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Arquivo de maio, 2016

segunda-feira, 23 de maio de 2016 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 09:11

Metacognição política brasileira

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Metacognição, etimologicamente, significa “para além da cognição”, ou seja, algo além do aprender e suas etapas clássicas, abrangendo também conhecer o próprio ato de aprender, associado à consciência ativa dos atores envolvidos no processo de aprendizagem. Assim, o conceito de metacognição está relacionado ao ato de pensar sobre o próprio pensamento, onde a reflexão e a autoconsciência sobre a maneira como se aprende tornam-se, progressivamente, tão importantes como o próprio conhecer.

 

Portanto, nesta linha, assume-se que tão ou mesmo mais importante do que aquilo que se aprendeu é se ao educando foi possível adquirir, ao longo do processo de aprendizagem, mais clareza acerca de como ele aprende, aumentando o seu nível de consciência sobre os mecanismos segundo os quais a educação se desenvolve.

 

A situação econômica e social brasileira não é boa e a crise política instaurada é grave, portanto, nem há sequer pílula para dourar. No entanto, não há como enxergar o país somente com o olhar clássico, fotográfico e simples. É possível, complementarmente, perceber o que está embutido, o dinâmico e o complexo. A pergunta a ser feita, talvez a mais relevante, seja se estamos aprendendo ao longo do processo e, principalmente, se estamos entendendo a nós mesmos melhor enquanto atores políticos, aprendizes permanentes do processo. Curiosamente a resposta seria sim, mesmo que olhado dos pontos de vista mais díspares.

 

A crise econômica pode ter muitas explicações, mas fica cada vez mais evidente que todas estão associadas às tarefas não cumpridas antes e à baixa produtividade do trabalhador brasileiro. Esta, por sua vez, correlacionada à baixa escolaridade, entendida aqui enquanto limitadíssimo número de anos de estudo e má qualidade de ensino nos poucos anos frequentados.

 

A questão social, vinculada à crise, remonta a acúmulos que vieram progressivamente se agravando, desde o evidente e perverso contraste social que separa a casa grande da senzala e que, com pequenas oscilações, nunca se alterou na sua essência. Na política, nossa marca maior continua sendo a eterna vocação patrimonialista de confundir o público com o privado, o geral com o particular, findando os interesses coletivos submetidos aos interesses localizados. Esta lógica opera, desde o Brasil Colônia, para grupos e setores econômicos comodamente sempre alojados dentro do poder instituído. Da mesma forma, o mesmo raciocínio é válido para corporações diversas que se fazem representar ao nível do poder, ainda que cultivando um discurso por vezes progressista, e que findam sempre por desculpar privilégios setoriais em detrimento do todo.

 

Pela primeira vez, graças ao mundo das tecnologias digitais, exploramos, enquanto cidadãos e agentes políticos em potencial, a oportunidade de termos informação plena e total para todos, instantaneamente e gratuitamente acessível. Um dos reflexos decorrentes desta revolução diz respeito ao fato de que cognição divide sua centralidade, abrindo espaço, em termos de relevância, para um conceito mais amplo, a metacognição política.

 

Portanto, a cognição, associada a ser informado, de certa forma, atende principalmente ao passado e a metacognição, associada a cada vez mais refletir melhor sobre aquilo que lhe é informado, contempla prioritariamente o futuro. Claramente ainda estamos nos primórdios, mas estamos avançando e podemos fazê-lo com muito mais rapidez. Enquanto a cognição diz respeito, na sua forma mais simples, a constatar se o cidadão aprendeu ou não, a metacognição política inclui, com igual peso, o quanto o indivíduo e o coletivo percebem as formas e os mecanismos com que eles próprios aprendem e atuam, em preparação ao estratégico e improrrogável saber resolver.

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sexta-feira, 13 de maio de 2016 aprendizagem, EaD, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 21:27

Educação a distância: no começo estranha-se, depois, entranha-se!

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homeschooling

 

Há 80 anos, em Portugal, o escritor Fernando Pessoa foi convidado a produzir uma peça publicitária para um grande grupo internacional do ramo de refrigerantes, e assim o fez: “Primeiro estranha-se, depois, entranha-se!”. Naquela época, a bebida escura gaseificada estava chegando a Portugal, era desconhecida, de gosto estranho, e precisava de um pouco de poesia para abrir-lhe o caminho.

Hoje, parafraseando o poeta, em contexto sensivelmente distinto do original, permito-me apropriar da ideia do autor para descrever a educação aberta e a distância, que está, cada vez mais, presente em nosso cotidiano. Trata-se de uma modalidade de educação fortemente impulsionada pelas novas tecnologias de informação e comunicação, cujas potencialidades apontam para o atendimento às demandas inéditas da sociedade contemporânea, e em particular no Brasil, país privilegiado com dimensões continentais, nossos atrasos em termos de escolaridade e as desigualdades sociais e econômicas.

Muito além de ser um meio de superar problemas emergenciais ou forma de enfrentar questões de espaços territoriais, educação a distância (EaD) vem, progressivamente, conquistando espaços junto aos diversos sistemas acadêmicos e educacionais, sua oferta combinada aos modelos tradicionais de ensino, em diversos níveis, tem apontado para melhorias.

Por outro lado, no espírito de educação ao longo da vida, a educação a distância tem sido ingrediente fundamental na educação continuada da população adulta. EaD tem forte conexão com democratização de oportunidades educacionais, contribuindo com a formação de profissionais com competências múltiplas. Da mesma forma, estabelece fortes vínculos com democratização de oportunidades educacionais, contribuindo com a formação de profissionais com competências múltiplas, com especial ênfase no trabalho em equipe e na capacidade de aprender a aprender e estimulando o individuo a adaptar-se a novas situações.

Assim, a realidade de exigência de formação ao longo da vida propiciara desejáveis conexões entre o campo educacional e o campo do trabalho, que demandarão inéditas ferramentas pedagógicas que, por sua vez, gerarão fortes impactos, tanto sobre os métodos de ensino como sobre a organização dos ambientes de trabalho.

A Lei 5.692, de 1971, que fixava Diretrizes e Bases para o ensino de 1º e 2º graus, de forma pioneira no país e para atingir maior número de estudantes, se referiu à possibilidade de cursos supletivos utilizarem a modalidade a distância, por meio de rádios, televisão e ensino por correspondência. A nova Lei de Diretrizes e Bases (1996), consolida essa tendência, inovando com a possibilidade de educação a distância em todos os níveis e modalidades de ensino. No ano de 1998, dois Decretos publicados caracterizaram EaD e regulamentam a LDB, definindo competências entre os sistemas federal, estaduais e municipais.

Posteriormente, duas Portarias do MEC (uma de 2001 e outra de 2004) tratam da possibilidade de introdução de métodos não-presenciais na organização curricular e pedagógica dos cursos superiores reconhecidos.

Em um contexto em que a informação estará totalmente acessível, instantaneamente disponibilizada e gratuitamente ofertada, o processo ensino-aprendizagem será profundamente afetado e a incorporação de novas tecnologias e a introdução de metodologias inovadoras serão a marca destes novos tempos. Muito além da simples modalidade, o ensino a distância representa a real possibilidade de conjugarmos quantidade com qualidade e é o prenúncio de um novo período de educação híbrida e flexível, em um mundo globalizado e literalmente sem fronteiras.

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira, (LDB, Lei n.º 9.394, de 20 de dezembro de 1996) apresentou uma inovação no seu art. 80 estimulando o ensino a distância nos diferentes níveis. A criação da Secretaria de Educação a Distância (Seed/MEC), no início do Governo Fernando Henrique Cardoso (1994-2002), representou uma iniciativa positiva para a institucionalização da modalidade. No Governo Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2011), houve um significativo avanço da educação a distância, chegando ao quadro atual em que a educação a distância é a principal responsável pelo crescimento de matrículas no ensino superior.

Educação a distância baseada nas tecnologias digitais rompe fronteiras entre as nações e cumpre o mesmo papel no interior de cada país. Particularmente no Brasil, onde ainda não completamos sequer metade do caminho previsto no Plano Nacional de Educação (PNE) da década passada – “garantir acesso ao ensino superior a 30% dos jovens entre 18 a 24 anos” –, a utilização da modalidade é certamente imprescindível e estratégica para oportunizar que interessados de todas as classes sociais possam ter acesso à educação superior. Além disso, como apontado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep/MEC), progressivamente, mais de 40% dos ingressantes no ensino superior estão em faixas etárias mais maduras (acima de 24 anos). Esta população demanda metodologias educacionais próprias capazes de permitir que mesmo tardiamente, possa qualificar-se profissionalmente.

Distintamente da educação presencial, na educação a distância a escala não compromete a qualidade, muito pelo contrário. Todos os especialistas internacionais têm segurança em afirmar que a racionalidade e a economicidade envolvidas na modalidade permitem baixar custos e aumentar qualidade simultaneamente. Tal que é mais do que razoável afirmar que na boa educação a distância pode-se obter o dobro da qualidade pela metade dos custos.

Os estímulos para o estudo antes das aulas, a ênfase na existência de portais eletrônicos, aprender a não ter medo de utilizar plataformas, o estímulo à aprendizagem independente e ao ensino baseado em solução de problemas, incluindo metodologias que levem em conta os ambientes do mundo do trabalho, são exemplos de iniciativas que podem ampliar nos educandos habilidades e competências desejadas.

Pessoas educadas são essenciais para a melhoria da qualidade de vida de todos e para o aumento da competitividade e produtividade de um país. A formação de profissionais atualizados é estratégica para as economias competitivas globais. Profissionais com pouca escolaridade desenvolvem de um modo geral  atividades manuais simples, sendo quase impossível a adaptação deles às técnicas e aos processos de produção mais sofisticados. Portanto, a formação de cidadãos aptos a desempenhar tarefas complexas e dispostos a enfrentar os desafios das novas e desconhecidas demandas, por meio do uso intenso e consciente de tecnologias inovadoras, é essencial para a educação contemporânea.

 

Imagem: Domínio público em https://pixabay.com/pt/in%C3%ADcio-364177/

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segunda-feira, 2 de maio de 2016 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Inovação e Educação | 18:32

Ser olímpico é ser grande e de qualidade

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Os gregos, em torno de 2.500 a.C., homenagearam Zeus, o maior dos deuses de sua mitologia, com a criação dos Jogos Olímpicos. As Olimpíadas da Grécia Antigas perduraram até 394 d.C., quando o Imperador Teodósio II, convertido ao cristianismo, proibiu todas as festas pagãs, inclusive os Jogos. As Olimpíadas renasceram somente 1.500 anos mais tarde, por iniciativa do francês Pierre de Fredy (1863-1937), o Barão de Coubertin.

 

Além dos Jogos Olímpicos, os gregos também são considerados os fundadores da instituição escola, tal qual a conhecemos hoje. Platão, um dos mais importantes filósofos da história, fundou em Atenas a Academia em 383 a.C., a qual é considerada um paradigma, ao menos no mundo ocidental. Assim, Olimpíadas e instituições educacionais têm em comum suas raízes fortemente fincadas na Civilização Grega e ambas inspiradas em elementos de grandeza e de qualidade.

 

O Rio de Janeiro foi escolhido para sediar neste ano as XXXI Olimpíadas da era moderna, sendo a primeira vez que elas ocorrem na América do Sul, quando serão disputadas 28 modalidades, duas a mais do que as Olimpíadas de 2012. É também a primeira vez, salvo engano, que uma instituição educacional, no caso a Estácio, é parceira integral do evento e responsável direta pela capacitação de dezenas de milhares de voluntários e outros participantes da organização do evento.

 

Contemporaneamente, celebramos a reunificação de dois dos maiores legados dos gregos: as Olimpíadas e a escola. As instituições educacionais estão representadas neste evento pela Estácio, a qual é uma das maiores organizações educacionais privadas do país, com mais de meio milhão de alunos matriculados no ensino superior atendidos por quase nove mil professores e cinco mil colaboradores não docentes.

 

Entre as missões da Estácio para transformar a sociedade por meio da educação, a mais relevante delas é propiciar um ensino de qualidade para muitos. O Brasil tem provado ser um país capaz de prestar atendimentos de qualidade, desde que para poucos, ou então de atender muitos, desde que sem garantias de qualidade. Não aprendemos ainda, infelizmente, fazer as duas coisas, qualidade e quantidade, ao mesmo tempo. Harmonizar bom nível e escala é a mais importante inovação olímpica que o país precisa. Propiciar qualidade para poucos ou então ofertar qualidade precária para muitos não é inovar e nem ser olímpico. Inovar e ser olímpico no Brasil de hoje é romper as barreiras que inviabilizam qualidade para muitos.

 

Pessoas educadas são essenciais para a melhoria da qualidade de vida de todos e para o aumento da competitividade e produtividade de um país. A formação de profissionais atualizados é estratégica para as economias competitivas globais. Profissionais com pouca escolaridade desenvolvem, de um modo geral, atividades manuais simples, sendo quase impossível a adaptação deles às técnicas e aos processos de produção mais sofisticados.

 

Portanto, ser olímpico na educação contemporânea, sendo simultaneamente grande e de qualidade, implica na formação de cidadãos competitivos, aptos a desempenharem tarefas complexas e dispostos a enfrentarem os desafios das novas e desconhecidas demandas, por meio do uso intenso e consciente de tecnologias inovadoras.

 

As Olimpíadas sempre foram e continuarão sendo grandes e de qualidade e o evento Rio 2016 servirá para reforçar, uma vez mais, a sua essência. A Estácio está honrada de fazer parte desta história e se integra aos mesmos propósitos olímpicos, certos que é parte de sua missão maior conjugar bom nível com quantidade, ofertando educação de qualidade para muitos.

 

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