Publicidade

terça-feira, 2 de maio de 2017 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Inovação e Educação | 16:06

Novos horizontes educacionais

Compartilhe: Twitter

image1

 

Educar está progressivamente se tornando mais difícil e desafiador. Ingressamos em uma sociedade na qual a informação está totalmente acessível e é instantaneamente disponibilizada, de forma gratuita. Diante deste cenário, tão ou mais relevante do que aquilo que foi aprendido (associado genericamente à cognição ou ao ato de aprender) é o amadurecimento da consciência, por parte do educando, acerca dos mecanismos segundo os quais ele melhor aprende (metacognição ou ato de aprender a aprender).

 

Vivenciaremos uma mudança progressiva de foco em direção a privilegiar as chamadas competências metacognitivas, incluindo as habilidades interdisciplinares, transversais e socioemocionais. Entre as características metacognitivas, destaco, a título de ilustração, aprendizagem independente, solução de problemas complexos, perseverança, autocontrole emocional e cumprimento simultâneo de multitarefas em equipe. Tais predicados são especialmente relevantes em missões envolvendo pensamento crítico, capacidade analítica, uso do método científico, comunicação, colaboração, criatividade, empreendedorismo, empatia, cordialidade, respeito e gestão da informação e de emoções.

 

Visando a entender melhor os horizontes educacionais no panorama mundial, o projeto “Horizon Project”, uma iniciativa do New Media Consortium (NMC), apresenta anualmente, de forma analítica e aprofundada, um balanço acerca das metodologias educacionais e tecnologias emergentes com impactos nos processos de ensino e aprendizagem.

 

A Edição Horizon 2017 é um esforço colaborativo entre o NMC e a Iniciativa de Aprendizagem Educause (ELI). No caso específico do Brasil, o relatório é capitaneado pela Editora Saraiva e o Grupo “Somos Educação”, assessorados por um Comitê de Especialistas, do qual, a convite dos Organizadores, tenho a honra de participar. O objetivo central é identificar e definir as principais tecnologias emergentes que impactarão nos próximos cinco anos a aprendizagem e a pesquisa no contexto da educação superior brasileira. Para saber mais, basta acessar o link: http://nmc.org/nmc-horizon.

 

As novas estratégias educacionais passam agora a enfatizar elementos motivacionais, incluindo atenção especial a trabalhos colaborativos (capacidade de produzir em equipe) e aspectos interdisciplinares (habilidade de estabelecer conexões entre diversas áreas do saber), acrescidos de relevância de comportamentos como tolerância e compaixão (empatia aplicada, isto é, entender o outro por se colocar na posição do outro e agir em função disso). São também relevantes os estímulos à visão empreendedora (criatividade conjugada com exequibilidade e sustentabilidade) e o especial domínio de linguagens e de plataformas digitais.

 

Complementarmente, algumas áreas que hoje ainda estão incipientes deverão se projetar fortemente ao longo dos próximos cinco anos. Entre elas, destaco genômica educacional e analítica da aprendizagem. Devido aos avanços em genética e das tecnologias digitais, será mais simples o uso de informações detalhadas sobre o genoma humano e, desta forma, identificar sua parcela de contribuição para características particulares relacionadas aos processos educacionais.

 

Genômica educacional, juntamente com analítica da aprendizagem, podem ser as chaves para uma educação personalizada. Ao colaborar no desenho de estratégias educacionais e currículos customizados, evitamos penalizar os educandos que não se encaixam nos modelos educacionais mais tradicionais voltados ao atendimento da média.

Autor: Tags: