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quarta-feira, 18 de janeiro de 2017 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Inovação e Educação | 09:16

McLuhan, meio século depois: o meio era, de fato, a mensagem

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O filósofo e educador canadense Herbert Marshall McLuhan (nascido em Edmonton em 1911 e falecido em Toronto em 1980) é considerado por muitos um dos mais relevantes pensadores do século XX.  O que é certo é que ele antecipou os impactos, com detalhes, do que viria a ser uma futura rede mundial de computadores, a internet, a qual só foi viabilizada décadas depois de sua morte. Suas ideias e análises originais têm contribuído substancialmente para explicar os fenômenos envolvendo os meios de comunicação e suas relações com a sociedade. McLuhan foi importante para entender a virada do milênio e continua sendo essencial no transcurso destas primeiras décadas. Entre suas tantas obras, destacam-se: O Meio é a MensagemGuerra e Paz na Aldeia Global e Os Meios de Comunicação como Extensões do Homem.

 

Neste ano de 2017, estamos celebrando os 50 anos do livro: The Medium is the Massage: An Inventory of Effects*, publicado em 1967, em coautoria com o designer gráfico Quentin Fiore. A obra composta de textos e imagens representava uma experiência sensorial que transcendia o ato simples da leitura, explorando o fato que cada meio dizia respeito a uma mensagem, com efeitos diferentes no sensorial humano. Desta forma, os meios eram considerados extensões do ser humano, incluindo seus sentidos, mentes e corpos. O livro foi um exercício bem-sucedido de premonição, destacando os possíveis efeitos do que McLuhan chamava de circuitação eletrônica, uma clara antecipação do que um dia viria a ser a rede mundial de computadores. Só mesmo um visionário para prever naquele ano que um nível de interdependência eletrônica envolvendo toda a população fosse prover informação abundante, instantânea e gratuita, acelerando sua visão de Aldeia Global.

 

A grande ruptura nos pensamentos de McLuhan estava em assumir que o meio fosse em si um elemento essencial da comunicação e não somente um canal de passagem ou um veículo de transmissão. Ou seja, cada suporte midiático (rádio, jornal, cinema, televisão etc.), independente do conteúdo, teria suas características próprias, e consequentemente, os seus efeitos específicos. Assim, uma eventual transformação do meio poderia ser mais determinante do que uma alteração no conteúdo, evidenciando que o mais importante não seria o conteúdo da mensagem, mas sim o veículo, pelo meio do qual a informação estava sendo transmitida.

 

Quanto à educação, McLuhan percebeu o quanto esta área seria em seguida afetada, predizendo que, em suas palavras, “uma rede mundial de computadores tornará acessível, em alguns minutos, todo o tipo de informação aos estudantes do mundo inteiro”. Na verdade, hoje a citada informação já é abundante, instantânea e, progressivamente, gratuita. Previu também, corretamente, que em um futuro próximo: “em nossas cidades, a maior parte da aprendizagem ocorrerá fora da sala de aula. A quantidade de informações transmitidas pela imprensa excederá, de longe, a quantidade de informações transmitidas pela instrução e textos escolares”. Assim, totalmente coerente com a realidade contemporânea onde todos aprendem, aprendem o tempo todo, fora e dentro da escola, e cada qual de maneira personalizada, adotando meios, estratégias, metodologias que lhe são mais adequadas e convenientes.

 

McLuhan, portanto, desconstruiu uma relativa obsessão pelo conteúdo, resquício, segundo ele, da cultura letrada obsoleta, incapaz de se adaptar às novas condições tecnológicas. Ele sugeriu abandonar o excessivo esforço na interpretação do conteúdo e enfatizou a necessidade de centralizar as atenções no que deveria ser o alvo central: o meio. Educacionalmente, há também um interessante paralelo com a crescente preponderância metodológica do aprender a aprender sobre o simples aprender. Ou seja, mais do que o conteúdo aprendido, trata-se de reconhecer a centralidade do amadurecimento do educando acerca dos mecanismos segundo os quais ele aprende. Em resumo, em um mundo de educação permanente ao longo da vida, o que importa ao estudante é ter, ao longo do processo, aumentado seu nível de consciência acerca de como ele aprende (metacognição) e ter amplificado o domínio da multiplicidade de meios associados aos processos de aprendizagem.

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*De fato, o ‘massage’ao invés de ‘message’ foi somente um erro tipográfico por conta da gráfica. Por decisão pessoal de McLuhan, assim ficou.

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