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quinta-feira, 29 de junho de 2017 aprendizagem, EaD, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 17:28

IGC, por detrás dos números: aspectos socioemocionais

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Em complemento aos dois artigos anteriores (“Considerações preliminares” e “Caso Universidade Estácio de Sá”) neste texto, finalizando a trilogia, alguns aspectos socioemocionais dos alunos são analisados. O tema geral “Habilidades socioemocionais dos educandos” já foi abordado anteriormente, sendo que no atual priorizamos um elemento comportamental específico do formando frente ao Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (ENADE).

 

A partir de 2015, tínhamos mais clareza de que tão importante quanto o conteúdo específico ensinado e aprendido seria a atitude do formando frente ao ENADE. Em que pese a tendência natural do aluno de conferir ao exame menor importância, dado ele não constar de seu histórico escolar ou diploma, nosso papel era mostrar exatamente o contrário.

 

Procuramos demonstrar, de forma coletiva e solidária, que na Lei do SINAES está previsto que cada formando tem acesso ao seu próprio relatório de desempenho individual, a mais rica peça de todo o exame. Por meio dele é possível ao estudante se localizar individualmente e se comparar, seja no contexto de sua turma, de sua região ou do país como um todo. Embora o documento seja individual e emitido por solicitação do formando, o seu uso é público e geral, a critério do interessado. Orientamos os formandos que em alguns processos seletivos tais resultados já são solicitados, desde que voluntariamente entregues. Lembramos também que o Currículo Lattes, de uso cada vez mais generalizado, já traz nele inscritos os conceitos atualizados dos cursos de mestrado e doutorado registrados, queiram os usuários do Lattes ou não. O mesmo pode, em tese, ser adotado para os Conceitos Preliminares de Curso (CPC) dos cursos de graduação ou Índices Gerais de Cursos (IGC) das respectivas instituições.

 

Em resumo, o desempenho de cada qual, bem como as consequências para todos, acompanharão os formandos de cada curso de todas as instituições para sempre. Portanto, uma prova bem realizada garantirá ao curso uma boa reputação que se estende a toda a comunidade envolvida, mas especialmente ao egresso que carregará em seu currículo os louros do seu próprio desempenho.

 

Especificamente sobre os desempenhos dos que fazem o ENADE, embora haja uma correlação entre os resultados e as notas que os mesmos educandos obtiveram nas disciplinas dos semestres anteriores, a maior correlação com o desempenho é claramente com o tempo utilizado no ENADE. Um estudante mediano que entregue a prova após uma hora terá uma nota muito inferior que um outro de mesmo nível que fique até o final da prova. Portanto, o grande desafio foi estimular a todos que ficassem até o final.

 

Sabíamos que um incremento razoável no tempo médio dispendido no exame teria como consequência um aumento substancial nos desempenhos médios finais. Porém, não bastava saber, era preciso conhecer os caminhos de atingimento do objetivo, os quais eram e são múltiplos e complexos. Os formandos só se comportariam assim se comprometidos e estimulados por ganhos visíveis provenientes de suas conquistas individuais e, principalmente, resultantes de um sentimento de pertencimento e gratidão à instituição. Não se obtém tais características sem que os docentes, principais interfaces da instituição com seus estudantes, não as tenham eles mesmos e, de forma abundante e generosa, as compartilhem.

 

A título de exemplo singular, além dos convencimentos em sala de aula e fora dela sobre a relevância do ENADE, a participação voluntária de docentes e gestores no dia do exame e e nos dias que o antecede é essencial. Ao saudarem os educandos, desejando a todos uma boa prova, faz toda a diferença acompanhar os cumprimentos com a especial solicitação para que fiquem até o final do exame, explorando todo o tempo disponibilizado.

 

Fundamental percebermos que estamos falando de desafios estritamente educacionais, seja ENADE ou qualquer outro, que visam a preparar o formando para enfrentar, posteriormente, os mais variados obstáculos em sua vida profissional. Em todos os contextos, tão importante quanto o imprescindível e indispensável conteúdo aprendido, serão as habilidades socioemocionais desenvolvidas, envolvendo suas atitudes e comportamentos.

 

Ao introduzir aspectos metodológicos contemporâneos e abordagens inovadoras ao tema ENADE, a instituição transforma algo que poderia, preliminarmente, parecer burocrático e entediante ao educando em instrumento desafiador e com ganhos educacionais substantivos no processo de formação do futuro profissional.

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