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Arquivo de outubro, 2015

terça-feira, 27 de outubro de 2015 aprendizagem, EaD, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 15:51

Aprendizagem Baseada em Problemas no Ensino EaD de Engenharia

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Altinho é uma prática desportiva e recreativa, bastante conhecida no Rio de Janeiro, fruto da adaptação dos fundamentos do futevôlei para a prática na forma de círculo. Os jogadores, mulheres e homens, passam a bola um para o outro sem deixar cair, usando somente um toque, mantendo-a sempre no alto. Não há, salvo engano, nenhuma correlação observada entre bons praticantes de altinho e profissionais do futebol, ainda que certamente controlar bem a bola seja indispensável na prática futebolística. Da mesma forma, o perfeito domínio da gramática não faz de imediato um bom escritor ou poeta, ainda que escrever corretamente seja necessário ao bom produtor de textos.
Grosso modo, a partir das ilustrações simplistas acima, poderíamos dizer que competências no ensino tradicional, em geral, estão associadas a saber algo em oposição ao não saber. A ênfase principal costumava ser o domínio de conteúdos, técnicas e procedimentos, na expectativa de que o somatório deles, por si só, completasse a formação desejada. De alguma forma, de fato, no cenário do século passado, dentro daquilo que se exigia, era sim possível, em tese, formar profissionais razoavelmente satisfatórios. Ou seja, em um passado recente, a partir de um conjunto delimitado e relativamente duradouro, era viável, em geral, formar profissionais aptos a enfrentarem os principais desafios de então, a maior parte deles bastante previsíveis.
Por sua vez, o mundo contemporâneo traz desafios muito mais complexos e difíceis de serem previstos, onde educar ficou muito mais difícil. Simbolicamente, é como se, em complemento àquele conjunto anterior de predicados, os quais continuam sendo necessários, uma série de novas exigências fosse acrescida. Entre elas, que não basta simplesmente saber, é preciso saber resolver e conviver. E é preciso uma metodologia que dê conta disso. Ou seja, a partir do que se sabe desenvolver a nova centralidade de encontrar soluções para complexos, muitas vezes inéditos, desafios. A partir do saber, saber resolver explorando de forma muito especial o trabalho em equipe.
Em particular no ensino de Engenharia, além da formação básica tradicional, passa a ganhar uma progressiva relevância, estimular, ao longo do percurso de formação, a ampliação da capacidade de análise e solução de problemas, por meio de projetos desenvolvidos em equipe. Na busca das soluções, aos estudantes, individualmente e preferencialmente em grupos, são evidenciados os naturais avanços e retrocessos do processo de solução, bem como a necessidade permanente de detalhamentos e revisões. Este rico processo envolve, além do professor orientador e dos alunos, os professores das disciplinas correlatas, a coordenação do curso, devendo estar inserido no Projeto Pedagógico do Curso, de forma a criar condições para o seu pleno desenvolvimento.
A aprendizagem baseada em problemas (por meio de projetos) é a denominação genérica que se dá a um conjunto de estratégias que remontam sua proposição ao começo do século passado, conhecida pela sua versão em inglês PBL (“Problem Based Learning”). Ao longo do século passado a adoção e o sucesso desta metodologia foram relativamente modestos.
No entanto a partir do século XXI, as tecnologias digitais avançadas têm permitido um reexame desta proposta do ponto de vista de novas possibilidades e funcionalidades. As transformações do mundo do trabalho, seja na forma de empregos ou oportunidades de negócios, igualmente, passaram a enfatizar muito mais a capacidade de resolver problemas e de convivência, em detrimento de características clássicas de memória acumulada e do domínio de técnicas e procedimentos específicos. Memória gradativamente perde centralidade porque reexaminada à luz das informações plenamente disponibilizadas do mundo digital e os outros predicados clássicos porque sujeitos a uma dinâmica de mudanças e prazos curtos de validade sem precedentes.
Portanto, o ensino de Engenharia, em especial de Engenharia de Produção, onde as características acima descritas são ainda mais evidentes, demanda ser repensada à luz de novidades como as plataformas educacionais inovadoras, que são interfaces de aprendizagem inteligentes, e as novas abordagens metodológicas, particularmente a proposta PBL. Em conjunto, elas permitem explorar o aparente contraditório entre ensino de massas e qualidade, ou seja, é tornado possível estabelecer para cada estudante um tratamento individual e personalizado. Esta abordagem, se bem desenhada, viabiliza, de forma pioneira, estabelecer a real possibilidade de conjugar escala, qualidade e contemporaneidade, via atendimento de massa e personalização. Em outras palavras, prover educação personalizada de qualidade para muitos.
O Engenheiro de Produção, entre outras funções, planeja, projeta e gerencia sistemas organizacionais que envolvem recursos humanos, materiais, tecnológicos, financeiros e ambientais. Este profissional alia conhecimentos técnicos e gerenciais para otimização do uso de recursos produtivos e diminuir os custos de produção de bens e serviços. É também seu papel garantir o desempenho econômico eficaz que seja ambientalmente sustentável e responsável. Desta forma, ele constitui ator fundamental em indústrias e empresas de quase todos os setores, tanto no gerenciamento de recursos humanos, financeiros e materiais como no objetivo geral de aumentar a produtividade e rentabilidade da empresa.
A formação do Engenheiro de Produção associa conhecimento de engenharia a técnicas de administração e fundamentos de economia e engenharia, preparando-o para adotar procedimentos e métodos que racionalizam o trabalho, aperfeiçoam técnicas de produção e ordenam as atividades financeiras, logísticas e comerciais de uma organização. Cabe a ele também, definir a melhor forma de integrar mão de obra, equipamentos e matéria-prima a fim de avançar na qualidade e aumentar a produtividade. Ao atuar como elo entre os setores técnicos e administrativos, seu campo de trabalho ultrapassa os limites da indústria, sendo seus conhecimentos progressivamente aplicáveis a praticamente todos os setores econômicos, sociais e ambientais contemporâneos.
A educação personalizada com atendimento docente individual ou em pequenos grupos, somada às tecnologias digitais, permite traçar para cada um dos educandos, seja na área de Engenharia de Produção como nas demais, os melhores percursos educacionais, customizados para cada objetivo, atores e circunstâncias. A educação a distância associada à educação personalizada representam uma real possibilidade de um novo período de ensino híbrido e flexível, assentado em uma abordagem metodológica onde a aprendizagem ocorre, principalmente, a partir da metodologia da problematização. Os temas são selecionados extraídos da realidade, ou de recortes da realidade, mediadas pela observação e análise do educando, ou da equipe de educandos, orientados por docentes, a quem chamamos neste caso de preceptores.
O preceptor é neste sentido um orientador educacional que coordena um conjunto específico de atividades, predominantemente presenciais, contribuindo ao longo do curso de graduação, especialmente coordenando soluções de problemas. Portanto, o preceptor atuará junto aos seus alunos, seja individualmente ou em pequenos grupos (com equipes em torno de cinco participantes), tanto no acolhimento inicial do Curso, contribuindo na superação de eventuais dificuldades, sejam elas de adaptação à metodologia ou decorrentes de carências de conteúdos prévios, como no incremento da capacidade de aprender a aprender, no estímulo à aprendizagem autônoma progressiva, na construção do conhecimento e na gestão de saberes e, especialmente, no desenvolvimento das competências e habilidades específicas do futuro profissional.
A preceptoria, de forma resumida, pode ser subdividida em três núcleos principais, a saber, iniciação, solidificação e emancipação. No primeiro, trata principalmente de adquirir competências básicas para a realização da vida acadêmica, além de desenvolver a ideia de pertencimento à instituição e ao curso específico, oportunizando o entendimento de co-responsabilidade pela aprendizagem e ressaltando a importância do trabalho colaborativo e em equipe.
No segundo núcleo, solidificação, a ênfase é no aprofundamento do ofício de ser aluno, via participação nos fóruns, atividades laboratoriais e de extensão, visitas coordenadas às empresas etc. No terceiro, emancipação, a concentração é no desenvolvimento de competências específicas exigidas no mundi do trabalho, dentro dos pilares: aprender a aprender, aprender a fazer, aprender a conviver e aprender a ser, culminando com trabalhos de conclusão de cursos, defesa de projetos etc.
A matriz curricular que contempla as disciplinas mais tradicionais, maior parte delas à distância, combinada com as atividades de preceptoria, predominantemente presenciais, ao longo de todo o curso demandam sofisticadas integrações horizontais e verticais, mediadas por três eixos: (i) os temas básicos, (ii) profissionalizantes (ênfases em Gestão em Engenharia e Modelagem e Simulação) e (iii) eixos integradores específicos (mobilidade e logística, processos produtivos, projetos e finanças, gestão ambiental e agronegócio, entre outros).
Em resumo, indo além das habilidades da prática do altinho, há que se praticar um bom futebol. Mais do que o simples e essencial domínio das regras gramaticais e ortográficas, é preciso a capacidade de interpretar textos com profundidade e escrever com clareza e objetividade. Assim, profissionais Engenheiros, especialmente Engenheiros de Produção, formados dentro do que existe de mais avançado contemporaneamente, seja pelo uso de plataformas digitais avançadas ou de metodologias educacionais inovadoras, expressos no caso por educação personalizada e aprendizagem via solução de problemas ou baseada em projetos, estarão melhores preparados a desempenhar tarefas complexas e dispostos a enfrentar quaisquer desafios de forma criativa e inovadora.

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quarta-feira, 21 de outubro de 2015 aprendizagem, EaD, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 13:30

EaD + PBL = EPP (Educação Personalizada via Preceptor)

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Em um contexto em que a informação está gradativamente sendo tornada totalmente acessível, instantaneamente disponibilizada e gratuitamente ofertada, o processo ensino-aprendizagem é profundamente afetado e a incorporação de novas tecnologias e a introdução de metodologias inovadoras são as marcas educacionais deste novo tempo.
Fruto destas transformações em curso, a educação superior demanda ser reinventada, onde a maior novidade é que as plataformas educacionais inovadoras e as novas abordagens metodológicas permitem explorar o aparente contraditório entre ensino de massas e qualidade, ou seja, estabelecer para cada estudante um tratamento individual e personalizado.
Diferentemente dos modelos tradicionais onde é razoável supor que à medida que o número de educandos cresce a tendência é cair a qualidade do processo, fruto da maior distância entre educando e educador, as plataformas de aprendizagem e as metodologias ativas inovadoras poderão progressivamente prover os educadores com informações cada vez mais precisas sobre o desempenho de cada aluno e estabelecer elos de proximidade inéditos. Pela primeira vez temos a real possibilidade de conjugar escala e quantidade, bem como atendimento de massa e personalização. Em outras palavras, prover educação de qualidade para muitos.
A educação personalizada com atendimento docente individual ou em pequenos grupos, somada às tecnologias digitais, permite entender e atender, de forma inédita nesta escala, cada um dos educandos e assim formular os melhores percursos educacionais, customizados para cada objetivo, atores e circunstâncias. O mais interessante é que quanto maior o número de estudantes envolvidos, em tese, o nível de precisão pode aumentar ainda mais, gerando uma metodologia, mediada por um docente especialmente preparado para esta missão, que se adapta e se ajusta permanentemente.
Nesta realidade, Educação a Distância (EaD) é mais do que simples modalidade, representando a real possibilidade de, ao conjugarmos quantidade com qualidade, massa com personalização, anunciamos um novo período de educação híbrida e flexível, em um mundo globalizado e literalmente sem fronteiras.
Entre as metodologias educacionais ativas contemporâneas, a Aprendizagem Baseada em Problemas (ou PBL, do inglês “Problem Based Learning”) é a abordagem onde o ensino e a aprendizagem ocorrem, principalmente, a partir da metodologia da problematização, sendo os temas selecionados extraídos da realidade, ou de recortes da realidade, mediadas pela observação e análise do educando ou da equipe de educandos orientados por docentes, a quem chamamos neste caso de preceptores.
No contexto da modalidade EaD e dentro da abordagem PBL, podemos introduzir a figura do preceptor como sendo um orientador educacional que coordena um conjunto específico de atividades, predominantemente presenciais, contribuindo ao longo do curso de graduação, especialmente coordenando soluções de problemas. Portanto, o preceptor atuará junto aos seus alunos, seja individualmente ou em pequenos grupos (com equipes em torno de cinco participantes), tanto no acolhimento inicial, contribuindo na superação de eventuais dificuldades, sejam elas de adaptação à metodologia ou decorrentes de carências de conteúdos prévios, como no incremento da capacidade de aprender a aprender, no estímulo à aprendizagem autônoma progressiva, na construção do conhecimento e na gestão de saberes e, especialmente, no desenvolvimento das competências e habilidades específicas do futuro profissional.
Em resumo, profissionais formados dentro do que existe de mais avançado contemporaneamente, seja pelo uso de plataformas digitais avançadas ou de metodologias educacionais inovadoras, expresso via a equação EaD + PBL = EPP, estarão aptos a desempenhar tarefas complexas e dispostos a enfrentar os desafios, sejam eles quais forem, frutos das novas ou ainda desconhecidas demandas.

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sábado, 17 de outubro de 2015 aprendizagem, Inovação e Educação | 07:48

Praia enquanto espaço educacional

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Educação é um processo contínuo e permanente, ao longo de toda a vida e de ocorrência em todos os espaços. Todos aprendem e aprendemos o tempo todo, ainda que cada qual aprenda de maneira única, inclusive na praia. Podemos aprender via projetos e eventos oficiais organizados ou via iniciativas individuais de caráter mais específico, mas não é especificamente desses aprendizados que me refiro neste texto. Aqui trato especificamente daquela educação que fica, que é perene, transcendendo o que é formalmente aprendido.

Em todos os sentidos a praia educa. Educa mais ainda quando a praia é essencialmente pública. Felizmente, temos e preservamos no Brasil as praias enquanto bem público, sendo assim um espaço de aprendizagem que se pretende de convívio harmônico e plural, incluindo nele uma forma de expressão de todos os contrastes, mas necessariamente de convívio dos contrários ou dos diferentes.

O Brasil apresenta uma extensa costa litorânea com 7.367 Km de praias, cujas paisagens e características naturais constituem parte do patrimônio nacional. A Carta Magna, por meio do artigo 20, que enumera os bens pertencentes à União, em conjunto com o Código Civil, através do artigo 99, classificam os bens públicos e caracterizam os bens de uso comum do povo como aqueles que, por determinação legal ou por sua própria natureza, podem ser utilizados por todos em igualdade de condições, sem necessidade de consentimento individualizado por parte da Administração. Assim sendo, nos mares e em suas praias de uso comum os usuários são necessariamente anônimos e os bens devem ser utilizados por todos os membros da coletividade e, consequentemente, ninguém tem direito ao seu uso exclusivo.

Complementarmente, a Lei 7.661/88 instituiu o “Plano Nacional de Gerenciamento Costeiro – PNGC”, estabelecendo em definitivo que no Brasil as praias todas são bens públicos de uso comum do povo, sendo assegurado sempre livre e franco acesso a elas e ao mar, em qualquer direção e sentido, ressalvados os trechos considerados de interesse de segurança nacional ou incluídos em áreas protegidos por legislação específica. Evidente, portanto, a inconstitucionalidade e a ilegalidade de condomínios que, por exemplo, proíbem o acesso de turistas e banhistas às praias, configurando verdadeiro constrangimento ilegal e flagrante desrespeito às normas em vigor.

Por outro lado, o Brasil é reconhecidamente um país de contrastes, os quais se expressam em todas as suas dimensões e intensidades, inclusive em suas praias. Porém, o fato de termos garantido o caráter público destas, nos obrigou também à educação resultante do convívio. Ou seja, em uma sociedade que se aprimorou em separar a casa grande da senzala, restou a praia como maior território de lembrança da possibilidade do convívio, nem sempre totalmente pacífico, mas certamente um espaço de exercício de aumento da tolerância e uma memória preservada da possibilidade de coexistência quase harmônica entre pessoas que vivem universos bastante díspares.

Claro que há questões estruturais de natureza econômica e social que transcendem aqueles espaços, mas seria horrível imaginar que enquanto não os resolvermos melhor manter os opostos totalmente afastados. Seria absurdo. Restando, portanto, a possível educação positiva do convívio. Do pobre com o rico, do branco com o negro e todas suas matizes. Dos mais escolarizados com aqueles sem nenhuma vivência escolar. Dos silenciosos com os barulhentos. Claro que considero os conflitos e percebo que não são tão raros, mas sei também o quanto se educa quando se convive. Como na prática convivemos bastante, muita educação ocorre, sem que estejamos mensurando ou percebendo.

Se temos o legítimo direito de imaginar um país que um dia saiba diminuir suas diferenças de oportunidades e de acesso a bens e serviços, claramente, mesmo com todos os seus defeitos, os espaços de praia nos permitem um vislumbre daquilo que poderemos ser um dia. Enquanto este tempo de maior harmonia não chega, os brasileiros praticam suas aulas intuitivas de compartilhamento de condições, comportamentos, hábitos e costumes tão diferentes que contribuem para formar parte desta nossa contraditória e rica cultura nacional.

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quinta-feira, 8 de outubro de 2015 aprendizagem, EaD, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação, Sem categoria | 07:26

Por que nós professores avaliamos os alunos?

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Avaliar certamente tem a ver com aprovar ou não os educandos, mas esse não deve ser o único motivo, talvez nem o principal. Tão ou mais importante que medir o quanto sabem nossos alunos é tentar obter dados que permitam conferir e repensar permanentemente as abordagens educacionais adotadas. Se possível, ao avaliarmos, conhecê-los melhor e porque os conhecemos e os reconhecemos individualmente sermos capazes de traçar percursos de aprendizagem adequados.
Nas abordagens mais comuns boa parte das avaliações se dá via questões ou tarefas que pretendem responder se o aluno sabe ou não sabe. Sendo assim, em geral, importa quase exclusivamente se as repostas às questões estão certas ou erradas. Normalmente, as respostas erradas, além de indesejáveis, são, em geral, inúteis do ponto de vista consequências futuras no próprio processo em curso. O fruto da avaliação, nesta perspectiva mais simplista, não vai além de um atestado que pretende informar se o estudante domina ou não aquele conteúdo específico.
Para os professores mais comprometidos as respostas erradas têm a mesma relevância que as certas. Se as respostas certas atestam algum domínio do conteúdo, as erradas permitem identificar eventuais lacunas, possíveis conceitos equivocados, ritmos adequados de aprendizagem, dificuldades em interpretar texto, falta de foco e concentração, ausência de atitudes e iniciativas etc.
Na verdade, não somente respostas às questões importam, elas se somam a um conjunto enorme de atos, comportamentos, velocidades, reações e capacidades de enfrentar desafios, de forma isolada ou em equipe, que no global evidenciam habilidades e competências muitas vezes difíceis, ou mesmo impossíveis, de serem identificadas somente via testes padrão. As provas tradicionais somente enxergam, quando bem feitas, se as informações foram ou não assimiladas. As demandas do presente, e especialmente do futuro, vão muito além da informação pura e simples e tendem a não ter esse elemento como parâmetro central. Avaliar não ficou mais simples, ficou muito mais complexo.
A título de exemplo, optaria, preliminarmente, por uma comparação com jazz. Observe uma banda de jazz e perceba: (i) que o público sabe identificar diferenças entre uma banda que tem qualidade de outra com menor valor; e (ii) se todos os componentes tocarem solo, também saberão, razoavelmente, identificar quem toca bem e quem não toca tão bem. Insisto nesta comparação, mais uma vez, para destacar que avaliar implica em estimular, sempre que possível, o trabalho em grupo, ressaltando o quão essencial é criar em equipe, mas que tal processo também demanda, em geral, individualizar, permitindo perceber no grupo o que cada um efetivamente fez ou deixou de fazer.
Assim, nas boas “performances” de jazz, ao longo da apresentação coletiva, cada instrumentista é convocado a tocar separadamente. Neste caso, é esperado que o solo contivesse todos os compassos da música, evitando os chamados “riffs”, frases curtas e repetidas de poucas notas. Mesmo assim, talentosos músicos saberão tocar “riffs” com habilidade e competência, alterando suas notas e seus tempos.
Da diversidade e da pluralidade nascem equipes fantásticas, em que, talvez, nenhum deles, individualmente, seja tão diferenciado. Às vezes, o mais discreto e não necessariamente o mais habilidoso instrumentista pode ser, por outras razões, a mola propulsora do grupo. Há, por outro lado, casos de junção de bons músicos sem que os resultados esperados tenham emergido. Há casos desastrosos em que a banda não funciona coletivamente e nem individualmente e o som final sugere mudanças ou reprovações.
Nestes dias próximos do Dia do Professor celebremos aqueles docentes que avaliam para aprovar ou reprovar, mas que vão além. Eles o fazem para conhecer melhor os educandos e ao conhecê-los poder traçar trajetórias específicas que reflitam os caminhos mais adequados de um processo de aprendizagem que demanda ser, cada vez mais, personalizado, ainda que conjugado com grande escala. Parabéns especiais a esses professores que viabilizam quantidade e qualidade e que entendem que todos aprendem, todos aprendem sempre, mas cada qual aprende na sua maneira única.

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