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Arquivo de setembro, 2016

segunda-feira, 26 de setembro de 2016 aprendizagem, EaD, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 08:14

Analítica da aprendizagem é parte da solução

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Word Cloud "Big Data"

Analítica da aprendizagem (em inglês, learning analytics) diz respeito à abordagem baseada na coleta e análise sistemática de dados sobre os educandos e seus contextos, tendo em vista o entendimento e a otimização do processo de aprendizagem e do ambiente no qual ele ocorre. Embora não exista uma definição única ou consensual sobre o tema, ele está associado ao desenvolvimento de ações e estratégias educacionais implementadas com o suporte de modelos, simulações e padrões estatísticos. Tal processo viabiliza conferir a eficiência e eficácia de metodologias educacionais, conhecer mais sobre todos os atores envolvidos e aprimorar de forma inteligente e substantiva a prática pedagógica.

 

Coletar e analisar dados, como elemento de suporte para tomada de decisões, é o que nós fazemos todos os dias, mesmo que de forma natural e inconsciente. A novidade é que no mundo digital são gerados dados em níveis sem precedentes e, consequentemente, podemos dispor atualmente de estratégias inovadoras, assentadas na capacidade de predições inéditas, decorrentes do uso sistemático, sofisticado e inteligente de estatísticas de grandes massas de dados. Esta realidade é amplificada no mundo educacional atual pelo uso crescente de ambientes virtuais de aprendizagem, tanto na modalidade presencial como a distância. A plataforma virtual, a qual permite a utilização de diversas mídias e demais recursos para apresentar as informações associadas à aprendizagem, é o mesmo ambiente que viabiliza coletar automaticamente dados e analisar o desempenho dos alunos, tanto coletivamente como individualmente.

 

A mais relevante característica da estratégia baseada na analítica da aprendizagem é que pela primeira vez quebramos o paradigma de que o aumento da quantidade é necessariamente associado ao rebaixamento de qualidade. Pelo contrário, ela permite conjugar escala e qualidade, de tal forma que quanto maior a quantidade de dados as análises geradas tendem a ser mais confiáveis, colaborando ainda mais no conhecimento e na avaliação das ações educacionais em curso e no incremento do potencial das iniciativas futuras.

 

Atualmente, é possível conceber que todos os educandos podem aprender, todos aprendem o tempo todo, porém, cada educando aprende de maneira única e personalizada. Para tanto, educação contemporânea significa construir um ensino híbrido, flexível e customizado. A partir dos comportamentos dos estudantes, individualmente ou coletivamente, seja nas atitudes frente a desafios propostos ou via respostas, certas ou igualmente úteis erradas, às questões formuladas, é possível, por meio do desenvolvimento de algoritmos especiais, saber muito sobre cada educando. Isso inclui conhecer suas principais características, expectativas, lacunas, predicados etc. De posse da máxima percepção global sobre o aluno e frente a cada situação educacional específica, podem os educadores e educandos, apoiados por plataformas inteligentes, escolher de uma multiplicidade de trilhas educacionais a mais adaptada. Não menos importante, ao longo do processo, o aluno se permite conhecer melhor a si mesmo, ampliando seu nível de consciência acerca dos mecanismos e contextos nos quais ele otimiza seu aprendizado.

 

Com a abordagem baseada em analítica da aprendizagem passamos a dispor de uma ferramenta adicional indispensável aos educadores contemporâneos. Portanto, torna-se possível ampliar significativamente a capacidade de aprender a aprender, o que é absolutamente imprescindível em um contexto de educação permanente ao longo da vida. Fruto do uso adequado de novas tecnologias, em conjunto com a adoção de metodologias educacionais inovadoras, temos uma oportunidade ímpar de propiciar educação de qualidade para todos.

 

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sexta-feira, 16 de setembro de 2016 aprendizagem, Ensino Superior, Inovação e Educação | 17:30

Tratar bem o Português

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Devemos tratar bem todos os portugueses. Nossos patrícios ancestrais, juntamente com os nativos indígenas e os vários imigrantes, são os formadores da nação brasileira. No entanto, não é a eles que me refiro e sim à língua portuguesa. O Português originou-se da transformação do latim vulgar, com forte influência do céltico. No século V, o português arcaico desenvolveu-se como um dialeto românico, denominado galego português, decretado língua oficial do reino por Dom Dinis I, ao final do século XIII. No século XVI, com as atividades expansionistas do Reino de Portugal, esta língua se difundiu pelas novas terras descobertas, incluindo o Brasil.

 

O Português tem sido demasiadamente maltratado no Brasil, o que é agravado em suas consequências no contexto atual, em que o exercício pleno da cidadania e as oportunidades de explorar empregos e novos negócios dependem fortemente do nível de letramento. Letramento neste sentido está diretamente associado à capacidade do educando na aprendizagem da língua e dos demais códigos, incluindo a matemática. Sem letramento, está prejudicada a comunicação, falada e escrita, tornando difícil o bom convívio social. A base inicial do letramento inclui a habilidade de escrever ou entender um texto, bem como de compreender ou fazer uma fala, o que gera o diálogo e a comunicação com qualidade com os demais.

 

Neste texto, ficaremos no básico. Tentaremos abordar, ilustrativamente, alguns dos erros mais comuns que prejudicam os convívios. Por exemplo, a não conformidade nas palavras exceção, cidadãos e privilégio desautorizam a qualidade do restante do texto ou da manifestação. Outro erro grave é colocar o tentador plural no verbo fazer em frases corretas do tipo: “Faz dez anos que não visito…”. Da mesma forma, o verbo haver deve sempre seguir a forma: “Houve fatos que me levaram a…”.

 

Há inúmeros outros exemplos. Citemos alguns mais. Todo cuidado no uso do afim (junto), o qual é substantivo (indicando parente por afinidade ou aliado partidário) ou adjetivo (significando parecido, próximo), diferindo do a fim (separado), expressando propósito, intenção ou finalidade. Quando for utilizar menos enquanto advérbio jamais flexione gênero. Assim, use sempre: “menos gente”, “menos nervosa” etc. Lembrar que escrever por isso é sempre separado, inexistindo a forma unida. Evite, por favor, a confusão desnecessária entre o mais, significando adição/quantidade e o mas, o qual é uma conjunção com significado de oposição ou restrição. Lembre-se de que o correto é “deixe a carta para eu escrever…”, bem como “os policiais retiveram o documento…”.

 

Sempre que possível evite o “gerundismo”, ou seja, em vez de “vou estar enviando….” use a forma simples “vou enviar…”. Não confundir a forma ligada agente, como em agente secreto, com a forma separada a gente, significando o coletivo genérico. Não confunda meia e meio. meio é uma palavra invariável quando usado como advérbio, significando “um pouco” ou “mais ou menos”. Por sua vez, meia quer dizer metade (numeral).

 

Observe que uma coisa é o advérbio embaixo (junto), significando junto ou sob alguma coisa e bastante diverso do em baixo (separado) utilizado quando a palavra “baixo” tem sentido de adjetivo  . Há outros casos típicos que demandam atenção redobrada como os usos do “por que” e “porque”, bem como do “este” e do “esse”, temas que infelizmente não teremos tempo de tratar neste breve espaço.

 

Em suma, você, ao se expressar oralmente ou por escrito, deve chamar a atenção pelas coisas boas que fala ou escreve e jamais prejudicá-las pela forma, eventualmente não correta, com que se expressa. Trate bem o Português e você será recompensado largamente sendo bem compreendido e tendo a benção de aprender mais e entender melhor o mundo à sua volta, comunicando-se adequadamente com os seus.

 

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segunda-feira, 12 de setembro de 2016 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 09:40

Como ir bem no ENEM: além de saber, saber resolver

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Este ano o Exame Nacional do Ensino Médio – ENEM completa dezoito anos. A maioridade não lhe confere perenidade de forma, ao contrário, há ventos de novas mudanças, as quais são compreensíveis, dado que o exame sofreu alterações essenciais. Nasceu com a finalidade de medir a qualidade do ensino médio, no entanto, a partir do final da década passada, se transformou quase que exclusivamente em teste nacional de admissão ao ensino superior.

 

O resultado é que hoje o exame abrange anualmente um público de quase oito milhões de candidatos, com interesses concentrados nas mais de 250 mil vagas das universidades públicas e de milhões de outras oportunidades de ingresso no ensino privado. O ingresso na faculdade não é a finalidade única do ensino médio, porém, na ausência de uma base nacional comum curricular, o conteúdo do ENEM findou por se tornar a referência quase única do que é, ou deveria ser, ensinado naquele nível.

 

O ENEM, progressivamente, adotou uma cobrança cada vez maior de profundidade no domínio de matérias como matemática, física, química, biologia, língua estrangeira, história, geografia e redação. Mesmo assim, o nível de aprendizado em matemática no ensino médio na última avaliação do Sistema de Avaliação da Educação Básica – SAEB atestou retrocesso naquilo que já ia mal. A ênfase do ENEM tem sido mensurar domínio de conteúdo, capacidade de memória e habilidade de responder questões no tempo previsto, funcionando como atestado formal em itens supostos essenciais a ingressantes em cursos superiores. O drama adicional é que tais elementos estão muito associados à formação típica esperada no século passado, onde um conjunto razoavelmente delimitado de conteúdos, técnicas e procedimentos caracterizavam um profissional de ensino superior preparado para atender as demandas da época. Isso mudou, está mudando e mudará ainda muito mais. Caminhamos rapidamente para um novo cenário onde mais relevante do que o que foi aprendido é o desenvolvimento da capacidade de aprender a aprender, com o consequente aumento da consciência do educando sobre como ele aprende.

 

O mundo contemporâneo apresenta novidades e desafios resultantes do ingresso acelerado em uma sociedade onde a informação está, cada vez mais, totalmente disponibilizada e instantaneamente acessível. Assim, simplesmente separar os candidatos entre os que sabem e os que não sabem determinados conteúdos torna-se menos relevante do que, simultaneamente, selecionar e induzir talentos aptos a saberem resolver problemas. Saber resolver tem a ver com saber, mas vai além, significando fazer uso das informações disponíveis para apresentar soluções a desafios.

 

A capacidade de interpretar e analisar textos, fazendo uso dos dados disponibilizados, o uso da lógica e do raciocínio crítico e o desenvolvimento de um conjunto de atributos que transcendem o domínio simples de conteúdos ajudarão o candidato a ir bem no ENEM. A resposta a uma questão depende não só de memória e do domínio de conteúdos, mas inclui também capacidade de foco e outras atitudes. Ou seja, estamos medindo, ainda que indiretamente, o nível de amadurecimento da consciência adquirida pelo educando acerca dos mecanismos segundo os quais ele aprende, o quanto ele conhece a si mesmo e faz uso disso. Neste sentido, felizmente, aprendizagem inclui também a habilidade de aprender a aprender em um contexto de educação permanente ao longo da vida.

 

Mesmo que o ENEM, como ele é hoje, vise a, principalmente, selecionar e distinguir entre os que sabem e os que não sabem, há espaços a serem explorados por aqueles que, mais do que saber, se preocupem em saber resolver. Irão bem no ENEM aqueles capazes de explorar as atitudes maduras perante os desafios, o que será fundamental durante o exame e, especialmente, depois dele.

 

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domingo, 4 de setembro de 2016 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Inovação e Educação | 09:42

E-mails: mensagens educadas e eficientes

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O e-mail foi desenvolvido por Ray Tomlinson ao final de década de 1960, na época da antiga rede Arpanet. Ele criou também o símbolo @ para separar o nome do usuário do servidor em uso. No entanto, a popularização do e-mail ocorreu somente a partir da criação da rede Internet na década de 1980.

 

Mensagens, nas suas mais diversas formas, são quase tão antigas como os humanos. O correio postal, em particular, remonta ao século II a.C. na Grécia Antiga. Consta que um general ateniense teria enviado um mensageiro correndo (daí a palavra correio de correr) para comunicar a vitória de seu exército sobre os persas. O mensageiro Filípides, após percorrer 42 quilômetros (padrão Maratona), findou pagando com sua vida o excesso cometido na corrida.

 

Os provedores gratuitos a todos, surgidos em meados da década de 1990, foram os grandes responsáveis pela revolução promovida pelos webmails. O pioneiro foi o Hotmail e, na sequência, aparecem outros como Yahoo!, AOL, BOL e Zipmail. Rapidamente, os e-mails se transformaram em ferramentas de trabalho cooperativo e fator de aumento de produtividade nas empresas. Foi possível agilizar processos, disseminar informações e baixar custos operacionais, porém, como toda novidade trouxe também suas dificuldades associadas, tais como: spam, possibilidade de fraudes, disseminação de vírus e perda de privacidade.

 

Mais recentemente, especialmente entre os mais jovens, os e-mails passaram a ser considerados menos atraentes do que outras ferramentas como WhatsApp, Twitter, Instagram e Messenger/Facebook. No entanto, os e-mails se mostram resistentes quando as mensagens têm caráter formal, exigem mais funcionalidades e quando há necessidade de registro de informações. Novidades como computação na nuvem demandarão mudanças nos e-mails, as quais já estão em curso. Por exemplo, a conta Google, derivada do Gmail, oferece serviços mais completos e totalmente integrados como Google Docs, Reader, Latitude e Voice.

 

Não há regras fixas de como enviar e-mails educados e eficientes. Lembremos, no entanto, que são mais de cem bilhões de e-mails enviados todos os dias, ou seja, mais de um milhão por segundo. Vale a reflexão para que você não perca tempo (e paciência) escrevendo (ou lendo) textos que não serão lidos ou que não valem a pena serem lidos. O empreendedor Peter Diamandis não lê (e não envia) e-mails com mais de três linhas. Segundo ele, se o assunto demanda mais informação, há a opção de anexo ou de marcação de conversas posteriores, inclusive via e-mails complementares.

 

Ao enviar um e-mail, uma regra de ouro é fazer bom uso da linha assunto, a qual deve ser esclarecedora e chamativa, sendo tão importante quanto o conteúdo que ela anuncia. Use sempre formatos os mais universais e adote tamanhos padrão. Parágrafos concisos e espaçamentos entre eles ajudam na leitura. Se precisar destacar algo, ao invés de mudar a fonte ou adotar maiúsculo, preferencialmente, use negrito ou itálico.

 

Evite enviar ou mesmo ler e-mails nos momentos em que você está emocionalmente abalado. E-mail, ao contrário do telefone e do contato pessoal, permite e estimula que você pense, leia e releia tudo o que for enviar ou receber. Finalize sempre com cumprimentos e agradecimentos. Escreva sabendo que tudo poderá ser tornado público com privacidade zero. O e-mail é hoje aceito como documento, podendo responder o autor pelo teor do mesmo, em qualquer circunstância. Cuidado com detalhes tais como a assinatura de trabalho em e-mails pessoais, correndo-se o risco de parecer pouco amigável.

 

Por fim, entendo e pratico que todos os e-mails de caráter pessoal e individualizados demandam respostas, ainda que, a depender do caso, sejam retornos breves ou repassados para outros setores ou pessoas com mais pertinência ao tema. Receber um e-mail e não o retornar é tão mal-educado como ser saudado com “bom dia” ou “boa tarde” e, simplesmente, não responder.

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