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segunda-feira, 9 de julho de 2018 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Inovação e Educação | 11:20

Vantagens de trabalhar com educação

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Toda forma de trabalho é válida. Qualquer trabalho honesto é nobre. Mesmo assim, nem todos os ofícios são iguais; algumas tarefas parecem ser mais prazerosas e positivamente diferenciadas. Entre os trabalhos distintos, destaco educação.

 

Nada há de errado em vender produtos e serviços. Mesmo assim, se vendo alimentos, por exemplo, eles podem fazer bem ou mal. Se ingeridos em quantidade excessiva, podem engordar e prejudicar a saúde. Se meu negócio é vender automóveis, ainda que uns sejam melhores do que outros, todos, em algum nível, poluem e geram congestionamentos, além de causarem prejuízos, às vezes fatais, em casos de acidentes. A atividade no mercado financeiro, emprestando dinheiro e garantindo créditos, busca resolver problemas e promover o desenvolvimento. Ela pode dar certo e ser útil, mas pode dar errado e findar sendo catastrófico. Em certas situações só agrava a dificuldade inicial do cliente, transformando pagar o próprio empréstimo no grande drama do futuro.

 

Há inúmeros outros exemplos de produtos e serviços que se caracterizam por terem mais valor quanto mais raros e exclusivos forem, em geral, vendendo a exclusão dos demais. Por sua vez, educação é um dos poucos serviços (saúde é outro) onde mesmo quem não o adquire ganha também. Quem dela desfruta jamais viverá a circunstância de tê-la em demasia, mesmo porque chamar alguém de excessivamente educado é um elogio. O convívio em um ambiente onde todos tiveram acesso à educação não gera poluição de conhecimento ou acidentes. Até mesmo alguém que despreze educação será um privilegiado se puder desfrutar das oportunidades geradas por uma comunidade que valoriza e estimula educação.

 

O papel essencial dos processos de aprendizagem é emancipar o educando, preparando-o para a vida, em todas as suas dimensões. Uma das funções estratégicas da educação é garantir força de trabalho qualificada, tal que os produtos e serviços gerados possam ser competitivos, promovendo um desenvolvimento econômico, social e ambiental sustentável.

 

No ofício docente não cabe ao professor distribuir um montante limitado de conhecimento aos seus educandos. Ensinar a um não tira de quem ensina e é ilimitado a quem aprende, sejam os aprendizes quantos forem. Quando um aprende, os demais também ganham, especialmente quem ensinou, que aprende a ensinar cada vez melhor. Aprender mais não retira do que já se sabe ou de quem já sabe.

 

Educação no mundo atual, diferentemente do passado próximo, é a principal ferramenta em qualquer circunstância. Esqueça das armas, pense no conhecimento como sendo o mais efetivo instrumento de sobrevivência nas guerras contemporâneas. O único risco da educação é a sua ausência ou deficiência, ou seja, não dispor de escolaridade suficiente é caminho quase inevitável para o sofrimento e a pobreza, material e espiritual.

 

Uma pessoa educada, pelos seus comportamentos, hábitos e posturas ganha imediato respeito de todos, em qualquer lugar e sempre. Dinheiro, fama e poder também geram sentimentos parecidos, mas não iguais, dado serem circunstanciais e não perenes, além de não necessariamente sinceros.

 

No passado, ser da família com posses determinava automaticamente o futuro dos filhos. Hoje, os melhores empregos e oportunidades de negócios estão abertos a quem estuda e aprende, adquirindo conhecimento ao longo de toda a vida, seja rico ou seja pobre. E quanto mais se estuda, mais amplas as possibilidades de sucesso, de forma abrangente e ilimitada.

 

Por fim, e não menos importante: educação faz amigos. Os mais sinceros e duradouros relacionamentos são lastreados pela admiração por quem o outro é. Ainda que dinheiro e beleza pareçam concorrer no mesmo sentido, lembremo-nos que ambos são bem menos perenes do que o conhecimento adquirido e naquilo que nos transformamos em função dele. Refletindo o apreço pela educação, nada mais charmoso e atraente do que a inteligência.

 

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terça-feira, 26 de junho de 2018 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 14:52

Nômades digitais: desempregados, sem-teto e felizes

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A revolução decorrente da onipresença das tecnologias digitais está progressivamente alterando elementos essenciais do mundo do trabalho e modificando as formas como moramos e como convivemos. Expressões dessas mudanças são os novos espaços urbanos delas decorrentes. Entre eles, surgem, com grande destaque, as experiências de coworking e de coliving.

 

Coworking, de forma resumida, traduz um novo ambiente de trabalho, a partir do qual pequenas empresas e profissionais autônomos se relacionam com seus clientes, seus fornecedores e estabelecem laços entre si. São espaços democráticos compartilhados que permitem o desenvolvimento dos mais variados projetos sem as burocracias e as hierarquias dos escritórios convencionais e sem padecer do isolamento do chamado home office.

 

Oferecer uma adequada infraestrutura similar aos escritórios convencionais, incluindo todas as formas de atendimento e salas para receber clientes, é somente o ponto de partida de empreendimentos como esses. Acresçam-se a isso, ambientes inspiradores, especialmente pensados para o trabalho autônomo, a possibilidade de novos relacionamentos e a garantia de oportunidade de diversão a todos.

 

Os coworkings crescem a olhos vistos. No Brasil, já são centenas; no mundo, milhares. A título de exemplo, a empresa WeWork, fundada há somente oito anos, já é a segunda maior usuária de espaços de escritórios em Londres, perdendo apenas para o Governo Britânico. O sucesso dos coworkings não decorre somente de criatividade, mas, fundamentalmente, do fato que migramos de um modelo de desenvolvimento econômico, social e ambiental que demandava profissionais especialistas para um novo cenário onde o principal predicado é a flexibilidade. Ser flexível, em geral, passa por ter uma formação universitária que permita ao profissional encarar qualquer desafio sem o temor de decifrá-lo e cumpri-lo. Ter flexibilidade também é ter a disponibilidade de migrar de uma cidade para outra, bem como a habilidade de executar as tarefas em ambientes semelhantes aos que os espaços de coworking oferecem.

 

Por sua vez, os espaços coliving representam o estado da arte do hábito humano de viver em comunidade, desde as eras mais longínquas. A convivência em tribos e clãs foi sendo, progressivamente, adaptada à vida urbana e ao aumento da densidade demográfica. Atualmente, nesta etapa da história, há uma tendência em se questionar se ainda vale a pena manter uma moradia particular, com altos gastos e pouca socialização. Surge a alternativa de derrubar paredes, enfrentando a crise da falta de espaços físicos, e questionar os ideais de individualização e a falta de racionalidade dos modelos vigentes.

 

O conceito de coliving, que estimula a integração, a sustentabilidade e o espírito de colaboração, remonta ao início da década de 1970 com a experiência dinamarquesa do Cohousing Saettedammen. Tratava-se de uma comunidade com 35 famílias, na Dinamarca, onde as moradias permaneciam privadas e os demais espaços de convivência e atividades, como refeições e limpeza de ambientes eram compartilhados, com o objetivo de estimular o relacionamento entre vizinhos. Em 1988, o arquiteto norte-americano Charles Durrett adotou a mesma perspectiva sustentável em seus empreendimentos. Ainda que em outro contexto, o coliving apresenta algum nível de semelhança com as tradicionais repúblicas de estudantes, resguardadas suas diferenças de tempos e propósitos.

 

A combinação do coworking com o coliving estimula que trabalho, relacionamentos e entretenimento sejam frutos de compartilhamentos sem barreiras ou fronteiras estanques. Lar, escritório e clube num pacote único somado ao fato que podemos migrar a cada mês, semestre ou ano de um ambiente para outro a milhares de quilômetros sem burocracia ou perda de tempo com novos ajustes. Considerando que a tendência nas atividades profissionais inclui não somente a diversidade de ocupações, mas também a multiplicidade de oportunidades de moradias em cidades distintas, denominou-se esta geração movida a coworkings e colivings de “nômades digitais”.

 

É ainda um pouco cedo, talvez ingênuo, para termos uma opinião definitiva sobre os desdobramentos dessas novas maneiras de viver. Por enquanto, sabemos apenas que esses nômades digitais aparentam estar felizes. Quem viver verá.

 

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Foto: Empresa WeWork, citada no texto, em Ipanema, Rio de Janeiro-RJ, Brasil. Ver link:

https://www.wework.com/pt-BR/buildings/ipanema–rio-de-janeiro

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sexta-feira, 15 de junho de 2018 Ensino Superior | 06:20

Mulheres na Ciência: Tributo a Hildegard von Bingen

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Em julho próximo, ocorrerá a 70ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em Maceió, Alagoas. No dia 26/07, quinta-feira, das 15h30 às 18h, participo na Mesa-Redonda “Mulheres na Ciência”. Sendo o único palestrante do sexo masculino, escolhi, naturalmente, homenagear uma mulher cientista. Deparei-me com textos impressionantes descrevendo uma pensadora singular, precursora em vários aspectos e por certo uma pioneira na ciência. Portanto, este Tributo a Hildegard von Bingen, considerada a monja beneditina que no século XII uniu o céu e a terra, é uma modesta forma de homenagear a todas as cientistas que romperam barreiras e preconceitos ao longo de todos os tempos.

 

Hildegard, nascida em 1098 na Alemanha, viveu até os 81 anos de idade. Em 1584, foi canonizada pelo papa Gregório XIII, em ato administrativo e sem processo formal, tendo o papa Bento XVI, em 2012, reafirmado oficialmente sua santidade, ao mesmo tempo em que a proclamou Doutora da Igreja.

 

Ela provinha de família nobre da região de Alzey, no sul da Alemanha. Desde criança a futura abadessa demonstrava habilidades visionárias. Seus pais a entregaram aos oito anos a um mosteiro de monges de Disivodemberg, o qual mantinha uma ala para mulheres dirigida por Jutta von Spannheim, que se tornaria sua segunda mãe e instrutora. Embora tenha começado a ter visões aos três, somente aos quarenta ela convenceu o papa a lhe permitir escrevê-las. Foi assim que começou a registrar tanto as visões, como livros de medicina, remédios naturais, cosmogonia e teologia.

 

Hildegard von Bingen escreveu e foi ativa em muitas áreas e, em especial, suas considerações sobre o orgasmo feminino foram absolutamente peculiares e inéditas.  Ela tratava do tema sexo sem receio, tendo sido pioneira na descrição do orgasmo do ponto de vista de uma mulher, descrevendo que o prazer era experimentado a dois e que a mulher também o sentia. Considerando tratar-se de uma monja no século XII, há que se considerar o impressionante nível de atrevimento para a época. O ato sexual, para ela, era visto como algo inocente, sublime e ardente. Quanto ao pecado original de Eva, o único culpado era Satanás, invejoso da capacidade da mulher de gerar vida.

 

Em particular sobre ciência, Hildberg, entre os anos de 1151-1158, escreveu uma grande obra de medicina, Liber subtilitatum diversarum naturarum creaturarum, um livro das sutilezas das várias naturezas da criação. Após sua morte, esta obra foi dividida em duas partes: I. Physica ou Liber simplicis medicanae, um tratado de medicina naturalista, em nove capítulos, e II. Causae et curae ou Liber compositae medicanae, acerca da medicina composta. Nos textos as causas das enfermidades, seus remédios e o funcionamento interno do corpo humano e sua relação com o cosmos são abordados dentro de uma visão terapêutica de totalidade holística entre os quatro elementos formadores do universo: terra, água, ar e fogo.

 

Hildegard foi sempre fiel à sua visão integrada e holística dos fenômenos, na qual o natural e o sobrenatural, bem como o corpo e a alma, refletiam relações harmônicas entre o homem e a natureza. Ela conseguia conjugar esses elementos com a concepção de que boa parte das doenças seria consequência do pecado original, da separação entre o criador e a criatura. Neste sentido, a doença deixa de ser um assunto exclusivamente de ordem física, abrangendo também o espiritual, conectando os males que atingiam a alma e aqueles que afligem o corpo humano.

 

Em suma, nada mais atual, interessante e ilustrativo do que os pensamentos de Hildegard von Bingen. Por ocasião do evento na SBPC, tratarei de outros temas complementares associados a esta precursora da ciência moderna, em especial de sua incrível produção enquanto compositora, cujas contribuições à música são igualmente surpreendentes.

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Figura acima em Domínio Público:

http://www.naturwaren-gut-saunstorf.de/Nach-Hildegard-von-Bingen;;;132.html

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domingo, 3 de junho de 2018 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 17:16

Educação: quando tudo ainda é pouco

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Educação tem uma propriedade quase única no rol de produtos ou serviços em geral. Alimentos, por exemplo, quando ingeridos em excesso podem fazer mal. Automóveis, a partir de uma certa concentração, geram engarrafamento e poluição. Dinheiro, em qualquer moeda, aumenta seu valor à medida que falte aos demais, atendendo ao pressuposto da valorização pela exclusividade ou baixa disponibilidade.

 

Educação segue a lógica contrária. Quando alguém é educado, individualmente a pessoa ganha, mas a comunidade à qual ela pertence é mais favorecida ainda. Ao sermos educados, um não tira do outro quando aprende ou ensina. Por outro lado, é certo que todos são prejudicados pela ausência de educação ou pelo ensino de má qualidade.

 

Além disso, não há nenhum antídoto melhor contra a violência do que pessoas educadas. Polidez gera gentileza, bem como agressividade promove brutalidade. Da mesma forma, a falta de emprego decorre, na maioria dos casos, da falta de escolaridade, evidenciada pelo fato de que o desemprego mais crônico está associado a lacunas nas competências e habilidades demandadas.

 

Mesmo sendo uma nação privilegiada em recursos naturais, o Brasil não consegue promover um desenvolvimento sustentável. Cresce, mas alterna ciclos de euforias com frustrações. Provavelmente, a mais relevante causa da não sustentabilidade do desenvolvimento é a baixa produtividade em geral. Há evidências de que o aumento da educação média da população traz reflexos imediatos para a qualidade de vida, gerando oportunidades de empregos e de negócios, e, consequentemente, maior competitividade global dos produtos e dos serviços de uma região.

 

Na área educacional, tudo que tem sido feito, na prática, é ainda muito pouco. Ressalte-se que tivemos avanços, ainda que insuficientes, tais como o aumento da percentagem do PIB na educação pública de 2,9% para 5,6% em uma geração, redução de 35% para 7% de crianças de 4 a 14 anos fora de escola e o analfabetismo adulto decresceu de 25% para 8% nesse período. No ensino superior, programas como PROUNI e FIES têm viabilizado que milhões tenham acesso às universidades. Mesmo assim, em que pesem esses resultados, educacionalmente, estamos muito aquém de outros países com os quais teria algum significado compararmos.

 

Há que, urgentemente, estabelecermos novas estratégias com focos mais claros, cujos impactos resultantes sejam, ao longo do tempo, mais efetivos. Uma proposta, de caráter complementar e não excludente de outras, seria estabelecer um ponto de corte etário, baseado em uma política pública de atenção diferenciada aos mais jovens, e que, progressivamente, atinja a todos os educandos em um futuro adiante.

 

O Art. 81 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei nº 9.394/1996) estimula a organização de cursos ou instituições de ensino experimentais. Dentro desse espírito, seria possível estabelecer um abrangente programa experimental, articulado entre todos os sistemas educacionais, via a adoção de práticas amparadas em flexibilidades e prerrogativas especiais. A título de exemplo, no primeiro ano de sua implantação, seria conferida atenção diferenciada somente à primeira série do ensino fundamental. Como orientação aos gestores escolares, os melhores professores e infraestruturas disponíveis seriam garantidos para esta série e recursos adicionais extraordinários seriam, especialmente, dirigidos a essas turmas.

 

Entre outras diversas ações, em função de uma convocação cívica nacional, atividades complementares no contraturno seriam desenvolvidas por profissionais voluntários com nível superior. Estes seriam selecionados e ficariam responsáveis por ações definidas pelas direções locais das escolas, em consonância com orientações gerais do programa. Ilustrando, um dentista voluntário poderia abordar, complementarmente, elementos de saúde e biologia, um engenheiro contribuições adicionais na matemática, artistas abordariam temas nas áreas de cultura e artes etc.

 

No ano seguinte, manter-se-ia o foco nas turmas inicialmente selecionadas, já agora na segunda série, e seriam incorporadas, com a mesma qualidade, as novas turmas do primeiro ano. Ao final de menos de uma década, teríamos formado uma nova geração educacional, agora frequentando o ensino médio, incluindo o profissionalizante. Ao se completar uma década e meia, estaríamos colhendo os devidos frutos no nível superior.

 

O único real privilégio destas novas gerações, diferenciadamente educadas, será carregar nos ombros o compromisso de colaborar para um desenvolvimento econômico, social e ambiental sustentável.

 

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Foto: Própria, vista da Universidade de Salamanca

 

 

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domingo, 27 de maio de 2018 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 16:58

O eixo do tempo na educação

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A seta do tempo é ainda um mistério para a ciência. As equações fundamentais da natureza são reversíveis, possibilitando irmos para frente ou para trás, sem ofendê-las. No mundo real, os processos se desenvolvem no sentido do passado para o futuro. Tal anisotropia temporal está ligada ao grau de desorganização do sistema, quantificada na termodinâmica por uma propriedade denominada entropia. Ao longo do eixo do tempo, a entropia média sempre aumenta.
Quanto à nossa percepção, vista do ponto de vista do tempo presente, é natural que observemos, contemporaneamente, marcas remanescentes de um passado, que insiste em não ir embora, convivendo com elementos de um futuro que ainda não chegou completamente.

 

Recentemente, estive participando de um evento na Espanha, celebrando os 800 anos da Universidade de Salamanca, que é uma das mais antigas universidades do mundo e referência de destaque na formação do pensamento ibero-americano. Restam poucas dúvidas que a instituição comemorará, daqui a dois séculos, o seu milênio com os mesmos louros e méritos de ser guardiã permanente das tradições e dos valores mais caros da comunidade acadêmica. No entanto, ela não está imune aos desafios dos tempos atuais, onde mudanças abruptas e radicais, inéditas em sua profundidade e na rapidez com que ocorrem, produzem impactos significativos em como ensinamos e promovem o surgimento de múltiplas formas surpreendentes de aprendizagem.

 

Tive a oportunidade de assistir naquela instituição quase milenar a uma mesa-redonda com seis educadores seniores apresentando suas visões quanto ao emergente mundo digital. Seus slides, em geral, com letras miúdas, reproduzindo quase literalmente os textos lidos, ilustram em termos de meios as mensagens proferidas. Salvo exceções, eram bem-intencionados analógicos tratando do inusitado digital. Por mais que percebessem as alterações em curso no presente, suas abordagens, naturalmente, expressavam, na forma e no conteúdo, seus conceitos enraizados em referências do passado. Respeitáveis valores e tradições que tornam difícil enxergar, com clareza, todos os elementos do futuro que já se começou. São olhares honestos e competentes que priorizam tentar reorganizar o passado e o presente mutantes, os quais insistem em não nos deixar.

 

É ilusão imaginar que as abordagens educacionais comumente adotadas para formar profissionais até recentemente permaneçam válidas, sendo suficientes pequenos ajustes acrescidos da incorporação de algumas tecnologias. Muito além do domínio simples de conteúdos circunscritos em programas fixos e transcendendo as séries previsíveis de técnicas e procedimentos, o desafio agora é preparar ao desconhecido, envolvendo, especialmente, habilidades e aspectos comportamentais não previstos antes.

 

Vivemos ou, gradativamente, passaremos a viver em uma realidade onde a informação estará totalmente acessível, instantaneamente disponibilizada e, basicamente, gratuita. Cada vez é menos relevante o que se aprendeu frente a ter explorado as possibilidades de ampliar a capacidade de aprender continuamente, ao longo da vida, o aprender a aprender. A cognição tradicional e suas diversas metodologias associadas dão espaço às abordagens metacognitivas, onde o centro é ampliar os níveis de consciência dos próprios educandos acerca de como eles aprendem. Dos debates acercas de pedagogias adotadas para todos, indistintamente, enfrentamos a complexa tarefa da construção de uma educação híbrida e flexível, onde todos os educandos aprendem, aprendem o tempo todo e cada um de maneira única e personalizada.

 

Os educadores, legitimamente, se expressam a partir dos seus referenciais, ancorados em suas tradições e refletindo suas experiências. É certamente tarefa difícil entender a migração de uma avaliação baseada na dicotomia entre o saber versus o não saber à luz de uma realidade emergente onde o mais relevante é saber decifrar realidades complexas, solucionar problemas e cumprir missões. Para quem tem valores cristalizados quanto a mensurar o conhecimento aprendido não é nada simples descobrir que passam a ser considerados, com pesos iguais ou mesmo preponderantes, atributos adicionais como saber trabalhar em equipe ou capacidade de compreender o outro.

 

A dificuldade essencial está na encruzilhada de tentar entender o presente com os mesmos instrumentos do passado ou ousar pensar o futuro com menos amarras tradicionais, as quais, embora importantes, tendem a eclipsar a visibilidade do que está por vir. Estacionados no presente do eixo do tempo, há que se escolher priorizar enxergar aquilo que os faróis iluminam à frente ou, alternativamente, manter os olhos fixos no retrovisor.

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quinta-feira, 3 de maio de 2018 Educação e Tecnologia, Inovação e Educação | 07:21

“O segredo da verdade: não existem fatos, só existem histórias”

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O título acima é inspirado na epígrafe da obra “Viva o Povo Brasileiro” de João Ubaldo Ribeiro, publicada em 1984. O livro fez jus ao Prêmio Jabuti de Melhor Romance e representa uma importante referência em termos de literatura brasileira de ficção. Com muita imaginação, o autor mistura fatos com suas próprias criações, cumprindo ao final o propósito de narrar, à sua maneira, quatro séculos de história da Bahia.

 

A essência do citado texto é evidenciar, desde o início, a ousadia que é tentar, com palavras, descrever com exatidão os fatos ocorridos. É ilusão imaginar que textos reproduzam plenamente as histórias, as quais as letras somente ousam tentar descrever. Não se trata, portanto, de desonestidade ou incompetência de quem relata, mas sim reflete a inexorável fragilidade dos instrumentos disponíveis.

 

As palavras, bem como as artes plásticas, a música ou as demais artes não têm, felizmente, o compromisso de fidelidade a priori, sendo desejáveis espaços de imaginação e criatividade, muitas vezes calcados em fantasias e transgressões. Feitas essas observações, quando o mundo das artes se superpõe às áreas das ciências, da política, do direito e da moral, ocorrem regiões sombreadas que podem exigir que limites sejam estabelecidos. A principal motivação é que liberdades poéticas, em geral, e notícias falsas ou relatos mentirosos, especialmente nos debates cotidianos, não se enquadram nos mesmos pressupostos, ainda que possam habitar os mesmos espaços e tempos.

 

A complexidade do tema é tão grave que o conceito de realidade, cientificamente, tem dinâmicas e peculiaridades próprias, envolvendo dificuldades em separar o observador da coisa observada. As sofisticadas análises incluem questionamentos legítimos sobre a isenção dos instrumentos de medida e a neutralidade das linguagens adotadas para “pretensamente” descrever com “exatidão” os fenômenos.

 

Em educação, não existem antídotos simples, preventivo às malícias das falsas notícias. Mas, certamente, há metodologias e abordagens que estimulam a capacidade de leitura crítica de textos complexos, fazendo intenso uso de raciocínios científicos e exercícios de lógica, e que contribuem para propiciar uma visão mais clara da realidade ao redor.

 

O que já era em si complicado, na sociedade contemporânea, é agravado pelo fato de que todas as informações passam a ser instantâneas, dificultando qualquer possibilidade de contestação em tempo hábil antes que elas já tenham se espalhado, mesmo que sem a solidez ou o atendimento a critérios de falseabilidade que seriam recomendáveis.

 

As chamadas “fake news”, em sua versão mais recente, estão assentadas nas facilidades das tecnologias digitais. É desafiador imaginarmos mecanismos que possam impor limites ou culpabilidade às falsidades e mentiras, propositalmente espalhadas, as quais, muitas vezes, ofendem a verdade, causam danos às reputações de pessoas ou grupos, ou atentam contra a lógica e o bom senso.

 

Enfim, as “histórias” que se superpõem aos “fatos” na criativa epígrafe de João Ubaldo foram, de fato, premonições dos riscos das perversidades embutidas nas evidências de que, a partir dos mesmos fatos, múltiplas e distintas histórias podem ser contadas.

 

 

 

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sábado, 21 de abril de 2018 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 11:28

Habilidades, Competências e Cafuringa

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Ter habilidade não é, em si, garantia de competência. Por outro lado, ser competente demanda ter domínio mínimo das habilidades associadas. Ainda que “habilidade” e “competência” sejam coisas distintas, a área de superposição entre as respectivas definições é enorme, ao ponto que nem sempre uma separação inequívoca é possível. Fruto de tal complexidade, inevitáveis confusões afloram, por vezes juntando, indevidamente, o que deveria ser distinto e, em outras, separando o que seria, talvez, indissociável.

 

Uma maneira tradicional e informal de classificá-las é assumir que habilidades compõem uma das três partes das competências. As outras duas seriam os conhecimentos e as atitudes. Neste sentido, habilidades são capacidades adquiridas para desempenhar determinado papel ou função específicos. Competências, de caráter mais amplo, demandam agregar a essas habilidades um conjunto de conhecimentos e de atitudes para que uma determinada missão seja realizada.

 

Em geral, não me agradam as metáforas futebolísticas, mas devo admitir que, às vezes, elas podem ser úteis para clarear conceitos. No caso, tomo a liberdade de recuperar a história de um jogador de futebol das décadas de 1960 e 1970, o famoso Cafuringa, ou simplesmente “Cafu”. Jogando pelo Fluminense, foi campeão brasileiro em 1970, tendo conquistado também os estaduais de 1969, 1971, 1973 e 1975. Tratava-se de excepcional ponta direita e apontado por todos como um dos maiores dribladores da história do futebol brasileiro. Parte fato e parte lenda, certo é que ele jamais transformou a inquestionável habilidade do drible em competência, no mesmo nível, quanto à estratégia do jogo, os gols.

 

Nos 336 jogos no Fluminense, Cafuringa só marcou 26 gols, resultando em uma média de um gol a cada treze jogos. Para um dos craques atacantes da equipe é considerado muito pouco. Sem prejuízo, espero, à merecida memória positiva de Cafu, certo que ele detinha excepcional habilidade para o drible em parâmetros muito superiores à sua competência enquanto artilheiro.

 

No campo da educação, uma boa ilustração é o ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio), o qual pretende avaliar competências e habilidades, como forma de mensurar o desempenho acadêmico dos alunos.  Para tanto, dispõe de uma Matriz de Referência, contendo os descritores das competências previstas e das respectivas habilidades a elas associadas. A cada competência é listado um conjunto de habilidades. No total, são explicitadas cerca de 24 competências e 120 habilidades, nas 4 grandes áreas que compõem o exame: linguagens e códigos; ciências humanas; ciências da natureza; e matemática.

 

A título de exemplo, na área específica de Ciências Humanas há estabelecidas para o ENEM 6 competências e 30 habilidades. As competências, que na analogia proposta seriam os gols, são listadas como: “compreender os elementos culturais que constituem as identidades”; “compreender as transformações dos espaços geográficos como produtos das relações socioeconômicas e culturais do poder”; “compreender a produção e o papel histórico das instituições sociais, políticas e econômicas, associando-as aos diferentes grupos, conflitos e movimentos sociais”; “entender as transformações técnicas e tecnológicas e seu impacto nos processos de produção, no desenvolvimento do conhecimento e na vida social”; “utilizar os conhecimentos históricos para compreender e valorizar os fundamentos da cidadania e da democracia, favorecendo uma atuação consciente do indivíduo na sociedade”; e “compreender a sociedade e a natureza, reconhecendo suas interações no espaço em diferentes contextos históricos e geográficos”.

 

Vejamos agora exemplos das 30 habilidades associadas. Elas são os dribles na comparação adotada. São 5 habilidades para cada competência, sendo que aqui listamos somente uma delas para cada competência. Na ordem: “interpretar historicamente e/ou geograficamente fontes documentais acerca de aspectos da cultura”; “interpretar diferentes representações gráficas e cartográficas dos espaços geográficos”; “identificar registros de práticas de grupos sociais no tempo e no espaço”; “identificar registros sobre o papel das técnicas e tecnologias na organização do trabalho e/ou da vida social”; “identificar o papel dos meios de comunicação na construção da vida social”; e “identificar em fontes diversas o processo de ocupação dos meios físicos e as relações da vida humana com a paisagem”.

 

Cafuringa, já falecido e reconhecido em vida como “nosso Garrincha sem grife”, merece todo nosso respeito, incluindo por contribuir na tentativa de esclarecer matéria tão difícil. Futebolisticamente, em que pese excelente domínio na habilidade do drible, restam poucas dúvidas que lhe faltaram outros elementos que o permitissem ser lembrado, no mesmo nível, quanto à competência estratégica de marcar gols.

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Fonte da imagem: https://www.uol/esporte/especiais/a-historia-de-cafuringa.htm

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domingo, 15 de abril de 2018 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 18:37

Tecnologias digitais, economia e educação

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Vivenciamos em todos os setores da sociedade transformações rápidas e profundas. O motor principal que impõe tal velocidade está associado à emergência das tecnologias digitais e à consequente migração para uma sociedade em que a informação se torna totalmente acessível, instantânea e basicamente gratuita.

 

Educar é atividade social fortemente afetada pelas demandas do meio social, seja por necessidades expressas pelo exercício pleno de cidadania ou pelas exigências decorrentes do mundo do trabalho e pelas oportunidades de novos negócios. Estas se moldam a partir dos modelos de desenvolvimento econômico adotados.

 

Durante o século passado, as maiores empresas do mercado estiveram, tradicionalmente, associadas à energia (basicamente petróleo), à indústria automobilística e ao setor bancário. Na recente virada do século, entre as cinco maiores, aparecia na lista a primeira empresa do mundo digital, a Microsoft. Ela dividia a dianteira com duas de energia (Exxon e GE), um Banco (Citi) e uma empresa de varejo (Walmart). Atualmente, todas as maiores estão diretamente associadas ao mundo das tecnologias digitais, sendo que a empresa Apple, a primeira do ranking pelo sexto ano seguido, sequer constava entre as maiores no começo deste século.

 

Mediados pelas tecnologias digitais, educação e economia se influenciam e se definem mutuamente. A título de ilustração, o número de matrículas na modalidade educação a distância vem crescendo de forma contínua e sustentável por mais de uma década, tendo atingido quase 1,5 milhão em 2016, o que já representa uma participação de quase 20% do total de matrículas da educação superior. Interessante observar também que o número de matrículas em cursos de graduação presencial diminuiu nos últimos anos (decréscimo de 1,2% entre 2015 e 2016, enquanto na modalidade a distância o aumento de matrículas foi de 7,2%). Se considerarmos que no ensino presencial a adoção da educação a distância no limite superior de 20% está universalizada, poderemos afirmar que, antes do final desta década, mais da metade das atividades didáticas no ensino superior no Brasil serão ministradas via educação digital.

 

Os estímulos para o acesso pleno aos conteúdos antes das aulas e a intensa utilização de portais eletrônicos e de plataformas educacionais, especificamente desenhadas para cada contexto, são possibilidades inovadoras e plenamente disponíveis. A ênfase na aprendizagem independente, centrada no aprender a aprender ao longo de toda a vida, e o ensino baseado em metodologias ativas e em soluções de problemas são novidades já incorporadas. Enfim, metodologias que levem em conta as características personalizadas de cada educando, suas demandas específicas e seus ambientes peculiares são exemplos de iniciativas positivas em curso.

 

Se no século passado a capacidade de memorizar conteúdo e a aprendizagem de técnicas e procedimentos eram os centros, atualmente o amadurecimento dos níveis de consciência do educando acerca de como ele aprende torna-se gradativamente mais relevante. Aprender a aprender passa a ser tão ou mais importante do que aquilo que foi aprendido. O maior de todos os desafios educacionais atualmente é explorar esta nova realidade, onde todos aprendem, aprendem o tempo todo e cada um aprende de maneira única e personalizada.

 

Conhecimentos específicos, domínio de técnicas e conhecimentos são e sempre serão relevantes, porém, definitivamente, não são mais suficientes. A complexidade do educar, contemporaneamente, exige que educação se transforme em arte, ao mesmo tempo que o ensino tradicional cede espaço à educação aberta, híbrida e flexível. Neste cenário, mediado pela emergência disruptiva das tecnologias digitais, compreender o educando, o educador e a vida demanda elementos que somente a arte pode nos inspirar.

 

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Figura em Domínio Público: WE ALL, a design-build installation in North Allston, de Francisco Alarcon, Carla Ferrer Llorca, e Rudy Weissenberg, como visto em: http://www.gsd.harvard.edu/design-studies/art-and-the-public-domain/

 

 

 

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domingo, 1 de abril de 2018 aprendizagem, EaD, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 10:47

O mundo é FÍGITAL

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O termo Fígital, junção das palavras físico com digital (em inglês, “Phygital”), foi originalmente utilizado em marketing para descrever as experiências dos usuários em ambientes de vendas híbridos, simultaneamente físicos e digitais.  Hoje, o uso do termo transcende o significado inicial e pode ser aplicado ao conjunto de oportunidades vivenciadas nas quais não são claros os limites e as distinções entre aquilo que chamamos classicamente de real ou físico e aquilo que associamos ao virtual ou digital.

 

A título de ilustração, Realidade Mista é um exemplo mais recente desse tipo de percepção fígital, combinando experiências virtuais e aumentadas. Realidade Virtual, também conhecida como híbrida ou hiper-realidade, complementa o mundo físico do usuário com um mundo virtual, produzido digitalmente. Neste caso, é exigido que algum dispositivo seja utilizado pelo usuário, gerando um ambiente novo, tridimensional e interativo. Por sua vez, Realidade Aumentada sobrepõe o mundo físico com elementos digitais adicionais, ainda que sem a possibilidade de interação direta com eles. Ela atua como uma ponte entre os mundos físicos e digitais, inserindo elementos (informações ou objetos) virtuais à realidade física, ou seja, ao mundo original do usuário. Finalmente, a Realidade Mista combina os aspectos da Realidade Aumentada com a Realidade Virtual, sendo uma junção das duas e permitindo ancorar objetos virtuais em pontos do espaço real, tornando possível manipulá-los.

 

Tais novas realidades, especialmente a Realidade Mista, apresentam aplicações e possibilidades ilimitadas. São experiências visuais e sensoriais imersivas que permitem tanto aproximar o público comprador para testar, com níveis de detalhamentos sem precedentes, produtos do varejo, do setor imobiliário ou de entretenimento, bem como podem ser extremamente úteis em delicadas cirurgias ou outros procedimentos médicos.

 

Outro exemplo interessante de Fígital ocorre no filme Star Wars, no episódio “Rogue One”, produzido em 2016. Um dos atores do filme, Peter Cushing, falecido 22 anos antes, participa sem que os espectadores sejam informados ou percebam. Se é possível que um dos atores não esteja mais vivo, é igualmente razoável termos uma película onde todos os atores e atrizes sejam já falecidos. No limite, via plataformas digitais inteligentes, associadas ao uso de dados em grande escala disponíveis de pessoas já falecidas, é possível, em tese, viabilizar experiências inimagináveis entre vivos e mortos, integrando interativamente o físico e o virtual.  Adentramos o mundo fígital, onde as barreiras entre os espaços analógicos/presenciais e digitais/virtuais são rompidas. Um universo de novas aplicações se torna evidentes e promissor.

 

Em particular, na área da educação, as separações vigentes entre modalidades e aulas presenciais ou a distância desparecem quase por completo. As aulas podem ser holograficamente simuladas, permitindo todas as formas de interação e socialização entre os atores envolvidos no processo educacional. Onde o docente se encontra fisicamente fará menos diferença para efeito da experiência de aprendizagem vivenciada pelos seus educandos e a aprendizagem pode ser altamente favorecida. Mesmo assim, não há, e nem precisa ter, a pretensão de substituir por completo as interações humanas desprovidas de dispositivos.

 

Qualquer que seja o contexto que se avizinha, os desafios, os espantos e as oportunidades estarão presentes. A opção de desprezar ou minimizar a relevância dessas novas possibilidades representa, especialmente aos mais jovens, um risco enorme de exclusão pessoal e profissional sem precedentes. A melhor forma de naturalizarmos ao máximo essas novas tecnologias é criando mecanismos que permitam que todos, sem exceção, delas se apropriem de forma crítica e ética, ao mesmo tempo que, por causa delas, permaneçam ativos, produtivos e criativos.

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Imagem gentilmente cedida pelo colega Prof. Maurício Garcia.

 

 

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quinta-feira, 29 de março de 2018 aprendizagem | 06:23

FÁBULA DA APRENDIZAGEM

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Caminhavam juntos dois amigos, ambos amantes do saber. Um deles sábio mais sábio e o outro, também sábio, ainda que menos sábio. Eles se deparam com uma lâmpada mágica e, conjuntamente, libertam o gênio. O gênio liberto, em gratidão, concede a cada um deles um pedido. O sábio menos sábio, pretendendo ser tão sábio quanto o mais sábio, pede conhecimento e a ele é concedido. O mais sábio, por sua vez, pede somente máxima capacidade de aprendizagem. Moral da história: conhecimento, por maior que seja, é limitado; capacidade de aprender é, por si, ilimitada.
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Em inglês:

A TALE OF LEARNING…

There were two friends, both lovers of knowledge, walking together. One of them was the wisest sage, the other whilst also wise was less so. They came across a magic lamp and, together, freed the genie. The freed genie, in gratitude, granted each of them a wish. The less wise, wanting to be as wise as the wiser one, asked for knowledge and this was granted to him. The wiser, in turn, asked for only the greatest capacity to learn. The moral of the story: knowledge, however large it may be, is limited; the capacity to learn, itself, is unlimited.

 

 

 
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Imagem em Domínio Público, em https://publicdomainvectors.org/pt/vetorial-gratis/Homem-s%C3%A1bio-e-rainha/71477.html
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