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Arquivo de agosto, 2016

terça-feira, 30 de agosto de 2016 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 16:52

Nova era industrial e educação na nuvem

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O projeto da máquina a vapor de Thomas Newcomen, aperfeiçoado por James Watt em 1777, é considerado o marco do nascimento da Revolução Industrial. Sua primeira aplicação foi abaixo do nível do solo ao retirar água do interior das minas de carvão na Inglaterra, substituindo o trabalho anteriormente feito por animais. Com carvão abundante e de melhor qualidade, o Império Britânico consolidou seu protagonismo na dominação econômica.

 

Um segundo ciclo de desenvolvimento transformador decorreu do uso industrial e residencial da eletricidade em larga escala ao final do século XIX. A expansão da tecnologia elétrica e dos motores nesse período trouxe novas possibilidades, marcando profundamente o século XX e transformando a sociedade, incluindo os setores de transportes, aquecimento, iluminação e comunicações. Podemos considerar como marco do terceiro período industrial a invenção do primeiro microprocessador. Em 1971, a empresa Intel, atendendo demanda de uma empresa japonesa, produziu o microprocessador 4004 com 2.300 transistores, registrando, simbolicamente, a emergência da era dos computadores e do mundo digital.

 

Contemporaneamente, já ingressamos na quarta era industrial. Observe que as inovações anteriores, na sequência, surgiram nas minas abaixo do solo, posteriormente, emergiram e preencheram a superfície terrestre com a tecnologia elétrica, e, em seguida, surgiram embutidas nos diversos dispositivos na forma de microprocessadores. Mais recentemente, as inovações ocupam um inédito espaço que se convencionou chamar de nuvem ou de computação em nuvem. Klaus Schwab, um dos fundadores do Fórum Econômico Mundial, lançou no início deste ano o livro The Fourth Industrial Revolution (disponível em: https://www.amazon.com/dp/B01AIT6SZ8#nav-subnav) contando com mais detalhes parte dessa história. Nesta era, via integração plena, todos estão conectados e todas as empresas, gradativamente, se tornam digitais e a nuvem é o elemento-chave.

 

Via a utilização da capacidade de armazenamento e de cálculo de servidores compartilhados e interligados por meio da internet, tudo pode ser acessado de qualquer lugar do mundo e a todo momento. É a vez da internet das coisas, da impressão 3D e da realidade ampliada, da inteligência artificial e das máquinas que aprendem. Todos os setores e atividades humanas serão impactados e educação, entre eles, demandará ser revista à luz de contornos inéditos, onde a informação está totalmente acessível, instantaneamente disponibilizada e gratuita. As demandas em termos de formação de profissionais e cidadãos desta nova era, incluindo as metodologias e estratégias educacionais associadas, ainda estão em aberto. Sabemos que teremos encruzilhadas e que as circunstâncias permitem, se não tomarmos os necessários cuidados, processos perversos de exclusão social mais acentuada. Por outro lado, tais tecnologias também viabilizam abrir oportunidades positivas jamais vivenciadas pelos humanos em termos de igualdade de oportunidades, via educação de qualidade para todos.

 

As inéditas facilidades na geração, tratamento e disponibilização de dados por meio da nuvem permitem processos inovadores de ensino de qualidade dirigidos a muitos. Temos disponível escala suficiente para conjugarmos, pela primeira vez, qualidade e quantidade, viabilizando um cenário onde cada educando poderá, mais do que somente aprender, aprender a aprender. O educando, a partir das tecnologias disponíveis e das metodologias compatíveis, escolherá com liberdade seus tempos e lugares próprios para aprendizagem, acompanhado por inteligentes plataformas que entendem cada um individualmente. Assim, com o suporte de educadores especializados, será possível gerar soluções customizados em que todos aprendem e todos aprendam juntos o tempo todo, mas cada aprendiz seguindo sua trajetória educacional personalizada.

 

 

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segunda-feira, 22 de agosto de 2016 Sem categoria | 11:08

Olimpíada do Rio, um Quarup contemporâneo

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Antônio Callado, autor nascido no Estado do Rio de Janeiro em 1917, tem como principal obra Quarup, retratando o período em torno da implantação do Regime Militar em 1964. O livro, publicado em 1967, versa também sobre eventos ocorridos na década anterior nas reservas indígenas da região do Xingu, no centro-oeste do Brasil. O enredo gira em torno de conflitos pessoais e políticos vivenciados pelo protagonista, padre Nando.

 

Ainda que Quarup e Olimpíadas sejam eventos muito distintos, há elementos de similaridade de contextos que permitem enxergar uma possível premonição de Callado sobre fatos que viriam a ocorrer somente meio século depois. Nesta versão contemporânea, os fatos guardam algumas semelhanças em termos de espaços de ocorrência e circunstâncias políticas vivenciadas simultaneamente com grandes eventos incluindo atividades desportivas.

 

No livro, a difícil realidade indígena sensibiliza o visitante padre Nando em meio a acontecimentos como o fim do Governo Getúlio, o qual havia prometido a consolidação do Parque Nacional do Xingu para mudar a realidade de conflitos de terra na região. Simultaneamente com o suicídio do presidente Getúlio em 1954, os índios preparam uma grande festa no Xingu envolvendo várias tribos, o ritual Quarup, uma homenagem aos mortos celebrada com cerimônias ritualísticas com atividades de caça e pesca.

 

A obra retrata dez anos após a morte de Getúlio, já em pleno Regime Militar, um contexto de fortalecimento de grupos conservadores. O personagem Nando pretende celebrar a morte de companheiros de luta política reproduzindo um novo Quarup, desta vez reunindo antigos aliados e membros de uma comunidade de pescadores e de diversas outras “tribos” em torno de um grande jantar. A festa de Nando é invadida pela polícia e por grupos reacionários, entre eles participantes da Marcha da Família com Deus pela Liberdade, e ele é brutalmente espancado. Nando sobrevive socorrido pelos amigos, incluindo uma prostituta, e é protegido por representantes da Igreja.

 

Passados mais de meio século, o Brasil ainda enfrenta seus conflitos sociais e políticos, incluindo o fortalecimento dos setores conservadores e um processo de impeachment em curso. Tudo isso ocorrendo simultaneamente a um grande evento esportivo, no caso a Olimpíada. O Rio de Janeiro, presente tanto nos momentos descritos por Callado como no presente, reflete e sintetiza esse conjunto de contrastes de um país que mescla grandes perspectivas, belezas incomparáveis e demonstrações inequívocas de criatividade com seus opostos, expressos por frustrações generalizadas e evidências de realidade social perversa e injusta.

 

Um exemplo interessante da complexidade do país é o papel dos militares, contrastando os acontecimentos de meio século atrás com a positiva participação dos mesmos nos tempos atuais. Hoje não só colaboram na garantia complementar da segurança do evento, mas têm fundamental papel no suporte aos atletas brasileiros ganhadores de medalhas.

 

Tal qual Callado, que descreveu a singeleza do evento Quarup com a não solução dos conflitos indígenas, é razoável supor que o enorme sucesso da Olimpíada também não seja em si a solução definitiva dos complexos problemas do Rio. No entanto, tais semelhanças traduzem em comum os contrastes e potencialidades que caracterizam o país e atestam um movimento transformador. Entender essa dinâmica permite enxergar aquilo que a foto estática do Brasil, por vezes, oculta: os bons motivos que temos para acreditar numa nação orgulhosamente mestiça e plural que constrói sua própria história e busca permanentemente enfrentar seus imensos desafios.

 

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sexta-feira, 19 de agosto de 2016 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Inovação e Educação | 08:10

O método na história da humanidade

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Os humanos, desde suas primeiras formas de organização social, tentam compreender a natureza ao seu redor e a eles mesmos. A ciência diz respeito à parte do conhecimento advindo de métodos analíticos e sistemáticos, baseada especialmente no método científico, o qual foi consolidado no século XVII por personagens como Galileu e Descartes, entre outros. O método científico não é a única forma de tentar entender o mundo, mas tem sido o padrão dominante desde então. A palavra método, originária do grego, significa encaminhamento ou busca, em oposição ao acaso e ao aleatório.

 

O método científico é baseado na observação, hipótese, experimentação e verificação. Este método encontrou na Europa dos séculos XVII e XVIII terreno fértil para promover uma cultura racionalista, ancorada em hábitos científicos e exercícios de raciocínios sistemáticos. Destaque para a publicação do Principia em 1687 por Isaac Newton, marcando com as Leis de Newton e a Mecânica Newtoniana o amadurecimento definitivo do método científico. Nos séculos seguintes, a partir do desenvolvimento de áreas como a Termodinâmica e o Eletromagnetismo e de invenções como a máquina a vapor e os motores, estavam dadas as condições para a Revolução Industrial, consolidadora da sociedade moderna.

 

Para entender o mundo contemporâneo não há regras prontas ou receitas definitivas, muito menos garantia de sucesso pleno na empreitada, mas certamente é tarefa árdua sem conhecer as origens do método e do pensamento científico. Especialmente as fundamentais contribuições da Grécia Antiga e o papel relevante do período compreendido entre o fim da Idade Média e o Renascimento, quando são estabelecidos os ambientes nos quais surgem as bases da ciência moderna. As relações entre ciência, tecnologia e produção que marcam os últimos três séculos podem ser melhor caracterizadas a partir da compreensão do período anterior, o qual ilumina o presente e permite algumas considerações sobre o futuro que ainda nos aguarda.

 

Para colaborar na tentativa de melhor compreender e divulgar este tema, juntamente com outros autores, redigimos a obra “Método Científico & Fronteiras do Conhecimento”, publicado em 2003 pela Editora CESMA. A parte especificamente de minha autoria, referente ao Método Científico, está disponibilizada a todos os interessados em vários formatos, entre eles em videoaulas.

 

Aos que se interessarem pelo assunto, disponibilizo abaixo links para assistirem três vídeos, os quais hoje são partes integrantes da Disciplina “Bases Físicas para Engenharia” da Estácio. No primeiro, é desenvolvida uma abordagem geral sobre o tema. No segundo, uma breve introdução sobre a origem do universo, o surgimento da vida no planeta Terra e as primeiras experiências dos humanos vivendo em sociedade até o final da Idade Média. Na terceira e última parte, as relações entre a ciência moderna e a tecnologia por ela engendrada e as bases da sociedade moderna são apresentadas.

 

Parte 1: http://portaldoaluno.webaula.com.br/cursos/O03473/Aula1/___A/01BasesFisicas.mp4

Parte 2:

http://portaldoaluno.webaula.com.br/cursos/O03473/Aula1/___A/02BasesF%C3%ADsicas.mp4

Parte 3:

http://portaldoaluno.webaula.com.br/cursos/O03473/Aula1/___A/03BasesFisicas.mp4

 

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terça-feira, 9 de agosto de 2016 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 11:02

Aprendizagem independente é essencial

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Nos processos educacionais, educandos e educadores investem esforços e talentos visando à aprendizagem, que seria resultante do sucesso das estratégias e metodologias utilizadas. Como processo complexo, qualquer tentativa de simplificação está sujeita a erros graves. Assim, procurar destacar os elementos e as abordagens mais relevantes deveria ser a tarefa de qualquer educador interessado em melhorar o desempenho dos estudantes em relação a cada evento educacional específico.

 

Elementos culturais gerais da sociedade sempre estarão presentes como ingredientes fundamentais. O ambiente doméstico e os hábitos e costumes praticados no dia a dia interferem nas práticas e nos resultados educacionais, portanto, seria recomendável tê-los considerados quando da seleção das abordagens e das pedagogias adotadas. Uma nação, uma região ou um grupo social específico têm marcas registradas decorrentes de suas histórias anteriores que estabelecem com o processo educacional uma relação de desejáveis e inevitáveis interferências multilaterais.

 

Nossa carga cultural traz marcas bem descritas em obras consolidadas, entre elas destaco “Casa Grande & Senzala”, de Gilberto Freire. Neste e em outros estudos, são enfatizadas, de um lado, uma elite acostumada às benesses e aos privilégios, que justificam e estimulam o paternalismo e a acomodação, e, de outro, os demais submetidos à exclusão e à opressão, que desfavorecem a emancipação e as iniciativas empreendedoras. A tradição histórica que se reflete nas relações, seja nas ruas ou no trabalho, infelizmente, também repercute nas salas de aula, via pedagogias que prioritariamente estimulam a aprendizagem marcadamente dependente.

 

Portanto, no processo educacional, adicionalmente aos conteúdos a serem abordados, em complemento às técnicas e procedimentos que um futuro profissional ou cidadão devem dominar, há outros elementos, tão ou mais relevantes, que demandam estar presentes. Entre eles, a aprendizagem independente é essencial e não exclui o professor; ao contrário, o inclui via a adoção de metodologias que estimulem processos emancipatórios na aprendizagem. Especialmente no caso brasileiro, não basta ter aprendido o conteúdo, é imprescindível que no processo a ênfase na autonomia de aprendizagem ao longo da vida tenha sido enaltecida e priorizada, assim como é importante que níveis superiores de emancipação dos educandos tenham sido atingidos.

 

A notícia positiva é que o mundo das tecnologias digitais favorece a missão de estimular processos emancipatórios e mantém grande coerência com as metodologias ativas que se baseiam em aprendizagem independente, mediadas tanto pelo educador como pelos ambientes virtuais. Via as interfaces educacionais inteligentes e os recursos e ferramentas atualmente disponíveis, é plenamente possível traçar trajetórias educacionais personalizadas que levam em conta cada indivíduo, bem como fortalecer aspectos culturais e demais especificidades locais e regionais.

 

Temos a oportunidade inédita de conjugar escala e qualidade, contrariando as práticas anteriores, caracterizadas por qualidade para poucos ou má qualidade sempre que estendida aos demais. Contemporaneamente, ao contrário, podemos afirmar que só haverá qualidade se tivermos variadas referências para acesso, fruto de adotarmos tecnologias e metodologias que sejam aplicáveis para muitos. Hoje, seja na educação, na saúde ou em demais setores, inovar no Brasil é ousar propiciar qualidade para todos.

 

Figura: Domínio público, disponível em https://www.class-central.com/report/app/uploads/2015/06/Thoma-Loneliness.jpg

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