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segunda-feira, 11 de março de 2019 aprendizagem, EaD, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 16:27

Memória, esquecimento e inteligência

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    É bastante comum associarmos inteligência a termos excelente memória. Ou seja, quanto mais detalhes soubermos e por mais tempo recordarmos de eventos passados, em geral, costumamos achar melhor. No entanto, avanços recentes da ciência nos obrigam a, no mínimo, repensar tais associações.

    Paul Frankland e Blake Richards, pesquisadores da Universidade de Toronto, destacam em um artigo recente na revista Neuron (vol. 94, 6, pag. 1071, 2017) a importância de saber esquecer, tão relevante, segundo eles, como lembrar. De fato, eles evidenciam que é a interação entre memória e esquecimento que propicia as adequadas condições para a tomada de decisões inteligentes.

    Estudos sobre a memória tendem a estar focados nos mecanismos celulares envolvidos na estocagem de informação, fenômeno conhecido como persistência. Há um outro processo, igualmente importante e distinto, responsável pela perda da memória, denominado transiência. Os trabalhos de Frankland e Richards mostram que a produção de novos neurônios na regiāo do cérebro conhecida como hipocampo está associada à promoção do esquecimento. Sendo esta produção mais ativa em crianças, talvez ajude a explicar por que adultos, em geral, têm dificuldades em lembrar de fatos ocorridos antes de terem, aproximadamente, quatro anos.

    Baseado nos princípios de aprendizagem de máquinas e de neurociência computacional, há um interessante paralelo entre os mecanismos neurobiológicos e computacionais. Memória permite a transmissão de informação ao longo do tempo. Esquecimento, por sua vez, aumenta a flexibilidade, à medida que reduz a influência de informações desatualizadas ou desnecessárias no processo de tomada de decisões ou de consolidação da aprendizagem. Saber esquecer evita superdimensionar eventos específicos no envio e na recepção de dados e assim conseguimos generalizar, entender contextos, realizar adaptações e desenvolver sínteses, a partir das experiências passadas.

    Há interessantes relatos de pacientes com surpreendentecapacidades de memorizar todos os detalhes e demonstrando, por outro lado, grandes dificuldades na vida real, tanto em tomar decisões, adaptar-se às novas situações ou mesmo de aprender. Desprovidos da  capacidade de esquecer, a realização de sínteses fica fragilizada e a compreensão dos contextos praticamente impedida pe!a profusão de detalhes não hierarquizadas em suas respectivas relevâncias.

    Educacionalmente, o desempenho na aprendizagem está associado à capacidade do educando em conjugar essas duas dinâmicas, memória e esquecimento, aprendendo ao mesmo tempo que libera espaços para aprender mais e melhor. Essa estratégia, combinando persistência/transiência, viabiliza aprender a aprender continuamente ao longo de toda a vida.

    No processo de ensino de conteúdos específicos, a aprendizagem demanda estar acompanhada da ampliação do nível de consciência do educando acerca de como ele aprende. Amplificar a percepção sobre o seu próprio processo de aprendizagem é a trilha educacional que permite a seleção adequada e consciente do que reter e do que dispensar.

    A partir de sínteses consecutivas das realidades vivenciadas ou dos conteúdos ensinados, desenvolve-se a capacidade de tomar decisões e de ter sucesso em missões e projetos. Neste sentido, educação, parafraseando Albert Einstein, é aquilo que permanece quando esquecemos o que nos foi ensinado.

 

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Figura do artigo citado no texto

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quinta-feira, 7 de março de 2019 aprendizagem, EaD, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 10:00

NOVA MISSÃO E MESMAS METAS

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Em outubro de 2008, após quase cinco anos no Ministério da Educação/MEC, encerrei minhas atividades na Secretaria de Educação Superior/SESu. Convidado pelo então Ministro de Ciência e Tecnologia/MCT, Prof. Sérgio Rezende, assumi a Assessoria Especial do ministro e depois a Secretaria de Inovação e Desenvolvimento Tecnológico/SETEC. No MCT, permaneci até fevereiro de 2012, quando fui selecionado, como pesquisador visitante no “Institute of Education/University of London”, para ocupar a Cátedra Anísio Teixeira/Capes.

 

Mais de uma década depois, em outro contexto, repito trajetória similar, migrando da área específica de educação para o setor mais geral de tecnologia aplicada, inclusive em aprendizagem. Após quase cinco anos no setor privado do ensino superior, onde fui reitor da Universidade Estácio de Sá e diretor-executivo de educação a distância e chanceler do Grupo Estácio, assumo a Direção Científica da empresa de tecnologia Digital Pages.

 

A Digital Pages, há quase duas décadas, desenvolve soluções tecnológicas e presta serviços especializados para o desenvolvimento, gestão e distribuição de conteúdos digitais em múltiplas plataformas. Foi pioneira no mercado brasileiro e a Plataforma RDP (Rich Digital Pages) conta com uma base sólida de mais de 30 milhões de usuários, acumulados ao longo dos anos, com clientes como: Organizações Globo, Pearson, VEJA, Folha de São Paulo, Confederação Nacional da Indústria/CNI, Raízen, PWC, Avon, Latam e instituições educacionais como Senac, Ser Educacional, Positivo, Estácio, Ânima, Laureate e Colégio Bandeirantes.

 

A similaridade dos dois contextos, o ano de 2008 e atualmente, é a migração de atividades centradas no ensino em direção a uma nova ênfase em inovação e empreeendedorismo, tendo a educação como elemento comum em ambas os rumos. 

 

No processo de gestão da informação ou no acesso ao conhecimento por parte de profissionais ou instituições podemos colaborar de múltiplas maneiras. Tanto a partir de um espaço estritamente educacional como, alternativamente, via o suporte a empresas, por meio da ênfase em estratégias de aquisição e gestão de conhecimento ou em processos de aprendizagem mediados por tecnologias digitais. 

 

O caminho para o desenvolvimento econômico, social e ambiental sustentável de uma nação passa, necessariamente, pela formação de cidadãos mais conscientes e produtivos e empresas e instituições mais eficientes e competitivas. Assim, desenvolver soluções tecnológicas, disponibilizando conteúdos digitais em múltiplas plataformas, permite prover ferramentas robustas e flexíveis para a criação e o enriquecimento de conteúdos digitais, atendendo os segmentos educacionais e empresariais. 

 

Trata-se de um novo rumo, mas permanecem as mesmas metas associadas a conjugar qualidade com a escala compatível com o tamanho dos nossas necessidades e desafios.

 

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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019 aprendizagem, Ensino Superior, Inovação e Educação | 05:29

ACADEMIA BRASILEIRA DE EDUCAÇÃO: posse dia 05 de abril

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A posse na Academia Brasileira de Educação/ABE  será no dia 05 de abril, sexta-feira, e terá dois momentos.

 

Às 18h, em sessão solene, organizada pela ABE, ocorrerá a posse formal. Na sequência, às 20h, teremos um jantar de celebração, por adesão, para o qual todos estão convidados. Os detalhes e orientações sobre como participar serão enviados em seguida. Por enquanto, “save the date”.

 

Ambos os eventos ocorrerão na Casa de Arte de Cultura Julieta de Serpa, localizada na Praia do Flamengo, 340, Rio de Janeiro-RJ.

 

A Academia Brasileira de Educação foi fundada em 1977 por Benjamin Albagli, à época presidente da mais antiga e conceituada associação na área da educação, a Associação Brasileira de Educação, fundada em 1924.

 

Suas finalidades principais são: estudar as políticas públicas de educação, visando a propor atualizações, alterações, modificações, reformulações e reformas que levem ou sejam propícias ao seu contínuo aperfeiçoamento; contribuir para o desenvolvimento da educação em todos os níveis e modalidades de oferta de ensino; apresentar propostas e sugestões para melhoria da qualidade dos processos de ensino, de aprendizagem e de educação, em geral; concorrer para o aprimoramento cultural do país; resguardar, preservar e cultuar a memória e o trabalho dos grandes vultos nacionais e internacionais que se destacaram no campo da educação.

 

A Academia compõe-se de 40 Acadêmicos Titulares ad vitam. As condições de elegibilidade para membro Titular da Academia são: ser brasileiro e haver-se notabilizado em uma ou mais atividades educacionais ou por publicações significativas no campo da educação.

 

Ocuparei, com muita honra, a Cadeira número 8, cujo Patrono é Anísio Teixeira, tendo como último ocupante o saudoso ex-ministro Acadêmico Eduardo Portela.

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terça-feira, 19 de fevereiro de 2019 aprendizagem, EaD, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 06:35

Voz, revolução em curso

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Ronaldo Mota*

 

Em Londres, no mês passado, tive a oportunidade de jantar com o amigo Patrick Towell, um dos inovadores britânicos mais bem atualizados sobre tecnologias digitais. Perguntei de forma direta: “em poucas palavras, qual inovação impactará o mundo da educação no cenário próximo?”. Ele, imediatamente, respondeu com uma só palavra: “voz”. A curto prazo, todas as instituições educacionais competitivas terão adotado assistentes virtuais baseados em voz que se tornarão suas correspondentes marcas registradas. Serão também, segundo ele, suas principais interfaces de comunicação com os educandos e com o resto do mundo.

 

Assistente de voz é uma ferramenta digital que, fazendo uso de reconhecimento de comandos sonoros, desenvolve uma síntese de fala, via processamento de linguagem natural. Os incríveis avanços recentes de inteligência artificial têm propiciado assistentes de voz que mudarão nosso cotidiano com velocidade espantosa, incluindo os meios e métodos que adotamos para aprender, ensinar e se relacionar no mundo educacional.

 

“Siri” da Apple foi o primeiro assistente virtual incorporando voz, por ocasião do lançamento do iPhone 4s em outubro de 2011. Em seguida, floresceram outros dispositivos falantes, tais como os bem sucedidos “Alexa” da Amazon, o “Cortana” da Microsoft e o “Bixby” da Samsung. Todos eles fazendo uso de computação na nuvem e incorporando os demais avanços tecnológicos desta década.

 

Historicamente, muito se deve à revolucionária ferramenta “shoebox”, apresentada pela IBM na Feira Mundial de Seattle, em 1962. Do tamanho de uma caixa de sapato, ela era capaz de reconhecer 16 palavras faladas. Em 1970, a Universidade Carnegie Mellon/Pennsylvania apresentou ferramenta similar, o “Harpy”, capaz de reconhecer incríveis 1.011 palavras, o que corresponde, aproximadamente, ao vocabulário de uma criança de 3 anos de idade. Ao longo das décadas seguintes, muitas novidades surgiram, mas o advento dos celulares inteligentes e os avanços da internet abriram novos e, até então, inimagináveis horizontes.

 

Em 2018, nos Estados Unidos, em torno de 20% dos adultos fizeram uso dessa tecnologia em suas tarefas do dia a dia. Talvez seja, isoladamente, a inovação que mais avance em direção à universalização de seu uso doméstico nos próximos anos. As utilizações mais frequentes têm sido: responder dúvidas via procuradores, comandos de música e controle de outros aplicativos, previsão do tempo, agenda, incluindo alarme e calendário, notícias, jogos, trânsito, comunicação personalizada, compras etc.

 

Entre vários pioneiros no uso educacional de assistentes virtuais baseados em voz, destaco a “Georgia Tech”, sediada em Atlanta. “Jill Watson” é o primeiro professor assistente totalmente virtual , no caso baseado em inteligência artificial ancorado na plataforma “Watson” da IBM. Os números ainda são preliminares, mas, no ano passado, o índice de acerto da “Jill” nas questões associadas aos cursos ministrados aos alunos foi de 97%, percentual pouco provável ser atingido por correspondentes humanos. Além disso, trabalha-se arduamente nas respostas erradas em direção ao atingimento, improvável, de 100% de acerto, ao mesmo tempo que a “Jill” vai muito além de ser uma simples docente virtual. De fato, ela se transforma, gradativamente, em uma ilimitada e permanente “personal friend” de cada aluno da instituição.

 

Em suma, no mundo da aprendizagem baseada em tecnologias digitais, teremos novidades, oportunidades e, certamente, muitos riscos a enfrentarmos adiante. Mesmo para quem, justificadamente, desconfia desses avanços, é recomendável ficar atento e acompanhar sem preconceitos essas evoluções em curso. Mesmo porque, em geral, elas não costumam depender de nossa aprovação ou consentimento para serem adotadas pelos mais jovens e pelas crianças.

 

 

*Escritor/conferencista em “aprendizagem mediada por tecnologias” e professor titular de Física aposentado da Universidade Federal de Santa Maria

 

Figura disponível em: file:///storage/emulated/0/Download/tech%20(1).jpeg

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terça-feira, 29 de janeiro de 2019 aprendizagem, EaD, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 13:28

Alunos são parceiros e não consumidores

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Entender os educandos como parceiros e cocriadores de um processo complexo, e não como clientes ou consumidores simples, vai muito além de uma questão comercial, ética ou moral. Trata-se, essencialmente, de uma questão educacional. A partir de como enxergamos nossos alunos, devemos estabelecer, em coerência com o mundo contemporâneo, as adequadas abordagens e metodologias.

 

Houve um período, no passado próximo, onde a escola poderia ser vista, resumidamente, como espaço de transferência de informação ou de conhecimento. Ao professor cabia a tarefa fundamental, ainda que não exclusiva, de repassar aos aprendizes um conjunto de conteúdos, alguns procedimentos padrão e certas técnicas bem definidas. Findas as tarefas, o estudante, caso provasse domínio adequado, estaria aprovado e a instituição educacional chancelava cada etapa do processo, via um diploma ou um certificado.

 

A grande novidade dos tempos atuais é que as tecnologias digitais invadiram, abruptamente, todos os setores da sociedade, inclusive o universo da educação.  A informação está totalmente acessível, disponibilizada de imediato e, basicamente, gratuita. Uma escola ou um docente que se limitarem, hoje em dia, à tarefa de simplesmente transferir informação correm o risco de se tornarem inócuos, estando sujeitos a desaparecerem, por ausência de propósito, muito rapidamente.

 

Profissionais oriundos do ensino tradicional, baseado em memória e no domínio simples de procedimentos e técnicas, são os alvos principais dos processos de automação e de máquinas que aprendem. Automação, no caso, refere-se à substituição do trabalho humano por robôs que atendem a algoritmos. O aprendizado de máquina, por sua vez, potencializa ainda mais a automação, permitindo ir além de tarefas repetitivas e mecânicas. Assim, as máquinas podem contemplar missões cada vez mais complexas, alicerçadas em aprendizagem por análises de erros. Ou seja, a partir da disponibilidade e do tratamento de dados abundantes, inteligência artificial propicia criar novos algoritmos que evoluem e que são aprimorados continuamente.

 

A título de evidenciar a gravidade do contexto presente, em trabalho recente do “Laboratório de Aprendizado de Máquina em Finanças e Organizações” da Universidade de Brasília, as 2.602 ocupações formais no Brasil foram, à luz dos riscos da decorrentes da automação, analisadas.  Entre os trabalhadores atualmente com carteiras assinadas, mais de metade deles, algo da ordem de 25 milhões, ocupam vagas com alta probabilidade de serem negativamente afetadas nos próximos anos.

 

Educacionalmente, a única forma de enfrentar esses desafios é promovendo uma aprendizagem que viabilize que aqueles que estão chegando ao mercado possam ir além dos trabalhos mais rasos, evitando ao máximo suas substituições por robôs. A abordagem pedagógica apropriada para preparar um profissional ou cidadão para tarefas mais complexas é aquela que transcenda os processos simples de memorização, indo muito além da absorção aligeirada de procedimentos e técnicas. É fundamental que o aluno, ao longo da aprendizagem, reflita, entenda e aprofunde sobre como ele aprende. Sendo ator consciente de seu próprio processo educacional, o educando amplia continuamente sua capacidade de aprendizagem ao longo da vida. Acrescente-se o indispensável estímulo aos processos colaborativos entre colegas, presenciais ou virtuais, na consecução, em equipe, de missões e projetos.

 

Dentro dessa perspectiva, o educando é, mais do que nunca, um cocriador e um parceiro da dinâmica educacional envolvida. Portanto, o aluno está bastante distante da figura passiva de um consumidor que adquire isolada e individualmente um produto ou um serviço. Construir essas novas metodologias e conjugá-las às tecnologias existentes, bem como às múltiplas possibilidades que ainda estão sendo criadas, é o maior desafio educacional contemporâneo.

 

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sexta-feira, 18 de janeiro de 2019 aprendizagem, EaD, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 08:53

Qualidade em Educação a Distância

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No ano passado, fui designado pelo Ministério da Educação (MEC), via a Secretaria de Educação Superior (SESu), para um Grupo de Trabalho (GT) cuja responsabilidade era atualizar os Referenciais de Qualidade para a Educação Superior a Distância (Portaria SESu Nº 78, de 19/09/2018). Ao final de 120 dias, o GT apresentou seus resultados, os quais foram, neste ano de 2019, entregues aos novos gestores do MEC.

A Educação a Distância (EaD) é, usualmente, caracterizada como sendo a modalidade na qual os procedimentos educacionais são mediados por tecnologias, em contextos nos quais os educandos e os educadores estão separados, espacial ou temporalmente. Caminhamos em direção a uma sociedade em que a informação estará totalmente acessível, de forma instantânea e basicamente gratuita; portanto, qualquer definição,rapidamente, fica desatualizada ou, no mínimo, incompleta, demandando permanentes revisões e atualizações.

No documento final do GT, o destaque é para a enorme potencialidade da modalidade EaD, sendo considerada ferramenta estratégica naampliação do acesso e da permanência, em especial no ensino superior. Nas últimas décadas, a demanda por oportunidades educacionais nesse nível tem crescido exponencialmente, sendo boa parte desse crescimento viabilizado graças ao uso das tecnologias digitais e das metodologias inovadoras associadas.

A modalidade EaD no Brasil foi assegurada na Lei de Diretrizes e Bases da Educação/LDB(Lei 9.394, de 20 de dezembro de 1996), que estabeleceu no, artigo 80, a possibilidade do seu uso orgânico em todos os níveis e modalidades de ensino. O Decreto 2.561, de 1998, que estabeleceu parâmetros de políticas de garantia de qualidade na EaD, e o Decreto 5.622, de 2005, que regulamentou o artigo 80 da LDB, funcionaram como diretrizes para a publicação dos referenciais de qualidade em 2007.

Em 2017, a legislação sobre a EaD reorganizou a abertura de cursos, flexibilizou a oferta e possibilitou a ampliação do acesso. O Decreto Nº 9.057, de 25 de maio de 2017, e a Portaria MEC 11, de 20 junho do mesmo ano, deram nova dimensão à modalidade. Essa Portaria permitiu às instituições criarem cursos de EaD, de acordo com sua organização administrativa, conforme os resultados obtidos no Conceito Institucional.

Quanto às inovações mais recentes, incluindo a autorização para o uso de até 40% em EaD da carga didática total na maioria dos cursospresenciais (Portaria MEC No 1.428, de 29 de dezembro de 2018), visam a avançar na consolidação de um modelo híbrido que integre as boas práticas do presencial com o virtual, estimulando novas práticas pedagógicas, calcadas na real possibilidade de uma educação personalizada de qualidade. Via trilhas educacionais customizadas, podemos possibilitar que todos aprendam, que todos aprendam o tempo todo, eque cada qual aprenda de maneira própria e única.

Uma dessas inovações, de natureza estritamente pedagógica, é a adoção de estratégias educacionais nas quais a ênfase está em priorizar o aprender a aprender, via abordagens que estimulam a emancipação do educando e a aprendizagem independente. Um dos aspectos centrais desta abordagem implica em privilegiar as características metacognitivas, transcendendo a cognição simples, contemplando sobremaneira o aumento do nível de consciência do educando acerca de como e em que condições ele aprende.  As habilidades metacognitivas implicam naautorreflexão do educando e na exigência de aprender a trabalhar em equipe, incluindo a prática de entender o outro, promovendo a aprendizagem colaborativa e independente. 

Caminhamos em direção à formulação de uma educação flexível e híbrida que conjugará elementos das duas modalidades de ensino, presencial e a distância. O produto final serácapaz de atender, de forma personalizada, às múltiplas demandas que respeitem as particularidades e as peculiaridades de cada educando, em seu contexto educacional específico, estabelecendo máxima compatibilidade com um cenário de educação permanente ao longo de toda a vida.

 

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sexta-feira, 28 de dezembro de 2018 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 17:20

Concentração em um mundo dispersivo: trabalhos rasos e profundos

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Jamais vivenciamos antes os ambientes dispersivos que caracterizam as sociedades contemporâneas. Tampouco havíamos experimentado os níveis de radicalidade e rapidez das mudanças em curso nos tempos atuais. O mundo do trabalho e de novas oportunidades em negócios nunca tiveram natureza tão complexa. Progressivamente, teremos que desenvolver tarefas imersos em ambientes altamente propensos à dispersão. Aprender a lidar com isso se constitui em tarefa educacional inédita.

Elementos do processo de aprendizagem que antes eram predominantes, incluindo memória, domínios simples de técnicas e procedimentos, disciplina e capacidade de desenvolver rotinas e missões predeterminadas, passam a ser irrelevantes, em alguns casos, ou insuficientes, em outros. Por sua vez, itens que costumavam ser desprezados ou sequer considerados, a exemplo de ênfase na capacidade de foco, autoconhecimento acerca de como se aprende, habilidade de trabalhar em equipe e facilidade de adaptação a novos contextos e desafios, passam a ser centrais e estratégicos. O primeiro grupo de características, acima descritas, se refere às demandas educacionais associadas aos chamados “trabalhos rasos”, e o segundo grupo aos, assim denominados, “trabalhos profundos”, de acordo com a terminologia adotada por Carl Newport, autor do livro Deep work, 2016.

Há inúmeras tarefas que não demandam foco e não envolvem processos cognitivos mais complexos, podendo ser desenvolvidos em ambientes de baixa concentração. Parte dos ofícios que mais prosperaram no século XX tinha essas marcas. As profissões associadas a tais tarefas não terão espaços no futuro que já começou. Ou seja, tudo que se assemelhar a rotina e que possa ser facilmente replicado, sujeito a algoritmos simples, tem seus dias contados. Imersos no universo de inteligência artificial e de máquinas que aprendem, os empregos e atividades atuais serão ainda mais afetados e o processo será muito rápido, extremamente dolorido e, por certo, irreversível.

O conflito não está em adotar ou não tecnologias inovadoras, especialmente as digitais. Trata-se sim de como utilizá-las sem perder o foco, até mesmo porque são os ambientes virtuais a maior fonte das citadas distrações. A capacidade de realizar atividades que demandam efetiva concentração está rareando, exatamente quando essa característica se torna mais valorizada. Quem cultivar a habilidade de manter o foco adequado, por certo, saberá enfrentar os novos desafios, com sucesso, e será largamente recompensado por isso. Aqueles incapazes de manter a devida concentração pagarão alto preço, seja trabalhando em setores menos valorizados ou convivendo com o desemprego.

Sobre como educar nesta inédita realidade, não há receitas simples, tampouco que funcionem sempre. Caminhamos em direção a uma educação personalizada, customizada às peculiaridades de cada educando e às características específicas do contexto educacional. As tecnologias digitais permitem, em tese, conhecer mais sobre o aluno e o ambiente de aprendizagem, contribuindo em propiciar trilhas de aprendizagem apropriadas a cada condição e para cada propósito específico.

Cognição, de forma geral e simplificada, diz respeito aos processos associados à aquisição de conhecimentos. Metacognição se refere àquilo que transcende a cognição, onde tão importante quanto o que foi conhecido é a reflexão, por parte do educando, sobre a própria aprendizagem. Ou seja, a prática consciente do aprender a aprender, despertando a percepção do aprendiz acerca de como se aprende. Ao se priorizar a metacognição, a importância da concentração, durante o processo de aprendizagem, se evidencia como essencial. Em outras palavras, se a cognição foi suficiente para os ofícios rasos, a metacognição, complementarmente, é indispensável na preparação do profissional contemporâneo para os trabalhos profundos.

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quinta-feira, 13 de dezembro de 2018 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 09:40

O método é a essência e o obscurantismo o risco

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O conhecimento é algo mais amplo do que o conhecimento científico, englobando todas as crenças, as verdades pessoais e a cultura popular. Por sua vez, conhecimento científico é aquela limitada parte baseada no método científico.

 

Não se deve confundir verdade com ciência. Nem toda verdade é conhecimento científico. Por exemplo, individualmente, posso ter como crença que exista vida em outros planetas. Isso pode até ser verdade, sem que se constitua em verdade científica, dado não atender aos pressupostos do método científico (observação, lógica e experimentação). A separação entre os mundos da religião e da ciência, a partir desse raciocínio, pode se dar de forma clara, respeitosa e indispensável.

 

A liberdade religiosa e a livre manifestação de ideias são pressupostos inegociáveis dos tempos modernos. Felizmente, nossa sociedade garante espaços apropriados, tanto para o exercício da fé como para sua divulgação aos interessados.

 

A ciência moderna do século XVII, ancorada na observação, lógica e experimentação, conforme sintetizado por Galileu Galilei e seus contemporâneos, somada às ferramentas da matemática, a exemplo do cálculo diferencial e integral de Isaac Newton, permitiram entender e conhecer melhor a natureza e desenvolver leis, tais como as leis da mecânica, da termodinâmica e do eletromagnetismo.

 

Foi a partir da ciência moderna que tecnologias e conhecimentos extraordinários foram desenvolvidos nos séculos seguintes, tendo a máquina a vapor e a Teoria da Evolução de Darwin, e seus desdobramentos, como símbolos. Graças a esses avanços fabulosos, foi possível que a expectativa de vida, que ao início do século passado era de pouco mais do que 40 anos, quase dobrasse nos dias atuais. A Revolução Industrial, o desenvolvimento dos antibióticos, o saneamento básico, o conjunto de ferramentas tecnológicas e as novas visões de mundo colocadas ao nosso dispor representaram, graças ao método científico, enormes possibilidades de superarmos a fome, a miséria e as doenças.

 

O criacionismo, enquanto explicação para a origem e desenvolvimento da natureza, diz respeito aos conhecimentos experimentados pelo mundo da fé e não da ciência; o darwinismo e outras teorias científicas, por sua vez, pertencem ao espaço da ciência – tanto que podem e são contestadas, por não terem o caráter doutrinário como princípios.

 

Quando ouvimos sugestões de que em aulas de ciências se ensine, em pé de igualdade, as duas visões, criacionismo e darwinismo, é preciso deixar claro o que é do campo científico e o que vem do campo religioso, para evitar que se percam conquistas e saudáveis distinções que marcam o processo civilizatório contemporâneo. Abrem-se as portas para um inaceitável obscurantismo e intolerância, cujos limites, se cruzados, custarão demasiadamente caro para, posteriormente, tentarmos recuperar os danos causados a ambas as posições.

 

Um dos papeis principais da educação nos tempos atuais envolve preparar um cidadão capaz de entender, de forma emancipada, o mundo à sua volta. Para tanto, necessário desenvolver raciocínios lógicos amparados em métodos científicos, a busca do contraditório e o estímulo do espírito crítico, bem como ter capacidade analítica apurada, estar preparado para a aprendizagem permanente ao longo de toda a vida e ser tolerante, flexível e solidário. Sem domínio e clareza acerca do método, certamente, não disporemos de profissionais e cidadãos para alavancar um desenvolvimento econômico, social e ambiental sustentável.

 

 

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Artigo “Método e Obscurantismo” publicado em 13/12/2018 em Jornal DCI – Diário Comércio Indústria e Serviços.

 

Figura em Domínio Público em: https://www.flickr.com/photos/montrealprotest/20254442361

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quinta-feira, 6 de dezembro de 2018 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Ensino Superior | 08:59

Como cumprir o PNE, ou quase

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O Plano Nacional de Educação (PNE) estabelece diretrizes, metas e estratégias para os próximos dez anos da educação brasileira. Sendo lei (Lei No 13.005, de 25 de junho de 2014), cabe ao Governo e à sociedade respeitá-la e envidar todos os esforços para transformá-la em realidade.

 

No entanto, a quase totalidade dos estudiosos reconhece que algumas de suas metas, infelizmente, não serão cumpridas. O foco deste texto é, especificamente, a Meta 12, a qual se refere a elevar a taxa bruta de matrículas na educação superior para 50% e a taxa líquida para 33%, tendo como referência a população de 18 a 24 anos, assegurado que, pelo menos, 40% das novas matrículas sejam no segmento público.

 

As estratégias previstas no anexo da lei estão calcadas no aumento da oferta de vagas em instituições públicas. Quanto ao setor privado, as principais ferramentas de estímulo dizem respeito à expansão do Fundo de Financiamento Estudantil (FIES) e do Programa Universidade para Todos (PROUNI). No entanto, o aumento de recursos para as universidades públicas tem, realisticamente, poucas chances de ocorrer no horizonte próximo e o FIES, ao contrário de se fortalecer, dá evidentes sinais de exaustão.

 

Estamos atrasados no cronograma previsto e neste ano atingiremos o percentual aproximado de 35% na meta prevista de 50% de taxa bruta e de menos de 20% na meta de 33% de taxa líquida. Situação mais crítica ainda é quanto ao cumprimento de 40% das novas ofertas de vagas em instituições públicas, dado que, atualmente, ¾ das matrículas estão no setor privado, o qual permanece crescendo a taxas maiores do que o setor público.

 

Podemos, para tentar cumprir parte da Meta 12, priorizar o atingimento da taxa bruta de 50% de matrículas. Da mesma forma, naquilo que o setor público, por razões conjunturais não conseguir cumprir, que o setor privado, com qualidade aferida, possa tentar fazê-lo. Por fim, interpretemos matrículas no ensino superior no sentido amplo, mesmo quando não em cursos de graduação. Os cursos tradicionais de graduação de 4 a 5 anos terão como alternativas cursos de menor duração apropriadamente desenhados.

 

Hoje, o ensino superior conta com quase 9 milhões de matrículas. Para completar 50% de taxa bruta, teremos que acrescer, até 2024, mais 4 milhões de estudantes. Não podemos depender somente dos formandos do ensino médio, flutuando em torno de 1,8 milhão por ano, dado que tal número está estabilizado há tempos e sem perspectivas de alterações substantivas a curto prazo.

 

Entre as outras fontes potenciais de novos estudantes, destaco os quase 9 milhões com idade entre 18 e 24 anos que, embora tenham concluído o ensino médio, não frequentam o ensino superior. A longa duração e as abordagens dos cursos de graduação, nos moldes tradicionais, mesmo tendo logrado êxito no passado recente, parecem frustrar as expectativas desse contingente no mundo atual.  Novos modelos de desenvolvimento demandam profissionais e cidadãos com características diversas e mais complexas do que antes. Cursos mais curtos, com maior aderência aos interesses de curto e médio prazos, podem, eventualmente, ser mais atraentes.

 

Exemplificando, há pessoas que, por razões as mais diversas, mesmo não tendo demonstrado interesse em cursar Administração ou Ciências Contábeis, podem ser potenciais candidatos a um eventual curso de um ano, com direito a certificação, de Gestão e Finanças. Se os cursos forem bem desenhados, em módulos que interagem entre si, os estudantes seriam também estimulados a continuar, dentro do espírito que o diploma de graduação fosse a coroação de um conjunto sequencial de certificações intermediárias. Igualmente, podem ser ofertados cursos em áreas inéditas, tais como: tratamento de dados e algoritmos, mediação de conflitos, marketing digital, inteligência artificial ou blockchain. Estes atenderiam também a profissionais já formados (da ordem de 10 milhões) que, dentro do espírito de educação permanente ao longo da vida, deveriam procurar atualização.

 

O adequado seria cumprirmos plenamente a Meta 12. Dadas as evidências da impossibilidade prática de seu cumprimento integral, somos estimulados a tentar minorar os prejuízos, especialmente explorando os desafios de desenhos alternativos de cursos de curta duração, eventualmente, compatíveis com as necessidades e expectativas contemporâneas.

 

 

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Figura/Fonte: http://www.cnte.org.br/index.php/comunicacao/noticias/13156-comissao-especial-vai-analisar-modificacoes-do-senado-ao-pne.html

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domingo, 4 de novembro de 2018 Sem categoria | 05:22

Brasil avaliando a China

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brasilChina

 

 

Recentemente, fui convidado para integrar o Comitê Internacional de Avaliação do Instituto de Tecnologia de Pequim (BIT, Beijing Institute of Technology, em inglês). O BIT é uma das universidades públicas chinesas com foco principal em ciência e tecnologia, atuando também em outras áreas como gestão e humanidades.

 

Periodicamente, as universidades chinesas passam por avaliações supervisionadas por comissões formadas por pesquisadores seniores, especialmente selecionados em todo o mundo. Creio ser a primeira vez que um brasileiro é convidado. Neste ano, a fase presencial do processo avaliativo será em novembro próximo.

 

Acostumado às avaliações das universidades nacionais, não há como não se surpreender acerca dos principais indicadores que norteiam o processo chinês. Ainda que a qualidade do ensino e a produção científica tradicional sejam consideradas, as ênfases do processo estão na análise das parcerias com o mundo corporativo e no incentivo ao empreendedorismo entre os educandos.

 

Para quem se acostumou a associar os produtos chineses com cópias e imitações, seja na indústria de computadores, automóveis, jogos eletrônicos e celulares, a realidade atual mostra que, definitivamente, eles aprenderam a fazer do seu próprio jeito, ou seja, inovando mais do que seus concorrentes.

 

A parceria entre governo, academia e empresas pode ser exemplificada pela valorização que o mundo universitário confere ao que eles chamam de BAT, sigla que corresponde às iniciais das três grandes estrelas: Baidu, Alibaba e Tencent. Juntas, essas empresas representam mais de US$ 1 trilhão. Ao lado delas, brilham as quase duas centenas de unicórnios (startups que superaram a casa dos US$ 1 bilhão), que juntas se aproximam do mesmo montante da BAT. Em outras palavras, somente a BAT somada aos unicórnios, grosso modo, equivalem ao PIB brasileiro.

 

Em ações sincronizadas, na China, todos os atores envolvidos promovem e valorizam inovações disruptivas em áreas que incluem infraestrutura urbana inteligente, veículos autônomos e plataformas de medicina personalizada, sempre baseadas em inteligência artificial e comércio eletrônico generalizado.

 

Os chineses têm absoluta clareza que tudo isso é fruto de fortes investimentos em educação, os quais crescem anualmente acima de 10%, atingindo a incrível cifra de mais de US$ 500 bilhões no ano passado. Atualmente, em torno de 14% dos estudantes da Universidade de Pequim abriram ou trabalham em startups e há a meta de dobrar esse percentual. Sem isso, entendem eles que o objetivo de fazer do país líder global em inteligência artificial e em outras áreas estratégicas não será atingido.

 

Considerando que a China é, há quase uma década, nosso principal parceiro comercial, período no qual os investimentos chineses no Brasil cresceram 3.000%, é fundamental que os conheçamos bem. No primeiro semestre de 2018, os investimentos chineses no Brasil, concentrados em energia, alimentos, mineração e telecomunicações, atingiram US$ 1,4 bilhão, volume quatro vezes maior do no mesmo período no ano passado.

 

As perspectivas, seja no comércio, no mundo da política global ou nas parcerias acadêmicas, são, potencialmente, favoráveis ao Brasil. Porém, a China saberá identificar se o país é somente uma fonte de commodities ou se a parceria será também em empreendimentos comuns, calcados em educação qualificada e planos substantivos em ciência, tecnologia e inovação. E ao Brasil, cabe decidir que relações pretende estabelecer com a China, com o  resto do mundo e consigo mesmo.

 

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Este artigo, com pequenas modificações, intitulado “As Relações Brasil e China, foi publicado em O DIA: 
http://www.clipnaweb.com.br/v3/clipping/conteudoNoticia.aspx?cliente=estacio&idNoticia=86296&arquivo=20181102%2F0000086296.pdf&data=02%2F11%2F2018&midia=impresso&tipo=impresso&vitrine=3&usu=estacioclip

 

 

 

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