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quarta-feira, 15 de junho de 2016 Educação e Tecnologia, Inovação e Educação | 17:23

É o solo, estúpido!

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agriculture

 

Em momentos de crise como estes que atravessamos neste momento no Brasil é bastante comum questionarmos nossa efetiva capacidade de promovermos um desenvolvimento econômico, social e ambiental sustentável. Ao que parece, conseguimos em alguns momentos crescer, mas não sabemos sustentar o crescimento, vivenciando períodos de euforia seguidos de depressão e vice-versa.

 

Há dois elementos, aparentemente contraditórios, que se destacam quando tentamos entender o tema em longo prazo. Parece evidente que um país sem educação adequada (nível de escolaridade e qualidade de ensino) inevitavelmente vai sofrer pelo subdesenvolvimento ou crescimento de curto prazo, resultantes da precariedade da mão de obra, dos maus serviços prestados pelo Estado e da incapacidade do setor produtivo em geral.

 

Por outro lado, é reconhecido que os recursos naturais que o Brasil tem fazem dele uma boa aposta em qualquer cenário futuro. Não há um argumento isolado para esta afirmativa, mas este conjunto de elementos favoráveis pode ser sintetizado em um de seus elementos: o solo, incluso nele todas as demais variáveis que o cercam.

 

Na campanha presidencial de 1992 de Bill Clinton, um de seus assessores, James Carville, cunhou a frase que viria a se constituir no mote da campanha: “É a economia, estúpido!”. Tal slogan traduziu o espírito daquele momento e mostrou ser fator decisivo para a vitória de Clinton sobre George Bush.

 

Nas discussões sobre o quão sustentável é ou pode ser o desenvolvimento brasileiro, da mesma forma, poderíamos resumir o diagnóstico do cenário futuro de maneira simplificada como: “É o solo, estúpido!”. Solo aqui representando todo o conjunto de condições que permitiriam promover um desenvolvimento sustentável ancorado na produção de alimentos, setor altamente competitivo que tende a ser cada vez mais estratégico no planeta Terra.

 

De forma resumida e simplificada, solo corresponde à camada superficial da crosta terrestre, item fundamental para o desenvolvimento da vida na terra, dado que dele retiramos os alimentos e demais itens necessários para nossa sobrevivência. Do ponto de vista econômico, a agroindústria, a agricultura familiar e outras formas de uso do solo são espaços de oportunidades, respondendo no seu conjunto por expressiva participação na riqueza do país, correspondendo a aproximadamente um terço do PIB e da geração de empregos e mais de 40% das exportações, gerando um saldo para a balança comercial de quase uma centena de bilhões de dólares. Esta notável posição expressa a vocação natural do país para a produção de alimentos, acrescida da qualidade do solo, incluindo clima favorável, água, relevo e luminosidade, e do fundamental conhecimento técnico e científico acumulado na área.

 

O Brasil, com seus 8,5 milhões de km2, dos quais menos de 30% são utilizados para agropecuária, é o país mais extenso da América do Sul e o quinto do mundo. Metade do território é ainda coberto por matas originais, permitindo explorar a possibilidade de uso racional e equilibrado do solo sem obrigatoriamente agredir o meio ambiente.

 

O solo fértil é a garantia da existência humana e a falta de consciência do homem no seu trato é um paradoxo. Visões individualistas, míopes ou de interesses de curto prazo têm gerado riscos de crise alimentar e de preservação do equilíbrio ecológico. O homem é um ser capaz de transformar conscientemente a natureza à sua volta e é, igualmente, capaz de estabelecer com ela uma política de uso consciente e duradouro.

 

Educação adequada, incorporação de conhecimento de fronteira e uso apropriado do solo representam simbolicamente a possibilidade real de um futuro com desenvolvimento sustentado para o Brasil. Até que atinjamos este nível, infelizmente, vivenciaremos períodos de euforia e depressão que se alternam.

Sobre a imagem: Burial chamber of Sennedjem, Scene: Plowing farmer, circa 1200 BCE [Public Domain]

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