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domingo, 19 de fevereiro de 2017 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 16:43

Legados Olímpicos

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A Estácio contribuiu para deixar um legado de ouro na capacitação de voluntários para as Olimpíadas 2016 no Rio de Janeiro. Professora Solange Pose foi umas das coordenadoras responsáveis pela missão e, juntamente com uma brilhante equipe, cumpriram a tarefa com excelência.

 

No livro “Olimpíadas 2016 + Professores”, de sua autoria, publicado pela Editora Vermelho Marinho, que será lançado neste março/2017, ela relata em detalhes e sistematiza essa história.

 

A pedidos, e com muita satisfação, fiz o Prefácio. Como o Prefácio, espero, não prejudica e nem substitui a obra, segue abaixo o mesmo intitulado “Herdeiros Olímpicos e Educacionais da Grécia Antiga”:

 

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Professora Solange Pose nesta obra nos propicia uma compilação singular de um conjunto amplo de experiências vivenciadas por ocasião das Olimpíadas no Rio de Janeiro em 2016. O enredo e os detalhes aqui apresentados nos permitem uma reflexão mais ampla e, principalmente, a percepção de que esta bela visão somente é tornada possível pela especial harmonia de dois entes: os Jogos Olímpicos em si e o papel da educação, enquanto capacitação de pessoas, colaborando na organização do evento.

 

A participação da Universidade Estácio de Sá representou para todos nós um marco histórico, especialmente por ter sido a primeira vez que uma Universidade ficou plenamente encarregada da missão específica de preparar os recursos humanos envolvidos na organização. Sentimo-nos todos honrados de termos cumprido a tarefa de forma elogiável, graças sobretudo à qualidade de profissionais encarregados de cumprir este desafio tão especial.

 

Neste Prefácio destaco que Olimpíadas e Escola, neste momento reencontrados, têm mais raízes em comum do que possa parecer evidente à primeira vista. As raízes históricas olímpicas e educacionais apontam ambas para a Grécia Antiga, tornando-nos herdeiros orgulhosos das duas iniciativas, as quais procuramos, enquanto civilização, levar adiante de forma mais qualificada, efetiva e colaborativa possível.

 

Sobre as Olimpíadas, os gregos, em torno de 2.500 a.C., homenagearam Zeus, o maior dos deuses de sua mitologia, com a criação dos Jogos Olímpicos. As Olimpíadas da Grécia Antiga perduraram até 394 d.C., quando o Imperador Teodósio II, convertido ao cristianismo, proibiu todas as festas pagãs, inclusive os Jogos. As Olimpíadas renasceram somente 1.500 anos mais tarde, por iniciativa do francês Pierre de Fredy (1863-1937), o Barão de Coubertin.

 

Por outro lado, os gregos também são considerados, de alguma forma, ao menos no mundo ocidental, os fundadores da instituição Escola, pelo menos tal qual a conhecemos hoje. Platão (428- 348 a.C.), um dos mais importantes filósofos da história, fundou em Atenas a Academia, em 387 a.C., a qual é considerada um paradigma em estudos mais especializados. Platão entendia educação como um método para formar os futuros cidadãos dirigentes de Atenas, dentro do apropriado espírito cívico e comunitário. A Escola Academia é considerada por muitos o nascimento ou embrião mais importante daquilo que denominaríamos, posteriormente, como Universidade. Platão, no seu intuito de atingir e disseminar entre seus educandos a virtude e correta compreensão da realidade, previa uma educação geral que incluía a música, a poesia e a capacitação física, sem esquecer a matemática, as ciências, a dialética e a prática política, entre outros. Assim, Olimpíadas e instituições educacionais têm em comum suas raízes fortemente fincadas na Civilização Grega e ambas inspiradas em elementos de grandeza e de qualidade.

 

Voltando ao mundo contemporâneo, o Rio de Janeiro foi escolhido para sediar no ano de 2016 as XXXI Olimpíadas da era moderna, sendo a primeira vez que elas ocorreram na América do Sul, quando foram disputadas 28 modalidades, duas a mais do que as Olimpíadas de 2012. Foi inédito uma instituição educacional, no caso a Estácio, ter sido escolhida como parceira integral do evento e responsável direta pela capacitação de dezenas de milhares de pessoas, entre voluntários e força de trabalho envolvidos na organização do evento.

 

Celebramos, portanto, a reunificação de dois dos maiores legados dos gregos: as Olimpíadas e a Escola. Este trabalho de Solange Pose nos materializa e consolida a percepção de que as instituições educacionais estiveram muito bem representadas nessas últimas Olimpíadas pela Estácio.

 

Destaco que, entre as missões da Estácio para transformar a sociedade por meio da educação, a mais relevante delas é propiciar um ensino de qualidade para muitos. O Brasil tem provado ser um país capaz de prestar atendimentos de qualidade, desde que para poucos, ou então de atender muitos, desde que sem garantias de qualidade. Não aprendemos ainda, infelizmente, a fazer as duas coisas, qualidade e quantidade, ao mesmo tempo. Harmonizar bom nível e escala é a mais importante inovação olímpica de que o país tanto precisa. Propiciar qualidade para poucos ou então ofertar qualidade precária para muitos não é inovar e nem ser Olímpico. Inovar e ser Olímpico no Brasil de hoje é romper as barreiras que inviabilizam qualidade para muitos.

 

O que este trabalho de Professora Solange Pose reafirma é que pessoas educadas são essenciais para a melhoria da qualidade de vida de todos e para o aumento da competitividade e produtividade de um país. A formação de profissionais atualizados é estratégica para as economias competitivas globais. Profissionais com pouca escolaridade desenvolvem, de um modo geral, atividades manuais simples, sendo quase impossível a adaptação deles às técnicas e aos processos de produção mais sofisticados. Portanto, ser Olímpico na educação contemporânea, sendo simultaneamente grande e de qualidade, implica na formação de cidadãos competitivos, aptos a desempenharem tarefas complexas e dispostos a enfrentarem os desafios das novas e desconhecidas demandas, por meio do uso intenso e consciente de tecnologias inovadoras.

 

Por fim, as Olimpíadas sempre foram e continuarão sendo grandes e de qualidade e o evento Rio 2016 serviu para reforçar, uma vez mais, a sua essência. A Estácio está honrada de ter feito parte desta história, aqui muito bem relatada por Solange Pose, e se integra aos mesmos propósitos Olímpicos, certa de que é parte de sua missão maior conjugar bom nível com quantidade, ofertando educação de qualidade para muitos.

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