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Arquivo de setembro, 2018

terça-feira, 18 de setembro de 2018 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Inovação e Educação | 15:07

Os significados das palavras aluno e educador

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O vocábulo “aluno” provém do latim alumnus, significando, literalmente, criança de peito ou aquele que se alimenta de leite. Em outras palavras, um lactante intelectual ou um discípulo. Alumnus ou alumni é proveniente do verbo alere que, em latim, significa alimentar, sustentar, nutrir ou fazer crescer.

 

Erroneamente, alguns textos tratam a palavra “aluno” como sendo a junção do prefixo grego a, que corresponderia a ausente ou sem, e o sufixo luno, derivado da palavra latina lumni, significando luz. Portanto, na incorreta versão, aluno seria aquele sem luz ou sem conhecimento. A falsa etimologia acima é menos inocente do que parece. Trata-se de equívoco que encontrou terra fértil naqueles que veem o aluno como alguém mais passivo no processo educacional. Ao tratá-lo como sem luz, corre-se o risco de findar transformando em fato algo que era, de início, somente uma simples confusão etimológica.

 

Há também uma sutileza complementar, não tão evidente, associada à possível distinção entre aluno e estudante. Embora não sejam conceitos rígidos, tende-se a utilizar o termo aluno para designar aquele que pratica a atividade de assistir a aula; enquanto estudante se refere àquele que pratica a atividade de estudar. No primeiro caso é, essencialmente, uma atividade coletiva e, predominantemente, passiva; no segundo é, fundamentalmente, de caráter mais individual e decorrente de uma postura, necessariamente, ativa.

 

Quanto ao “educador”, é normal ser tratado indistintamente de “professor”, ainda que não signifiquem exatamente a mesma coisa. Professor é, de forma simplificada, o profissional que ensina uma ciência, uma arte, uma técnica, uma disciplina. Educador, por sua vez, transcende as atividades descritas, tendo como responsabilidade inerente a formação integral do educando. O termo “educador” tem origem no vocábulo latim educatore, aquele que cria ou nutre. Todo educador é necessariamente um professor, sem que não obrigatoriamente o contrário seja verdade.

 

Educação, da mesma forma, se diferencia de ensino. O físico Alberto Einstein, falecido em meados do século passado, optou por expressar tal distinção na forma: “educação é aquilo que fica depois que esquecemos o que foi ensinado ou aprendido”. Nesse sentido, educação é um ato que envolve o ser humano holisticamente, contemplando todos os seus aspectos, sejam físicos, cognitivos ou metacognitivos. Nessa perspectiva, o aluno é entendido como um ser dotado de saberes, qualidades e potencialidades, a quem o educador não está restrito a repassar o conteúdo de sua disciplina, mas sim em emancipá-lo à medida que ele é capacitado para aprender contínua e permanentemente ao longo da vida.

 

É possível uma visão pela qual o educador, ele próprio um sujeito em constante processo de aprendizagem, se diferencie do professor tradicional, evitando se considerar o dono do saber e única parte ativa do processo educacional. O educador é capaz de construir, juntamente com seus alunos, um aprendizado dinâmico, nos quais os eventuais erros do educando compõem base fundamental para reflexões e avanços educacionais.

 

As distinções acima abordadas tratam de diferenças que não são simples, tampouco estanques, dado serem partes de processos complexos. O que sabemos é que, no mundo contemporâneo, o ensino tradicional caminha em direção a uma educação híbrida, flexível e permanente. Neste contexto, os conceitos mais apropriados acerca do aluno e do educador irão ganhando sentidos mais claros à medida que educação se torna menos rotina ou repetição e, progressivamente, se transforma em atividade mais próxima da arte, demandando criação em constante evolução.

 

 

 

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Imagem em Domínio Público:

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domingo, 9 de setembro de 2018 Educação e Tecnologia, Inovação e Educação | 12:35

Educação, democracia e êxodo

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Graças à educação, bem como à ciência e tecnologia que dela decorrem, a civilização humana vive, em termos comparativos, seus melhores dias. Seja pela inédita qualidade de vida, mensurada pelo acesso a serviços e produtos, seja desfrutando de mais saúde e, em tese, maior potencial de atingimento de felicidade do que tínhamos no passado. Durante milênios, a expectativa de vida permaneceu estabilizada em torno de 40 anos. No século XX, ultrapassamos os 70 anos e continuamos, neste século, a avançar significativamente. A busca pela razão, guiada pelo conhecimento, tem assegurado um desenvolvimento acessível a uma parcela cada vez maior da população mundial.

 

A democracia, em que pesem suas fragilidades, é o que dispomos, contemporaneamente, de mais avançado e justo socialmente. A Constituição Brasileira traz no seu Art. 1o, Parágrafo único, o que segue: “Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição”.

 

Êxodo é o nome dado para a saída de um grupo de pessoas de uma região para outra. É também o título do segundo capítulo da Bíblia, onde é descrita a fuga dos hebreus do Egito, liderados por Moisés, em direção à Canaã, a “Terra Prometida”.

 

Educação, democracia e êxodo parecem ter marcado um estranho encontro nesta eleição presidencial no Brasil. A polarização política vigente é motivada, principalmente, pela oposição a algo e menos por adesão a determinadas ideias. Ou seja, parcela do eleitorado parece ter mais clareza acerca do que não quer do que o que, de fato, quer. O drama é que por se firmarem mais no “não” do que no “sim”, são eleitores que parecem igualmente tender a sugerir, quase como chantagem, a possibilidade de, caso não sejam vitoriosos, abandonar o país. Ainda que emigrar seja um direito individual ou coletivo inquestionável, o uso desta chantagem é, definitivamente, pouco educado e, no limite, antidemocrático.

 

Educação não é somente o alicerce básico da oportunidade de um desenvolvimento econômico, social e ambiental sustentável; ela é também a melhor ferramenta para enfrentarmos momentos complexos e difíceis. Educação política é aprender a conviver com os antagônicos e, especialmente, aprender a respeitar as orientações assumidas via maiorias constituídas. Mesmo quando elas, eventualmente, nos pareçam equivocadas e desprovidas de nexo.  É hora de lembrarmos que, ao lado de seus defeitos e limites, a democracia permite, usando seus próprios mecanismos, se corrigir ao longo do tempo.

 

Escrevendo no abstrato, que a antecedência do fato permite, entendo que, uma vez eleitos, mesmo quando, eventualmente, contrários em temas substantivos para cada um de nós, eles merecem o reconhecimento geral de legitimidade. Sem prejuízo de garantirmos a todos a oportunidade de continuarem defendendo projetos e ideais diferentes dos eleitos. Acima das peculiaridades de breves momentos históricos, por mais relevantes que eles sejam, há a saga de um país que não pode jamais se deixar vencer. Os fatos serão alimentos para uma educação social consistente de uma nação que permanentemente aprende, de forma solidária e cooperativa.

 

 

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