Publicidade

domingo, 18 de fevereiro de 2018 Sem categoria | 12:21

Canoas havaianas do Posto 6: o Forte onde Copacabana vira Polinésia

Compartilhe: Twitter

 

23 de Novembro de 2016 - Rio de Janeiro/RJ, Brasil. Aereas no Rio de Janeiro, Rio de Janeiro/RJ. (Credits: Gabriel Heusi/Heusi Action).fortecanoas

 

Canoas havaianas do Posto 6: o Forte onde Copacabana vira Polinésia. As canoas havaianas têm sua origem há milhares de anos na região do triângulo polinésio, onde foram fundamentais no processo de colonização daquela área. Conhecidas como Wa’a no Havaí, Va’a no Taiti e Waka na Nova Zelândia, elas compõem parte essencial da cultura milenar dos polinésios. As canoas, em suas diversas formas, serviram tanto para deslocamento entre as ilhas quanto para a pesca em oceanos abertos ou para demonstração de força dos chefes e reis de diversas épocas.

 

No formato como elas são conhecidas atualmente, as canoas havaianas se caracterizam pelas três partes: o casco (hull), o flutuador (ama), que garante a estabilidade, e os braços que ligam um ao outro (yakos). Na canoa há 6 lugares, cada um possuindo funções específicas, além de remar. O primeiro mais adiante, conhecido como voga, dá o ritmo das remadas, sendo que enquanto os remadores 1, 3 e 5 remam de um lado, os remadores 2, 4 e 6 remam do lado oposto. O terceiro ou o quarto remadores, em geral, fazem a contagem para a troca de lado, anunciando a mudança em um comando (algo como Hop, versão abrasileirada do Hip Ho original). O sexto remador é o leme, o capitão da canoa. Um bom remador não é medido somente pela força, mas, principalmente, pela técnica, por respeitar o sincronismo de comunhão da canoa com o mar, expresso no espírito de integração da equipe e por acompanhar, de forma solidária e colaborativa, os demais remadores da canoa.

 

No Brasil, a chegada da canoa havaiana ocorreu ao final do ano 2000, em Santos, com a primeira canoa importada dos Estados Unidos sendo batizada de Lanakila.  Atualmente, o Rio de Janeiro é um centro de referência nacional na prática deste esporte, em especial no Posto 6, ao lado do Forte de Copacabana, o qual lhe serve de excepcional abrigo, garantindo águas calmas, com ondas adequadas conjugadas com belíssimas opções de entradas para o mar aberto.

 

O Forte de Copacabana, oficialmente denominado como Museu Histórico do Exército/Forte de Copacabana (MHEx/FC), constitui-se em um dos mais belos cartões-postais da cidade. O projeto de construção remonta à época da transferência, em 1763, da capital do Brasil, Salvador, para o Rio de Janeiro. Sua implementação definitiva se deu por ocasião da vinda da corte portuguesa para o Brasil no início do século XIX. D. João VI, em 1823, receoso de um possível ataque da armada portuguesa em função da Independência do Brasil de Portugal em 1822, acelerou sua adequação para a efetiva proteção do Rio de Janeiro. O Forte foi centro de outros relevantes momentos da pátria. Entre tantos fatos históricos, destaco a Revolta da Armada de 1893 e o contencioso em função de demarcação de fronteiras com a Argentina em 1895, ocasião em que foram instalados os seis canhões de longo alcance.

 

Canoas realizam seus ondulados movimentos no Posto 6 acompanhadas de outros atores de máxima riqueza. Entre eles, a ainda ativa Colônia de Pescadores, cuja origem data da década de 1920, o Quartel de Serviços de Salvamentos dos Bombeiros, o Clube dos Marimbás etc. As canoas ajudam a compor um dos mais prósperos cenários mundiais de aprendizagem e de prática de inúmeras outras atividades esportivas aquáticas e de areia de praia. Desde aprendizes a atletas olímpicos, naquele espaço compartilhado nadam, fazem stand-up paddle, praticam surf e bodyboard, jogam frescobol etc.

 

A evolução harmônica das canoas do Posto 6 se expressa também em sons das ondas quebrando na areia carregando consigo fantasias, alegorias e adereços naturais. Esta harmonia única sugere enredos maravilhosos para celebrar a transformação de Copacabana em especial espaço polinésio.

———

Foto 1. De Gabriel Heusi/Heusi Action, em Portal Brasil 2016 (“Todo o conteúdo desse site está licenciado sob a Licença Creative Commons Atribuição 3.0 Brasil“);

Foto 2. De Beto Vaz, remador da Equipe Esquilo no Posto 6.

 

 

 

Autor: Tags:

domingo, 11 de fevereiro de 2018 aprendizagem, EaD, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 09:21

Analítica da aprendizagem disposicional: melhor agora do que depois

Compartilhe: Twitter

Os dados oficiais do ensino superior brasileiro mostram que as matrículas na modalidade presencial entre os anos de 2012 a 2016 avançaram 10%, enquanto na educação a distância o crescimento foi de 34%. Quanto ao número de concluintes, no ensino presencial a variação positiva nesse período foi de 7% e na modalidade a distância de 32%. Os dados mais impressionantes referem-se aos números de ingressantes. Frente ao substantivo crescimento de 44% em educação a distância (aproximadamente 542 mil ingressantes em 2012 contra 781 mil em 2016), houve uma redução de mais de 18% (2.204 mil ingressantes em 2012 para 1.858 mil em 2016) no ensino presencial.

 

humancomputer

 

No início desta década, qualquer alerta acerca do incrível potencial de crescimento da modalidade a distância seria objeto de alguns olhares de desconfiança. Da mesma forma, para a maioria, ainda não era clara a forte tendência para a dominância do e-learning (baseado na internet), em contraposição ao chamado semipresencial. Idêntico ceticismo valeria para a previsão de que o dispositivo dominante de aprendizagem online viria a ser o celular, como é hoje, e não os computadores, notebooks e tabletes.

 

Contemporaneamente, um dos grandes desafios no ensino superior é dimensionar o papel da analítica da aprendizagem (em inglês, “learning analytics”). Esta ferramenta e suas evoluções se mostrarão, cada vez mais, essenciais e imprescindíveis, contribuindo nos desenhos dos processos de aprendizagem mais efetivos.

 

Analítica da aprendizagem diz respeito à técnica que se caracteriza pela coleta sistemática e pela análise rigorosa de dados dos educandos e de seus contextos educacionais, tendo como propósito o entendimento dos processos de aprendizagem e dos ambientes nos quais eles ocorrem. Assim, é possível desenvolver e aprimorar desenhos de aprendizagem (em inglês, “learning designs”), nos quais múltiplas trilhas educacionais podem ser construídas e disponibilizadas aos alunos. Nesta perspectiva, é possível viabilizar processos personalizados, atendendo características peculiares de cada educando ou próprias do ambiente educacional específico.

 

Nos estágios iniciais da analítica de aprendizagem, os estudiosos se limitavam a modelos preditivos simples baseados em dados extraídos das informações disponíveis dos estudantes. O uso crescente de plataformas digitais pelos alunos e dos sistemas de gestão de aprendizagem pelas instituições, progressivamente, tem gerado uma quantidade inédita de dados qualificados. A partir deles, observamos avanços significativos nas aplicações da analítica da aprendizagem, nos desenhos educacionais propostos e nas intervenções pedagógicas deles decorrentes.

 

Mais recentemente, foi introduzida a estratégia da analítica da aprendizagem disposicional (em inglês, “dispositional learning analytics”), a qual combina os dados gerais de aprendizagem com elementos disposicionais próprios dos educandos, incluindo seus comportamentos, suas atitudes e seus valores. A coleta desses dados disposicionais tanto pode ser realizada via respostas fornecidas diretamente pelos próprios estudantes, como via o monitoramento de suas reações, a partir de situações induzidas com propósitos específicos.  Os aspectos disposicionais que estamos interessados devem representar diferenciais característicos dos educandos e de suas circunstâncias, incluindo aspectos comportamentais, cognitivos, metacognitivos (envolvendo a percepção do aprendiz sobre a própria aprendizagem) e afetivos.

 

No Brasil, temos a oportunidade de adotar quanto antes esta estratégia, em complemento às metodologias inovadoras associadas e às novas tecnologias disponíveis. A aplicação da analítica da aprendizagem disposicional, certamente, contribui para a construção de abordagens educacionais que viabilizem que todos aprendam, aprendam o tempo todo e em qualquer lugar, e, especialmente, que cada um aprenda de maneira única e personalizada.

 

————

Fonte da figura: University of Rochester, em “Dancing with Computers. In the field of Human-computer interaction, computer science meets human behavior”. De Kathleen McGarvey, com ilustrações de John W. Tomac para “Rochester Review”. Ver o link:

https://www.rochester.edu/pr/Review/V78N2/images/slide_hci3.jpg

 

Autor: Tags: , , , , , , , ,

domingo, 4 de fevereiro de 2018 Sem categoria | 20:27

Pedido Póstumo

Compartilhe: Twitter

RMcarlos-drummond-de-andrade-na-praia-de-copacabana-no-rio-de-janeiro RMEstatuaDorivalCaymmi1 (1) rmcanoa

Caros viventes cariocas, sei bem que dita a boa educação que recebamos as eventuais homenagens sem contestar e de bom grado, sempre. Dizem que eu teria dito em vida: “a cavalo dado não se olha os dentes”. Bobagem, jamais disse isso e o linguajar difere do meu. Além de suspeitar ser uma tradução liberal do inglês: “never look a gift horse in the mouth”, literalmente, algo como: “nunca olhe a boca de um cavalo ganho de presente”.

 

Alguém, bem-intencionado, em 2002, quis celebrar meu centenário de nascimento colocando uma estátua de bronze de 150 quilos no Posto 6 em Copacabana. A escolha do local não poderia ser mais apropriada. Morei na Conselheiro Lafaiete, 60. Para ir para a Avenida Atlântica costumava caminhar, por vezes, pela Júlio de Castilhos, outras, pela Rainha Elizabeth. A estátua ficou entre as duas ruas, perfeito.  Só elogios e nada a reclamar, demonstrando meu apreço pela cidade e minha permanente tendência à transigência.

 

Mas, indo direto ao ponto da reclamação: sou mineiro, de Itabira para quem não sabe. Mineiro adora mar, e disso todos estão cientes. O escultor da obra, Leo Santana, meu conterrâneo, é igualmente louco pelo mar. É verdade que a ele deram uma foto de Rogério Reis, a qual, pelos idos do início da década de 1980 saiu na revista Veja. Mas, convenhamos, eu escrevi: “No mar estava escrita uma cidade”, consequentemente, o foco é o mar e a cidade o acidente. Se pensasse diferente, teria escrito: “Na cidade estava escrito o mar”. Além de sem sentido, o centro seria a cidade, portanto…

 

Então, pergunto de forma direta e objetiva: por que diabos me puseram de costas para o mar? E, pior, na forma de estátua, a qual, por definição, assim permanece, para sempre. Meu vizinho (uma quadra adiante, em direção ao Forte), Dorival Caymmi, com quem converso muito por aqui, está plenamente satisfeito com a estátua dele. Baiano não é assim tão obsessivo pelo mar e ele tem, particularmente, homenageado aquele muitas vezes. No caso, se há dívida, é do mar com o baiano, e não o contrário. Tanto que ele chega a estar cansado. Já é um esforço danado, além de carregar seu instrumento, estar sempre feliz e de braços abertos.

 

Voltemos ao meu pleito. Hoje, ao contrário dos saudosistas que aqui chegam do Rio, acho o Posto 6 mais interessante do que antes. Preservaram a Colônia e o Forte, que eu tanto apreciei, e temos agora stand-up paddle, grupos animados de natação, frescobol e as fantásticas canoas havaianas, que fariam os polinésios morrer de inveja do Rio. Mas, convenhamos, de onde estou, de costas, vejo tudo somente de soslaio…

 

Em suma, a quem receber esta mensagem póstuma, ainda que viva, peço que considerem virar minha estátua para o mar. Esqueçam aquela foto, ela diz respeito a hábitos do passado, tão somente. Eu agora pretendo ficar de frente, mirando o mar, no qual estava escrita uma cidade.

 

                                                                                                                C. D. de Andrade (by R. Mota)

 

Autor: Tags:

terça-feira, 30 de janeiro de 2018 Educação e Tecnologia, Inovação e Educação | 18:18

A Kodak e a revanche na mesma moeda

Compartilhe: Twitter

KodakFoto

 

É comum ouvir dizer que a tecnologia matou a empresa Kodak. Citam que, ao final do século XX, ela dispunha de quase 200 mil funcionários e detinha em torno de 85% da então próspera indústria de papel para fotografia. O surgimento da fotografia digital, de fato, levou a empresa às portas da falência. Menos de duas décadas depois, a quase falecida surge das cinzas, tal qual fênix, ancorada agora no que existe de mais atual em tecnologia contemporânea, o blockchain.

 

A plataforma de direitos de imagens KODAKOne, baseada na tecnologia blockchain, permite criar registros digitais encriptografados, viabilizando processos de licenciamento de imagens em um nível sem precedentes. Desta forma, fotógrafos, enquanto autores, passam a participar de forma diferenciada da nova economia criativa. Pagamentos por licenciamentos, como reconhecimento por seus trabalhos, podem ser implementados de forma inédita, confiável e segura. Quando uma imagem não licenciada é detectada, o que é razoavelmente simples, a plataforma KODAKOne, de forma eficiente, cuida dos processos associados, garantindo recompensar adequadamente os legítimos autores.

 

Parte deste ousado projeto inclui a criação da própria criptomoeda, o KodakCoin. Assim, os fotógrafos, ao registrarem suas imagens e licenciá-las, poderão ser devidamente recompensados em KodakCoins. Fato é que, mesmo antes de sua aplicação em escala significativa, as ações da Kodak duplicaram em valor após o anúncio desta iniciativa.

 

Nas palavras de Jeff Clarke, presidente da Kodak: “Para muitos na indústria de tecnologia, blockchain e criptomoedas são expressões promissoras, ainda que distantes. Mas, para os fotógrafos que há muito se esforçaram para afirmar o controle de seu trabalho e como ele é usado, essas palavras-chave são o caminho para resolver o que parecia ser até então um problema sem solução. A Kodak sempre procurou democratizar a fotografia e tornar os licenciamentos justos para os artistas. Essas tecnologias darão à comunidade da fotografia uma maneira inovadora e fácil de resolver este problema”.

 

Este é mais um exemplo de que enfrentar os problemas decorrentes do uso intensivo de tecnologias inovadoras implica, na maior parte das vezes, em utilizar as próprias como parte da solução. No mundo educacional é o mesmo. Os educandos são em número sem precedentes e a tentativa de conhecê-los individualmente pode parecer uma ilusão. No entanto, as tecnologias digitais permitem dizer exatamente o contrário: “quanto maior o número de envolvidos, melhor para identificá-los individualmente”. Ferramentas como Learning Analytics (Analítica da Aprendizagem, em português) e Edugenômica são exemplos de como criar trilhas educacionais personalizadas com qualidade, precisão e racionalidade.

 

Estamos nos inserindo em uma sociedade onde a informação estará totalmente acessível, instantaneamente disponibilizada e basicamente gratuita. As transformações que vivenciamos são preliminares de algo muito mais radical e cada vez mais surpreendente. O que sabemos é que se trata de caminho sem retorno, onde a cada nova etapa novos horizontes se descortinam. Como nos mostrou a Kodak, é do próprio veneno que se produz o antídoto, o qual revigora e dá vida aos que aparentemente foram dele vítimas circunstanciais.

 

 

Autor: Tags: , ,

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018 EaD, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 09:00

Educação digital em 2018: do linear para o exponencial

Compartilhe: Twitter

exp

 

Comportamentos de variáveis ao longo do tempo podem ser descritos por modelos matemáticos.  Dois dos modelos mais utilizados são: o modelo linear, representado por funções do tipo y = ax + b, e o modelo exponencial, no qual se empregam funções do tipo y =  beax.

 

No início, podem ocorrer períodos em que os dois comportamentos se confundem e um desafio é tentar identificar quando eles se separam. Um exemplo atual interessante é o número de matrículas na modalidade Educação a Distância (EaD) no ensino superior brasileiro. Os dados mais recentes, ainda não oficiais, indicam que, provavelmente, neste ano o crescimento exponencial seja evidenciado.

 

O número de matrículas EaD vem crescendo de forma contínua e sustentável por mais de uma década, tendo atingido quase 1,5 milhão em 2016 (dados disponíveis do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira/ INEP/MEC), o que já representa uma participação de quase 20% do total de matrículas da educação superior. Interessante observar também que o número de matrículas em cursos de graduação presencial diminuiu nos últimos anos (decréscimo de 1,2% entre 2015 e 2016, enquanto na EaD o aumento de matrículas foi de 7,2%). Tais tendências, provavelmente, têm sido acentuadas mais recentemente.

 

Se neste ano o crescimento da EaD evidenciar ser mais bem descrito pela forma exponencial e se considerarmos que no ensino presencial a adoção da EaD no limite superior de 20% está, praticamente, universalizada, poderemos afirmar que, antes do final desta década, mais da metade das atividades didáticas serão ministradas via EaD.

 

Em 2017, foi inaugurado um novo marco regulatório para o ensino superior brasileiro, o qual tende a induzir mudanças mais profundas e abrangentes ao longo da próxima década. Destaque-se que a separação abrupta entre as duas modalidades, presencial e a distância, conforme previsto em lei, é algo peculiar do Brasil. No restante do mundo, a grande tendência é o modelo híbrido, o qual visa a combinar, com bastante liberdade e customizado caso a caso, as melhores ferramentas advindas tanto das experiências presenciais como não-presenciais. O que torna ainda mais complexo este processo é que, à luz de uma nova realidade baseada em educação híbrida, flexível e aberta, o próprio conceito atual de presencialidade, em poucos anos, se perderá por completo, quando sequer saberemos distinguir a presença da criptopresença.

 

Não completamos ainda sequer metade do caminho previsto no Plano Nacional de Educação (PNE) da década passada “garantir acesso ao ensino superior a 30% dos jovens entre 18 a 24 anos” –, tampouco o previsto nesta década “1/3 desses jovens na educação superior”. Portanto, a utilização das novas tecnologias e a adoção de metodologias educacionais inovadoras são certamente imprescindíveis e estratégicas para oportunizar que interessados de todas as classes sociais possam ter acesso à educação superior.  Além disso, como apontado pelo INEP, progressivamente, mais de 40% dos ingressantes no ensino superior estão em faixas etárias mais maduras (acima de 24 anos). Esta população demanda abordagens educacionais próprias capazes de permitir que, mesmo tardiamente, possa qualificar-se profissionalmente.

 

Distintamente da educação presencial, na educação digital a escala não compromete a qualidade, muito pelo contrário. Todos os especialistas internacionais têm segurança em afirmar que a racionalidade e a economicidade envolvidas na utilização das tecnologias digitais na educação permitem baixar custos e aumentar qualidade simultaneamente. Os estímulos para o acesso pleno ao conteúdo antes das aulas e a intensa utilização de portais eletrônicos e de plataformas educacionais, especificamente desenhadas para cada contexto, são possibilidades inovadoras e disponíveis. A ênfase na aprendizagem independente, centrada no aprender a aprender ao longo de toda vida, e o ensino baseado em metodologias ativas e em solução de problemas são novidades já incorporadas, ainda que preliminarmente. Enfim, metodologias que levem em conta as características personalizadas de cada educando, suas demandas específicas e os ambientes peculiares do mundo do trabalho contemporâneo são exemplos de iniciativas positivas em curso.

 

A título de reforço da abrangência do fenômeno acima, qualquer outra área de atividade humana pode ser considerada para estabelecermos possíveis analogias. Isso só é possível porque o motor comum dessas transformações é a presença das tecnologias digitais. Ou seja, a velocidade e o nível de radicalidade das mudanças estão associados à migração, ainda em curso, em direção a uma sociedade em que a informação se torna totalmente acessível, instantânea e basicamente gratuita.

 

Portanto, unicamente como referência do avanço do digital sobre o analógico, adota-se aqui um caso ilustrativo, a capitalização de mercado, a qual se refere a uma das medidas do tamanho de uma empresa. Trata-se do valor de mercado total das ações em circulação de uma empresa, também conhecido como limite de mercado.

 

Durante o século passado, as maiores empresas do mercado acionário estiveram associadas ao mundo analógico, seja à energia (basicamente petróleo), à indústria automobilística e ao setor bancário. Na virada do século, há apenas 17 anos, entre as cinco maiores aparecia, de forma inédita, uma empresa do mundo literalmente digital, a Microsoft.  Neste caso, dividindo a dianteira com duas de energia (Exxon e GE), um Banco (Citi) e uma empresa de varejo (Walmart).

 

O quadro atual, conforme descrito no Relatório 2017 da respeitável PricewaterhouseCoopers, lembra pouco aquele anterior. A empresa que atualmente é, pelo sexto ano seguido, a número 1 do ranking (Apple) sequer constava entre as cinco maiores no começo deste século. Além disso, a única que ainda sobrevive nesse restrito clube é a Microsoft. Desnecessário chamar a atenção para o fato de que atualmente todas, sem exceção, estão diretamente associadas ao mundo das tecnologias digitais. Por outro lado, empresas como a GE já não constam entre as 100 maiores.

 

Atualmente, empresas baseadas em tecnologias digitais predominam entre as maiores, acompanhadas, com certa distância, por aquelas do setor financeiro e, na sequência, companhias do setor de varejos. Os Estados Unidos, ao contrário do que possa parecer aos incautos, têm aumentado sua participação (hoje em 55%) entre as 100 maiores e é a sede das 10 principais empresas. É cada vez mais notável a presença crescente de empresas chinesas, como era de se esperar, e a Europa, que detinha 36% do mercado há 10 anos, agora detém somente 17%. A título de comparação, o Brasil em 2009 tinha 3 companhias listadas entre as 100 maiores, hoje resta somente uma.

 

As transformações na economia impactam, bem como são afetadas, pelos cenários educacionais vigentes. As tecnologias digitais invadem as escolas e impregnam o seu entorno, em especial no que diz respeito aos cidadãos e profissionais que nelas se formam. Elas transcendem os espaços de aprendizagem e também ocupam e definem as oportunidades de novos empregos e de negócios inovadores.

 

Assim as consequências educacionais são complexas, múltiplas e ilimitadas. Uma delas, a mais simples e direta, é que os modelos educacionais e as estratégias de ensino e aprendizagem fortemente influenciados pelos referenciais Fordistas/Tayloristas, dominantes no século XX, já não são mais suficientes. Ou seja, a escola tradicional, que desempenhou, com competência e pertinência, papel central em tempos recentes, está distante de atender plenamente às demandas do mundo contemporâneo.

 

Se no século passado a capacidade de memorizar conteúdo e a aprendizagem de técnicas e procedimentos eram o centro, atualmente o amadurecimento dos níveis de consciência do educando acerca de como ele aprende torna-se gradativamente mais relevante. Em termos mais simples, aprender a aprender passa a ser tão ou mais importante do que aquilo que foi aprendido.

 

Pessoas educadas são essenciais para a melhoria da qualidade de vida e para o aumento da competitividade e produtividade de um país. A formação de cidadãos aptos a desempenharem tarefas complexas é missão urgente e imprescindível. Explorar esta nova realidade, onde todos aprendem, aprendem o tempo todo e cada um aprende de forma personalizada, é, portanto, o maior de todos os desafios do mundo da educação.

—–

Figura: conforme linkado em “modelos matemáticos”.

Autor: Tags: , , , ,

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018 Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 09:42

2018: um ano e duas hipóteses

Compartilhe: Twitter

exquisite-pictures-of-paths-exquisite-fork-in-the-road-2-paths-hr-ringleader

 

Certas efemérides ganham algum sentido quando estimulam reflexões, conectando o passado recente com o futuro próximo, à luz do que enxergamos no presente. Garantia de acerto ninguém pode dar quando fazemos prognósticos, mas estes melhoram muito quando as percepções são mais acuradas. Ainda que as hipóteses sejam múltiplas, tão variadas como aqueles que as formulam, é tentador pensar em bifurcações simplificadoras. Portanto, o número dois aqui é representativo dos ramos principais e alguns elementos essenciais, sem pretender ser completo ou contemplar os infinitos galhos e variantes deles decorrentes.

 

Do ponto de vista da economia, temos especiais oportunidades para aumentar de forma significativa nosso padrão de produtividade, caminhando em direção a um desenvolvimento econômico que seja sustentável do ponto de vista social e ambiental. Vivemos um acelerado processo de globalização, onde as transações internacionais são, em parte, resultantes do parâmetro produtividade média dos trabalhadores de cada país. Indicadores de produtividade mantêm estreitos vínculos com a capacidade de inovação e a qualidade da educação da população, entre outras variáveis. O Brasil no comércio global responde por somente insuficientes 1,2% das transações, ou seja, menos da metade de nossa participação percentual de população no planeta, evidenciando nossas fragilidades competitivas ao lado do efetivo potencial de crescimento. No ano passado, houve alta de 18% nas exportações, indicando que podemos escalar posições no ranking global, especialmente se ampliarmos acordos com espaços como União Europeia e Índia.

 

Aumentar produtividade é, principalmente, melhorar o nível educacional. Os resultados do PISA (Programa Internacional de Avaliação dos Estudantes), promovido pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), envolvendo jovens de 15 anos de mais de mais de 70 países, demonstram de forma inequívoca nosso passivo extremado. Classificado em 6 níveis, o nível 4 em matemática é o mínimo indicado para as carreiras tecnológicas, fortemente associadas à capacidade de inovar. No Brasil, somente 4% atingem o nível quatro, em comparação com 38% na Austrália, 43% no Canadá e 52% na Coréia.

 

Do ponto de vista social, temos elementos mais do que suficientes para nos convencermos de que o abismo social entre os mais ricos e os mais pobres inviabiliza o desenvolvimento sustentável. Temos, ao longo do tempo, obtido alguns sucessos em aumentar a escolaridade média, na erradicação da miséria e na redução dos índices de mortalidade infantil. Por outro lado, falhamos, e muito, em diminuir a violência, parte dela resultante das citadas disparidades sociais, e, principalmente, em ampliar a qualidade do ensino, com destaque negativo para o ensino médio. As discussões e as aprovações em curso da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) representam passos positivos em direção a, pelo menos, sairmos da simples constatação do desastre. Mesmo assim são, claramente, medidas insuficientes para encaminharmos o complexo tema da qualidade da educação.

 

Quanto à política, teremos as eleições nacionais. A questão passa a ser menos quem as vencerá e mais quão legitimados estarão o novo presidente e seus parlamentares parceiros para implementar aquilo que prometeram na campanha. A melhor perspectiva é um debate equilibrado e racional e, fruto deste, as consequentes escolhas conscientes pela maioria. Entre os temas principais, o papel e do tamanho do Estado. Seja um Estado eficiente e menos intervencionista ou, alternativamente, um Estado amplo, promotor central do desenvolvimento, ainda que em regimes de parcerias com os diversos atores da sociedade. A pior perspectiva seria um debate extremado e irracional, em que, por certo, eventuais vencedores terão opositores ferozes e enormes dificuldades em implementar as propostas que apresentaram nas eleições. As discussões terão sido suficientes unicamente para estimular a militância radicalizada e para convencer uma maioria eleitoral frágil. Porém, incapazes de agregar, pós-período eleitoral, uma predominância legitimada e substantiva que consiga levar adiante os temas mais relevantes para o país.

 

Longe de ter o peso dos temas acima, mas é também ano de Copa da Mundo. De um lado podemos ser surpreendidos por Suíça, Costa Rica e Sérvia, ficando a exemplo de 1966, fora das oitavas. Por outro, podemos, como temos o legítimo direito de esperar, uma belíssima final com Alemanha, na qual possamos nos redimir de vez de um passado nem tão distante. Assim como nos assuntos anteriores, não precisamos revidar os 7 a 1 de imediato, mas necessitamos urgentemente sentir que, ao menos, estamos na direção correta, tanto no tempo como no espaço.

 

———-

 

Imagem em Domínio Público: exquisite-pictures-of-paths-exquisite-fork-in-the-road-2-paths-hr-ringleader.jpg

Autor: Tags: , , , ,

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Inovação e Educação | 05:17

Tio Luís e as competências transversais

Compartilhe: Twitter

 

Tailor

 

Durante o ano, com maior ou menor sucesso, escrevo para os leitores, procurando temas que, eventualmente, lhes possam ser de interesse. Assim, tanto o formato como o conteúdo têm como referência balizadora principal quem lê, e não quem escreve.

 

Neste último artigo do ano, concedo-me a liberdade de escrever para mim mesmo, no tema que me agradar e no formato que resultar, sem nenhum constrangimento. Uma espécie de presente de Natal que decidimos nos dar.

 

Tive um tio, já falecido, chamado Luís José Rodrigues, ainda que irmão de meu pai de sobrenome Mota. Uma história complicada, a família homenageava por vezes os parentes do pai (Rodrigues), por outras os parentes da mãe (Mota). Assim, meu Mota, por curioso que seja, vem da avó paterna.

 

Tio Luís era alfaiate, um bom alfaiate. Dominava um ofício e dele basicamente sobreviveu e com dignidade. Seu mundo não exigiu nunca mais do que isso. Era um período de especialidades e estas perduravam, ainda que com alguns sobressaltos. As camisas volta ao mundo de nycron e as calças jeans e similares foram alguns desses obstáculos a quem produzia roupas personalizadas a partir de cortes de tecidos. As turbulências devem tê-lo atingido e, ao longo da vida, o fizeram testar outras atividades, mas nada que o tivesse afastado em definitivo da missão associada ao ofício de que gostava.

 

Aquilo que tinha um tom de cotidiano e de relativa nobreza, fazer as indumentárias sob medida, rapidamente se transformou em quase esquisitice. Mesmo que eles fossem, e eram, maravilhosos e competentes, o ofício se transformaria em atividade de nicho, para poucos de gosto extremamente refinado ou simplesmente hábito remanescente em alguns mais velhos.

 

Uma mudança drástica, ainda em curso, são os desafios de sobrevivência para profissões tradicionais no ambiente contemporâneo. Sobressai-se agora a exigência de dominar competências transversais, sem as quais podemos não dar conta das modificações sociais que enfrentamos. Competências transversais dizem respeito à aplicação de conhecimentos adquiridos previamente na solução de problemas novos ou de suas utilizações em ambientes diferentes dos originais. Este saber no meio acadêmico inclui a adoção de estudos e abordagens de natureza estritamente disciplinar em contextos inter, multi e transdisciplinares.

 

Esta especial característica, competência transversal, habilita a integrar conhecimentos de áreas diversas do saber especialmente na execução de missões complexas. Tal habilidade inclui o domínio da comunicação das fases em evolução, bem como das conclusões, para plateias de especialistas e de não especialistas, ao longo de completar uma tarefa, seja ela qual for.

 

A aquisição de tal competência é progressiva e ilimitada, mas em todos os níveis permite e estimula continuar aprendendo, caracterizando-se pela relevância de trabalhar em equipe, onde naturalmente as características e habilidades são múltiplas e diferenciadas, constituindo-se em ferramentas indispensáveis em um mundo de educação permanente ao longo de toda a vida.

 

Os mestres envolvidos nos processos de aprendizagem dessas competências se caracterizam pelas abordagens que visam a fortalecer no educando a capacidade de aprendizagem independente, emancipatória na prática de aprender a aprender continuamente.

 

Os ingredientes indispensáveis na formação educacional com tais perspectivas incluem, entre outros: capacidade de comunicação e de estabelecer diálogos positivos e enriquecedores; habilidade de analisar e sintetizar informações de natureza complexa; despertar para a crítica baseada em argumentos claros, especialmente expostos à luz de evidências; estimular o pensamento baseado em metodologia científica, fazendo uso de lógicas sofisticadas e em elementos de modelagem e simulação; respeito por espaços de liberdade, pelas características individuais e apreço pela diversidade, como elementos imprescindíveis estimuladores de processos criativos e inovadores; desenvolvimento de compromissos não negociáveis com a ética, com a cultura de paz, com os valores democráticos mais fundamentais e aversão a toda forma de preconceito; e, por fim, ênfase absoluta em elementos personalizados de flexibilidade, adaptabilidade e de motivação.

 

Tio Luís jamais imaginou que um dia vivenciaríamos um universo onde toda a informação pudesse estar absolutamente acessível, instantânea e basicamente gratuita. Mais do que isso, inimagináveis para ele as consequências deste novo estado de coisas tal a radicalidade de mudanças nas profissões, no mundo do trabalho e nas relações entre as pessoas. Porém, alguns elementos essenciais devem permanecer intactos. Entre eles, a sobriedade, a honestidade, a tolerância e a humildade que estimulam a aprender sempre e com respeito aos que conosco convivem. São elementos que permanecem, sempre. Isso acredito que Tio Luís já sabia e ele estava certo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Figura em Domínio Público, como visto em: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/b/b1/The_Village_Tailor_-_Albert_Anker.png

Autor: Tags: , , , ,

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017 aprendizagem, Educação e Tecnologia, Inovação e Educação | 09:28

Adeus Wikipédia, bem-vinda Everipédia/Blockchain

Compartilhe: Twitter

everipedia-enciclopedia-todo-el-mundo

 

Uma das principais marcas deste começo de milênio é a Wikipédia, um projeto bem sucedido de enciclopédia colaborativa, universal e multilíngue. O objetivo central tem sido fornecer conteúdo livre, objetivo e verificável, onde todos, dentro do espírito colaborativo/wiki, podem voluntariamente editar e continuamente aprimorar as informações sistematizadas e disponibilizadas gratuitamente.

 

A comunidade Wikipédia é essencialmente cooperativa, sem hierarquia, onde todos os membros podem criar ou editar um artigo, desde que sigam as regras básicas estabelecidas por eles mesmos. O enorme sucesso parecia indicar que estávamos diante de um fenômeno sem limites e duradouro eternamente. Percebemos hoje que essa previsão era ingênua. Dando um adeus à Wikipédia, vem aí a próxima geração, a Everipédia, a enciclopédia de tudo, baseada em novas estratégias e tecnologias, como blockchain, não disponíveis anteriormente.

 

Everipédia, com seus mais de seis milhões de artigos, já nasce como a maior enciclopédia da língua inglesa, sendo absolutamente livre para ser modificada e utilizada. Tudo isso dentro da cultura de criações coletivas e fazendo uso de novas normas estabelecidas e amparadas em tecnologias inovadoras.

 

Há algo em comum entre as duas “pédias”, um dos fundadores da Wikipédia, Larry Sanger, é também um dos dirigentes atuais da Everipédia e, particularmente, um entusiasta do uso da tecnologia blockchain, de tanto sucesso nas criptomoedas (Bitcoin, Ethereum etc.), agora aplicado ao mundo das enciclopédias.

 

Entre as diferenças, destaco a descentralização e a “tokenização”. A Wikipédia é uma plataforma hospedada de maneira ainda tradicional e centralizada, o que, por sinal, permite que alguns países (China, Turquia e Rússia, entre outros) dificultem o seu acesso. Diferentemente, a Everipédia nasce com sua biblioteca hospedada de forma totalmente descentralizada, viabilizando que todos os seus usuários e editores possam acessar e modificar o seu conteúdo de diversos e ilimitados servidores.

 

A “tokenização”, por sua vez, vem junto com a adoção da tecnologia blockchain, a qual garante a coerência dos artigos e impede, ou tenta impedir, que qualquer usuário altere os dados que possui em sua máquina sem a devida aprovação da comunidade de editores. Uma novidade associada é que todos os editores serão recompensados com pontos ao criar ou atualizar os conteúdos disponíveis na plataforma. Ao editar algo, o proponente gasta parte de seus pontos, sendo que, se sua contribuição for aprovada, ele recebe seus pontos de volta, acrescidos de adicionais em recompensa pelo sucesso. Alguém mal-intencionado ou sem noção (eles existem) jamais teria pontos suficientes para, de forma deliberada e inadequada, ousar propor mais alterações do que o razoável.

 

Em suma, se hoje, dentro das tecnologias e das possibilidades atuais, a Everipédia disponibiliza mais de seis milhões de artigos, o cenário seguinte permite vislumbrar passarmos, em breve, de uma centena de milhões de artigos. Neste caso, contemplando tudo o que já foi formulado, abrindo espaço para o que potencialmente possamos vir a criar dentro deste revolucionário ambiente. Revolucionário? Sim, até que algo, ainda a ser desenvolvido, surja para dar um novo adeus àquele que hoje chega confiante que será para sempre. E será, pelo menos enquanto dure.

 

Autor: Tags: , , ,

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017 Educação e Tecnologia, Inovação e Educação | 16:19

O maoísmo digital e a droga chamada Facebook

Compartilhe: Twitter

jaron-lanier

 

 

Se alguém avesso ao mundo digital fizesse as acusações acima seria fácil debitar às naturais resistências aos avanços tecnológicos em curso. Mas, quando Jaron Lanier, considerado o pai da realidade virtual e eleito pela revista TIME como uma das 100 pessoas mais influentes do mundo, há que se prestar a devida atenção.

 

Lanier criou em 1985 a empresa VPL que foi a primeira a utilizar comercialmente capacetes com telas acoplados a computadores, viabilizando “enganar” o cérebro. Ainda que sua empresa tenha durado somente cinco anos, a tecnologia de realidade virtual é uma das bases principais dos avanços em modelagem, simulação e design do mundo contemporâneo. As aplicações são ilimitadas e vão desde a fabricação de produtos a variados usos nas áreas médica, militar e educacional, entre outras.

 

Lanier é autor de alguns livros, com destaque para “The Dawn of the New Everything” (em português, “O Despertar de Todas as Novas Coisas”). Nesta obra, de caráter autobiográfico, ele relata a história do surgimento da realidade virtual. Recentemente, a edição da BBC Brasil trouxe uma interessante matéria com ele destacando a analogia entre redes sociais e drogas. Lanier afirma evitar as redes pela mesma razão que evita as drogas, ou seja, por sentir que ambas podem lhe fazer mal.

 

Um de seus mais conhecidos textos é intitulado “Maoísmo digital:  os perigos do novo coletivismo online”, escrito para a revista Edge, em maio de 2006. Nele, uma crítica forte a ferramentas tipo Wikipédia é apresentada por passarem a percepção de uma suposta inteligência coletiva que tudo sabe e a tudo conhece, a chamada “sabedoria das multidões”. Segundo ele, isso nada tem a ver com democracia ou meritocracia, tendendo sim, na prática, a permitir espaços para visões extremadas e totalitárias, ainda que adotando uma roupagem tecnológica e futurista.

 

Uma das preocupações mais graves de Lanier é com o efeito psicológico do Facebook sobre os jovens, especialmente na formação das personalidades dos adolescentes e na construção de seus relacionamentos. Diz ele: “As pessoas mais velhas que já têm vários amigos e que perderam contato com alguns podem usar o Facebook para se reconectar com uma vida já vivida. Porém, se você é um adolescente e está construindo relacionamentos pelo Facebook, você é obrigado a fazer a sua vida funcionar de acordo com as categorias que o Facebook impõe. Você precisa estar num relacionamento ou ser solteiro, tem que clicar numa das alternativas apresentadas. Isso de se conformar a um modelo digital limita a pessoa, restringe sua habilidade de se inventar e impede de criar categorias que melhor se ajustem a você mesmo.”

 

Lanier expressa também uma inquietação especial com a forma como Facebook, Google, Twitter e outros sites utilizam os dados de seus usuários. Diz ele: “Existem dois tipos de informações: dados a que todas as pessoas têm acesso e dados a que as pessoas não têm acesso. O segundo tipo é que é valioso porque esses dados são usados para vender acesso a você. Vão para terceiros, para propaganda. E o problema é que você não sabe das suas próprias informações mais”.

 

Por fim, em que pesem as suas provocações típicas, Jaron Lanier persevera no otimismo com as novas tecnologias, afirmando sempre que ainda há muito a evoluir, seja em realidade virtual ou em outras ferramentas. Lanier considera que o que temos hoje é demasiadamente preso ao passado, tal qual o cinema que, no seu início, se restringia a filmar o teatro. Hoje, o cinema é uma arte independente do teatro.

 

————————

Figura em Domínio Público: https://iseultandbloom.org/images/singularity/jaron-lanier.png

Autor: Tags: , , ,

terça-feira, 28 de novembro de 2017 aprendizagem, EaD, Educação e Tecnologia, Ensino Superior, Inovação e Educação | 09:01

Lançamento do livro e do aplicativo em Brasília dia 05/12 na ABMES

Compartilhe: Twitter

CONVITEBRASILIAjpeg

 

No próximo dia 05/12, terça-feira, das 08h30 às 12h30, em Brasília-DF, na sede da ABMES,  o livro “A Arte da Educação” e o app “Ronaldo Mota Online” serão lançados.

 

Aqueles interessados em adquirir o livro online podem fazê-lo imediatamente via o link da Editora Obliq:  https://www.obliq.com.br/uc6e0tmk-a-arte-da-educacao.

 

Com o aplicativo “Ronaldo Mota Online”, desenvolvido em conjunto com Digital Pages, será possível acessar gratuitamente a versão completa do e-book “A Arte da Educação” e os diversos depoimentos realizados sobre a obra, para leitura tanto em modo online quanto off-line. Diversas ferramentas interativas de leitura estarão disponíveis, como anotações, favoritos, sumário, ferramentas de busca, atalhos para páginas e um menu ajuda. Para acessar o aplicativo, basta baixá-lo, a partir de 05/12, em uma das lojas disponíveis (Google Play ou Apple Store).

 

Abaixo, mais sobre a obra:

 

———————————-

A ARTE DA EDUCAÇÃO

 

Ao início era a obra

com cara de segunda-feira.

 

Trigo na forma bruta

água que não faz espuma

letras que se desentendem

movimento e energia.

 

Em seguida vem o corpo

expressão de sexta-feira.

 

Massa enquanto barro

caldo que se mistura

sentenças que se conversam

cansaço querendo espaço.

 

No meio temos o forno

com jeito de precisão.

 

Alimento quase pronto

recheio que se junta

páginas que se seguem

fome de conclusão.

 

Tempo feito em partes

a arte da educação.

 

Ciclo permanente

quando todos aprendem

aprendem o tempo todo

cada um cada qual.

 

Final lembrando recomeço

parecido mas diferente.

 

Não somos mais os mesmos

sabemos pouco mais

cientes que nunca fecha

nova volta a completar.

 

Ronaldo Mota

 

Autor: Tags: , , , , , ,

  1. Primeira
  2. 1
  3. 2
  4. 3
  5. 4
  6. 5
  7. 10
  8. Última