que indiretamente, o nível de amadurecimento da consciência adquirida pelo educando acerca dos mecanismos segundo os quais ele aprende, o quanto ele conhece a si mesmo e faz uso disso. Neste sentido, felizmente, aprendizagem inclui também a habilidade de aprender a aprender em um contexto de educação permanente ao longo da vida.

 

Mesmo que o ENEM, como ele é hoje, vise a, principalmente, selecionar e distinguir entre os que sabem e os que não sabem, há espaços a serem explorados por aqueles que, mais do que saber, se preocupem em saber resolver. Irão bem no ENEM aqueles capazes de explorar as atitudes maduras perante os desafios, o que será fundamental durante o exame e, especialmente, depois dele.

 

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domingo, 4 de setembro de 2016 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Inovação e Educação | 09:42

E-mails: mensagens educadas e eficientes

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O e-mail foi desenvolvido por Ray Tomlinson ao final de década de 1960, na época da antiga rede Arpanet. Ele criou também o símbolo @ para separar o nome do usuário do servidor em uso. No entanto, a popularização do e-mail ocorreu somente a partir da criação da rede Internet na década de 1980.

 

Mensagens, nas suas mais diversas formas, são quase tão antigas como os humanos. O correio postal, em particular, remonta ao século II a.C. na Grécia Antiga. Consta que um general ateniense teria enviado um mensageiro correndo (daí a palavra correio de correr) para comunicar a vitória de seu exército sobre os persas. O mensageiro Filípides, após percorrer 42 quilômetros (padrão Maratona), findou pagando com sua vida o excesso cometido na corrida.

 

Os provedores gratuitos a todos, surgidos em meados da década de 1990, foram os grandes responsáveis pela revolução promovida pelos webmails. O pioneiro foi o Hotmail e, na sequência, aparecem outros como Yahoo!, AOL, BOL e Zipmail. Rapidamente, os e-mails se transformaram em ferramentas de trabalho cooperativo e fator de aumento de produtividade nas empresas. Foi possível agilizar processos, disseminar informações e baixar custos operacionais, porém, como toda novidade trouxe também suas dificuldades associadas, tais como: spam, possibilidade de fraudes, disseminação de vírus e perda de privacidade.

 

Mais recentemente, especialmente entre os mais jovens, os e-mails passaram a ser considerados menos atraentes do que outras ferramentas como WhatsApp, Twitter, Instagram e Messenger/Facebook. No entanto, os e-mails se mostram resistentes quando as mensagens têm caráter formal, exigem mais funcionalidades e quando há necessidade de registro de informações. Novidades como computação na nuvem demandarão mudanças nos e-mails, as quais já estão em curso. Por exemplo, a conta Google, derivada do Gmail, oferece serviços mais completos e totalmente integrados como Google Docs, Reader, Latitude e Voice.

 

Não há regras fixas de como enviar e-mails educados e eficientes. Lembremos, no entanto, que são mais de cem bilhões de e-mails enviados todos os dias, ou seja, mais de um milhão por segundo. Vale a reflexão para que você não perca tempo (e paciência) escrevendo (ou lendo) textos que não serão lidos ou que não valem a pena serem lidos. O empreendedor Peter Diamandis não lê (e não envia) e-mails com mais de três linhas. Segundo ele, se o assunto demanda mais informação, há a opção de anexo ou de marcação de conversas posteriores, inclusive via e-mails complementares.

 

Ao enviar um e-mail, uma regra de ouro é fazer bom uso da linha assunto, a qual deve ser esclarecedora e chamativa, sendo tão importante quanto o conteúdo que ela anuncia. Use sempre formatos os mais universais e adote tamanhos padrão. Parágrafos concisos e espaçamentos entre eles ajudam na leitura. Se precisar destacar algo, ao invés de mudar a fonte ou adotar maiúsculo, preferencialmente, use negrito ou itálico.

 

Evite enviar ou mesmo ler e-mails nos momentos em que você está emocionalmente abalado. E-mail, ao contrário do telefone e do contato pessoal, permite e estimula que você pense, leia e releia tudo o que for enviar ou receber. Finalize sempre com cumprimentos e agradecimentos. Escreva sabendo que tudo poderá ser tornado público com privacidade zero. O e-mail é hoje aceito como documento, podendo responder o autor pelo teor do mesmo, em qualquer circunstância. Cuidado com detalhes tais como a assinatura de trabalho em e-mails pessoais, correndo-se o risco de parecer pouco amigável.

 

Por fim, entendo e pratico que todos os e-mails de caráter pessoal e individualizados demandam respostas, ainda que, a depender do caso, sejam retornos breves ou repassados para outros setores ou pessoas com mais pertinência ao tema. Receber um e-mail e não o retornar é tão mal-educado como ser saudado com “bom dia” ou “boa tarde” e, simplesmente, não responder.

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terça-feira, 30 de agosto de 2016 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 16:52

Nova era industrial e educação na nuvem

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O projeto da máquina a vapor de Thomas Newcomen, aperfeiçoado por James Watt em 1777, é considerado o marco do nascimento da Revolução Industrial. Sua primeira aplicação foi abaixo do nível do solo ao retirar água do interior das minas de carvão na Inglaterra, substituindo o trabalho anteriormente feito por animais. Com carvão abundante e de melhor qualidade, o Império Britânico consolidou seu protagonismo na dominação econômica.

 

Um segundo ciclo de desenvolvimento transformador decorreu do uso industrial e residencial da eletricidade em larga escala ao final do século XIX. A expansão da tecnologia elétrica e dos motores nesse período trouxe novas possibilidades, marcando profundamente o século XX e transformando a sociedade, incluindo os setores de transportes, aquecimento, iluminação e comunicações. Podemos considerar como marco do terceiro período industrial a invenção do primeiro microprocessador. Em 1971, a empresa Intel, atendendo demanda de uma empresa japonesa, produziu o microprocessador 4004 com 2.300 transistores, registrando, simbolicamente, a emergência da era dos computadores e do mundo digital.

 

Contemporaneamente, já ingressamos na quarta era industrial. Observe que as inovações anteriores, na sequência, surgiram nas minas abaixo do solo, posteriormente, emergiram e preencheram a superfície terrestre com a tecnologia elétrica, e, em seguida, surgiram embutidas nos diversos dispositivos na forma de microprocessadores. Mais recentemente, as inovações ocupam um inédito espaço que se convencionou chamar de nuvem ou de computação em nuvem. Klaus Schwab, um dos fundadores do Fórum Econômico Mundial, lançou no início deste ano o livro The Fourth Industrial Revolution (disponível em: https://www.amazon.com/dp/B01AIT6SZ8#nav-subnav) contando com mais detalhes parte dessa história. Nesta era, via integração plena, todos estão conectados e todas as empresas, gradativamente, se tornam digitais e a nuvem é o elemento-chave.

 

Via a utilização da capacidade de armazenamento e de cálculo de servidores compartilhados e interligados por meio da internet, tudo pode ser acessado de qualquer lugar do mundo e a todo momento. É a vez da internet das coisas, da impressão 3D e da realidade ampliada, da inteligência artificial e das máquinas que aprendem. Todos os setores e atividades humanas serão impactados e educação, entre eles, demandará ser revista à luz de contornos inéditos, onde a informação está totalmente acessível, instantaneamente disponibilizada e gratuita. As demandas em termos de formação de profissionais e cidadãos desta nova era, incluindo as metodologias e estratégias educacionais associadas, ainda estão em aberto. Sabemos que teremos encruzilhadas e que as circunstâncias permitem, se não tomarmos os necessários cuidados, processos perversos de exclusão social mais acentuada. Por outro lado, tais tecnologias também viabilizam abrir oportunidades positivas jamais vivenciadas pelos humanos em termos de igualdade de oportunidades, via educação de qualidade para todos.

 

As inéditas facilidades na geração, tratamento e disponibilização de dados por meio da nuvem permitem processos inovadores de ensino de qualidade dirigidos a muitos. Temos disponível escala suficiente para conjugarmos, pela primeira vez, qualidade e quantidade, viabilizando um cenário onde cada educando poderá, mais do que somente aprender, aprender a aprender. O educando, a partir das tecnologias disponíveis e das metodologias compatíveis, escolherá com liberdade seus tempos e lugares próprios para aprendizagem, acompanhado por inteligentes plataformas que entendem cada um individualmente. Assim, com o suporte de educadores especializados, será possível gerar soluções customizados em que todos aprendem e todos aprendam juntos o tempo todo, mas cada aprendiz seguindo sua trajetória educacional personalizada.

 

 

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segunda-feira, 22 de agosto de 2016 Sem categoria | 11:08

Olimpíada do Rio, um Quarup contemporâneo

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Antônio Callado, autor nascido no Estado do Rio de Janeiro em 1917, tem como principal obra Quarup, retratando o período em torno da implantação do Regime Militar em 1964. O livro, publicado em 1967, versa também sobre eventos ocorridos na década anterior nas reservas indígenas da região do Xingu, no centro-oeste do Brasil. O enredo gira em torno de conflitos pessoais e políticos vivenciados pelo protagonista, padre Nando.

 

Ainda que Quarup e Olimpíadas sejam eventos muito distintos, há elementos de similaridade de contextos que permitem enxergar uma possível premonição de Callado sobre fatos que viriam a ocorrer somente meio século depois. Nesta versão contemporânea, os fatos guardam algumas semelhanças em termos de espaços de ocorrência e circunstâncias políticas vivenciadas simultaneamente com grandes eventos incluindo atividades desportivas.

 

No livro, a difícil realidade indígena sensibiliza o visitante padre Nando em meio a acontecimentos como o fim do Governo Getúlio, o qual havia prometido a consolidação do Parque Nacional do Xingu para mudar a realidade de conflitos de terra na região. Simultaneamente com o suicídio do presidente Getúlio em 1954, os índios preparam uma grande festa no Xingu envolvendo várias tribos, o ritual Quarup, uma homenagem aos mortos celebrada com cerimônias ritualísticas com atividades de caça e pesca.

 

A obra retrata dez anos após a morte de Getúlio, já em pleno Regime Militar, um contexto de fortalecimento de grupos conservadores. O personagem Nando pretende celebrar a morte de companheiros de luta política reproduzindo um novo Quarup, desta vez reunindo antigos aliados e membros de uma comunidade de pescadores e de diversas outras “tribos” em torno de um grande jantar. A festa de Nando é invadida pela polícia e por grupos reacionários, entre eles participantes da Marcha da Família com Deus pela Liberdade, e ele é brutalmente espancado. Nando sobrevive socorrido pelos amigos, incluindo uma prostituta, e é protegido por representantes da Igreja.

 

Passados mais de meio século, o Brasil ainda enfrenta seus conflitos sociais e políticos, incluindo o fortalecimento dos setores conservadores e um processo de impeachment em curso. Tudo isso ocorrendo simultaneamente a um grande evento esportivo, no caso a Olimpíada. O Rio de Janeiro, presente tanto nos momentos descritos por Callado como no presente, reflete e sintetiza esse conjunto de contrastes de um país que mescla grandes perspectivas, belezas incomparáveis e demonstrações inequívocas de criatividade com seus opostos, expressos por frustrações generalizadas e evidências de realidade social perversa e injusta.

 

Um exemplo interessante da complexidade do país é o papel dos militares, contrastando os acontecimentos de meio século atrás com a positiva participação dos mesmos nos tempos atuais. Hoje não só colaboram na garantia complementar da segurança do evento, mas têm fundamental papel no suporte aos atletas brasileiros ganhadores de medalhas.

 

Tal qual Callado, que descreveu a singeleza do evento Quarup com a não solução dos conflitos indígenas, é razoável supor que o enorme sucesso da Olimpíada também não seja em si a solução definitiva dos complexos problemas do Rio. No entanto, tais semelhanças traduzem em comum os contrastes e potencialidades que caracterizam o país e atestam um movimento transformador. Entender essa dinâmica permite enxergar aquilo que a foto estática do Brasil, por vezes, oculta: os bons motivos que temos para acreditar numa nação orgulhosamente mestiça e plural que constrói sua própria história e busca permanentemente enfrentar seus imensos desafios.

 

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sexta-feira, 19 de agosto de 2016 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Inovação e Educação | 08:10

O método na história da humanidade

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metodo

Os humanos, desde suas primeiras formas de organização social, tentam compreender a natureza ao seu redor e a eles mesmos. A ciência diz respeito à parte do conhecimento advindo de métodos analíticos e sistemáticos, baseada especialmente no método científico, o qual foi consolidado no século XVII por personagens como Galileu e Descartes, entre outros. O método científico não é a única forma de tentar entender o mundo, mas tem sido o padrão dominante desde então. A palavra método, originária do grego, significa encaminhamento ou busca, em oposição ao acaso e ao aleatório.

 

O método científico é baseado na observação, hipótese, experimentação e verificação. Este método encontrou na Europa dos séculos XVII e XVIII terreno fértil para promover uma cultura racionalista, ancorada em hábitos científicos e exercícios de raciocínios sistemáticos. Destaque para a publicação do Principia em 1687 por Isaac Newton, marcando com as Leis de Newton e a Mecânica Newtoniana o amadurecimento definitivo do método científico. Nos séculos seguintes, a partir do desenvolvimento de áreas como a Termodinâmica e o Eletromagnetismo e de invenções como a máquina a vapor e os motores, estavam dadas as condições para a Revolução Industrial, consolidadora da sociedade moderna.

 

Para entender o mundo contemporâneo não há regras prontas ou receitas definitivas, muito menos garantia de sucesso pleno na empreitada, mas certamente é tarefa árdua sem conhecer as origens do método e do pensamento científico. Especialmente as fundamentais contribuições da Grécia Antiga e o papel relevante do período compreendido entre o fim da Idade Média e o Renascimento, quando são estabelecidos os ambientes nos quais surgem as bases da ciência moderna. As relações entre ciência, tecnologia e produção que marcam os últimos três séculos podem ser melhor caracterizadas a partir da compreensão do período anterior, o qual ilumina o presente e permite algumas considerações sobre o futuro que ainda nos aguarda.

 

Para colaborar na tentativa de melhor compreender e divulgar este tema, juntamente com outros autores, redigimos a obra “Método Científico & Fronteiras do Conhecimento”, publicado em 2003 pela Editora CESMA. A parte especificamente de minha autoria, referente ao Método Científico, está disponibilizada a todos os interessados em vários formatos, entre eles em videoaulas.

 

Aos que se interessarem pelo assunto, disponibilizo abaixo links para assistirem três vídeos, os quais hoje são partes integrantes da Disciplina “Bases Físicas para Engenharia” da Estácio. No primeiro, é desenvolvida uma abordagem geral sobre o tema. No segundo, uma breve introdução sobre a origem do universo, o surgimento da vida no planeta Terra e as primeiras experiências dos humanos vivendo em sociedade até o final da Idade Média. Na terceira e última parte, as relações entre a ciência moderna e a tecnologia por ela engendrada e as bases da sociedade moderna são apresentadas.

 

Parte 1: http://portaldoaluno.webaula.com.br/cursos/O03473/Aula1/___A/01BasesFisicas.mp4

Parte 2:

http://portaldoaluno.webaula.com.br/cursos/O03473/Aula1/___A/02BasesF%C3%ADsicas.mp4

Parte 3:

http://portaldoaluno.webaula.com.br/cursos/O03473/Aula1/___A/03BasesFisicas.mp4

 

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