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domingo, 18 de fevereiro de 2018 Sem categoria | 12:21

Canoas havaianas do Posto 6: o Forte onde Copacabana vira Polinésia

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23 de Novembro de 2016 - Rio de Janeiro/RJ, Brasil. Aereas no Rio de Janeiro, Rio de Janeiro/RJ. (Credits: Gabriel Heusi/Heusi Action).fortecanoas

 

Canoas havaianas do Posto 6: o Forte onde Copacabana vira Polinésia. As canoas havaianas têm sua origem há milhares de anos na região do triângulo polinésio, onde foram fundamentais no processo de colonização daquela área. Conhecidas como Wa’a no Havaí, Va’a no Taiti e Waka na Nova Zelândia, elas compõem parte essencial da cultura milenar dos polinésios. As canoas, em suas diversas formas, serviram tanto para deslocamento entre as ilhas quanto para a pesca em oceanos abertos ou para demonstração de força dos chefes e reis de diversas épocas.

 

No formato como elas são conhecidas atualmente, as canoas havaianas se caracterizam pelas três partes: o casco (hull), o flutuador (ama), que garante a estabilidade, e os braços que ligam um ao outro (yakos). Na canoa há 6 lugares, cada um possuindo funções específicas, além de remar. O primeiro mais adiante, conhecido como voga, dá o ritmo das remadas, sendo que enquanto os remadores 1, 3 e 5 remam de um lado, os remadores 2, 4 e 6 remam do lado oposto. O terceiro ou o quarto remadores, em geral, fazem a contagem para a troca de lado, anunciando a mudança em um comando (algo como Hop, versão abrasileirada do Hip Ho original). O sexto remador é o leme, o capitão da canoa. Um bom remador não é medido somente pela força, mas, principalmente, pela técnica, por respeitar o sincronismo de comunhão da canoa com o mar, expresso no espírito de integração da equipe e por acompanhar, de forma solidária e colaborativa, os demais remadores da canoa.

 

No Brasil, a chegada da canoa havaiana ocorreu ao final do ano 2000, em Santos, com a primeira canoa importada dos Estados Unidos sendo batizada de Lanakila.  Atualmente, o Rio de Janeiro é um centro de referência nacional na prática deste esporte, em especial no Posto 6, ao lado do Forte de Copacabana, o qual lhe serve de excepcional abrigo, garantindo águas calmas, com ondas adequadas conjugadas com belíssimas opções de entradas para o mar aberto.

 

O Forte de Copacabana, oficialmente denominado como Museu Histórico do Exército/Forte de Copacabana (MHEx/FC), constitui-se em um dos mais belos cartões-postais da cidade. O projeto de construção remonta à época da transferência, em 1763, da capital do Brasil, Salvador, para o Rio de Janeiro. Sua implementação definitiva se deu por ocasião da vinda da corte portuguesa para o Brasil no início do século XIX. D. João VI, em 1823, receoso de um possível ataque da armada portuguesa em função da Independência do Brasil de Portugal em 1822, acelerou sua adequação para a efetiva proteção do Rio de Janeiro. O Forte foi centro de outros relevantes momentos da pátria. Entre tantos fatos históricos, destaco a Revolta da Armada de 1893 e o contencioso em função de demarcação de fronteiras com a Argentina em 1895, ocasião em que foram instalados os seis canhões de longo alcance.

 

Canoas realizam seus ondulados movimentos no Posto 6 acompanhadas de outros atores de máxima riqueza. Entre eles, a ainda ativa Colônia de Pescadores, cuja origem data da década de 1920, o Quartel de Serviços de Salvamentos dos Bombeiros, o Clube dos Marimbás etc. As canoas ajudam a compor um dos mais prósperos cenários mundiais de aprendizagem e de prática de inúmeras outras atividades esportivas aquáticas e de areia de praia. Desde aprendizes a atletas olímpicos, naquele espaço compartilhado nadam, fazem stand-up paddle, praticam surf e bodyboard, jogam frescobol etc.

 

A evolução harmônica das canoas do Posto 6 se expressa também em sons das ondas quebrando na areia carregando consigo fantasias, alegorias e adereços naturais. Esta harmonia única sugere enredos maravilhosos para celebrar a transformação de Copacabana em especial espaço polinésio.

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Foto 1. De Gabriel Heusi/Heusi Action, em Portal Brasil 2016 (“Todo o conteúdo desse site está licenciado sob a Licença Creative Commons Atribuição 3.0 Brasil“);

Foto 2. De Beto Vaz, remador da Equipe Esquilo no Posto 6.

 

 

 

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